windmills by fy

03/01/2010

Parabéns, Mr. Cameron !

Filed under: Uncategorized — Fy @ 7:16 AM

 

 

 

 

  

 

 

 

Ah …. é claro que falar sobre isto é inevitável . – ler sobre isto também .

Avatar : Pandora :  um espetáculo de beleza ,

uma aventura apresentada na  mais ousada tecnologia vista até hoje no cinema.     – Parabéns Mr. Cameron !

“Avatar” é um marco e merece todo o “status”,

afinal é a história da arte sendo escrita mais uma vez dentro das salas de cinema .  

É  imperdível –  

é  inesquecível !

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois do impacto diante deste espetáculo

que nos arrebata de tantas , tantas ,  maneiras ,  

achei muito interessante  observar as diferentes interpretações .

 … outro impacto … !

 

 

:  entre observações , resenhas , críticas e análises excelentes ,

eu  me deparei também com as < pra mim >  – pretenciosas , – “miméticas” –  

técnicas , … as chatas ; as muito engraçadas …. etc-e-talz .

 

 

E percebi , que em alguns casos , a grande mensagem do filme ;  

– que aliás, em nenhum momento foi sufocada pela absurda demonstração de talento

que Cameron mais uma vez demonstrou  :  ao contrário –  ,     

foi relegada a um segundo plano ;   – e , mais uma vez consegui me espantar

com o pretenciosismo com o qual  conseguimos transformar a Simples Realidade : 

num show , este sim , de ficção científica retrógado , rebuscado e repetitivo .

 

 

Nada é mais relevante do que o Alerta Ecológico de Avatar.

Nada é mais relevante  que a crítica ao sistema relacional do viver humano .

 

  

Cameron ,  além , e no caso , através  de um show de  tecnologia ,

nos apresenta um mundo inter-relacionado ;

um planeta que é um organismo :  ViVo : onde cada habitante , cada ser ,  

está interligado : assim como nossos neurônios o estão , uns com os outros , 

através de todos os neurotransmissores necessários .

 

 

Uma clara demonstração de que a destruição de uma parte qualquer deste organismo

significa ferimento e dor para todo o resto do Planeta  >  fazendo com que ele :   Reaja   .

 

 

Well , …. de   “ novo ou de novidade ”  > temos apenas a tecnologia . 

 

 

Não há nenhuma   “ saga do herói ”   …

  ou relevância em aspectos  de análise psicológica individual , como também lí em comentários .  

 

 

O verdadeiro apelo é o contrário : é o da extroversão , do Convívio , da Interação   > 

é nos “lembrar” –  que o organismo se autogere : sim ,  – mas só o faz na relação  com os outros organismos .

 

 

É o deixar de   “ complicar ”   – 

de enfatizar tanto  e exageradamente  o conhecimento do si-próprio   

ou   si-mesmo através deste endeusamento atual pela introversão >  

 

 

e investir naquilo que simplesmente  somos :

uma única raça pertencente a um sistema ecológico   “ x ”  , e que ,

embora lhe seja absolutamente dependente ,  

o está destruindo  e destruindo a si própria sem a menor consciência .

 

 

Uma clara demonstração   “ do que é este sistema  x ”  .

E não  …mais…    um convite a menosprezá-lo ,

à torná-lo um simulacro mal acabado de alguma alucinação esquizo que vivifique “ outro mundo” ….  

que esteja :  

ou ….em algum lugar num céu desconhecido ou plantado dentro de nós  .

 

 

 

Claro que temos sim , uma forma de entender o  mundo dentro de nós . 

Cada um de nós . 

Mas , considero um erro perigoso estabelecer  um  mundo interior  desligado deste mundo “nosso” :  

 “ real e vivo como cada um de nós ”   –

e que com isto, considerar  ou “viajar” na estúpida idéia 

de que alguem possa se manter  e se reconhecer  autônomo e só ,

” grudado ” em algum   Self   acadêmico , pretensioso , indeciso

e oscilante  em suas patéticas caracterizações  mítico-religiosas . 

 Mais : insistir nesta ilusão patológica  de que podemos  alterá-lo  :  

desumanizá-lo :  sublimando – o , num esforço contínuo de interiorização e de busca pela : ausência . 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Através do sistema relacional apresentado em Pandora de Cameron ,

chegamos à brilhante proposta de Maturana e sua brilhante observação

entre a relação do modo de operar sistêmico da neurobiologia e a organização sistêmica dos seres vivos .

 
Maturana em seus estudos foi mapeando uma compreensão dos seres vivos como :

“ entes dinâmicos autônomos em contínua transformação ,  em coerência com suas circunstâncias de vida ” .

 

 

Não é preciso esclarecer que “ circunstâncias de vida ” nos são determinadas pelo ambiente

e por nossas relações com o mesmo ,

o que inclui  tudo o que existe   e   tudo o que “ nos ” existe   e    tudo  “ em que ” existimos .

A própria “ saga do herói ”   em termos psicológicos , ao deixar de ser fruto de um sistema relacional humano

e se manter numa estrutura de total introversão pessoal

pode gerar aberrações como hitlers ou castros , etc …  :   perfeitamente equilibrados em seus interiores .

 

 

 
Afinal . . .  , “ quem ”  executou melhor esta trabalheira de    “ busca interior pela iluminação ” ,

ou  pela constelação do tal do   “ self ”   ou   “ desintegração  de  sua própria – humanidade – em – vida ”   :

dissolvendo-se em supostos e variáveis  planos espirituais – que não o nosso : real e humano –

ou tornando-se um mero veículo de manifestação ou   ” veículo ” 

onde qualquer uma das incontáveis divindades pudesse vir passear , aqui neste nosso planeta , . . . – Parker Selfridge ou Jake Sully –  ?

 

 

Yeah – yeah : afinal … Ambos colocaram sua vida em risco à disposição de seus ideais …

– ou dos ideais pelos quais foram convencidos .

 

 

e … ideais . . . também são Avatares .

 

 

Sob este ponto de vista , teríamos que considerar ambos como heróis  , …  iluminados  …

ou numa linguagem mais mimética : selfs perfeitamente constelados

e portadores de alguma Verdade  trazida dos confins do “ self ” ou de algum deus iluminado ;

e que …. – You Know … :   não está sujeita à análise conceitual humana :  . . . nenhuma .        poizé . . .

 

 

Enfim , não há como construir conceitos quando enfatizamos e endeusamos tanto e , apenas , a busca interior .

Sabe-se lá que “ deus ” e com que “ divino ” se “ conecta ” o “ self ” de cada um ,

após a tal da ” desintegração ” do ego ? ? ?   [ pseudo-junguiana ]

Ah … a  BANALIDADE DO MAL em Hannah Arendt …

um excelente esboço que demonstra claramente não só a banalidade

como a banalidade bizarra  de certos conceitos absurdos .

 

Não é possível estabelecer alguma conexão com a Vida

se nos basearmos apenas em mergulhos interiorizados em busca de divinizações ,

uma vez que o Ser Humano sómente vai organizando o seu Conhecer a partir do próprio Ato de Viver :   “ Humano ” .

 
E Viver , o é , em si mesmo :    Com-Viver : Inter- Agir .

 

 

Viver e Conhecer são mecanismos vitais .

 
Conhecemos porque somos seres vivos e isso é parte dessa condição .

 
Conhecer é condição de vida na manutenção da interação

ou acoplamentos integrativos com os outros indivíduos e com o meio .

– Rabelo 1998b – p. 08 –

 

 

 
A noção de  Viver – Conhecer   está diretamente vinculada com o modo de relacionar-se e de organizar-se nessa relação .

 

 

 
Não se trata de adaptação ao meio .

O   Viver – Conhecer     na relação significa , ao mesmo tempo ,  a criação/recriação    desse espaço relacional , e de outros ,

e a   criação/recriação   do sistema em relação .

 

 

Pode incluir , em algum momento , a adaptação , mas vai além dela .

Nessa relação criativa ,  meio-sistema  , é que emerge o social .

E o social é entendido como domínio de condutas relacionais fundadas na emoção originária da vida :

o   Amor .

 

 

 

Para Maturana  :

 

 

A emoção que torna possível a história da hominização é o Amor .

– Maturana 1999, – p. 23 –

 

 

Ao falar de emoção o autor não se refere ao que convencionalmente tratamos como : sentimento.

Emoção ,  neste caso , “ são disposições corporais dinâmicas

que definem os diferentes domínios de ação em que nos movemos ” .

– Maturana 1999 – p. 15 –

 

 

Assim entendida , a emoção fundante do social – o Amor – é elemento estrutural da fisiologia humana .

Maturana afirma que o Amor é a emoção fundante do social porque :

O Amor é a emoção que constitui o domínio de condutas

em que se dá a operacionalidade da aceitação do outro como legítimo outro na convivência ,

e é esse modo de convivência que conotamos quando falamos do social .

– Maturana 1998b – p. 23 –

 

 

Pensada por esta via, a convivência , > que é este espaço/tempo das relações dos sistemas , 

é   “ lugar ”   de perene criação/recriação da Vida ,

na medida em que se constitui como social na perspectiva acima mencionada .

 

 

 
O viver-conhecer , nesta convivência , é constante Atualização do Sistema .

É  devir .

 

 

Esta  óbvia relação ,  ou  melhor dizendo , a existência deste sistema relacional ,

é a única verdade objetiva ou subjetiva    [ : à escolher ] – com a qual deveríamos nos preocupar em melhorar cada vez mais .

Ou melhor : nos preocupar em “ salvar ” !

Teria que ser nossa verdadeira busca enquanto Humanos , que somos , isto porque  “ é ”  o que somos ;

e deveríamos  ” o ” ser , com muito orgulho ,

e isto é o que torna este empenho “ relevante ” ; assim como a mensagem do Avatar de Cameron .

 

 

Repetindo ,  li comentários assim , como se isto fosse uma “ novidade ” :

– O novo planeta é uma enorme bola orgânica que funciona como o nosso corpo humano :

Pandora é um organismo vivo .

– cada habitante faz parte deste organismo e tudo está interligado –

como nossos neurônios o estão uns com os outros ,

através de todos os neurotransmissores necessários .

 

 

Isto significa que a destruição de uma parte imediatamente signifique ferimento e dor para resto do planeta ,

                                                                                                                                                      fazendo com que ele  . . .    REAJA :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outros assim:

 

 

 

– O filme é uma lição de solidariedade humana com todos os seres vivos. Adoraria que a Terra se tornasse uma Pandora.  

Saindo da Matrix –

 

 

– Já os Na´Vi , a raça inteligente do lugar , são organizados em uma sociedade

que parece um amálgama de todas as grandes civilizações indígenas da Terra .                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

www.omelete.com.br

 

 

E, sem dúvida, estes foram, para mim,

os comentários que mais se aproximaram da Mensagem  “ relevante ”  do filme .

 

 

 

 
Porque foram  de encontro ao próprio Cameron , cuja  fonte de inspiração e referência

ao criar os habitantes de Pandora foi mesmo um mergulho nas civilizações indígenas : – norte americanas  .

 
 – . . . claro que incluindo o cenário “transbordante” de Burroughs

maravilhosamente descrito na saga que nos conta a historia de Lord Greystocke [Tarzan] –

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://www.tarzan.org/

sem excluir  a magia dos contos de Kipling:

 

 

 

 

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rudyard_Kipling

 

 

 

 http://latimesblogs.latimes.com/herocomplex/2009/08/james-cameron-the-new-trek-rocks-but-transformers-is-gimcrackery.html                                         
 

                                                                                                                                                    

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                          

Claro que a solução hightech pra nossa sobrevivência não implica em tornarmo-nos índios … novamente . Seria impossível .

Os próprios índios norte-americanos deixaram de andar a pé quando o cavalo foi trazido para as Américas pelos brancos. …

– Mas , eu acredito que a grande mensagem  …. ….  

consiste em analisarmos  a maneira como eles interpretavam o universo e a si mesmos

– Parece brincadeira . . .  – mas , pensar que se houvéssemos mantido tal filosofia ,

através de nossa evolução seja científica , espiritual , tecnológica , etc… teríamos um mundo melhor . – ou   …    possível .

 

 

 

 Não é nem – nem e nem – preciso falar da proeza visual do filme  .

É inebriante , sim .

Mas também inebria   e   enleva   a tal da   “ conexão ”   entre  os   Seres Vivos    do    Planeta Vivo de Cameron  .

Uma espiritualidade que celebra e defende  a Vida  ?   “ este ” mundo  ? –   Exatamente :  O   “ Nosso  ”   Mundo .

 

 

 

Claro que o tal do Vaticano – detentor dos poderes do tal  do   ” outro ”  Mundo – ahahaha – se ouriçou … todo .

Mais uma atitude bem crápula .

 

 

 

Cansei de ler , de ouvir , e de perceber que as pessoas não tem nenhuma noção

sobre a verdadeira filosofia dos nativos norte – americanos .

Cansei de perceber que em seu Barbarismo Ocidental ,

repleto de patéticos simbolismos  copiados e adulterados por seu mimetismo  “esbranquiçado e de papel”

– chamam de “barbarismo” exatamente o que os admira no leitmotif da inspiração de Cameron .

E continuam tentando adulterá-la …  

 

 

– aiaiai : é uma misturança até cômica além de  ….    pretenciosa até os limites do ridículo –  

retirando-lhe o verdadeiro e completamente simples significado .

Bordando-o com repetitivas  e mal elaboradas teorias ,

 fantasiadas pelo  seu raso e confuso  conhecimento sobre elas .

 

 

Uma lição de Vida   ?

–  Sim  :  uma lição de   “ verdades ”  .  

Urgentes  , simples  , óbvias  e únicas verdades  .

 

 

 

… e assimqueassim : 

– como todo mundo já sabe que Avatar e Dança com Lobos traduzem uma mesma idéia , aliás : a PRINCIPAL MENSAGEM ;

resolvi falar um pouco sobre os povos que a inspiraram

comparando uma análise de sua visão  com este resultado alucinante   que Cameron ,ao revivificar seu modo de ser ,  nos apresentou .  

– Não deixa de ser um complemento pra que entendamos o maravilhoso funcionamento intrínseco de Pandora e de seus habitantes ,  –

ou ainda numa  expressão mais correta : o funcionamento de Pandora .

 

 

 

 

 

 

–  …  in-crí-vel ! – até isso acontece na Pandora de Cameron !  –

 

 

 

 

 

Não vou contar o filme , mas coloquei muitas imagens do mesmo .

Pra quem gosta do elemento surpresa : não continue antes de assistir .

 

  

  

  

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao contrário do homem ocidental ,

que concebe o mundo como representação abstrata no plano filosófico

e como entidade absolutamente dependente no plano metafísico ,

o índio relacionava-se com a existência pela analogia .

 

 

O que , se possibilitava naturais erros de avaliação , como por exemplo em relação às verdadeiras intenções do homem branco ,

que buscava não a utilização das terras mas a sua posse , mesmo que tivesse de massacrar os seus detentores   ,

garantia de igual modo , no mundo físico que habitava , uma integração harmoniosa e um genuíno gosto de viver

que só foi alterado pela arrancada branca  .   –  [ . . . é o que nos traz Cameron em Avatar .

 

 

 

O universo do índio ,  [ muito …]   mais que um universo Mágico era um universo Poético .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ou , por outras palavras : o índio realizava no quotidiano a maneira de ser proposta , no quadro ocidental , pela Poesia e a vida que esta , a ser vivida , exemplificaria .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Mais . . .  , muito mais  que animistas ,

os índios eram entes ancorados num quotidiano vitalista

que a cada passo lhe fornecia exemplos e

imagens construídas e nascidas da imaginação prática   ( ou deveria dizer praticada ? ) 

 

Afinal , o que é  que o Poeta , no bisonho e entorpecido mundo ocidental dominado por medos ,  

por classes , poderes   ” divinos ” : …  bem capitalistas …. ,

tenta plasmar nas suas construções imaginativas e verbais ?     

 

                                                                   

– – –   [  –  Há só uma excepção :

a que foi  proposta pelos mestres alquimistas ,

que ,  como perspicazmente assinalou André Breton :   

 

 

espiritualizavam  a  matéria   

                         e  

materializavam   o   espírito  ,   

                         .

                         .

                         .

 

escapando assim ao controle do   “ pensamento oficial ” ]  – – –

 

 

 

 

 

Como mais uma vez Horst Hartmann referia ,

os índios não estabeleciam qualquer diferença de base entre :

sonhos   e   visões  ,  por um lado  ,    e   realidade   ( : a dita realidade palpável )   por outro  ;

e isto , é claro ,   não porque não soubessem distinguir entre uma e outros

mas porque ambos tinham o mesmo valor indicativo .

 

 

 

 

 

–   um avatar :

  

  

  

 

 

 

–   um   avatar  :

  

 

 

 

 

 

 

 

Devido a isso , de uma forma que a mal informados ou imbecis pareceria ingênua ,

os índios  respeitavam o solo , os rios , os animais , a si mesmos  

e da mesma forma ,  os guerreiros com quem se defrontavam .

 
Viam-nos como parte dum todo a que estavam ligados ,

eram protagonistas duma existência   recheada de significado .

[  nunca houve índio que se queixasse de insanidades como , por hipótese . . . , uma tal crise de identidade … ] .

[  jamais ouvimos sobre algum índio atacando seu tal de “ego”  – hahaha –

ou achando que precisava : dissolvê-lo  … :

nem no tal do nada ou vazio , 

e nem em algum infinito , ou self , ou deus  :

ou nesta confusão completa  ….  em busca de  “ salvação ”   ou de    ”  iluminação ”  .  ]

 

 

 

Nesta conformidade , deve  se analisar a   “ espiritualidade ”    índia como aquilo que   realmente era  : 
 
a prática   ” efetiva ”    de ligação a um universo  :

onde as coisas aconteciam por razões porventura misteriosas ; sim –   mas . . .   repletas de sentido ,

ao contrário da ocidental ,  que se  “ agarra ”  na   tal    ” re ”  – ligação  –   ; ? ! ?

[  … com efeito ….  ! ! !     

– ou talvez ….

” sem efeito ”   … …. ] ! ! !

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assim , é perfeitamente descabido , quando não : 

pura impostura ou : sonoro desajuste   falar-se    em deuses

a propósito do índio norte-americano ( norte-americano , sublinho )  – 

ou , como o fizeram durante muitos anos os melífluos missionários que o ocidente lhes punha à disposição ,

amparados pelo cacetete papal , manobra que caucionava a repressão , o genocídio e o terror .

 

 

 

O índio acreditava  num grande mistério ,

[ o que se poderia traduzir por a coisa sagrada em termos ocidentais ]

e exprimia o sentido do grande mistério, em termos poéticos

que eles sentiam existir em   Tudo :        

e que a seu ver envolvia   a existência   –   e era   ,  por seu turno  ,     permeabilizado por ela  ,

estabelecendo uma ponte direta e bem prática entre o mundo e o transmundo das coisas

e dos seres – vistos , pensados e sonhados .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esse grande mistério , também conhecido como   grande medicina : Xamanismo   entre nós ; 

manifestava-se de nação para nação –

como por ex :  o  Wakanda dos Lakotas (Yanktonais, Santees, Oglalas, Tetons e Yanktons) e Cheyennes ;  

ou o Manitu dos povos do nordeste –

manifestava-se em entidades diversas : palpitando de atividade no quotidiano da tribo e atravessando  a realidade circundante .

 

 

 

 Os animais tutelares ou totens eram assim como

uma estima do coração   >>>    e    não   deuses    benevolentes   ou   maléficos   ou bipolares  ,  

e   muito menos   presenças   metafísicas   que   se   intrometiam   e   ” administravam ”    na   sua   vida  ,

como sucede no ocidente :  onde o Poético , o Espiritual e o Físico

estão inapelavelmente compartimentados  :  – divididos –  da triste maneira que se sabe e se sente .

 

 

 

 

 

 

 

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O índio tinha um comportamento epicurista ou estóico conforme as circunstâncias da vida quotidiana :

era grave mas não taciturno ; alegre mas não descabelado .

E isto porque não era perseguido pela descontinuidade característica da circunstância judaico-cristã ,

agravada pelos ritmos instaurados pela revolução industrial .

 

 

 

 

Não sendo um ser amedrontado ,

o índio não tinha nenhuma  necessidade  de procurar aplacar espíritos bons ou perversos ,

como sucede noutras civilizações .

[ e nem de corresponder a algum modelo estereotipado

por alguma religião absurda que os inventasse  :

ele não precisava    ” ser salvo ”   e nem   ” se salvar ”    por   –  ou  –   através    –   

de algum deus regional  e  imaginário .

 

Claro que se alegrava ou inquietava ,

mas a exemplo do que sucede no ato poético ;    

em que os terrores são terrores pela sua própria condição bem assim como os contentamentos :

consoante os sinais que distinguia no decorrer da existência .

 

 

 

Estabilizada por anos e anos de sucessivo aperfeiçoamento

que a vastidão e a riqueza do continente permitia ,

a vida do índio estava recheada de sentido .

A vida era por vezes dura , mas sempre se revelava gratificante .                                                            

Interiormente , o índio interrogava-se mas não se enrolava sobre si mesmo e ,

se , muitas vezes , se angustiava , como ser humano que era ,

as ricas relações no interior da comunidade encarregavam-se de aplacar ou dissolver essa palpitação negativa .

 

 

 

Nas tribos do nordeste e da costa atlântica , que foram as que primeiro sofreram a brutalidade do invasor ,

o choque entre a sua mentalidade libertária e a obstinação primária dos colonos foi o sinal claro do que a seguir iria suceder ,

uma vez que a terra não era para o índio um corpo político

e sim um lugar onde residia com as árvores , os animais , as montanhas , a chuva e o deserto , em suma :

tudo aquilo que constituía o Mundo de Realidade e de Sonho  :

onde não fora instaurado o complexo de culpa

que constitui uma das bases fundamentais do pensamento religioso ocidental e ,

inevitavelmente , o seu cerne filosófico  .

  

  

  

Para o índio norte-americano a morte não era , como para o cidadão europeu , uma essência  >

e sim , literalmente  a cessação da Vida , tal qual ele a conhecia

Nunca uma   “ transcedência”  , antes uma consequência bem reconhecível :

uma facada, um tiro, uma doença ou a muita idade .

 

 

Os mortos inquietavam-no porque ele sentia que o reino da morte era doutra quotidianeidade ,

mas podiam também alegrá-lo :

não era invulgar um índio chegar ao lar e manifestar a sua alegria por ter ,

numa jornada de meditação ( em geral apoiada em jejuns ) sido contemplado com o aparecimento dum parente ,

dum animal doméstico muito estimado , etc …

 

 

–  note-se ainda como exemplo que entre os Plains eram ciclicamente efetuadas

danças rituais para facilitar ou possibilitar a vinda das manadas de bisontes

e não para comunicar a um determinado deus ( animal ou de tipo humanóide… ) que já era tempo de se pôr ao trabalho …

e encaminhar os rebanhos para junto dos territórios de caça    ( sempre bem estabelecidos por consenso milenar ) .

 

 

Arguto  [ !!! ] :  encarava por isso a parafernalha judaico-cristã como uma história absurda ou uma impostura .

E   por isso mesmo    o seu mundo conceitual :  simples ,   humano e verdadeiro ,  

>  era uma ameaça  extremamente perigosa para  aqueles que  chegavam abruptamente,

e, por isto  :  tinha de ser destruído    pelo homem branco.    

[   ” o ” ….   ” virtuoso ”     e    ” sábio ”    homem branco    e   pelas ordens … do seu deus . . .  ” sábio ” –   e . . .

 

 

 

No que respeita aos denominados homens-medicina :   Xamãs  

( e não feiticeiros , designação que apenas faz parte do vocabulário branco veiculado pelas fitas de Hollywood )

eram curandeiros ou aconselhadores qualificados que , em certas ocasiões determinadas por condições muito próprias ,

tomavam o cargo ( espontâneo , circunstancial e sempre removível )  de chefes específicos

que emergiam do quotidiano da tribo

e não se empenhavam em ter mais ou menos influência ,

o que seria impensável pela lógica da organização do tecido social .

 

 

Os homens-medicina , fossem chefes ou não , acompanhavam o dia-a-dia ,

orientavam as festas e os rituais ( de colheita , de caça , de mudança de estação ou de localização da tribo )

eram de certa forma , os conhecedores dos grandes ritmos que presidiam à relação entre o conhecido e o desconhecido.

 

 

Por vezes funcionavam como diplomatas inter-tribos e ,  

em algumas ocasiões especiais utilizavam alucinogénios  ( como entre os Pimas e os Yaquis )

e interpretavam as visões daí decorrentes como revelações 

de forma  a compreenderem o mundo e o seu eu profundo através de uma amplificação de consciência .  

 

 

Note-se que os índios usavam de preferência jejuns e períodos de isolamento em lugares específicos :

montanhas , bosques e recantos junto a rios ,

– no caso dos índios do sudoeste :  orlas de desertos  

(  jamais se adentravam pelo deserto , como fizeram no último período da romanidade

as comunidades de cenobitas cristãos do norte de África ) .

 

 

 

 

Mesmo quando uma nação era tradicionalmente inimiga de outra ,

como os Sioux e os Pawnees por exemplo ,

não se buscava a extinção do adversário

e o feito guerreiro tinha fundamentalmente a ver com a qualidade e não com a quantidade .

 

 

Lutava-se pela honra , pela coragem , pela vingança de injúrias

ou pelo abuso da entrada em territórios de caça ou utilização .

A posse destes últimos estava dependente do uso que lhes era dado pelo coletivo e ,

portanto , não era encarada como exaustiva e total .

 

 

Nunca passaria pela cabeça de um índio dizer este sítio é meu ,

> pois entendia-se que apenas aprouvera ao grande mistério

possibilitar que a tribo dispusesse dele a seu efetivo bel-prazer .

 

 

 

Em geral , os índios norte-americanos viviam em regime de cooperatividade ,

o que os distinguia das monarquias totalitárias

ou de claro enfoque do que depois se chamaria nazismo ( por exemplo os Aztecas ) das nações da América central .

 

 

 

Grande parte da civilização ocidental se assenta num intrincado jogo de   efusão/recalcamento   

( para usar a terminologia freudiana )   que estimula o desejo de acumulação .

Ao frustrar pulsões legítimas , o sistema relacional ocidental e cristão  

( a este respeito sugerimos a leitura de A neurose cristã ” de Pierre Solignac  )    

distorce o pensamento e dá origem   à necessidade de posse dos bens  ,

que tudo arrasta na sua frente   ( o que é caracterizado pelo axioma “ uso e abuso ”   )  .

 

 

 

  
E então  :

O   índio  , que vivia no neolítico – sim –  

mas que ,  apesar de tudo mostrou uma espantosa capacidade de adaptação interior –

e mesmo exterior, convenhamos . . .  – a ritmos que lhe eram totalmente alheios ,

conceitualmente estava mergulhado no chamado : >  segundo estado  ou seja : 

o mundo mental em que realidade e sonho se interpenetram ,

 

 

estado esse que é profundamente odiado pelos próceres da civilização ocidental ,

que apenas respeitam :  ou a Razão ou o Instinto de Posse   >  camuflado de  ” necessidade espiritual “

( : vulgo >   religião , que é apenas e tão-só , se nos despirmos de preconceitos ou receios ,

um polo agregador de interesses economicos-psico-sociais ) .

 

 

 

Enfim ,

 

 

 

 A nação índia , no seu todo , desapareceu para sempre .

  

  

 

  

  

  

 

Nobre e Orgulhoso gavião planando sobre montanhas e florestas , viu o seu vôo destroçado pela gente que a princípio auxiliara .

 

 

 

 

 

 

 

 

Espoliada ,  assassinada , caluniada , utilizada em divertimentos de pacotilha –

mas também respeitada , compreendida e amada por ocidentais que sabem ser índios na selva urbana –

– é hoje ,  … não mais que recordação, uma vez que se desfizeram as raizes que a sustentavam:

 o   território   onde   se   estabelecera   o   equilíbrio   harmonioso   entre   a   natureza   e   o   homem  .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje em dia, habitantes que somos de universos  ” alternativos ”  –  resta-nos somente uma certa nostalgia  …

 

 

 

e , sem dúvida ,  a esperança de entendermos que Pandora em Avatar  apenas nos traz saudade de nossa : humanidade .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Congratulations , Mr. Cameron !

 

 

 

 

 

 

 

 Fy   e   Gustavo

 

24 Comments »

  1. Mensagem dos Anciãos da tribo Hopi (Oraibi, Arizona – 2001)

    Vocês têm dito às pessoas que essa é a décima-primeira hora. Agora você deve voltar e dizer que esta é A HORA. E há coisas a serem consideradas:

    Onde você está vivendo?
    O que está fazendo?
    Quais são seus relacionamentos?
    Você está na relação certa?
    Onde está sua água?
    Conheça seu jardim!

    É a hora de falar sua verdade. Crie sua comunidade. Sejam bons uns com os outros. E não olhe pra fora de você à procura de um líder.

    (O ancião juntou as mãos, sorriu e continuou:) Esta será uma boa época!

    Existe um rio que está fluindo agora muito rapidamente.
    Ele é tão grande e rápido, que algumas pessoas ficarão com medo.
    Elas vão tentar se agarrar às margens, vão sentir como se estivessem sendo despedaçados, e vão sofrer intensamente.

    Saibam que este rio tem seu destino.

    Os anciãos dizem que precisamos nos soltar das margens e nos empurrarmos para o meio do rio.
    Mantenha seus olhos abertos e suas cabeças acima da água.
    E eu digo: olhe para quem está lá com você e celebre.
    Nessa hora da história, não devemos considerar nada pessoalmente, muito menos nós mesmos, pois no momento em que o fizermos, nosso crescimento espiritual e nossa jornada se interromperão.

    O caminho do Lobo Solitário terminou. Unam-se.

    Bana a palavra “luta” de suas atitudes e vocabulário
    Tudo o que fizermos agora precisa ser feito de maneira sagrada e em celebração.

    Nós somos aqueles por quem temos esperado.

    http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2005/01/mensagem_dos_ho.html

    Comment by Coringa — 03/01/2010 @ 1:14 PM

    • Coringa,

      Vou colocar isto num post.

      que saudades deste Acid!

      Bjs

      Comment by Fy — 05/01/2010 @ 8:43 AM

  2. Lembrei muito deste texto do Saião enquanto via o filme, tudo a ver. Que bom que vc colocou. Tava querendo reler e nao sabia onde encontrar.

    bjo bjo,
    Mob

    Comment by Mob — 05/01/2010 @ 4:46 AM

  3. Trabalhar é minha sina, eu gosto mesmo é d’ocê.

    Comment by Mob — 05/01/2010 @ 5:10 AM

  4. Que bom que vc colocou. Tava querendo reler e nao sabia onde encontrar.

    Ah…. sabia sim: te mandei há um tempão.

    Assimqueassim…. :

    Bjs bjs

    Comment by Fy — 05/01/2010 @ 8:41 AM

  5. Tá incrível.
    Volto depois pra comentar mais.

    Beijo aí pra todo mundo, a Carol tá lendo aqui e mais tarde tb comenta.

    Beijo aê

    TocaYo

    Comment by TocaYo — 07/01/2010 @ 6:45 AM

  6. OI Fy, Td bem??!
    gostei muito deste post, até a parte em que tive que parar, por nao ter visto o filme ainda….rs
    Pelo q vc falou do filme, imagino, que valha muito a pena ir vê-lo…
    Feliz ano novo pra ti e pra todos q acompanham seu blog….
    e vida longa ao Blog!!
    Bjs!

    Comment by Caio — 07/01/2010 @ 9:30 AM

    • Oi Caio: aquele ano pra vc tb!

      Que bom que vc gostou.

      Olha este texto do Saião é mto bom. Faz tempo que eu tenho – nunca poderia imaginar que de repente…. tudo isto viria a tona, de uma forma tão surpreendente.

      Depois q vc assistir, [ só por causa das fotos ] vale a pena ler.

      Se vc voltar aqui, me fala se quer que eu te passe por email,… sem as fotos.

      Bj

      Comment by Fy — 08/01/2010 @ 11:39 AM

  7. Fy
    Coloquei teu email // não sei porque não aceitou nenhum dos meus.

    É Fy,

    Puxa eu to meio que tonto, encantado com tanta coisa .

    Leio, leio, comparo, volto e olha que acabei foi perguntando pra Bia qual foi a aquarela capaz disto tudo aqui!
    Poesia, a dança, o devir, a garra , a melodia.
    Parabéns pelo Tomorrow Never Knows, o caramba isto.
    É este lance aqui tem melodia.
    Tem balanço. Pega.

    “A dança, a ensinam os deuses.

    A natureza lhe dá as cores e a música,

    os homens a compreendem e lhe dão

    nome e ela regressa outra vez,

    convertida em vida…

    Por isso é festa, para que bailem

    juntos deuses, natureza e homens…”

    Maraakame

    (Xamã da etnia Wixarrica-Huichol)

    Os índios.

    Uma história incômoda, Fy.Avatar só assistindo. E no real também é uma história incomoda.
    Uma das historias que desestrutura toda a parafernália ocidental e cristã, real e severamente, como disse o Saião. Uma vergonha. Mais um, dos nossos tantos paradoxos hipócritas ocidentais.
    Pra quem conviveu com este tipo de cultura, e realmente percebeu seu encanto e sua grandiosidade, aliás sorte sua que bebeu desta fonte, com certeza dignifica a honra e a fraternidade ou sentimentos desta ordem com outro tipo de parâmetros.

    Muito bom este texto do Saião.
    Talvez voce não conheça este poeta, não sei, mas é uma demonstração de amor e de honra que pega lá no fundo, de quem ainda aposta na vida.Te mando mais coisa depois, voce vai gostar do material que meu pai tem aqui.

    The Trail of Tears
    By Brian Childers ©1998

    I look to the long road behind
    My heart is heavy with my people’s sorrow
    Tears of grief I weep – for all that we have lost
    As we march ever farther from the land of our birth
    On the Trail of Tears

    Mile after mile and day after day
    Our people are fewer with each rising sun
    Disease and starvation they take their terrible toll
    And though we suffer still we march on…
    On the Trail of Tears

    I watch my beloved weaken and fall
    Upon the road like so many before…
    With tears in my eyes I hold my wife to my breast
    And in my arms she breathes her last…
    On the Trail of Tears

    Mile after mile and day after day
    We march to a land promised us for all time
    But I know that I can no longer go on
    I know that is a land that I shall never see…
    On the Trail of Tears

    As my body – it falls to embrace the earth
    My spirit – it soars to greet the sky
    With my dying breath am I finally set free
    To begin the very long journey towards home
    On the Trail of Tears

    esta dos CheroKees é bastante oportuna também, porque como voce disse, esquecemos de nossa humanidade, e precisamos reaprender a caminhar como Homens que somos.

    As I walk the trail of life
    in the fear of the wind and rain,
    grant O Great Spirit
    that I may always walk
    like a man

    Beijo
    Abraço geral
    Feliz ano pra todos nós

    André Beltrão

    Comment by André — 08/01/2010 @ 3:26 AM

    • André

      Eu tb não consegui entrar – acredita?
      tentei várias vzs e caía naquele negócio de site com…. sei lá o q .

      Triste mas linda e verdadeira. – Incômoda? – olha André quanto mais nos aprofundamos neste assunto mais vergonhoso ele se mostra. Ou encontramos total ignorância sobre o mesmo, ou interpretações equivocadas… e pretenciosas, claro.

      Mas, qto a beber na fonte; vc tem razão, só faz bem. Com certeza, Cameron, Frank Hebert, Burroughs, …entre outros; não tem do que reclamar.

      Claro que eu quero um monte de coisas! É um assunto que me apaixona; e sei que apaixona teu pai tb.

      Que bom que vc veio, e gostou.

      Bj

      Comment by Fy — 08/01/2010 @ 11:52 AM

  8. Uma historia simples não é Fy. Não fosse uma floresta de neón, aquele colorido surreal, aquela exuberância toda viva; agente teria mesmo assistido a invasão do Oeste americano. O roubo vergonhoso de território, o massacre físico e cultural. E você tem razão, nada é mais importante que o alerta de Cameron; que bom o filme ser livre e tantas crianças estarem assistindo. A forma como os na’vis vêem e interagem com a natureza levanta uma séria mensagem de reflexão acerca do que nós mesmos estamos fazendo com o nosso planeta, sem nos darmos conta de onde estão as nossas próprias e verdadeiras riquezas.

    É uma super ironia a do Saião e a de Cameron, que aliás não estão sugerindo e sim nos alertando, e em questão de urgência mesmo, que olhemos o mundo pelos olhos dos nativos. E é olhando “de fora” o problema, ou do ponto de vista deles, que percebemos os nossos próprios erros de conduta e a maneira obsessiva e doentia com a qual continuamos esta exploração desenfreada dos nossos próprios recursos naturais e os mentais também. Claro que o primeiro em decorrência dosegundo. Não há herói nenhum e nenhuma saga de herói., pode haver sim a saga do desespero, da sobrevivência, a saga do reflexo retardado. Será que esta viagem interior, ou melhor esta viagem obsessiva à psicanálise – sem ser psicanalista, virou novela das 8? O lance é respirar ou interiorizar? Olhar pra cima ou pra os lados, ao redor? Vc não ia fazer o Look around? Vamos dar de noite eterna, de abismos rsrsrsrs espectrais, e chamar o sol de “ilusão” ? Té quando? Até pega-pega virar pega-sombra; por falta de espaço possível. Assistir o filme, pra mim foi vivenciar de maneira intensa o choque entre uma cultura viciada, desoxigenada, onde o próprio choque cultural e os valores díspares ficam tão evidentes que realmente nos fazem sentir vergonha diante do que valorizamos. E uma pobreza enorme em relação às nossas distrações também, veja só como as pessoas precisam se explorar ao ponto de criar submundos dentro de si mesmas e altermundos fora de si mesmas pra encontrar algum nexo ou algum gancho pra esta masturbação egóica que não termina nunca ou nunca sai do papel e é sempre masturbação, sem conexão com nada ou ninguém a não ser com o nada e o “tar” do si mesmo que é cada vez mais Si Mesmo.

    Bjinhos da Carol ecol

    Comment by Carol — 08/01/2010 @ 3:29 AM

    • Carol Ecol,

      Tá louco! Bravos!

      Vou te publicar Carol!

      é isso aí, palavra por palavra.

      Bjs

      Comment by Fy — 08/01/2010 @ 12:00 PM

  9. Fy

    Voltando e conversando aqui com o pessoal sobre teu post.

    Foi uma opinião que procurou conservar a Honestidade da mensagem de Avatar.

    Não há a menor intenção por parte do Cameron em enviar mensagens doutrinárias, nem ocidentais e cristãs, nem orientais e budistas ou hinduístas, etc

    O lance mesmo é contra o terror da destruição do Planeta. Da Natureza. É muito mais simples. Muito mais URGENTE. Como você falou. É mais do que óbvio que independente de qualquer crença, nosso desempenho até aqui foi desastroso.

    A nossa relação com o meio ambiente é idêntica à nossa relação com nossos semelhantes.

    Muito legal o Maturana, e pensadores que venham nos trazer novos paradigmas. Ou nos enxergamos como uma raça, exatamente, dependentes uns dos outros e do que nos cerca ou as próximas gerações viverão em um sistema bastante complicado. É preciso pensar hoje em dia em relação a procriarmos.

    Olha lá, esta reportagem do Cameron na estreia do filme in LA como tem a ver mesmo com o Saião:

    “Quis propositalmente imbuir o filme de uma consciência de que nosso meio ambiente é vivo, um organismo vivo e complexo.”, diz Cameron.

    “Como alguém que passa muito tempo debaixo d’água (Cameron é um aficionado do mergulho e da exploração oceânica profunda, NR) vendo a maravilha que são os bancos de corais e as florestas submersas, e notando a degração que tudo isso sofreu nos 25 anos desde meu primeiro mergulho, e extrapolar disso para o resto do mundo e o que está se passando agora, em nossas vidas…

    Há excelentes documentários mostrando tudo isso, mas quantas pessoas vêem documentários?

    Se quero passar uma idéia para quem for ver Avatar é de que a natureza é extremamente imaginativa.

    Nossa imaginação como realizadores empalidece diante do que a natureza faz todos os dias – o filme é um tributo a Tudo o que a Natureza Imagina.”

    Seria Avatar um filme-mensagem então?

    Em 3D? “Ah, não”, Cameron ri.

    “Esses são muito chatos! Eu quero que todo mundo se divirta muito.

    Mas sintam, lá no fundo, como é importante respeitar a mãe natureza.”

    Beijo
    André

    Comment by Andre — 08/01/2010 @ 3:37 AM

    • Nossa imaginação como realizadores empalidece diante do que a natureza faz todos os dias – o filme é um tributo a Tudo o que a Natureza Imagina.”

      – é. indizível.

      Mas sintam, lá no fundo, como é importante respeitar a mãe natureza.”

      – olha – tá na hora de sentir no raso tb. Já passou da hora. – Como disse a Carol, que bom que a censura é livre. Quem sabe indo ao cinema as pessoas se toquem do que tá acontecendo no mundo real.

      – Este lance de filme-mensagem: foi ótimo. Não existe nada mais chato do que este lance de proselitismo camuflado.

      Bjs

      Comment by Fy — 08/01/2010 @ 11:59 AM

  10. Agora entrou com o email certo.

    té já

    André

    Comment by Andre — 08/01/2010 @ 3:38 AM

  11. Li o resto agora FY…
    E tbem vi o filme!
    Realmente é um puta filme, e com história boa, q eu nao imaginava q fosse,,,,
    Gostei tanto, q tanto seu post qto o filme me inspiraram a escrever algo la no meu blog…. ainda nao ta pronto….. eu ia apenas comentar as ideias q tive aqui mesmo, mas tomou uma proporção maior e achei q devia postar lá mesmo… aguarde…rs

    em relacao aos indigenas, a relaçao deles com o Mito era o que fazia deles uma espécie de comunidade ancorada numa certa “liberdade”…

    indico para vc ler o livro : Mito e Psicanálise de David Azoubel, um dos melhores livro q ja li… só acho q ele está esgotado por enquanto……

    O proprio autro foi visitar os indios, e faz uma relaçao fantastica entre conceitos psicologicos e psicanaliticos com os Mitos que observou e pesquisou dentro dos rituais dos indios brasileiros…

    Até mais!
    Caio

    Comment by Caio — 10/01/2010 @ 3:44 PM

    • Fala Caio,
      muito bacana o seu blog. A Fy me passou o link tem um tempinho já.

      Ontem um camarada meu me falou muito bem de um livro que vc recomendou aqui outro dia: Aberto ao desejo, Mark Epstein, que fala sobre a importância do desejo num contexto budista. É um tema muito relevante ao meu ver. E esse diálogo entre psicanálise e budismo, é fundamental acredito eu tanto para a psicanálise quanto para o próprio budismo, que é uma tradição de sabedoria antiga, mas que não é tão acessível assim para nossas mentes ocidentais para ser bem realista.

      abraço,
      Mob.

      Comment by Mob — 11/01/2010 @ 11:32 AM

      • Pois é,

        ….tem um carioca , sabe , que andou prometendo pra mim, um super texto sobre o Zen pra postar no Windmills.

        Comment by Fy — 12/01/2010 @ 4:20 AM

    • Ah mas é claro que eu quero.

      quero ler o q vc vai escrever também.

      Eu vou postar vc no post sobre o teatro. Gostei muito. Vc me deixou com vontade ver a peça. Agora o livro.

      Este que o Mob falou também.

      Vou lá no Psique Ativa, já já.

      Bjs

      Comment by Fy — 12/01/2010 @ 4:15 AM

  12. É, Mob..
    O livro realmente é bom… pois tem a ver com a dificuldade de correta interpretaçao dos textos budistas….
    Na minha opiniao, em termos filosóficos, ou cientificos, acho a filosofia budista a mais bem delineada e precisa da historia da humanidade ….

    Fy,
    em relaçao ao teatro, dáum pulo no meu blog q tem o link do autor da peça q tem as datas das proximas apresentaçoes deles…. será em sp, … nao sei onde vc mora….rs

    abrs

    Comment by Caio — 15/01/2010 @ 3:57 AM

  13. oi fy, ja postei o texto avatariano lá no meu blog ve se tu gosta… bj
    http://psiqueativa.blogspot.com/2010/01/se-tivesse-um-filho-ele-seria-um-avatar.html

    Comment by Caio — 20/01/2010 @ 9:44 AM

  14. Caio,

    desculpe por demorar a responder, eu tava viajando e resolvendo umas coisinhas aqui por Sampa.
    Fui numa cidade que deve ser perto da sua – ó sou Aquariana: nasci sem bússola …. mas acho q é: Ourinhos. > longe… pra caramba.

    Claro q eu vou lá. Já já.

    Bjs

    Comment by Fy — 21/01/2010 @ 3:13 AM

  15. Do you have any video of that? I’d care to find out more details.

    Comment by Bruststraffung Fotos — 04/11/2014 @ 7:47 AM

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