windmills by fy

24/10/2011

Paris for your sunday night

Filed under: Uncategorized — Fy @ 6:18 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                                        

 

 

 

 

Outro dia , comentei num post do Anarco , sobre a Felicidade .

Pois é ,  … Wonder/Land  -  Nowhere/Land …  -  In- a- Moment/Land  … Impossible/Land… 

– cada um : cada um .

 

 

Talvez …  , “feliz”  seja  território paradoxal , que vai revelando camadas sucessivas de interpretação ,

abrigando  metamorfoses  que se desdobram e ondeiam na eloquência do dizível ,

aquele …  que nunca morre  de frio ou em uma história que não existe .

Talvez…  seja feita pra quem abre mão de super-poderes . . .

pra quem abre mão do adiado e fantástico   fascínio de viver em histórias que não existem .

Ou percebam que o eterno e a ficção não precisam tanto  de amigos . Nem as paredes .

 

 

Eu penso que a felicidade exige um certo treino .

Uma tremenda coragem e alguma coisa assim . . .   como  uma   curiosidade sem-fim .

Uma importância urgente de estar no mundo e perceber o que é que o mundo tem .

 

 

Vôos , mergulhos , alegrias , tristezas , esperas , abraços , amores ,

perguntas , saudades ,  entregas , exigências, opiniões e ar . Muito ar.

 

 

Felicidade é ser .   Estar . A ousadia de estar  . Em cada busca , em cada encontro , em cada dúvida .

Não é rir à toa .      É rir : É emocionar-se .

Talvez… seja simplesmente :    perceber  .

 

Poizé,

e eu ,  - que já me conformei com o amor , que derepente ,  a chuva passou a sentir pelos meus finais de semana ,

resolvi retribuir-lhe  toooodo este carinho  , com todos os filmes, acolchoados , bis ,  

salgadinhos  e boas companhias ,  

… e nós duas , unidas por esta paixão insisteeeeeente  não podíamos deixar de recomendar ,  ah . . .  o melhor  ,

ou um dos melhores  momentos do Woody Allen e , claro . . . o melhor vinho .

 

 

Gênio , gênio e mais gênio , que  , com toda a simplicidade sofisticada dos gênios  ,

” genialmente “  desprovida de apelações escalafobéticas ,  clichês apocalípticos ,

efeitos esquizofrêncios , ou defasados  espantos cósmicos . . .  ,  

traz  uma mensagem fascinante , verdadeira , sobre a importância dos nossos sonhos ,

nossas singularidades  e a  força de nossas atitudes em direção à Felicidade .

 

 

Uma angústia inexplicável , –  uma esquina  [ em Paris ,  in its total & bewitching  of course...  ] ,

 um convite

e um táxi  que brinca com o tempo , com as imagens ,  com a metade da noite ,

 com os sonhos e com a distância inexistente entre o que somos , o que desejamos . . . e nossa realidade .

Tudo isso em um  conto de fadas . . . pra pessoas de bom gosto .

Se ainda não viu , – ah … não perca  não !

 

- be my guest … -  and  Voilà :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

por  Vinicius Carlos Vieira :

 

 

 

Woody Allen é um cara apaixonado .

 

 

Por seus filmes , por suas mulheres ,

pelas cidades em que passa e , mais que tudo , pelo cinema ,

só isso explica o quanto Meia Noite em Paris é deliciosamente apaixonante .

 

 

 

 

 

E talvez seja essa mesma paixão que mova o cineasta novaiorquino

a começar seu novo filme deslumbrado pelas belezas da capital francesa ,

trocando o fundo preto e os créditos iniciais por um verdadeiro tour pela Cidade Luz ,

como se tivesse a necessidade de se redimir da injustiça

de não conseguir mostrar tudo aquilo durante seu filme .

Ou simplesmente para convidar seu espectador a se apaixonar por aquela cidade ,

como ele parece ter se apaixonado e , consequentemente , seu protagonista .

 

 

A bola da vez agora de interpretar a  “ persona ”  de Allen é responsabilidade de Owen Wilson , que vive Gil ,

um roteirista de Hollywood que vai à Paris com a noiva e os sogros e acaba descobrindo uma nova cidade . . .

depois … das badaladas do início da madrugada.

 

 

Na verdade , é esse casal que Woody  prefere apresentar durante os créditos iniciais , ao invés de seu jazz tradicional .

Ele romântico , . . . tentando escapar do marasmo artístico dos roteiros descartáveis e escrever seu primeiro romance ,

inspirado por tudo que Paris representa  ( e representou ) , -

enquanto ela , vivida por Rachel McAdams , prefere não enxergar nada disso ,

sem conseguir entender qual a obsessão do namorado  por aquela cidade  ( e  pela . . . chuva ) .

 

 

Meia Noite em Paris é então uma história de amor ,-  entre Gil , Woody Allen  ( – o espectador )   . . . e Paris ,

talvez no sentido figurado ,   – e o mais provavel é que  não :

 já que o diretor não se esconde por trás de nenhum simbolismo ou metáfora

para levar seu personagem em uma viagem no tempo de volta à Idade de Ouro dessa cidade ,

durante a década de 20 , cheia de escritores , artistas e personalidades  que , 

não sem exagero , deram o ponta-pé inicial

para muito do que hoje existe em termos de arte .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Woody Allen então convida seu espectador a participar dessa deliciosa viagem , 

pela boemia da Cidade Luz na companhia dessa grande festa onde  personagens  famosos

e verdadeiras homenagens  dão uma vida enorme a seu filme

e parecem dar as caras :  como um enorme playground de referências .

 

 

É impossível não saborear cada linha de diálogo entre Gil e um Ernest Hemingway  -

[ ha ha ha : simplesmente genial ! ]    :

                                                                                                                                                                                                                                                                             

 

 

 

 

 

 

Carey Stoll , que na TV é um dos protagonistas da série Lei e Ordem LA  - 

com cara de bêbado suicida ,

pessimista , galanteador , tétrico e obcecado por sua espingarda de caça .

 

 

 

 

 

 

Meia Noite em Paris não se esconde porá trás de um lado  “ pseudo-intelectual ” ,

que nesse caso é irritantemente representado pelo personagem de Michael Sheen  ( sempre ótimo ) ,

amigo de faculdade da noiva de Gil e ,  aparentemente . . .   

capaz de ser expert em todo e qualquer assunto que exista no mundo .

Na realidade Sheen é talvez a mola central dessa artimanha de Allen

para criar mais ainda esse protagonista simpático ,  já que todos a sua volta , aos poucos , . . . se tornam insuportáveis ,

. . . vazios e céticos , incapazes de viver essas experiências   (  ou se deixarem viver por elas )  .

 

 

É   lógico que Woody Allen faz disso um instrumento , uma arma até ,

contra todos que ainda dão mais valor a uma enciclopédia

do que a vontade de viver essas novas experiências .

 

 

Mais ainda . . .  –  reafirmando-se  nesse   “ tour mundial ”   que vem fazendo ,

saindo de seu habitat em Manhattan , para que seu cinema experimente novos ares ,

da misteriosa Londres em : “Match-Point” ,

da  “ caliente ”   Espanha em :   “ Vicky Christina Barcelona ”  [ inesquecível ! ]  

e agora . . .   toda a poesia de Paris .

 

 

Assim como seu protagonista   ( ou o contrário )  Woody  Allen parece à procura de viver essas experiências

e não de falar sobre elas como se as tivesse lido em um livro ,

e isso é imprescindível para que   “  Midnight in Paris   ”   seja essa experiência tão apaixonante ,

já que é  tão  fácil se sentir como um companheiro de viagem do diretor ,  nessa  louca viagem .

 

 

Mas Allen não se perde nessa paixão ,

Meia Noite em Paris   ainda é ,  sobretudo ,   um   “ filme de Woody Allen ”  ,

com um protagonista frágil , pragmático , preso em um mundo que parece não aceitá-lo ,

mas sem medo de deixar suas opiniões ácidas vazarem por grandes planos de diálogos .

 

 

Também  permite que ele viva essa história de amor fora de época

com uma espécie de  “ musa inspiradora ”   ( a linda Marion Cotillard )  

de um trio de pintores   ( Modigliani , Braque e Picasso ) dos quais foi amante .

 

 

Por outro lado ,   essa   “ viagem no tempo ”   dá ainda a chance de  Woody Allen zombar

da cadeira de vinte mil dólares no presente , ao mesmo tempo em que

se permite ver um quadro de Matisse sendo vendido por quinhentos francos ,

- esse tipo único de ironia que sempre se perpetua pela filmografia do diretor

e acaba sendo uma verdadeira válvula de escape

para que ele possa remexer em mais um monte de assuntos pertinentes .

 

 

 

 

. . .   Ou você não percebeu que a família da noiva vai , em plena Paris ,

ver uma comédia descartável de Hollywood ,

cujos nomes dos atores nem ao menos são lembrados .

E talvez seja isso que Allen mais tenta em sua carreira : 

mostrar que nem tudo precisa ser descartável para fazer sucesso e ser popular .

 

 

Infelizmente , uma discussão que Woody Allen talvez perca ,

já que na maioria das vezes seus filmes

ainda acabem caminhando apenas na borda deste sucesso ,

o que talvez o faça se sentir como seu personagem , 

na divertida conversa com o trio formado por Man Ray ,

Salvador Dali  : um Adrian Brody incrivelmente interessante ,

como todo resto do elenco , –  e Luis Buñuel   ( que depois … , em outro momento ,

ainda ganha  “ de brinde ”  o ponto de partida para seu Anjo Exterminador ,

mesmo sem entender :  -  “ por que eles não conseguem sair daquele lugar ! ”  ) - ,

onde a verdade acaba se perdendo de modo surrealista

entre significados existenciais e rinocerontes .

Como se : mesmo tentando mostrar o que fazer ,     . . . sempre alguém acabe  “ lendo demais ”  algo , 

 . . . que é só feito para ser sentido . [ ! ]

 

 

 

 

E é  então que se percebe que Meia Noite em Paris não quer ser simbólico , metafórico , surrealista  

ou   . . .   cheio de leituras   ( como eu já citei )  ,

mas sim :  só  quer   contar   essa   história ,

juntar esses personagens nessa história de amor e , no final das contas ,

ter a certeza de que o presente sempre parece insuficiente para quem não tem limites para sonhar

e às vezes perceber   . . .  que a única coisa necessária é :   esse momento de chuva sobre Paris .

que . . .   ( realmente )  acaba deixando-a muito mais bonita .

 

 

 

 

E essa impressão . . . , só consegue ser passada realmente por um gênio como Woody Allen que ,

decididamente , é um cara apaixonado , … e  mais que qualquer coisa , apaixonado  pelo cinema .

 

 

 

 

 

 

Escolhi a crítica do Vinicius Carlos Vieira – mas a do Pablo  está genial  e a do Omelete também.

E mais um achado , uma coisa incrível que o Renato achou pra nós :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Fy

 

 

 

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