windmills by fy

19/07/2010

thousand nights … million days …

Filed under: Uncategorized — Fy @ 10:24 AM

 

 

 

 

 

 

 

Falar  em  mil  noites  é  falar  em  infinitas  noites  .

 

e   dizer  : 

 

Mil  e  Uma  Noites  é  acrescentar  uma – 

além …  do infinito .

 

Jorge Luis Borges

 

 

 

 

 

 

 

E assim são , ou deveriam ser as histórias .

Todas as histórias .

 

 

Além de nos conduzir ao infinito ,

elas nos fazem viajar através dos segredos dos povos , caminhar na imaginação das épocas ,

 percorrendo os caminhos   que nos trouxeram  até aqui.

E é também por isto que gosto cada vez mais e mais da palavra Discernimento .

Gosto mesmo .

Às vezes , acho que esqueceram esta palavrinha sábia em algum canto do mundo ,

e aí então as pessoas resoveram  falar …  e … falar sobre o que quisessem   :   sem precisar dela  .

É . . .  eu sei que é mais fácil .

Eu defendo a liberdade de expressão com corpo e alma .

Mas , com a tal da palavrinha abandonada em um canto obscuro qualquer ,

a tal Liberdade de Expressão , tão cara a todos nós , torna-se Liberdade de Burrice :  a Liberdade do  Besteirol .

Verdade . . .

A Liberdade é linda e total . Mas … ” adquire-se ” . Cada vez mais . 

Veja bem : pra que haja Discernimento , é preciso que haja Conhecimento .

Sem Conhecimento , não é possível Discernir .

E , sem conhecimento , sem discernimento , emitir opiniões é até um ato agressivo , além de muiiito chato .

Eu acho . . .

Mas , como já constatamos , ocorre o contrário nos sistemas ditatoriais , opressivos :

as fábricas de : Falta de Discernimento  ou de Liberdade .

A história de Mikhail Afanasievitch Bulgákov  me impressionou .

Pena que a Historia , os fatos , enfim aquilo que já vivemos em nossa trajetória  como humanos ,

seja tão relegado à inutilidade, quando não classificado como “ cultura inútil ”   –  

ou encarcerado numa estranha e barata compreensão de Inconsciente Coletivo :

onde os fatos são transformados em tijolos –não – perecíveis ameaçando-nos  fantasmagóricamente … –

Bulgákov passou uma vida escondendo sua obra-prima com “ medo ”   > muito medo :  da censura – da proibição .

 

 

Com igual e muito séria tristeza ,  sabe-se  históricamente  que  muitos outros gênios foram agredidos pelo mesmo Mal .

Os irmãos Grimm – por exemplo –  que colecionavam contos de fadas dos últimos séculos ,

tiveram extremas dificuldades , pois os informantes : os contadores de lendas , de histórias ;     

“ PURIFICAVAM ”   >  aiaiai >    as histórias com ” MEDO ”   de seus   “ irmãos ”   religiosos .

Exatamente o mesmo medo que Bugákov , e todo um país,  sentia por Stalin ,

ou os cubanos , atualmente sentem pelos irmãos Castro :

o ídolo do tal atual  presidente daqui  .

O  blog de  Yoani Sánchez,  “Generación Y ,  – [ por favor não deixem de visitar – antes de votar  ]    –

a mais popular blogueira de Cuba , Yoani Sánchez, ameaçada e perseguida pelas  autoridades cubanas ,

cujo blog crítico “geração Y”  recebe nada menos que por volta de   1,2 milhão de visitas por mês ,  

e  está hospedado em um servidor alemão.

 HAVANA (Reuters).

 

 

Mas os próprios irmãos Grimm , segundo estudos ,

parecem ter continuado esta tradição religiosa  usurpadora

e   “ cobriam ”   antigos símbolos pagãos com outros : … cristãos … –

de tal modo que uma velha curandeira , em algum conto , passava a ser uma bruxa perversa , –

um espírito transformava-se em um anjo , –

um véu ou coifa iniciática tornava-se um lenço , –

ou uma criança chamada Bela [ nome costumeiro para a criança nascida durante os festejos de solstício ]

era rebatizada de   SCHMERZENREICH : DOLOROSA  .    [ETA turminha doentia  ! ]

Os elementos sexuais eram OMITIDOS . [ castrados ]

Animais e criaturas prestimosas eram transformados em demônios e espíritos do mal .

E assim estes usurpadores religiosos infectaram a Cultura …   –  abismada e estarrecida  –  ,

de nossas antigas tradições e estebeleceram seu despótico  deus bipolar .

 

 

Entre outras obras de arte , eu me lembrei desta também única ,

maravilhosa  coletânea de histórias fascinantes  

inventadas e preservadas na tradição oral pelos povos da Pérsia e da Índia.

E qual foi  a minha surpresa  – ainda sinto estas coisas –  :  

triste surpresa ao saber que Antoine Galland   … que durante toda sua vida ,

foi um homem de costumes simples , tanto que  deixou um diário em que testemunha a paixão pelo Saber e pela Verdade ,

também omitiu ,  < ! ! !  >  retirou do texto as passagens picantes para não chocar seus contemporâneos .  

Puro medo : Galland foi um escritor francês nascido no século XVII,

responsável por introduzir no Ocidente inúmeras histórias de tradição oral do Oriente .

Galland nasceu em uma família de camponeses na província de Somme, em 1646 . Não é preciso explicar mais nada  .

Através dele , As Mil e Uma Noites  tornaram-se conhecidas no Ocidente .

O sucesso foi imediato , sendo até hoje a sua a tradução mais famosa , ainda que não escrupulosamente fiel ao original .

 

 

 

Ainda assim , neste domingo de chuva e mais chuva ,

não é um presente admirar a beleza destes contos , que se eternizaram  ?  ,

e que supõem , em sua dinâmica toda uma sensualidade

que  não conseguiu ser agredida ,   …      porque como disse Bulgákov :

Os Manuscritos não Queimam.

 

 

Eu escolhi uma artista que acho sensacional 

e que  retrata os segredos de Sherazade  ao encantar   seu sultão  Shariar , é a Michelle Araújo : Mia.

Também mais que retratados num show de beleza e interpretação  do Igor Kolb  e  Jiyeon Ryu ,

bailarinos do  Mariinsky Ballet : em Scheherazade   – de  Nikolay Rimsky-Korsakov

grande compositor e notável orquestrador  russo,  que possuía uma certa queda por utilizar temas de contos de fada : 

 ilustrando o Rubens Alves  num texto apaixonante .

 

– Go on :

 

 

 

 

 

 

–  Los siglos pasan y la gente sigue escuchando la voz de Sha-harazad  –

Jorge Luis Borges

 

 

 

The centuries go by  and we are still hearing the voice of Scheherazade .

Os séculos passam e continuamos a ouvir a voz de Sherazade .

 

 

 

 

 

 

 

O   Segredo   das   Mil   e   Uma   Noites

                                                                                     Rubens  Alves

 

 

 Estou me entregando ao prazer ocioso de reler  : As mil e uma noites .

O encantamento começa com o título que , nas palavras de Jorge Luis Borges , é um dos mais belos do mundo .

Segundo ele , a sua beleza particular se deve ao fato de que a palavra mil é , para nós , quase sinônimo de infinito .

.

 ” Falar em mil noites é falar em infinitas noites . E dizer mil e uma noites é acrescentar uma além do infinito . “

 

As mil e uma noites são a estória de um amor   –   um amor que não acaba nunca .

Não existe ali lugar para os versos imortais do Vinícius  ( tão belos que o próprio Diabo citou em sua polêmica com o Criador ) :

 ” Que não seja eterno ,  posto que é chama  , mas que seja infinito enquanto dure … “

Estas são palavras de alguém que já sente o sopro do vento que dentro em pouco apagará a vela :

declaração de amor que anuncia uma despedida .

.

 

Mas é isto que quem ama não aceita .

Mesmo aqueles em quem a chama se apagou sonham em ouvir de alguém , um dia , as palavras que Heine escreveu para uma mulher :

” Eu te amarei eternamente e ainda depois . “

.

É preciso que a chama não se apague nunca , mesmo que a vela vá se consumindo .

A arte de amar é a arte de não deixar que a chama se apague .

Não se deve deixar a luz dormir .

É preciso se apressar em acordá-la   ( Bachelard )  .

E , coisa curiosa : a mesma chama que o vento impetuoso apaga volta a se acender pela carícia do sopro suave …

.

 

As mil e uma noites são uma estória da luta entre o vento impetuoso e o sopro suave .

Ela revela o segredo do amor que não se apaga nunca .

.

 

 

 

 

 

Um sultão , descobrindo-se traído pela esposa a quem amava perdidamente , toma uma decisão cruel .

 Não podia viver sem o amor de uma mulher .

Mas também não podia suportar a possibilidade da traição .

Resolve , então , que iria se casar com as moças mais belas dos seus domínios ,

mas depois da primeira noite de amor , mandaria decapitá-las .

Assim o amor se renovaria a cada dia em todo o seu vigor de fogo impetuoso ,

sem nenhum sopro de infidelidade que pudesse apagá-lo .

 

Espalham-se logo , pelo reino , as notícias das coisas terríveis que aconteciam no palácio real :

as jovens desapareciam , logo depois da noite nupcial .

 

Sherazade , filha do vizir , procura então o seu pai e lhe anuncia sua espantosa decisão :

desejava tomar-se esposa do sultão .

O pai , desesperado ,  lhe revela o triste destino que a aguardava , pois ele mesmo era quem cuidava das execuções .

Mas a jovem se mantém irredutível .

.

.

.

 

A forma como o texto descreve a jovem Sherazade é reveladora .

Quase nada diz sobre sua beleza .

Faz silêncio total sobre o seu virtuosismo erótico .

Mas conta que ela lera livros de toda espécie , que havia memorizado grande quantidade de poemas e narrativas ,

que decorara os provérbios populares e as sentenças dos filósofos .

.

.

.

 

E Sherazade se casa com o sultão .

Realizados os atos de amor físico que acontecem nas noites de núpcias ,

quando o fogo do amor carnal já se esgotara no corpo do esposo ,

quando só restava esperar o raiar do dia para que a jovem fosse sacrificada ,

ela começa a falar .

Conta estórias .

Suas palavras penetram os ouvidos vaginais do sultão .

Suavemente  …  como música . 

O ouvido é feminino , vazio que espera e acolhe , que se permite ser penetrado .

A fala é masculina , algo que cresce e penetra nos vazios da alma .

Segundo antiga tradição , foi assim que o deus humano foi concebido : pelo sopro poético do Verbo divino ,

penetrando os ouvidos encantados e acolhedores de uma Virgem .

.

 

O corpo é um lugar maravilhoso de delícias .

Mas Sherazade sabia que todo amor construído sobre as delícias do corpo tem vida breve .

A chama se apaga tão logo o corpo se tenha esvaziado do seu fogo .

O seu triste destino é ser decapitado pela madrugada :

não é eterno , posto que é chama .

E então , quando as chamas dos corpos já se haviam apagado , Sherazade sopra suavemente .

Fala .

Erotiza os vazios adormecidos do sultão .

Acorda o mundo mágico da fantasia .

Cada estória contém uma outra , dentro de si , infinitamente .

Não há um orgasmo que ponha fim ao desejo .

E ela lhe parece bela , como nenhuma outra .

Porque uma pessoa é bela , não pela beleza dela , mas pela beleza nossa que se reflete nela …

[ ou pela beleza que ela é capaz de  refletir ]

.

 

 

 

Conta a estória que o sultão , encantado pelas estórias de Sherazade , foi adiando a execução , por mil e uma noites , eternamente e …    um dia mais .

.

 

 

 Não se trata de uma estória de amor , entre outras .

É  ,   ao contrário  ,  a estória do nascimento e da vida do amor .

O amor vive neste sutil fio de conversação , balançando-se entre a boca e o ouvido .

A Sônia Braga , ao final do documentário de celebração dos 60 anos do Tom Jobim ,

disse que o Tom era o homem que toda mulher gostaria de ter .

E explicou :   ” Porque ele é masculino e feminino ao mesmo tempo … ”

o segredo do amor é a androgenia : somos todos , homens e mulheres , masculinos e femininos ao mesmo tempo .

É preciso saber ouvir .

Acolher .

Deixar que o outro entre dentro da gente .

Ouvir em silêncio .

Sem expulsá-lo por meio de argumentos e contra-razões .

Nada mais fatal contra o amor que a resposta rápida .

Alfanje que decapita .

 

Há pessoas muito velhas cujos ouvidos ainda são virginais : nunca foram penetrados .

E é preciso saber falar .

Há certas falas que são um estupro .

Somente sabem falar os que sabem fazer silêncio e ouvir .

E , sobretudo , os que se dedicam à difícil arte de adivinhar :

adivinhar os mundos adormecidos que habitam os vazios do outro .

Rubens   Alves  

 

 

 

 

 

 

Antes que as mulheres tenham ataques achando que o Rubens Alves foi machista , convém prestar atenção no último paragrafo , onde ele deixa claro que o inverso é o mesmo porre .

 

Entre nós : existe alguma coisa pior do que um cara  sarado , todo lindo , que quando abre a boca … espanta até borrachudo  ?

ahahah e mais engraçado do que a cara de idiota que se tem de fazer pra que ele não perceba … de imediato , …claro ?

 

 

E , claro que aqui também se aplica o inverso ,

basta ler a historia invertendo os protagonistas  .

 

Fy

 

 

 

 

 

 

 

 Manuscrito árabe utilizado por Galland em sua tradução das Mil e uma noites   – séc. XIV ou XV  –

 

 

 

Os contos que compõe as Mil e uma noites são de diversas origens e foram sendo acrescentados e suprimidos ao longo da história da obra ,

sendo alguns possivelmente originários da Índia , outros da Pérsia e outros do mundo árabe .

As mais antigas referências à obra não mencionam quais contos compunham a coleção e ,

uma vez que os manuscritos com contos que chegaram até a atualidade são já do século XV ,

é hoje impossível saber quais eram os contos que compunham as primeiras versões das Mil e uma noites , inicialmente derivados da obra persa Hazār afsāna .

Sobre o estado inicial das Mil e uma noites o único que se pode afirmar com certeza

é que a história básica de Xerazade e Xariar , que unifica a obra , já estava presente desde o século IX .

 

Os estudiosos acreditam que os manuscritos das Mil e uma noites que existem atualmente

são derivados de reelaborações realizadas entre os séculos XIII e XIV no Médio Oriente , à época dominado pelos mamelucos .

O mais famoso e um dos mais completos e antigos dos manuscritos é o utilizado por Antoine Galland para sua tradução publicada em 1704 .

Este manuscrito em três volumes , originário da Síria e conservado hoje na Biblioteca Nacional de Paris   – arabe 3609-3611  –   

data de meados do século XV  ( alguns pensam que é do século XIV )  e contém um total de 282 noites  .

 

Há ainda um pequeno grupo de manuscritos relacionados a este aos quais se dá o nome de ramo sírio dos manuscritos ,

todos terminando na noite 282 e deixando incompleto o Conto do Príncipe Camaralzaman e da Princesa Budura .  

Um grupo de manuscritos mais recente , e diferentes linguisticamente do ramo sírio ,

foi compilado entre os séculos XVII e XVIII e constitui o chamado ramo egípcio , por serem em sua maioria provenientes desta região .

Estes manuscritos , compilados em parte para atender à demanda europeia de histórias das Mil e uma noites após o êxito da obra de Galland ,

chegou ao número de noites do título , ou seja , mil e uma .

A compilação egípcia mais moderna  –  datada da segunda metade do século XVIII e base de muitas traduções e edições posteriores  –  

é referida como ZER   : Zotenberg Egyptian’s Recension  :  edição crítica egípcia de Zotenberg  –   em homenagem ao estudioso Hermann Zotenberg ,

autor de importantes estudos sobre esses manuscritos no final do século XIX  .

O termo   ”  ZER  ”   também é utilizado como sinônimo para o ramo egípcio .

 

 

 

 

 

Ilustração :

Mia

Mangá :   Han Seung  Hee   –   Jen Jin Seok

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

25 Comments »

  1. que espetáculo!
    Adriana

    Comment by Adriana — 19/07/2010 @ 2:26 PM

    • Adriana, welcome .

      É lindo mesmo aquele vídeo do Neruda. A menina que fez aquilo merece um prêmio!

      Diga o que voce quiser, quando quiser.
      bj
      Fy

      Comment by Fy — 20/07/2010 @ 8:20 AM

  2. Ai até me comovi.

    é ou não é o brilho do sonho na poesia do corpo?(nem achava a interrogação no teclado)
    A dança do amor,o brilho do amor na poesia do corpo.
    Também Fy, a Ji Yeon Ryu é a únicaaaaa estrangeira no Mariinsky,ela é coreana.
    uma das melhores do mundo.

    Lindo o texto do Rubens Alves.
    E toda a sua historia tem sua época, sua verdade.

    A Igreja, não só alterou os contos de fadas,lendas, culturas,deturpou tudo,como também condenou a dança,todos sabemos desta barbaridade.
    É tão revoltante ler sobre isto.
    Mas, nós pagãos rsrsrsrs, adoramos dançar.E dançamos.
    Amanhã to aqui de novo.
    Foi um baita presente.
    bjinhos
    Carol

    Comment by Carol — 19/07/2010 @ 3:27 PM

    • Carol, acho que consertou só-zi-nho!

      tomara vou tentar.

      é ou não é o brilho do sonho na poesia do corpo?(nem achava a interrogação no teclado)
      A dança do amor,o brilho do amor na poesia do corpo.

      Pra quem acha a linguagem ou a terminologia de Deleuze difícel, a dança é um exemplo maravilhoso de Imanência.

      A pura Imanência.

      Que não é imanente À VIDA : mas a própria VIDA.

      Quando ele diz que a Vida é a imanência da Imanência [ altamente panteísta isto] : a vida é uma imanência da imanência: ele diz que a vida é a vida e que te invade : fazendo de voce uma ” manifestação ” da vida ou imanência : e isto que te invade é potência.

      Só ” dança ” quem tem a mente, o coração e o corpo invadidos por isto que ele chama de vida.

      E só ama, que está suscetível a tudo isto.

      Esta apresentação dos dois na Coréia é pra ser vista:

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 20/07/2010 @ 8:30 AM

  3. Comment by Carol — 19/07/2010 @ 3:29 PM

  4. só pra avisar foi no: incorporar.
    bjinhos
    Carol

    Comment by Carol — 19/07/2010 @ 3:31 PM

  5. Oi moçada, Fy,Carol

    Lindo post, uma poesia.
    Muito bacana a Mia, adorei.
    Bem demarcada as diferenças entre as personalidades de seus personagens, identidades complexas e mitologias regionais e pessoais.

    Mas tenho uma ressalva. As Mil e uma Noites contém sim um enredo completamente baseado em uma trama absolutamente machista.

    O início já se condena per si: é a mais concreta evidência que a ditadura, esta forma teocrática de governo,é absurda, vista ou disfarce-se na roupagem que for. Neste caso, como em outro qualquer,está sujeita às deliberações do cérebro humano, e este é falível, sob tantos aspectos. Em elaborar conceitos então, é um circo. E Atitudes advém destes conceitos.Além de retratar os costumes de uma cultura.

    A infidelidade …. “da mulher” ( como se ela deixasse de ser uma atitude humana e passasse a ser uma característica feminina, pior, condenada.) é um Mito Masculino.

    Como se o homem não traísse.

    Claro que “mulheres decapitadas” nos contos das Mil e Uma Noites nos parece um aparato romântico , ou uma deixa literária pra que se crie ou possa se dar sentido às futuras ações e comportamentos dos personagens . Mas , na realidade, no real, está longe de ser ficção.

    Vou justificar esta observação com um texto, e creio que seja interessante notar como a influência de certos mitos, idéias,vão se tornando ameaçadoras e perigosas:

    O MITO MASCULINO DA MULHER INFIEL por Félix Coronel

    Hoje em dia, qualquer assunto referente a melhorar a qualidade de vida do ser humano serve como tese de mestrado.

    Assim, vemos que até as antigas culturas orientais hoje se preocupam em mostrar uma imagem mais “light” para ocidente,
    porque dessa imagem depende a inserção dos seus produtos.

    Tudo que seja referente a Vendas & Mercado está intimamente ligado a estatísticas e pesquisas. De gosto, de preferência, de mercado, de sexo, de tamanho do tal, de cor, de formato e maleabilidade, se frontal ou dorsal, enfim, pesquisa.

    Em 2004, uma famosa empresa italiana de cosméticos (não pedirei patrocínio, portanto não mencionarei o seu nome) mandou um grupo de estagiários sem nada pra fazer (o de sempre) realizar uma enquête sobre as conseqüências físicas e psíquicas do adultério, e o trabalho mostrou resultados surpreendentes.

    Segundo a pesquisa, exaustivamente elaborada, as mulheres rejuvenescem com a infidelidade.

    47% preocupam-se mais com o seu aspecto após transar com um amante (ou dois);
    28% emagrecem e recuperam a forma;
    24% garantem que a sua pele fica melhor após o ato ilícito bem consumado,
    e 52% afirmam que a traição lhes outorga maior equilíbrio psicológico.
    Além disso, 26% confessaram não ter remorso nenhum pela questão da coisa.

    No caso dos homens, acontece o contrário.

    Por exemplo, 32% dos homens entrevistados sentem-se muito culpados após o adultério;
    também 32% observam maior quantidade de rugas,
    e 24% sentem-se mais barrigudos.

    Poderia dizer-se que para os senhores dar umazinha fora do regulamento é fatal.

    Para as mulheres, o efeito colateral do ato em si as melhora.
    Esta enquête incrível, que achei no site da mencionada empresa italiana da qual não direi o nome,
    parece dar a razão a um dos MEDOS ANCESTRAIS DO HOMEM,
    esse mito masculino tão elementar e tão profundo da mulher infiel,
    isto é, da fêmea sem piedade, devoradora de homens, insaciável;
    da companheira mentirosa que na realidade não depende tanto dele como ele sente depender dela.

    Eu fico imaginando de onde terá nascido esta obsessão:

    talvez da nossa fragilidade emocional
    e da nossa incapacidade de lidar e nomear sentimentos (este é um dos preços mais altos que temos pagado os homens com o machismo).

    Seja como for, este pânico escuro e abjeto tem servido como base para usos sociais certamente atrozes.

    Como o harém e os véus, por exemplo.

    Prender e ocultar às mulheres para impedir-lhes o contato com outros homens.

    Ou como a ablação clitoridiana e a infibulação,

    também chamada de excisão faraônica,

    considerada a pior de todas,

    pois, após a amputação do clitóris e dos pequenos lábios,

    os grandes lábios são secionados,

    aproximados e suturados com espinhos de acácia,

    sendo deixada uma minúscula abertura necessária ao escoamento da urina e da menstruação.

    Esse orifício é mantido aberto por um filete de madeira, que é, em geral, um palito de fósforo.

    As pernas devem ficar amarradas durante várias semanas até a total cicatrização.

    Assim, a vulva desaparece sendo substituída por uma dura cicatriz.

    Por ocasião do casamento a mulher será “aberta” pelo marido ou por uma “matrona” (mulheres mais experientes designadas a isso).

    Mais tarde, quando se tem o primeiro filho, essa abertura é aumentada.

    Algumas vezes, após cada parto, a mulher é novamente infibulada.

    Olho a Priscilla, minha filha, dormir tão placidamente, e penso.

    Dois milhões de meninas da sua idade são mutiladas ainda no mundo a cada ano.

    A literatura universal está cheia de relatos de mulheres infiéis.

    Lógico. Óbvio.

    A literatura tem sido até muito pouco tempo atrás espaço reservado para homens
    – ou elementos com imagem de tal –
    e a imensa maioria dos casos de infidelidade feminina está contada desde a ótica do medo e do mito masculino.

    Um exemplo perfeito desse olhar extremadamente sexista é a “História do rei Schahriar e o seu irmão Schahseman”,

    um conto pertencente ao livro “As Mil e uma Noites”.

    Trata-se de uma fábula primordial, puro subconsciente de macho feito lenda.

    De fato, é tão importante dentro do contexto coletivo das Mil e Uma Noites

    que a anedota repete-se duas vezes, em duas partes diferentes, e dá origem ao relato base de todo o livro.

    Temos aqui o relato sucinto da infidelidade com a sua carga de elementos míticos,

    desde a promiscuidade lendária das mulheres

    (afinal das contas, 570 anéis não é brincadeira),

    e o fato de que a garota da fábula não faz amor com centenas de homens levada pelo desejo de prazer,

    mas pelo seu desejo de vingança.

    Talvez neste relato elementar jaza o inconsciente, por parte dos homens,

    do maltrato machista ao qual submetem às mulheres

    e o temor de que elas se vinguem no que mais dói:

    na intimidade emocional na qual todos os homens nos sentimos tão indefesos.

    Existem muitas maneiras de narrar uma infidelidade,
    e milhares de outras histórias que contar.

    De fato, a bela e inteligente Scharazad, filha do vizir,

    contará inúmeras histórias apaixonantes ao rei traído,

    que este irá lhe perdoando a vida durante mil e uma noites,

    e ao término desse tempo,

    o antigo rei assassino descobrirá que teve três filhos com Scharazad, que a ama ternamente,

    e o que é mais importante, que já não odeia (teme) às mulheres.

    Eu já considerei este conto como a parábola da (i-) maturidade sexual do homem.

    Enfim, a infidelidade da mulher é um assunto complexo e profundo ao qual a voz masculina tem dotado,

    ao longo da história, de significados muito precisos.

    Mas, além dos preconceitos machistas, na infidelidade, seja de homens ou mulheres,

    estão em jogo muitas outras coisas .

    XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

    Muitas mesmo.E em grande parte: justificaveis por si mesmas.

    (pulei linha pra burro! vejam se ficou melhor)

    beijo a todos,

    tio Gus

    Comment by Gustavo — 20/07/2010 @ 4:24 AM

    • Ah vou fazer um post!

      Claro Gustavo, claro que penso como você, vocês.

      Mas meu objetivo foi outro, uma vez que o próprio conto é bem situado tanto na época qto regionalmente.

      O lance, na minha opinião é salientar a importância que realmente une ou pode unir duas pessoas.

      É o quanto além do tesão físico é importante alimentar o tesão da alma , da compania intelectual, a procura por valores novos ou que renovem e tornem importante a presença de alguem , um alguem , na sua vida .

      Eu acho que o que valoriza este nível de intimidade além do corpo , o que não é tão difícel quando a química acontece entre duas pessoas saudáveis , – é justamente estes valores que dão continuidade, razão e cor à intimidade entre duas pessoas.

      Senão pra que?

      Pra transar e tchau?

      Cala a boca aê , pq não dá pra … nem pra conversar ?

      … eu acho que isto tem sido o mais comum.

      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 20/07/2010 @ 8:40 AM

  6. Gustavooooo que coisa horríiiiiivel.

    Como é terríiiivel imaginar que estas coisas existem e é verdade verdadeira.

    Mas, concordo com voce, além do que de certa forma nada mudou nos países árabes em relação ao tratamento dado a mulher.
    Verdadeiros crimes são cometidos por muito menos. A gravidade da traição feminina não tem nada a ver com a traição em sí, ou com algum tipo de sentimento// e sim com o vexame machista de ser corno.

    É a teocracia se estabelecendo na intimidade dos lares, apesar que um miserável deste não tem um lar,não pode ter, tem um covíl, pra ser mais clara.

    Claro que existem mil razões pra explicar uma traição.

    Quando ela acontece, claro // e sem descartar a sacanagem. É muito pra cabeça , imaginar que existam lugares onde ela ainda exista. Em 2010, há necessidade de trair?
    Será que já não temos liberdade pra reconhecer e “dizer” claramente quando um amor acaba, ou quando decidimos por alguma outra pessoa? Isto pode acontecer pra qualquer pessoa, em qualquer momento, mesmo não sendo a troca de um amor por outro, apenas uma ilusão. O que já deixa claro que o amor que se tem não anda bem, certo?

    É horrííííí´vel imaginar que em algum lugar, ou mesmo entre nós, esta lucidez ou esta liberdade não exista.

    Concordo com você Gus.

    bjinhos
    Ju

    Comment by Juliana — 20/07/2010 @ 6:36 AM

    • Aíiiiii Ju : que coisa mais demodé este lance de trair, nãoénão?

      Sei lá, mas existem outros modos de se trair também.
      Outros modos que não incluem pessoas , e nem por isto são mais sutís. São agressivos e machucam da mesma maneira.
      Com amigos o lance é forte, imagine com quem agente ama?

      A falta de apoio , a intolerância , a falta de companheirismo , a não-participação , o oportunismo , ah… como isto machuca.

      E nem sempre é considerado como traição.

      Pra mim é .

      bjs e saudade.

      Fy

      Comment by Fy — 20/07/2010 @ 9:06 AM

  7. É claro que entendí o tio Gus e claro que entendi a Juliana.
    E traição é um treco por demais complexo pra ser analisado assim, rapidaemnet.
    Vamos falar da nossa cultura, ou de como ela deveria funcionar, que foi o que a Juliana fez. E se formos por aí a traição fica sendo um lance ainda mais sacana: porque não-necessário.

    Eu acho que ninguem gosta de ser corno. Nem mulher nem homem. É traição: com certeza, se existe liberdade de ação, emoção e independência entre as pessoas. Pra que seja corneado, ou corneada é preciso sim que haja traição, neste contexto, uma vez que é mais que óbvio a urgência da sinceridade entre 2 pessoas que decidam ficar juntas.

    Agora, quando não existe esta liberdade, quando outros interesses ou costumes estão envolvidos, restam 2 opções, ou a velha e humana transgressão do proibido, uma vez que independente de cultura o ser humano é livre por natureza, ou a sacanagem na mais total manifestação.

    E sacanagem não tem sexo.
    beijo
    André

    Comment by André — 20/07/2010 @ 7:00 AM

    • Não tem mesmo.

      Por grana, quantos casais vivem juntos ?

      Por negócios, também , e sem amizade nenhuma : se detestando.

      …falei isto porque, pensando bem, qualquer acordo entre duas pessoas é válido. O horror é falhar com este acordo e inrustir. Não é justo e é desnecessário, se considerarmos nossa posição.

      Qto a este desrespeito em relação às mulheres, olha – é … – nem encontro a palavra – mas , as ocidentais batalharam tanto … – quantas mulheres notáveis lutaram por nós , brigaram pela independencia da mulher. Somos suas filhas , suas netas.

      Eu acho q as mulheres de lá podiam se desacomodar um pouco também.

      Nossa eu me ouço – me leio – dizendo isso e nem acredito ….

      bjs

      Fy

      Comment by Fy — 20/07/2010 @ 9:13 AM

  8. Eu to lendo voces aqui e pensando.

    É verdade que as Mil e uma noites são baseadas neste conto do sultão e da Sherazad, mas as histórias são incríveis. Vou até deixar um trailer do Simbad.

    Quanto a este machismo todo, típico dos países árabes, é bem compreensível, e mais uma vez religião é motivo. Religião, costumes, características de raça, mesma coisa. Só a grana é que muda tudo, inverte valores, etc.

    Mas pensem comigo: muçulmano deriva da palavra árabe muslim (plural, muslimún), particípio ativo do verbo aslama, designando “aquele que se submete”. wikpédia.

    Também de lá: O Islão é visto pelos seus aderentes como um modo de vida que inclui instruções que se relacionam com todos os aspectos da actividade humana, sejam eles políticos, sociais, financeiros, legais, militares ou interpessoais. A distinção ocidental entre o espiritual e temporal é, em teoria, alheia ao Islão.

    Ou seja: eles SÓ se SUBMETEM.

    Isto deve ir criando uma angústia dentro do sujeito, uma revolta: jamais encarada de frente, senão, sei lá como é o inferno deles, ou então o fuzilamento, quando o cara entra dentro de casa, o regime religião continua , e ele é a figura central: o Alá doméstico, e com certeza se desrecalca naquele séquito que tem como unica obrigação servi-lo.

    É tudo uma continuação.

    Gab

    O Islão é visto pelos seus aderentes como um modo de vida que inclui instruções que se relacionam com todos os aspectos da actividade humana, sejam eles políticos, sociais, financeiros, legais, militares ou interpessoais. A distinção ocidental entre o espiritual e temporal é, em teoria, alheia ao Islão.

    Comment by Gabriel — 20/07/2010 @ 9:46 AM


  9. esqueci.

    dãaaaaaaaaaaã
    Abraço aê
    Gab

    Comment by Gabriel — 20/07/2010 @ 10:00 AM

    • Isto deve ir criando uma angústia dentro do sujeito, uma revolta: jamais encarada de frente, senão, sei lá como é o inferno deles, ou então o fuzilamento, quando o cara entra dentro de casa, o regime religião continua , e ele é a figura central: o Alá doméstico, e com certeza se desrecalca naquele séquito que tem como unica obrigação servi-lo.

      muito bom, Gab, bem pensado.

      O filme com certeza vai ser bom.

      Eu nem assisti Fúria de Titãs.
      O Richã quer ver , mas acho que no Rio nem tá passando mais.

      Bj

      Fy

      Comment by Fy — 20/07/2010 @ 1:46 PM

  10. Boa noite Windmills,
    Fy,cheguei de viagem e estou me atualizando ainda.Muito interessantes os posts.

    Vou deixar uma informação pra se pensar.Uma coisa que me lembrei em relação a estes costumes,à forma de persuasão utilizida,e, provavelmente,agora,na brincadeira,usada por Sherazade,como também eficiente ferramenta de doutrinação:

    Também,como é notório e sensível a qualquer pessoa que a ouça, a música árabe exerce ação hipnotizante, hipnógena, tal como a poesia pode exercer.Como se sabe, nas qasidas , ou seja, nos poemas clássicos árabes, o ritmo começou sendo aprendido a partir da marcha dos camelos.
    O camelo, quando anda, move, ao mesmo tempo, o membro anterior e o posterior, alternando o lado direito com o lado esquerdo. Isto dá uma espécie de ritmo, é uma marcha embaladora, como acalanto, como berceuse, que passa do andar do camelo para os ritmos poéticos. É algo que o ocidental não compreende.
    É caso típico o da música: ao ouvir um disco, percebe que a melodia árabe é infinitamente “repetitiva”.
    Surpreende-se ainda mais, ao constatar que também a segunda face do disco apresenta a mesma melodia.
    Presente em tudo isso, aquele caráter hipnógeno, capaz de fazer adormecer.
    E a verdade é que a música transmite a letra e com esta: meia-anestesia, este meio-adormecimento, as mensagens escolhidas acabam por ser transmitidas.

    Quanto a ser corno, concordo que não é o mais agradável pra ninguém.
    Na realidade das coisas,para o homem é como assinar um atestado de incompetência,perante os outros.E na melhor das hipóteses,perante si mesmo,quando há algum tipo de melhor critério de sua parte.
    Não sei para as mulheres, mas que quando dão para ser ciumentas, não tem quem segure!

    Abraços
    Vítor Simmonsen

    Comment by Vítor — 20/07/2010 @ 10:35 AM

    • Boa Noite Vitor Simmonsen !

      Eutava com saudade destas tiradas inteligentes!

      Claro , a música tem este dom. O ritmo .. , na Áfria eles trabalham muito com isto, os índios de uma forma geral.

      Dizem que o instrumenta que mais sensibiliza a mulher é o tambor, a bateria , todo instrumento de percussão. Lí isto uma vez.

      Vamos trocar os calmantes por camelos.

      E salve salve a doutrinação.

      Bjs

      Fy

      Comment by Fy — 20/07/2010 @ 1:51 PM

  11. Oi Fy, todos por aqui,

    No meio desta full&crazy monday,não dá pra comentar. Mas eu recomendo, com gosto, o The Thousand-and-“Second” Tale of Scheherezade
    by Edgar Allan Poe
    um link pra sentir o gosto:

    http://www.classic-literature.co.uk/american-authors/19th-century/edgar-allan-poe/the-thousand-and-second-tale-of-scheherezade/

    No mais, o bale é maravilhoso.
    Belo post e um beijo grande
    João Pedro

    Comment by João Pedro — 20/07/2010 @ 11:04 AM

    • Ah – adorei isto.

      Não vou falar nada pra todo mundo ler !! ahahahahahahah

      [ eu não conhecia esta do Poe – será que tem filminho? – ]

      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 20/07/2010 @ 1:53 PM

  12. Aloha,

    Linda esta peça, Fy, Carol, faz esta coreografia, aê.

    Vou fazer um contraponto aqui.

    Historias e historias.
    Deixando pra lá toda esta barbaridade, de costumes, crenças, e tudo o que todo mundo já sabe, eu, aqui, como um fulano comum, não acho que o amor seja uma coisa simples assim.

    Nem as relações humanas de um modo geral são simples assim.

    Ser traído é uma merda.
    Pra mim, pra qualquer um, até pro vilão da historia.
    Ninguem supera em 2 segundos e meio nenhum tipo de traição.

    E eu concordo que a incompetência na maioria das vezes é grande causadora da traição do amor sim.do amor a dois.

    Outra coisa, não sei não, mas não considero submissão ou viadagem tentar agradar quando agente ama.
    De todas as formas que o amor for se desenhando, solicitando, acontecendo.

    Acho também que o amor, assim eterno, é uma possibilidade,longe de ser uma finalidade.
    Isto acontece ou não.

    Talvez seja doído por uma das partes, por algum tempo, porque existem outras coisas pra se fazer na vida que não sejam só amar alguém. Mas descobrir que se está com alguem que não ama mais agente é uma das piores traições.è a falta da verdade.

    Sei lá, quando vi esta dança, me lembrei dos pássaros, e de como eles dançam, tentando agradar um ao outro antes de acasalar.

    E é tão bom isso no amor.
    Este lance de se tornar desejado, importante, como a Fy falou.

    É foda ser traído, mas é foda esquecer também.

    Beijo galera

    TocaYo

    Comment by TocaYo — 20/07/2010 @ 12:49 PM

    • Também acho.

      Igualzinho você.

      Sem atravessar, eu não tenho o menor resquício destas culturas esquisitas.

      Mas, se não houver este interesse , esta vontade mútua ,de ser importante e desejado , desde o cabelo até a opinião , de que vale estar junto ? Este canto do mundo pra onde voltar, este abraço que acontece seja qual for o momento, – pra que ?

      Mesmo com as chatices normais , que todos tem; como faz pra viver com alguem que tanto faz ?

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 20/07/2010 @ 2:02 PM

      • Eu acho que o que o Rubens Alves falou , tem muito a ver com esta música , com os cuidados que agente tem que ter com o amor, não deixar a chama apagar com qualquer ventinho , manter o que existe e é tão raro; não deixar a música acabar.

        A Oriah resume tão bem isto, nos dois poemas dela que eu coloquei no blogue.

        Por mais que agente queira, ou tente se enganar às vezes , … tudo aquilo fala mais alto, são as coisas reais, sem as quais ter alguem perde o sentido. No coração e na vida.

        A traição, é pobre , boba , decepcionante, mas mostra em seu contexto toda a essência da pessoa.

        A fraqueza, o desporque.

        Qualquer traição é assim.

        bjs

        Fy

        Comment by Fy — 20/07/2010 @ 2:16 PM

  13. como faz pra viver com alguem que tanto faz ?

    TocaYo

    Comment by TocaYo — 20/07/2010 @ 2:36 PM

  14. Não conseguiria viver com alguém que tanto faz.

    Comment by Laura — 20/07/2010 @ 3:40 PM

  15. Imagine se eu não vou entrar neste bate papo.

    Eu,talvez com mais experiência, mais tempo vivido posso entender muito bem o Rubens Alves. Mas antes, lindo lindo post e uma informação bacana, que parece que ainda não foi dita, uma mesma inspiração influenciada por este orientalismo, principalmente da Índia, é encontrado em Chaucer nos Contos de Canterbury e no Decameron de Boccaccio.

    Com passar do tempo, o amor vai se tornando um sentimento mais profundo, mais sério, o próprio partilhar de experiências que ficam marcadas para sempre.è o natural, quando se vive com alguém. E convém lembrar que dividir uma vida, é amar tudo aquilo que se forma a partir desta divisão. Desde as decisões, até os bom-dias e boas-noites.
    Nem sempre é fácil, nem todos os dias é algo recompensador, ou divertido.Mas passa a ser algo que faz parte, sem o qual voce não está mais inteiro ou completo.
    Se nos apercebermos muito bem, o amor vai tendo uma evolução, o que não queira dizer que seja com todos os casais; só com algumas excepções é que o amor evolui para algo mais concreto, um sentimento puro e honesto, onde o carinho e a ternura fazem parte dessa evolução.
    Claro que não é só o corpo, embora seja também.
    O carinho, a presença, o apoio.

    Voce já disse, Fy, Fundamental.
    è possível, mas difícel, ser feliz sózinho.

    Beijo no coração,
    Sofia

    Comment by Sofia — 20/07/2010 @ 11:16 PM


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