windmills by fy

09/12/2009

Wings

Filed under: Uncategorized — Fy @ 9:18 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando comecei a escrever sobre este assunto ,

confesso que o fiz movida por um extremo assombro . Talvez um susto .

 

 

 

Mas confesso que a procura de imagens que pudessem ilustrá-lo ,

foi tão compensadora que jamais poderiam traduzí-lo . Ao contrário , traduzem as suas razões .

 

 

 

A amargura quando cristalizada produz distorções  abomináveis .

Torna-se cruel e patológica .

Em alguns temperamentos , conseguimos pre-sentir sua escura densidade

sempre a antecipar sua chegada ou supor sua presença .

 

 

 

É um gáz venenoso que certas mentes psicóticas  tentam transpirar através de poros obstruídos

pelo des-costume da doação e da troca .

A dificuldade óbvia de tal tentativa obriga que esta função se viabilize através de outros recursos .

Encontramos então a amargura escancaradamente fotografada em seus piores momentos .

Delatando flagrantes , eu diria que vergonhosos .

 

 

Sem nenhum recato ou pudor , quiçá consideração , ela expõem seu portador à vergonha

de revelar  sentimentos grosseiros como a inveja , o medo , a mesquinheza ,

a prepotência do erudito vazio do saber , e à visão que degenera .

 

 

 

 

Tenho observado uma destas almas amargas .

Tenho idade e cabedal para fazê-lo .

E uma de suas últimas degenerecências me levou ao assombro que mencionei acima e inspirou minha lúcida revolta .

Em primeiro lugar ressalto que seria uma ofensa à Arte ,

se púdessemos apreciar uma Poesia capaz de desmoralizar ou maldizer uma criança .

( me abstenho de considerar o tamanho desta ofensa em relação a qualquer outro sentimento humano)

 

 

 

 

A mim , chega a ser tão revoltante quanto , se pensarmos em significâncias ,  pra não dizer macabro ,

a falta de sensibilidade capaz de usar a beleza de uma borboleta como indicadora de ofensas .

Quão grosseira necessita ser a , ou a falta de , sensibilidade capaz de transferir seu  recalque e morbidez

para o movimento colorido das asas das borboletas .

Pobre alma .

Não há como não compará-la a um jardim ressecado , árido ,

onde a terra estéril e o ar intoxicado não mais atrairão a Poesia ,  as cores , a delicadeza ,

a sutileza invejável da liberdade extrema de uma borboleta .

 

 

 

 

Só lhe resta detestar e denegrir aquilo que já não tem , a juventude .  Ou que talvez , jamais tenha tido .

E , como tudo o que é espantoso ; espanta e assusta .

Nada mais natural que espíritos jovens e descobridores procurem paisagens mais férteis

e escapem de um mingau rançoso onde palavras secas sómente se repetem .

 

 

 

 

 

” No mistério do Sem-Fim ,
equilibra-se um planeta .
E , no planeta , um jardim ,

e , no jardim , um canteiro :
no canteiro , uma violeta ,
e , sobre ela , o dia inteiro ,
entre o planeta e o Sem-Fim ,
a asa de uma borboleta . “

Cecília Meireles

 

 

 

Blue butterfly day

Robert Frost

It is blue-butterfly day here in spring ,

And with these sky-flakes down in flurry on flurry

There is more unmixed color on the wing

Than flowers will show for days unless they hurry .

But these are flowers that fly and all but sing :

And now from having ridden out desire

They lie closed over in the wind and cling

Where wheels have freshly sliced the April mire .

The butterfly obtains
But little sympathy
Though favorably mentioned
In Entomology —

Because he travels freely
And wears a proper coat
The circumspect are certain
That he is dissolute —

Had he the homely scutcheon
Of modest Industry
‘Twere fitter certifying
For Immortality —

Emily Dickson

Mágico ser:
onde encontrar quem colha
duas palavras numa rima
igual a essa que pulsa em ti
como um sinal?

Rilke

Walls closing , I can’t breath …   I need air .

Pushing   . . .    fighting   . . .   struggling  . . .    free  !

 

Sun light , harsh , but welcoming beckons me .

The air , so still , I seem to rise effortlessly through it .

My body , so light , wings fluttering softly .

Free like the laughter of the child watching me fly away .

 

Borboletas são seres poderosos , apesar de frágeis .

Através desta teoria , seu bater de asas  tem muito poder .

As coisas mais pequenas e frágeis , talvez sejam as mais fortes de todas .

Além do que , aliás ; muito além do que , Força  jamais foi sinônimo de  brutalidade .

Bia Neal

4 Comments »

  1. Bia,

    Essas sao as borboletas de verdade.

    E apesar do assombro e do susto, fica a grande, a enorme licao – pra voar como o meninos do video mais alto ainda.

    bjos,
    Mob.

    Comment by Kingmob — 11/12/2009 @ 4:11 AM

  2. Yahahuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

    Meu uivo é pra voce, mother Bia gatíssima.

    Mas eu sei que voce sabe que o espanto foi geral.

    Estamos aqui, voce sabe disto, fica em paz.
    Minha saudade é furiosa eu amo voce.

    Qualquer coisa vou correndo.
    Cuida da minha girlfriend.
    té já, tá bom?

    Dennis

    Comment by dennis — 12/12/2009 @ 6:02 AM

  3. Aloha querida,

    Bom te ler, repete, gostei.

    Não tenho nem mais nada pra falar; só que como diz o Dennis foi mesmo um lance à Stephen King.

    Difícel né? decepcionante. e sobretudo, que falta de elegância. nada mais específico que bacia das almas.

    Vc sabe.

    A brutalidade é uma salamandra, Bia, mas raro é ve-la assim tão crua. sem verniz nenhum.

    O mais bizarro pra não dizer macabro como vc diz é a gargalhada… sempre a ridícula gargalhada metalizada pelo ridículo da revelação.

    tamoaí
    bjs
    TocaYo

    Comment by TOCAYO — 12/12/2009 @ 6:03 AM

  4. Foi assim que eu ouvi o grito e voltei a crescer Quando precisei voar sozinha e me mantive estável, apesar da intensidade do vento.

    Comment by Olivia Chandter Putulonase — 18/05/2012 @ 7:10 AM


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