windmills by fy

17/08/2010

Skin

Filed under: Uncategorized — Fy @ 9:44 AM

  

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

do Caio Garrido  –  completando o Skin  –

thanks : que lindo !

 

 

 

  

Isso em você já é metáfora abandonada/ 

 mofos amórficos armazenados no armário/  

afundados no marasmo/ 

lodo petrificado, sem água nem flor de lótus/  

água salgada que mata a terra e não mata a sede de ninguém/  

nem mesmo a sua de matar… infinitamente. 

Nayre 

  

Mundos e peles 

 histórias e geografias do Humano 

que situam o homem como estrangeiro a si . 

  

  

Ao longo do processo civilizatório ,

um estranho …  e destrutivo …  comportamento parece ter sido desenvolvido ,  

culminando nos atuais e ameaçadores níveis , ao Mundo e às Peles . 

 

 

  

Sob o ponto de vista ético , um falseamento de valor  –  em relação a seu próprio valor ,  

teria sido cometido pelo homem . 

Fundamentados na crença do bem e do mal ,  

a adoção de valores falsos e inverdades estaria na gênese da dominação ,

escravidão , humilhação e impotência . 

Neste suposto conjunto excludente estaria ancorada uma Falsa Moral ,

os Preconceitos e as Injustiças . 

Distanciado de si e dos seus valores o homem encontra-se imerso em medo , dor e solidão . 

Neste vazio , desamparado e só , o homem ressentido e rejeitado ,

distorceria os princípios fundamentais do convívio civilizado . 

Nas reflexões acerca da conduta humana , há relevantes contribuições . 

Delimitamos este estudo no pensamento filosófico e em teorias psicológicas , 

para focarmos esta análise ,  – pois não é possível  ignorar os aspectos religiosos : geopolíticos . 

Os estudos realizados evidenciaram advertências

quanto ao ressentimento – que assentaria na gênese  

e posteriormente na dissolução dos valores que são  primordiais ao homem –   

 o propulsor de suas mais aflitivas dores . 

Mia

 

 

Ressentimento . . .  por ser homem . 

Re – sentimento contínuamente reavivado  –  meméticamente implantado  –   

que , vinculado ao sentimento de humilhação e impotência humana ,  

criou repetidos  insucessos provocando  assim ,  

que em cada novo sentir , os sentimentos de impotência e humilhação se repetisem sequencialmente  . 

Um meme .  

–  e a evolução de um meme é quase sempre viral , exponencial e replicante . 

Este meme do sofrer profundo e surdo se concentraria , ampliando as marcas e dores interiores . 

No acúmulo : haveria um transbordamento , um ódio doentio ,  

numa espécie de auto-intoxicação permanente

 

 

 

  

  

  

  

  

A tarefa neste texto não almeja realizar uma re-constituição

dos pressupostos que vieram fundamentar a subjetividade no pensamento moderno ,  

até porque este percurso já está muito bem definido na história do pensamento .  [  e na dos homens . 

  

O exercício do pensamento a que nos propomos quer traçar uma linha

que se inicia no momento em que o Sujeito e/ou a Subjetividade perde a sua forma  

(essência ou substância necessária) e sua síntese de unificação .

 

  

Em lugar deste sujeito destituído ,  

nós teremos os conceitos de subjetividade distribuída ,  

socialmente construída ,  

descentrada ,  

nômade ,  

múltipla ,  

de subjetividade inscrita  

na  

superfície  

do  

corpo  

    . 

  

  

 

  

 Acreditar ? 

 ACREDITAR .   

não em um outro mundo ,  

mas no liame entre o Homem e o Mundo ,  

no Amor ou na Vida , 

  

–  mas    acreditar nisso   como no  

impossível  

no impensável

que  . . .  no entanto  . . .  só pode ser   ” pensado ”   

. . .  

“ Um pouco de Possível . . .  senão sufoco . ”  

Deleuze –  1985 : 221 . 

  

  

  

Finalmente , neste texto , procuramos  utilizar os conceitos deleuzianos ,

sempre  ” alargando ” o que já foi escrito .  

Sabemos perfeitamente que tais caminhos – os que já foram escritos – 

talvez, não passem de fábulas , falsificações ou enganos .  

Mas é o risco que corremos , ao entrarmos nessa filosofia de labirinto . 

  

  

  

  

As palavras de Deleuze , no parágrafo  acima , são um convite .  

 

 

Um   convite   à   P e l e  e  ao  P o s s í v e l . 

 

 

 “ tudo se passa na superfície : em um cristal que não se desenvolve a não ser pelas bordas ” .  

Sem dúvida , não é o mesmo que se dá com um organismo ;  

este não cessa de se recolher em um espaço interior , como de se expandir no espaço exterior ,

de  assimilar    e   de   exteriorizar

  

 

 

 

  

  

 

   

  

  

  

  

o esforço psíquico do sujeito  ” ressentido ”  em : reprimir , sistematicamente  ; 

a descarga de certas emoções e afetos    – [ aquilo que ” lhe ”  afeta ] –   transbordariam ,  

levando ao adoecimento físico ou psíquico de menor ou maior gravidade ,  

chegando em casos extremos , aos desvios de conduta , ruptura social e , no limite , ao terror . 

Mia 

 

 

  

  

As membranas não são aí menos importantes :  

elas carregam os potenciais e regeneram as polaridades ,  

elas põem precisamente em contato o espaço exterior independentemente da distância .

  a musica é um dos muitos afetos do exterior  que atravessam a pele

under & over   

 inside & outside 

  

  

 

  

pra quem tem pele   . . .   

– claro . . .  

   

   

  

   

   

   

   

   

   

   

   

   

   

   

   

   

   

   

   

quem acha que não tem –

ou que o ideal é não ter –  acaba ficando com a pele  “ surda ”  também

entre outras coisas …   surdas . . . como a  “criatividade ”   por exemplo . . .  –  

e acaba tendo que : imitar .  . . . 

imitar e repetir é um vício .

   

 

   

   

Deleuze se preocupou  em criar ou produzir diferentes linhas de pensamentos , 

avançando novos campos, não como repetições de indagações filosóficas passadas , 

mas criando e inventando conceitos .

E nessa direção , observaremos a indicação de uma nova questão-problema : 

Quem vem     ” depois ”    do Sujeito ? 

[ depois . . . que ele  … se desintegrou . . .  em vida  … acho . . .  ]

Depois de sua  “ destituição ”     –  [ dissolução no :  n a d a ] – 

Que vem ?

ou ?

ou  vivemos agora numa zona morta ou em um período de espera ,

” assombrada ”   pela  ” morte ”  [ em vida ]  do Sujeito ? 

 

  

Tendo como problemática inicial tal questão ,  o caminho que se faz é extremamente tortuoso : 

partindo de uma   “ CRISE DA NOÇÃO DO EU  ”  ,  ou seja  ,   do :  Sujeito  , 

para pensarmos – e temos que –  a possibilidade de constituição de outros  “ modos ”  de vida  [ . . .  – menos esquizos ]

ou , mais especificamente , 

Modos de EXISTÊNCIA

  

[ claro que sem resvalar no mimetismo da Via Sacra , ou  na morbidez das coroas de espinho ,

por mais que isto cause delírios em mentes doentes , viciadas e Gibsianas ]

 

 

Isso significa travar uma batalha difícil com a tradição filosófica a partir do século XVII .  

[ mesmo estando em pleno XXI . . . ]

Deleuze não utilizará do conceito de subjetividade tal qual a tradição da filosofia clássica denomina ,

mas tratará agora de heceidade .

 

 

 

A questão é que é preciso buscar em outro lugar a crítica mais radical

e a proposta mais alternativa à imagem convencional da subjetividade .

Neste sentido , o pensamento de Deleuze apresenta-se como um caminho , como uma saída ,

que nos permite pensar a   “ subjetividade ”   numa outra perspectiva:

não mais como idealização , como forma .

 

Diferente disso, ela torna-se produção ativa do ser , composição de forças , nomadismo :

 

 

 

 

 

 Para isso, Deleuze cria , fabrica conceitos que rompem com as modalidades dominantes

de pensar e representar a subjetividade

e que são inseparáveis de novos perceptos  

(  novas maneiras de ver e escutar  )   e de novos afetos   (  novas maneiras de sentir  )   .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conceitos como heceidade , impessoalidade , devir ,

rostidade , território , rizoma , dobra , linhas moleculares , linhas de fuga .

 

Assim ,  –  frente a uma idéia de Sujeito ” essencializado ” ,

dotado de uma identidade unitária , privada , estável e fixa ,

[ e eternamente desconhecida ]

ajuda-nos a pensar num território povoado de singularidades pré-individuais  :

intensidades , profundidades , movimentos , sujeitos larvares  …

 

 

 

 

 

  

 

A geração de   “ subjetividades ”   não consiste na demarcação dos limites de um eu ,

enclausurado e interior ,

 

 

[ ou de uma ” alma ” bom – bril : com 1000 e 2 utilidades :  esquisitamente anônima –  endeusada , SELFiada ,

ou como um deus que de repente pulou pra dentro : porque … já tava ficando chato não dar as caras lá fora   

e virou  deus : interior tão ” transparente ” e inatingível quanto era  ” lá ” . . .  no . . . exterior . ]

 

 

 

mas na idéia de que ele é  :   o  ” efeito ”  de uma função ou operação que sempre se produz na exterioridade desse eu .

 

 

O sujeito já não é : uma   unidade – identidade  , mas : é  envoltura , pele ,  fronteira  :   

sua interioridade transborda em contato com o exterior  .

 

 

 

 

 

 

 

 

O conhecimento e a aprendizagem se efetuam pelo engajamento na paisagem

e não pelo distanciamento de um sujeito que a observa desde  e “ do lado de fora ” .

A critica a esta separação entre mente e natureza já aparece no conceito de mente ecológica de Bateson ,

onde o mundo mental não esta limitado pelas fronteiras da pele ,

mas se estende pela totalidade do sistema de relações organismo – ambiente

no qual  os humanos estão necessariamente imersos  mais do que : 

confinados dentro de corpo individuais como se estivessem

contra o mundo da natureza ou fora dele .                   

Bateson –  1972      

 

                                     

Avançando nesta direção, Ingold Também  critica duramente a idéia de ambiente global

enquanto um sentido que não se funda em um contexto relacional

e perde a sintonia sensorial desde o olhar daquele que percebe o mundo.

 

 

 

 A subjetividade não consiste na demarcação dos limites de um  “ Eu ” , enclausurado e interior ,

mas na idéia de que ele é o : efeito de uma função ou operação que sempre se produz na exterioridade desse   “ Eu ”  .

Dessa forma , Deleuze concebe os processos de subjetivação como processo ético e estético ,

que busca produzir modos de existência inéditos .

 

 

 Trabalha neste sentido com o conceito de  “ dobra ”  para explicar esses processos de subjetivação

como modificação daquilo que nos sujeitam , para nos reconstruir com  : outras experiências , com outras delimitações ,

. . . é preciso conseguir dobrar a linha ,

para constituir uma zona vivível onde seja possível alojar-se , enfrentar , apoiar-se , respirar  –   em suma , . . .  pensar . 

Deleuze – 1992 : 138 .

 

 

 

como disse  Nietzsche :      [ sorry , Thomas , ah ah ah ]

 « o eu é uma pluralidade de forças quase personificadas em que , tanto uma , como a outra ganham o aspecto do eu ;

deste lugar , ele contempla as outras forças ,

como um sujeito contempla um objeto que lhe é exterior ; um mundo exterior que o influencia e o determina .

O ponto de subjetividade é móvel  » .

 

Este ponto é fundamental : a subjetividade não deve ser negada , mas assumida como móvel ,

como um tecido  –  um reservatório de pontos móveis , como uma mutação descontínua de lugares .

A Individuação , como diz Barthes , é ao mesmo tempo aquilo que fortifica o sujeito na sua individualidade ,

o seu   «  quant à moi  »   e ao mesmo tempo e no extremo contrário aquilo que desfaz o sujeito porque o : multiplica .

 

 

 

 

 

 

 

 

O movimento da   “dobra ”   tem lugar entre um lado de dentro e um lado de fora

que não equivalem a um interior e a um exterior :  

marcando um território e relações completamente distintas ,

pois a dobra supõe um movimento que incorpora essa categoria do possível ,

 

 precisamente porque a dobra permite  habitar o limite que traça as bordas do que somos ,

permite situar-nos em uma linha instável e arriscada : a linha do lado de fora ,

na qual os contornos do familiar  ( imaginável e representável ) 

diluem-se em contato com o desconhecido   ( intraduzível , irrepresentável ) .

 

 

 

        

O  impessoal significa enfrentar as linhas do lado de fora ,

essa zona de estranhamento intermediária  : que rompe com poderes e saberes :

que definem o que fazemos, o que pensamos e dizemos .

 E desvanecer esses dispositivos é o mesmo que construir novos espaços :

alargar o que somos : dar-nos um novo campo :

uma nova Sensibilidade .

 

 

 

 

 

“ Cada momento passado juntos

era uma celebração , uma Epifania ,

nós os dois sozinhos no mundo .

Tu , tão audaz , mais leve que uma asa ,

descias numa vertigem a escada

a dois e dois , arrastando-me

através de húmidos liláses , aos teu domínios

do outro lado ,   . . .   passando o espelho . ”

 

Arseny Tarkovsky

em :  The Mirror de  Andrei Tarkovsky

 

 

 Ilustrações :

Mitra Mirshahidi

Eric Fortune

Skinner

Pesquisa :

Deleuze and The logic of sense: structure as a problem

Gilles Deleuze

 

 

The Perception of the Environment: Essays in Livelihood, Dwelling and Skill.

Timothy Ingold

London: Routledge. – 2000

 

 

Steps to an Ecology of Mind .

Gregory  Bateson   

Chicago: The University of Chicago Press – 2000

 

 

Arseny Tarkovsky

Nayre

Mia

  

 

Fy

  

  

  

  

 

18 Comments »

  1. Boa Noite, Windmills, Fy,

    Acho que só eu mesma estou fora dos cobertores, mas estou hipnotizada,aqui, lendo e relendo. Seu tal de break me deu saudades!
    Quanto a sermos o resultado desta troca entre o mundo e nossa interioridade, é tão simples e verdadeira.Se eu fosse descrever isto, ao longo de uma vida, viraria filósofa também.Não há religião, quando um filho chora, não há Deus que lhe impeça de dar-lhe a mão. Talvez algumas pessoas tenham medo de falar o que sabem perfeitamente.Talvez agente queira chamar isto de Deus, mas qual? O meu? No fundo do meu coração sei que este meu, ninguem respeita.
    Parabéns, adooooorei!
    Me indique alguma coisa em português.
    Fui a primeirona!
    Beijo
    Sofia

    Comment by Sofia — 17/08/2010 @ 3:46 PM

    • Oi Sofia,

      que bom q vc sentiu saudades de mim! o break foi pq meu cachorro comeu minha agenda ! ai q trabalheira, reunir tudo de novo. mais ou menos … ainda por cima .

      Faça o favor de filosofar o quanto quiser , espaço é que não falta! Escreve tudinho o q vc quiser. Só vamos aprender.

      Qdo um filho chora … – mas não é isto que é deus ?

      dar a mão … – mas não é isto que é deus ?

      religião ? > não … isto não é deus .

      deus é vc estar aqui com agente , falando , expondo , exteriorizando vida. Pra mim deus é esta sensação que nos une , que nos faz ouvir uns aos outros , e muito mais.

      O dia que amanhece, a chuva que cai , um universo amalgamado em potência do qual somos manifestação.

      Isto é deus pra mim. e eu respeito muito mais esta forma da qual faço parte do que estes esquisitos que caem de joelho de olho arregalado “berrando” pro céu. o deus deles é um velho surdo, ainda por cima.

      bjs

      Fy
      vou colocar uns links pra vc: me cobra > ando meio maluca com agendas – endereços . telefones . aiaiai > de trabalho … tudo na barriga do meu cachorro.

      Comment by Fy — 18/08/2010 @ 7:02 AM

  2. Excelente apresentação.

    Rodrigo

    Comment by Rodrigo — 18/08/2010 @ 12:53 AM

    • Oi Rodrigo,

      ficou bom não é ?

      pelo menos é mais divertido de ler.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 18/08/2010 @ 6:52 AM

  3. “ Um pouco de Possível . . . , senão sufoco . ”

    Frase engasgada na garganta do mundo.

    Real Life, real feelings, real people, real love.

    Palavra rara : real.

    Muito frio aí?

    Bom te ler.
    beijo
    João Pedro.

    Comment by João Pedro — 18/08/2010 @ 1:12 AM

    • Mr. , que frase sensa,

      Frase engasgada na garganta do mundo.

      peguei pra mim.

      Aloha , boss .

      Fy

      Comment by Fy — 18/08/2010 @ 6:50 AM

  4. “ Um pouco de Possível . . . , senão sufoco . ”

    Frase engasgada na garganta do mundo.

    Por toda parte, a reversão dos valores e das avaliações, por toda parte as coisas vistas pelo seu lado pequeno, as imagens revertidas como no olho de boi.
    Muito frio,João,mas sem a garoa melancólica de SP.
    Volto mais tarde.
    beijo e abraço todos

    tio Gus
    (excelente,Fy, nada como uma vitamina nietzschiana pela manhã)

    Comment by Gustavo — 18/08/2010 @ 1:29 AM

    • Gustavo, que acontece no olho do boi ?

      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 18/08/2010 @ 6:48 AM

  5. Calar o corpo?
    O corpo jamais se cala, enquanto vivo.
    Lá dentro?

    é um silêncio doído
    que me fala noite e dia;
    simplesmente tortuosamente
    na matéria-prima de meu corpo

    Obrigado.
    Marianne

    Comment by Marianne — 18/08/2010 @ 1:40 AM

    • obrigado pra vc q só deixa coisas lindas aqui!

      e eu … vou colocando lá nos posts…

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 18/08/2010 @ 6:47 AM

  6. Muito bom,fica mais fácil entender deleuze assim.
    Rostidade.Gostei disso.
    É bom ler filosofia quando ela não tem gosto de hipocrisia.Quando ela fala das coisas dagente,do calor,do frio.
    Fy, heicidade?

    Paulo Vergui

    Comment by Paulo — 18/08/2010 @ 2:56 AM

    • Oi Paulo Vergui,

      Fy, heicidade?

      é mesmo , ficou meio confuso isto, ahahah sorry.

      um pouquinho, tá bem ? – acho q vale a pena fazer um post , mas nem acabei o de Deleuze&Nietzsche q eu prometi – e ” alguem ” que ia me ajudar . . . : baubau . . .

      vamolá: na heicidade:

      Um corpo não se define pela forma que o determina,

      nem como uma substância ou sujeito determinados,

      nem pelos órgãos que possui ou pelas funções que exerce.

      No plano de consistência, um corpo se define somente por uma longitude e uma latitude:

      isto é, pelo conjunto dos elementos materiais que lhe pertencem sob tais relações de movimento e de repouso,

      de velocidade e de lentidão (longitude);

      pelo conjunto dos afetos intensivos de que ele é capaz sob tal poder ou grau de potência (latitude).

      Somente afetos e movimentos locais, velocidades diferenciais…”

      “(…) Há um modo de individuação muito diferente daquele de uma pessoa, um sujeito, uma coisa ou uma substância.

      Nós lhe reservamos o nome de heceidade.

      Uma estação, um inverno, um verão, uma hora, uma data têm uma individualidade perfeita, à qual não falta nada,

      embora ela não se confunda com a individualidade de uma coisa ou de um sujeito.

      São heceidades, no sentido de que tudo aí é > relação de movimento > de repouso entre moléculas ou partículas,

      poder de afetar

      e

      de ser afetado (…)”.

      DELEUZE – G. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia.

      Uma heicidade é determinação de potência de devir, uma determinação de intensidade, um grau de potência de ser.

      São heceidades, por exemplo, uma estação, um verão ou uma hora do dia, que têm uma verdadeira individualidade: que não carece de nada: mas que não se confunde com um sujeito, por exemplo: com o sujeito que ” sente ” uma hora do dia.

      Virginia Woolf transmite melhor que ninguém este tipo de acontecimentos: em The Waves somos constantemente trespassados por

      heceidades que não se distinguem de um sujeito que os ” percepcione ” : ou que são ” atravessados ” por ela : uma hora te

      ” transpassa ” – mas não se confunde com vc, embora te “afete” , mas tanto a hora quanto voce se fundem num momento único e

      insubstituível de ser.

      ficou compreensível isto ?

      se não., volto aqui com algo melhor …

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 18/08/2010 @ 6:44 AM

  7. Muita pele!
    Contato,trocas,sensações.O mundo sentindo que é mundo e agente sentindo que é gente.
    Lindo post Fy,gostei do título,se é um poema,tem continuação?
    Para o final da tarde,começo da noite:

    Coisas de coroa mas que são eternas.
    Vitor Simmonsen

    Comment by Vitor — 18/08/2010 @ 3:19 AM

    • Coisas de coroa q são eternas.

      Coisas eternas não são coisas de coroa!

      São eternas !

      Thanks for that : amazing, doctor.

      Contato,trocas,sensações.O mundo sentindo que é mundo e agente sentindo que é gente.

      que coisa boa, mesmo que agente tenha perdido o costume. e o mundo esteja quase se esquecendo ….

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 18/08/2010 @ 6:04 AM

  8. Fy e cia:

    esta letra e musica é sobre a Pele…. vale a pena conferir…
    e cantada por Veronica Ferriani…abrs

    NA PELE
    Musica de Chico Saraiva
    Letra de Mauro Aguiar

    Voz: Verônica Ferriani
    Violão e Arranjo: Chico Saraiva
    Guitarra noise: Yvo Ursini
    lyric

    Apele pra a pele maluco!
    ela é que te dá um toque
    ela é que te impele para o ato
    antes que tu Te sufoque.

    ela é que dispensa o papo
    ela é que te faz profundo
    nela é que tu roça o mundo
    que se tatua em tua entranha.
    ela por você apanha
    ela guarda o teu afeto.
    ela é o seu melhor projeto
    nunca vai ser uma estranha.

    Apele pra pele maluco!
    ela é que te dá um toque
    ela é que te impele para o ato
    antes que tu te sufoque.

    ela é que repensa o fato
    sem ficar se remoendo
    ela é que acaba vendo
    pelos poros o que ninguém ficou sabendo.
    Ela não quer ser fronteira
    Ela não quer ser limite
    ela é que te permite
    ser uma pessoa inteira.

    Comment by caio — 18/08/2010 @ 11:57 AM

  9. Aloha Caio

    se fôsse uma luva, não caía tão bem.um poema.

    ela é que acaba vendo
    pelos poros o que ninguém ficou sabendo.
    Ela não quer ser fronteira
    Ela não quer ser limite
    ela é que te permite
    ser uma pessoa inteira.

    Fy, este post é irmão do anothering.o Kalu deu uma ondeada braba Deleuze/Ortega e Gasset- oitavou em Tolkien e pra mim, aquele post é uma obra-prima.

    Vou ler com mais calma amanhã, mas,curti muito todo mundo junto, Marianne, Sofia, Vítor(demais o som), Paulão, e quem chegar.

    Kd a Ju ?

    Lembrei- porque pele … é pele :

    vamos dançar ?

    beijo
    abraço aê

    TocaYo

    Comment by TocaYo — 18/08/2010 @ 2:23 PM

  10. Aloha Tocayo…. Abrs!

    Comment by caio — 19/08/2010 @ 4:55 AM

  11. Cada dia mais lindo e mais interessante.
    Adoro aqui.
    Adriana

    Comment by Adriana — 19/08/2010 @ 4:39 PM


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