windmills by fy

11/11/2009

A Fecundação Pela Vida

Filed under: Uncategorized — Fy @ 1:14 AM

  

 

 

 

  

  

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                                                                                                                             

 

 

 

 Explicar o Início   [ e o Fim ] da vida tornou-se questão de honra para a humanidade . . .

Desde as tribos primitivas , passando pela era cristã e agora, pela ciência ,

um longo caminho foi percorrido na busca incansável de desvendar este Mistério .

 

 

 

  

  

  

E de que crença somos herdeiros  ?

CRENÇA CEGA

No mínimo , podemos afirmar que sempre convivemos com esta idéia  , . . . esta estranheza de que  :  

algo que não existia  , de uma hora para outra  , começou a existir   . . .

–    ou por capricho de um deus solitário   –   

ou . . .  pelo grito de liberdade da matéria sufocada . . .

  

  

.  

  

 

 MAS . . .    

E   quando  . . .  ,

. . . de homens   ” moldados com barro e saliva ”  , 

ou   ” mulheres nascidas de uma costela  ” ,

nos sentimos como um deus  . . .  que             – por uma mistura de Acaso e Desejo , criam um Novo Mundo  ? 

 

         

 E . . .                                                                                                                              

 quando nós podemos sentir uma vida pulsar dentro de nós ,                   

 misturar-se aos nossos líquidos , fazendo-se e refazendo-nos  ?  

 

 

 

 A luz , a explosão , a expansão , o processo , a evolução – seja qual for a origem

origem–  ela  : a origem – está dentro de nós . . .  !

 

 

 

 

É disto que pretendo falar neste trabalho :

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  –   Este ensaio propõe-se a pensar o Processo Criativo , como  o   “ Corpo – Grávido ”   –

 

 –   este Corpo que  é marcado por uma Diferença : deixando-se Fecundar por ela .  –

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Inicialmente sugiro um Vôo pela Filosofia , a fim de contextualizar o lugar destinado ao corpo através de sua história .

Que lente escolhemos para enfocar suas transformações ,

suas diferentes marcas e significações ?

Não é novidade para nós que a filosofia clássica , inaugurada pela tríade :   

Sócrates-Platão-Aristóteles       –  séc. V – IV   a/C  – 

determinou a cisão e oposição radical entre dois mundos :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   No entanto , os antecessores de Sócrates , pensando o homem de forma integrada ,

não separavam Natureza  e  Sobrenatureza .

 

 

Corpo , pensamento e o mundo invisível dos deuses faziam parte de um só domínio :

 

  

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como herdeiros desta corrente , vieram os sofistas , megáricos , cínicos , estóicos

 e epicuristas que não mais falavam da profundidade dos elementos da Physis  –  o que ainda guarda certa unidade  – 

fazendo explodir uma diversidade de pontos de vista .

 

Não defendiam uma verdade absoluta :  

e sim diferentes perspectivas e entendimentos conforme a mudança de referenciais e as relações estabelecidas .

 

 

Os seres passam a ser entendidos na relação .

Passam a ter sentido e valor por si mesmos ,

sem necessitar das formas e modelos pré-fixados das alturas .

 

 

 – os estóicos concentravam-se na questão do tempo e do movimento dos corpos .

Almejavam saber da expressão dos corpos neste mundo ,

e não entendê-los como re-apresentação de um modelo  . . .

AO CONTRÁRIO DE PLATÃO . . .  –  . . .   >

 que insistia em desvendar a essência , o que permanece ”  imutável ”   . . . na matéria ”  –

 

 

 

 

Era o pensamento nômade rompendo fronteiras contrapondo-se ao pensamento sedentário

que está sempre referido a um :  mesmo lugar .

 

 

 

 Um combate acirrado , iniciado no cenário grego dos séculos V e IV AC :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

  

  

  

– Sem dúvida , a Grécia passava por inúmeras transformações na época . . .

Nascia uma nova forma de organização ,

um Estado democrático e civilizado em contraposição ao despotismo e à barbárie .

Surgia a Lei , ao mesmo tempo em que tentava-se unificar língua , crenças ,

mitos e deuses dos povos subjugados :   criando um   ” grande e único ”   Estado .

 

 

Até então os gregos problematizavam o desejo e os prazeres pelo uso que se fazia deles .
 

O modo que a pessoa se conduzia em suas relações é que determinava sua ética .

 

Mas . . .  Platão . . .  dirá que de nada vale a conduta , se o desejo não for verdadeiro .

 

Para ele não mais interessa a maneira de se conduzir no amor , mas o   ” próprio ser ”   do amor .

 

 

Assim . . . bcz  Platão … , as ações não mais são regidas pela Ética ,  mas pela moral :    

pelos Códigos de uma Lei que pretende tudo prever e controlar  .

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao mesmo tempo em que  :   serve aos objetivos do novo Estado que  :  precisa   da  Semelhança Obediência    de seus pupilos  ,

 . . . Platão, ! ! !   argh . . .  , … aponta uma   ” saída ”  para o homem …  

” que sempre precisa de alguém cheio de bom senso” . . .  

 para   Governá-lo , Salvá-lo   e  Preservá-lo :

na segurança do termo médio , . . .    longe do   “ excesso e da falta ” .    ! ! !  – [  like a poor-little-pet ] – Fuganti, 1990, p.42.

 

 

Um efeito real foi produzido nos corpos já que este   ” outro mundo ”   é fictício ,

entretanto não é fictícia a vontade que o quer .   – Fuganti , 1990 , p.30 .

 

 

Com o tempo . . .

Platão não mais se preocupa em discernir o   ” Modelo ”   da Cópia : [ nós ]

 já que a ” Idéia ”    pertencia   à . . .  “ outra dimensão ”

…  – passando a priorizar a diferença entre: a   Boa  e  a     ” cópia ”   ,

entre dois tipos de imagens do plano material :

 

 

 

 

–  A Boa Cópia :

 

 

 

 

 

 

  

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 –  A Má Cópia :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E esta  ou este último , era entendido como verdadeiro demônio :  

construído a partir de uma dissimilitude , implicando uma perversão , em desvios essenciais .

 

 

 

 

– Tratava-se , pois , de assegurar o triunfo das Cópias sobre os Simulacros ,

 de recalcar os simulacros , de mantê-los no fundo ,

 de impedi-los de subir à superfície e de se  “ insinuar ”  por toda parte  .  

 

Deleuze, 1982, p. 262.

 

 

  

 

  

 O Cristianismo , por sua vez ,  entendeu  – rapidinho – e  muito muito  bem o que Platão quis dizer ,

 

Galileo_facing_the_Roman_Inquisition

 Galileo facing the Roman Inquisition

 

 

 

 e ,  . . .  convenceu-nos  . . .   – a ferro e fogo –    . . .   que :

que  um    “ deus ”    “ fez ”   de   nós  ,    sua imagem e semelhança ,

Mas  
 

.

.

.

 

   que  ” nós ”  . . .

. . .   por um tal de  desejo desenfreado  – ? –    

. . .  [ aiaiai ] caímos em:     Pecado ! ! !     ? ? ?     

[  e caímos  : nascendo ! ! !  ]
 

 [  – um jeito tinha que ser dado: para manter a superioridade e o domínio do tal deus  . – ]

 

 

 

!  U a U   !

 

 

 

. . . Nosso Desejo ” perverteu-se ”  como desejo de outras imagens e  se-pa-ra-mo-nos  de   ” deus ”    ! ? !       

– Fuganti, 1990, p. 33 –

 

 

 

–  e  . . .  assim :

. . .  de repente  . . .   [!!!]  – Platf  !   – [ Plaft !  : de Platão !   … ]

Perdemos a semelhança , a existência moral , mas conservamos a imagem . . .

 

 

 

 

Imagem . . .   . . .   já sem semelhança … ,   > pervertida  …  , Simulacro Condenado  …   a vagar na existência estética ,

na existência temporal deste corpo sempre mutante .

 

 

 

 

 

 

 

 

Apenas o   ” homem fiel à Imagem ”  ,  é capaz de   “ resgatar a semelhança ”  , conquistando a Vida Eterna  , o tal do ” Reino dos Céus ” . . .  :

[ sem comentários . . . ]

 

 

Paulina's Pixies head to Wonderland 3

 

“  Venha a nós o   ” vosso ”    Reino ”

 

 
 

 Fazer a nossa Própria Vontade… ? ? ?

 

 Ligar novamente Nosso Corpo ao que ele pode  ,   –    ao Seu Desejo    ? ? ? 

sempre pareceu encerrar um quê :  de :    pecado !       –   de transgressão   !  . . .  !

 

 

 

 

 Não é à toa que Fazer Arte designa tanto o Ofício do Artista quanto : Travessura de Criança .

Não posso deixar de lembrar Prometeu – o mortal que ao ousar criar ,

apropriando-se do fogo dos deuses e revelando-o para toda humanidade ,

foi acorrentado em uma coluna e condenado a ter seu fígado roído durante o dia por uma águia.

O órgão recompunha-se no decorrer da noite , tornando o castigo de Prometeu um eterno retorno do mesmo .

 

 

Da mesma forma . . . , o homem foi expulso do   ” Paraíso ”   :  

 e passou a viver em pecado quando tentou apropriar-se do mundo no qual vivia ,  compondo sua Própria Existência .

 [ – Mas que lendas mais esquisitas e tendenciosas … ! … tão infantis quanto oportunas ! 

e como elas “contaram e contam ” com a imbecilidade !   . . . chega a ser ofensivo . ]

 

 Assim , na Filosofia . . .   Platônica-Cristã , da qual somos herdeiros ,  não há   – preste atenção – :

 não há   “ como ”    inventar ou criar uma Nova Realidade ,  um novo corpo ,  sem pagar … um alto preço … por isto .

 

 

O verdadeiro valor não está na   Produção ,
 

mAs . . .

 

na  Reprodução   de um modelo dado a priori .

 

 

Como contra – ponto , vimos a emergência de uma Filosofia que propõe a Reversão  do  Platonismo .

E , para nossa surpresa , é o próprio Platão , que indica o caminho desta restituição .   [ –  mas ele  ” não ”   se distraiu , não ,  péralá : ]

 

–  Vamos ver como . . .  :

 

 

Ao se debruçar sobre o abismo do simulacro ,

Platão é o primeiro  [ … esperto …]  a perceber o caráter de metamorfose ambulante dos corpos…

Ele fala do devir ….

–  da capacidade da matéria estar sempre tornando-se algo diferente .

 

 

Para ele , a vida devém , nunca é verdadeiramente real , idêntica a si mesma .

Daí a necessidade de buscar sua essência , algo que permaneça .

 

 

Platão deu a  “ dica ” ,

Mas … Mas … Mas ….  :

entendeu que a matéria está sempre neste vir-a-ser >  ” a fim de ” … :

< quem adivinha ? >

Ah…. >  a fim de :   ” adequar-se ao modelo ” .   ! ! !

 

 

[ – Platãozinho não entendeu isto  é nada !   > na realidade ele se garantiu  :

percebeu que não era o   “ único ” que pensava  –

e antes que alguém lhe lembrasse o  “ óbvio ”     : deu um jeito de acabar com esta festa também . . . : ]

 

 

– O   devir   é , by Platonnnnn,  entendido como contrário à imortalidade e à eternidade ,

e por isso deve ser  :  banido , previsto , controlado .

Verdadeiro inimigo da alma  …

Alma que deve estar atenta:  para não sucumbir aos simulacros, às falsas cópias,

às inúmeras tentações deste mundo demasiadamente humano e efêmero.

[ – Este cara é nauseante, imagino a vibe – coitados dos que conviveram com ele – ]

 

 

 

 

 

Reverter o platonismo seria , como propõe Deleuze ,

passar a entender o devir como Afirmação da Vida : seu modelo por excelência  . . .

 

 “ É fazer subir os simulacros , afirmar seus direitos sobre os ícones ou as cópias .

O simulacro não é uma cópia degradada ,

ele encerra uma potência positiva que nega tanto o original como a cópia , >  tanto o modelo como a reprodução ” 

  Deleuze, 1982, p.265.

 

 

 

Nasce o desafio de forjar um pensamento sem imagem que  acolhe  os devires ,

em contraposição a uma imagem do pensamento que pressupõe uma forma à qual o pensamento e os corpos estão submetidos . 

Pelbart, 1993, p.24.

 

 

 

 

Esta tentativa que aparece não só na Filosofia , contagia diferentes Ciências e Artes .

Tweedledum and Tweedledee 1 SUGAROCK

A Pintura pôde deixar de lado a figuratividade , liberando cores e linhas , dispensando um só entendimento e interagindo cada vez mais com o observador .

 

 

 

 

Chanteurs des Rues miró

Chanteurs de Rues

Miró

 

 

 

– Procurava o essencial ou , melhor , o essencial saía-lhe das mãos como que por milagre .

O essencial da cor , do desenho , da escrita .

Porque Miró foi um dos pintores/escultores que , pintando ou esculpindo , mais escreveu .

E que escreveu ele ?

Que tudo pode ser promovido , por toques de mágica , à categoria de objeto de arte , que nada é canónico ,

que arte e vida estão de tal modo entrosadas que é impossível saber onde acaba uma e começa a outra .

A sua imaginação nem era imaginação , era um ritual de homenagem ao mundo maravilhoso que o rodeava . . . . . . . . .

É que ele sabia , como ninguém , que o homem é  : filho do menino . “

Alexandre O’Neill

 

 

 

 

 

 

Na Política houve o desmoronamento do Leste Europeu

e com ele a necessidade de inventar um outro jeito de fazer política ,

ou ainda a possibilidade de libertar-se de um só modelo ,

entendendo que uma intervenção política vai se construindo na relação entre o Estado e o Social .

– isto tá difícel . . . ,   mas de qualquer forma vai se tentando . . .

 

 

A Música saiu do território fixo das partituras e caiu na rica improvisação do jazz e da mistura de ritmos ,

assim como a Física nunca mais foi a mesma depois que Einstein lançou a teoria da relatividade .

 

 

Brincando um pouco com a dicotomia inerente à esta perspectiva , que busca o que há de essencial e imutável ,

proponho acompanhar mais de perto a   Des-cons-tru-ção    proposta por Deleuze , em duas ciências   “ opostas ”  :

 

a   Biologia : designada a tratar do corpo  

                                      e

a   Psicologia : chamada a cuidar da alma .

 

 

 

 

 

 

 Enfim Grávidos . . .

 

 

É assim que , por vezes , nos descobrimos grávidos .

Grávidos de alguma idéia , projeto , tela , música , poesia . . .

Não sabemos o que exatamente vai nascer , nem como , nem onde , nem quando  . . .

Apenas sentimos que algo nos aconteceu .

Em um encontro com outra alteridade , fomos marcados de alguma forma , fecundados pela diferença  !

– o que chama para a composição de um outro corpo , um corpo que possa acolher e encontrar sentido para este contágio :

 

 

“ E é pelo fato de que :  a marca , que  abre para o desassossego pelo desmanchamento das formas constituídas

é o que  faz necessário  que se invente um novo corpo para encarnar este novo estado ” .  

Oliveira – 1996 –  p.38.

 

 

Um Processo Criativo pode ser entendido como a invenção deste Novo Corpo . Resultado de algo que nos tirou do sossego , da estabilidade . . .  Uma Marca .

Marca do diferente-em-nós , do estranho-em-nós , que nos chama , para compor algo com ele .

 

 

 

 

 

 

Tatiana Ramminger

Psicóloga.

Assessora técnica da Politica de Atenção Integral à Saúde Mental da Secretaria da Saúde do Estado do Rio Grande do Sul

 

 

 

 

 

 

E a continuação fica pra uma outra hora  e pra outro post…   –  injuriei …de tanto  Platão….!

Bjs

Fy

39 Comments »

  1. Isso aqui tá demais! =D

    >Apenas sentimos que algo nos aconteceu.

    Apenas.

    beijo beijo!

    Mob.

    Comment by Mob — 11/11/2009 @ 4:53 AM

    • Apenas sentimos que algo nos aconteceu.

      …marcados de alguma forma, fecundados pela diferença

      [audio src="http://members.iinet.net.au/~adamson7/sounds/sailorbob.mp3" /]

      Bj Bj

      Comment by Fy — 12/11/2009 @ 8:17 AM

  2. Oi Fy… Platão não está mais por aqui, mas eu ficarei de Plantão para acompanhar seus proximos posts….rs
    Estou grávido de um novo estado de ser…
    Gosto muito da maneira que voce interpõe texto e imagens….
    Bjs…

    Comment by Caio — 11/11/2009 @ 9:01 AM

    • Caio,

      Que bom!

      Eu estou buscando um caminho pra publicar um tal de Caio Garrido, sabe?

      O teu excelente – Miró e a Composição e Fragmemtação do Eu –

      Inclusive, eu tô dando uma estudada no Rosenfeld > e na guangue mafiosa.

      Genial isto.

      Devagarinho te alcanço,

      Bjs

      Comment by Fy — 13/11/2009 @ 12:13 AM

  3. Nasce o desafio de forjar um pensamento sem imagem que acolhe os devires, em contraposição a uma imagem do pensamento que pressupõe uma forma à qual o pensamento e os corpos estão submetidos. – Pelbart, 1993, p.24.

    Basta parar.

    Parar um pouco e deixar levar a elevar-se o nosso pensamento para o que somos.

    E aí nesse incógnito lugar do pensar no que sentimos, não somos de lugar nenhum.

    Somos um corpo num corpo do todo, que vagueia muito para além de todas as formas.

    Somos a transcendência em forma musicada que não se toca.

    Somos a forma escrita que não precisa de palavras.

    Somos a forma ficcionada que não é possível desenhar.

    Somos o pensar do traço sentido de um todo traçado, que não delineamos.

    Somos simples pensares do único pensamento que pulsa e nos sente.

    GrÁvIdo, emprenhado,
    de brilho de sonho e de poesia

    TocaYo

    Comment by tocayo — 13/11/2009 @ 9:51 AM

    • Tocayo

      Somos o pensar do traço sentido de um todo traçado, que não delineamos.

      e… que apresente linhas mutantes “sem fora nem dentro, sem forma nem fundo, sem começo
      nem fim, tão viva quanto uma variação contínua”

      – meus pulmões provam do ar do Tempo
      Soprando através de areias que caem……”

      Gurney Halleck
      Dune – Frank Herbert

      Bjs

      Comment by Fy — 15/11/2009 @ 10:47 AM

  4. Geralmente somos milhares de coisas, não apenas uma. Somos muitos, uma miríade, uma multidão.

    Mas, quando um indivíduo se torna consciente, lentamente, lentamente, a multidão perde sua multiplicidade e se torna uma só pessoa, uma integração, uma cristalização – e então ocorre uma grande harmonia.

    Primeiro você precisa entrar em harmonia consigo mesmo, para depois se harmonizar com o universo, as estrelas, a lua, o sol, as árvores e os pássaros – nesse todo, nesse vasto e infinito universo, você pode se fundir.

    Há duas fusões: uma dentro de você mesmo – a primeira unidade -, e a outra com o todo – a segunda unidade. E nesses dois passos toda a jornada se completa.

    Primeiro se torne íntegro consigo mesmo, e depois com o todo – é isso que chamo de santidade. Torne-se consciente e sua vida será só poesia, música, harmonia, unidade, unicidade.
    Sem isso, você vive em total futilidade, em vão.
    Uncle Osho

    Clau e
    Dennis The Only One
    Abço aê para todos somos um

    Comment by dennis — 13/11/2009 @ 9:52 AM

  5. Salve, Dennis!

    Fenomenal aquele vídeo do cara descendo o maremoto! Wow, há os tsunamis do bem também!

    Abs,
    Mob.

    Comment by Mob — 13/11/2009 @ 12:32 PM

  6. …O amor é portanto primeiro, não em absoluto, sem dúvida (pois então seria Deus), mas em relação à moral, ao dever, à Lei. É o alfa e o ômega de toda virtude. Primeiro a mãe e seu filho. Primeiro o calor dos corpos e dos corações. Primeiro a fome e o leite. Primeiro o desejo, primeiro o prazer. Primeiro a carícia que aplaca, primeiro o gesto que protege ou alimenta, primeiro a voz que tranquiliza, primeiro esta evidência: uma mãe que amamenta; depois esta surpresa: um homem sem violência, que vela uma criança adormecida.

    Se o amor não fosse anterior à moral, o que saberíamos da moral? E o que ela nos tem a propor de melhor que o amor do qual ela vem, que lhe falta, que a move, que a atrai? O que a torna possível é também aquilo mesmo a que ela tende, e que a liberta. Círculo? Se quisermos, mas não vicioso, pois evidentemente não é o mesmo amor no princípio e no fim. Um é a condição da Lei, sua fonte, sua origem. O outro seria antes seu efeito, sua superação e seu mais belo êxito.

    Observe-se a mãe e o recém-nascido. Que avidez no bebê! Que generosidade na mãe! Nele tudo é desejo, pulsão, animalidade. Nela, mal se vêem tais coisas, a tal ponto estão transfiguradas pelo amor, pela doçura, pela benevolência… Isso começa nos animais, parece-me, em todo caso nos mamíferos, mas a humanidade foi muito mais longe nessa direção do que qualquer outra espécie conhecida. A humanidade se inventa aí, inventando o amor, ou antes reinventando-o. O filho toma, a mãe dá. Nele o prazer; nela a alegria. Eros é primeiro, dizia eu; de fato, uma vez que toda mãe foi uma filha. O amor nos precede, no entanto, quase sempre (pois todo filho é de uma mãe) e nos ensina a amar.

    A humanidade se inventa aí, o espírito se inventa aí, e é o único Deus, e é um Deus de amor. Alain, como bom ateu que era, e porque era, soube dizê-lo como convinha:
    Diante do filho, não há dúvida. É preciso amar o espírito sem nada esperar do espírito. Existe certamente uma caridade do espírito para consigo mesmo: é pensar. Mas veja-se a imagem; veja-se a mãe.

    Veja-se de novo o filho. Essa fraqueza é Deus. Essa fraqueza que necessita de todos é Deus. Esse ser que cessaria de existir sem nossos cuidados é Deus. Assim é o espírito, com respeito ao qual a verdade ainda é um ídolo. É que a verdade viu-se desonrada pela potência; César arregimenta-a e paga-a bem. O filho não paga; ele pede e pede mais. É a severa regra do espírito: o espírito não paga e ninguém pode servir a dois patrões. Mas como dizer suficientemente que há um verdadeiro de verdade, que a experiência nunca pode desmentir? Essa mãe, quanto menos provas tiver, mais se aplicará a amar, a ajudar, a servir. Esse verdadeiro do homem, que ela carrega nos braços, não será talvez nada que exista no mundo. No entanto ela tem razão, e terá ainda razão quando todo o filho não lhe der razão.

             Sim. Mas isso o filho não sabe e só vai aprender aprendendo a amar.

    Esse amor permanece, porém, prisioneiro de si mesmo, e de nós.

    Por que amamos tanto nossos filhos, e tão pouco os dos outros?

    É porque são nossos e porque nos amamos através deles.

    Sua ausência, mesmo que seja insolúvel, é o que torna as virtudes necessárias: o amor (mas o amor não egoísta) liberta da lei, quando existe, e a inscreve no fundo dos corações, quando falta.

    (O Amor – Partes de- Pequeno Tratado das Grandes Virtudes
    De André Comte-Sponville)

    Comment by Coringa — 13/11/2009 @ 2:08 PM

    • Coringa,

      – que coisa tão linda !

      – é…. – amor.

      Vou te responder com o coração:

      Essa mãe, quanto menos provas tiver, mais se aplicará a amar, a ajudar, a servir.

      Esse verdadeiro do homem, que ela carrega nos braços, não será talvez nada que exista no mundo.

      No entanto ela tem razão, e ” terá ainda razão quando todo o filho não lhe der razão “:

      Bjs

      Comment by Fy — 15/11/2009 @ 2:24 AM

  7. Oi Fy,
    q bom…
    por acaso vc faz ou estuda Psicanálise tbem?
    Bj

    Comment by Caio — 14/11/2009 @ 6:52 AM

    • Oi Caio;

      – acho que eu sou mesmo é uma pensadeira… [curiosa e faladeira] !
      Sou economista; creia. Meu parentesco mais próximo com a Psicanálise é ser filha de mãe psiquiatra.

      Mas sou Aquariana. E isto, querendo ou não, é estar naturalmente comprometida com a vida, – com o mundo, a arte, com aqueles sintomas de “humanidades”-congênita que aos 27, Urano , com certeza, constela febrilmente… –

      Nasci aqui, mas sou de 2 países: Brasil, minha terra, e Canadá, terra do meu pai, onde cresci e privilegiadamente convivi com dezenas de raças, costumes, educações e crenças diferentes; em total: enriquecedora e amigável convivência. Aliás, o Canadá é um país onde a diversidade existe e literalmente coexiste. Sem que isto seja sequer considerado virtude ou aqueles lalalás complicados e hipócritas.

      E acho que fui crescendo assim, reparando num sem-reparar , nas tantas e diversas cores, – sem dúvida percebendo que são diferentes entre si mas, usufruindo, naturalmente, de suas intensidades, nuances, singularidades neste mosaico contagiante que é o mundo e neste devir incontrolável que é a vida.

      E, como é assim mesmo, vida incontrolável vida; não é? me bate forte este desejo ou necessidade do se-tornar-real, cada-vez-mais-existente, sem pressa; mas… presente. Presente lá dentro, e presente aqui fora. Num atravessar contínuo entre as duas realidades: a interior e a exterior. Num panteísmo descarado que não consegue endeusar nem self e nem nenhum “ismo”. E que procura reverenciar a sacralidade que se manifesta em tudo, que nos conecta a tudo e que de alguma forma tb nos responsabiliza por tudo.
      E então, claro que eu valorizo muito este conhecimento pessoal, esta exploração interior, – mas sem processos esquisos, sem me descomprometer com a vida.

      E tenho notado, Caio, uma tendência de transformar alguns conceitos da Psicanálise em doutrinas, que de uma certa forma estigmatizam a Individuação; uma leitura confusa em torno deste processo. Eu diria até que a individuação, não raro ganha uns traços patológicos e perde a poesia do ser. Do criar;- uma transformação da potência quase em possessão egóica. Uma repetição sem-sentido do refrão – Procura-se vivo ou morto – em relação ao ego. Ou melhor: uma baita confusão em torno desta palavrinha que ganhou todas as características do cristão “pecado original”. E haja viasacra pra nos libertar do tal ego. [ leitura confusa, amedrontadora: na minha opinião]

      E, questionar nossas reais vontades e desejos – O que quero? Concordo com isso? O que penso? – Essas perguntas fundamentais que nos diferenciam de uma relação alienada com o mundo, porque abrem o plano da criação da própria existência acabam perdendo o sentido; ou porque são manifestações de um ego inquieto e não dissolvido no “Self” – ou pq a angustiante questão do vivo uma vida sem existência real ou sofro a angústia de reconhecer-me não existente [?] acaba por desautorizar nossa busca, nossa aventura-de-ser. Gera como que uma vida despersonalizada, “mitolosada”: bem no sentido do simulacro mesmo; submetida a um Inconsciente “abismal” e feitor; – , sem a possibilidade da realização da primeiríssima condição para a construção de uma identidade: o devir.

      O dom de nos transformar; de mudar e transformar: Como eu disse pro Mob: – fecundados pela diferença.- e assim: … fecundar.

      Bjs

      Comment by Fy — 15/11/2009 @ 12:42 AM

  8. Caio,

    – encontrei este parágrafo que resume mais ou menos como tenho entendido:

    Duas leituras:

    – a primeira acopla as estruturas, os processos identitários, os significantes, o Simbólico, o Édipo, a filosofia da representação, o Ser, os atributos e predicados, o “não dialético”, as formas, o transcendente, o essencialismo (Platão, Aristóteles, Descartes), as substâncias, os sujeitos e objetos, o tempo de Cronos (metrificado), o pensamento-sujeito, a linguagem que designa paradas e repousos, os modelos que privilegiam nomes e adjetivos (epicurismo) e a consciência com sua síntese de unificação (o “eu”).

    A segunda conecta o Pluralismo:

    o “sim dionisíaco”,

    as linhas de ação da diferença, a distribuição de singularidades (nem pessoal, nem individual),

    o princípio móvel imanente,

    a lógica do acontecimento,

    a modulação (e não a moldagem),

    os fluxos, a variação contínua de variáveis,

    o tempo indefinido de Aion,

    o pensamento-ação, a linguagem que exprime os movimentos e os devires.

    Alain Badiou

    Bjs

    Comment by Fy — 15/11/2009 @ 1:05 AM

  9. Aloha,Mob
    Nem fala .
    É rei ou não é?

    Não sou poeta, e aqui ta cheio de gente boa, que faz o coração dagente surfar até no deserto.
    Muito lindo tua poesia no meio daquela areia e no drop furioso daquela águia atravessando a lua.
    A gueixaiada então, nem fala; é poesia dançando flor by flower. Tu canta, brother, tu canta.
    Seja bem vindo aê, amigo, vai ser uma honra encarar uma temida / final de dia/ neste mar bonito que tem aqui.

    Dennis
    E pras nossas gueixas lindas que ta louco, um bj assim :– ( ficas me devendo esta ahauahau)

    Abraço aê

    Comment by dennis — 15/11/2009 @ 2:01 AM

    • Evoé, Dennis,

      >A gueixaiada então, nem fala; é poesia dançando flor by flower. Tu canta, brother, tu canta.
      Seja bem vindo aê, amigo, vai ser uma honra encarar uma temida / final de dia/ neste mar bonito que tem aqui.

      Nós cantamos e nós surfamos, rapaz. Se é na água ou nas palavras, tudo é canto e tudo deslizar nas ondas.

      E eu tenho certeza absoluta que a honra vai ser toda minha. =)

      E mais pras nossas gueixas lindas que tá louco, um bj assim tb:

      Abs,
      Mob.

      Comment by Mob — 23/11/2009 @ 9:59 AM

      • Dennis e Mob;

        Eu não sei que é isto. !

        pera lá:

        Clau: V.

        bjs

        Comment by Fy — 24/11/2009 @ 5:28 AM

      • Clau,

        Vai pensando tb.

        Tem regininhas – tem terezas – sei lámaisq…. …tudo poesia, sister…. poemas…..

        Bjs

        Comment by Fy — 24/11/2009 @ 5:44 AM

  10. Que legal, Fy, sua história e o que vc me falou acima é bastante enriquecedor.
    Que troço complicado é esse negócio de Ego, né? rsrsrs
    tem uma frase do Fernando Pessoa que diz muito sobre a lucidez do não-ego,… acho…. :
    (“Estou lúcido hoje como se não existisse” )
    Bj!

    Comment by Caio — 15/11/2009 @ 6:00 AM

    • Caio,

      Olha isto do Campbell:

      “Além disso, nem sequer teremos que correr os riscos da aventura sozinhos; pois os heróis de todos os tempos nos precederam; o labirinto é totalmente conhecido.

      Temos apenas que seguir o fio (Ariadne) da trilha do herói.

      E ali onde pensávamos encontrar uma abominação, encontraremos uma divindade; onde pensávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos; onde pensávamos viajar para o exterior, atingiremos o centro da nossa própria existência; e onde pensávamos estar sozinhos, estaremos com o mundo inteiro”

      Joseph Campbell lá no “sugestivo”: O Herói de Mil Faces

      Aloha

      Comment by Fy — 24/11/2009 @ 5:41 AM

  11. Tudo o que vc falou é fundamental: A reflexão e a vida se tornarem parceiras uma da outra.
    Você podia postar alguma coisa falando mais sobre isso que me falou aí, que me deixou curioso… :

    “uma baita confusão em torno desta palavrinha que ganhou todas as características do cristão “pecado original”. ”
    Bj

    Comment by Caio — 15/11/2009 @ 6:04 AM

    • Caio,

      Vou vim te responder já já.

      hj meu tempo deve ter levado algum susto; saiu correndo…..

      Bj

      Comment by Fy — 17/11/2009 @ 5:03 AM

  12. rs

    Comment by caio — 17/11/2009 @ 10:01 AM

  13. Pois é Caio,

    Vamos 1° de ego:

    Impressionante isto. Se vc clikar esta palavrinha no Google; é paranóia na certa. Surpreendente. Serve pra tudo. Não sei como a “rede” católica ainda não beatificou Jung.

    Uns dias atrás o Coringa me passou um email, com uma reportagem que saiu há poucos dias no NY Times à respeito do Jung – de quem gosto demais – ; ressaltando a diversidade de interpretações sobre o seu trabalho, o endeusamento de sua pessoa e a exploração aleatória que esta gama de interpretações está provocando.

    Eu tenho notado, me espantado, e até entrei numa discussão no Anoitan por perceber que o tal processo de Individuação Junguiano foi engolido pela ideologia cristã por boa parte dos que o lêem. Caiu como uma luva em termos de compensação.

    Percebi que as pessoas relutam em aceitar que o mundo não tenha começado a partir de um estalar divino de dedos, ou que a humanidade inteira não seja resultado das condutas pecaminosas de Adão e Eva…- e como na maioria dos casos, tem que acabar “aceitando”, talvez isto gere algum tipo de culpa: em mentes adestradas, doutrinadas.

    Em razão desta culpa; ou do medo gerado por ela,- acredite – demonizar o que se entende – ou não se entende – por “ego” funciona mesmo como um tipo de compensação.

    Matar o ego, es ga nar o ego, até que não sobre mais nada e vc não seja mais nada, e possa se dissolver no tal inominável – “mesmo estando viva – aiaiai –“ é como uma auto-assepsia: uma “limpeza” de sua humanidade. – é exatamente isto que sinto as pessoas buscando quando falam em “ego”. A tal da Individuação, acabou sendo simbolizada, por ex: pela crucificação de Cristo. – só neste momento, ao morrer crucificado [ numa referência à dissolução do ego ] foi que o coitado do Jesus atingiu a iluminação e portanto a Individuação.

    Claro que isto tudo passando pela via crucis, desertos endemoniados, abismos repletos de monstruosidades indiscritíveis: nosso inconsciente … – e toda uma sofreção conseguida dedicada e árduamente.E, sem ela: noway. Se não sofrrreeeeer e muito: não dissolve o tal do ego e não tem iluminação tb.

    Pois é, sei que parece uma salada, mas é bem por aí a confusão.

    Eu gosto mto da posição do Lázaro Freire neste seu artigo: – Como matar o Ego… e …viver em Psicose : rsrsrsrsr

    … Numa visão pós-junguiana, o EGO revela-se como um *complexo* com alto grau de continuidade; não é um arquétipo, não é um defeito, não é uma psicopatologia, não é um diabo, não é um obsessor, não é uma “mentira da mente que mente”.

    O EGO é a amálgama de conteúdos que nos faz ter a sensação de que quem acordou hoje na nossa cama é, PROVAVELMENTE (não há certeza), o mesmo “ente” que lembramos de ter dormido ontem no que parece ser o mesmo lugar.

    E é esse EGO que, só surgindo após termos nos aculturado (criancinhas não tem, psicóticos também não – mas ambos podem ter “personalidade” e egoismo), garante a nós também a possibilidade de vida social, de experiências do consciente, indispensáveis para “existirmos” e evoluirmos aqui, enquanto estamos aqui, por precisarmos estar AQUI. [ IN LAND!]

    http://www.voadores.com.br/site/geral.php?txt_funcao=colunas&view=4&id=222

    – coloquei tb uns retalhos do One Taste do Ken Wilber, que, na minha opinião se refere ao ego de uma forma bastante saudável.

    – aiaiai : Impossível…, my friend, não sei como é sua colocação; mas de uma forma geral, que não a minha, se livrar do tal do ego é uma necessidade sinequanom para entrar no reino dos céus. Tal qual o pecado original: do qual, não temos a menor idéia do que possa ser e acabamos nascendo …. com….

    Bj

    Comment by Fy — 17/11/2009 @ 11:21 AM

    • Fa,
      >>… Numa visão pós-junguiana, o EGO revela-se como um *complexo* com alto grau de continuidade; não é um arquétipo, não é um defeito, não é uma psicopatologia, não é um diabo, não é um obsessor, não é uma “mentira da mente que mente”.

      Jung que me desculpe, mas era suíço e falava alemão. Ele não cantou com o poeta que era “apenas um rapaz latinoamericano”. Na certa para esse povo que assume a psicologia dele importada com ranço suiço o sangue não ferveu nos trópicos, não sentiu o jeitinho do ego que acarinha a realidade – e sensualmente com ela abre-se em romance. Porque a mim parece que a questão está na permeabilidade do que antes se chamava ego; se este “ego” desabrocha para “o não-ego” ou não. É claro que depois esta distinção não tem mais sentido. Pra quê?

      Ausência
      Vinicius de Moraes

      Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
      Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
      No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
      E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
      Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
      Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
      Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
      Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
      Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face.
      Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
      Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
      Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
      Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
      E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
      Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
      Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
      E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
      Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

      bj bj,
      Mob

      Comment by Mob — 23/11/2009 @ 10:15 AM

      • Ah, Poeta

        Pra quê?

        E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta,

        E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano,…
        e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão … … … subliminar. [rsrsrssr

        E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala… … em 33 rotações mas sem ficar chata.[!!!]

        E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena;
        é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar [ ah ah ah ] porque dariam tudo – [tudo tudo] – para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê….

        … e é assim que os poetas são…- não adianta nem ter cuidado.

        ó que lindo q eu achei:

        Bj Bj
        Fy

        Comment by Fy — 24/11/2009 @ 3:11 AM

      • Hi Man,

        Na certa para esse povo que assume a psicologia dele importada com ranço suiço

        o sangue não ferveu nos trópicos,

        não sentiu o jeitinho do ego que acarinha a realidade – e sensualmente com ela abre-se em romance.

        …. – pra homenagear a tua, a nossa latinidade, cheia de beleza, cheia de vida e que é toda cor, vamo lá, pra terminar de rasgar essa coisa de poesia rasgada, atravessada e que tem mesmo este drop furioso que ondeia em qualquer coração que consegue bater:

        Bj Bj
        Fy

        Comment by Fy — 24/11/2009 @ 3:41 AM

  14. Caio falou:

    – A reflexão e a vida se tornarem parceiras uma da outra.-

    – Claro, e deste encontro e parceria de dois devires paralelos, a Reflexão e a Vida, surgem diversificações e estabilizações. Desterritorializações e territorializações…

    Um entender esta esta parceria como a formação de uma “rede”.

    Enquanto “rede”, sua organização é variável e flexível, sem extensão ou forma fixa, encontrando-se em constante engendramento de si mesma.

    Sendo assim, a adaptação explicada pela parceria, que chega ao nível de acoplamento; não possui direção otimizante nem caminho necessário.

    É agenciamento, composição e não mera acomodação ou adaptação de informações.

    Varela e Maturana reafirmam, assim, o velho Nietzsche:

    O corpo mergulhado nele mesmo é só positividade.

    O patológico não é defeito do corpo, mas ocorre quando ele está mergulhado em um Meio que> o captura, que o impede de fazer sentido. [ que o impede de fazer sentido: que lhe rouba a Reflexão – e a vida -]

    Portanto, mais importante do que definir o Vivo como aquele que se reproduz, aquele que é segundo em relação a uma unidade> é pensá-lo como aquele que se cria e automodifica, aquele que é singular em relação a qualquer unidade…

    Enfim, Ser, que é o que nos identifica enquanto vivos, é tomar a vida, a mente, a alma, seilámaisque, o corpo, naquilo que lhe é mais próprio: sua dor, seu prazer, seu encontro com a exterioridade, e sua condição de ser afetado pelas forças do mundo e de afetá-las.

    Como o observa a Stiegler: – para Nietzche todo sujeito vivo é primeiramente um sujeito afetado pelas forças do mundo, um corpo que sofre de suas afecções, de seus encontros, da alteridade que o atinge, da multidão de estímulos e excitações que lhe cabe:- Selecionar, – Evitar, – Escolher, – Acolher, etc

    Nessa linha, também Deleuze insiste:

    – Um corpo não cessa de ser submetido aos encontros, com a luz, o oxigênio, os alimentos, os sons e as palavras – doces ou cortantes – um corpo é primeiramente “encontro” com outros corpos, “Poder” de ser afetado.

    Mas…não por “tudo e de qualquer maneira” > como quem deglute e vomita tudo com seu estomago fenomenal > na Pura Indiferença daquele a quem Nada Abala….. > aquele vitimado pelo adestramento civilizatório do Poder – seja ele qual for – cuja definição, esta sim: imutável – é o conveniente progressivo silenciamento do corpo, de seus ruídos, impulsos, movimentos, sensações, desejos, enfim: Vontade.

    – que vc acha?

    Bj

    Comment by Fy — 17/11/2009 @ 11:37 AM

  15. OI Fy, ufaaa, “viver é uma arte, só que precisa cuidado”
    Acho que uma das principais “convicções” internas ou insights após um caminho espiritual (meditação) é a simplicidade do saber que: temos que nos aceitar como humanos, apenas isso. como vc falou :”por PRECISARMOS estar AQUI”

    Gosto muito de Jung tbem…
    Vc teria como passar por email aquela materia do new york times?
    Valeu!
    Bj

    Comment by Caio — 19/11/2009 @ 7:56 AM

  16. Caio

    : A reflexão e a vida se tornarem parceiras uma da outra.

    Bom caminho. Camaradagem do bem.

    Fazer uma parceria com a vida;

    “Ser, que é o que nos identifica enquanto vivos,

    é tomar a vida, a mente, a alma, seilámaisque, o corpo, naquilo que lhe é mais próprio: sua dor, seu prazer, seu encontro com a exterioridade, e sua condição de ser afetado pelas forças do mundo e de afetá-las.”> Fy

    Este encontro com a exterioridade requer uma dose consistente de simplicidade, tem um lance muito legal do Bob lá no the others, pega lá Fy, gostei pacas da poesia, faz bem, ; muito bem lembrado, Aceitar a evidência de que somos humanos é nos aceitar.

    E sermos humanos é sermos formados a partir de uma delicada reciprocidade de múltiplas texturas, sons, formas; é lembrar que nossos olhos evoluíram em sutil interação com outros olhos, assim como nossos ouvidos harmonizam- se com o próprio som de um planeta Terra animado, vivo. Taí, amigo, a parceria com a Vida, como o Vivo. Esta parceria tem que atingir um nível de cumplicidade capaz de gerar uma experiência que sublinhe e amplifique nossos processos de percepção.

    Uma não-resistência, que só acontece em mentes desacorrentadas, mentes que não foram assustadas, porque assustar é um método eficaz apesar de banal, este deixar se atravessar pelo cruzamento de continuidades e descontinuidades que embaralham o que se poderia entender pelo seu “dentro” e pelo seu “fora” deve ser assustador pra quemfoi condicionado a se acomodar no medo e em sua inércia. A exterioridade e a ideologia; o afecto e a emoção, as sensações e as percepções mesclam-se e criam e recriam no compasso da imaginação, moldam-se em constantes renovações e continuidades. Um estado presente, de onde se projetam perspectivas inerentes ao movimento, como um diaporama, e não um presente estático que apenas pretende capturar um momento e paralisá-lo na abstração do não-ser.

    A dança personifica muito bem esta entrega, esta mesclagem serena entre o impulso e a possibilidade do devir. Este atravessamento quando não estancado ou evitado produz uma modulação não resistente que evita impactos, evita a paralização e resignifica a abstração, que eu chamo de serenidade e possibilidade, onde a existência livremente ondula o experimento deste percurso nosso, por aqui.

    É o marzão da vida, haja ventania!

    E a maleabilidade real do bambú.

    Voce precisa ser mais líquido, mais fluído, precisa derreter-se, fundir-se mais; não está aqui para ser um censor.

    Não tem nada para resolver.

    Não tome a vida como um problema,

    Ela é um mistério tremendamente lindo.

    Beba-a, é vinho puro.

    Embebede-se com ela.

    Osho

    Vida Amor e Riso.

    Misturança boa. Que agente tem que engulir, se por bem ou por mal, escolha nossa.

    A integração contínua entre o ser e a vida (e o Vivo) é evidente; a resistência a ela é que gera as patologias.

    Aloha

    TocaYo

    Comment by Tocayo — 22/11/2009 @ 3:10 AM

    • Ela- a Vida – é um mistério tremendamente lindo.

      Beba-a, é vinho puro.

      e Haja ventania!

      êparrei !

      Aloha

      Comment by Fy — 22/11/2009 @ 9:06 AM

  17. Fy

    Fecharmo-nos a essas outras vozes, salve as vozes do mundo, salve as vozes da terra, não deixar que nossa reflexão seja fecundada pela Vida e por seus movimentos e vice versa é roubar nossa própria percepção da integridade de tudo, e roubar nossa mente de sua coerência. Ou de sua coerente incoerência ou incoerente coerência. É tudo igual.

    E a forma como este ritual de individuação está sendo apresentada versus ego; é fudidamente apavorante. Jung infelizmente virou exploração, é um sacrilégio mesmo não se individuar pela rodovia do inferno, O ego é repetidamente apresentado como uma ameaça e se voce perceber bem, o lance ficou hilário, Fy. Imagine um coitado esmurrando o ego pela rua, ou jogando o cérebro no cloro. Um desoriento tipo:

    Oi, hoje to meio distraído, meio ….. – Cala boca Ego, – desculpa: foi meu Ego que tomou a frente e falou por mim, Uauhauhauhauha

    A humanidade no Humano sem duvida é o pecado original. Esta é a podre doutrina do adestramento via desmoralização, incompletude, rebaixamento. Se a porra do pecado original acaba ficando meio ridículo, as mentes adestradas necessitam de um argumento mais consistente ou que não pareça tão infantil e justifique suas fés, porque no fundo é isto, a necessidade do paizão onipotente, oni isto e oni aquilo, , , e a palavrinha ego com certeza virou papel higiênico pra não dizer bom-bril, o chargão Livre-se do seu Ego = Liberte-se das garras do Ego = ta mais rentável que dízimo. ou é mais miserável ou é mais chic . eu acho mais miserável.

    Eu acho que ninguém com um pouco de cultura ou ocupação tem tempo e saco pra adoecer em doutrinas hilárias e absurdas ou pra se flagelar em sua humanidade vexaminosa, ou pra ficar arrancando o tal do ego na cacetada, daqui a pouco vão dizer que pra se livrar ou deslocar, o tal do ego, é só seguir mandamentos, pedir perdão por ter nascido e vomitar humildades diante da fat popes & fat gods C$rporation a empresa do aniquilamento intelectual.

    sister, isto contamina. Falar “ego” é cacoete. O ego não tem salvation…. caraca!!!!!, Como, como e como viver “sem pecado” ? é muita responsa Fy….

    mas agente mora do lado de cá, debaixo do equador, e gosta de encarar a vida, não dá tempo pra esta porra de pecado. Que bom voce estranhar a negritude e peitar o amargor de vidas descoloridas que buscam aplausos na secura mórbida da falta de tesão. Tá viva, bicho, e bicho vivo não se acorrenta em parágrafos mortos e embalsamados pelo não saber. Cadavéricos Fy, assustador.

    O servo
    A: – Detêm-se e escuta:

    – o que é que o conseguiu perturbar?
    O que é que ele ouviu zumbir aos ouvidos?
    O que é que o abateu desta maneira?

    B:

    – Como todos os que tiveram correntes
    Ouve barulho por toda parte: de correntes.

    Nietzsche em “A Gaia Ciência”

    – meus pulmões provam do ar do Tempo
    Soprando através de areias que caem……”

    Gurney Halleck
    Dune – Frank Herbert

    Somos o pensar do traço sentido

    Tocayo

    Falei pra cacete.

    Comment by Tocayo — 22/11/2009 @ 3:12 AM

    • Salve as vozes do mundo

      Salve as vozes da Terra !

      soprando através

      de areias que caem…

      Aloha

      Comment by Fy — 22/11/2009 @ 8:43 AM

    • Tocayo,

      esta das correntes, é incrível!

      Aloha

      Comment by Fy — 22/11/2009 @ 8:45 AM

    • mas agente mora do lado de cá, debaixo do equador, e gosta de encarar a vida, não dá tempo pra esta porra de pecado. Que bom voce estranhar a negritude e peitar o amargor de vidas descoloridas que buscam aplausos na secura mórbida da falta de tesão. Tá viva, bicho, e bicho vivo não se acorrenta em parágrafos mortos e embalsamados pelo não saber. Cadavéricos Fy, assustador.

      Tocayo,

      bicho vivo, filhos do sol; pra quem a lua é linda e sempre será.

      Olha o que eu achei do Fernando Pessoa; – aquele que nunca fez questão de ser pessoa… e que me disseram… outro dia…. que não viveu…!!! :

      – é forte isto, olha só:

      – NUM SENTIMENTO de febre de ser para além doutro oceano

      Houve posições dum viver mais claro e mais límpido

      E aparências duma cidade de seres Não irreais mas lívidos de impossibilidade, consagrados em pureza e em nudez

      Fui pórtico desta visão irrita e os sentimentos eram só o desejo de os ter

      A noção das coisas fora de si, tinha-as cada um adentro

      Todos viviam na vida dos restantes

      E a maneira de sentir estava no modo de se viver

      Mas a forma daqueles rostos tinha a placidez do orvalho

      A nudez era um silêncio de formas sem modo de ser

      E houve pasmos de toda a realidade ser só isto

      Mas a vida era a vida e só era a vida.*** –

      “PARA ALÉM DOUTRO OCEANO DE C[OELHO] PACHECO” > Fernando Pessoa

      – tá louco… não?

      – e este aqui:

      Eu tenho uma espécie de dever,

      dever de sonhar, de sonhar sempre,

      pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,

      eu tenho que ser o melhor espetáculo que posso…

      Fernando Pessoa ou alguma Pessoa do Fernando

      Eu não sei o q é Evoé: mas gostei! depois o Mob me ensina,então lá vai:

      Evoé – Namastê – Aloha – Sawabona e o que mais vier,

      Bjs

      Comment by Fy — 24/11/2009 @ 5:04 AM

  18. Namastê a todos!

    Comment by Caio — 22/11/2009 @ 12:32 PM

  19. Olá Fy… Sou a Tatiana que escreveu este texto, um tanto quanto academico que voce transformou em poesia e arte!!
    Foi minha monografia de final de curso e minha primeira filha, que nasceu em meio aos livros de psicologia, hoje tem 14 anos!

    Fazia anos que nao relia este texto e me surpreendi que ainda possa dialogar e fecundar.

    sem (mais) palavras
    por enquanto…

    tatiana

    Comment by Tatiana Ramminger — 15/12/2009 @ 12:31 PM

    • Tatiana,

      Que surpresa! Fiquei até emocionada. Este teu texto é fantástico e quanto à arte e poesia possíveis, também são mérito seu. Que delícia poder inspirar lembranças tão gostosas.

      É uma honra receber seu comentário; caso vc tenha algum site ou… mais textos, por favor; deixe o endereço. Sou completamente sua fã.

      Bj

      Fy

      Comment by Fy — 16/12/2009 @ 9:55 AM

  20. Também queria saber mais sobre você! Escreve pra mim!
    beijos

    Comment by Tatiana — 23/12/2009 @ 5:47 AM


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