windmills by fy

05/11/2009

O Brilho Do Sonho Na Poesia Do Corpo

Filed under: Uncategorized — Fy @ 6:34 AM

Windmills  in your body 

  

  

  

 

  

  

  

  

O    B R I L H O    D O    S O N H O    N A    P O E S I A    D O    C O R P O 

 

.

 

 

 

  

  

  

 

 

  

  

  

  

  

  

  

  

  

Quando              um corpo dança ,         abre-se para captar as mais finas vibrações ,  

ele ativa sua sensibilidade , seus sentidos , para atrair a energia do mundo , 

de uma forma sutil , leve , que o faça transportar a novas passagens . 

  

  

  

Quando um corpo dança  , comunica-se com suas ausências e com seus silêncios , dá-se  contorno : 

 e , assim , potencializa o surgimento de novos corpos . 

  

  

  

  

Isso o coloca numa outra dimensão temporal . 

Colocar tempo no corpo pode significar abri-lo ao regime do sutil , 

ao devir imperceptível , 

às velocidades e lentidões , às pequenas percepções  e ao vir a  ser : 

  

  

 

Alice Valente 

  

  

  

  

  

” …um só corpo pode desdobrar-se em dois ou tres outros corpos simultâneamente ” 

–  Gil  2004 – 

 

 

 

  

  

 

  

  

  

  

  

  

  

  

Dançando :          somente o Sonho alcança o corpo 

–  porque dançando ,  o corpo sonha  – 

  

  

 

ALICE VALENTE 

  

  

E este ser sonhador sobrevive ao tempo: 

porque alimenta a criança interna que expande a essência criadora em um corpo adulto. 

  

 

  

  

  

  

  

  

  

Esta capacidade imaginativa traduz no corpo emoções que identificam e apresentam o sujeito ao mundo. 

  

  

 

  

Eu falo do sonho acordado, aquele capaz de conduzir ao núcleo mais interno e ao mesmo tempo à sua mais elevada imaginação. 

  

  

  

  

  

  

O corpo que sonha revitaliza sua força de vida, recriando a realidade e ressignificando sua história. 

Até mesmo os sonhos que possam estar perdidos em um corpo reprimido pela urgência de uma vida adulta. 

  

  

  

  

  

A dança é o corpo navegando  em imagens, 

invenções que enfim conseguirão um espaço   visível e virtual ao mesmo tempo,  o corpo :   

  

  

  

  

 

  

 metafenômeno, emissor de signo e transsemiótico, 

comportando o interior ao mesmo tenpo orgânico e pronto a dissolver-se ao subir à superfície. 

  

  

  

  

  

  

  

Torna-se o corpo  :   habitado por  –  

–  e habitando outros corpos e outros espíritos , 

e existido ao mesmo tempo  :  na abertura permanente ao mundo através de linguagem e do contato sensível , 

e no recolhimento da sua singularidade , através do silencio e da não  –   inscrição  . 

  

  

 

O  corpo  que  dança  

 

é o corpo que se abre e se fecha

 

que se conecta sem cessar com outros corpos e outros elementos

 

  um corpo que pode ser desertado , esvaziado , roubado da alma

   

 e pode ser atravessado pelos fluxos mais exuberantes da vida .

 

 

 

  

  

  

  

Um  corpo  humano  que  pode  devir  animal , 

 vegetal , 

devir  atmosfera ,   

oceano , 

devir puro movimento : 

devir 

 

 

  

  

  

  

 

Em suma , um corpo paradoxal : 

 É o desafio:

a des – gravidade   –  –   é brincar com as certezas e os estranhamentos   – –   e  com os paradoxos da própria imagem , de uma forma sutil , ondeante . 

  

  

 

 

 

  

A   dança   é   o   grito   e   a   voz   do   corpo   que     e x i s t e  . 

 

 

  

DANÇA 1 

 

Sublimes dançarinos que deixam o seu olhar render-se às esferas íntimas do fogo 

  

  

  

 

 

O movimento dançado cria muito naturalmente o espaço dos duplos e das multiplicidades dos corpos , e dos movimentos corporais

 Um corpo isolado que começa a dançar povoa progressivamente o espaço de uma multiplicidade de corpos 

–   Gil: 2001  –

 

 

 

  

  

O bailarino esburaca o espaço comum abrindo-o até ao infinito . 

Um infinito não – significado  :   mas  >   real : 

porque pertence ao movimento dançado

 

  

  

 

  

  

  

Abrir o corpo é abrir o espaço de agenciamento de fluxos de intensidades , 

para que estes fluam segundo as vias mais adequadas . 

  

  

Agenciar  é  tecer ,  serzir  ,  atar  ,  anexar  ,  conectar  ,  forjar   os   dispositivos   apropriados   à   intensificação   das   forças  

–  Gil: 2004 –

 

 

 

Isadora  Duncan   and   Lori  Belilove

 

 

 

” Meu corpo é o templo da minha arte .  Eu exponho-o como altar para o adoração da beleza . “

” Dançar é sentir , sentir é sofrer ,  sofrer é amar . . .  Tu amas , sofres  e  sentes .     Dança ! “

 ”  Assim como o nu é o a coisa mais sublime em toda a arte , deve ser mais sublime na dança , porque a dançar é o ritual religioso da beleza física . “

Isadora  Duncan

 

 

 

 

Uma homenagem à Lori Belilove que por sua perfeição – performance e amor , sem dúvida foi confundida com Isadora Duncan – por mim e por vários sites que prestam homenagem à Isadora :

Agradeço à Patrícia Kissinger por ter me alertado.

 

 

 

 

 

 

  

  

Dançar é a vertigem sutil que contém o paradoxo de transformar algo  no mais conhecido e no mais enigmático : ao mesmo tempo . 

 

 

  

  

 

The Fireside Angel  

1937 

Max Hernst 

  

  

. . .   a consciência do corpo é   :    a impregnação da consciência pelo corpo 

–  Gil: 2004  – 

  

  

  

 

  

  

by Fy

16 Comments »

  1. Oi Fy! Que bom que gostou do post lá no blog….
    Gostei muito aqui do seu espaço também…. Os blogs são sempre uma oportunidade incrível de conhecer outras pessoas e outros tipos de conhecimento que nem o que encontrei aqui falando sobre o corpo e seu movimento e a dança, que é algo que me acrescenta muito…..Já está nos meus favoritos…hehe
    Se quiser publicar algo do meu blog, fique a vontade…
    Se quiser entrar em meus outros blogs tbem ….
    Tenho um de poesias — http://www.caiogarrido.blogspot.com
    e outro de musica — http://www.musicocontemporaneo.blogspot.com
    Bj

    Comment by Caio — 07/11/2009 @ 5:57 AM

    • Caio,

      Que muitobom vc ter vindo!

      Eu não gostei só do post – eu gosto muito do blog inteiro e conheço sim o de poesia e o de musica.

      Lí teu artigo publicado no SDM e desde então: virei assídua.

      São posts incríveis e eu encontrei muita afinidade – pretenciosa eu, né? – com minha maneira de pensar ou… tentar….

      Comemorando sua vinda vou postar uma coisa sua que eu gosto mto, só pra celebrar:

      Crenças e sofrimentos insalubres

      Minha cabeça coroada de espinhos
      Meu Deus
      Não é igual à Sua
      Lavagem cerebral
      Não faz espuma

      Brilhante é a água do mar
      Que iluminada pelo Sol,
      Rei maior
      Não carece de pompa
      Nem de erguer um altar

      Desta água não preciso beber

      Desta água não preciso provar

      CAIO GARRIDO

      – e ainda ondeando, neste meu post deleuziano-de-morrer, me permita ilustrar o teu poema com um pouquinho do violoncelo de Yo Yo Ma se misturando no violão do James Taylor, “magiando” e crescendo neste devir ensolarado dos Beatles:

      Bjs

      Comment by Fy — 08/11/2009 @ 2:45 AM

      • Bem-vindo, Caio!🙂

        —————–

        Yo Yo Ma e James Taylor…..Maravilha!!🙂

        Comment by Coringa — 08/11/2009 @ 6:24 AM

  2. o Zé Gil é muito bom, Fy.

    olha isto aqui: (aqui tá inteiro):

    Desejo em MOVIMENTO TOTAL de José Gil

    (…) O bailarino contempla as imagens virtuais do seu corpo a partir dos múltiplos pontos de vista do espaço do corpo.

    Paradoxalmente, a posição narcísica do bailarino não exige um «eu», mas um outro corpo (pelo menos) que se desprenda do corpo visível e dançe com ele.

    Graças ao espaço do corpo, o bailarino, enquanto dança cria duplos ou múltiplos virtuais do seu corpo que garantem um ponto de vista estável sobre o movimento (para Mary Wigman, dançar é produzir um duplo com o qual o bailarino dialoga).

    Conivência e distância do corpo actual em relação aos corpos virtuais são assim acompanhados por uma contemplação do movimento que ao mesmo tempo o desposa e se afasta dele para adquirir uma perspectiva consistente no interior do próprio movimento. (…)

    É falso dizer que «transportamos o nosso corpo» como um peso que arrastamos sempre conosco.

    O peso do corpo constitui um outro paradoxo: se exige um esforço para o fazermos mexer-se, é também ele que “nos” transporta sem esforço através do espaço.

    Como no-lo mostram essas Mulheres de Picasso correndo pela praia, com pernas e braços que se alongam como o próprio espaço que a corrida, o horizonte, o mar e o vento induzem, a textura do corpo é espacial; e reciprocamente, a textura do espaço é corporal.

    (…) A «abertura» do corpo não é nem uma metonímia nem uma metáfora. Trata-se realmente do espaço interior que se revela ao reverter-se para o exterior, transformando este último em espaço do corpo.

    Mas porque se quer abrir o corpo e projectá-lo para fora?

    Sabemo-lo: para construir o espaço do corpo e, no limite, para formar o plano de imanência da dança, enquanto última transformação desse espaço.

    Porquê querer a imanência?

    Para alcançar as intensidades mais altas, essas a que Cuningham chama de «fusão».

    Mas enfim porquê querer dançar?

    Assim que tentamos responder, somos imediatamente remetidos para o desejo, para a própria natureza do desejo.

    O que se prende com uma só palavra: “Agenciar”.

    Palavra de Deleuze e Guattari que nos parece ser a mais apta para exprimir “o que” do Desejo se implica no “desejo de dançar”.

    O desejo cria Agenciamentos; > mas o Movimento de Agenciar abre-se sempre em direção de Novos Agenciamentos. Porque o desejo não se esgota no prazer mas aumenta Agenciando-se.

    (…) O Desejo é portanto Infinito, e nunca pararia de produzir Novos Agenciamentos se forças exteriores não viessem romper, quebrar, cortar o seu fluxo.

    O Desejo quer acima de tudo Desejar > ou Agenciar, > o que é a mesma coisa.

    O Agenciamento do Desejo abre o Desejo e prolonga-o.

    Se o Agenciamento abre o Desejo e o aumenta, é porque se tornou Matéria do Desejo, e não seu Objeto, mas sua textura própria, participando da sua força, da sua intensidade, do seu «impulso vital» para falarmos como Bergson.

    Por outras palavras o Desejo não é só Desejo de Agenciamento, “é” Agenciamento, transforma aquilo que «produz» ou «constrói» em si próprio.

    Se o desejo de um pintor consiste em agenciar certas cores de certa maneira, a força do quadro que daí resulta “é” o desejo. As cores e os espaços agenciados desejam.

    Seja qual for o tipo de Agenciamento, o desejo procura fluir através dele.

    Nos Movimentos do Pensamento como no fazer do artista ou na elaboração da fala, Desejar é Agenciar para fluir, Agenciar para que a Potência de desejo aumente.

    Por isso o Desejo reconduz a si próprio, transforma, metaboliza todos os elementos que toca, atravessa ou devora.

    Para o Desejo tudo deve devir Desejo. –

    (…) Digamos, simplesmente, que o corpo habitual, o corpo-organismo é formado de órgãos que impedem a livre circulação de energia.

    A energia é investida e fixada nos sistemas de órgãos do organismo (assim se constroem esses «modelos sensorio-motores interiorizados» de que Cuningham fala, que representam sempre um obstáculo à inovação).

    Desembaraçar-se deles, constituir um outro corpo onde as intensidades possam ser levadas ao seu mais alto grau, tal é a tarefa do artista e, em particular, do bailarino.
    (…)

    – Graças ao espaço do corpo, o bailarino, enquanto dança cria duplos ou múltiplos virtuais do seu corpo que garantem um ponto de vista estável sobre o movimento (para Mary Wigman, dançar é produzir um duplo com o qual o bailarino dialoga).

    Isto tá explicado aqui:

    …a emoção que voce passa quando dança….

    ………qualquer canção nunca alcançará …

    TocaYo
    Beijo

    Comment by tocayo — 07/11/2009 @ 6:43 AM

    • Tocayo,

      É incrível, não é?

      quero muito me aprofundar no Gil, cada vez mais.

      Ele vai atravessando o pensamento de todos os que me fascinam: – olha isto:

      O mais importante de todos os pensadores da música como criadora de conceito de vida e mundo foi Nietzsche, para quem a música se encontra no cerne de seu pensamento.

      Desde O Nascimento da Tragédia, a música e o dionisíaco estão presentes de maneira bem similar à maneira como Zaratustra canta e dança ao longo do livro.

      Outro pensador para quem a música ocupa um lugar central é Henri Bergson. Para explicar seu conceito de Durée, um movimento pelo movimento e não pela relação entre dois pontos, utiliza a melodia como exemplo:

      – “um movimento que não está ligado a um móvel, uma mudança sem que nada mude” .

      Deleuze e Guatari estenderão estes conceitos, da duração como intuição imediata e devir diferencial, uma mudança de estado do virtual para o atual e também estenderão de música e musicalidade para um além da homem, um devir natureza e animal.
      A música também servirá de base para o conceito de território e reterritorialização, assim como adotarão, em Mille Plateau, conceitos criados por compositores como Messiaen e Boulez e reterritorializados para a filosofia.

      O emprego mais surpreendente esta desterritorialização é o uso que farão de dois conceitos:
      a universalidade da música e sua força enquanto forma de expressão encontra na filosofia seu interlocutor mais fecundo.
      A maneira como elas se articulam é pela complementaridade de forças opostas:

      – a Filosofia ao expressar o pensamento por conceitos – e – a Música pela força de um pensamento sem conceitos.

      Sem esquecer:

      Se você realmente dançar, o pensamento para.

      Se você dançar sem parar, girando, girando e se tornar um redemoinho – todas as fronteiras, todas as divisões desaparecem.

      Você nem mesmo sabe onde seu corpo termina e onde a existência começa.

      Você se dissolve na existência e a existência se dissolve em você.

      E se você estiver realmente dançando

      – não controlando a dança, mas deixando que ela o conduza –

      se você estiver possuído pela dança, o pensamento para.

      “A Sudden Clash of Thunder” Osho

      E aí:

      É bom dançar – quase voar, ou voar > Dennis

      Bj

      Comment by Fy — 08/11/2009 @ 3:11 AM

  3. Aloha Sister

    É bom dançar – quase voar, ou voar

    … Súbito reis…. ( tocayo brother) neste marzão q é a vida – nós vamos indo

    Fy vc colocou o viola que toca o oceano no Alquimia – ficou legal lá Spyder.

    Vamos lá que isto é dança, e eu gosto tb

    Dennis🙂 Hamilton

    Comment by dennis — 07/11/2009 @ 6:47 AM

  4. Hi Brother, ALOHA

    Isto é pra: além do homem, pra lá de um devir natureza e animal.!!!

    “um movimento pelo movimento e não pela relação entre dois pontos” – Oh lord: naquela altura – Kd 2 pontos?

    Just: Flying.

    Bj

    Comment by Fy — 08/11/2009 @ 3:17 AM

  5. Oi Fy! que pretensiosa o quê? pára….rs
    temos realmente afinidade, haja vista o que vc postou aí, o video do Yo YO Ma…!!
    incrível ele..eita japona (ou chinÊs.. rsrs) inspirado ele…
    já tinha visto esse video uma vez, e ainda c/ o james taylor, (putz) e tocando beatles! Demais… Não podia ter celebrado melhor… Bjs

    Comment by Caio — 08/11/2009 @ 6:03 AM

  6. RIOMAR

    Aqui o rio e o mar se confundem

    e começam a dançar
    e começam a nadar

    e a chamar
    você e eu

    [Pirateado lá do blog do Caio: http://www.caiogarrido.blogspot.com/ ]

    Coringa,

    Mto bom!- não é?

    Olha só:

    Bjs

    Comment by Fy — 08/11/2009 @ 7:00 AM

    • afff…espetacular!😮

      Comment by Coringa — 08/11/2009 @ 7:29 AM

  7. Chinese Dancers

    ps: li em uma reportagem, que estas dançarinas são surdas!

    Comment by Coringa — 08/11/2009 @ 7:04 AM

  8. The picture you posted is not Isadora Duncan. It is Lori Belilove of NY.

    Patricia

    Comment by Patricia Kissinger — 06/09/2010 @ 1:11 PM

    • Thank you for warning me, Patrícia.
      The confusion is really expainable .
      But certainly, by confusing it, I complimented Lori with all my heart.
      I’ll correct and explain it.
      Thank you,
      bj
      Fy

      Comment by Fy — 07/09/2010 @ 3:27 AM

  9. very interesting post.

    Comment by Cláudia — 04/07/2012 @ 3:55 AM


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