windmills by fy

22/11/2009

Duende?

Filed under: Uncategorized — Fy @ 7:34 AM

Eu ontem conheci um garotinho que deve ter vindo,    lá do país das fadas e  com o tal do Duende do Garcia Lorca “mais que vivo” no coração.

Me emocionei.

Hoje, dei um pulo no Psique Ativa e li o último  post do Caio.

Então eu fiz  questão de trazer pra cá alguns   trechos  – que eu roubei de lá…  –  porque depois de ler o Caio é mesmo preocupante pensar em quantos Sungha Junj [s] , podemos estar perdendo; por este uso exacerbado de tecnologias e  simulações de “arte” que podem estar adormecendo duendes e coraçõezinhos raros como este que tanto e tanto me encantou.

 

Tecnologia, música e senso estético na modernidade
Caio Garrido

Na sociedade contemporânea atual há a tendência em se valorar aquilo que, acima de tudo, é extremamente objetivo e sintético.

Não há muito espaço para o subjetivo.

Na música atual acontece o mesmo. A máscara que o mercado fonográfico colocou e todo o mercado e indústria ligados à música, é de um lugar de um falso senso comum, onde o que se interpõe entre mídia e indivíduo é uma robusta molécula de relação instintiva de marketing, encantamento pelo trivial e enovelamento capitalista.

Um exemplo: Os videogames atuais sucumbiram e assumiram, no momento, o papel de intérpretes do mundo real, seja por meio de jogos de guerra, assassinatos em massa, como também por uma tradução estética pejorativa da música.

Um exemplo disso é capitaneado pelo jogo de videogame “Guitar Hero”, que implementa e cria uma superficialidade musical na cabeça das pessoas.

As crianças não podem ser culpadas por tal fato (já que são elas as principais a utilizar os jogos), dado que são facilmente despojadas de senso crítico. O subterfúgio do jogo é o de possibilitar uma fácil apreensão da música e simular, assim, o tocar de um instrumento.

É a armadilha dos tempos modernos. A tecnologia. Instável e inconstante, ela põe em jogo e em risco uma série de coisas. Como tudo na vida, tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. E assim é com os resultados e conseqüências da tecnomania.

É um empobrecimento cultural determinado pelo extremo apelo e apego ao mundo externo e objetivo.

Mentes ávidas por mais calor e sentimento humano podem somente flutuar em mares flácidos como esses.

A beleza do mundo subjetivo consiste em superar as dificuldades do mundo objetivo e protagonizar sua potencialização.

Mas não é o que está acontecendo. Para isso é preciso pensar.

Não somente racionalizar, raciocinar, e sim pensar aqui num sentido mais amplo, de criação, de insight, de identificação de novos caminhos e trilhas válidos para apreciarmos e dividirmos melhor esse universo que nos permeia.

 

É preciso revisitarmos nossos desejos.

Texto Completo do Caio: http://www.luz-e-terra.com.br/diversao/materia.php?id=91

 e as imagens, que às vezes, falam por si mesmas:

 

Esta, [tb roubada] do post do Caio:

 

 

e esta que eu roubei da Emoção:

 

 

 

 E aí, que o essencial…. vai se tornando cada vez mais fugaz!

e … quantas vezes, perdidos nesta fugacidade, temos feito escolhas equivocadas, embarcado em viagens  quase sinistras, privilegiando aspectos efêmeros, pequenos, repetidos, sem importância, que espantam e calam nossos duendes,  que perturbam muito nossa já tão  “substituível”   Arte  de Sonhar.

 Sei, que não é fácil não!   O tempo todo, nossos sentidos são convidados ou pra rave do Supérfluo –  ou pra o happy-hour da Casca. E quando buscamos a sofisticação ou a delicadeza de um Concerto caímos no teatro mofado das idéias apodrecidas onde a Arte do Sonhar é ferida sériamente por sua prima “qliphothica” [ esta é by Fy, né?]:  a Arte do Desencanto.

Bem pouco somos estimulados a enxergar o conteúdo, a apreciar o que de fato faz sentido, ou melhor, o que poderia realmente dar sentido e luz  – “Luz  e  Cor” – pra vida que a gente leva…

 E assim…, vamos perdendo o foco! 

Não conseguimos mais criar castelos de verdade e viver histórias de verdade.

Vivemos em castelos de areia que desmoronam em seqüência. Até porque os construímos com receios, assustados… dependendo dos sonhos que os projetam.

Mas não desistimos: construímos outro e outro na mesma medida que os vemos cair.

Afinal, pra construir castelos de areia precisamos de apenas uma tarde …  algum sonho que daqui a pouco fica  bobo … e nada mais.

 Mas para os castelos de verdade… – Ah…. pra estes….. !   pra estes, precisamos de disponibilidade, atenção, dedicação, amor, perseverança, criatividade, persistência, alegria e sobretudo:  confiança em Nós mesmos e na Vida –                   aquelas atitudes encantadas, mágicas que nascem do coração –  > e, sem dúvida, da força e da magia do duende : 

“…e  aí lembrei de ter lido um dia numa conferência sobre Federico Garcia Lorca, o Poeta espanhol, na qual ele explorava uma idéia embutida dentro de uma palavra-mágica:  duende.

Em espanhol, duende não se refere apenas àqueles espíritos travessos que habitam as casas, mas, aponta sobretudo para um “encanto interior”  difícil… de explicar.

 

 Um poder misterioso que habita em nós e que transforma qualquer ação banal em uma aventura e faz o sangue correr mais rápido no corpo.

“Os grandes artistas do sul da Espanha, diz o Poeta, sejam eles ciganos ou flamencos, quer eles cantem, dancem ou toquem, sabem que não é possível nenhuma emoção sem a presença de duende”.

 

Este duende de que fala Garcia Lorca não nasce de lugar nenhum fora de nós.

 Ele brota das nossas entranhas e colore de vermelho as nossas vidas apagadinhas.

 

 “A chegada de duende pressupõe sempre uma mudança radical em todas as formas e derruba por terra os velhos hábitos.

Ele chega com sensações de frescor totalmente inéditas,

com uma qualidade de rosa recém-criada, de milagre, que chega a produzir um entusiasmo quase religioso”.

 

 Duende é pura paixão pela vida.

 e o Poeta continua:

“O duende ama as fronteiras, as feridas, e se aproxima dos lugares onde as formas se fundem em um anseio superior a suas expressões visíveis”.

Ter duende é ser capaz de agarrar as oportunidades com os dentes.

Ou, como diria um outro pensador do século passado, Henry Thoreau, “Sugar o tutano do dia”.

E brindar à vida, com olhos úmidos… e agradecidos”.

Brindar à Vida.

 Talvez dê algum trabalho… Mas que duende não dá trabalho?

 Mas é um trabalho do bem; e requer algo que parece termos perdido: a capacidade de fazer uma escolha, compreender que ela tem um preço e trabalhar para pagá-lo.

E tem mais…, isto exige que abramos mão das demais opções e não mais compactuemos com o tão famigerado “quero tudo e posso tudo o que quero”.

Não podemos, não!  De verdade, não podemos.

Até porque “querer tudo”  >   não é o objetivo.

 O grande objetivo é descobrir “o que” realmente queremos – com Paixão –  e fazer “tudo” – “o”  Tudo:  aquele “tudo” que faz a língua bater no céu da boca –  e espalha este querer pelo corpo todo enquanto  faz a alma cantar – … para que esta  seja a nossa  Verdadeira e Melhor conquista. o  Nosso melhor caminho.

 No amor, quando o intuito é seduzir um coração, é esta postura que faz a conquista valer a pena!                                       

 No mais e em Tudo mais : – que consigamos nos tornar construtores de castelos de verdade ! – que consigamos fazê-los reais;  e, sobretudo, que sejamos merecedores de neles: morar > : a partir de escolhas que revelem nossa verdadeira e, por verdadeira:   a mais sublime majestade!

 Parafraseando o Caio, e …misturando tudo:

   É preciso revisitarmos nossos desejos.

       E ter a coragem de vestí-los com a Paixão.

 E  eu, cácomigo, creio sim,  que pra alcançá-los é preciso olhá-los com:

 a magia do Duende “Vivo”,   

 

 com cuidado e atenção.

Tentá-lo quantas vezes julgarmos necessário.

Então, fazermos  “apenas a nós mesmos”  uma pergunta:

– possui esse caminho um coração?

Em caso afirmativo, o caminho é bom.

Caso contrário, [ ah…] ele não tem  : a menor importância.”

don Juan de Matus

 

Fy

 

Fontes:

Caio Garrido

Rosana Braga

E o Dennis que me apresentou o  Sungha Junj

 

7 Comments »

  1. Mob,

    é duende ou não é?

    Bj Bj

    Fy

    Comment by Fy — 22/11/2009 @ 8:22 AM

    • Olha… antes nem era tanto assim não… =P
      Mas depois dessa…
      Deixa ele adolescer pra tu ver só….

      bj bj

      Comment by Mob — 22/11/2009 @ 9:55 AM

  2. Fy, que sensibilidade do garoto aí tocando hotel california!

    vai aí mais um video, se nao viu ainda, é coisa rara de se ver,…. outro moleque com musica saindo pelos poros…..Bj

    Comment by Caio — 22/11/2009 @ 12:40 PM

    • kkkkkkk……que maaassa o japinha!!! Muito legal!

      Comment by Coringa — 24/11/2009 @ 12:15 PM

  3. Oh Caio!

    quero ele pra mim!

    Como pode?

    Bjs

    Comment by Fy — 24/11/2009 @ 5:52 AM

  4. In be lie ve ble !!!

    Mob… olha agora então!

    Bjs

    Comment by Fy — 24/11/2009 @ 9:18 AM

  5. Mais uma bela dica do Caio:

    O espantoso desenho em areia por Kseniya Simonova

    Comment by Coringa — 24/11/2009 @ 12:06 PM


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