sempre inaugurando um momento … nos intervalos dos meus roteiros .
Paraty surpreende , impactando o interesse entre a Fotografia e o Mundo ,
num quase instante de despromoção humana ,
ondeada em dumps enferrujados na África steampunk de Pieter Hugo :
imperdíveis flashs , caleidoscópio vintage , cruel e menos-zen que os elefantes , deixando ,
surpreendida em espanto , em cada foto . . . uma pergunta .
Perturbador ,
Impressionante , sim .
Velha África - que agente prefere não ver .
So ,
Muita chuva acompanhando palestinas e sionismos floating in the air ,
crises and drachmas having white coffee and toasts in the breakfast ,
religiosismos saturados no mofo mercenário e repetido dos sacanas ,
consumismos e capitalismos consumidos pela filosofia [decadente ]
dos anticapitalistas Ltda. : patrocinadíssimos pela Coorporação dos obesos consumistas da produtiva baixa-igualdade –
Assimque assim , nesta interrupção passageira entre Sampa e Rio numa semana enlouquecida de curvas ,
trabalho , frio , rock&roll e chuva : fiquei meio perdida , meio num êrro de casting ,
sem nenhuma pausa pra organizar uma sequência inteligível
desta porção de temas levantados pelo post do Cinema , > que em sua melhor performance ,
andou mesmo se confundindo entre Tempo e … Movimento .
Entre Rock in Rio e Paraty [7º Festival Internacional de Fotografia ] é possível transitar ,
rodear e atravessar as encruzilhadas do imaginário humano , multiterritorializado ,
multisonorizado e fotografado na dimensão geográfica desta experiência .
E em meio a tudo isto , fiquei com mais vontade ainda de escrever sobre Nomadismo ,
sobre as migrações , um tema bem atual , bem acontecendo .
Transculturalismo , transvivência , transterritorialização > trans : de trânsito e de transmissão .
O nomadismo inter/transpessoal ,
o nomadismo pessoal : o render-se a seu poder de autocriação , às surpresas da multiplicidade .
‘ A realidade nômade cria uma nova circulação de afetos,
expõe o virtual presente no atual , gera saberes inesperados .
A dificuldade é que esses saberes passam como fluxos ,
não são identificáveis segundo os hábitos acadêmicos de pensamento.
Eles não têm uma identidade .
Não se trata , aí , da produção de uma nova identidade , muito pelo contrário.
São criadas novas intensidades , sim , às vezes evanescentes ( como os quarks na física atômica ) , às vezes duráveis .
Uma conseqüência muito importante é que a pesquisa em ciências humanas e sociais desenhará mapas de intensidades , e de jeito nenhum , mapas, carteiras de identidades.’
Aprender em Ingold que o mundo em que habitamos não é nem um mundo de uma natureza dada a priori ,
nem um mundo de uma cultura somente construída .
O mundo se constitui continuamente e nele nos constituímos.
Acompanhar o balanço desta antropologia de inúmeros ritmos ,
recusar o silêncio histórico das dicotomias mudas entre natureza e cultura ; humanidade e animalidade ; corpo e mente ;
pessoas e coisas ; sociedade e natureza ;
e recuperar a relação dialógica do envolvimento mútuo das pessoas no mundo em que habitam .
A cultura , a vida, o mundo , nesse sentido , constitui-se como um campo de relações .
Mas pra que se possa usufruir desta experiência e , conseguir justificar sua riqueza ,
é preciso se libertar destes despotismos psico – conceituais de selfs estanques ,
mapeados em eus superiores e inferiores , des-significar estas autópsias psíquicas ,
deixar-se invadir pela alteridade , pelo outramento, e reconhecer enfim , uma identidade mutante ,
constantemente suscetível à contínuas atualizações sem que com isto perca sua singularidade .
Btw , hoje no twitter , rolou Lua Nova no Saturnália :
Lua Nova , Lunação de Libra > 27/09/2011 , às 8h10 ( horário de Brasília ) . O mundo se renova .
E eu resolvi começar esta minha enorme pretensão , blogando com Foucault ,
re-significando a tal identidade e sugerindo a renovação do olhar .
"...vamos planejar e cumprir nossas fugas do que é morbidamente banal, bem como do que é cronicamente vazio ou brutal. Assim o espírito se ergue em pleno esplendor."
A ciranda das mulheres sábias
Clarissa Pinkola Estés