windmills by fy

13/12/2009

TEMPO

Filed under: Uncategorized — Fy @ 5:00 AM

 

 

 

 

 

Se a presente exposição  Azul-água e o Azul-céu, ela sucede a duas outras que tematizaram respectivamente o Vermelho – sanguíneo e vitalista – e o Castanho-Terra, a cor do húmus, ventre da Deusa-Mãe.

 

 

 

 

HORIZONTE  REVERSO

 

 

 

 

articulação livre e dinâmica entre a pintura, a poesia, à imagem do movimento musicado de suas disciplinas dando voz a uma particular inclinação sensível do corpo, do corpo físico. Este entrecruzamento de disciplinas criativas não obedece a nenhum programa com intencionalidades pré-definidas; pelo contrário, tentando conciliar afinidades e sensibilidades artísticas diversas,

Alice Valente desbrava um caminho de realidades ainda sem forma e sem Nome, instauradas na experiência do instante em que se manifestam.

 

 

 

 

 

 

 

Estranha forma esta de a arte e o pensamento singular, exprimindo o inominável – porque ainda incriado -, alimentar-se do fio da navalha, modelando uma Identidade sempre nova e sempre única sobre o terreno movediço e indistinto do caos, almejando suplantar o tempo sucessivo em proveito do ‘tempo instante’ ou – como afirmou Mestre Eckhart :

 – deste ‘agora eterno sempre novo’.

 

 

 

 

 

 a  encorpar

a passar

a  conter

a  fixar

a  alterar

a  Irradiar

 

 

 

 

 

A não sublinhar        que desejo traçado

Risca – se

a força do traço

 

 

 

Referindo-me, agora, especificamente à pintura exposta de Alice Valente, prefiro não me ater ao seu discurso sobre aquilo que faz e ‘porque’ o faz , mas

 tentar, a partir da minha experiência visual e vivencial, construir uma ponte através da qual ambos possamos circular livremente – ante o nosso olhar curioso ou em dormição; convida-nos para uma relação, em que também somos convidados a participar.

 privilegia ,

a relação entre uma coisa e o seu contrário,

mas com a particularidade de apontar para a superação deste estado de ruptura interior;

seja por um regresso à unidade original, expresso nos mitos de origens,

quanto por um movimento escatológico, de mergulho na indiferenciação do caos, projectando a renovação para um futuro idealizado.

 Posso olhar para esta pintura como paisagens atmosféricas, lunares, aquosas em excesso, onde a gestação da vida se produz lentamente, sem interferência explícita da vontade.

 Recordam-me os ambientes encharcados de Tarkovski, cheios de água, onde tudo goteja e é poça de água, numa espécie de lavagem, de ablução, de banho espiritual e comunhão com a criação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LUZENTE

 

a procura através da convivência dos contrários – claro/escuro, côncavo/convexo, superior/inferior – restaurar o estado de indistinção original

 

 

 

« CORPOtraçoCORPO –           a poesia e a pintura »

é a comunhão da exposição do movimento de:

imagens poéticas – CORPO vivo com

imagens pictóricas – CORPO ficcionado.

Com um diálogo próprio este projeto trata o articular a questão do ver e o de comunicar o resultado dessa mesma visão.

O traço ou cor, na poesia e na pintura do   CORPOTtraçoCORPO   trespassa em unicidade a   «não cor»   do preto e branco e, será o elo, a ligação ou o equilíbrio entre a divisão, de tudo aquilo que é contrário em atração, de corpos, de seres, ou do próprio Ser ou CORPO, entre o exterior e o seu interior, entre o dia e a noite, entre o homem e a mulher ou seja ,  «em-entre»   tudo aquilo que embora pareça ser divisível, nocivo, incompatível, competitivo ou adverso, o não seja   >  mas sim, um avesso ou reverso, fundamental, necessário e imprescindível à completa aparente perfeição.

O traço apresenta-se na poesia através da palavra da cor e na pintura através da cor da palavra e, representa o equilíbrio ou a harmonia, o que vem entre um e outro, o outro que pode ser o nosso próprio outro ou o outro própriamente dito, em conhecimento ou desconhecimento…

O nove presente no traço da cor e no traço da palavra, surge como o novo, o último dos números, representa assim o nascer, o cuidar beneficamente do ressurgir, em criatividade, o seguinte, o próximo, que virá em sua contemporaneidade, numa antevisão comprazer do que irá ser conhecido ética e esteticamente, no antes do todo em seu próprio desconhecimento… 

a poesia surge na conceptual relação da importância da palavra com o pictórico, presente no título das obras e em que irá corresponder a cada obra em seu título, um poema com o mesmo título.

a pintura é compreendida com 9 obras em díptico para cada uma das 9 cores, com o formato de 81x130cm, apresentadas na verticalidade ou na horizontalidade.

9 cores x 9 obras  =  CORPOtraçoCORPO  =  81 obras com 81 poemas

Após as séries de exposições, está previsto uma exposição final com a presença de todas as obras, aquando do lançamento do LIVRO com o mesmo nome do projecto, contendo 81 poemas e ilustrado com as 81 obras, em que a cada obra em seu título irá corresponder um poema com o mesmo título.

 

« CORPOtraçoCORPO –   a poesia e a pintura »

Alice Valente

Projeto multidisciplinar iniciado em 2003, que integra poesia e pintura assinado pela mesma artista.

 

 

 

Trechos de José de Sousa Machado (crítico de Arte)

by  Fy

 

 

 

 

 

 

 

 

1 Comment »

  1. Olá Fy!

    Os meus sinceros parabéns pelo seu belíssimo blogue que irei com todo o gosto acompanhar e estou-lhe imensamente grata pela referência ao meu trabalho nesta lindíssima composição que aqui realizou.

    Ah e já ficam os links em referência:

    http://alisenao.blogspot.com/
    http://www.e-cultura.pt/ServicosDisplay.aspx?ID=83

    Um grande abraço

    Alice Valente Alves
    http://alicevalente.wordpress.com/

    Comment by ali_se — 13/01/2010 @ 10:18 AM


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