windmills by fy

14/01/2010

Teatro 1

Filed under: Uncategorized — Fy @ 5:00 PM

 

 

A vida é feita num qualquer lugar,

porque na realidade , o lugar da vida , é a vida enquanto arte ,

 transportada num olhar das imagens do lugar , 

para o eterno e imaginário real .

Alice Valente

 

 

 

 

um leigo em :   S U S P E N S Ã O

 

 

 

 

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

 

 

 

 

 

Uma mistura de influências de atos artísticos das mais diversas ordens :

Shakespeare , Quentin Tarantino ,

Saramago , Nietzsche .

Assim é a minha sensação , reflexão de um leigo em Teatro .

 

 

 

 

A Peça em questão é Suspensão , da   “ Trupe Acima do Bem e do Mal ”  ,

grupo de Ribeirão Preto , com texto escrito por Lucas Arantes e dirigido por Mateus Barbassa ,

com o elenco :

Fernanda Lins

Davi Tostes

Ademir Esteves

Maria Angélica Braga

Lucas Chaves .

Realmente , o efeito da obra fica em suspensão .

Do grau de aturdimento deixado no Inconsciente , o  “ Consciente ”  fica tentando amalgamar ideias

em torno da causa que gira no decorrer da peça .

As texturas experimentadas são de temperos com odores variados ,

como as sensações noturnas que costumam nos tragar , sensações inquietantes e angustiantes ,

em torno do motivo principal da peça que é um mundo sem ninguém ,

só o Avô , o   ELE   e o   ELA .

 

 

É a necessidade intrínseca à vida  : que é a necessidade da existência do Olhar do Outro .

 

 

Nomeado pelo diretor da peça como de influência do Pós-Dramático ,

o mundo espelhado no palco é de uma morte em busca da vida , ou a vida em busca de uma morte . . .

O impacto do silêncio ,

da falta de motivos pelo qual se mover , se motivar e se esperançar   . . .

O constante apagar das luzes em momentos-chave

e a repetição de falas e cenas nas cenas , dão um aspecto cinematográfico à peça .

http://psiqueativa.blogspot.com/

 

 

  

  

 

 

  

. . .  o mundo espelhado no palco é de uma morte em busca da vida ,

ou a vida em busca de uma morte  . . . 

Vodpod videos no longer available.

O impacto do silêncio , da falta de motivo pelo qual se mover ,

se motivar e se esperançar .          

Caio Garrido

 

 

 

  

  

 

 

A identificação , se se realiza pela união ,

dá-se no morrer ou em algo que se lhe assemelha .

Ou dele se aproxima .

 

 

A identificação máxima quase não concebida é a da vida e da morte ;

que somente no ir-se morrendo se alcança ,                                   

ali onde a morte não é acabamento ,  mas começo ;

e não uma saída da vida ,

 mas o ir entrando em espaços mais vastos , na verdade ,

espaços indefinidos ,

não medidos por referência alguma , onde a quantidade acaba ,

deixando o sujeito a quem isto sucede não no nada , não no ser ,

mas na pura qualidade que se dá ainda no tempo .

Num modo do tempo que caminha rumo a um puro sincronismo.

 

María Zambrano in Clareiras do Bosque

  

  

  

  

  

 

… O constante apagar das luzes em momentos-chave

e a repetição de falas e cenas nas cenas , dão um aspecto cinematográfico à peça .                                                                                                          

Caio Garrido

 

 

–  da luz

 

 um frio que , associado à luz da manhã , se converte no símbolo de um límpido e inaugural olhar sobre o mundo

 

 

  I

 

 o percurso que conduz ao movimento , que leva o ator a compreender a linguagem em jogo ,

produz-se pela via dos sentidos ao submeter-se espontânea e cuidadosamente a estímulos diversos

que lhe permitam observar as reações naturais do corpo   – enquanto organismo –    

através de um trabalho com ritmo , com materiais , com o som ou , com a cor .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

e para que possa entender a dinâmica de um som

ou uma cor determinada ,

o  elemento fundamental é  a   luz .

 

 

 

 

 

 

 

aquela luz que adquire formas num diálogo com o espaço ,

com o movimento  –  

a luz que sublinha a imagem que se quer transmitir ao espectador .

a luz e a penumbra jogam .
permitem apontamentos que recriam o abismo ,

o precipício   ( onde o movimento se perde nos limites do espaço )  –

apontamentos que confundem e surpreendem o espectador .

 

 

 

 Ballet Gulbenkian

Fotografia   Alice Valente

 

 

 

 

e é o olhar do   “ artista ”    –  enquanto operador do processo –  que lhe dá dimensão .

as regras podem ser subvertidas  – alteradas –   pela luz .

a exploração dos efeitos podem permitir verdadeiras esculturas luminosas , misturas de tons . . .  

de uma forma geral utiliza-se a luz para iluminar objectos , atores  . . .

 

 

 

 poucas são as vezes em que se considera

                                                             a luz em si .

daí que não experimentamos ,  ou tomamos partido do seu real poder :

aquele poder que nos permite o entendimento da dinâmica de uma cor determinada

ou dos materiais utilizados na ação…

a luz que nos ajuda a sentir o tempo

                                                        a chuva
                                                        

                                                        o vento…

não a luz enquanto mera experiência cientifica ou espiritual –

falamos da luz como contributo cultural  ( porque estético ) 

que permite a viagem por entre ações ,  que implicam o drama em espaço físico dinâmico e liberto .

um espaço que   “ se exige ser ocupado pra que permita uma linguagem própria e concreta ”  como diria Antonin Artaud .

 

 

 

Ballet Main

 

 

portanto , a luz é contributo incontestável para a concepção de um espaço de diálogo , aberto aos sentidos .

um espaço independente e livre de qualquer imposição, aberto a toda e qualquer linguagem .

aberto à espontaneidade e á criatividade que irrompe do corpo  ( todo )   do ator  :

 

o sacerdote do ritual : do drama:

 

 

 

 

 

 

 

II

 

deve-se , pois , olhar a luz como algo que  nos faz ficar imóveis e deslumbrados .
então ,
devolvemos ao espectador o que ele transporta consigo
devolvemos ao espectador uma obra que provoca um despertar .

 

 

III

 

muitas experiências religiosas explicam-se utilizando um vocabulário de vazios de luz  –

mas a arte pode e deve conduzir o homem ao espiritual não necessariamente religioso .

e o espiritual tem sido historicamente o objetivo e o território da arte .

as religiões usam e abusam da arte para se aproximarem do que é  terreno

e a arte deve fazer crescer o espectador ou pelo menos recordar coisas para além do visual e do terreno .

e , ao mesmo tempo , o operador do processo sabe que os sentidos

podem evocar a espiritualidade mas não nos transportam necessariamente para  ela .

 

 

IV

 

com a luz as regras mudam   –  

a mistura dos tons luminosos não é um projecto espiritual ou cientifico :  é educação , é cultura .

a luz é embrionária –

nos passados séculos não havia instrumentos musicais sofisticados e foram possíveis grandes sinfonias .

Mas ,  como sabemos ,  mesmo  tendo  à disposição instrumentos , isto não implica em  boa música . . .

E sabemos também  que   – obtemos melhor luz quando dispomos …  de um bom olhar . 

 

 

 

 

 

 

by Fy 

 

 

 

 

 

  

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1 Comment »

  1. Caio,tuas impressões sobre a peça,vieram muito a calhar,pelo menos pra mim, com o contexto aqui do wind e com o recado que a Fy e as outras pessoas que comentam,pelo que eu entendi até aqui,tem tentado passar. Panteísta declarada,ferrenha, Maturanense e Deleuziana até os cabelos, que não são poucos, ahahahahahahah, eu tenho a impressão que a conectividade, de uma forma geral,é a forma como melhor se enquadra a filosofia por aqui. Conectividade é realmente o movimento contrário da maioria pensante, apesar do fato inquestionável de dela se depender.A tal da busca pela individualidade, escorregou feio neste detalhe.E,é preciso um puta cuidado com este modismo mal compreendido.A individuação,individualidade e a autonomia,não significam isolamento ou algum tipo de resguardo temporariamente demarcado.Eu acredito que esta viagem em direção ao eu ou à algum tipo de plenitude esteja completamente interligada à vida,vida mesmo,e a esta experiência num consenso integral. E neste integral,meio que óbvio está o conviver.Aliás a historia de cada um de nós compreende o conviver. “Este” olhar do outro a que você se referiu é completamente necessário e vital. Ô louco, viver sem isso. A tal da Lele deu o recado.
    Em relação às luzes,Fy,fiquei aqui pensando, e isto também me alertou pra o seguinte, assim como os diferentes jogos de luz,levam o expectador à diferentes compreensões e sensações, seria muito legal aprender esta brincadeira pra usar com agente mesmo em relação à nossas convicções,nossas opiniões.Jogar um flash de vez em quando em algum outro ângulo,iluminar o outro lado dos nossos pontos de vista.Se bem que o olhar do outro muitas vezes funciona assim. Curti a Lele e a peça.Só falta assistir.

    Abraço
    Beijo,Fy

    Comment by André — 19/01/2010 @ 10:17 AM


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