windmills by fy

11/12/2009

o Sábio e o Erudito

Filed under: Uncategorized — Fy @ 2:16 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 but I know that  Great girls don’t cry…

 

                                                             They dance:

                                                                                                                                                                                                                                  

                                                                                                                                                                                                                                                                         Vodpod videos no longer available.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 … … …  às vezes fico imaginando o que seria de Holmes , sem Watson .

 

 

Pois é ,

entre os Sanchos Panças dos Quixotes , os Jacob de Wilhelm Grimm ,

os     Tweedle – Dee  de Tweedle – Dum , os Robins de Batman,  :

ah  …    – Como? Como existiria  Mickey sem Pateta  ? ou Lippy sem Hardy Har Har ?

 

 

O óbvio é que a opacidade destes segundos personagens multiplica consideravelmente

o efeito de qualquer faísca , mesmo que anoréxica, emitida pelo primeiro,

 >  promovendo, claro, um efeito de   quase – luz .

 

É como forjar,  atrás de um personagem, um quadro com elementos que lhe atribuam profundidade :

forjar através do “segundo” ator uma verdadeira parede de efeitos virtuais e ,

 embora o deslocamento da comunicação entre um e o outro seja aparente ou aparentemente visível ,

ela , na realidade , não exista .  

 

 

Outro detalhe cênico fundamental  é o Eco :

 que , naturalmente concede à voz , a potência que ela não tem .

    O  “ outro ”    personagem atua sómente  a e na função de validar o primeiro , fabricando, desta forma , 

a ilusão de uma força que o mesmo não tem . 

A presença do outro é apenas um adereço cênico  cuja função é  favorecer o ator ou a personagem principal .

 

 

Algumas pessoas precisam disto .

E outras  precisam  se submeter a isto :   . . . A ser o   ” outro ”  .

Ou se submetem sem perceber .  – . . . casos e causos .

 

A primeira categoria , “só consegue” atuar ao redor destes aparatos que ,   na realidade ,  por sua significância  

em ser :  insignificantes –  , atuam como um Zoom ,  favorecendo  sua imagem ,

e , negam-se ,  óbviamente ,  a dividir a cena com qualquer  personagem que possua algum

ou qualquer desempenho . . .  significante .

 

 

É um recurso cinematográfico ou teatral  ultrapassado  …. já  desnecessário ,

não é  ?  …   – tem toda aquela  performance kitch super explorada do filosófico….  Vampire’swayoflife  ,

pois  é uma atuação que vampiriza as atuações que se movem a seu redor.

e ,   hoje em dia ,  …   existem outros recursos .

 

 

Trazendo tudo isso para o reality show do daybyday  percebemos , em causos assim , 

uma “impressão” e não um personagem .

 

Impressão  que rápidamente se desfoca e  “desatua” >   em falta de consistências  >  

por não ter a força de imprimir uma imagem singular e efetiva ,

sobretudo   por não poder contar constantemente . . .   com a cooperação de um elenco opaco

e razoávelmente numeroso como fundo de palco .

 

 

A atuação destes personagens é cansativa e repetitiva .

Descolorida pela falta do elenco ” opaco ” – que mal ou bem …   o dinamizava . 

E  . . .   todo mundo , nem que seja mais ou menos , : tem   ” o que ”      fazer ,  ou novos filmes pra ver .

 

 

Pois é : novos filmes pra ver .

 

 

 

Vamos então …     –   embuídos da mais linda e profana presunção

testar nossa  ousadia e exercitar a embriaguês dos limites :    sempre …  –  

e perder ,  assim , o conhecido recurso do lugar-comum que , no caso ,  

nada explicando , . . . tudo explica ,     – mas   … só para … quem não tem mesmo o que fazer

ou … o pior :   para quem não tem o que descobrir . –

 

Taí , com os meus mais entusiasmados aplausos ao prof.  Luis Felipe  >  : 

um paralelo entre atores de mentirinha e atores de verdade  >  

explorando  a diferença entre o Sábio e o Erudito , pragente  não se confundir na hora do ingresso – ha ha ha ha  :

 

 

 

…  entre   o    Sábio   e   o   Erudito

 

 

 
Creio não haver melhor escolha que atacar, de saída,

o que mais me assusta :

a questão de estabelecer o que se entende , aqui , por Saber .

 

 

Todas essas aproximações parecem apontar para uma invariante : conjunto de conhecimentos .

Ora … –  se o saber for tomado como conjunto de conhecimentos ,

 será reduzido a muito pouco .

Uma enciclopédia seria então um repositório de saber à disposição de quem dela viesse a fazer uso .

Quanto mais leitura , tanto mais saber .

 

 

É curial que esta afirmação não condiz com o mínimo bom senso

e não é a esse saber que os organizadores deste evento estavam se referindo ao proporem esta mesa .

Até porque, Augusto Meyer — meu inesquecível professor e poeta de monta —

em seu Poemas da Bilu —nos oferece esta pérola:

 

 

 

 

 

O singelo da expressão nos faz recordar o que , desde a antiga Grécia se tinha por horizonte :

o saber está ligado à consciência da ignorância .

Se assim é , ou deveria ser , conceituar o saber como soma ,

conjunto de conhecimentos é reduzir o movimento à estática , o processo à ritual imobilidade dos cemitérios .

 

 

 

 

 

 

Quer-me parecer que devo aqui ater-me à noção de processo .

 

Saber , agora como verbo , é movimento perene , é um incessante buscar .

Não tem forma , tem objetivos .

Não é mensurável , é transbordar .

 

 

Assim ,

o sentido comum , cujo estuário erudito são os dicionários e enciclopédias ,

ajudou-nos a ver o quanto uma visão deformada e preconceituosa

oculta o lado mais fascinante do saber :

o seu lado de movimento incessante de descoberta .

 

 

Mais ainda . . . 

o sentido comum apossou-se do saber para transformá-lo em coisa ,

de forma a poder quantificá-lo e , assim ,

colocá-lo no rol daquilo que tem preço , peso e medida .

 

 

Poder domesticá-lo e enquadrá-lo ; 

>  pois é próprio do pensamento conservador o horror ao movimento .

 

 

 

 

Se Saber é verbo ,  . . . trata de transformá-lo em substantivo .

Sabe-se que o próprio do substantivo é dar nome a coisas e seres .

 

 

O movimento existe e , existindo , não pára .

Só será coisa quando se extingüir ou perder a razão de transformar-se .

 

 

E tal processo é comum , pelo menos nas nossas línguas ocidentais

. Não transformamos a maravilha de beijar , em insosso substantivo beijo ?                                                      

Quem prefere o beijo ao beijar ? Melhor o jogo que o jogar ?

 

 

Difícil a tarefa de quem crê no movimento de expressar-se em línguas que tendem a tudo paralizar .

 

 

Já não o denunciavam os pré-socráticos ,

ao afirmar que   “ ninguém pode banhar-se duas vezes no mesmo rio ; pois nem o rio , nem o banhista serão os mesmos ” ?

 

 

Assim . . . 

 ao tentar agarrar o conceito de Saber ,

deparo-me com uma enorme e invisível barreira epistemológica .

 Uma poderosa resistência inconsciente a considerá-lo movimento e busca ;

um convite a transformá-lo em quantidade mensurável e apropriável .

Não posso , assim , falar do saber do professor .  

 

 

 

 

 

 

 

 

Talvez pudesse agarrar-me à tangente convidativa do conceito de Sabedoria .                 

 Mas , ele também pode possibilitar a definição quantitativa .                                             

 Seria transferir da área do genérico , para a área do singular o mesmo problema .                     

A Sabedoria de uma pessoa poderia ser tomada como um conjunto de conhecimentos ,

uma soma de informações .    E , evidentemente , não é disso que se trata .

 

 

A sabedoria aqui está pensada como uma qualidade complexa que não encontra explicações na mera acumulação .               

 

                                                                  

Entre um Erudito e um Sábio há mais distância do que entre a terra e a lua .

 

 

O erudito é um colecionador ,

é um pão-duro intelectual :   tudo acumula , para gastar com muita morigeração .

 

 

O sábio não acumula , o sábio transforma .

Devolve multiplicado o pão que o alimentou .

É a este que devemos o que conseguimos entender do mundo .

 

 

                                            

Ao Erudito devemos o horror das nossas provas escolares ,

em que os malabarismos da memória passiva só conseguem ser maiores . . .

do que a desinformação final conseguida .

 

 

Nossos currículos escolares são a mais evidente prova de que a educação , entre nós ,

foi sempre entendida como a preparação do Erudito :

 

 

 

 

                                                             

 

 

 

 

 

Machado de Assis , em seu inesquecível A Teoria do Medalhão , que nos auxilie .

O pai prestimoso , ao ensinar o filho as regras do mundo ,

faz-lhe ver que o sucesso está na razão direta da vacuidade intelectual ,

expressa através lugares comuns e chavões que têm o mérito de :

nada dizer, aparentando “dizê-lo e bem”.

 

 

Aprendemos aqui , neste país infeliz , que a escola é onde se aprendem as matérias .

Matérias que devem ser conhecidas de cor e salteado . Para quê , nunca se sabe .

Elas fazem um pouco o mesmo papel daquilo que chamo de cultura da Rádio Relógio Federal .

Lá se liam , e constantemente , as famosas perguntas  “ você sabia ? ” .

Por exemplo:

 

 

–  “ você sabia que as moscas batem as asas tantas mil vezes por minuto ? ” .

 

 

Não sabê-lo era marca de ignorância .

E sabê-lo significava o quê ?   Sabia-se mais sobre o mundo ?

A oferta de uma informação de corte científico ,

descontextualizada de uma prática científica , não significa nada .      

 

                                                                                        

É informação vazia que só pode satisfazer ao colecionador , tipo retentivo já bastante estudado pela psicanálise .  

 

                                                                                                            

Ao erudito tal informação vale sempre com arma.  Não como conhecimento.                             

Quem não se lembra do delicioso romance de Clarice Lispector  , A Hora da Estrela ,

em que o pedreiro Olímpico humilhava a pobre Macabéia ,

exatamente com apontar-lhe a ignorância por não saber aquilo que ele colecionava ,

ouvindo seu radinho de pilha na mesma Rádio Relógio ?

 

 

O Sábio não sabe ; quem sabe é o Erudito .                                                                        

Claro está que os dois têm funções em nossa sociedade.                                        

 Diferenciadas . . . –  mas funções .

 

 

– O Erudito de confirmar o já sabido, dando-lhe o tom de verdade definitiva.                                                                                                             

– O Sábio de questionar o já sabido , buscando relativizar o sabido , em busca de mais saber .

 

 

O Erudito é um Beato — e deles tenho medo  !  ….       [ – quem não tem ? – eles são grotescos , ridículos e assustadores ]

O Sábio , um agnóstico .

 

 

O Beato , cheio de certezas ,

é sempre capaz de   “ prender e arrebentar ”  ,

em nome de suas próprias e definitivas verdades — e ai de quem delas duvidar  ! . .

 

 

O Sábio só sabe , e pobremente , ter dúvidas .

Não se espere deles a confirmação do mundo ,

até porque crêem que ele não está em movimento , mas é o Próprio Movimento .

E como colocar tal movimento em gaiolas conceituais ?

 

 

 

Lévi-Strauss , antropólogo e etnólogo francês que ajudou a construir a USP , já nos alerta que :

0 sábio não é o homem que fornece as respostas verdadeiras ;

é o que formula as perguntas verdadeiras .

 

 

 

Parece ser , então , que , retomando nosso tema inicial ,

seja desejável que , ao referir-me ao professor , não fale de seu saber nem de sua sabedoria .

 

 

PREFIRO DESEJAR QUE ELE SE TORNE , NA MEDIDA DE SUAS POSSIBILIDADES , UM SÁBIO ENTRE SÁBIOS.

 

 

 Para isso é necessário despir o conceito de sua indumentária formal e engessada .

 

 

 

 

 

 

Entre nós sábio é adjetivo atribuível a um número escasso de seres humanos ,

agraciados ou bafejados com a auréola da sapiência , numa homenagem , outra vez , à quantificação do saber .

 

 

É um pobre conceito este !

 

 

Ele redunda o sucesso mundano dos meios de comunicação ,

atribuindo a cada um os seus quinze minutos de glória .                                                                                   

Não falo desse sábio , figura mundana e visível ; escassa e discutível .

A glória midiática não significa a presença do sábio , tal e como aqui o estamos tomando .

Não se precisa ser um luminar – origem de toda a luz ! — para se ser um sábio .

 

 

É necessária , antes de mais nada ,

a humilde Curiosidade de quem sempre quer saber mais e mais ,

não em quantidade , mas em qualidade e entendimento .

 

 

Sábio é quem quer aprender , quem não se contenta com a conhecimento já feito e aprovado:           

– É QUEM NÃO TEME OS LIMITES.

 

 

 

 

 

– Minha figura mítica, aqui, é indiscutivelmente a do Fausto. –

 

 

 

 

 

Seja a personagem , mais conhecida , de Goethe ; seja o de Cristopher Marlowe ;

seja o da versão de Spiess , na Frankfurt do século XVI ; qualquer uma delas atende à minha expectativa .

O Fausto , demonizado , pela igrejas de plantão , pelos sábios canonizados , pela boa sociedade ,

este Fausto tudo o que ele deseja é Conhecer .

 

 

Conhecer além dos medíocres limites da escolástica dominante ;

Conhecer , sem pedir licença a ninguém , muito menos aos poderosos de então ;

Conhecer não para publicar e brilhar , mas para satisfazer uma fome de entendimento inesgotável .

 

 

Este Fausto, para poder ultrapassar os limites estabelecidos , arrisca-se a tudo .

Diz a lenda que vendeu a alma ao demônio . É verdade .

Vendeu-a para poder vencer as barreiras , de outra forma inexpugnáveis .

 

 

Mas, pensando-se bem , o que Fausto vendeu ?

De onde nos vem a certeza de que ele era cristão ?                                                         

Quem diz que acreditava em sobrevivência da alma ?                                                          

 Quem diz que era dono e senhor do pensamento que gerava e o gerava?                             

Vendeu ele realmente alguma coisa ?

 

 

Prefiro vê-lo como o patrono dos agnósticos modernos ,

vendendo a um demo de fancaria um nada ,

como merecem todos os que fazem da vida um mero acúmulo de bens e riquezas .

 

Mas . . .  tendo vendido ou não sua alma ,

o Fausto que retenho é o da Coragem Intelectual .

.

.

.

 

 

 

 

Nada se consegue com a obediência aos poderes deste mundo .                                        

Obedecer ao existente é condenar-se ao já sabido ,

é aceitar as verdades já prontas e embaladas para o consumo . É Repetir .

 

 

Todo sábio é um irreverente ;

é a própria encarnação da desobediência .

Não haverão as academias de entronizá-los , senão post-mortem ,

quando já não oferecem o mesmo perigo .

Não serão figuras do mundo , nem terão as benesses do poder .

Esses sábios são a expressão invisível do processo de conhecimento e do progresso de todas as sociedades .

 

 

 

Terá sido um mero acaso Erasmo de Rotterdam , no seu insuperável   O Elogio da Loucura  ,   haver dito :

 

Convida um sábio a jantar: perturbará por um frio silêncio ou por perguntinhas molestas .    [  ?  ]

 

 

 

 

É este padrão , é esta referência de Sábio ,

é esta dimensão fáustica que desejaria , hoje , poder atribuir aos professores que me ouvem .  

–  [ e eu … >  aos metidos a professores também: os detentores da ferrugem das verdades ]

 

 

Não , não é tarefa de vocês ajudar a fazer ver o mundo como ele já é ; 

 transmitir , como   “ correias de alimentação ” , os saberes prontos e embalados .                            

Isto seria trabalhar com o saber , na dimensão que tentamos criticar .

Hoje , numa sociedade midiática , não cabe à escola redistribuir a informação .

Nunca foi , na verdade .

 

 

Mas , hoje em dia , especialmente , não tem a escola como competir com outros meios , muito mais poderosos ,

na distribuição dos conhecimentos já conseguidos .

Com a televisão , com o cinema e , em especial , com a Internet ,

não vejo como a escola possa competir na busca de conhecimentos , nem na sua impressionante atualização .   

 

             

Li , há tempos , um artigo de um ensaísta japonês ,

em que ele afirmava que a quantidade de informações disponíveis na Internet

dobra a cada quarenta dias .

Se assim é , e aceito a afirmação sem questioná-la ,

por confessada incapacidade de provar algo diferente , não temos nós como competir com essa máquina fantástica .

 

 

Mas é nosso papel , sim , o de processar e analisar a informação .    

 

 

De ajudar nossos alunos a entenderem que as verdades se fazem e desfazem ,

num processo de permanente crítica e superação .                                                                      

O que hoje é verdade , amanhã será erro .

Nenhum  outro é o processo da história do Conhecimento .

 

 

Não é errado afirmar que a terra é o centro do sistema do universo .

Durante séculos esta foi a verdade básica sobre o mundo .

Verdade tão verdadeira quanto as demais que com ela constituíam sistema .

Errado seria afirmá-la hoje , quando outra e melhor resposta foi elaborada

a partir de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei .

O erro de hoje foi a verdade de ontem .

Assim temos que nos preparar para a tarefa de trabalhar com as informações

e de ajudar nossos alunos a buscarem-na onde e quando os meios as tornem possíveis .

 

 

E A TAREFA CRÍTICA EXIGE O SÁBIO    

e

    É …INALCANÇÁVEL PARA O ERUDITO .

 

 

 

 

 

 

Não é mais possível trabalhar acumulando e repassando informações que ,

com a velocidade que os conhecimentos são elaborados em nossos dias ,

estarão superadas a curto prazo .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje é preciso mais que saber uma informação :  

SABER PARA QUE SERVE ,

 em que contexto pode ter validade ,

em que condições foi criada .  

 

 

Necessitamos formar Sábios :  

pessoas capazes de DUVIDAR  –  de OUSAR –  de ROMPER    

as barreiras que nós mesmos criamos nas nossas salas de aula .

 

 

Hoje , só o estímulo à desobediência faz sentido no campo intelectual .  

Caso contrário , estaremos criando uma geração igual à nossa ,

desprovida de um discurso próprio diante dos desmazelos do poder

e que vive um doloroso paradoxo  :   

frente a um governo desmoralizado e desprestigiado ,

não consegue levantar uma proposta de oposição confiável e elegível .

 

  

Espero que nossos alunos possam ser no futuro o que não conseguimos ser no presente :

 

 

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Perguntam-me também sobre a valorização do saber do professor .

Atenho-me ao argumento neo-liberal : o mercado dirá .

E o tem dito com uma crueldade ímpar.

 

 

Por mais que a minha avaliação seja outra , e seguramente é ,

nada posso fazer contra as réguas do sistema dominante , neste aspecto . 

 

 

Os professores são desvalorizados porque transformaram-se

e foram transformados em simples CORREIAS DE TRANSMISSÃO . 

Parte do movimento do sistema , ainda mesmo quando pessoalmente rebelem-se contra ele ,

tornaram-se peças substituíveis e renováveis no processo de treinamento

da mão-de-obra obediente e disciplinada

que não almeja mais que as migalhas materiais , as sobras do jantar alheio .

 

 

Quando transformarem-se em Sábios , sempre no sentido aqui defendido ,

capazes de demonstrar à sociedade , e não aos poderes constituídos ,

a sua importância e a sua imprescindível existência ,

serão valorizados por outra régua que a do mercado ao qual estão hoje escravizados .

 

 

Só a sociedade civil poderá avaliar a nossa importância .

E isto no dia em que deixemos de olhar para o nosso próprio umbigo

e possamos dizer à sociedade para que efetivamente servimos .

 

 

Enquanto nos contentarmos em preparar os alunos para o vestibular ,

acumulando informações superadas e improcedentes ,

mas com prazo de validade vigente nessa seara , nossa valorização será esta .                                          

 PEQUENOS ROBÔS SEMI-INTELIGENTES A SERVIÇO DE UM SISTEMA PERVERSO .

 

 

Quando nossa atividade deslocar-se desse eixo , para transformar-se numa nova pedagogia ,

a pedagogia da rebeldia intelectual ,

da desobediência aos padrões estabelecidos e esvaziados , da ousadia e da criação ,

da busca e da descoberta , da aventura e da transformação , aí então seremos valorizados .

 

 

LUIS FELIPE RIBEIRO

Universidade Federal Fluminense (UFF)

 

 

 

GRAVURAS :

 

Maggie Taylor

 

Anch Mezbach

 

Silas Toball

by  Fy

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3 Comments »

  1. Hail unto thee, O wonderful muse, bearer of the most pure flame of warmth and love!!! Cheers, and Hail unto Thee!!!!!!

    O Captain! My Captain!

    1

    O CAPTAIN! my Captain! our fearful trip is done;
    The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won;
    The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
    While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:
    But O heart! heart! heart! 5
    O the bleeding drops of red,
    Where on the deck my Captain lies,
    Fallen cold and dead.

    2

    O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
    Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills; 10
    For you bouquets and ribbon’d wreaths—for you the shores a-crowding;
    For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
    Here Captain! dear father!
    This arm beneath your head;
    It is some dream that on the deck, 15
    You’ve fallen cold and dead.

    3

    My Captain does not answer, his lips are pale and still;
    My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
    The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed and done;
    From fearful trip, the victor ship, comes in with object won; 20
    Exult, O shores, and ring, O bells!
    But I, with mournful tread,
    Walk the deck my Captain lies,
    Fallen cold and dead.

    Comment by Mob — 11/12/2009 @ 3:13 PM

  2. Fy

    este lance do vampirismo foi definitivo. vc só esqueceu o Stan Laurel e o Oliver Hardy.

    http://seriesedesenhos.com/br2/series/2330-qo-gordo-e-o-magro-decada-de-30q.html

    quantas e quantas pessoas precisam do palco guarnecido de “presença” ….hauhauhau,

    lê que é bom:

    Boa tarde, eu sou um coadjuvante

    O relógio marca duas horas da tarde. Asdrúbal ajusta a temperatura do ar condicionado e arruma alguns papeis na mesa. Escuta a porta abrindo para a entrada de Antônio. Acenam um para o outro com a cabeça e Antônio senta-se a mesa. Irá começar uma entrevista de emprego.

    – Boa tarde, Antônio.

    – Boa tarde.

    – Você…

    – Eu sou um coadjuvante.

    – Como assim?

    – Coadjuvante. Aquele que não é estrela. Quer que eu explique a origem da palavra?

    – Não, eu sei. Mas digo, o que é, ser um coadjuvante?

    – Bem, eu coadjuvo.

    – Explique-me, por favor.

    – Bem, eu, por exemplo, tive uma banda de rock.

    – E daí.

    – E daí que eu era o baixista. Baixistas são sempre coadjuvantes. Geralmente eles são relegados a um canto do palco. Ninguém sabe o nome deles e eles nunca dão entrevistas. As pessoas nem sabem que o que eles tocam é um baixo. Acham que é uma guitarra esquisita. E ninguém nem percebe o som do instrumento.

    – Hmm sim. E que experiência profissional você tem?

    – Nenhuma.

    – Nenhuma?

    – Sim. Ninguém nunca quis um coadjuvante para ser empregado.

    – Mas como você acha que pode contribuir coadjuvando?

    – Bem, de várias formas. Eu fico na minha e deixo que os outros brilhem. Sabe, quando eu jogava futebol minha posição era primeiro volante. Aquele que nunca faz um gol. O máximo que eu fazia era ser lateral-esquerdo. Mas eu gostava mesmo era de ser gandula.

    – Hmm… mas qual a importância disso?

    – Muita. Já pensou no que seria da turma da Mônica sem o Xaveco? Ele é um personagem coadjuvante. E a Denise? As pessoas podem achar que são personagens inúteis e insignificantes. O problema do Xaveco é que além de ser coadjuvante ele não tem personalidade nenhuma. Ele não descobriu sua vocação. No dia em que ele descobrir isso ele poderá melhorar sua condição humana. O brilho das estrelas ficam mais evidentes graças a opacidade dos coadjuvantes. Quer um exemplo? Qual é o seu super-herói favorito?

    – O Batman.

    – Porque?

    – Bem… é… eu gosto do cinto de utilidades… eu é que devia fazer perguntas!

    – Mas não é nada disso. É por conta do Robin. O Robin é tão coadjuvante, mas tão coadjuvante, que o Batman parece ainda mais brilhante. Sabe onde eu nasci? No Espírito Santo. Quer estado mais coadjuvante do que o Espírito Santo?

    – O Acre, talvez.

    – Não. O Acre serve para fazer piadas. O Espírito Santo nem pra isso. O Sudeste só parece ser tão bom, porque existe o Espírito Santo para contrabalancear. No dia em que um meteoro cair lá, a única notícia vai ser sobre como isso atingiu o Rio de Janeiro. Eu nasci no outono. Quer estação mais coadjuvante do que o Outono? Todo mundo fala do verão e suas
    praias. O inverno, com o frio o chocolate quente, o fondue e o vinho. As flores da primavera. E o outono? A estação das folhas caídas. Quem liga para as folhas caídas?

    – É verdade. Mas não existem momentos em que os coadjuvantes brilham?

    – Não.

    – E quando alguém ganha um Oscar de melhor ator coadjuvante?

    – A verdade é que quando alguém ganha um Oscar de ator coadjuvante, ele não foi um bom coadjuvante.

    Antônio foi contratado. Depois disso o rendimento dos outros funcionários aumentou aparentemente.

    quem aqui é coadjuvante? voce? hauhauhauhauhau e nenhum de nóis …. Bia tá certa.

    não dá Fy.

    brilhante o L Felipe que descreveu como ninguem a Ignorância.

    justamente aquela mais hilária, a que tenta brilhar a qualquer custo. a que apela pra Ignorância, que sempre tem a triste amargura de ser óbvia.

    tres hurras pro Walt / boa e eterna lembrança, Spider / este filme é uma obra de arte que faz juz à lembrança de Whitman. Faz o coração brilhar.

    Less the reminders of properties told my words,
    And more the reminders they of life untold, and of freedom and extrication,
    And make short account of neuters and geldings, and favor men and
    women fully equipt,
    And beat the gong of revolt, and stop with fugitives and them that
    plot and conspire.

    Walt Whitman, a kosmos, of Manhattan the son,
    Turbulent, fleshy, sensual, eating, drinking and breeding,
    No sentimentalist, no stander above men and women or apart from them,
    No more modest than immodest.

    Unscrew the locks from the doors!
    Unscrew the doors themselves from their jambs!

    Whoever degrades another degrades me,
    And whatever is done or said returns at last to me.

    furioso, véio ::::::

    I celebrate myself, and sing myself,
    And what I assume you shall assume,
    For every atom belonging to me as good belongs to you.

    I loafe and invite my soul,
    I lean and loafe at my ease observing a spear of summer grass.

    bj aê menina.

    celebrate our selves free people it’s enough for us.

    Abraços

    Tocayo

    Comment by TOCAYO — 12/12/2009 @ 6:05 AM

  3. Ótimo tema, ótimo texto, Fy!🙂

    ===================================================================================
    Para ler e pensar…

    O VAGABUNDO COMO IDEAL
    (…)
    “Nesta nossa época de ameaças à democracia e à liberdade individual, provavelmente só o vagabundo e o espírito de vagabundagem nos salvarão de ver-nos perdidos, como unidades numeradas em série, nas massas de cules disciplinados, obedientes, arregimentados e uniformizados. O vagabundo será o último e o mais formidável inimigo das ditaduras. Será o campeão da dignidade humana e da liberdade individual e será o último que possa ser conquistado. Toda civilização moderna depende inteiramente dele.

    Decerto bem sabia o Criador, quando criou o homem sobre esta terra, que produzia um vagabundo, um BRILHANTE vagabundo, sem dúvida, (…)

    Não creio, falando como chinês, que se possa chamar completa a nenhuma civilização, até que haja progredido da sofisticação para a SIMPLICIDADE, e efetuado um consciente regresso à SINGELEZA DE PENSAR e de VIVER, e não considero sábio a nenhum homem, até que tenha progredido da sabedoria do conhecimento para a sabedoria da loucura e se transformado em um FILÓSOFO RISONHO, que primeiro sente a tragédia da vida e depois a comédia da vida. Porque devemos chorar antes de poder rir. Da tristeza surge o despertar, e do despertar surge o riso do filósofo, com bondade e tolerância de contrapeso.

    O mundo, creio, é demasiado sério e, por isto mesmo, tem necessidade de uma atilada e alegre filosofia. (…) Afinal de contas, somente uma filosofia alegre é uma filosofia profunda; as graves filosofias do Ocidente não começaram sequer a compreender o que é a VIDA. Para mim, pessoalmente, a única função da filosofia é ensinar-nos a encarar a vida com mais despreocupação e alegria do que o vulgar homem de negócios; (…) O mundo só poderá tornar-se um mais tranquilo e razoável lugar para a gente viver, quando os homens se hajam imbuídos da leve alegria desse espírito. (…) Deveríamos, portanto, pesquisar a origem dessa atitude, que tornará possível um gozo cabal desta vida e um temperamento mais razoável, mais pacífico e menos acalorado. (…)

    [Trechos extraídos do livro ‘A Importância de Viver’ de Lin Yu Tang (1937) – Traduzido por Mário Quintana]

    Comment by Coringa — 15/12/2009 @ 7:27 AM


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