windmills by fy

19/06/2010

hoje … o mundo ficou mais burro … e mais cego

Filed under: Uncategorized — Fy @ 7:53 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A lucidez naquele grau é um privilégio de poucos, não consigo escapar do clichê mas definitivamente o mundo ficou ainda mais burro e ainda mais cego hoje.

Fernando Meirelles

 

 

Morre   José  Saramago .

.

 

 

 

 

A  FLOR  MAIS  GRANDE  DO  MUNDO

 

 

 

 

 

 

 

 

.

.

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Saramago   e   Sebastião Salgado

 

 

 

 

– em :

 não é fácil abrir os olhos

não é fácil participar

é mais fácil:

a espiritualidade do não-ser

o palavrismo vazio do religiosismo inumano .

A verdade nos torna vulneráveis.

Com ela, somos forçados a deixar de lado situações sobre as quais antes comodamente nos enganávamos – ou, pelo menos,

…  fingíamos que nos enganávamos.

Assim, o cego mais astucioso é aquele que prefere não ver, e uma boa parte de nós está nesse caso.

É como se pensássemos : “ é melhor não saber de certas coisas ” .  

Todo conhecimento direto implica uma responsabilidade e um perigo, e às vezes fugimos do perigo buscando refúgio na segurança dos mitos e da ignorância.

.

Há ainda outro aspecto no processo de produção de brumas e ilusões.

É mais fácil seguir as velhas trilhas do pensamento conhecido, das ações repetidas, dos pontos de vista estabelecidos. 

Temos a tendência a ver a vida como algo imóvel, ou como algo cujo movimento é sempre o mesmo e não admite inovações. 

.

.

.

 

 

 

Saramago, nesta manhã:

 

Na ilha por vezes habitada

 

 

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

[ o Gustavo trouxe pra cá ] 

.

 

 

– Mais contribuições : – em portugues de Portugal:

 

 

 

ressalvas

Na verdade, acreditarmos que o mundo muda todos os dias e todas as horas, não significa que dispensemos que algumas balizas sejam traçadas por quem pensa e sabe pensar.

A prática há-de sempre distanciar-se da teoria. Porque um homem e as suas palavras não são sempre a sua vida. Sobretudo, não são a vida dos outros.

Dito isto, acho muito bonito que algumas traduções estrangeiras do Memorial do Convento tenham o título Baltazar e Blimunda.

É redutor, claro. Mas a nossa perspectiva é sempre nossa e por isso, é sempre pequena.

menina alice

 

 

 

– também de menina Alice :

 

 

 

Hermandad

Octavio Paz
Homenaje a Claudio Ptolomeo

 

Soy hombre: duro poco
Y es enorme la noche.
Pero miro hacia arriba:
Las estrellas escriben.
Sin entender compreendo:
También soy escritura
Y en este mismo instante
Alguien me deletrea.

.

 

 

 

 

 

 

Recebí   –  agora à noitinha  –  de  Alice Valente       – Portugal –  :

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fy

19 Comments »

  1. Morreu. Isso mesmo, com todas as letras, morreu.

    Comment by Thomas — 19/06/2010 @ 1:05 PM

    • É sim, Thomas,- melhor : foi mesmo, com todas as letras.

      Mas pra morrer tem de ser mesmo com todas as letras. Se bem que é possível e não incomum quase-morrer : deve ser uma letra faltando, esquecida… e a pessoa “zumbiza” até encontrar.

      Saramago foi um cara que não zumbizou. Viveu e habitou cada letra que escreveu.

      E é um cara que incomoda. Distoa do tédio instalado.

      Não é maioria.

      Eu sei que incomoda.

      Bjs

      Fy

      Comment by Fy — 19/06/2010 @ 3:22 PM

  2. Grande escritor,poeta, pensador polêmico, e desconstrutor, sem a menor dúvida.
    Impressionante é a inescrupolosa propaganda política em cima da morte de uma personalidade rara como esta. Pobre mesmo.
    A uol e seus verbetes “pagos”, me lembrou muito os discursos “construídos” discutidos em Les Mots e les Choses.O velho “faire paraître physiquement différent” apontado por Foucault.
    Saramago defendia Cuba.
    Eu também ou qualquer pessoa com um minimo de sanidade ou respeito humano escreveria a mesma coisa.
    Quem não defende Cuba? Só mesmo o PT. O PT defende os Castro. A leitura do artigo “semi” esclarece o verbete “malicioso”, “pago”,certamente.

    O Comunismo defendido por Saramago, é o mesmo que defendemos, uma UTOPIA; uma Democracia onde direitos sejam iguais; onde haja respeito pelo homem, de uma maneira geral. Um filho dileto do Socialismo, – nada mais “cristão” – ou originalmente advindo de das idéias deste Cristo que o catolicismo aponta como exemplo.
    Claro que parece desconcertante que uma mente tão poderosa como a de Saramago não evidencie o fato de que o Comunismo se tornou o FILHO BASTARDO de qualquer ideologia, tão degenerado quanto as religiões que ele tanto combatia.

    Desconcertante porque o mesmo discurso anti-religioso é perfeitamente ajustavel ao combate destes sistemas centralizadores de poder.
    Sem deixar de apontar sua ojeriza pelo governo de Portugal, a proibição da edição de seu livro, etc…. São ideossincrasias sim.

    Não resisto a traçar um paralelo e um paradoxo entre seu discurso sobre a infame e verdadeira ideologia igrejística e a tanto quanto vergonhosa infâmia dos sistemas políticos comunistas ou ditatoriais.

    Vamos de Foucault então, que em “Vigiar e Punir” me auxilia na exposição deste ponto de vista.

    O objetivo de Foucault, em VIGIAR E PUNIR , é descrever a história do poder de punir como história da prisão. Assim, demonstrando a natureza política do poder de punir, o suplício do corpo do estilo medieval (roda, fogueira etc.) é um ritual público de dominação pelo terror: o objeto da pena criminal é o corpo do condenado, mas o objetivo da pena criminal é a massa do povo, convocado para testemunhar a vitória do soberano sobre o criminoso, o rebelde que ousou desafiar o poder.

    O processo medieval é inquisitorial e secreto: uma sucessão de interrogatórios dirigidos para a confissão, sob juramento ou sob tortura, em completa ignorância da acusação e das provas; mas a execução penal é pública, porque o sofrimento do condenado, mensurado para reproduzir a atrocidade do crime, é um ritual político de Controle Social pelo Medo.
    (excelente leitura)

    ASSIM SE INTRODUZIU O QUE CONHECEMOS COMO RELIGIÃO.
    ASSIM SE INTRODUZIU O QUE CONHECEMOS COMO COMUNISMO OU SOCIALISMO.
    ASSIM SE MANTÉM A LONGEVIDADE DESTES SISTEMAS.
    ASSIM SE MANTÉM O CONTROLE SOCIAL ATRAVÉS DO E “DE” MEDOS.

    e convém lembrar novamente deste alerta Foucaultiano:
    “aquilo que é dito não designa , não representa o que é visto.”

    Nada mais exato que traçar este paralelo, Poder é Poder, e é o único objetivo destas religiões ou filosofias anestesiantes e ameaçadoras, assim como dos governos ditatoriais. Ambas se disseminam e se disfarçam através de “doces e enganadores” discursos, quando não o fazem em vômitos de ameaças descomunais.

    Utopias são impraticáveis. O próprio substantivo as define.

    Ser a favor do comunismo e lutar pela liberdade de expressão, é inquestionavelmente um paradoxo.De onde se deduz, sem muito esforço que ele defendia uma utopia.

    Mas, perdemos um escritor ilustre, um gênio sem dúvida, e gênios, como voce disse não são maioria; e nem sempre é fácil o acesso ao alcance de suas idéias.

    Lamentávelmente, o mundo fica mais burro e mais cego.

    beijos

    (tio) Renato

    uma recordação, e minha homenagem:

    Protopoema

    Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos
    nós cegos, puxo um fio que me aparece solto.

    Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os
    dedos.

    É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limos,
    e tem a macieza quente do lodo vivo.

    É um rio.

    Corre-me nas mãos, agora molhadas.

    Toda a água me passa entre as palmas abertas, e de
    repente não sei se as águas nascem de mim, ou para
    mim fluem.

    Continuo a puxar, não já memória apenas, mas o
    próprio corpo do rio.

    Sobre a minha pele navegam barcos, e sou também os
    barcos e o céu que os cobre e os altos choupos que
    vagarosamente deslizam sobre a película luminosa
    dos olhos.

    Nadam-me peixes no sangue e oscilam entre duas
    águas como os apelos imprecisos da memória.

    Sinto a força dos braços e a vara que os prolonga.

    Ao fundo do rio e de mim, desce como um lento e
    firme pulsar do coração.

    Agora o céu está mais perto e mudou de cor.

    É todo ele verde e sonoro porque de ramo em ramo
    acorda o canto das aves.

    E quando num largo espaço o barco se detém, o meu
    corpo despido brilha debaixo do sol, entre o
    esplendor maior que acende a superfície das águas.

    Aí se fundem numa só verdade as lembranças confusas
    da memória e o vulto subitamente anunciado do
    futuro.

    Uma ave sem nome desce donde não sei e vai pousar
    calada sobre a proa rigorosa do barco.

    Imóvel, espero que toda a água se banhe de azul e que
    as aves digam nos ramos por que são altos os
    choupos e rumorosas as suas folhas.

    Então, corpo de barco e de rio na dimensão do homem,
    sigo adiante para o fulvo remanso que as espadas
    verticais circundam.

    Aí, três palmos enterrarei a minha vara até à pedra
    viva.

    Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se
    juntarem às mãos.

    Depois saberei tudo.

    Saramago

    Comment by Renato — 20/06/2010 @ 1:33 AM

    • Renato ,

      Concordo sim, com tudo. E vale lembrar que ele morreu com 90 anos. Teve uma infância miserável, e deve ter passado por incontáveis injustiças sociais. Talvez , por ser tão genialmente lúcido , seja difícel compreender o que ele entendia por Comunismo. Eu acredito que ele apostava em um sistema – bem lúcido – e diferente do que conhecemos por este termo : o terror.
      Mas vale apontar que ele ria desta atual democracia. – Que aliás , fez com que ele caísse fora de Portugal : indignado com a falta de liberdade.

      Saramago , era um gênio. – e , auto didata. [ o que … a grossíssimo – vergonhoso – e estúpido modo, é um prato cheio p/ os absurdos analfabetos do Lula. infelizmente]

      bjs

      Fy

      – lindo o poema – eu tenho alguns , vou colocar.

      Comment by Fy — 22/06/2010 @ 12:24 AM

  3. ‘ Saramago chega aos céus, mantinha na face o profundo interesse de sempre.

    Encontra os portões dourados, educadamente pede licença, avança um pouco pelo planalto nuvenesco, em direção a uma colina, tudo cheirava a onisciência.

    Fez-se ouvir uma voz, um tanto rouca e juvenil, de alguém que está sempre a brincar com seus convidados: “Alto, quem vem lá? Identifique-se, forasteiro!”

    De pronto, com e como um português nada desconcertado, o velho homem de terno replicou: “Eu que venho, e basta.”
    “Ora, se não é José?” Com uma fingida surpresa, respondeu a colina. “Veio dar umas voltas em minha casa? Faça-se em casa, logo serviremos o jantar.”

    Saramago tomou a idéia de nuvem, moldou-a em cadeira. “Ouvi dizer que sua hospitalidade nunca foi das melhores, apesar de nunca ter acreditado.”

    “Bom, isso se dá com outros, você é meu hóspede. Ficará por alguns tempos, espero.” A fingida simpatia era clara.
    Limpando as lentes: “Cá você tem uma moradia bem peculiar, cerca-se de si, não é cansativo?”

    Agora via bem a colina, uma cara jovem, uns braços roliços, um Boticheli todo torto, rodeado de nuvens, com toda sua fingidez. “A única coisa da qual me canso são poetas. Você consegue imaginar o porquê…” Arreganhou um sorriso mais falso que uma virgem parindo: “Minhas defesas à parte, falaremos da sua. Pode começar.”

    Os olhos atrás dos óculos encheram-se de compreensão, “Começo pelo fim, morri e não há defesa maior que essa. Você me fez nascer, eu me fiz morrer. Estamos acertados.”

    A jovem face, com braços roliços, demonstrou sinceras surpresas, talvez a primeira dos céus. Tentando mostrar-se esperto: “Mas, mas… Mas eu sabia que iria dizer isso. Sou onipresente, onisciente.” Suas desculpas escaparam. “E… e, e é isso. Pronto.” Convenceu-se da própria onipotência, apesar do desengonçar de sua postura.

    Saramago levantou-se, num gesto indefinido entre reverência e preocupação que se tem com uma criança machucada se pôs a andar para o portão. Enquanto fazia-se ouvir a pretensiosa voz: “Não, e tenho mais a dizer, sei que você parte daqui, sei também para onde vai…”

    Enquanto ia-se “E sei também que:” e a auto-afirmação repercutia no nada “E sempre soube que você:” celeste, seu semblante não “Sei o que desejas” era mais de profundo interesse. Transfigurou para “E sempre tive certeza a seu respeito.” ‘

    Escrevi aqui, e aqui posto, já que a aqui essa história pertence, pequena caixa de comentários.
    E tudo tinha começado como um simples comentário.

    Comment by Thomas — 21/06/2010 @ 10:52 AM

    • Escrevi aqui, e aqui posto, já que a aqui essa história pertence, pequena caixa de comentários.
      E tudo tinha começado como um simples comentário.-

      Se for pra vc escrever assim, vou encher isto aqui de pequenos comentários, ahahahah !

      Saramago era ateu.

      Não é o que eu sou.

      Sou atéia deste deus cristão, ou católico, ou hebraico, como preferirem – e de outros também.

      O que me surpreende , e claro, sei que não é um previlégio particular , é o quanto esta palhaçada de religião ou religiões , ou ainda filosofias religiosas, ainda afeta , afetam o mundo em detrimento do Homem.

      Eu sempre partilhei este espanto com Saramago , que entre outros, o descreve tão bem , tão simples e claramente.

      Para o seu comment:

      … cada vez mais …, o estranho mundo criado por Carroll passa a ter coerência.

      Follow mw here:

      https://windmillsbyfy.wordpress.com/2010/01/10/out-about-3/

      bjs

      Fy

      Comment by Fy — 21/06/2010 @ 11:59 PM

  4. Boa tarde Windmills,

    Fy, Renato, Thomas,

    Mesmo que tenhamos sido presenteados com boa parte destes 90 anos, Saramago deixou uma lacuna vazia e difícel de ser preenchida.
    Do que eu lí de Saramago,gostei muito do Memorial do Convento. Eu me lembrei,depois que lí o comentário do Renato,procurei uma análise sobre o livro e vou colocar aqui. Acho que vai de encontro às conclusões do Renato,e caso alguem não tenha lido,vai despertar a curiosidade,é outro excelente trabalho de Saramago.

    O objetivo do estudo é considerar que o memorial do convento de josé saramago é um gênero da sátira minipéia. Assim, fez-se uma pesquisa bibliográfica exploratória acerca do Romance Histórico e na obra objeto de estudo para evidenciar as novas concepções de criação histórica. Pelas considerações encontradas foi relevante expor sobre o sagrado e a sua dessacralização e mostrar os princípios dos questionamentos do homem, como uma revisão de conhecimentos e não aceitação de determinados valores. Feita as comparações devidas, segue a análise das particularidades minipèicas encontradas no MC. Conclui pela análise que a obra se caracteriza como um gênero da sátira minipéia.

    Lendo o romance memorial do convento de josé saramago , observa-se que o autor tem uma forma singular de construir o romance, pois suscita inovações no fazer literário. Por isso, o objetivo deste estudo é analisá-lo, não de forma ampla, atenta ao superficial, mas em um sentido que seja algo inovador, que vá além de simples crítica literária, de apontar os elementos estruturais. Destarte, a obra referida passa a ser o corpus de análise, sendo referência para elucidar propósitos destoantes do tradicional.
    Com essa visão, desperta a vontade de reler as múltiplas insinuações que o objeto de estudo recebe de vários estudiosos, que o caracteriza como um gênero meramente carnavalizado. Encaixa neste gênero, quando se compara este com outro romance histórico que antes elevava os que estavam no trono, e deixa de mostrar o que realmente acontecia. Na concepção de josé Fernandes (2007, p.11) “A colocação da história na estória, ou da História na história, sem que a segunda lembre a primeira, constitui uma forma de o narrador esconder verdades que não devem ou não podem ser ditas claramente”. A carnavalização faz essa abertura de fatos reais, através de procedimentos ilógicos e jocosos, assim, expõe a verdade viva.

    Para entender a sátira Minipeia é preciso mostrar a evolução do romance, sua literatura em cada determinada época, trajetória dentro de uma cultura, ou mesmo fora dela. Fica evidente que sofreu acrescentadas leituras com o tempo e recebeu camadas e mais camadas de significações, produzidas historicamente. Esse procedimento aconteceu num permanente confronto com os demais textos da cultura por onde trafegou, ou conduziu-se por uma dinâmica que, independente do autor ou de outras vontades individuais, foram acopladas ao fazer literário em cada fase de sua evolução. Segundo Afonso Sant’Anna (apud, GOMES, 2005), nota-se que novas nomenclaturas surgem através dos processos narrativos, ou seja, as intertextualidades, diálogo de uma narrativa com outra, que se dá por meio de paráfrase, estilização, paródia e apropriação.

    Depois da exposição de várias particularidades da sátira minipéia, percebe-se que memorial do convento está afirmado no gênero sátira minipéia, porque o narrador coloca a elevação, e logo em seguida a destrona, e esse processo ajuda na aproximação do leitor, pois mostra a realidade portuguesa, quem está no poder e se coloca acima do bem e do mal, ditando as regras e as imposições e os dessacralizam. É uma releitura histórica que o autor propõe para “dar o grito” que está entalado na garganta de tantos portugueses.
    josé saramago procura menipeicamente transpor a ação carnavalesca da “coroação-destronamento”, ditada por Bakhtin, dando um toque mais que especial em sua literatura, a valorização dos excluídos, os subordinados às classes dominantes. E nada mais propício que usar características da sátira Menipéia para associar a ação dessacralizadora de sua diegese, pois é na enunciação que a veemência biunívoca “coroação-descoroação” se estabelece. É neste momento que se reafirma a transformação de uma na outra, assume o sentido maior de sua obra, pois a ascese culmina a dessacralização e a sátira minipéia se instala.

    Estudar MC é fazer uma reavaliação dos valores de uma sociedade. É uma alegoria de vários segmentos da sociedade, como: a política, a religião e outros, que regem o processo social. E o processo minipéico, que se instaura na obra, serve de pano de fundo alegórico para dissipar tantos valores que estão elevados, que permite ainda no mundo moderno o desnivelamento social. Então, nada melhor que discutir este romance como um gênero da sátira minipéia para valorizar as margens.

    Abraço a todos,

    Vítor Simmonsen

    Comment by Vitor — 22/06/2010 @ 1:43 AM

    • Oh Vítor , não lí.
      Ah que vontade! – mas eu estou terminando o Les mots et les choses, depois do ” Pena que foi ontem ” do Caio – que quem não leu ainda : tem mais é que ler , senão não posso falar sobre ele, a não ser que supera … – .

      Pareá, eu vi outro dia na Sky, o making off de uma propaganda da coca-cola, se não me engano , que vai mais ou manos de encontro a este tal ” a ação carnavalesca da “coroação-destronamento”, ditada por Bakhtin ” -.

      Acheeei :

      Vítor, é por aí ? ou falei besteira ?
      ahahahahah

      beijos

      Fy

      Comment by Fy — 22/06/2010 @ 7:09 AM

  5. É arrepiante pensar num Lula “emitindo” qualquer tipo de grunhido sobre Saramago. Ainda mais nesta fase de “cubanização” brasileira.
    Saramago teve, querendo ou não, sua primeira decepção com o comunismo através das barbaridades castristas, assassino déspota e ídolo deste cuzão que taí enfiando o Brasil em confusões cada vez mais comprometedoras.

    A expressão auto-didata, sériamente atingiu o âmago de sua Ignorância. Prato cheio, como voce diz. É nítidamente impossível que este salafro saiba a diferença entre Ignorância e Autodidatismo.

    Eu reservei 20 frases [ sou mais filho da puta que ele hehehe]que definem o conceito e o distancia da Ignorância colocada como virtude no discurso de safados.

    20 frases-sínteses que nos oferecem mais subsídios para o entendimento do autodidatismo:

    01. Auto. Assim como só existe autocura, também só existe a auto-educação.

    02. Professor. O melhor professor é o autodidata: aquele que oferece um bom exemplo aos seus alunos.

    03. Aluno. O melhor aluno é o autodidata: aquele que aprende mesmo sem a presença do professor.

    04. Aula. A melhor aula é aquela que ensina como ser uma pessoa autodidata de assuntos prioritários.

    05. Autonomia. O autodidata é o sujeito que tirou nota 10 no teste de admissão da autonomia intelectual.

    06. Fobias. Para ser autodidata é preciso vencer pelo menos estes 3 medos: bibliofobia, grafofobia e neofobia.

    07. Obstáculos. Os 2 maiores obstáculos para o autodidatismo são: preguiça mental e desorganização.

    08. Manias. O autodidata tem pelo menos 3 manias saudáveis: mania de perguntar, de ler, e de anotar.

    09. Saúde. O autodidatismo mantém o cérebro em forma, contribui para a flexibilidade mental e deixa a memória em dia.

    10. Investimento. Para ser autodidata é preciso investir tempo, dinheiro, espaço e sobretudo energia.

    11. Método. Com o passar do tempo, a pessoa autodidata irá desenvolver um método próprio para estudar.

    12. Aproveitamento. O universitário-autodidata aproveita muito mais o curso do que o estudante tradicional.

    13. Valor. Os saberes acumulados pelo autodidata podem valer mais que um simples diploma acadêmico.

    14. Polimatia. Através do autodidatismo é possível a consciência torna-se um especialista-generalista.

    15. Final. O autodidatismo, assim como a vida sexual e a tenepes (tarefa energética pessoal), é para ser feito até o final da vida.

    16. Teática. O autodidatismo pode ser teático, isto é, 1% teórico e 99% prático.

    17. Completude. O autodidata completo é aquele que aplica no cotidiano os conhecimentos que estuda.

    18. Vida. Inteligente é a pessoa que faz de seu dia-a-dia um laboratório, e de sua vida uma escola-evolutiva.

    19. Autopesquisa é o nome dado ao autodidatismo cuja matéria principal é o próprio autodidata.

    20. Auto-renovação. Façamos de nosso autodidatismo a mola-propulsora para nossas renovações íntimas.

    Alguem pode discutir ou grunhir em relação à Autonomia Intelectual de Saramago ?

    Façamos uma reflexão em relação a este tipo de Autonomia Intelectual em países “comunistas” ou sob regimes “ditatoriais” ou em medíocres cérebros atingidos pelas religiões ou filosofias transcedentalistas . Clica no Google. A repetição é massiva, pobre, e miseravelmente igual. Do budismo, ao catolicismo, da tão desgastada cabala ao mais barato esoterismo, fora o Jungismo que entrou na dança; o Carnaval é bizarro e repetitivo.

    Em qualquer entrada voce lê Nietzsche por exemplo justificando verdadeiras aberrações. A não-imaginação ou a falta total dela via “condicionamento” tentando suprir um franco apetite ignorante pela sensação, através da identificação com crenças irracionais e descartáveis.

    Sem dúvida, temos aí um Paradoxo.

    beijo, Fy

    João Pedro

    Comment by João Pedro — 22/06/2010 @ 2:36 AM

    • Sr Pedro !

      Viu porque eu quero um post ?

      – Sem dúvida, temos aí um Paradoxo. –

      Temos muitos paradoxos, – óbvios – paradoxos.

      Imagine o que seria se todos adotassem esta postura do não-pensar ? ou da passividade do não-ser.

      As pessoas vivem cobrindo estas idéias com milhões de significados com milhões de interpretações, uma mais disparatada que a outra. Defendendo o ponto de vista da Inércia. Aliás, o mais óbvio intuito de todo e qualquer regime totalitário. Ou de qualquer “pastor” de rebanhos. Quem deseja uma ovelha de outra cor ?

      Ou alguem que ouse trabalhar : autodidaticamente > ui, existe isto? – em cima do que existe ou do que aprendeu ?

      Como disse o Gustavo : um urra! pra o não-pensar. E outro pra o não-ser.

      bjs

      Fy

      Comment by Fy — 22/06/2010 @ 7:30 AM

  6. Parabéns João Pedro.
    Excelente e rico comentário.
    Eu não vou falar em Lula pra não estragar a alegria da vitória do Brasil. (incrível como um esporte consegue unir emoções e nos unir em torno de um ideal, sem polemizar).

    Suas palavras também vão de encontro à dificuldade com a qual lida a Ignorância e seus limitados recursos em conceber o homem e o tal do si-mesmo, com um fenômeno temporário em contradição com a constante experiência subjetiva e objetiva de continuidade da consciência.

    Esta verdadeira visão do Eu em que que ele se baseia no caos , ainda aleatório, na verdade, (vide os últimos fenômenos climáticos), que faz o universo existir e se comportar como se comporta.

    Neste tipo de visão, praticamente mágica, o Eu não tem um centro, não é uma unidade, mas um conjunto de peças, e qualquer número delas podem temporariamente se unir para chamarem-se de ‘Eu’.

    Isto sim concorda com a observação de que nossa experiência objetiva ou subjetiva consiste de nossos vários eus experimentando uns aos outros.

    O livre-arbítrio surge tanto como um resultado de um litígio entre os nossos diversos eus como também como uma súbita criação aleatória de uma nova idéia ou opção.

    Nesta visão ‘sobretudo REAL, porém mágica’ de Eu não há a divisão espírito/matéria ou mente/corpo, e os paradoxos do livre-arbítrio e determinismo desaparecem.

    Alguns dos nossos atos resultam de escolhas aleatórias entre as opções condicionadas e alguns de escolhas condicionadas entre as opções aleatórias.

    Na prática, a maioria dos nossos atos são baseados nas comuns e complexas seqüências hierárquicas desses mecanismos. Sempre que um de nossos eus proclama ‘Eu fiz isso! ” bem alto, a maioria dos outros eus acaba achando que eles fizeram isso também.

    Do ponto de vista do eu transcendental, vítima deste transcentalismo vulgar e arroz com feijão que se tem lido, e usado como bom-bril (como diz a Fy) o Eu-Pensante passa a ser acusado de prisioneiro do orgulho do intelecto, é vítima da arrogância do ‘demônio’ ao mesmo tempo que a visão diversificada do Eu é também considerada demoníaca. E aqui deixo um sonoro HURRA! para a Ignorância!

    O mais comum e, sem dúvida até engraçado, é que o termo: transcendentalista , completamente fashion na feira da Globo, por exemplo entre outros, apresenta um EU totalmente obcecado por suposições sem fundamento da realidade, e acusa o Eu diversificado como sendo como sendo infantil e incoerente. Isto temperado com uma hilária atribuição de importância descabidamente exagerada a alguns dos eus que eles chamam de Deus ou deuses. Uma total miscelânia de conceitos, que acabam numa palhaçada absurda entre a Ignorância e a Pretensão. Como acabamos de assistir neste espetáculo pobre daquele blog da bacia das almas, onde mais uma vez a Ignorância e a Limitação desempenham seu único papel: a Apelação: seu mais comum e desonesto recurso. Hauhauuhahhau.

    Em última análise é uma questão de bom gosto.
    E às vezes, como constatamos, de Honestidade.
    A sempre simples e nua Honestidade.

    Abraço em cada um, e boas vindas ao Frio.

    Saramago, nesta manhã:

    Na ilha por vezes habitada

    Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
    manhãs e madrugadas em que não precisamos
    morrer.
    Então sabemos tudo do que foi e será.
    O mundo aparece explicado definitivamente e entra
    em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
    palavras que a significam.
    Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
    mãos.
    Com doçura.
    Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
    vontade e os limites.
    Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
    sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
    mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
    ossos dela.
    Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
    como a água, a pedra e a raiz.
    Cada um de nós é por enquanto a vida.
    Isso nos baste.

    tio Gus

    Comment by Gustavo — 22/06/2010 @ 3:26 AM

    • Em última análise é uma questão de bom gosto.
      E às vezes, como constatamos, de Honestidade.
      A sempre simples e nua Honestidade. –

      ah … se é!

      Gus , eu vou colocar esta poesia no post tá bem ?

      Linda – linda.

      bjs

      Fy

      Comment by Fy — 22/06/2010 @ 7:32 AM

  7. Buenas tio Gus,

    Parabéns a voce. Ao Renato, ao Thomas, e todos. À Alice Valente, sem dúvida.
    Pra variar o tio Gus eclarecedor.
    Escrever aqui, tem uma vantagem incrível, eu não tinha experimentado isto antes, assim com tanto prazer, eu me refiro a este desenvolvimento que um simples ponto de vista pode ter, como mencionou o Thomas lá em cima.

    “O livre-arbítrio surge tanto como um resultado de um litígio entre os nossos diversos eus como também como uma súbita criação aleatória de uma nova idéia ou opção.

    Nesta visão ‘sobretudo REAL, porém mágica’ de Eu não há a divisão espírito/matéria ou mente/corpo, e os paradoxos do livre-arbítrio e determinismo desaparecem.”

    Isto é uma arte, Gustavo. Esta visão é holística real e producente. Permite sobretudo que o cérebro funcione livremente, sem demagogias ou amarras.

    Permite que o subconsciente ou seja lá o que for funcione como um elemento inspirador, onde o ilógico deixa de ser ameaçador ou assustador e passa a ser contribuidor.

    Me lembrei de um lance bem legal algo sobre isto, depois coloco aqui, mas por agora encontrei um bom texto sobre o autodidatismo, é meio relacionado com minha profissão, mas a idéia em si é extensivamente proveitosa:

    São muitas pessoas que não abrem mão deste titulo “autodidata” por nada deste mundo (eu sou uma delas), pessoas como: Bill Gates (Fundador da Microsoft), Alexander Graham Bell (Cineasta e Inventor), Stanley Kubrick (Cineasta), Woody Allen (Cineasta, Músico, Roteirista, Escritor), Henry Ford (Fundador da Ford), Charles Dickens (Romancista), Walt Disney (Cineasta, Produtor e Animador), Albert Einstein (Físico Renomado), Jimi Hendrix (Guitarrista, Cantor, Compositor e Produtor), John Bonham (Ex-Baterista do Led Zeppelin), José Saramago (Escritor), Machado de Assis (Escritor) entre outros (porém são os que mais lutaram por sua “história de vida” que listei aqui).

    Ser um autodidata é uma ligação direta com sua história de vida, o início de tudo aquilo que você acredita, aquilo que você conhece profundamente e ao mesmo tempo de quem ama o que faz. Isto é ser um autodidata.

    Conceitos, idéias e técnicas são mero status ou até mesmo uma “vaidade humana” para classificar seres limitados na arte de aprender onde buscam um mero papel recheado de “palavras e frases que não mudam em nada sua paixão, e sim classificam um(a) profissional sem paixão ou não, o chamado Certificado”

    Vou partir de uma crítica construtiva à essência da Arte Gráfica, como exemplo, as técnicas, o conceito, as idéias e o que há de mais importante na Arte Gráfica : Você e suas “coisas”.

    As coisas são feitas de idéias e conceitos onde você é a esfera, e técnicas são invenções de tempos passados por pessoas como você ou eu , pessoas dedicadas, autodidatas natos.

    Entendendo por excelência a essência da profissão “Designer Gráfico”, um “Designer Gráfico” que normalmente rejeita este titulo , continuará com o termo “Autodidata”: um cara valente com sensibilidade de menino criativo que vive em um mundo de cores, formas e coisas, coisas estas que são feitas de idéias e conceitos não acadêmicos. Acredite… Todos nós somos autodidatas, mas a diferença é que alguns preferem títulos, certificados, aplausos.
    Enquanto outros, simplesmente preferem ser Autodidatas, mesmo carregando seu certficado, e trabalhar com uma grande paixão e conhecimento profundo nas cores e formas chamadas de “Arte Gráfica” ou “Arte Visual”, chame como preferir, mas seja um autodidata em sua essência e não perca as oportunidades que a vida lhe traz. Elas são poucas e valiosas, com um certificado ou não ela tem seu valor, faz voce aprender e valorizar cada oportunidade como se fôsse a primeira.

    Definição de um Designer Gráfico:

    Designer gráfico é a forma de comunicar, passar um conceito visual, transformar uma “coisa” que é feita de conceitos e idéias para estruturar, dar forma à informação visual. Isto é ser um designer gráfico. Estruturar, dar forma à informação visual, ou seja, a essência de um trabalho que está ligada aos objetivos de cada cliente , chame isto de “coisa” .

    Experimente trabalhar com uma “coisa” e coisas são feitas de idéias e conceitos, sendo assim, transforme, estruture, dê forma à informação, dê um visual à informação que você fará um trabalho chamado “Arte Visual ou Designer Gráfico”.

    Tão fácil como escolher entre sal e açúcar com os olhos fechados usando seu paladar. Isto é ser um “Autodidata” usar os sentidos como “arte” e experiência de vida como “visual”.

    Um trabalho possui três pontos predominantes: um conceito, uma idéia e uma informação. O nosso papel nisto tudo é; comunicar, transformar, passar um conceito, passar uma idéia, dar forma, cores à informação transformando-a em informação visual.

    Não basta ser bonito e com cores certas no lugar certo, o seu trabalho deve ter paixão, emoção, sensibilidade, detalhes, passar pelo coração, passar pela vaidade, passar pela vontade, pelo sonho, pelo amor, pela dificuldade, pela superação.

    Se o seu trabalho possibilita esta viagem por meio da informação visual que você criou em 30 segundos, seu trabalho será uma obra de arte que valerá o que os olhos de pessoas “certificadas” classificam como “trabalho bem feito”, mas todos poderão ver seu real valor e há muitos que observam atentamente isto tudo.

    Darei uma dica para você, mude seu conceito de cores e aposte em “vida”, cores e formas com “vida” que suas “coisas” tomarão formas inesperadas aos seus olhos e isto levará outros em uma viagem citada acima, esta viagem é a diferença entre um autodidata e um profissional, somos iguais aos olhos e diferentes na alma.

    Isto se chama “Arte” em nosso meio de sobrevivência, uma misturada feita com nossa paixão e dedicação.
    Somos amantes da arte, nada consegue mudar isto. Arte é coisa do coração. E sobretudo do coração liberto e sua total compatibilidade com uma mente liberta.

    Abraço aê Gustavo, pessoal,

    beijo, Fy

    João Pedro

    Comment by João Pedro — 22/06/2010 @ 4:33 AM

    • Pedro,

      Isto é um post!

      puxa quanta coisa incrível. Salve o Saramago!

      bjs

      Fy

      Comment by Fy — 22/06/2010 @ 7:34 AM

  8. lucidez:

    Só direi,
    Crispadamente recolhido e mudo,
    Que quem se cala quando me calei
    Não poderá morrer sem dizer tudo.

    Saramago

    abraço aê,

    TocaYo

    Comment by TocaYo — 22/06/2010 @ 12:59 PM

  9. Autodidatas?

    Somos mesmo sem querer.

    e o mundo ficou mais burro e mais cego.

    Marianne

    beijos para todos.

    Comment by Marianne — 22/06/2010 @ 2:58 PM

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