windmills by fy

11/06/2010

o empório celestial do conhecimento benevolente

Filed under: Uncategorized — Fy @ 11:47 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No one should read self pity or reproach into

the statement of the majesty of God ,

who with such exquisite irony

granted me books and blindness at one touch

Jorge Luis Borges

 

 

                                                                                                                                                                                                                                                    .

                                                                                                                                                                                                                                                    .

                                                                                                                                                                                                                                                    .

                                                                                                                                                                                                                             

                                                                                                                                                                                                                                                               

 

Segundo Borges , numa certa enciclopédia chinesa os animais estão classificados em :

 

 

 

 

a)  pertencentes  ao imperador,

b)  embalsamados ,

c)  domesticados ,

d)  leitões ,

e)  sereias ,

f)   fabulosos ,

g)  cães em liberdade ,

 h)  incluídos na presente  classificação ,

 i)  que se agitam como loucos,

j)  inumeráveis,

k)  desenhados com um pincel muito fino de pêlo de camelo,

l)  et  cetera,

m)  que acabam de quebrar a bilha ,

n)  que de longe parecem moscas .

 

 

 

As histórias de Jorge Luis Borges começam baixinho , suavemente .. .

Um narrador … , algumas vezes um homem falando por trás de sua simplicidade ,

outras vezes , um pouco pedante ,

ele começa a nos contar alguma história com uma voz tão suave

que seria preciso a intensidade de um  alto-falante ,

para nos fazer parar  e nos  inclinar mais para ouvir e nos abalar  por algo que ele tenha aprendido e que nos diz ,

 

 

.

 

 

e em algum momento, em alguma frase frase ou duas, começamos a compreender que este homem

está nos dizendo que algo que sempre foi considerado verdade …  

não é :  –  nem ” verdade ”    e  nem   ” sempre ” .

 

 

[ Borges , por tudo , estará sempre nos meus cinco melhores argumentos originais . ]

 

 

 

 

 

 

 

No deslumbramento dessa taxinomia ou ciência de classificação de seres vivos ,   [ desta  tal enciclopédia chinesa ] 

o que de súbito atingimos ,  graças ao apólogo [ analogia ]  , 

o que nos é indicado como o encanto exótico de um outro pensamento ,

é o limite do nosso velho : ” a impossibilidade patente de pensar isso ” .

 

 

.

 

 

 

Que coisa , pois , é impossível pensar ?  –  e de que impossibilidade se trata  ?

 

 

 

 

 

 

 …  não  –  não existem  impossibilidades   –  impossível é não pensar . 

mas … realmente elas são … inúmeras :

 

 

.

 … podemos  escolher …

 

 

 

Deste  texto de Borges nasceu um livro escrito por Foucault .

 

Do riso que , com sua leitura , perturba todas as familiarídades do pensamento — do ” nosso ”  pensamento  >

– nosso : daquele que tem nossa idade e nossa geografia  — ,

abalando todas as superfícies ordenadas

e todos os planos que tornam sensata para nós a … profusão dos seres ,

fazendo vacilar e inquietando , por muito tempo , nossa prática milenar do Mesmo e do Outro .

 

 

Les Mots et les Choses .

Une archéologie des sciences humaines

As Palavras  e  as  Coisas .

Uma arqueologia das ciências humanas .

 

 

Foucault défend la thèse que les conditions du discours changent au cours du temps

Foucault defende a tese de que as condições do discurso mudam com o decorrer do tempo. 

 

 

 

 

As Palavras e as Coisas   – antes de mais nada , um super   livro –   é o título – sério – de um problema ;

 é o  ” título – irônico ”   do trabalho que lhe modifica a forma ,

lhe desloca  os dados e revela , afinal de contas , uma tarefa inteiramente  diferente ,

que consiste em não mais tratar os discursos como

um conjuntos de signos  : elementos significantes que remetem a

conteúdos ou a representações , ou inúmeras interpretações ,

mas como  “ práticas ” : que formam sistematicamente os objetos de que falam .

Certamente os discursos são feitos de signos ; mas o que fazem é mais que

utilizar esses signos para designar coisas .

É esse  o  “ mais ” que os torna irredutíveis à língua e ao ato da fala .

 É esse “mais” que é preciso fazer aparecer e que é preciso descrever .

 

 É neste sentido que , em Foucault , aquilo que é dito não designa , não representa o que é visto .

 

Gilles Deleuze , em seu livro Foucault , apresenta importantes considerações sobre esta problemática .

 

Mas , na realidade , a intenção não é falar sobre Les Mots et les Choses de Foucault ,

a referência serve apenas para enfatizar o possível óbvio da diversidade –   

e , sobretudo , a distância que existe entre o que se discursa e a “ real” verdade ou significado das coisas .

Enfatizando , claro , e mais do que qualquer coisa , o também óbvio problema do “ Perigo ” que o Discurso representa .

 

Quando uma cadeira ” pode” deixar de ser uma cadeira ,

e nós pudermos discutir  alegando que é um  marzipan,

 teremos sérios problemas nos dentes e no estômago .

 

Sentir é básicamente subjetivo .

A Liberdade , claro , é inerente ao ser humano .

Mas a necessidade de se socializar também .

Obrigatoriamente teremos que lembrar a importância da Ética .

Ou , cedo ou tarde ,  ela nos lembrará  sua importância .

Por isto a necessidade , de uma linguagem básicamente coerente . Para que consigamos nos comunicar .

 

Ontem eu tive uma conversa com um amigo que me fez pensar .

Pensar que se pode interpretar uma coisa , depois de escrita ,  de diferentes e antagônicas  formas.

E , que talvez o perigo não esteja em nossas interpretações diferentes ,

 e sim no fato de  acreditar que se pode significar de formas tão diferentes , uma mesma coisa .

 

Então me pergunto, será que não seria importante que os resultados destas interpretações falassem por si 

e respondessem esta pergunta ou tantas outras ?

Claro que esta seria uma super ilusão minha.

Se isto fôsse possível , se o homem percebesse através de sua própria experiência ,

não veríamos um terço das barbaridades que vemos , ainda , hoje em dia.

Barbaridades que me incomodam , como ser humano , a quem foi dada a capacidade não só de pensar , aleatóriamente ,

 mas de Ver também .

De Sentir .

De Saber .

 

 

 

Outro dia eu li uma frase linda do Cado Selbach , lá no facebook , 

 – a poesia é pele .  e a pele é o mais profundo de todos os órgãos .

 

Então pergunto , sentir na pele , no sentido exato da palavra , seria suportável ,

quando buscamos em certos discursos , a solução ou o exemplo ?

Analisamos os resultados e as consequências  da prática destes discursos ?

 

Ah … , é uma boa pergunta .

E uma boa lembrança , porque o perigo de certos discursos , não ameaça só a casa do vizinho , … sempre.

 

.

 

Por coincidência , hoje ,  vi no blog do Pablo Vilaça  um excelente vídeo ,

feito pelo Leandro  ” Copperfield ”  Braga homenageando Martin Scorsese e Stanley Kubrick .

Excelente trabalho .

Mas não deixa de ser um roteiro  excelente para as consequências de uma série de discursos ,

que já deveríamos ter analisado … melhor :

 

Vodpod videos no longer available.

 

Quantas descrições daqueles animais da tal  enciclopédia chinesa não conseguimos encontrar aqui , neste filme ?

 

E , melhor legenda para a maioria das cenas  do que alguma destas  :

 

 
 
 
 
 

Julgará entre as nações; enchê-las-á de cadáveres; quebrantará as cabeças por toda a terra.

Quando o Senhor teu Deus colocá-los diante de ti , deverás golpeá-los e destruí-los implacavelmente ;

Não farás qualquer acordo com eles nem mostrarás qualquer piedade .

 

 

 

Deixemos as crianças sem pais e as mulheres viúvas ;

deixemos as crianças permanecer dispersas e pedindo ;

deixemos que elas procurem seu pão fora de seus lugares desolados ;

deixemos os que saqueadores subtraiam tudo o que têm ,

e deixemos que o estrangeiro estrague seu trabalho ;

deixemos que ninguém tenha piedade delas , e não deixemos que ninguém ajude as crianças órfãs .

 

E , assim , deuses  e  deuse$ continuam com discursos , perigosos.

E nós , sem pensar : nem nas palavras e nem nas coisas .

Como elas ,  real e simplesmente ,  são.

 

 

 É neste sentido que , em Foucault , aquilo que é dito não designa , não representa o que é visto .

 

–  Este post tem muito a ver com o meu  primeiro    OUT & ABOUT    : https://windmillsbyfy.wordpress.com/2010/01/10/out-about-3/ –

– acabei de perceber … –  legal dar uma olhadinha .

 

 

 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

Ilustrações :

Alyz

Pesquisa:

Les Mots et Les Choses

Michel Foucault

Bible

 

 

Fy

 

 

 

 

 

more about “Kubrick vs Scorsese“, posted with vodpod

8 Comments »

  1. Yep , muito bom.

    Não tenho perdido nenhum post.
    Gosto do movimento.

    Fy , você conhece o Livro dos Seres Imaginários, de Borges ?

    Ele descreve uma maldição criada pelo “Imperador Amarelo”, que manteve um outro mundo confinado dentro de superfícies refletoras do nosso próprio mundo. Mas também revela como, um dia, esta maldição seria quebrada.
    O mundo dos espelhos e o mundo dos homens não eram, como agora, isolados um do outro.
    E também eram diferentes. Nem os seres, nem as cores, nem as formas eram as mesmas de um mundo para o outro. Ambos os reinos, o especular e o humano, viviam em paz, podia-se passar por uma porta entre eles.
    Uma noite, o povo do espelho invadiu a Terra. Sua força foi grande, mas depois de muitas batalhas, “as artes mágicas” do Imperador Amarelo prevaleceram.
    Ele empurrou para trás os invasores, aprisionando-os nos espelhos, e os forçou a repetir, como se fôssem sonâmbulos, todos os atos do homem. Ele tirou-lhes a sua força e sua forma e os reduziu a meros reflexos servis. hehehe
    No entanto, segundo Borges e o seu livro, um dia eles vão despertar deste sonho mágico. O primeiro a despertar será o peixe. No fundo do espelho, vamos observar uma linha frágil, e a cor da linha será uma cor nunca vista. As outras formas o seguirão. Gradualmente, vão se diferenciar dos homens, gradualmente, eles deixarão de imitar. Eles vão quebrar as barreiras de vidro ou metal, e desta vez, não serão derrotados …
    Eu me questiono muito depois que li este livro.

    De que lado do espelho nós estamos?

    passo e, passeiporaqui.
    logo mais, faço questão de ____torcer com voce.

    Comment by passeiporaqui — 11/06/2010 @ 3:31 PM

  2. Muito oportuna a colocação do Passeiporaqui.
    Uma rara analogia, poderíamos até chamar de fábula,”esbanjando” a sofisticada simplicidade de G.L. Borges.
    Também recomendo.

    Fy, vou ‘colar’ , algumas passagens do Windmills, sobre Deleuze, pra que agente possa “alivanhar” estes retalhos, e, ir aos poucos percebendo este quadro tão fascinante e vanguardista quanto desconstrutor, e sobretudo, renovador.
    Perceba o quanto um filósofo influenciou o outro neste segmento:

    O que a história apreende do acontecimento é a sua efetuação em estados de coisas ,
    mas o acontecimento no seu devir escapa à história.

    A história não é a experimentação ,
    é apenas o conjunto das condições quase negativas
    que tornam “possível” a experimentação de alguma coisa que : escapa à história .

    Sem a história a experimentação permaneceria indeterminada ,
    incondicionada ,
    mas : a experimentação não é histórica .

    O tempo do trajeto é o instante , em que se realizam encontros e alinhavam – se Devires .

    ao longo dos trajetos realizam-se devires , trânsitos intensivos , afetos .

    Acusado de assassinar a história, pois não oferece qualquer causalidade entre duas epistèmês sucessivas mostrando nada mais que imobilidades desprovidas de sujeitos, Foucault respondeu em tom irônico:

    “não se assassina a história, mas assassinar a história dos filósofos, esta sim eu quero assassinar”.

    E o que seria esta história dos filósofos que sua arqueologia recusa tão veemente?

    “A história para filósofos é uma espécie de grande e vasta continuidade onde vêm se emaranhar a liberdade dos indivíduos e as determinações econômicas ou sociais”.

    É, deste modo, em recusa a este tipo de história quase mitológica da continuidade onde se emaranham liberdades individuais e causalidades sociais que a arqueologia de Foucault vem se colocar.

    Beijo
    Abraço a todos,

    tio Gus

    Comment by Gustavo — 12/06/2010 @ 2:28 AM

  3. Gustavo,

    Eu não li este livro de Foucault e, sinceramente coneço mais as idéias de Foucault através das viagens de Deleuze, que eu curto muito.

    Mas, nesta mesma levada, assim entendo, o próprio título Mil Platôs já assinala esta influência.

    Segundo o que eu entendí de Foucaut “por Deleuze”, a evidência maior para Foucault não é tanto o descontínuo, ou a descontinuidade, por si só, mas a dispersão da continuidade: “o que eu quis estabelecer é justo o contrário de uma descontinuidade, já que evidenciei a própria forma da passagem de um estado ao outro”. (Foucault)

    O que permite a ” mutação histórica “, o fato de “a lgo deixar de ser para que algo diferente lhe tome o lugar “,

    isto é, “a passagem absoluta de um estado ao outro “, aí é o lugar desta arqueologia.

    Gostou da arqueologia né tiozão?

    Abraço aê.

    TocaYo

    Fy, dá uma olhada no Acid.
    Beijo

    Comment by Tocayo — 12/06/2010 @ 2:36 AM

  4. Fy

    Muito legal o vídeo.foi o Chris que achou?

    Comment by Tocayo — 12/06/2010 @ 2:38 AM

  5. Por aí, TocaYo, isto.

    Eu só lamento “gastar” Foucault ou Deleuze, por causa de bíblia, muito embora esta influência “impingida” há séculos atrás, em uma cultura totalmente e secularmente diferente da nossa tenha realmente se mantido e gerado todas as “transcendentais” centralizações de poder, a ponto de termos um capitalismo adoentado, emfêrmo, porque “afetado” por esta manobra, absolutamente política, chamada religião.

    Voltando a Foucault/Deleuze e Cia. fazendo uma alusão ao termo escolhido e tão bem colocado de Foucault, a arqueologia. Só uma observação, que se “alivanhada” a esta brincadeira de palavras passa a compor um significado interessante : Ingold, como lembrei em outro post afirma:

    “as histórias, ajudam a des-cobrir o mundo, e não cobri-lo com camadas de significado”

    Caso não conseguíssemos trazer a tona, este tipo de consideração, só não CONSEGUIRÍAMOS “DIZÊ-LA” , uma vez que o devir se manifesta naturalmente, num movimento inerente a qualquer coisa que exista quer alguem queira, quer não.

    Negar esta evidência é des-argumentar. É a tal da “fé” exigida por qualquer desvairio exigido por qualquer religião: “o tal do “é” que não admite raciocínio. Em consequência, estaríamos na idade da escuridão ainda. Parados no tempo e no espaço. Uma vez que as tais das religiões já haviam “estabelecido” o significado do mundo e do homem.

    É neste exato “ponto” que a “arqueologia das ciências humanas”, marca um deslocamento teórico em relação à “arqueologia da alienação” no que se refere ao caráter dado à descontinuidade.

    Vamos lá que eu me empolguei:( um parágrafo pertinente e muito interessante)

    O conceito de descontinuidade, “conceito operatório”, é, em A arqueologia do Saber, desenvolvido de maneira incisiva.

    Com a história das ciências, mais precisamente com Martial Gueroult, Gaston Bachelard e, principalmente, como mostra Roberto Machado, Gerorges Canguilhem, acontece UMA MUTAÇÃO NAS DISCIPLINAS HISTÓRICAS quando o descontínuo passa de obstáculo à prática:

    é tanto objeto quanto instrumento da análise histórica.

    Mais do que isso, uma nova forma de história vem a ser praticada EM CONTRAPARTIDA à história tradicional e sua ampliação da periodização histórica que ISOLA (importantíssimo este conceito, exemplificando: o desastre emocional, humano, financeiro, político, científico, etc… ocasionado pela construção do muro de Berlim,etc…)) ISOLA ( EVITA), na forma de longa-durações, grandes continuidades.

    Deste modo, “o problema não é mais a tradição e o rastro, mas o recorte e o limite;

    NÃO É MAIS O FUNDAMENTO QUE SE “PERPETUA”, E SIM AS TRANSFORMAÇÕES QUE VALEM COMO FUNDAÇÃO E RENOVAÇÃO DOS FUNDAMENTOS”.

    Muito bom este parágrafo, vale uma reflexão em todas as áreas interessantes ao homem.

    São conceitos essencialmente “uranianos” como repetem a Bia e o Renato. Uraniano como o Windmills, como a aquariana Renovação, como o aquariano devir.

    Abraço amigo

    tio Gus

    Comment by Gustavo — 12/06/2010 @ 3:25 AM

  6. Pra começar sou Aquariano também.

    Êta mundo velho sem porteira!

    Gustavo e Tocayo, tudo a ver com a minha área, pôcha: Comunicação.

    A inovação do Discurso e da Técnica, a adaptação contínua entre um e outro.

    Deleuze, Les Mots e lles Choses, são matéria obrigatória e imprescindível na minha área.

    Uma palhinha, porque tô espremido no horário:

    Este texto busca problematizar algumas observações concernentes à questão da
    comunicação na contemporaneidade, bem como propor um certo recorte de trabalho
    dentro da produção do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995), de acordo com suas
    possíveis contribuições no tocante a um tal debate.
    Num segundo momento, tecemos comentários acerca de certas especificidades de seu pensamento.

    As inúmeras tentativas atuais de se pensar a Comunicação são convocadas pelo contexto contínuo e veloz das inovações tecnológicas, contexto que é o nosso, que nos afeta, e que parece bastante alicerçado nestes suportes maquinais que são ditos de Comunicação.

    O assunto está na ordem do dia. Percorramos algumas de suas vias mais correntes:

    O termo designa, em geral, o ato de transmitir e trocar signos e mensagens, referindo-se mais além à circulação de bens e pessoas.

    De forma mais ampla, ele se aplica aos processos técnicos de transmissão e troca de mensagens que vieram com a imprensa, o rádio, a televisão, os satélites (…)
    Afora isso, a Comunicação Social supõe um plano interpessoal, um plano mediatizado (executado por empresas) e um plano institucionalizado (transmissão cultural, social etc).

    Estamos justamente diante de perspectivas que enfatizam o lado empírico e visível, a fala vazia e a palavra de ordem, o senso comum do problema, tudo aquilo de que queremos, com Deleuze, nos evadir.

    Ciro Marcondes Filho diz que se trata, em geral, de conceituações tecnocráticas do ato comunicativo, que apenas traduzem, numa
    perspectiva oficial e conservadora, a incomunicabilidade patente que marca as sociedades atuais.

    Lucien Sfez estende uma tal condição ao âmbito majoritário dos estudos da área, quando declara a existência de uma patologia das teorias de Comunicação, na medida em que valorizariam um cogito tautológico como verificação (tipo: “repito, logo provo”) aliado a um certo encerramento surdo e solipsista, conjunção que o teórico designa por tautismo e que não teria outra saída senão o crédito em um “deus” “computacional” e na religião de uma comunicação vazia.

    Ao que tudo indica, na sociedade de Comunicação, e mesmo nos seus departamentos acadêmicos, muito pouco se comunica.

    Para divisar ainda mais a complexidade deste contexto, atentemos então para a imensa proliferação de aportes teóricos que desembarcam seu arsenal na área de pesquisas acadêmicas que se convencionou chamar de Comunicação.
    Antropólogos,filósofos, lingüistas, psicanalistas, críticos literários, sociólogos, cientistas da Computação, entre outros, têm se interessado pelo setor, tão recente (pelo menos institucionalmente) quanto já variado.
    Vejamos:

    (…) é preciso aceitar e acolher o caráter polimórfico desse objeto.

    Se para Eduardo Neiva, a essência do objeto são os problemas lógicos, não será menos válida, por exemplo, a perspectiva de Umberto Eco, para quem todo ato de Comunicação é um ato Cultural.

    Lógica, linguagem, cultura e imagem são apenas algumas das interseções que surgem no interior do campo múltiplo da
    comunicação.

    O que tem ocorrido de modo rápido e quase inexorável com a Comunicação –certamente porque a área acabou muito potencializada e visada em função dos avanços tecnológicos e dos maquinários que lhe dizem respeito – provavelmente também se dá (ou está por se dar) em outros setores de estudos.

    Isto tudo nos parece um nítido sintoma da contemporaneidade, quando cada vez mais se evidencia – eis o fato principal em
    jogo – a densidade, a multiplicidade, “o caráter polimórfico” do real.

    E, no entanto, há uma tônica muito forte, em grande parte dos departamentos de Comunicação, vinculada a um estéril discurso tecnicista e objetivista, possível nostalgia de um absoluto que ainda deixa suas sombras…

    Consideremos também que a busca por esse discurso positivo e acabado quanto à comunicação talvez não esteja tão afastado do
    seu outro, o avesso ressentido que costuma se manifestar sob as formas de um niilismo radical (“nada é possível”) ou, quando não, de um anything goes (“tudo é possível”).

    Como pois escapar destes discursos totalmente positivos (de um lado), niilistas ou cínicos (de outro), e tentar problematizar – de perto, com o mínimo possível de abstrações e com o rigor devido – a multiplicidade que se nos apresenta?

    Eis uma questão que, de uma maneira ou de outra, formulada muito diversamente, se interpõe a praticamente todas as áreas do conhecimento.

    Optamos e apostamos na especificidade da comunicação como um problema filosófico. Grosso modo, perguntamos: como é possível que nos comuniquemos?

    Em termos conceituais, que condições facultam uma comunicação?

    O que seria, enfim, tal comunicação?

    Que ontologia seria capaz de dar sustentação a esse fenômeno?

    Quais as conseqüências pragmáticas de uma tal conceituação?

    É certo que caminhos para estas interrogações devem cruzar, em variados instantes, com o que examinávamos há pouco.

    O trabalho de Gilles Deleuze nos parece uma trilha profícua diante do conjunto de problemas expostos. Nesta produção, se sucedem e se entrelaçam, apenas para citar alguns dos casos mais patentes, teorias da diferença, da expressão, do desejo, das multiplicidades, da sensação, da dobra…

    Por aí,

    Abraço
    beijo aí Fy

    mais uma vez, gostei demais.

    Comment by João Pedro — 12/06/2010 @ 3:50 AM

  7. Esqueci de assinar

    João Pedro.

    Tô véio.

    Comment by João Pedro — 12/06/2010 @ 3:51 AM

  8. Salve a facul!

    Resumindo:
    Em propaganda agente aprende tudo isso na faculdade,e depois trabalha tudo isto na prática,ou fica pra tráz. Não é um “vai ficando”,
    fica instantaneamente pra tráz.
    Mesmo que voce percorra objetos ultrapassados, o veículo é sempre uma nova expressão.Que precisa ser manifesta em novos discursos,o que,altera inevitavelmente o significado do objeto.
    Foucault é um cara que durante a vida cresceu e modificou seu próprio discurso várias vezes, sempre antenado no mundo e nos movimentos políticos,sociais,etc. Não é um cara fácil de se compreender,pastei na facul,mas é como todo o gênio,é genial.

    Tio Gus,te adoro, viu?
    E não consigo ir embora!
    bjinhos que a noite é uma criança
    e a Juju tambem.
    fui.

    Comment by juliana — 12/06/2010 @ 12:29 PM


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