windmills by fy

29/05/2010

… às vezes .

Filed under: Uncategorized — Fy @ 5:06 AM

 

foto jake baddeley 1 jake-baddeley-2009_dreamflights

 

 

Falo a lingua do mundo ,

densa e alquímica .

 

Nesses universos cósmicos , sou múltipla e diversa .

danço  em espiral  …  

lenta

  graciosamente , 

sobre a cidade e seu rio cintilante.

 

 

 

foto jake 4 jake-baddeley-intuition

 

 

 

foto Jake 5 correto

 

 

 

 

 

 

Era Nietzche quem dizia que nada de importante se faz ” sem ” uma nuvem não – Histórica .    

 

Não é uma oposição entre o eterno e o histórico, nem entre a contemplação e a ação:

 

Nietzche fala do que se “FAZ” ,

 

do próprio acontecimento ou devir .

 

 

 

O que a história apreende do acontecimento é a sua efetuação em estados de coisas , mas o acontecimento no seu devir escapa à História.

 

 

 

A História não é a experimentação , é apenas o conjunto das condições quase negativas 

que tornam “possível” a experimentação de alguma coisa que   : escapa à História .

 

 

 

Sem a História a experimentação permaneceria indeterminada , incondicionada , – mas : a experimentação não é Histórica .

 

 

 

Num grande livro de filosofia , Clio , Péguy explicava que há duas maneiras de considerar o acontecimento :

 

 

 

 

 

– uma que consiste em passar ao longo do acontecimento, em recolher a sua efetuação , o seu condicionamento e apodrecimento na História ,

 

 

 

e a outra :

 

 

 

– em ativar o acontecimento , em instalar-se nele como num devir, em rejuvenescer e envelhecer nele ao mesmo tempo , em passar por todas as suas componentes ou singularidades .

 

 

 

O devir não é História :

 

 

 

a história designa apenas o conjunto das condições ,

 

por mais recentes que sejam ,

 

e das quais nos afastamos para ” devir ” ,

 

ou ,

 

e :

 

para criar alguma coisa de novo …

 

 

 

GILLES DELEUZE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ilustrações :

Jake  Baddeley

Textos:

Gabriela  Rocha  Martins

Deleuze

 

 

Fy

22 Comments »

  1. Fy, este pintor é a exuberância do fantástico.

    O retrato da realidade da fantasia e da imaginação.Uma sequência entre o familiar e o estranho. Um meio-tempo entre os dois.
    Mais ou menos como o devir da impressão.
    Voce já está suscetível ao livro.Entendeu ?

    Reminiscências em Foucault:

    As utopias consolam: é que, se elas não têm lugar real, desabrocham, contudo, num espaço maravilhoso e liso; abrem cidades com vastas avenidas, jardins bem plantados, regiões fáceis, ainda que o acesso a elas seja quimérico.

    As heterotopias inquietam, sem dúvida porque solapam secretamente a linguagem, porque impedem de nomear isto e aquilo, porque racionam os nomes comuns ou os emaranham, porque arruinam de antemão a “sintaxe”, e não somente aquela que constrói as frases — aquela, menos manifesta, que autoriza “manter juntos” (ao lado e em frente umas das outras) as palavras e as coisas.
    Eis por que as utopias permitem as fábulas e os discursos:

    situam-se na linha reta da linguagem, na dimensão fundamental da
    fábula;
    as heterotopias (encontradas tão freqüentemente em Borges) dessecam o propósito, estancam as palavras nelas próprias, contestam,desde a raiz, toda possibilidade de gramática; desfazem os mitos e imprimem esterilidade ao lirismo das frases.
    e continua…

    belíssimo.

    beijo
    tio Gus

    Comment by Gustavo — 29/05/2010 @ 8:07 AM

  2. Linha reta.

    Vai, passam-se dias, anos.
    Datam-se aproximadamente 5700(memória fraca), sendo otimista, de anos entre nós e a primeira civilização chamada de civilização.

    Eu fico me perguntando se esse não é o devir do coletivo… Enquanto almas humanas apáticas, históricas, rondam por aí. Imaginar tudo isso ao mesmo tempo, creepy.

    Com toda a licensa (nem tanto)poético-(muito menos)filosófica,
    Thomas.

    Comment by Thomas — 29/05/2010 @ 10:44 AM

    • Thomas,

      “ Ele [o rizoma] não tem começo nem fim , mas sempre um meio – pelo qual ele cresce e transborda ” .

      Assim também é nossa existência .

      Podemos delimitar um começo e um fim , respectivamente , no nascimento e na morte , mas não são limites precisos .

      Nossa vida cresce e transborda , e isso pode se dar a partir do presente ,

      de cada passo ,

      de cada dia vivido ,

      em cada forma de existência construída ,

      em nossa Multiplicidade .

      “ Uma tal multiplicidade não varia suas dimensões sem mudar de natureza nela mesma e se metamorfosear ” .

      Deleuse

      Devir é natureza.De toda e qualquer forma,mesmo que caótica, tudo se transforma.

      “Enquanto almas humanas apáticas, históricas, rondam por aí.”

      Será que mesmo almas não passam pelo mesmo processo?
      Eu acredito que haja vida. Seja lá em que fase, ciclo, ou manifestação. Penso que a morte é também um ou algum dos estágios do devir contínuo.
      E como você disse, no outro post, a apatia em seu devir deve causar apodrecimento, e , não é preciso a morte pra que isto aconteça.
      nãoénão?

      Bjs Fy

      Comment by Fy — 30/05/2010 @ 2:26 AM

      • “Há muitas maneiras de se matar um homem.”

        simésim, tem razão. convenhamos, apesar de tudo, nada é dispensável.

        Que é que não é deviraser, girl?

        Comment by Thomas — 30/05/2010 @ 1:00 PM

      • Que é que não é deviraser, girl?

        Nothing that I have known, man.

        Bjs
        Fy

        Comment by Fy — 30/05/2010 @ 1:08 PM

  3. Enquanto almas humanas apáticas, históricas, rondam por aí. Imaginar tudo isso ao mesmo tempo, creepy.

    Ahahahauahauah : muito bom.

    As heterotopias inquietam, sem dúvida porque solapam secretamente a linguagem…

    E a internet como registo akásico, materializaria em larga escala o princípio antes presente no esforço laicizante das bibliotecas e museus: heterotopias em que se pretenderia confinar o tempo no espaço;

    uma materialização da antiga ideia do Paraíso em formato secular , ópio facilmente acessível que promete a “revelação” pela simples “conectividade” cuja garantia é uma espécie de “via iniciática” de quem fibra óptica, modem e computadores seriam os breviários e o UMTS, os smarthpones e os netbooks o tapete persa que permite comodamente, em qualquer altura do dia, a persignação para Meca; o comungar e saciar a sede de “Conhecimento”.

    Se isto não é devir, ôrra, que que é então?

    Abraços,

    João Pedro

    Comment by João Pedro — 29/05/2010 @ 10:53 AM

    • E a internet como registo akásico, materializaria em larga escala o princípio antes presente no esforço laicizante das bibliotecas e museus: heterotopias em que se pretenderia confinar o tempo no espaço;

      taí: tudo se transforma.
      ilumination, too, brother.

      dois toquinhos e pá : no shadows anymore! Find God in my blog! Meca is here, baby.

      Bjs

      Fy

      Comment by Fy — 30/05/2010 @ 2:30 AM

  4. Eu hoje esquematizei um projeto à partir desta frase:By believing passionately in something that still does not exist, we create it. The nonexistent is whatever we have not sufficiently desired.–Franz Kafka

    e agora no finzinho da tarde me delicio com o post.Grande Baddeley/ Great Mamasox também.Muito boa esta série do Alan Watts,amiga, tenho aqui.Super zen,com direito a britissssh sotaque e tudo.Muito engraçado e gostoso de se ouvir,não é pesado.Boa dica.

    PS: se alguém entender o que o João Pedro escreveu,por favor reescreva com o devida linguagem que agente conhece.

    PS2: eu não tenho a menor idéia do que é heterotopias (até colei).

    Bjinhos

    Ju

    Comment by Juliana — 29/05/2010 @ 11:08 AM

    • Juju, for you:

      Once I spoke the language of the flowers,
      Once I understood each word the caterpillar said,
      Once I smiled in secret at the gossip of the starlings,
      And shared a conversation with the housefly
      in my bed.
      Once I heard and answered all the questions
      of the crickets,
      And joined the crying of each falling dying
      flake of snow,
      Once I spoke the language of the flowers. . . .
      How did it go?
      How did it go?

      heterotopia > pelo diconário > Deslocamento ou situação anormal de partes ou órgãos. 2 Presença anormal de um tecido em qualquer lugar do corpo. [ uma anormalidade , penso eu ]

      Mas aqui, no caso do Gus, é que ele está me ajudando a ler um livro, – meio complicadinho , à princípio – tá me dando a maior força – até que eu pegue o ritmo, ou pegue no tranco mesmo , ahahahahah –

      O Les mots e les choses de Foucault > que amplia o sentido de heterotopia : mais ou menos isto:

      [ corrige aê, Gus – se eu estiver entendendo e falando tudo errado ]

      go on,

      Primeiro, há as utopias.

      As utopias são espaços sem lugar real.

      São espaços que mantêm com o espaço real da sociedade uma relação geral de analogia direta ou oposta.

      É a própria sociedade aperfeiçoada, ou é o contrário da sociedade, mas, de qualquer forma, essas utopias formam espaços que são fundamental e essencialmente irreais.

      Também há, e isso provavelmente existe em todas as culturas, em todas as civilizações, lugares reais, lugares efetivos,

      lugares que estão inscritos exatamente na instituição da sociedade,

      e que são um tipo de contra-espaços, um tipo de utopias efetivamente realizadas nos quais os espaços reais,

      todos os outros espaços reais que podemos encontrar no seio da cultura,

      são ao mesmo tempo representados, contestados e invertidos,

      tipos de lugares que estão fora de todos os lugares,

      ainda que sejam lugares efetivamente localizáveis.

      Esses lugares, porque são absolutamente diversos de todos os espaços que refletem e sobre os quais falam,

      eu os chamarei, por oposição às utopias, de heterotopias

      (Foucault, 1994, vol. IV: 755).

      Eu entendo isso, como uma ” distorção” : alguma coisa “distorcida” – “alterada” > que – por esta razão : já não é mais a mesma coisa > e sim uma heterotopia. [ da coisa ]

      ahahahahahahahah

      Bjs
      Fy

      Comment by Fy — 29/05/2010 @ 12:08 PM

    • By believing passionately in something that still does not exist, we create it.

      bem britissssssh:

      Vem pra cá,

      Bjs Fy

      Comment by Fy — 30/05/2010 @ 2:35 AM

  5. Nossa como fica apertado tudo q agente escreve neste comentários .

    Depois eu volto e respondo mais .

    Bjs

    Fy

    Ju … ainda não pensei direito como viver sem o Sawyer, tá bem?

    Comment by Fy — 29/05/2010 @ 12:13 PM

  6. Juliana,

    Vamos lá, imagine uma cidade como a representação espacial de uma sociedade , nas suas múltiplas componentes: política, social, cultural, etc.

    Num primeiro momento, de significado mais teórico agente precisaria de mais espaço pra investigar a ação exercida pela arquitetura e a organização do espaço nos encontros, movimentos e liberdades dos indivíduos, utilizando como ferramenta conceitual o célebre ensaio de Foucault intitulado “Of Other Spaces”: de 1967 ou 68.

    Neste ensaio,o interessante é sobretudo o conceito da tal heterotopia, a sua definição e a sua concretização em diversos espaços descritos por Foucault:

    o jardim, o museu, o cemitério, para citar alguns.

    Muito bom também é o conceito de heterotopia veiculado por Kevin Hetherington em The Badlands of Modernity, Heterotopia and Social Ordering.

    Mas, num segundo momento,de significado mais prático,tem o exemplo do filme Metropolis (Alemanha, 1927),realizado por Fritz Lang,como um estudo de caso.

    A escolha de Lang e de Metropolis não é de todo aleatória.(Como sublinha Barry Keith Grant, na introdução a uma coletânea de entrevistas totalmente dedicada ao realizador alemão: )

    os filmes de Lang retratam um mundo claustrofóbico e determinista em que o indivíduo,controlado por forças maiores,sejam elas sociais, metafísicas ou sobrenaturais, luta em vão contra o seu destino (Grant 2003: VIII-IX).

    Em Metropolis, cujo título é desde logo revelador, é a Cidade que personifica essas forças que aprisionam e condenam uma parte muito significativa dos seres humanos que nela sobrevivem.

    Em Metropolis “ justapõem-se”, até ao momento do seu colapso, “ heterotopias” de controle e de resistência que representam apenas diferentes olhares sobre um: mesmo espaço.

    (cada visão, cada um destes olhares, altera a realidade à sua maneira, “personifica este espaço de acordo com sua “visão” ou interpretação, e o resultado de cada uma destas visões “ alterantes ” da realdade é uma Heterotopia, uma anormalidade em relação à coisa em si, real, tal qual é.)

    Beijo
    Tio Guz

    Comment by Gustavo — 29/05/2010 @ 12:54 PM

  7. Nesses universos cósmicos , sou múltipla e diversa .

    danço em espiral …

    lenta

    graciosamente ,

    sobre a cidade e seu rio cintilante.

    beijo

    duda

    Comment by duda — 29/05/2010 @ 2:49 PM

    • bj
      Fy

      [e … bobo de quem não é!]

      Comment by Fy — 30/05/2010 @ 2:36 AM

  8. Boa noite Windmills, Fy,

    A minha opinião é de que se não resignificamos a vida,ela mesma, extamente como no explicado processo do GILLES DELEUZE, o faz por conta própria. Quando tentamos pará-la,ou parar momentos,mantê-los, seja por apego ao sofrimento ou à felicidade, não admitindo que os mesmos evoluam em e para sí mesmos, a vida estagna. E não ouvimos ou vivemos historias novas.

    Novamente, lindas imagens,mensagem, sempre me renovando.

    Beijos
    Sofia M.

    Comment by Sofia — 29/05/2010 @ 3:00 PM

    • a minha também!

      Bjs

      Fy

      Comment by Fy — 30/05/2010 @ 2:49 AM

  9. as vezes sim
    as vezes não

    Marianne

    Comment by Marianne — 30/05/2010 @ 12:27 AM

    • sempre mto bonito.

      mto legal mesmo.

      Thank’s Marianne.

      bj

      Fy

      Comment by Fy — 30/05/2010 @ 2:46 AM

  10. Fy,lembrei de voce,mas quero deixar esta lembrança pra Sofia.

    Sofia,
    Ar Reciclado
    Eu respirei e puxei o ar ainda sem deixar nada
    Sentindo-me inocente como amantes adolescentes
    Entre os lençóis
    Ba ba ba ba…
    Articulações dobradas, brancas, como mecanismos de aterrisagens
    Recolhidos para voar
    Minha cabeça é um balão inflando com a altitude
    Ba ba ba ba…

    Eu vejo o retalho das fazendas sumierem lentamente nos braços do oceano
    E aqui eles não podem me ver olhar
    O antigo sabor de ar reciclado
    Eu vejo o retalho das fazendas sumierem lentamente nos braços do oceano
    Acalme-se, libere suas preocupações
    O antigo sabor de ar reciclado

    porque:
    A minha opinião é de que se não resignificamos a vida,ela mesma, extamente como no explicado processo do GILLES DELEUZE, o faz por conta própria

    Novamente, lindas imagens,mensagem, sempre me renovando.

    Bjinhos
    Carolzinha

    Comment by Carol — 30/05/2010 @ 1:13 AM

    • Ah , eu vou colocar um post de balões… – Sta sincronicidade! Eu adoro balões.
      E adoro esta pintora, mesmo.

      Taí Sofia!

      Bjinhos

      Fy

      Comment by Fy — 30/05/2010 @ 2:49 AM

  11. Para responder ao Thomas e, acho que para a Sofia também.

    E, claro, responde pra nós todos. Alguma coisa… talvez.

    “Let your life lightly dance on the edges of Time like dew on the tip of a leaf.”

    Rabindranath Tagore

    Abraços

    Renato

    Comment by Renato — 30/05/2010 @ 3:01 AM

  12. Vai lá:

    TocaYo

    Comment by TocaYo — 30/05/2010 @ 3:21 AM


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