windmills by fy

07/11/2010

Um Relógio . . . um coração

Filed under: Uncategorized — Fy @ 4:26 PM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dias atrás , neste Halloween  – tão cheio de bruxas horrorosíssimas – 

. . .  no outubro mais Samhain possível –

todo mundo , mesmo sem querer,  acaba envolvido

por esta sensação de curiosidade , algo assim como uma vontade perigosa ,  gostosa

de brincar naquele point  onde as fronteiras deste mundo e do outro :  – o maravilhoso mundo da Imaginação –   se misturam .

É o que comemoravam  os celtas em  Samhain .

 

 

 

 

 

Mesmo nesta correria de eleição ,

e  porque eu tenho uma família que vota cada um num estado diferente … e detesta dirigir … –  eu lí  um livro  –  

no avião   –   e … noooo  avião  –

que se enquadra nesta temática   ” fantástica ”   . . . quase tétrica . . .   .

 

 

 

 

Flying away … e lá   estava eu , ondeando na fantasia de Tim Burton ,  

crossing   little dark clouds com Eduardo Mãos de Tesoura , 

assistindo  Charlie dançar com a Noiva Cadáver na incrível Fábrica de Chocolate :

e todos  estes flashes provocando  ecos coloridos  à medida que a minha leitura avançava naquele  universo paralelo,

quase de quinta dimensão… criado por um roqueiro francês ,

. . . enquanto o avião aterrisava   Rio –Sampa – Sampa –Rio .

 

 

 

 

 So , in my  late   Halloween , e  num sábado de chuva , … 

uma rápida impressão  sobre um pequeno livro  marcado pelo charme  da diferença . Em todos os sentidos …

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mathias Malzieu é conhecido por ser  vocalista e letrista

de uma  banda francesa  de rock  , chamada  Dionysos 

e  poucos conhecem o seu talento como escritor.

Ele é o autor de   ” La Mécanique du Cœur ”  , um conto que  foi lançado em 2007 .

 

 

Talentoso no palco e  na frente de uma folha em  branco  também ,

escreve  esta história  com muita magia , explorando um mundo próprio ,

onde as emoções se movimentam de uma forma muito especial e cheia  de poesia –

é um conto de fadas pra gente grande , faíscando  Tim Burton no ritmo de Carrol .

 

 

 

 

 

 

 

 

La Mécanique du Cœur conta a história do escocês Jack ,

que nasce no dia mais frio e gelado do ano.

O seu coraçãozinho  congela 

e  a  drª Madeleine , uma espécie de feiticeira ,  o substitui  por um relógio de madeira .

Mas para sobreviver . . .  , Jack não pode sofrer emoções fortes como a cólera e o amor .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mesmo com um coração absurdo , Jack é nobre e corajoso  nesta jornada …

e atravessa fronteiras  feitas de sonhos, de fantasias, de sombras…

enfrentando a diferença e a rejeição .

Não  há mecânica ou mecanismo  capaz de fazer frente à vida .

Diferente, :  sem dúvida:

um homem com coluna de metal , uma mulher que coleciona as suas lágrimas para se reconfortar quando as bebe ,

um ilusionista relojoeiro  …

Tão diferente como Alice no País das Maravilhas . Porque é ao mundo de Burton ou de Carrol que o universo do livro faz seu apelo .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mesmo sendo praticamente impossível não  comparar a peculiaridade dos personagens com os de T. Burton  ou com os de  Carrol, 

Malzieu consegue transitar no mesmo fantástico,   sem copiar e conseguindo a proeza de ser original num género cada vez mais saturado.

Ah , é incrível  quando voce se percebe mergulhada num trecho

em que   Jack cruza  com algumas personalidades “míticas”, como é o caso de Jack O Estripador e Georges Méliès ,

sem perceber , ou percebendo sem nenhuma surpresa , quantas impossibilidades deixaram de existir

pra este roqueiro , neste seu  palco de papel .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pena o livro ser tão pequeninho : 140 … e, acho …que  mais algumas   páginas ,

e eu fico meio triste quando termino  um livro ,  quando quero , ainda ,  que a  minha relação com a história dure mais tempo .

 

Louquíssimo e adorável.

Genuíno, negro , terno e sinistro , é acima de tudo,  um hino à diferença.

Um hino que pede para ser lido e depois para ser partilhado.

 

 

 

 

– Voilà :

um gostinho e um super final de semana :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fy

25 Comments »

  1. Ah , é incrível quando voce se percebe mergulhada num trecho

    em que Jack cruza com algumas personalidades “míticas”, como é o caso de Jack O Estripador e Georges Méliès ,

    sem perceber , ou percebendo sem nenhuma surpresa , quantas impossibilidades deixaram de existir

    pra este roqueiro , neste seu palco de papel .






    A imaginação, por sua vez, exerce-se livremente, já que ela não está submetida a tal ou qual conceito.

    Que a imaginação entre em acordo com o entendimento no juízo de gosto significa, então, o seguinte :

    exercendo-se como livre, a imaginação entra em acordo com o entendimento tomado como indeterminado.

    O próprio do juízo de gosto é exprimir um acordo,

    ele mesmo livre e indeterminado, entre a imaginação e o entendimento.
    Deleuze

    Comecei a ler.

    (tio) Renato

    Comment by Renato — 08/11/2010 @ 12:35 PM



    • mesmo livre e indeterminado, entre a imaginação e o entendimento.
      Deleuze




      [ adorei os tracinhos : super idéia ]

      Ah com certeza o Malzieu simpatiza com os deslimites deleuzianos, Renato.

      O livrinho é surpreendente sim, – cheio de derepentes –

      quando voce está completamente imerso naquela atmosfera 1800 e pouco, numa Europa desvirtuada à la Parfum [Das Parfum – Die Geschichte eines Mörders / Perfume: The Story of a Murderer ] – que foi alvo de muitas críticas e eu a-do-rei –

      enfim , o roqueiro cria toda aquela nostalgia decadente – quase monótona e entre uma nota pós medieval e a próxima , atravessa um helicóptero ou deriva com as “rugas” do Charles Bronson .

      Sabe, aquela sensação bergsoniana via Deleuze : no past – no future > walking in simultaneity > ?

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 09/11/2010 @ 10:22 PM




      • (boa idéia,hem?)



        – a priori verificationist justification is present in his 1905 article, his most explicit articulation of this justification appears in his 1916 book Relativity. He ask us to consider:

        all physical statements in which the conception “simultaneous” plays a part. The concept does not exist for the physicist until he has the possibility of discovering whether or not it is fulfilled in the actual case. We thus require a definition of simultaneity such that this definition supplies us with the method by means of which, in the present case [where two lightning strokes hit near the front and back of a train], he can decide by experiment whether or not both the lightning strokes occurred simultaneously. As long as this requirement is not satisfied, I allow myself to be deceived as a physicist (and of course the same applies if I am not a physicist), when I imagine that I am able to attach a meaning to the statement of simultaneity.


        Here we see Einstein defining “simultaneity” in terms of a method of verifying statements in which this word occurs. Indeed, he says that apart from such verificationist definitions, “simultaneity” and relevantly similar words are meaningless, both for the physicist and for everyone else. Clearly, this is an a priori philosophical theory and belongs to the philosophy of language and metaphysics. Einstein adopts the theory in the philosophy of language:

        The meaning of temporal words is a method of verifying the sentences in which these words occur.

        (tio)Renato

        Comment by Renato — 09/11/2010 @ 11:11 PM

      • Renato,
        Vc taí é ?

        eu peguei um trecho do Deleuze deslizando em Einstein’s crazy theories- que desafia o Benítez e o Zemeckis juntos.
        Claro q Bergsoniando.
        E que me dá saudades do meu pai.

        Quero colocar em algum texto.

        Inventa um pra mim ?

        bj
        Fy

        Comment by Fy — 09/11/2010 @ 11:26 PM

      • presta atenção, Crazy Theory de cabelos castanhos. . .
        Deleuze – Bergson – Bhor e cia – te explicam que nesta balada quântica de Teoria Especial da noção da relatividade do tempo > o lance da saudade é meio que inadequado. existem amores, momentos, peles, contatos, que vivem com agente. Full Time, baby.

        beijo
        TocaYo

        Comment by TocaYo — 09/11/2010 @ 11:35 PM

  2. a história já vai se transformar em filme de animação pelas mãos de Luc Besson.

    Adorei!

    Que vontade de pegar ele no colo!

    bjinhos
    Carol

    Comment by Carol — 08/11/2010 @ 12:57 PM

    • Carol, sabe que este vídeo ficou tão legal que eu até teria medo de trabalhar em cima do q já está genial .

      Mas … eu adorei Coraline .
      Tenho um post pronto há séculos .

      Eu tb senti a mesma coisa – pegar ele no colo – ou então partilhar esta intensidade de amor pra q o coraçãozinho dele não explodisse –
      ou então … chacoalhar ele bastante : contando que amor é uma coisa louca mas que só acontece ” dois ” .
      E q paixões … são mais comuns … e o coração aguenta até relógio ….
      mas amor … : nem tempo, nem relógio , e muito menos ” a um “.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 09/11/2010 @ 10:32 PM

      • Carol, desculpe : a frase tá errada – é assim :



        ou então … chacoalhar ele bastante : contando que amor é uma coisa louca mas que só acontece A ” dois ” .

        lá em cima faltou o A.

        bjs

        Comment by Fy — 10/11/2010 @ 3:02 PM

  3. deve ser bem interessante a historia… a ideia é otima…bj

    Comment by caio — 09/11/2010 @ 4:17 AM

    • Vale a pena sim : ele tem um estilo parecido com o teu, Writer ,é um super poeta também.

      Pena que foi Ontem > é até mais envolvente : pq eu adoro isto :


      Ezequiel ou Pepe, se um ou outro , ou se outro , encarnado em um só ser , era Aurélio . . .

      Ele , que no firmamento a Aurora conduz , ferindo o céu com sua Luz , era o único expoente capaz de alterar e elevar o céu de Ezequiel .

      A esta altura da vida , encontrou o princípio ativo da sua existência .

      Ezequiel não desiste . . .

      Ezequiel existe . . .




      Juntos no mesmo núcleo
      Reúnem-se em uma só gota d’água
      A Vida e a Morte
      Gota lilás . . . e cheia de sorte.
      Caio Garrido !


      bj

      Fy

      Comment by Fy — 09/11/2010 @ 10:52 PM

      • Gota lilás e cheia de sorte.

        Abraço aê Caio.

        TocaYo

        Comment by TocaYo — 09/11/2010 @ 11:39 PM

  4. Oi pessoal,

    E o calor vem chegando…
    Abafadíssimo por aqui.

    Também não lí o livro, mas a curiosidade já foi aguçada.
    Além do post, a observação do Renato promete ….

    beijo Fy
    Abraço a todos

    Comment by João Pedro — 09/11/2010 @ 8:29 AM

    • tá bem.

      Lê q vc vai gostar.
      Gostou do vídeo ?

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 09/11/2010 @ 10:53 PM

  5. Aloha todo mundo,

    Muito bom o livro sim. por mais que o argumento pareça banal, e… uma historia de amor nunca é banal,o Malzieu escreve bem. só discordo Fy, quando voce diz que gostaria que o livro ou a história fosse mais longa.
    Na verdade o roqueiro escreveu um conto.e é uma leitura impactante, uma mistura inteligente entre o sinistro e o poema. mas a duração foi outra tirada muito inteligente deste cara , porque se ele se estendesse tanto o impacto quando a poesia perderiam em intensidade e em cadência. E é aí que o cara promete como escritor, te deixou um gostinho bom, um quero mais.

    Já como roqueiro … – por mais que eu curta muito todo este charme canadense … – huahuahuah – não vira ….

    beijo
    TocaYo

    Comment by TocaYo — 09/11/2010 @ 10:08 AM




    • É muito bom estas coisas que deixam um gostinho bom, um quero mais . . .

      Nãoénão?

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 09/11/2010 @ 10:55 PM

    • Aê TocaYo poeta.

      Vale observar que o excelente PENA QUE FOI ONTEM do Caio Garrido nos envolveu desta mesma forma :

      “uma mistura inteligente entre o sinistro e o poema. mas a duração foi outra tirada muito inteligente deste cara , porque se ele se estendesse tanto o impacto quando a poesia perderiam em intensidade e em cadência.
      E é aí que o cara promete como escritor, te deixou um gostinho bom, um quero mais.”

      Sem a menor dúvida.
      Pra quando, Caio ?
      Abraço
      (tio) Renato

      Comment by Renato — 09/11/2010 @ 11:17 PM

  6. Mi corazón sigue acelerado, me cuesta retomar el aliento.

    Tengo la impresión de que el reloj se hincha y va a salir expulsado por mi garganta.

    ¿Qué tiene esta muchacha que me provoca estos sentimientos?

    ¿Está hecha de chocolate?

    Pero ¿qué me ocurre?

    Intento mirada a los ojos pero no puedo dejar de admirar su hermosa boca.

    No sospechaba que uno pudiera pasarse tanto tiempo observando una boca.

    BEIJO

    Marianne

    Comment by Marianne — 09/11/2010 @ 12:19 PM

    • ¿Está hecha de chocolate?

      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 09/11/2010 @ 10:55 PM

      • tem mesmo…. amores com gosto de chocolate.
        bjs
        Fy

        Comment by Fy — 09/11/2010 @ 10:56 PM

  7. Boa noite Fy, Windmills

    Que coisa mais bonita.
    Só me resta ler.
    merci beaucoup.

    um beijo a todos
    Sofia Mastrada

    Comment by Sofia — 09/11/2010 @ 1:14 PM

    • pas de quoi.

      Pour toi :

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 09/11/2010 @ 11:01 PM

  8. Beijo pra todos.

    Nossa : tô cansada, morrendo de sono. Amanhã respondo tudo!

    bjs bjs bjs

    Fy

    Comment by Fy — 09/11/2010 @ 1:26 PM

  9. Continuo descobrindo!
    Que mais vou encontrar?
    Parabéns ao criador do blog, simplesmente demais!
    Cyntia Mello

    Comment by Cyntia — 11/11/2010 @ 9:22 PM

  10. i like

    Comment by weight — 15/11/2010 @ 4:14 PM


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