windmills by fy

25/01/2010

Dr. Jekyll and Mr. Hyde

Filed under: Uncategorized — Fy @ 9:56 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 com seu olho morto ,

suas antenas e suas  mandíbulas ,

sua ausência de rosto , …

toda uma matilha …  em você [ ! ? ! ]   ?

 

 

perseguindo o que … [ ? ]

… … um vento de …bruxa ?

 

DIALOGUES

Gilles Deleuze  &  Claire Parnet

 

.

 

 

 

O fato é que a psicanálise fala muito do Inconsciente ,

ela até mesmo o descobriu .

 

 

 Mas na prática . . .  , é sempre para reduzi-lo , destruí-lo , conjurá-lo .

 

O Inconsciente é concebido como um negativo , ele é o :  Inimigo .

 

 

DIALOGUES

Gilles Deleuze  &  Claire Parnet

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O conhecimento constrói-se através dos elementos constituintes das figurações mentais ,

inscritos em forma de IMAGENS , que se vão manifestando ativa e adequadamente

numa metódica  desconstrução para dar origem a outras novas IMAGENS que por sua vez , vão-se reproduzindo

autónoma e criativamente pela   «comunicação»   escrita , verbal , gestual , musical  e/ou  plástica

e  em interação num contínuo e ímpar processo de reconstrução

com as respectivas  representações .

 

A existência de figurações mentais flúem saudavelmente com a realidade .

E é na falta ou na impossibilidade de se transmitirem todos os significados dessas figurações

que  a prostração e o padecimento se instalarão .

 

 

 

Todo este processo natural e automático da mente

se insere no trabalho do desenvolvimento do Inconsciente,

que sempre fez parte do ser humano e que não carece de mediadores

ou vãs intromissões para frutificar-se .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Tendo a psicanálise como objetivo a ” cura ” do Inconsciente , 

pergunto até que ponto ela não estará a interferir demasiado

e até tão negativamente ao ponto de « castrar »

e a « matar » por completo

todo este processo tão natural

do desenvolvimento das capacidades criativas  inscritas no Inconsciente .

 

 

Estas áreas da mente em que a lucidez , a criatividade , o pensamento , a ética e a estética

são as decisivas virtudes para que a investigação se dê numa procura

 a permitir que aconteçam as alterações sócio-culturais

que tendem inevitável e naturalmente para um Bem-comum a toda a Humanidade .

 

 

É que métodos ou modelos deixados instituir e tidos como científicos

e que se instalam para impor uma

qualquer ordem-social através de “devotas”  terapias caprichosas

é algo de perverso e desumano .

 

 

Deixemo-nos então ficar pela ordem-natural das  « coisas »

em que precisamente tudo aquilo que é destrutivo em si mesmo ,

inevitável e NATURALMENTE acabará por se auto-aniquilar .

 

Alice  Valente                                                      

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 – repetindo Alice :   

 

 

 

 ” Tendo a psicanálise como objetivo a ” cura ” do Inconsciente “.

Pois é, considerando as palavras da Alice , os comentários de Deleuze ;

e leituras constantes sobre  as …  precárias …  interpretações da Psicologia Analítica  Junguiana ;

principalmente as  madeinKitchen ;   torna-se quase obrigatório uma reflexão oportuna .

 

 

Nascemos , então ….com um problema bastante sério:  O Inconsciente .

Um software malígno , implantado em nosso cérebro como um chip,

conduzindo-nos constante  e inexoravelmente ao desespero e à loucura.  

 –  . . .  acho que ao ” mal”  também , não é não ?

 

 

Uma frequência  contínua e  particular  

onde a mais sinistra memória da humanidade co-existe com a nossa mente ,

preenchendo-a com tenebrosas sombras eternas

e fabricando outras com o material de nossas experiencias … normais … da vida .

Pois é  …  …  ” de-novo ! ” … – e , tem mais ….

 

Temos que:   En-fren-tá-lo . . . e   EN -FREN – TÁ – LO  

 

[ e não acaba…. nunca … este enfrentamento…. : um terror ! ]

 

Jacó e o Anjo

 

 

 

A   Academia sugerida como a mais apta a lhe preparar para este embate é: 

Memórias – Sonhos e Reflexões :  C. G. Jung   &   Bíblia : autores diversos e controversos

> leitura diária >  

e

 organize seus exercícios através de seu discernimento culinário,

ou mesmo  acadêmico; mesmo que vc seja  dentista ou arquiteto .

 

 

 

– Inicie sua Individuação !

 

 

 

 

Aqui vai uma inspiraçãozinha so freak , que traduz direitinho o árduo caminho para a Individuação … iluminação, etc 

e serve até pra Jornada do Herói do Campbell  que   virou ” Cruzada ” …

 

 

 um eficaz   making-off  incluindo :

suplícios do deserto,  abismos, Daahts , monstros, sonhos, sombras enfim: 

todo o script do nosso bizarro Inconsciente ,

material bastante utilizado industrial e comercialmente nas ultimas décadas  :

 

 

 

 

 

 

 

Afinal … ,   

você  pode ter sorte … sair vivo … – quem sabe  ” são ” ….  ou até libertar-se deste fardo que é ser … ” humano ” …  :  

 

– Jung tentou desvendar o Inconsciente a vida inteira ; pirou – despirou ; e acabou escrevendo um livro um tanto quanto estranho ,

. . . que preferiu que ninguem lêsse .

 

 

Mas algumas pessoas que se converteram a um tal de   ”  junguismo ”    tornaram-se  tão  ” aptas ” após … algumas leituras ,

que conseguem preceber e  fazer com que o Inconsciente … alheio … se manifeste. … … juro!

 

Embora algumas pessoas não entendam ou concordem , Jung não é o tal deus ou o tal papa – e nunca quiz substituí-los

[  – não é o papa o tal que fala com deus, e conta pra nós depois? – acho que é – pelo menos era … ]                 

– enfim ; e nem messias ; e não fez apologia a nenhum ismo .

 

 

Mas ,  é inacreditável a invasão de conceitos religiosos  miméticos em sua obra , a bel prazer do crente.          

A falta de discernimento , ou de preparo , o desconhecimento ou o  mau uso  da Lingüística ,  Semiologia , Simbologia ,  e principalmente da Mitologia ,  

muitas vezes deturpa o verdadeiro significado do Conhecimento .

 

Uma visão não adequada , distorce e se apropria de certas idéias , com a única finalidade  de justificar   aquilo em que crêem ,  seja o que for.

O resultado é sempre desastroso .

e . . . pezaroso .

 

 

Estudiosos brilhantes  passam a ser profetas , frases desarticuladas do corpo de suas idéias  tornam-se profecias ou leis .

São  ” aparadas ” , recortadas para se encaixarem em qualquer assunto alheio à sua essência. …

dái vem as tais abóboras  como : 

Campbell torna-se um guru ,  Jung salva sua alma ,  etc e tals … etalz   . . .

e … a carreira toda de ” Iluminados ” .  .  .

 

 

Sem dúvida , a falta de Conhecimento gera falta de discernimento,

e este é o grande . . . e mais importante . . .  interesse dos que manipulam as massas em busca do Poder.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

–  Outro dia lí  e gostei desta   crítica :

 

 

– Depois de Campbell , o cinema ficou menos bobinho psiquicamente ,

o que se uniu a um tempo em que ficou também mais agressivo comercialmente .

 

 

Entramos na era da globalização com uma indústria de massa mundial , que agora vendia home-videos nos anos 80 e 90 .

E a partir daí , com muito Jung , Freud e Campbell usados INTENCIONALMENTE nos enredos ,

os cineastas perceberam que se usassem estruturas comuns aos mitos e religiões que ressoam na humanidade com poucas variações há milênios ,

acabariam tocando  ” não se sabe porquê ”  em algo muito mais profundo da psique .

 

 

Se as pessoas se identificam tanto , por milênios . . . , com essas histórias que tem uma estrutura comum  ( arquétipos ) ;

então é claro que uma obra comercial que use e abuse desses MESMOS arquétipos não só venderá muito , muito mais ;

como também terá um impacto  ” viral ” .

 

 

E , num mundo sem muita espiritualidade [ ou com uma espiritualidade doentia ] ,

será tomada inconscientemente quase como uma religião substituta .

Devidamente descartável e substituída a seguir , para lucro das coorporações .

 

 

Você pode notar isso nos fãs de Star Trek , nos colecionadores de Matrix , Indiana Jones e outras séries de   ” Jornada do Herói ”  ;

e , mais recentemente , na profunda identificação quase religiosa

que as adolescentes tem entre Crepúsculo E/OU Hary Potter .

Há turmas que gostam de um e nem tanto do outro .

É quase um orixá , um time de futebol , um SIGNIFICANTE , nos termos de Lacan .

Por isso , há muito de TRISTÃO E ISOLDA e de PARSIFAL E O GRAAL

em tudo quanto for obra dos 1000 anos que os seguiram .

 

 

Shakespeare era também um grande copiador .

E não é só em Romeu & Julieta , Eros & Psique , Tristão & Isolda  que vamos encontrar essa estrutura do amor impossível ,

ou do herói que faz vários trabalhos para ganhar o direito ao beijo feliz do final .

Seria impossível citar quantos   Shreks & Fionas   repetem essa estrutura do mito , do herói , da jornada ,

das dificuldades , dos 12 trabalhos e do beijo final .

 

 

Até mesmo filmes de tragédia , ação , catástrofe , terror , luta , faroeste ou comédia precisam ,

 na grande maioria , deste beijo no final .

Ou de um outro equivalente de sentido .

Afinal , só terá público se o público se identificar !

Tipo :   –  ” Tá, este herói está se fodendo  bem mais do que aquilo que eu passo no dia a dia ,

mas porque raios mesmo é que faz  ( emos ) isso  ?  ” . –

 

 

Se o filme não traz uma solução de SENTIDO  –  mesmo que seja um beijo no final ,

a luta pela   ” amada ”    JulietPsiqueIsolda ;   ou a salvação de um povo – . . .

ficará uma sensação de filme de ” arte “,

mas carecerá do apoio popular que faz um  ,  INCONSCIENTEMENTE  ,    indicar para o outro … …

– e a indústria faturar dezenas ( ou centenas ) de milhões de dólares .  –

 

 

 

Imagine só se alguma religião ia perder a dica …. !

Chega a ser patética esta definição de Inconsciente Maléfico ,

e perfeitamente cabível no contexto safado  do pecado original cristão.

 

 

A tal da Individuação então …  é interpretada ipsi litteris  como a Via Crucis : a imitatio christis ,

tão bem comentada e criticada pelo proprio Jung  –

em seu Comentário no Livro Tibetano da Grande Liberação W. Y. Evans-Wentz . –

– . . .  tenho aqui no blog , acho que coloquei no post  : Jack … the Ego …

 

 

 

Hoje , lí uma passagem engraçada entre Jung e Freud que ilustra bastante este assunto –

e esta conveniente introdução de um Mr. Hide ad eternum  em nossa mente . . .  

e este absorvente e terrorífico combate entre duas personalidades opostas 

lutando  pela nossa … alma :   o   Inconsciente x  Consciente  : …  :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                

 

 

 

 

 

 

 

então, … ,

segundo Freud … Jung era um serial killer … em potencial ? 

ou Freud?

 

 

 

ou todos nós …

 

 

 

 

afinal ..

todos temos Inconsciente !

e estamos povoados pelos mais estranhos e ameaçadores deuses , sonhos, sombras  – etc…

e se não nos dispusermos a enfrentá-los….

eles nos engolem…..

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ah  … … abjetos e tolos  mortais …  – continuemos :

 

[ na 2ª parte]

 

Fy

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

12 Comments »

  1. Fá,

    tá muito, muito bom. Saltam sentidos e cores de onde se menos espera. E a Vida flui rebentando.

    bjo bjo

    Comment by Mob — 25/01/2010 @ 11:23 AM

    • Verdade sim. Ela flui.

      Mesmo que arrebentando.

      bj

      Comment by Fy — 26/01/2010 @ 2:25 AM

  2. este Deleuze é pra deleuziar mesmo,Fy
    Concordo palavra por palavra.
    Aliás, eu imagino que mesmo quem escreva o contrário,se sirva da mesma fonte, o movimento natural da vida. O intercâmbio entre ela e voce. A troca,a correspondencia e o que criamos nesta interação. Super quando ela diz:
    que sempre fez parte do ser humano e que não carece de mediadores ou vãs intromissões para frutificar-se.
    Aí agente lembra que existem pessoas que precisam de mediadores constantemente pra conseguir encarar a vida.Seja o terapeuta,o padre, a mãe,o marido,qualquer Deus serve.Qualquer demonio tambem. Só não conseguem descobrir uma forma de lidar com o real,com aquilo que realmente chama agente todo o dia para uma troca com a verdade.

    Esta jóia da Alice me fez lembrar um capítulo qualquer do Tom Coelho sobre Resiliência.Eu gostei mucho,me pareceu na época e ainda agora um tipo de coreografia bem solta,daquelas que nascem no movimento das emoçõesque não tem causa a não ser sentir.Deixo aqui, proceisinhos com bjinhos da Carol:

    Limão e Limonada

    As Ciências Humanas estão sempre tomando emprestado das
    Exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da Física e
    atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao
    choque ou a propriedade pela qual a energia potencial
    armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a
    tensão incidente sobre o mesmo.

    Em Humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de
    se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o
    desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo
    isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou
    seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma
    limonada, saborosa, refrescante e agradável.

    Aprendi que não adianta brigar com problemas. É preciso
    enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os.
    E rapidamente, de maneira certa ou errada. Problemas são como
    bebês, só crescem se forem alimentados. Muitos deles resolvem-
    se por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma
    inadequada eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você
    os anula corretamente. A felicidade, pontuou Michael Jansen,
    não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o
    tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.

    Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente.
    Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las.
    Muitas decorrem não do que nos falta, mas do mal uso que
    fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate.
    Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser
    preventivo é ser preditivo.

    Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um
    dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia
    que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo.
    Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é
    contemplar as pequenas alegrias ao invés de aguardar a grande
    felicidade. Uma alegria destrói 100 tristezas…

    Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode
    cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha
    atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades,
    impostas ou auto-impostas, que enfrentei pelo caminho,
    transformando desânimo em persistência, descrédito em
    esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.

    Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Apreciamos
    a luz porque já estivemos no escuro. Apreciamos a saúde
    porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a
    felicidade porque já conhecemos a tristeza.

    Olhe para o céu, agora!
    Se é dia, o Sol brilha e aquece.
    Se énoite, a Lua ilumina e abraça.
    E assim será novamente amanhã.
    E assim é feita a Vida.

    Tom Coelho
    05/09/2003

    Comment by Carol — 26/01/2010 @ 12:17 AM

    • Olhe para o céu, agora!
      Se é dia, o Sol brilha e aquece.
      Se é noite, a Lua ilumina e abraça.
      E assim será novamente amanhã.
      E assim é feita a Vida.

      E assim é feita a Vida !
      e se agente se recusa a transformar – a vida da Vida transforma.

      bjinhos tb

      Bj

      Comment by Fy — 26/01/2010 @ 2:28 AM

  3. Fy

    Nada como ser normal!
    Difícel é viver buscando estes transes noéticos em tudo o que existe pra ser vivido.Que o tal inconsciente nos traga é muita inspiração!O filminho freak é mais que incrível,”socool”/rs

    Carol:bjinhos também.Mob/rebentando:é isso aí.
    Um mental power pra nóis na segunda-feira corrida:

    depois volto,amiga
    té daqui a pouco

    Ju

    Comment by Juliana — 26/01/2010 @ 12:38 AM

    • Nada como ser normal!

      “socool”

      Bj

      Comment by Fy — 26/01/2010 @ 2:30 AM

  4. Mais um palpite aqui no seu blog.
    Não sem antes agradecer a resposta da Ju, publicitária.E se acaso ela retornar,saiba que sou médico mas trago um diploma de jornalismo no coração. Daí advem minha admiração por Tarkovski e sua forma fotográficamente poética de traduzir a realidade.

    Se me permite, Windmills, esta exploração errônea em relação ao inconsciente humano é, antes de mais nada, uma transposição de controle.Nada mais correto do que esta comparação entre religião e psicologismo controlador.
    É lamentavelmente verdade que Carl Gustav Jung tenha se tornado tão banal quanto qualquer enunciado comercial de auto-ajuda ou tão televisivo quanto propagandas de veículos.Ou como coadjuvante de doutrinas exploradoras.
    Jung foi um buscador e um buscador controverso.Foi sua própria cobaia.Foi o observador e o observado.Por isto,é preciso um certo distanciamento em torno da análise de seu indiscutível legado.Seremos sempre um terceiro ítem nesta análise.E é preciso bagagem antes de mais nada.
    De MITOS, SONHOS E RELIGIÃO:Nas artes, na filosofia e na vida contemporânea: Organizado por Joseph Campbell, trago aqui dois comentários oportunos, um do próprio Campbell e outro de um dos colaboradores do livro.
    “Carl Jung relata uma conversa divertida com Albert Einstein: “Quando ele estava
    começando a trabalhar na teoria da relatividade, vinha freqüentemente à minha casa e eu
    o bombardeava com perguntas sobre a nova teoria. Não tenho jeito para matemática e
    imaginem o problema que o pobre coitado tinha para me explicar a relatividade. Ele não
    sabia como explicar. Diante da dificuldade dele, eu me sentia insignificante, queria me
    afundar no chão. Até que um dia ele me perguntou alguma coisa de psicologia e foi a
    minha vingança.”
    “A especialização” — Jung acrescenta — “é uma grande
    desvantagem; o aprofundamento é de tal ordem que você não consegue mais explicar.”
    Esta é uma citação de Campbell no prefácio do livro.

    Esta segunda me ocorreu assim que terminei de ler sua postagem:

    Um Sonho
    Uma noite, Pisca, Fecha e Cabeceia
    Zarparam dentro de um tamanco…
    Singrando um rio de cristal,
    Até chegar a um mar de orvalho.
    “Aonde vão, o que desejam?”
    Perguntou a lua amiga.
    “Viemos pescar o arenque
    Que vive nesse lindo mar,
    Temos redes de ouro e prata pra pescar!”
    Responderam os pescadores
    Pisca,
    Fecha
    E Cabeceia.
    A lua amiga sorriu e cantou uma canção,
    Embalando-os no tamanco,
    E o vento soprou toda a noite
    Encrespando ondas de orvalho.
    As estrelinhas são o arenque desejado
    Que vive no mar orvalhado.
    “Joguem as redes onde for…
    não temos medo, nem temor”…
    Gritaram as estrelas aos três:
    Pisca,
    Fecha
    E Cabeceia.
    Jogaram rede a noite inteira
    Pegando estrelas no piscar das ondas…
    Até o tamanco descer do alto céu
    E levar pra casa os pescadores;
    Foi tão lindo navegar,
    Mais lindo não podia ser,
    Houve gente que pensou que foi um sonho que sonharam
    De navegar no lindo mar…
    Mas vou contar pra vocês quem são os três pescadores:
    Pisca,
    Fecha
    E Cabeceia.
    Pisca e Fecha são os olhinhos,
    Cabeceia é a cabecinha.
    E o tamanco que desliza pelo céu
    É a rodinha da bicama no seu quarto;
    Por isso feche os olhinhos quando a mamãe canta à noite
    Falando de lindas visões,
    E todas as coisas lindas aparecem pra você
    No balanço do mar de orvalho
    Onde o tamanco navegou embalando os três pescadores:
    Pisca,
    Fecha
    E Cabeceia.

    Eugene Field

    “…Houve gente que pensou que foi um sonho que sonharam / De navegar no
    lindo mar” Mas direi a vocês quem são, não os três pescadores (a Religião, o Drama e a
    Psicologia pescando o significado do humano), nem os dois olhinhos (Perspectiva
    Intelectualista Parcial), mas a “Imaginação” pura e simples, esse mar lindo e único em que “uma noite” pode ser um “rio de cristal”.

    Neste ultimo paragrafo tomei a liberdade de substituir propositalmente a palavra “catarse” por Imaginação.

    V.Simmonsen

    Comment by V. Simmonsen — 26/01/2010 @ 4:34 AM

    • V. Simmonsen,

      Meu nome é Fy… e o seu?

      Não te respondi no outro post por causa da correria. Mas, sinta-se em casa; mesmo que suas opiniões não sejam as mesmas. Sempre. Diferenças são bem vindas.

      Nesta época de Avatar, é bem Black&White lembrar do Tarkovski. Mas quem pode não gostar do Tarkovski?

      Eu assisti Stalker e Sacrifício. Ah, Solarium tb. Sacrifício assisti junto com a Juliana, até.

      Tive em miúdo uma doença
      E fome e medo. Grossas escamas soltando-se
      Dos lábios, que eu humedecia. Nunca esqueci
      Esse sabor, salgado e frio.
      Mas não parava de andar, andar, andar.
      Sentava-me nos degraus do alpendre ao sol,
      Caminhava no meu modo leve como se dançasse
      A melodia do caçador de ratos, no rio. Sentava-me
      Ao sol nos degraus, a tiritar.
      E a mãe vinha ali, acenando, parecia
      Tão perto, e eu sem poder tocar-lhe:
      Movo-me para ela, que sete degraus acima
      Acena; movo-me para ela, que acena
      Sete degraus acima.

      – Triste. Mas é tão real que dói.

      Como aquele fotógrafo que vc deixou o link. Tão real que dói.

      Também vou te deixar uma dica:

      Não vi ainda, mas pelas críticas e comentários deve ser muiiiiiito bom. Na mesma linha do Tarkovski, penso.

      é : A Fita Branca (Das Weibe Band), Palma de Ouro do Festival de Cannes de 2009, do Haneke.

      Dê uma olhada aqui: http://www.omelete.com.br/cine/100022630/Critica__A_Fita_Branca.aspx

      Esta poesia que voce deixou aqui,- Eugene Field – vale um post.
      Ah, eu adorei demais.

      Mas é esta mesmo a idéia, V. Simmonsen, – basta assistir alguns filmes do Tarkovski e dar uma “real” olhada pelo mundo pra perceber que o sofrimento não leva a lugar nenhum. Precisamos, ao contrário, tentar deletá-lo, ou no mínimo amenizá-lo ao máximo.

      Não creio em vias sacras, e também não considero este lance de catarse, a forma correta nem de Individuação e nem de coisa alguma.

      Mas acredito muito na Imaginação!!! – e em seu poder de Transformação. Acredito no Humano.

      Não é o que fazemos? – Transformar?

      Bj

      Comment by Fy — 26/01/2010 @ 11:50 AM

  5. Sabe Fy,

    Nós somos o mundo e do mundo .

    Quando perguntamos algo a alguém, é o próprio mundo que se abre para essa pessoa, não para desafiar ou constranger , mas para proporcionar a ela uma oportunidade de modificar e, a partir daí, se modificar.

    A nossa troca entre consciente e inconsciente obedece a esta mesma dinâmica. Não existem depósitos amorfos em alguma região da nossa mente. Tudo na natureza está em constante movimento e transformação. E somos natureza, querendo ou não.

    George Johnson assinala que quando lemos algo, ou quando conversamos com alguém, essa experiência produz modificações físicas em nosso cérebro (isto é, mudanças de estrutura).

    Tais modificações se manifestam pela formação de novos circuitos neuronais e mobilizações de memória, que por sua vez levam a dinâmicas diferenciadas.

    Logo, a multiplicação dessas conexões e sua organização em forma de rede constituem o ponto central de qualquer processo importante de Transformação.

    Tudo isto ocorre da mesma forma no intercâmbio consciente-inconsciente natural de nossa mente. transformar isto em cruzada sangrenta, e beijo ou conquista em iluminações extra super indescritíveis… ou trunfo é papo de reino dos céus.

    Tem uma passagem daquele Hillman muito massa em que ele diz que ‘ter visões é fácil’ . concordo. Insights verdadeiros, estes não são tão simples. Porque insights verdadeiros só acontecem naturalmente. quando nos permitimos nos descondicionar. quando nos permitimos ouvir nossa natureza trancendental ou não, porque TUDO é natureza, livres de objetivos ou missões a serem cumpridas.

    Esta zigunceira voodoo aristotélica de catarse é fundamentalmente a ferramenta de poder dos religiosos. ‘fantasiada’, serve pra qualquer e toda engrenagem de poder,é chargãozinho.

    Catarse é a purificação das almas através da descarga emocional provocada por um drama. Este é um conceito teorizado por Aristóteles.
    Segundo o filósofo, para suscitar a catarse ‘era preciso’ que o herói passasse da dita para a desdita, ou seja, da felicidade para a infelicidade. E mais ainda: não pode ser por acaso, e sim por uma desmedida, ou seja, por uma ação ou escolha mal feita do herói.
    Reveladora sua alteração Simmonsen.

    Mas, entenderam a coisa assim. E Campbell de antropólogo virou pastor.

    traduzir a sua obra sob o estreito e ultrapassado ponto de vista religioso é subestimar o cara demais.

    Mas, tem alcance pra tudo. o véio Allan Moore dizia: As pessoas tendem a criar gêneros para se sentirem mais confortáveis em sua mentalidade reducionista. O todo é imenso e intrincado, assim, vamos quebra-lo em pequenos pedaços, mais digeríveis.

    Eu tenho lido tudo isso, e você tem razão, quando fala em alienação e doutrina.

    CAMPBELL: Meu computador me proporcionou uma revelação sobre a mitologia. Você compra um determinado programa e ali está todo um conjunto de sinais que conduzem à realização do seu objetivo. Se você começa tateando com sinais que pertencem “a outro sistema” de programas, a coisa simplesmente não funciona.

    Isto é furioso.. Tá na hora do homem se mancar. E isto, porque o normal natural e verdadeiro é a essência da autoprodução e do compartlhar. é ser.
    Voce colocou esta entrevista no Anoitan, sister e ouviu que inventava coisas….

    Beijo aê e voltem logo
    Beijo Ju, paiaça – vem pra cá.

    E a Vida flui rebentando. tá tudo escrito aí, Spider.

    TocaYo

    Comment by TocaYo — 28/01/2010 @ 1:22 AM

  6. Tá muito bom o Hyde 2 – à noite vou até lá, Fy.

    Mas primeiro a ruiva.

    Beijo aê

    Comment by TocaYo — 28/01/2010 @ 1:28 AM

    • Aloha,

      Mas, tem alcance pra tudo. o véio Allan Moore dizia: As pessoas tendem a criar gêneros para se sentirem mais confortáveis em sua mentalidade reducionista. O todo é imenso e intrincado, assim, vamos quebra-lo em pequenos pedaços, mais digeríveis.

      That’s the way that the world goes round, like a dog who runs around and around trying to catch its tail.

      Sabe, as pessoas fazem isto com pessoas também: O todo é imenso e intrincado, assim, vamos quebra-lo em pequenos pedaços, mais digeríveis.

      Qdo eu era pequena, e fazia certas perguntas inoportunas pra certas mentes mutiladas q “ensinavam” na escola, a resposta era sempre a tão conhecida saída pelo “canto q for” do “não fuja do assunto” – “vc está perturbando a aula” – e todo mundo… já passou por isso.

      – Hoje em dia, a “saída de emergência” é: Voce é traumatizada – é seu inconsciente…- deve ser alguma das sua sombras rsrsrsrs – ou alguma sombra do Inconsciente Coletivo – ó alma perdida !

      Pois é, Tocayo, falei sim. Foi isso sim. E a entrevista é “grande”….. –

      zigunceira voodoo : é aquilo.

      Adorei chargãozinho: peguei.

      Não respondi antes por causa da correria. Mas valeu por rever os amigos. Vou ver se levo a Ju.

      Eu quero q vc me passe por email o Blue? Vc ainda tem? Vou postar, Ok?

      Taí:

      He llegado a comprender que para poder entrar en una
      nueva historia lo que de verdad se necesita, lo más
      importante es crearla !
      La Bruja Paz
      Grupo Cala

      e, una “nueva” historia… – precisa de muita coragem.

      —————–

      Truth is the silliest thing under the sun
      Herman Melville , Letters

      So:::

      That’s my way,

      Bjs

      Comment by Fy — 02/02/2010 @ 2:16 AM

  7. Puxa vida,com esta dos Beatles estou me sentindo mais à vontade ainda.Quarentão,à caminho dos cincoenta,tenho tempo de estrada à beça pra ter me tornado eclético e despreconceituoso em matéria de musica e arte.Mas,a presença dos Beatles conta diversas historias sobre a minha vida.Acredito que de muitos de nós.Alem da influência cultural,claro.
    I’ll Follow The Sun de imediato me recorda a tão igualmente fabulosa Here Comes The Sun.E o sol,com toda sua generosidade e esplendor, me remete,de imediato à noção de devir.
    Vou deixar uma nota interessante sobre esta composição Here Comes the Sun.George Harrison foi inspirado pelo poeta Allan James Saywell ou o contrário.

    Saywell’s words:

    Sun, Sun, Sun, here it come

    The dark becomes light, why?

    Because Sun, Sun, Sun, here it come

    Sun, Sun, Sun, here it come

    At the end of the night

    The light is bright, Sun, Sun, Sun

    Here it come,

    Here come the Sun

    George Harrison:

    Here comes the sun
    Here comes the sun
    And I say
    It’s all right

    Little darling
    It’s been a long cold lonely winter
    Little darling
    It feels like years since it’s been here
    Here comes the sun
    Here comes the sun
    And I say
    It’s all right

    Little darling
    The smiles returning to the faces
    Little darling
    It seems like years since it’s been here
    Here comes the sun
    Here comes the sun
    And I say
    It’s all right

    Sun, sun, sun, here it comes…
    Sun, sun, sun, here it comes…
    Sun, sun, sun, here it comes…
    Sun, sun, sun, here it comes…
    Sun, sun, sun, here it comes…

    Little darling
    I feel that ice is slowly melting
    Little darling
    It seems like years since it’s been clear
    Here comes the sun
    Here comes the sun
    And I say
    It’s all right
    Here comes the sun
    Here comes the sun
    It’s all right
    It’s all right

    Saywell é um poeta e escritor muito interessante.Vou deixar um texto que ele chamou de Biografia:

    Biography of Allan James Saywell

    Was found outside buckingham palace and because of his good looks was rejected by royalty as it was assumed he wasnt horsey enough he was placed in a manger and thrown in the English channel and was washed up on the Australian Coast the east coast and was found by a Labrador dog and brought home and adopted by a group of religous fanatics hence his dislike for anything God-like. when he was growing up he spent a lot of time reciting Shakespeare in the local park He was always dressed in fine white linen with wooden clogs and pink socks. The ladies always followed him around assuming he had a lot of money or charisma he didnt have a lot of schooling as he found the great outdoors more to his liking The teachers resented his great knowledge and photographic memory
    His early youth or life after school was spent agitating the older generation by blowing up their letter boxes with self made triple bungers later on he formed his own bikey gang which he called ‘the harlet globe trotters’ they would speed all over town blowing black exhaust smoke all over anyone who had a white shirt He was rather shy and tongue tied that is why he started to write poetry and hand it out to all the young chicklets of course they were much enthralled with his use of exotic language and almost shameless verse often they would rip the shirt from his back and write their name on his man-boobs his favourite saying if confronted was ‘Tough titties everybody’. It is said he has a twin somewhere in the WORLD another poet maybe

    SINCERELY WITH A CERTAIN WARMTH

    ALLAN SAYWELL

    Abraço
    Vitor

    Comment by Vitor — 03/02/2010 @ 1:50 AM

  8. Nice post. I was checking constantly this blog and I’m impressed! Extremely useful info specifically the last part I care for such information significantly. I was looking for this certain info for a long time. Thank you and good luck.

    Comment by alcachofa ampolletas dieta — 24/01/2012 @ 8:41 PM


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