windmills by fy

14/11/2009

Respeito: Evolução

Filed under: Uncategorized — Fy @ 2:43 AM

M A     W O R L D 2

Respeito: Evolução

 

 Eu não conseguiria deixar isto passar em branco.

É preciso que a Indignação e o Espanto   se manifestem.

Sempre.

E possam.

Trouxe aqui  este recado do Pablo Villaça, que, não só com franqueza, caráter  mas  com a coerência que lhe é tão peculiar, criticou, desta vez um filme real: – um fenômeno vergonhoso,  um retrocesso delatante, um retrocesso insultante.

Como Mulher, como Cidadã  e como  Ser-Humano  deixo, nas palavras do Pablo minha Perplexidade percorrer a consciência de cada um dos amigos que por aqui passarem, e que, como eu, acreditem e sintam respeito pelas condições que coloquei acima.

 – Pra quem não conhece,  Pablo Villaça é crítico de cinema e editor do site Cinema em Cena : – http://www.cinemaemcena.com.br/

Intervalo para um breve comentário sobre as mulheres

by Pablo 30. outubro 2009 01:57

Estamos no fim de 2009. Já se foi o tempo em que o mundo aceitava que as mulheres fossem tratadas como escravas dos homens em qualquer esfera imaginável: sexual, profissional, doméstica, etc.

Elas conquistaram o direito de voto. Lutaram para que pudessem ser vistas como iguais, não como seres biológica, intelectual e moralmente inferiores aos homens – estes, sim, criaturas notavelmente atrasadas.

Dominaram o mercado de trabalho.

Batalharam pelo direito de não serem hostilizadas ou consideradas putas apenas porque se liberaram sexualmente. A pílula, antes tabu, hoje é distribuída pelos governos mais esclarecidos.

E se antes o lugar da mulher era “na cozinha” e cuidando da casa e dos filhos enquanto esperavam o maridinho chegar em casa para o jantar, hoje elas estão nas faculdades, tornando-se profissionais tão ou mais capacitadas do que aqueles que antes as dominavam e controlavam à base de força e preconceito.

Lindo.

Claro que elas ainda recebem, em média, bem menos do que seus colegas do sexo masculino para desempenharem as mesmas funções.

Continuam a ser vítimas de estupro e violência doméstica em todo o mundo.

Ainda estão longe de conseguirem representatividade nos governos da maior parte dos países.

Ah, mas estamos evoluindo, certo?

As novas gerações concluirão o trabalho, esclarecidas como são, não é mesmo?

Oh, sim, evidente.

Desde que uma mulher não se atreva a usar uma minissaia em uma faculdade, pois então será imediatamente seguida por uma turba de universitários aos gritos de “Puta! Puta!” até ser retirada do prédio sob escolta policial, num linchamento moral que remete à Inquisição.

Os mesmos estudantes que, numa discussão de bar, certamente diriam que a prática do apedrejamento de mulheres “desonradas” em certos vilarejos muçulmanos é um “absurdo”, “coisa de bárbaros”, não hesitaram em atirar pedras verbais e morais numa colega que se atreveu a mostrar as coxas.

Como ela pôde fazer isso?

Conspurcar um ambiente sacrossanto com suas formas femininas, que todos sabem ser pecaminosas por natureza?

Destruam-na! Humilhem-na!

Impeçam-na de retornar ao convívio dos Bons!

Se matá-la é impossível, assassinemos seu espírito!

E se alguém questionar esta atitude, afirme que ela também “fez outras coisas”, além de usar a minissaia – afinal, isto justificaria tudo, certo?

Não sei o que dizer, sinceramente.

A cada vez que sinto-me ingenuamente tentado a acreditar que o mundo está melhorando, mesmo que a passos de tartaruga manca, sou trazido de volta à realidade.

Um dublador que se recusa a emprestar sua voz a um ator num filme sobre homossexuais.

Um pastor evangélico que prega, para um grupo de crianças, que a homossexualidade é uma doença.

Uma jovem verbalmente queimada em praça pública por usar uma saia 10 centímetros menor do que o esperado.

Chega a doer, esta descrença na Humanidade. Mas se os nossos jovens agem assim, que direito tenho de sonhar num mundo mais iluminado para meus filhos?

Para encerrar, sei que este blog tem um número de acessos imenso.

Tenho orgulho disso.

E sei que conquistei esse “leitorado” não apenas em função do que escrevo, mas por respeitar quem me lê.

Mas há momentos para exceções e há aqueles que não merecem respeito algum.

Estatisticamente falando, é impossível que não haja um único leitor que estude na faculdade de São Bernardo do Campo  (Uniban) na qual o incidente (eufemismo) ocorreu.

E provavelmente há muitos que conhecem alguém que lá estude.

Pois para aqueles que participaram daquela “mobilização”, digo sem reservas: vocês são uns imbecis.

Uns Neandertais. Um desperdício de oxigênio.

Aliás, mais do que isso: são desperdício de pele.

 Todos que tomaram parte daquele ato vergonhoso deveriam ser esterilizados para que seus genes defeituosos não fossem transmitidos para as novas gerações como uma doença capaz de arruinar a Humanidade.

Vocês desafiam o conceito de Evolução. 

E se você é mulher e se juntou à turba… Deus.

Ainda bem que Rosa Luxemburgo, Simone de Beauvoir e Betty Friedan estão mortas e não tiveram que testemunhar seu legado sendo usado para que companheiras de sexo agissem com a mesma mentalidade símia dos machos que por tanto tempo aprisionaram seus corpos e espíritos.

(P.S.: Se no intuito de mostrar que você é esclarecido e evoluído resolveu defender a jovem chamando aqueles que a xingaram de “viados”… má notícia: você também é um imbecil.)

http://www.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/post/2009/10/30/Intervalo-para-um-breve-comentario-sobre-as-mulheres.aspx

Thank  You, Pablo,

 Fy

5 Comments »

  1. Jorge de Lima:

    Mulher proletária

    Mulher proletária — única fábrica
    que o operário tem, (fabrica filhos)
    tu
    na tua superprodução de máquina humana
    forneces anjos para o Senhor Jesus,
    forneces braços para o senhor burguês.

    Mulher proletária,
    o operário, teu proprietário
    há de ver, há de ver:
    a tua produção,
    a tua superprodução,
    ao contrário das máquinas burguesas
    salvar o teu proprietário.

    tristão este poema. Não sei se gosto, mas em todo caso fala alguma coisa.

    bjo bjo,
    Mob.

    Comment by Mob — 15/11/2009 @ 2:52 AM

  2. Não sei se gosto, mas em todo caso fala alguma coisa.

    Fala muita coisa,como esta daqui; e cantada por esta daqui, que com certeza tem todo o direito de interpretá-la: – olha só:

    e porque todas as Marias são Rainhas:

    pra estremecer o Wind:

    Deixei um bom emprego na cidade.
    Trabalhando para O Homem noite e dia.
    E eu nunca perdi um minuto de sono.
    Preocupando-se com o caminho que as coisas tomaram.

    Grande roda mantenha-se girando.
    Orgulhosa Maria mantenha-se queimando.
    Rolando, rolando, rolando no rio.

    Limpando muitos pratos em Memphis,
    Sondando muita dor em New Orleans,
    Mas eu nunca vi o lado bom da cidade,
    Até eu descer o rio de barco.

    Grande roda mantenha-se girando.
    Orgulhosa Maria mantenha-se queimando.
    Rolando, rolando, rolando no rio.

    Rolando, rolando, rolando no rio.
    Se você vier rio abaixo,
    Aposto que você vai achar gente viva.
    Não se preocupe se você não tem dinheiro,
    Pessoas do rio têm alegria pra dar.

    Grande roda mantenha-se girando.
    Orgulhosa Maria mantenha-se queimando.
    Rolando, rolando, rolando no rio.

    Rolando, rolando, rolando no rio.
    Rolando, rolando, rolando no rio.
    Rolando, rolando, rolando no rio.

    bj bj

    Fy

    Comment by Fy — 15/11/2009 @ 3:22 AM

  3. Só pra complementar…

    Comment by Elielson — 15/11/2009 @ 4:48 AM

  4. da Bia minha mãe,

    Taí,mãe

    bjs bjs bjs

    Fy

    Comment by Fy — 15/11/2009 @ 5:49 AM


  5. 🙂

    Comment by Elielson — 05/12/2009 @ 1:23 AM


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