windmills by fy

03/06/2010

the truth

Filed under: Uncategorized — Fy @ 6:56 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 O caminho que atravessa o mundo é mais

 
difícil de achar que o caminho que o transcende .

Wallace Stevens

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre a   Verdade  Spinoza  afirma ,  no seu Tratado Teológico – Político que :

 

O objectivo da Filosofia é a Verdade .

 

 

E no seu Tratado da Reforma do Entendimento ,  Spinoza   nos diz  que :

 

 

… temos de admitir que há homens completamente cegos de espírito ,

desde o nascimento ou por causa dos preconceitos ,

isto é :   por quaisquer ocorrências exteriores.

É que então nem consciência têm de si mesmos ;

se afirmam algo ou duvidam ,

não sabem se duvidam ou afirmam .    . . .     . . .      . . .      . . .

.

… a necessidade …  obriga – os a admitirem que existem ,

e a procurar os seus interesses ,

e a afirmarem e a negarem muitas coisas sob juramento  …

 

 

 

 

 

 

 

… Se negam , concedem ou opõem :

não sabem que negam ,  concedem ou opõem e ,

portanto têm de ser considerados como autómatos ,

que carecem totalmente de espírito.   (…)    ! ! !

 Alice Valente

 

 

 

 Naquilo a que chamamos  :  os ” modos de existência ” e a que Foucault chamava  ” estilos de vida ”  ,

 há uma estética da vida , como nos lembrou : a Vida como Obra de Arte .

Mas  também há uma ética !

 

 

Sim ,  a constituição dos modos de existência ou dos estilos de vida não é apenas estética ,

é aquilo a que Foucault chama de :  a ética   ,  por oposição  à  moral .

 

 

A diferença é a seguinte:

 

 

a moral apresenta-se como um conjunto de regras coercivas de um tipo especial ,

que consiste em julgar ações e intenções referindo-as a valores transcendentes :  é bem , é mal … ;

 

 

a ética é um conjunto de regras facultativas que avaliam aquilo que fazemos , aquilo que dizemos ,

segundo o modo de existência que isso implica .

 

 

 

 

 

Transcendente , por definição, é aquilo que ultrapassa e está além deste mundo,

ou aquilo que se coloca para além de um certo estado de coisas,

quando dizemos que o ” transcendemos ” .

 

 

Imanente , por definição , é um termo referido ao que está aqui mesmo , isto é ,

neste mundo ou no interior de um certo estado de coisas , sem transcendê-lo .

 

Assim, os termos são opostos, dizem repeito a coisas ou a situações opostas .

Não entrarei no mérito do que os filósofos dizem sobre os termos . 

Eles significam exatamente o que eu disse .

.

.

.

 

 

Valorizamos pouco as coisas que fazemos todos os dias, mas é graças a elas que chegamos até aqui, vivos e com alguma saúde.

São simples e triviais, mas é de simplicidade e trivialidade que a vida é feita.

Lavar a louça, colocar o lixo para fora, acordar e tomar café pela manhã, dormir à noite, trabalhar, ler, , sentir o sol , a Lua , dançar ,ouvir música, amar , sorrir chorar, estar , participar. ….

Tomadas individualmente, torna-se difícil encontrar transcendência nessas atividades.

 Tomadas em conjunto, elas revelam o cumprimento de uma função maior, que ultrapassa a necessidade de ter louça limpa, ganhar dinheiro ou a diversão simples.

Essa função é a própria existência.

Não vivemos por razões maiores do que a própria vida , e

se existe uma missão , ela consiste em mantermo – nos vivos da melhor forma possível , pelo maior tempo possível .

 

 

A Vida não é transcendente , pelo menos não a Vida que podemos Viver e Conhecer.

Não existe um mistério que deva ser compreendido antes que possamos compreender a Vida

tal como ela se nos apresenta neste exato momento .

 

 

Transcender significa Superar .

Transcender algo que lhe pertence significa compreendê – lo em seus detalhes .

Como nas artes marciais, pode – se dispensar a técnica porque ela foi totalmente absorvida  —

neste momento não há mais a técnica como aditivo ,

 não há mais diferença entre realizar a técnica e mover – se ,

entre realizar a técnica e respirar , entre realizar a técnica e viver .

 

 

 

A Transcendência passa pela percepção e pela plena aceitação da Imanência .

 

 

 

 

 

 

 

Mitologias , religiões , doutrinas esotérias e tradições metafísicas apontam para a existência de um mistério ,

que obviamente jamais é revelado  .

 

 

Todas estas coisas pertencem a um tempo que não é humano ,

não são obras de uma única pessoa e , portanto ,

jamais serão totalmente acessíveis para uma única pessoa .

 

 

É parte do jogo buscar uma revelação e concordar com a impossibilidade de encontrá-la .

 

 

 

 

 

 

Fé é a força que mantém a conexão entre a busca pelo mistério

e as atividades que são corriqueiras demais para serem vistas como algo misterioso e mágico .

É a fé que permite entrever a Transcendência que pode existir em coisas absolutamente terrenas

e que permite alcançar patamares superiores sem , no entanto , recorrer a rituais , discursos e idéias esotéricos demais .

 

 

Nossa dificuldade de distinguir mitos de verdades

deve-se também ao fato de que , em certas ocasiões , simplesmente não queremos enxergar .

 

O ditado popular afirma que o pior cego é aquele que não quer ver,

mas ignora o fato de que há um motivo forte para manter os olhos fechados .

A aceitação da realidade pode derrubar e destruir as nossas ilusões mais agradáveis .

 

 

A verdade nos torna vulneráveis .

 

 

 

 

Com ela, somos forçados a deixar de lado situações sobre as quais antes comodamente nos enganávamos  –  ou ,

pelo menos,  fingíamos que nos enganávamos.

Assim, o cego mais astucioso é aquele que prefere não ver, e uma boa parte de nós está nesse caso .

É como se pensássemos : “ é melhor não saber de certas coisas ” . 

 

 

Todo conhecimento direto implica uma responsabilidade e um perigo ,

e às vezes fugimos do perigo buscando refúgio na segurança dos mitos e da ignorância .

 

 

Há ainda outro aspecto no processo de produção de brumas e ilusões :

É mais fácil seguir as velhas trilhas do pensamento conhecido ,

das ações repetidas , dos pontos de vista estabelecidos . 

Temos a tendência a ver a vida como algo imóvel ,

ou como algo cujo movimento é sempre o mesmo e não admite inovações .

E queremos que seja assim .

 

 

 

 

Apenas gostaríamos de trocar alguns poucos fatos isolados ,

para que nossos sonhos e ambições pessoais se tornassem realidade .

Quase tudo o que é rotina nos parece real .

O que rompe a rotina nos parece irreal e inaceitável . 

O caminho estreito e íngreme de que fala    Jesus – Man   (Mateus, 7: 13-14)   – incrível : há 2010 anos atrás –

consiste em :

 

 

 ir contra a correnteza e olhar os fatos colocando a verdade acima das outras considerações .

 

 

 

 

 

 

 

 

Esse caminho precário nos força a pensar ,  [ ]

e nele os tombos e os tropeços são inevitáveis .

A roupa fica rasgada , a sola dos sapatos fura , o futuro é incerto ,

somos visitados pelo medo e pela incerteza – 

mas nossa alma cresce .

 

 

A caminhada em busca do conhecimento não se dá em um palco iluminado

e sob o aplauso das pessoas mais queridas por nós .

Ela é feita em um cenário complexo de luzes e sombras , sons e silêncios ,

orientações verdadeiras e falsas indicações .

 

 

A espiritualidade não existe afastada da vida . 

 

 

 

 

 

Se há espertalhões que mentem no mundo externo ,

há espertalhões que geram mitos no universo da busca espiritual .

Os indivíduos honestos são a maioria em ambas dimensões da vida ,

mas eles devem viver com os olhos abertos e com os ouvidos atentos ,

porque a vigilância é um preço a pagar pelo progresso em todos os aspectos da vida . 

 

 

 

O grau de honestidade de qualquer um de nós em relação aos outros é uma decorrência do nosso nível de honestidade com nós mesmos .

Quem engana os outros engana a si mesmo.

E quem engana a si mesmo , não tem motivos , nem meios ou instrumentos ,  para ser sincero com os outros.

Por isso , um dos primeiros passos de toda caminhada espiritual

é a decisão de ser  honesto consigo mesmo . 

 

 

A caminhada espiritual não é uma peça de teatro que se representa para os outros . 

É uma obra de alquimia em que você troca o tempo potencial de sua Vida

por experiência acumulada e sabedoria .

 

 

Você transmuta tempo e energia em saber .

 

O tempo que lhe é dado viver ,

 

 

assim como a energia vital correspondente a cada uma das nossas faixas etárias , são recursos naturais .

Mais do que isso .  São recursos naturais não – renováveis .

 

 

Para o alquimista espiritual ,

o tempo e a vitalidade são as grandes  matérias-primas do seu trabalho ,

e como tal não devem ser desperdiçados . 

 

 

Para evitar o desperdício ,  há uma coisa que é indispensável : o discernimento .

É ele que permite identificar o que é Mito e o que é Verdade ,

o que é  Folclore  e  o  que é  Fato ,

o que é Jogo de Cena  e o  que  é  a  lei  eterna ,

e assim nós evitamos jogar fora o tempo de vida que nos pertence  –

ao qual ,  sem dúvida  e  jogo de palavras :  pertencemos e ,

sem escapar de um mundo que só a nós pertence e ao qual  …  lúcidamente  …

sabemos que pertencemos também  …

 

 

 

Porque   Espiritualidade   é   Amor  . 

de

V e r d a d e

.

 

 

Desse modo , o corpo dança e convida o seu pensamento a dançar .

 

O tempo do trajeto é o instante , em que se realizam encontros e alinhavam – se  Devires .

 ao longo dos trajetos realizam-se devires , trânsitos intensivos , afetos .

A intensidade do que está por vir é um fogo que derrete o mutismo ;  uma dança onde os

pés são consumidos pelo calor do contato .

Devir é areia movediça que desequilibra mapa  e rota planejada

e marca no corpo desvios , passagens , transgressões .

Deleuze – Guattari

 

 

 

 

… quer ser beijado e aspirado pela sede do sol ;

quer tornar-se brisa e altura e caminho para a luz ; e luz ele próprio .

Em verdade é com um amor solar que amo a vida e todos os mares profundos .

 
E eis em que para mim consiste o Conhecimento :

 em aspirar tudo o que é profundo até à minha própria altura .

Nietzsche

Ilustrações :

Kazuki Takamats

Joy Ang

Robert C. Jackson

Citações :

Alice Valente

 

Fy

 

 

12 Comments »

  1. Porque mesmo quando eu n concordo inteiramente com vc, eu amo ler seus textos mais originais.

    O que é transcedente? A transcendência é o objetivo da arte: transcender o particular e alcançar o plural. Transcender o hoje e alcançar o amanhã.

    Quando eu escrevo um texto que te emocionou eu transcendi minha visão particular e alcancei você. Quando nos maravilhamos hoje com a estátua de Moisés, de Michelangelo, ele transcendeu o tempo.

    Simples assim.

    http://anarcoblog.wordpress.com/2008/07/10/love-me-chester/

    Você diz que os honestos são a maioria… concordo. Mas há um problema: os honestos não querem seguidores, hallellujahs, hosanas e aplausos. Os desonestos que querem. Nesse aspecto, um desonesto faz muito mais estrago que mil “honestos” são capazes de fazer.

    E digo mais: o que estamos ora chamando de “honestidade”, se me permite, beira a omissão. O mundo não precisa de mais “honestos”. O mundo não precisa de mais “bonzinhos”. O mundo não precisa de mais pais de família café-da-manhã-trabalho-almoço-jantar-filminho-sexo.

    O mundo precisa de pessoas melhores. De pessoas que mostrem que os desonestos existem, e que são reis nús.

    Quanto ao auto-engano… vale uma leitura no livreo do Gianetti “O Auto-Engano”… é eye opener.

    Quanto a todas as coisas das quais eu discordo… deixa elas pra lá, Luazinha.😉

    Comment by Anarcoplayba — 03/06/2010 @ 7:13 AM

  2. Quando eu escrevo um texto que te emocionou eu transcendi minha visão particular e alcancei você.

    it’s done.

    bjs

    Fy

    Comment by Fy — 03/06/2010 @ 7:47 AM

  3. Boa Tarde a todos,

    Fy, ainda não terminei o texto inteiro, estou na metade, mas parabéns pelo apelo.
    Concordo terminantemente com as palavras do Anarcoplayba logo acima.
    Qualquer pessoa que trabalhe na área que trabalho, a saúde, como voces sabem, sente na carne a irresponsabilidade moral da alienação. A imoralidade moral, desculpe a expressão, dos governantes, religiosos, e mesmo profissionais da área, e de quantos mais pudermos colocar na fila do ‘é melhor fechar os olhos’.
    Quantas vezes ouço ‘se Deus quiser’, ‘Deus quiz assim’ , será como Deus quiser’ e vejo crianças morrerem sem que fôsse preciso, caso houvesse um diagnóstico presuntivo, ou recursos decentes ao nosso alcance.
    Vou colar, esta frase do amigo, porque longe de ser um chargão, é um grito de socorro e urgência,

    O mundo precisa de pessoas melhores. De pessoas que mostrem que os desonestos existem, e que são reis nús.

    Olhe Anarcoplayba, as vezes a solidão moral é tão intensa quando se convive com a frieza e o desprezo pela vida que sou eu mesmo quem se sente o esquisito ou o nú.

    Vítor Simmonsen

    Comment by Vítor — 03/06/2010 @ 9:40 AM

  4. Saravá Zaratustra

    “Ontem a lua, ao nascer, pareceu-me que ia dar à luz um sol: tão avultada e prenhe jazia no horizonte.

    Mentia, porém, com a sua prenhez, e mais julgaria a lua homem do que mulher.

    Claro que também é muito pouco homem este tímido notâmbulo. Anda pelos telhados com a consciência turva.

    Que a solitária lua está cheia de cobiça e de inveja: cobiça a terra e todas as alegrias dos que amam.

    Nada; não me agrada esse gato dos telhados; previnem-me todos os que espreitam as janelas voltadas.

    De manso e silencioso anda por alfombras de estrelas; mas eu detesto todos os pés cautelosos em que nem mesmo as esporas tilintam.

    Os passos do homem leal falam; mas o gato anda em segredo. Vede: a lua caminha deslealmente como o gato.

    A vós, hipócritas afetados, que procurais o “conhecimento puro”, ofereço esta parábola. A vós eu chamo lascivos.

    Vós também amais a terra e tudo quanto é terrestre: compreendi-vos bem! O vosso amor, porém, envergonha-se com uma consciência tortuosa: pareceis-vos com a lua.

    O vosso espírito convenceu-se de que deve menosprezar tudo quanto é terreno; mas não se convenceram as vossas entranhas. Elas são, todavia, o mais forte que há em vós.

    E agora o vosso espírito envergonha-se de obedecer às vossas entranhas, e segue caminhos escusos e ilusórios para se livrar da sua própria vergonha.

    “Para mim seria a coisa mais elevada (assim diz a si mesmo o vosso falso espírito) olhar a vida sem cobiça, e não como cães, com a língua de fora.

    Ser feliz na contemplação, com a vontade morta, isento de capacidade e de apetite egoísta, frio de corpo, mas com os olhos embriagados de lua.

    Para mim seria o melhor (assim se engana a si mesmo o enganado) amar a terra como a luz a ama, e tocar na sua beleza apenas com os olhos.

    Eis o que eu chamo o imaculado conhecimento de todas as coisas: não querer das coisas mais do que poder estar diante delas”.

    Hipócritas afetados e lascivos! Falta-vos a inocência no desejo, e por isso caluniais o desejo!

    Vós não amais a terra como criadores, como geradores satisfeitos de criar.

    Onde há inocência? Onde há vontade de engendrar. E o que criar qualquer coisa superior a si mesmo, esse, para mim, tem a vontade mais pura.

    Onde há beleza? Onde é mister que eu queira com toda a minha vontade, onde eu quero amar e desaparecer, para que uma imagem não fique reduzida a uma simples imagem.

    Amar e desaparecer: são coisas que andam a par há eternidades. Querer amar é também estar pronto a morrer. Assim vos falo eu, covardes!

    Mas o vosso olhar ambíguo e afeminado quer ser contemplativo! E para vós, que maculais os nomes nobres, o que se pode tocar com olhos pusilânimes deve-se chamar “belo!”

    A vossa maldição, porém, — ó! imaculados que procurais o simples conhecimento! — há de ser nunca chegardes a dar à luz, por muito avultados e prenhes que apareçais no horizonte.

    Na verdade, encheis a boca de palavras nobres, e havíamos de crer que o vosso coração transborda, embusteiros?

    As minhas palavras, porém, são grosseiras, desprezadas e informes: a mim agrada-me recolher o que nos vossos festins cai da mesa.

    Com as minhas palavras chego sempre a dizer a verdade aos hipócritas! Sim, as minhas arestas, as minhas conchas e as minhas folhas espinhosas devem fazer-vos cócegas nos narizes, hipócritas!

    Sempre há ar viciado em redor de vós e dos vossos festins: porque no ar flutuam os vossos lascivos pensamentos, as vossas mentiras e as vossas dissimulações.

    Atreveis-vos, pois, em primeiro lugar a ter fé em vós mesmos — em vós e nas vossas entranhas! — o que não tem fé em si mesmo mente sempre.

    Pusesteis diante de vós a máscara de um deus, homens “puros”: a vossa ignominiosa e rasteira larva ocultou-se detrás da máscara de um deus.

    A verdade é que vos enganais, “contemplativos!” Zaratustra também foi joguete das vossas divinas peles; não suspeitou que eram serpentes que enchiam essa pele.

    Nos vossos divertimentos julgava eu ver divertir-se a alma de um deus, simples investigadores! Eu não conhecia arte melhor que os vossos artifícios!

    A vossa distância ocultava-me imundícies de serpente e maus cheiros, e eu não sabia que por aqui rondava, lasciva, a astúcia de um lagarto.

    Abeirei-me, porém, de vós: então chegou a mim a luz — e agora chega a vós; — os amores da lua estão no seu declive.

    Olhai-a. Aí a tendes surpreendida e pálida ante a aurora!

    Porque já surge ardente a aurora: o seu amor pela terra aproxima-se! Todo o amor solar é inocência e desejo do criador.

    Vede como a aurora passa impaciente pelo mar! Não sentis a sede e o cálido alento do seu amor?

    Quer aspirar o mar e beber as suas profundidades, e o desejo do mar eleva-se com mil ondas.

    Porque o mar quer ser beijado e aspirado pelo sol; quer tornar-se ar e altura e senda de luz também.

    Eu, à semelhança do sol, como a vida e todos os mares profundos.

    E tal é para mim o conhecimento: todo o profundo deve subir à minha altura”.

    Assim falava Zaratustra.

    esta tradução tá melhor, vê aí depois, Fy.

    beijo
    TocaYo

    Comment by TocaYo — 03/06/2010 @ 9:54 AM

  5. O Anarcoplayba falou tudo o que eu ia falar!
    O Vítor também, que saudade Vítor Simmonsen.
    Então só me resta dizer que o amor é espiritualidade.(aproveitando que ninguém disse… haha)
    E o pior é que tem gente que passa a vida inteira se “iniciando” , se escrafunchando, se escondendo do mundo ou escondendo o mundo embaixo da cama só pra “não” precisar entender que: espiritualidade é amor.
    Amor dá trabalho.
    Fingir que o mundo é uma m… que não existe, não d´´a.

    Bjões
    Ju

    Comment by Juliana — 03/06/2010 @ 10:21 AM

  6. gostei muito do texto.
    E, pensar que vou me formar em medicina o ano que vem, Vítor.
    É…
    Paulo

    Comment by Paulo — 03/06/2010 @ 10:52 AM

  7. Vamos descobrir o mundo juntos, baby… hmmmmmmm

    Comment by Elielson — 03/06/2010 @ 11:00 AM

    • Out – Loud :

      Adoro voce,

      Bjs

      Fy

      Comment by Fy — 03/06/2010 @ 11:19 AM

  8. Fy, moçada

    Que boa lembrança,Fy, linda música.

    Inclusive o próprio roteiro de OC tem a ver com mudanças , transformações , renovações, etc…

    Eu vou falar sobre algo que tem relação com o tema do post, que a Vanguarda. Palavrinha muito comum no meu tempo, mas que não tenho ouvido atualmente.Mas a transferência do termo por devir, não rouba e nem altera o resultado.
    Era ou foi muito usada como adjetivo em Arte , embora adjetivasse também outros conceitos.

    “A arte apresenta novas faces.
    Fala línguas novas.
    Cria vozes diferentes e novos gestos.
    Está farta de sempre falar a língua de ontem,
    do passado.”
    (HESSE, 1971:143)

    A palavra vanguarda, de origem francesa, significa “tudo aquilo que precede, anuncia, prepara”.
    Essa atitude abrange toda a atividade humana, encerrando o seu ímpeto, sua ânsia de invenção, de modificação da realidade,
    o impulso vital de enriquecer e aperfeiçoar seus instrumentos de inteligência e de ação.

    “Falar de vanguarda é falar do novo, do que se cria; é falar do que se pesquisa, do que se procura acrescentar ao mundo ou à experiência do homem.”
    (AVILA, 1969:59)

    A poesia, por exemplo, sempre houve poetas de vanguarda. São homens que tomam para si o papel de conduzir a sua arte para a renovação quando as formas em uso se tornam estanques.
    Sem eles, a arte ficaria estagnada.

    A poesia, aliás a Arte em geral, assim como a vida, deve ser capaz de exprimir o mundo em evolução, o devir muitas vezes ilógico que nos rodeia, as inquietações de espírito e as transformações materiais.

    Entretanto, à primeira vista, o poema de vanguarda, assim como o devir, é encarado como absurdo e exótico, por ferir o senso comum estabelecido.
    E, numa alusão ao que ocorreu naquele baú conservado à naftalina, como eu assinalei no outro post, o senso comum, bem comum,por sinal, é, sem dúvida um noir nostálgico, uma repetição metálica de estrofes arranhadas, como um LP do Cubi Peixoto encontrado num sótão semi destruido em New Orleans pós Katrina. Arranha.Desagrada.Incomoda. Não existe por sí. Retoma. E, não inova, não “balança” sabe como é?

    Mas, vanguarda ou devir, acaba convencendo, porque atende às imposições contemporâneas de síntese e concisão,chama para sí e é chamado atualizando e sendo atualizado no contínuum sempre atual do processo comunicativo.

    Afinal, mesmo que não se torne ou seja um erudito, presume-se que pra que o leitor se interesse por certos assuntos, tenha, alguma boa noção ou idéia sobre Historia.

    Assim sendo, a vanguarda e o devir propõem, concomitantemente, uma abertura semântica e conceitual atrelada a novas estruturas e soluções verbais, sempre de acordo com o contexto em que se vive.
    Portanto, vanguarda, devir, renovação, não é a aventura inconseqüente que a muitos beócios parece ser.
    É um fato real, incontestável , continuamente novo e vivo, sem o qual não se empreenderia a atividade humana , e óbvio, nem a literária.

    Mas, é surpreendente a limitação, a amargura, o enrigecimento em relação ao “que vem vindo”. A medida que você lê, tem a sensação de que está levando marteladas. E é óbvio, que atrairão o mesmo tipo de metamorfópticos ,(metamorfopsia: é um estado mórbido daquele que vê os objetos deformados).

    Abraço
    Se eu não pensasse como você Fy, invejaria, no bom sentido, a forma como você vê a vida e o ser humano.

    tio Gus

    Comment by Gustavo — 03/06/2010 @ 2:00 PM

  9. Oh, santa atividade intelectual.

    “A aceitação da realidade pode derrubar e destruir as nossas ilusões mais agradáveis .”

    Capciosa afirmação.
    (Me veio a imagem da Sra. Realidade andando por aí com um martelo na mão)

    É o ponto que eu me pergunto se ser honesto consigo traz sensação de real. Talvez uma breve visita da Sra. Satistafação, nada mais.

    (Sentir real, talvez, quando há um juízo sintético a priori do sujeito com o objeto, mas isso não seria justo)

    Comment by Thomas — 03/06/2010 @ 2:17 PM

    • Hi man,
      Playing words with you :

      É o ponto que eu me pergunto se ser honesto consigo traz sensação de real.

      penso que honestidade ou desonestidade são dois estados “reais”.
      Sensações … mais real impossível.

      (Sentir real, talvez, quando há um juízo sintético a priori do sujeito com o objeto, mas isso não seria justo)

      Não seria justo e seria irreal.

      E não é onde talvez faça falta a visita da tia Verdade? – verdade no sentido de simplicidade – : de real.

      E , na minha opinião , de essência – não aquela essência insatisfatória , desidentificada , rápida e sintética > como vc diz.

      Sintética > Hábito, medo , preguiça , Ah… vício besta , do presumidamente superficial.

      Desconectamos a realidade.

      O contrário do juízo sintético é o exercício da sensação.

      where we search true sensations?

      … é triste pensar , mas … talvez na fome que o sintético, rápido e superficial contato com a realidade provoca em nós?

      volto ao exercício da sensação. … perdemos, será?

      Onde nasce a imaginação?

      Perder o mundo é perder o desejo e o sonho.

      Fingir pra vida que não somos.

      E ser, não é dimensão estética do espaço real onde a natureza e a liberdade se encontram?

      Em toda a vastidão de sua real beleza? e na não- perfeição da beleza que eternamente transmuta o real?

      …Só em Aion e Cronos ‘revelados’ existe o acontecer do ritual de Eros: a arte.

      A imaginação é sensual e receptiva, estética , e por isto criadora. – porque nasce do real –

      A natureza e a liberdade : não são perfeitas : são reais . Por isto não são desonestas.

      Nãoénão?

      Bjs fy

      I was swimming in the Caribbean,

      “And I was hiding, behind the box,”

      Accept the little fish,
      And he told me,
      He was trying to talk to me, talk to me,
      Where is my mind?

      Comment by Fy — 04/06/2010 @ 3:26 AM

  10. Toda vez que eu me olho espelho
    Todas estas linhas no meu rosto se clareiam.
    O passado se foi,
    Passou como o crepúsculo à aurora.
    Não é desse jeito que
    Todo mundo tem que pagar suas dívidas na vida?

    Sim, eu sei que ninguém sabe
    De onde vem e para onde vai.
    Eu sei que é o pecado de todo mundo
    Você ter que perder para saber como vencer.

    Metade da minha vida está escrita em páginas de livros.
    Vivo e aprendo dos tolos e dos sábios.
    Você sabe que é verdade,
    Todas as coisas que você faz, voltam para você.
    Cante comigo, cante pelos anos,
    Canta pelo riso e cante pelas lágrimas,
    Cante comigo, se for apenas por hoje,
    Talvez amanhã o bom senhor o levará.

    (solo de guitarra)

    Bem, cante comigo, cante pelos anos,
    Canta pelo riso e cante pelas lágrimas,
    Cante comigo, se for apenas por hoje,
    Talvez amanhã o bom senhor o levará.

    Sonhe, sonhe, sonhe
    Sonhe consigo um sonho que se realiza.
    Sonhe, sonhe, sonhe,
    E sonhe até que seu sonho se realize.

    Sonhe! sonhe! sonhe! sonhe! sonhe! sonhe! sonhe!

    Cante comigo, cante pelos anos,
    Canta pelo riso e cante pelas lágrimas,
    Cante comigo, se for apenas por hoje,
    Talvez amanhã o bom senhor o levará.

    Cante comigo, cante pelos anos,
    Canta pelo riso e cante pelas lágrimas,
    Cante comigo, se for apenas por hoje,
    Talvez amanhã o bom senhor o levará.

    Azar de quem não comeu a maçâ!

    beijos
    Marianne

    Comment by Marianne — 03/06/2010 @ 3:43 PM


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