windmills by fy

09/04/2010

Arte – por Thomas Freski

Filed under: Uncategorized — Fy @ 6:08 AM

 

 

  The cycles should be linked to a majestic whole,

and yet leave scope for other minds and hands,

wielding paint and music and drama…”

John Ronald Reuel Tolkien

– from a letter written to Milton Waldman, ca. 1951 –

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

por  Thomas Freski :

 

 

 

 

Não .     Não é um parar-se .       Não é cristalizar o instante .

Não se para o tempo , não se insiste em erros .

 Por que há de se fixar o que é livre ? 

A ilusão de pensar em tudo como aquilo , aquilo não é nada só .  Aquilo já foi , e já será , livre .

Flui , imersamente suave , interminável .   Rompe-se em si ao mesmo tempo em que junta-se a si .

Ondula

chega ,

vai .

Por que há de se fixar o que é completo.

O fixo nunca é completo .  O todo nunca é fixo .  Com seu eterno ondular .   Move-se sutil .

Dá forma , linha ,  cor ,  tudo aquilo que imaginamos existente é feito .

Fixo .

Que é sempre apoio.

Quando usado , dá forma a ilusões .

Fazemos , escrevemos , retratamos uma paisagem de fora para dentro para fora .  O desafio é ir-se além do ponto de apoio .

A tinta não trabalha ao nosso favor, nem nós ao pincel .

As duas partes são cúmplices .

São a mesma coisa , é um fluir-se ,  um ondular ,  ressoa .

Sem ponto de apoio , a temível quimera se torna real , tudo o mais se torna vivo .

Sem ponto de apoio , a palavra galopa e as cores causam vertigem .

Sem a ilusão do fixo não vemos , a visão vem .

Tal como um cego voluntário .

Cegueia-se do chamado mundo para saborear palavras e ouvir cores .

 

 

 

 

 

Rompe-se em si .

 

E Flui .

 

 

 

 

 

 

 

 

Texto:

Thomas Freski 

http://mausenso.wordpress.com/

Ilustração:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Magritte   –   Ceci n’est pas une pipe  –  1928-29

 

Eis um quadro de Magritte que acho… inspirador.

 Não é bonito, não é tecnicamente desafiante, não tem cenários luxuriantes, não tem cores emocionantes…

O magnífico do quadro é a frase que o acompanha.

Isto não é um cachimbo

 

É verdade : –  é um desenho de um cachimbo. Esta é a mensagem,  penso,  não é porque  algo parece algo , que de fato o é.

Na época em que encontrei este texto do Thomas, eu estava constatando esta mensagem. E ele me fez um bem enorme, além de ser mesmo, incrível por si só.

Este quadro foi pintado em 1928-1929 pelo Pintor surrealista Magritte.

 81 anos depois e num outro milénio… – continua verdadeira sua mensagem.

E pra terminar [ que eu esqueci…] Mr Tolkien , again:

 

Os ciclos devem ser ligados a um todo majestoso ,

 e ainda deixar espaço para outras mentes e mãos ,

munidas de tinta, música e teatro … “

John Ronald Reuel Tolkien 

 –  de uma carta escrita para Milton Waldman – CA. 1951  –

 

Fy

[ que não enjoa do Istoirio]

25 Comments »

  1. O pincel é o ativo… a tela é o passivo. E faltando um, não existe o quadro.

    (isso para não se mencionar a pintura em si).

    Comment by Anarcoplayba — 09/04/2010 @ 6:14 AM

    • Hi man,

      Verdade sim.

      Mas eucácomigo, fiquei pensando.

      Será que trazendo isto pra vida,agente consegue discernir direitinho quando se deve ser tela – quando se deve ser pincel; ou será que o ideal é apostar numa simbiose contínua – o q tb deve ser monótono, por vzs cansativo…

      Complicado isto!

      Bjs
      Fy

      Anarco queria te perguntar, e esqueço toda hora, Vc já leu Duna? – Frank Herbert –

      Comment by Fy — 09/04/2010 @ 1:38 PM

  2. Super texto.Falou comigo também,Fy.

    Mas,como eu tô aqui,envolvida com arte até os zóio envesgar, vou falar um pouquinho sob o ponto de vista da Propaganda;e do artista brasileiro,que por incrível que pareça tem um super destaque nesta área por aí neste mundão a fora.Somos especiais mesmo,famosos por uma criatividade solta, muito mais ousada,sem contar que os famosos baixos orçamentos acabam incentivando mesmo o lado criativo. E até por isto, no exterior, o brazilian people acaba se destacando dos demais quando encontra aquela dinheirada toda e pode se divertir criando à vontade.
    E cria, mesmo se arriscando, o que pra nós aqui é comum considerando o clima arriscado do mercado. Lá fora, o artista, nesta área, é muito controlado,o grau de seriedade é um pouco maior, os riscos são mais calculados. Tudo tem um planejamento muito claro para o retorno do dinheiro investido no projeto.Os objetivos são sempre bem claros e os clientes geralmente,muito impositivos. Aí então, o texto do Thomas se encaixa como uma luva.
    Confinar sua própria arte à uma idéia alheia e bem definida, é cruel.Mas também é uma arte,rsrsrsrsr
    Então deixo aí uma visão diferente onde estas palavras do Thomas também se encaixam.

    Mas, como eu sou a Ju, elas, as palavras,claro, me lembraram este lance lindo da Dior,que não tem nada de brasileiro, mas depois eu lembro outro,que nasceu de uma dor de cabeça:daquelas crises de “nadismo” que todo o artista tem.Até que se desprende da própria inspiração e deixa que tudo flua, sem se apoiar…

    São a mesma coisa , é um fluir-se , um ondular , ressoa .

    Sem ponto de apoio , a temível quimera se torna real , tudo o mais se torna vivo .

    Sem ponto de apoio , a palavra galopa e as cores causam vertigem .

    Outra coisa: não é “possíver” = é impossível enjoar do Istoirio.
    O inglesão do Luke Titley virou British >>> um ícone,meu ídolo,depois que criou este curta 3d.
    E é bem isto,ele apenas se soltou na música do Dominic Thomson e o David Taylor ajeitou o resultado.

    Depois eu volto,
    beijo pro Thomas.
    Ju

    Comment by Juliana — 09/04/2010 @ 10:37 AM

    • Oi Juju,

      Bom saber que agente faz sucesso por este mundão a fora. Mesmo com o Lula, andando por aí dizendo q é brasileiro….aiaiai

      Mas enfim, Arte é arte, supera qualquer embaraço.

      Linda esta propaganda. Delicada e forte, como a Carol falou.

      Incrível como este texto fala com agente, de muitas formas.

      Bjs em todos aí: saudades

      Fy

      Comment by Fy — 09/04/2010 @ 1:48 PM

  3. amei o cachimbo!
    beijo pra todo mundo
    Juliana

    Comment by Juliana — 09/04/2010 @ 10:39 AM

  4. Bom, eu sou professora de ballet, de dança.
    Então, sou qualquer coisa parecida com “professora” de arte.
    Coloquei entre aspas porque é difícel dizer que Arte se ensina ou é “ensinável”.
    Enfim, esta coisa toda que eu faço está toda descrita nas palavras do Thomas. (parece que ele fez este texto pro Windmills,pra Fy,pra nós que temos esta paixão).
    Talvez melhor explicasse se ao dizer “ensinar arte” procurássemos uma expressão que
    traduzisse a natureza do olhar, do ouvir, do expressar:libertos. Ou da liberdade de se chegar ao saber-próprio e à sua própria-expressão.
    O comentário do Anarco, me lembrou uma coisa que você me disse Fy, você vai lembrar,você me disse que não havia aprendido a separar a alma do corpo,por isto eles dançavam juntos:a dança da alma no corpo ou a dança do corpo na alma. Tanto fazia,e então,como ele disse:

    E faltando um, não existe o quadro.
    (isso para não se mencionar a pintura em si).

    Juju,
    Linda propaganda,delicada,forte,parece mesmo que as letras vem soltas,como quando agente fecha os olhos e espera a mente se aquietar, sem ancorar o pensamento em nada..,deixando tudo rolar solto, despregado, livre.

    E a Thais é bailarina!Bem-vinda,irmã!

    Bjinhos
    Carol

    Comment by Carol — 09/04/2010 @ 12:07 PM

    • Olá Carol!

      Há tempos que não danço mais…mas esses dias ganhei de presente de um amigo uma bailarina lindíssima, de louça…e no bilhetinho ele escreveu…”Para a bailarina que nunca deixou de ser.”

      Eu já deveria saber que uma vez bailarina, bailarina para sempre…

      “A dança da alma no corpo ou a dança do corpo na alma.”

      Só tenho saudades mesmo da época em que tudo que queria era ser bailarina para sempre…
      Antes eu tivesse cultivado esse sonho até o fim.

      Mas aprendi a dançar de tantas outras formas. Quando fecho os olhos, minha alma dança ainda.

      As vezes penso que me transformei na bailarina do porta-jóias.

      De um texto que escrevi sobre bailarina: E se não for capaz de fazê-la sonhar essa noite, guarde-a de volta, em sua caixinha, com sua música eterna, entre pérolas e ouro branco…

      Beijos
      Thaís

      Comment by Thaís — 10/04/2010 @ 1:10 PM

  5. Muito bonito o blog e ótimo texto sobre Arte.
    Mas, como escritor, pergunto, e quando a coisa trava? Várias pessoas que escrevem passam em algum momento por este black out,mesmo conhecendo todas as tecnicas de abandono, relaxamento, etc…;o porque de certas idéias fluirem por anos muitas vezes, e de repente “fugirem” completamente de nossa mente, como se estivessem se escondendo de nós. Será que mesmo mergulhados em suas mais recônditas nuances, as assustamos?

    Comment by Anônimo — 09/04/2010 @ 12:40 PM

    • Anônimo,

      Eu não sei se vc já veio antes, se não veio: – seja bem vindo.

      Pergunta difícel esta. Mas aqui tá cheio de escritores, tomara que alguem consiga responder.

      Vou colocar um texto do Claudio Ulpiano – muiiiiito bom – que merecia até um post, – se não te ajudar…fica aí como um gesto gentil….[ de boas-vindas]: – eu acho que tem tudo a ver com texto do Thomas tb:

      A prática do artista é um confronto que o artista faz consigo próprio, quebra do pessoal em nós, romper com a personalidade, com a pessoa para poder produzir a obra de arte.

      Todo homem que queira fazer obra de arte ou filosofia tem que se confrontar consigo mesmo, um confronto terrível, única maneira que poderia produzir o sujeito artista, histérico.[Os artistas] marcariam-se pelo deslocamento que eles fariam em relação à vida pessoal, rompimento com a estrutura psicológica, rompimento com a história pessoal, rompimento com o passado ([ver o filme] “Glória” do Cassavetes).

      As atitudes e posturas não se originam numa história pessoal e começam a gerar mundos novos.

      Rompe-se com o passado pessoal para poder-se gerar atitudes e posturas que são conjunto de gestos.

      Isto marca o grande adversário do pensamento, do corpo e do tempo, o sujeito pessoal psicológico, a história pessoal.

      Proust rompe com tudo aquilo que gera o medo da morte, no sentido de que o medo da morte é o que produz Deus, que é o que nos paraliza, e ao nos paralizar nos impediria de produzir uma obra de arte.

      [Isto] é de uma radicalidade excessiva, é como se de repente o pensamento estivesse afirmando que a única saída que ele tem é um ateísmo radical, que revelaria novos mundos, mundo que não se revelaria se não houvesse o sujeito artista.

      Produção de mundos possíveis, estes mundos pertenceriam ao nosso espírito, não à nossa história pessoal, e nossa função seria colocar no mundo estes mundos possíveis.

      Se não houvesse o artista nós seríamos forçados a viver num só mundo, sempre no mesmo mundo, quem produz os novos mundos é exatamente a arte, o que se torna primeiro para a vida de cada um de nós é a liberação das forças da psicologia para o exercicio da liberdade de pensamento.

      É fazer do pensamento a busca de novos mundos e a produção destes novos mundos gerando o que é inteiramente impossível fora da arte, a comunicação entre as almas.

      Nós todos estaríamos encerrados nas mônadas, num solipsismo, e a comunicação não seria possível nem pela amizade nem pelo amor, isto aconteceria na obra de arte, haveria a comunhão das almas na obra de arte.

      Proust é de uma agressividade assustadora, a aula é teórica mas é também um quadro existencial de figuras práticas, no sentido de que ouvir a aula e deixar de lado não tem sentido, a aula objetiva a modificação das subjetividades.

      É nós sairmos deste modelo de dominação que existe sobre nós, uma subjetividade material, construída em hábitos e sentimentos para uma subjetividade espiritual capaz de lidar com o pensamento, corpo e tempo.

      Bj

      Fy

      Comment by Fy — 09/04/2010 @ 2:34 PM

    • Caro Anônimo.
      Cecília Meireles resume bem a questão: “Sou escritor amador, não quero nem tenho a obrigação de escrever.”
      Se tiver que escrever, flui.
      Talvez escrever seja como andar de burro, se forçar empaca. Se já está empacado, ou você doma o burro, ou vai a pé. Eu diria que a pé se tem mais tempo para apreciar a paisagem.

      Comment by Thomas — 09/04/2010 @ 2:36 PM

  6. Como eu nunca esperava ser lido, esse momento se torna vivo ao rubor que invade o rosto. Mas se o texto agrada os outros, me agrada também.
    O curta, realmente real. Tocou. Boa música.

    É bom lembrar quem me deu o gatilho, Antonio Vitor: http://www.antoniovitor.com/
    Quem deu o disparo? Hermeto Pascoal.
    Só fiquei vendo onde tudo isso iria levar.

    Intuição fulminante, essa sua, Fy. Não fumo, não. Só gosto de ler os quadros de Magritte.🙂

    Juliana, o segredo é isso mesmo, se encaixar em qualquer lugar, tal qual a água. Bom saber que os brasileiros tem preferência, não esperava isso do pessoal de fora. Tem muita coisa do senhor Mark Eting que me deixa abismado, que chega a ser mais arte que muita arte por aí.

    Btw, que mãe nunca falou para nós pararmos de fazer arte? Sabedoria milenar.

    Comment by Thomas — 09/04/2010 @ 2:06 PM

  7. ahahahahahah

    Thomas,

    Quase demos trombada!

    Bjs

    Fy

    Comment by Fy — 09/04/2010 @ 2:39 PM

  8. Bom, primeiro os elogios pela escolha do texto e a satisfação de ter o autor entre nós. O que à princípio, não percebi mesmo com a evidencia do cachimbo e o bom gosto pela escolha.Tio Gus tá ficando véio, como diz TocaYo. Bom saber que não sou o único excêntrico (de bom gosto) a ler Magritte.

    Excelente texto,volto a comentar.

    Tio Gus

    Comment by Gustavo — 10/04/2010 @ 2:46 AM

  9. puro pretensiosismo de leitor: mas,pretensão à parte,este artigo pode interessar nosso amigo Escritor,ou como disse a Fy,mais um gesto gentil:

    Elmore Leo­nard é um dos meus roman­cis­tas favo­ri­tos. Há qual­quer coisa na sua escrita ágil,fluida,cheia de per­so­na­gens fas­ci­nan­tes,que me agrada profundamente.

    http://www.elmoreleonard.com/

    São famo­sas as suas 10 regras de escrita. Ins­pi­rado por elas, o jor­nal The Guar­dian publi­cou um artigo em duas par­tes com as ‘regras de escrita’ de um con­junto de nomes notá­veis, incluindo entre outros Michael Moor­cock, Joyce Carol Oates, Annie Proulx e Zadie Smith.

    Não vou ten­tar resu­mir aqui todas (são mui­tas) por isso reco­mendo a lei­tura do artigo (em inglês). Mas só para dar o tom, des­taco uma bem divertida:

    “Não colo­que na sua secre­tá­ria uma foto­gra­fia do seu autor favo­rito, espe­ci­al­mente se ele for um daque­les famo­sos que se sui­ci­da­ram.” —- Roddy Doyle

    Num acesso de falta de modés­tia, decidi juntar-​​me a esta lista de con­sa­gra­dos, e ten­tar dei­xar aqui tam­bém as minhas dez regras de escrita:

    Andar sem­pre com um bloco de notas para assen­tar todas aque­las ideias que nos sur­gem nas horas mais impró­prias. Rever com frequên­cia os blo­cos anti­gos à pro­cura das melho­res ideias.

    Ser ‘darwi­ni­ano’ na selec­ção natu­ral das ideias. Ou seja, dar-​​lhes tempo para se afir­ma­rem na nossa mente, sobre­vi­vendo ao esque­ci­mento. Só as mais for­tes o conseguirão.

    Não cor­rer para o com­pu­ta­dor logo que se tenha uma pri­meira cena fan­tás­tica, ou um grande final. Essas são as mais fáceis. O diabo são as que estão no meio.

    Fazer uma esca­leta (outline) bem deta­lhada de toda a estó­ria. Quanto mais deta­lhada, mais fácil será não nos per­der­mos no meio. E o meio, como já vimos antes, é que é o diabo.(imagino que escaleta seja qualquer coisa como resumo, itinerário, roteiro em portugues de POrtugal).

    Escre­ver a esca­leta como quem joga pingue-​​pongue, pen­sando alter­na­da­mente no enredo… pin­gue… e nos per­so­na­gens… pon­gue… e no enredo… pin­gue… e nos personagens…

    Depois de come­çar a escre­ver, não parar. Seguir em frente, ao nosso ritmo, mas sem medos nem hesi­ta­ções. A pri­meira ver­são é só nossa —não temos que a mos­trar a nin­guém, e temos todo o tempo do mundo para cor­ri­gir o que esti­ver mal.

    Escre­ver sem­pre menos do que nos ape­tece: des­cri­ções mais con­ci­sas e eco­nó­mi­cas; diá­lo­gos mais enxu­tos e rit­ma­dos; menos cenas, e mais cur­tas. E depois vol­tar atrás e cor­tar ainda um pouco mais.

    Ter sem­pre em mente o que os espe­ta­do­res sabem e não sabem naquele momento da estó­ria; o que eles espe­ram ou não espe­ram que vá acon­te­cer; e jogar com essa infor­ma­ção e expetativas.

    Con­flito e sur­pre­sas. Con­flito e sur­pre­sas. Con­flito e surpresas.

    Depois de ter­mi­nar a pri­meira ver­são do rascunho, dar uma pal­ma­di­nha nas pró­prias cos­tas (o que pode ser com­pli­cado) e tirar uns dias antes de mer­gu­lhar na rees­crita. Mas isso é outra estó­ria.

    É pro­vá­vel que com o tempo, e mais refle­xão, estas dez regras mudem e evo­luam um pouco. Mas espero que mesmo assim sejam úteis.

    Os dois arti­gos do The Guar­dian podem ser lidos aqui:

    http://www.guardian.co.uk/books/2010/feb/20/ten-rules-for-writing-fiction-part-one

    e aqui:

    http://www.guardian.co.uk/books/2010/feb/20/10-rules-for-writing-fiction-part-two

    João Nunes.

    (muito embora eu acredite que a Arte e a Criatividade não respeitem regras…e aposte no texto do Thomas Freski)

    Abraço

    Gustavo

    Comment by Gustavo — 10/04/2010 @ 3:35 AM

  10. Oi Ju
    Legal quando voce escreve um tantão assim.

    Fy

    O Istoirio é eterno. O Istoirio é que virou british… como que é? Ju? Hahahahahahahahahah

    Gustavão, muito legal as top10 – e o Magritte: muito louco.

    O Thomas deu uma filosofada furiosa. movimento puro.

    E eu digo filosofada porque filosofia,ou filosofar é uma atividade crítica, um lance que avalia cuidadosamente os nossos preconceitos mais básicos,nossos limites mais óbvios. até mesmo as filosofadas de boteco, que tem lances raros vez em outra, e é isto o que faz da filosofia uma atividade seleta, sofisticada…e que requer “bons” ouvidos. nós temos uma tendência acomodada de nos agarrarmos a/criticamente aos nossos preconceitos, porque eles condicionam a maneira como vemos o mundo e como vivemos a vida sem precisar pensar, qualquer coisa como viver, sem se cansar “vivendo”. a filosofia, ao contrário, exige abertura de espírito e disponibilidade pra um pensar livre, um ir além,alterar espaços, e aí… o Thomas prossegue.e muito bem.

    Carol querida:Um corpo vivo é um corpo que dança as complexidades deste tempo dançante que exige novos gestos, que compõem novas imagens, e, para tanto, é preciso que se desprenda contínuamente.em atravessamentos, trajetos, devires e ***…já foi , e já será , livre .Flui , imersamente suave , interminável . Rompe-se em si ao mesmo tempo em que junta-se a si. do Thomas.

    um espetáculo ao vivo do texto(como exemplo,por exemplo) e sem ser repetitivo falando de surf:

    http://360graus.terra.com.br/surf/default.asp?did=30230&action=news

    Sem ponto de apoio , a temível quimera se torna real , tudo o mais se torna vivo .

    Abraço aê

    TocaYo

    e desde quando uma maçã é…?

    Comment by TocaYo — 10/04/2010 @ 7:00 AM

  11. uma caligrafia do imaginário
    fragmentos
    alexandre brito

    se reproduz segundo um código cifrado
    em que se representam as idéias mediante caracteres simbólicos
    metáforas consecutivas consideradas
    nas constelações e galáxias a que pertencem
    sem auxílio de referências outras que não elas mesmas
    (…)
    uma escritura em ruptura
    que avança do familiar ao desconhecimento
    lavrada no livro secreto das dúvidas
    que, desprovida de qualquer relevância imediata
    e sem aparente significado especial
    apenas e tão somente articula substâncias essenciais
    (…) matéria verbo-icônica
    potencialmente transgressiva

    virtualmente incapaz de ser definida

    Com seu eterno ondular .
    Move-se sutil .

    Marianne

    Comment by Marianne — 10/04/2010 @ 12:00 PM

    • Marianne ,

      vc mergulha tão profundo, e traz as cores mais bonitas dos textos, sempre.

      eu adoro te ler.

      super final de semana.

      Bjs

      Fy

      Comment by Fy — 11/04/2010 @ 4:12 AM

  12. “Por que há de se fixar o que é livre ?”

    Muitas vezes desejar soltar o que está preso por tanto tempo é desejar, em parte, uma morte e um sossego.

    Como li no blog do Caio Garrido:
    “Contemplar demasiadamente o Passado
    é coroar o Presente…
    com uma coroa de espinhos.”

    Ondula…
    Flui como nota flui após nota. Os segundos fluem o tempo inteiro para algo maior que o tempo. Se simplesmente a mistura das cores pudesse traduzir a não existência dessa forma fixa tão real. A tentativa eterna de segurar na corda, como se segurasse o fio da vida…como se ao soltar fôssemos cair em um abismo sem fim.

    E que mal há em cair em um abismo sem fim? Só se cresce verdadeiramente na horizontal, na queda para dentro, não é mesmo?
    Mas a queda causa medo e o medo prende…o medo nos faz querer fixar o tempo inteiro.

    É o medo de perder aquele abraço e nunca mais sentir o contato quente da pele…é o medo de perder o beijo que sempre parece ser o último, é o medo de ser a última palavra (e quando não temos a chance de falar a última palavra?) É o medo de morrer sem ver o mar
    (meu avô quando viu o mar pela primeira vez, entrou de roupa e tudo…)

    Mas tudo o que queremos é fluir, simplesmente.
    Fixamos por medo enquanto tudo flui em nossa direção, o tempo todo.

    Thomas, eu chorei com seu texto…e o que é a lágrima senão mais uma tentativa desesperada e sôfrega de um último apelo ao momento?

    Deixo aqui com vocês Ólafur Arnalds, que escreveu textos intermináveis em mim…música que levo comigo sempre:

    Amei o cachimbo também, Fy…e adoro a maneira como você vê o mundo…você tem poesia nos olhos.

    Beijos
    Thaís

    Comment by Thaís — 10/04/2010 @ 1:44 PM

    • Não sabia que iria tão longe; de forma alguma; imaginei isso. É mais do que poderia querer. É mais do que um cálice, é um cálice que transborda lágrimas. É o que flui para fora sem limites.
      Não é um superar-se. Um romper se sim. É um ato de herói. Um ato de satisfação mais que satisfeita. É o ponto em que o medo vai-se com os suspiros. Sem volta, sem saída. Foi, indo infindo. Até transbordar.

      Já disse o homem:
      Esta velha angústia,
      Esta angústia que trago há séculos em mim,
      Transbordou da vasilha,
      Em lágrimas, em grandes imaginações,
      Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
      Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
      Transbordou.

      Mal sei como conduzir-me na vida
      Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
      Se ao menos endoidecesse deveras!
      Mas não: é este estar entre,
      Este quase,
      Este poder ser que…,
      Isto.

      Comment by Thomas — 10/04/2010 @ 2:11 PM

      • Thomas:

        Sem volta, sem saída. Foi, indo infindo. Até transbordar.

        esta palavra é a mais bonita: transbordar.

        como é rara.

        bjs

        Fy

        Comment by Fy — 11/04/2010 @ 5:15 AM

    • Thaís

      …este Caio … !

      Jura aquilo que te esconde
      E abrace o que nunca falar-te comecei

      Não me encara de frente…
      Meu Nome,
      aqui […]
      não tem nome

      tudo dele… lá do http://caiogarrido.blogspot.com/

      – E que mal há em cair em um abismo sem fim?

      – conhece esta?

      ah…
      você pode me empurrar pro precipício
      não me importo com isso

      …eu adoro voar.
      Bruna Lombardi

      – Taí uma poeta [não gosto de poetisa… e nem sei se é com z] q ninguem quase conhece e q escreve muiiiito.

      – …é o medo de ser a última palavra (e quando não temos a chance de falar a última palavra?)

      eu acho que isto é mais ou menos o que eu disse pro Anarco, lá em cima:

      Será que trazendo isto pra vida,agente consegue discernir direitinho quando se deve ser tela – quando se deve ser pincel;

      vou deixar uma poesia tb da Bruna, entre tantas que eu gosto mto, e que estas tuas palavras, mais o comment do Anarco – de repente – me fizeram lembrar:

      TARÂNTULA
      Canção de medo e dança (incompleta)

      Sou eu uma das tuas ondas.
      Uma das tuas raízes misteriosas, uma das fibras úmidas, agudas que te compõem. Sou uma das substâncias de cor confusa. Faço parte também do teu silêncio.
      Sou tua resistência, tuas viagens, teus empreendimentos que se fundem de névoa e sonho. Sou tua matéria entrando em corredores, no segredo de tuas portas fechadas, entre os olhos da parede.
      O teu outono sou eu. Doce e amarelo.
      Sou a fruta que mordes com desejo, com água, com estalo. O suco que te escorre pela boca. A polpa que te penetra nos dentes, grossa suculenta, quase louca. Fruta brava sou eu. Fogo de alcova. Coração que te sacode e faz arder.
      Sou eu de origem profunda do teu ser, nascido de tua primeira aflição. Conhecedora. Sou eu que te carrego as correntes e te beijo a boca sem ruído.
      Que te vi crescerem as mãos e te agitarem os meses, que sei dos teus vegetais internos, oceânicos, as folhas que te incorporam. Teus poros, teus veios, teus medos, teu signo, teu currículo de doçura e de exorcismo, o teu escândalo, os demônios que te dançam dentro e que te queimam, o peso, a temperatura silenciosa de tua alma.

      Sou eu que te caio em cima sem cessar
      nas noites de agosto.
      Que te empresto os passos,
      que me submeto à tua sombra…

      Mas sou eu

      a quem te rendes:

      …Silencioso.

      – linda nãoé?

      Bjs

      Fy

      Poesia no olhar?

      – Vcs é que tem!

      Comment by Fy — 11/04/2010 @ 4:53 AM

    • Thaís…

      [às vzs eu faço uma confusão tão aquariana… q só… nem eu e nem ninguem entende.]

      Q coisa mais linda! vou colocar num post!

      – pra colocar aqui, no Youtube é só incorporar,na Vímeo eu nunca tentei… – imagina se eu tentar…. hahahah- mas se alguem souber, me ensina tb.

      – eu já tentei colocar o vídeo pequeninho… maior …. [ youtube] arranquei todos os cabelos … e saiu do mesmo jeito!

      bjs

      Fy

      Comment by Fy — 11/04/2010 @ 5:34 AM

      • Thaís,

        Vou deixar este pra voce: [ que lindo também]

        — Life is transparent, warm and swirls randomly like a soft light.

        And it constantly changes…

        Life illuminates itself and then… it begins to illuminates a new life.

        A sprouted mass of innumerable lights become a flow before long,

        and then become the part of the life-throb of ages.

        That ties life,

        this moment now.

        Animation by Daihei Shibata.
        Music composed by Jennifer Athena Galatis.
        Based on a small fragment of Respighi’s Notturno.

        Bjs

        Fy

        Comment by Fy — 11/04/2010 @ 5:44 AM

  13. Ahh esqueci, os detalhes sobre o vídeo:

    “Let yourself feel” de Estéban Diácono (http://www.vimeo.com/6045312)

    E a música é do álbum (maravilhoso) “Found Songs” de Ólafur Arnalds e chama-se “Ljósið”. É a faixa número 7 desse álbum que tem 7 músicas, uma mais linda que a outra…

    (Uma dúvida, desculpe perguntar por aqui, mas como faço para o vídeo aparecer aqui? É só colocar o código de incorporação aqui mesmo?)

    Bjos🙂
    Thaís

    Comment by Thaís — 10/04/2010 @ 2:01 PM

    • Thais… peraí… aiaiai tô fazendo uma confusão….

      eu já respondi e não sai de jeito nenhum…

      Comment by Fy — 11/04/2010 @ 5:20 AM


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