windmills by fy

28/10/2011

O sétimo filho do sétimo filho está dentro de nós – por Billy Shears

Filed under: Uncategorized — Fy @ 9:44 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há muitas estórias sobre a lenda do    sétimo filho do sétimo filho  . 

Na Inglaterra diz-se que esta figura terá poderes mágicos ;

- na metáfora construída pelos autores dos versos acima , ele encarna a figura de um libertador .

Fica difícil ler sobre esta lenda e não lembrar do mito do   Sebastianismo , criado por nossos irmãos lusitanos .

As vicissitudes do agora serão quebradas pela intervenção de alguém: no futuro , 

que restabelecerá a verdade e fará a justiça , trará a cura para vários males ou libertará um povo .

 

 

 Aqui em terra brasilis , durante muito tempo cultivamos a figura do   “ salvador da pátria ” ,

aquele que faria o Brasil deixar de ser o país do futuro e dar o grande salto adiante .

Parece que é comum à humanidade cultivar este tipo de mito , colocando sobre as costas de um outro ,

em um tempo futuro , as mudanças que devemos , nós , fazermos agora .

Por que isto acontece ?

 

 

Será que é por que nós tendemos a supervalorizar

a participação de outras pessoas sobre as dificuldades que encontramos pelo caminho ?

Um exemplo disto é quando estamos às voltas com determinadas situações de competitividade

em que somos levados a pensar :

“ Ah o outro é o inimigo , pensa diferente , quer nos fazer mal , têm interesses que se conflituam com os nossos ” ; pensamos nós .

 

 

E se estivermos certos ?  E realmente exista alguém que , por um ou outro motivo , nos quer mal .

 

 

Mas a saída é odiá-lo ?

 

 

Refletindo com cuidado , vejo que não .

O mestre Yoda vários pensamentos sobre este tema tem . . . rsrs . . .. .

Percebi , na prática , que o sábio Jedi acerta em cheio ;

o ódio nos cega para aquilo que temos dentro de nós e só nos faz ver aquilo que o outro tem de ruim .

Assim , vamos nos tornando piores , à medida em que combatemos o outro com raiva .

Não enxergamos que  “ a força ”  está dentro de nós ; 

- quando a sentimos , as coisas se esclarecem , o inimigo é fraco e por isso nos ataca e ao revidarmos mostramos a ele a nossa fraqueza .

 

 

Apesar da linha que divide a justiça da vingança ser tênue ,

sendo justos venceremos aqueles que se colocarem como nossos antagonistas ;  por outro lado ,

sendo vingativos os convidamos mais e mais a nos atacar .

Ser justo não é ser bom , nem mau .

A virtude está na justiça , assim como o vício está na vingança .

 

 

Mas o que este exemplo tem a ver com o mito do libertador futuro ?

É que a sociedade tem muito em seu bojo o que cada indivíduo carrega em seu interior .

Como ?   O que significa isso que eu falei ?   Explico – ou pelo menos tento…rsrs - 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na mesma medida em que projetamos o mal no outro

e não vemos que ele pode estar presente em nós também . 

A sociedade parece não enxergar que é ela que deve lidar com os males do agora

e que esperar por um salvador que a liberte do atual estado de coisas produz conformismo e inação ,

favorecendo aqueles que possuem as chaves das correntes .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eis a chave :  a razão e a ação ; ou a ação guiada pela razão .

Não uma razão fria , irmã da crueldade ,

mas uma razão com a sensibilidade de conhecer o que temos dentro de nós ,

o que nos anima como indivíduo , uma razão justa .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não existe utopia , existe o Fazer , existe o Agora ! 

 

 

 

 

 

 

Pra descontrair : Se algum engraçadinho for ao show do TFF e pedir para eles tocarem Raul , com certeza eles irão tocar , mas não será Raul Seixas .

RAUUULL !

RAUUUL !

RAUUUL !   HE HE HE HE HE

 

Billy Shears

 

 

 

24/10/2011

Paris for your sunday night

Filed under: Uncategorized — Fy @ 6:18 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                                        

 

 

 

 

Outro dia , comentei num post do Anarco , sobre a Felicidade .

Pois é ,  … Wonder/Land  -  Nowhere/Land …  -  In- a- Moment/Land  … Impossible/Land… 

– cada um : cada um .

 

 

Talvez …  , “feliz”  seja  território paradoxal , que vai revelando camadas sucessivas de interpretação ,

abrigando  metamorfoses  que se desdobram e ondeiam na eloquência do dizível ,

aquele …  que nunca morre  de frio ou em uma história que não existe .

Talvez…  seja feita pra quem abre mão de super-poderes . . .

pra quem abre mão do adiado e fantástico   fascínio de viver em histórias que não existem .

Ou percebam que o eterno e a ficção não precisam tanto  de amigos . Nem as paredes .

 

 

Eu penso que a felicidade exige um certo treino .

Uma tremenda coragem e alguma coisa assim . . .   como  uma   curiosidade sem-fim .

Uma importância urgente de estar no mundo e perceber o que é que o mundo tem .

 

 

Vôos , mergulhos , alegrias , tristezas , esperas , abraços , amores ,

perguntas , saudades ,  entregas , exigências, opiniões e ar . Muito ar.

 

 

Felicidade é ser .   Estar . A ousadia de estar  . Em cada busca , em cada encontro , em cada dúvida .

Não é rir à toa .      É rir : É emocionar-se .

Talvez… seja simplesmente :    perceber  .

 

Poizé,

e eu ,  - que já me conformei com o amor , que derepente ,  a chuva passou a sentir pelos meus finais de semana ,

resolvi retribuir-lhe  toooodo este carinho  , com todos os filmes, acolchoados , bis ,  

salgadinhos  e boas companhias ,  

… e nós duas , unidas por esta paixão insisteeeeeente  não podíamos deixar de recomendar ,  ah . . .  o melhor  ,

ou um dos melhores  momentos do Woody Allen e , claro . . . o melhor vinho .

 

 

Gênio , gênio e mais gênio , que  , com toda a simplicidade sofisticada dos gênios  ,

” genialmente “  desprovida de apelações escalafobéticas ,  clichês apocalípticos ,

efeitos esquizofrêncios , ou defasados  espantos cósmicos . . .  ,  

traz  uma mensagem fascinante , verdadeira , sobre a importância dos nossos sonhos ,

nossas singularidades  e a  força de nossas atitudes em direção à Felicidade .

 

 

Uma angústia inexplicável , –  uma esquina  [ em Paris ,  in its total & bewitching  of course...  ] ,

 um convite

e um táxi  que brinca com o tempo , com as imagens ,  com a metade da noite ,

 com os sonhos e com a distância inexistente entre o que somos , o que desejamos . . . e nossa realidade .

Tudo isso em um  conto de fadas . . . pra pessoas de bom gosto .

Se ainda não viu , – ah … não perca  não !

 

- be my guest … -  and  Voilà :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

por  Vinicius Carlos Vieira :

 

 

 

Woody Allen é um cara apaixonado .

 

 

Por seus filmes , por suas mulheres ,

pelas cidades em que passa e , mais que tudo , pelo cinema ,

só isso explica o quanto Meia Noite em Paris é deliciosamente apaixonante .

 

 

 

 

 

E talvez seja essa mesma paixão que mova o cineasta novaiorquino

a começar seu novo filme deslumbrado pelas belezas da capital francesa ,

trocando o fundo preto e os créditos iniciais por um verdadeiro tour pela Cidade Luz ,

como se tivesse a necessidade de se redimir da injustiça

de não conseguir mostrar tudo aquilo durante seu filme .

Ou simplesmente para convidar seu espectador a se apaixonar por aquela cidade ,

como ele parece ter se apaixonado e , consequentemente , seu protagonista .

 

 

A bola da vez agora de interpretar a  “ persona ”  de Allen é responsabilidade de Owen Wilson , que vive Gil ,

um roteirista de Hollywood que vai à Paris com a noiva e os sogros e acaba descobrindo uma nova cidade . . .

depois … das badaladas do início da madrugada.

 

 

Na verdade , é esse casal que Woody  prefere apresentar durante os créditos iniciais , ao invés de seu jazz tradicional .

Ele romântico , . . . tentando escapar do marasmo artístico dos roteiros descartáveis e escrever seu primeiro romance ,

inspirado por tudo que Paris representa  ( e representou ) , -

enquanto ela , vivida por Rachel McAdams , prefere não enxergar nada disso ,

sem conseguir entender qual a obsessão do namorado  por aquela cidade  ( e  pela . . . chuva ) .

 

 

Meia Noite em Paris é então uma história de amor ,-  entre Gil , Woody Allen  ( – o espectador )   . . . e Paris ,

talvez no sentido figurado ,   – e o mais provavel é que  não :

 já que o diretor não se esconde por trás de nenhum simbolismo ou metáfora

para levar seu personagem em uma viagem no tempo de volta à Idade de Ouro dessa cidade ,

durante a década de 20 , cheia de escritores , artistas e personalidades  que , 

não sem exagero , deram o ponta-pé inicial

para muito do que hoje existe em termos de arte .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Woody Allen então convida seu espectador a participar dessa deliciosa viagem , 

pela boemia da Cidade Luz na companhia dessa grande festa onde  personagens  famosos

e verdadeiras homenagens  dão uma vida enorme a seu filme

e parecem dar as caras :  como um enorme playground de referências .

 

 

É impossível não saborear cada linha de diálogo entre Gil e um Ernest Hemingway  -

[ ha ha ha : simplesmente genial ! ]    :

                                                                                                                                                                                                                                                                             

 

 

 

 

 

 

Carey Stoll , que na TV é um dos protagonistas da série Lei e Ordem LA  - 

com cara de bêbado suicida ,

pessimista , galanteador , tétrico e obcecado por sua espingarda de caça .

 

 

 

 

 

 

Meia Noite em Paris não se esconde porá trás de um lado  “ pseudo-intelectual ” ,

que nesse caso é irritantemente representado pelo personagem de Michael Sheen  ( sempre ótimo ) ,

amigo de faculdade da noiva de Gil e ,  aparentemente . . .   

capaz de ser expert em todo e qualquer assunto que exista no mundo .

Na realidade Sheen é talvez a mola central dessa artimanha de Allen

para criar mais ainda esse protagonista simpático ,  já que todos a sua volta , aos poucos , . . . se tornam insuportáveis ,

. . . vazios e céticos , incapazes de viver essas experiências   (  ou se deixarem viver por elas )  .

 

 

É   lógico que Woody Allen faz disso um instrumento , uma arma até ,

contra todos que ainda dão mais valor a uma enciclopédia

do que a vontade de viver essas novas experiências .

 

 

Mais ainda . . .  –  reafirmando-se  nesse   “ tour mundial ”   que vem fazendo ,

saindo de seu habitat em Manhattan , para que seu cinema experimente novos ares ,

da misteriosa Londres em : “Match-Point” ,

da  “ caliente ”   Espanha em :   “ Vicky Christina Barcelona ”  [ inesquecível ! ]  

e agora . . .   toda a poesia de Paris .

 

 

Assim como seu protagonista   ( ou o contrário )  Woody  Allen parece à procura de viver essas experiências

e não de falar sobre elas como se as tivesse lido em um livro ,

e isso é imprescindível para que   “  Midnight in Paris   ”   seja essa experiência tão apaixonante ,

já que é  tão  fácil se sentir como um companheiro de viagem do diretor ,  nessa  louca viagem .

 

 

Mas Allen não se perde nessa paixão ,

Meia Noite em Paris   ainda é ,  sobretudo ,   um   “ filme de Woody Allen ”  ,

com um protagonista frágil , pragmático , preso em um mundo que parece não aceitá-lo ,

mas sem medo de deixar suas opiniões ácidas vazarem por grandes planos de diálogos .

 

 

Também  permite que ele viva essa história de amor fora de época

com uma espécie de  “ musa inspiradora ”   ( a linda Marion Cotillard )  

de um trio de pintores   ( Modigliani , Braque e Picasso ) dos quais foi amante .

 

 

Por outro lado ,   essa   “ viagem no tempo ”   dá ainda a chance de  Woody Allen zombar

da cadeira de vinte mil dólares no presente , ao mesmo tempo em que

se permite ver um quadro de Matisse sendo vendido por quinhentos francos ,

- esse tipo único de ironia que sempre se perpetua pela filmografia do diretor

e acaba sendo uma verdadeira válvula de escape

para que ele possa remexer em mais um monte de assuntos pertinentes .

 

 

 

 

. . .   Ou você não percebeu que a família da noiva vai , em plena Paris ,

ver uma comédia descartável de Hollywood ,

cujos nomes dos atores nem ao menos são lembrados .

E talvez seja isso que Allen mais tenta em sua carreira : 

mostrar que nem tudo precisa ser descartável para fazer sucesso e ser popular .

 

 

Infelizmente , uma discussão que Woody Allen talvez perca ,

já que na maioria das vezes seus filmes

ainda acabem caminhando apenas na borda deste sucesso ,

o que talvez o faça se sentir como seu personagem , 

na divertida conversa com o trio formado por Man Ray ,

Salvador Dali  : um Adrian Brody incrivelmente interessante ,

como todo resto do elenco , –  e Luis Buñuel   ( que depois … , em outro momento ,

ainda ganha  “ de brinde ”  o ponto de partida para seu Anjo Exterminador ,

mesmo sem entender :  -  “ por que eles não conseguem sair daquele lugar ! ”  ) - ,

onde a verdade acaba se perdendo de modo surrealista

entre significados existenciais e rinocerontes .

Como se : mesmo tentando mostrar o que fazer ,     . . . sempre alguém acabe  “ lendo demais ”  algo , 

 . . . que é só feito para ser sentido . [ ! ]

 

 

 

 

E é  então que se percebe que Meia Noite em Paris não quer ser simbólico , metafórico , surrealista  

ou   . . .   cheio de leituras   ( como eu já citei )  ,

mas sim :  só  quer   contar   essa   história ,

juntar esses personagens nessa história de amor e , no final das contas ,

ter a certeza de que o presente sempre parece insuficiente para quem não tem limites para sonhar

e às vezes perceber   . . .  que a única coisa necessária é :   esse momento de chuva sobre Paris .

que . . .   ( realmente )  acaba deixando-a muito mais bonita .

 

 

 

 

E essa impressão . . . , só consegue ser passada realmente por um gênio como Woody Allen que ,

decididamente , é um cara apaixonado , … e  mais que qualquer coisa , apaixonado  pelo cinema .

 

 

 

 

 

 

Escolhi a crítica do Vinicius Carlos Vieira – mas a do Pablo  está genial  e a do Omelete também.

E mais um achado , uma coisa incrível que o Renato achou pra nós :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Fy

 

 

 

20/10/2011

sabadana ave Maria

Filed under: Uncategorized — Fy @ 2:03 AM

 

 

do TocaYo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando veio  

mostrou-me as mãos vazias ,

as mãos como os meus dias

                                                      tão leves  –  tão banais .

 

 

 Pediu-me

Que lhe levasse o medo.

 

eu lhe disse um segredo

« Nao partas    nunca mais. »

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Frases de Pedro Abrunhosa

Frases do TocaYo

08/10/2011

breaking down for friday

Filed under: Uncategorized — Fy @ 6:28 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algum gênio da raça teve a brilhante idéia de dividir a diversidade humana em doze e , desde então ,

dá-lhe quatro linhas    dia após dia    sobre o futuro sempre brilhante e medíocre do seu signo solar :

um amorzinho nas quintas ,

uma visita amiga na sexta , trabalho duro na segunda ,

sossego e cerveja no fim de semana    – o horóscopo de jornal acabara de ser inventado .

 

 

A receita :

texto difuso e previsível   ( para que todos entendam e imprimam algum sentido nas entrelinhas ) .

Em suma:

chuva de chavões , pingos de autoajuda , bananas de banalidades .

 

 

A n d r é   B r e t ó n   f i c o u   p u t o   e   d e c l a r o u  , nos anos 50  :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O horóscopo do jornal já foi desmascarado por Theodor Adorno

( As Estrelas descem à terra  –  a coluna de astrologia do Los Angeles Times , – um estudo sobre superstição secundária )

e também por Roland Barthes  ( Mitologias )  como discurso a serviço da angústia ( promete-se o mundo ) ,

do fomento do consumo ( vende esmalte , lingeries , celebridades , moda , revistas )

e da indústria de apaziguamento das tensões socais , a do entretenimento .

 

 

Você lembra o que o seu horóscopo disse ontem ?

E anteontem ?    Deve ter lhe prometido algo , tentado lhe acalmar .

 

Do ponto de vista da astrologia , nada mais impotente , fake , terrível , infantil e sem erotismo  – 

a astrologia maravilhosa não é representada  pelo o horóscopo dos jornais .

 

No entanto , sua imagem ao grande público é feita de doze dicas , uma para cada signo solar e , desde então ,

não há astrólogo que não tenha que responder todo mês à graciosa pergunta de simpáticos transeuntes :

“ Hoje é um bom dia para Escorpião ? ” 

“ Peixes combina com Leão ? ”

“ Você acredita mesmo em astrologia ?  – Isso é sério ? ”

                                                       ( esta última me faz concluir que o astrólogo é um charlatão , a priori ) .

 

 

Sem falar que o horóscopo emite a falsa mensagem que a astrologia é um culto monoteísta ao deus Sol ,

reduzindo a complexa estrutura de texto que é o mapa astral a um dos seus elementos , ao signo solar que ,

isolado , diz pouco , muito pouco , quase nada .

 

Para piorar , a grande  ( sic )  mídia insiste na falsa polêmica   astronomia X astrologia  , como se uma respondesse pela outra .

Até o Incrível Hulk sabe que astrologia e astronomia , hoje , são áreas de conhecimento distintos .

Quem liga para um astrônomo para consultar o destino de sua vida profissional ?

Sim , astrologia lida com a ideia de destino .

Quem procura um astrólogo para saber sobre a química da atmosfera de Marte ?

Mas , se até o Hulk sabe , por que a mídia insiste nesta mentira ?

Resposta : para vender revista .

Astrologia é popular – apesar dos seus praticantes mais herméticos e amargos dizerem que não .

Aliás , também tenho lá as minhas dúvidas se realmente é possível popularizar a astrologia sem envergonhá-la .

 

O horóscopo de jornal é um produto da indústria cultural , assim com as palavras cruzadas e as tiras de quadrinhos .

Fico com os quadrinhos .

Tire um destes três dos cadernos de cultura para ver o que acontece com a caixa de email do coitado do editor-chefe do caderno .

Apesar do horóscopo de jornal não representar a força e os mistérios mais profundos e úteis da astrologia ,

o fato é que as colunas de horóscopo continuam firmes e fortes , sem mudança alguma no seu modelo já secular ,

mesmo com a liberdade de meios oferecidos pela Internet   ( por outro lado , é na web que surgem novos modos de trabalhar com o assunto ) .

A pergunta fundamental é :

por que a persona da astrologia não muda na grande mídia   ( revistas , impressos , portais na internet , telefonia ) ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                      Ok , tudo bem , de repente só se quer apenas algumas palavras para levar o dia com mais coragem e alegria , não vejo mal nisso .

                                                                                                                      Mas para isso não é preciso da inteligência astrológica , apenas de discursos messiânicos e/ou motivadores .

 

 

 

 

 

 http://www.casadaculturadigital.com.br/

 

 

Fy 

 

05/10/2011

Control

Filed under: Uncategorized — Fy @ 1:04 PM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quem teve a oportunidade de assistir sabe que é impossível não fazer uma conexão imediata com Minority Report de Philip K. Dick

ou vivenciar uma versão ainda mais punk do  panóptico de Jeremy Bentham .

A punição e a vigilância são poderes  destinados a educar (adestrar) as pessoas

 para que essas cumpram normas , leis e  exercícios de acordo com a vontade de quem detêm o poder .

A vigilância é uma  maneira de se observar à pessoa ,

se esta está realmente cumprindo com todos  seus deveres  –

  é um poder que atinge os corpos dos indivíduos , seus gestos , 

  seus discursos , suas atividades , sua aprendizagem , sua vida cotidiana .

  A  vigilância tem como função evitar que algo contrário ao poder aconteça

  e busca  regulamentar a vida das pessoas para que estas exerçam suas atividades .

Já a punição é o meio encontrado pelo poder para tentar corrigir as pessoas que infligem as regras ditadas pelo poder

e  também é o meio de fazer com  que essas pessoas cometam condutas puníveis

[ testemunhando  a punição as pessoas terão receio  de cometer algo contrário às normas do poder ] .

A  vigilância e a punição podem ser encontradas em várias entidades estatais ,

como hospitais , prisões , escolas , em entidades religiosas , regimes políticos , etc

“ O panóptico de Jeremy Bentham é uma composição  arquitetônica de cunho coercitivo e disciplinatório :

possui o formato de um  anel onde fica a construção à periferia ,

dividida em celas tendo ao centro uma  torre com duas vastas janelas que se abrem ao seu interior

e outra única para o  exterior permitindo que a luz atravesse a cela de lado . . . ”  

( Michel Foucault – Micro-Física do Poder )

 

                                                                                                                         

 

A  relação entre vigiar e punir está no fato de que com ela seria possível  “ adestrar ”  as pessoas

para que estas exercessem suas tarefas como bons cidadãos ,

evitar o  máximo que as pessoas infringissem as normas estabelecidas pelo poder ,

estas  idéias podem ser retiradas do livro  “ Vigiar e Punir ” .  –  Michel Foucault  -

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Michael Suk-Young Chwe  escreveu um livro muito bom ,

 “ Rational Ritual ”  , que pega um monte de temas de teoria social

e lhes aplica uma dose de teoria dos jogos .

Um deles é o Panopticon , do Bentham , citado por  Foucault .

O Panopticon é um modelo de prisão

em que as celas estão dispostas circularmente ,

de maneira que os guardas em uma torre central

têm visão perfeita de todas elas ao mesmo tempo .

 

 

 

Os presos não vêem os guardas na torre , de modo que ,

 

em princípio , os guardas poderiam mesmo sair pra dar

 

uma volta de vez em quando sem que ninguém soubesse .

 

O Panopticon permitiria total visibilidade , e ,

 

portanto , controle , dos prisioneiros ,

e por isso foi escolhido por Foucault como símbolo da sociedade de controle .

 

O que o Chwe faz é discutir se o Panopticon seria mesmo eficiente ,

e. . .  aparentemente , não é , não .

Poucas prisões foram construídas segundo o modelo ,

mas , se lembro bem , elas têm um problema sério :

se alguém conseguir, de alguma forma , começar uma rebelião ,

todo mundo fica sabendo ,

[ porque os presos também vêem quase todos os outros o tempo todo ] ,

 

                                                                                                                                  

 

o que aumenta em muito a chance de sucesso da rebelião .

 

 

Daí que o controle  sempre gera instabilidade e nunca é perfeito .

E  instabilidade  é  só o que temos visto .

[ nem  mesmo no “ panopticon ”  cyberpunk  do J.J. Abrams  / ... mas aí ... vira spoiler ]

- continua …

 

 

 

 

Fy

 

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