windmills by fy

18/11/2010

Mr. Lobato and Dr. Jung

Filed under: Uncategorized — Fy @ 11:42 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

As cortes medievais guardavam em meio à nobreza

uma figura das mais intrigantes : o bobo da corte .

Essa personagem era a antítese de toda hipocrisia ,

arauto de todas as artes que de forma inteligente , simples e direta

transformava suas anedotas reais em apresentação da vox populi diante seu regente ,

a ponte entre a ilusão de poder do rei e a realidade da existência dos plebeus ,

era a personificação da autocrítica de um monarca

através do único caminho possível para isso , o humor ,

e nesse caminho com sua expressão irônica

e a sua forma engenhosamente elaborada da realidade divertiam e advertiam .

 

 

 

Agora , onde está o bobo em nossos tempos ?

Ele vestiu um terno escuro , colocou uma gravata , esqueceu-se de sua natureza ,

acreditou em sua própria piada e após um dia qualquer de trabalho árduo ,

voltou para sua casa de concreto assentado e olhando a sua imagem monocromática no espelho ,

evocou sua memória perdida e ao evidenciá-la por poucos segundos ,

 

                             suicidou-se . 

 

 

 

Exumação Prática com Hamlet     – Como desenterrar um bobo?

Marques Patrocínio

   http://cultodesophia.wordpress.com

 

 

 

 

 

Desde que eu publiquei este texto do  Marques Patrocínio –

me lembrei deste post sobre Lobato, que há tempos publiquei no Anoitan .

Não vejo relevância em exaltar a biografia ou a importância do brasileiro  Monteiro Lobato ,

mesmo nesta fase , em que quase tudo começa com    ca-be-çá-r i o  sss , e termina com améns ,ou seja : as pílulas do ” cala – a – boca “.

 Existem sites , blogs em sua homenagem que as  honram com distinção –

além . . .  de igualmente honrar . . . o intelecto de quem os acessa .

 

 

Ah . . .  , mas como não  perceber a furiosa perfeição deste primeiro parágrafo do Patrocínio

como introdução de qualquer menção à obra de Lobato ? –

ou de qualquer outro alguem que tenha incomodado ou incomode  os incontáveis  ministérios  de  superVerDaDes ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em Buenos Aires e em Nova York , em Madri e Lisboa , em Paris e Londres ,

nas cidades alemãs e italianas os livros de Monteiro Lobato são expostos nas vitrines

e prateleiras das livrarias tanto quanto no Rio de Janeiro , São Paulo , na Bahia e em Porto Alegre ou no interior distante .

E ao lado deles figuram os livros de autores de todos os países com nome e reputação na literatura universal .

[ Sem esquecer o Canadá ! ]

 

 

 

 Sobretudo um brasileiro genuíno , que conhece e ama sua terra e que quer transmitir uma imagem verdadeira desse seu Brasil .

Mas . . .  – como todos aqueles que se distanciam do banal , que não fecham os olhos , que delatam o desumano ,

Monteiro Lobato compartilhou o destino de tantos outros defensores da verdade-de-verdade  , sobre os quais Goethe já disse :

 

 

Os raros , que algo disso  [da verdade]  entreluziram , e que , em vez de o esconder a sete chaves ,

foram à doida assoalhar no vulgo seu pensar e sentir em toda a parte ,

acabaram na cruz ou na fogueira .

 

 

Vou deixar alguns endereços no final do post que Super valem a pena .

 

 

                                                                                 

 

 

Hoje , a intenção é diferente .

É falar sobre Emília , ou sobre  “o que ”  Lobato queria falar  , quando ” transbordou ” de vida , este duendezinho . 

O autor , do texto a seguir ,  Marcus  Quintaes é um  psicanalista junguiano –

e tem uma visão do trabalho de Jung que me agrada –

por não ser “engessada” , … adaptada    ou    “ oportunizada” .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 ( www.himma.psc.br )

 

 

 

So  , –  come with me :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Emília, uma boneca de pano de quarenta centímetros costurada pelas mãos de Tia Anastácia , e   “ que evoluiu e virou gente ”  .

Emília nasceu boneca de pano , de trapo e macela , e ficou sendo a companheira preferida de Narizinho .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

…  e    “ Narizinho vivia a conversar com ela ”  …

 

 

 

 

Apenas esta menção não faz de Emília , até então , nenhuma boneca especial ,

afinal , é fato comum , sempre foi e sempre será , as crianças conversarem com seus brinquedos .

 

 

Ao pesquisarmos o imaginário da literatura infantil , percebemos que Monteiro Lobato não inovou ao fazer de uma boneca , um personagem .

 

A excepcionalidade de Emília tem dia e tem hora marcada .

 Ela começa quando Emília começa a falar   “de Verdade ” .

 O episódio da conquista da fala é fundamental na biografia e no

 decorrente fascínio que a boneca exerce sobre nós .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imperdível é a consulta da boneca com o médico da corte do Princípe Escamado ,                        

 Dr. Caramujo , um dos habitantes do Reino das Águas Claras :

 

“ Veio a boneca .

O doutor escolheu uma pílula falante e pôs-lhe na boca  – Engula de uma vez !

Disse Narizinho ensinando à Emília como se engole pílula . E não faça tanta careta que arrebenta o outro olho .

Emília engoliu a pílula muito bem engolida , e começou a falar no mesmo instante .

A primeira coisa que disse foi : Estou com um horrível gosto de sapo na boca .

 E falou , falou , falou  e … falou .

 

 

Falou tanto que Narizinho , atordoada , disse ao Doutor que era melhor fazê-la vomitar aquela pílula e engolir outra mais fraca .

Não é preciso – explicou o grande médico .

 Ela que fale até cansar ! Depois de algumas horas de falação , sossega e fica como toda gente .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Aqui lanço uma pergunta :

Como , [ como analistas ] , podemos nos debruçar sobre esta pérola literária

descrita por Lobato e não nos deixarmos ser arrebatados por ela  ?

Sim , esta é a minha proposta , Dr. Caramujo como imagem de uma analista trabalhando a favor da fala .

Libertando a fala de seu silêncio neurótico .

E como Dr. Caramujo opera esta proposta ? Com sua indicação de uma pílula falante .

 

 

 

Palavras e pílulas , pílulas e palavras .

 

Pílulas que matam as palavras e pílulas que libertam as palavras .

 

 

 

 

 

 

Em tempos atuais de circulação excessiva de pílulas como Prozac , Ritalina , Viagra , Rivotril , Zoloft ,

[ entre outros tipos de entorpecimentos cerebrais]  pílulas estas que nos conduzem

para a nova mitologia dominante sobre o universo psíquico :

a mitologia do cérebro com suas dopaminas , serotoninas , neurotransmissores , sinapses ,

desequilíbrios químicos , enfim : a criação do homem neuronal ,

modelo onde as palavras sucumbem à força das pílulas , reencontrar a sabedoria e proposição ética do Dr. Caramujo se faz um alívio .

 

 

 

 

Esta é a indicação de Dr. Caramujo para Emília : Falar até cansar .

Fazer uso do verbo , apropriar-se da linguagem , libertar a imaginação contida nas palavras .

Não é isto senão o que Freud chamou de Método da Associação Livre ?

Não é este o convite que todo analista faz a seu paciente : falar até cansar ?

Não seria o espaço analítico o lugar privilegiado para a possibilidade de manifestação daquilo que Dr. Caramujo diagnostica como   “ fala recolhida ”  ?

 

 

 

 

Proponho imaginar que uma análise se inicia quando um paciente consegue encontrar um analista como Dr. Caramujo ,

que o instiga a ir atrás : produzir , imaginar ou criar modos de dar existência às suas   “ falas recolhidas ” .

 

 

 

 

Porém, não esqueçamos um detalhe .

Outra absoluta preciosidade apontada por Narizinho :

Não se trata apenas de falar , fala comum e ordinária , pois se este fosse o caso , o transplante de língua de papagaio para isto serviria .

Afinal , para onde nos aponta esta imagem   “ língua de papagaio ”  ?

 

 

 

 

Repetição –  Imitação –  Cópia –  Eco –  Previsibilidade –  Recorrência do Mesmo . [ mesmíce ]

 Repetir a fala do outro , usar o discurso do outro ao invés da criação do meu discurso , indiscriminação ,     – serei eu um papagaio do outro ?            

 

 

 

 

Haverá individuação numa língua de papagaio ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Desindentificação com a Persona , atravessamento do Narcisismo ,

 abrir-se para outras   “ terras ”   e   “ reinos ”   ainda pouco íntimos de cada um ,

  dialogar com as figuras da imaginação ou as figuras do outro que nos habitam ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É Peter Pan que introduz as crianças no Reino das Maravilhas  , transportando-as através do pó de Pirlimpimpim  :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Aqui , somos fiéis ao método junguiano da Circumambulação :

andar ao redor da imagem ,

traçar paralelos ,

buscar associações ,

encontrar semelhanças ,

tudo em torno da imagem a fim de , como Hillman diz :  

“ aumentar o volume da imagem ”

.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

Para muitos críticos , Emília é interpretada como sendo Porta-Voz de Monteiro Lobato ,

também ele um intelectual crítico e participante das principais discussões políticas e culturais da primeira metade do século XX .

– Um crítico feroz e arguto , e assim como a boneca ,  expressava suas posições sem medo e nem papas na língua .

 

 

Se faz importante aqui falar um pouco mais da relação entre Lobato e Emília e até lançar a pergunta :

                       Afinal quem é autor ? Quem é personagem ? Quem é criador , quem é criatura ?

 

 

Sobre Emília , Lobato comenta :

–  “ ela começou como uma feia boneca de pano , dessas que nas quitandas do interior custavam 200 réis .

Mas , rapidamente foi evoluindo e adquirindo tanta independência que . . .    quando lhe perguntaram :

 “ – mas o que você é ,  afinal de contas , Emília ?

Ela respondeu de queixinho empinado : sou a Independência ou Morte !                                      

E é tão independente que nem eu , seu pai , consigo domá-la .  ( … )  fez de mim um   “ aparelho ” ,   como se diz em linguagem espírita  ( … )                                                                                                                             

É Emília hoje que me governa , em vez de ser por mim governada . – ”                                                                       

 “ A barca de Gleyre .  M.L. ”

 

 

 

 

Monteiro Lobato se assemelha neste depoimento a algo que Jung descreve em seu texto :  “ A relação da psicologia analítica com a obra de arte poética ”

como sendo o processo visionário de criação onde o objeto prevalece sobre o sujeito .

Neste , o autor deixa-se levar pelo texto e seus desdobramentos , não determina qual efeito ou solução para os conflitos .

Para este , a obra traz em si a sua própria forma .

Tudo aquilo que gostaria de acrescentar será recusado , o que não gostaria de aceitar lhe será imposto .

Ao autor : só cabe obedecer e executar , ele está submetido a sua obra , ou , pelo menos : ao lado ,

como uma segunda pessoa que tivesse entrado na esfera de um querer estranho .           

 

 

Lobato  criou  Emília  ou  Emília  criou  Lobato  ?

 

É esta imprevisibilidade e irreverência de Emília que a colocam num lugar diferenciado dentro do nosso imaginário .  

Emília é aquela que através de atitudes novas e ousadas desconstrói e renova símbolos religiosos ou culturais de determinada época .

 Nisto ela cumpre sua função de Trickster como formulada por Jung :  Emília  é  um  Trickester .   >  – Anarquista : graças a Deus !  –              

                                                                                                

O arquétipo do Trickster é a um só tempo , humano e não-humano , costuma pregar peças nos outros através dos truques , ardis ,

da mágica , da sedução e ás vezes da violência – > é aquele a quem é permitido dizer sob a forma de bufão , clown , bobo da corte , as verdades em forma de piadas . 

Jung escreveu em seu artigo   “ A Psicologia da figura do Trickster ”   – que este evolui de um indivíduo psiquicamente inconsciente

até atingir a categoria de um ser socialmente desenvolvido .

Não é este o caso de Emília  ?

De boneca inanimada a uma boneca que evoluiu e virou gente  ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MARCUS QUINTAES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FONTES :  e  links imperdíveis :

 

 

 

 

 

 

Monteiro Lobato, em Memória dos Imortais

Martin Fischer

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://www.overmundo.com.br/banco/caio-prado-junior

 

 

 

Excelente :

http://acervomonteirolobato.blogspot.com/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

by : 

Bia   

TocaYo    

Fy

Marcus Quintaes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

– … Uma nota especial :

Marília Ferraz passou por aqui e deixou este apelo :

http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/7383

 

 – difícel não assinar depois de ler :

 

27 Comments »

  1. Oi queridos,

    Sensacional, Fy.

    Linda homenagem, diferente por excelência.

    – Bom, o sol parece que vai ficar um pouquinho com agente, e isto faz com que tenhamos muito o que fazer, mas eu volto mais tarde, porque todo este texto promete….

    Muito bom este Himma.

    Pena voce não tê-lo mancionado na época da 1ª publicação,hahahahahahah.
    Marcus Quintaes : mais um pra lista dos inteligentes, que com certeza não seria top-list lá no santuário de São Jung e , ahhahahah, São Hillman.

    Seminário: A Psicologia Arquetípica de James Hillman: “Revisioning Psychology”

    Neste seminário, avançaremos na leitura da obra fundamental de James Hillman: Revisioning Psychology. Após termos lido o capítulo “Personificar”, começaremos a estudar uma das principais idéias da Psicologia Arquetípica, ou seja, o Patologizar.

    Estudaremos o contexto que permitiu a Hillman criar esta idéia fundamental para o trabalho de fazer – alma como proposto por ele. O patologizar surge como um antídoto frente a ênfase quase religiosa a favor da saúde e da totalidade que contaminavam o ambiente psicológico junguiano no final da década de 60 e início dos 70. Para Hillman, o patologizar não se confunde com o patológico, visto que é umas das formas mais legítimas e particulares da alma apresentar suas imagens. Destacaremos através de um olhar retrospectivo e histórico que o patologizar sempre esteve presente na história da criação da Psicologia Arquetípica através dos inúmeros textos onde Hillman apresentou suas imagens sobre esta idéia como: traição, masturbação, morte, depressão, pânico, velhice e a guerra.

    Leremos o capítulo “Patologizar” e o interrogaremos com outros textos de colaboradores da Psicologia Arquetípica como David Miller e Michael Vannoy Adams mas também com as críticas feitas por Wolfgang Giegerich à esta noção sugerida por Hillman.

    Himma.

    beijo a todos
    tio Gus

    Comment by Gustavo — 19/11/2010 @ 1:54 AM

    • hahahahahah

      Gus,
      eu vou publicar já-já um artigo do Hillman sobre Caráter.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 20/11/2010 @ 9:11 PM

  2. Aloha Gus, e já vem vindo outra tempestade.
    Gustavo, a reação dos junguianos “engessados” / ortodoxos melhor explicado / é furiosa quando o assunto é Hillman.
    É um jihad, irmão,. mas isto não tem a ver com aquele incidente/emo/menopausico.aquilo é falta de informação no seco.
    são os vodus da cultura,os que se afogam em dois parágrafos e passam a distribuir opiniões hilárias, estranguladas no ponto em que engasgaram.Té dói.
    Mas ultimamente tem muita gente que dói.
    Outro dia brinquei com a Fy, que quando ela publicar Coraline deve escolher bem o título, porque foi exatamente a mesma experiência, huahuahuahua, agente pode até desenvolver isto legal, mas vamos deixar pra Coraline.

    O post do Quintaes fala sobre Circumambulação. E é um tema incrível, tanto por Jung quanto a continuação do Hillman.um tema oportuno, contrário à estagnação,à fixidez de idéias, eu acho até que tem tudo a ver com artes, cinema, dança, cinema,música, poesia, e o escambau.só não tem a ver com aquilo, é o contrário, o contrário de mumificar.

    (Nem vou entrar no papo de racismo, e a degradação que propuseram com a retaliação dos textos do Lobato. Isto é crime, é nazismo na veia, cristianismo, catolicismo e por aí vai.Grande Fiuza, mas o que não falta é Johnny, tentando se estabelecer como Zé da hora. Num outro post agente fala sobre isso, se alguem achar importante. Nem quero começar, que me empolgo.)

    Vamos voltar pra Emília, filha de Lobato e neta de Nietzsche .
    O contrário de toda a parafernalha zunguiada que se lê por aí do Jung.
    O contrário do engessamento, da curteza, da burra estagnação em cima de uma idéia ou de uma imagem.
    Cheguei.
    O lance da “imagem”.
    Taí um bom texto pra gente ler e que ajuda até a compreender a eriçada que a Fy deu pra cima daquela verborragia ostensivamente curta e ignorante.
    Só podia dar merda, huahuhauuhauauuhhuahauha.

    vamo lá que eu escolhi a dedo e vou dar espaço (**&&¨%*)

    Imagem:

    Definição:

    Muito embora seja possível determinar um tempo e um lu­gar em particular para a definição de símbolo de Jung, é menos fácil descrever a evolução de suas idéias sobre a imagem.

    Talvez seja verdade que a progressão desde se = falar de símbolo até a con­centração sobre a imagem = é um fenômeno da psicologia analítica em seu período = pós-junguiano,

    porém uma observa­ção exata dos escritos pessoais de Jung parece substanciar uma de­finição de imagem que = contém “ou” amplifica o símbolo, sendo o con­texto em que este se insere, seja pessoal ou coletivo.

    O trabalho a que Jung se dedicou em sua vida, lado a lado com seus escritos, parece dominado por determinadas configurações psíquicas em torno das quais ele se move em circumambulação,

    vendo-as sempre de modo mais profundo e nítido, assim pos­sibilitando-o a preencher ou moldar uma forma básica.

    Portanto, embora misturasse as palavras símbolo e imagem em diferentes ocasiões, em sua carreira profissional,

    usando estas palavras quase como sinônimos uma da outra, afinal de contas iria parecer que ele concebia a imagem

    tanto anterior a / como maior que a soma de seus componentes simbólicos.

    Em suas próprias palavras:

    “A imagem é uma expressão condensada da situação psíquica como um todo,

    ” e não meramente, ou mesmo predominantemente”, de conteúdos inconscien­tes puros e simples”.

    A compreensão da imagem por Jung MODIFICOU-SE NO CURSO DE TODA UMA VIDA.

    REPETINDO:

    modificou-se no curso de toda uma vida.

    Originalmente formulada como um conceito, a ima­gem era experimentada como uma presença que acompanhava a psique.

    Sua mais notável descoberta, verificada empiricamente, po­deria ser de que =

    a própria psique não ocorre “cientificamente”, isto é = mediante hipótese e modelo,

    mas sim “imagisticamente”, isto é, através do mito e da metáfora.

    Contudo, Jung diz sobre a imagem:

    “Ela, sem dúvida, realmente expressa conteúdos inconscientes,

    mas não o todo deles,

    apenas aqueles que estão momentanea­mente constelados.

    Essa constelação é o resultado da atividade espontânea do inconsciente, por um lado,

    e da “momentâ­nea” situação consciente, pelo outro…

    A interpretação de seu significado, portanto, não pode partir nem do cons­ciente exclusivamente

    nem do inconsciente exclusivamente, MAS SÓMENTE DO RELACIONAMENTO RECÍPROCO DESTES.

    /
    /
    /

    Isto realça o lugar da emoção e do afeto com respeito às imagens.

    Enquanto, considerando-se de um ponto de vista causal, teórico ou científico,

    as imagens são supostamente objetivas, por sua natureza são também altamente subjetivas.
    /
    /

    Em virtude de a imagem ser um continente dos opostos, em contraste com o símbolo que é um mediador dos opostos,

    não se prende a uma posição qualquer, porém em cada uma podem ser encontrados elementos dela.
    /
    /

    Como exemplo,

    a imagem da anima é tanto uma experiência interior como exterior a um só e mesmo tempo;

    do mesmo modo que “mãe” ou “rainha”.

    Em parte, o trabalho da análise consiste na diferenciação que prepara uma reunificação dos opostos como parte de um conjunto de imagens renovado e mais consciente.

    Quer dizer, a vida por ser real não é menos psicológica.

    A imagem é sempre uma expressão da totalidade percebida e percebível, apreendida e apreensível, pelo indivíduo.

    Enquanto, so­bretudo pelo fim de sua vida, Jung discriminava entre a imagem ar­quetípica e o arquétipo per se,

    na prática são as imagens que ex­citam o observador (por exemplo, o sonhador) até o grau de ele ser capaz de incorporar ou compreender

    ou realizar (tornar consciente) o que ele percebe. De acordo com Jung, a imagem é dotada de um poder gerador;

    sua função é incitar; ela é psiquicamente compelidora.

    Resumindo, as imagens têm a facilidade de gerar suas iguais;

    movimento nas imagens em direção à sua realização é um processo psíquico que nos atinge pessoalmente.

    Tanto observamos de fora como, também participamos ou sofremos como uma figura no drama.

    PUTA, COMO ISSO É VELHO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    CONTINUANDO:

    “É um fato psíquico”, escreve Jung, “que a fantasia está aconte­cendo e ela é tão real como você – enquanto entidade psíquica ­é real.

    Se essa operação crucial de entrar ativamente em sua própria reação não é levada a cabo,

    todas as mudanças são deixadas ao fluxo das imagens, e a pessoa mesmo não muda.”

    TAÍ 2 LINHAZINHAS COM UMA OBSERVAÇÃO FURIOSA …
    /
    /
    /

    A vida psicológica enfatiza, sobretudo, a necessidade de uma reação subjetiva às imagens,

    desse modo estabelecendo = um relacionamento, = um diálogo, = um envolvimento ou um = toma-Iá-dá-cá que resulta even­tualmente em uma coniunctio,

    em que tanto a pessoa como a imagem são afetadas.

    NÃO SE PODE ESQUECER NEM OBTUSAR E PERCEBER QUE ESTE PARÁGRAFO EXPLICA TAMBÉM O LADO SAFADO DAS DOUTRINAÇÕES POLÍTICAS / RELIGIOSAS E É MAIS VELHO QUE O MUNDO.
    /
    /
    /

    Esse relacionamento é o foco de atenção atual entre psicólogos analíticos, simbolizada por uma ênfase em empatia, relacionar-se e EROS.

    Embora boa parcela de atenção tenha sido dada aos símbolos individuais, Hillman (1975) também tentou esclarecer o conceito de imagem.

    O relacionamento apropriado entre o indivíduo e a imagem é expresso por um estudioso do islamismo, Corbin (1983):

    “a pró­pria imagem abre caminho àquilo que jaz além dela, em direção àquilo que simboliza”. = TAÍ A DESGRAMEIRA TODA.

    Corroborando isso, temos a afirmação de Jung:

    /

    “Quando a mente consciente participa ativamente e experimenta cada estágio do processo, ou pelo menos o compreende intuitivamen­te,

    então a = imagem … “seguinte” (SEGUINTE…) = uma ampliação da imagem original) sempre brota no nível mais elevado que se conquistou

    e uma inten­cionalidade se desenvolve”.

    /
    ———————————

    é isso, brilhante e cabuloso ao mesmo tempo.

    mas vale pensar.
    abraço aê
    TocaYo

    O lance

    Comment by TocaYo — 19/11/2010 @ 8:05 AM





    • Cir-cu-mam-bu-lan-do…-

      vale pensar….

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 20/11/2010 @ 9:14 PM

  3. Esse relacionamento é o foco de atenção atual entre psicólogos analíticos, simbolizada por uma ênfase em empatia, relacionar-se e EROS.

    Embora boa parcela de atenção tenha sido dada aos símbolos individuais, Hillman (1975) também tentou esclarecer o conceito de imagem.

    O relacionamento apropriado entre o indivíduo e a imagem é expresso por um estudioso do islamismo, Corbin (1983):

    “a pró­pria imagem abre caminho àquilo que jaz além dela, em direção àquilo que simboliza”. = TAÍ A DESGRAMEIRA TODA.

    Corroborando isso, temos a afirmação de Jung:

    /

    “Quando a mente consciente participa ativamente e experimenta cada estágio do processo, ou pelo menos o compreende intuitivamen­te,

    então a = imagem … “seguinte” (SEGUINTE…) = uma ampliação da imagem original) sempre brota no nível mais elevado que se conquistou

    e uma inten­cionalidade se desenvolve”.



    <>

    ———————————

    Interessante mesmo TocaYo, interessante , brilhante e cabuloso… sem dúvida.

    Mas – olha só…, mais cabuloso ainda, é que talvez por falta de informação,ou de estudo, as pessoas “adotam” deuses e ídolos, endeuzam e en-guruzam pessoas,divinizam sujeitos como Hitler ou o Papa – ou o psicólogo ou o pastor….esquecendo que são humanas, e vão associando-as ao “seu …alcance”, formando imagens de acordo com suas necessidades, – de acordo com suas curtezas – ou falta de cultura, e há também a inocência neste processo . Aliás,esta é a matéria prima das máquinas de poder.

    Vou colocar um texto polêmico, – só pra quebrar esta religiosidade em torno da filosofia junguiana.

    Polêmico é pouco… mas vale como informação, muito embora possa se retirar dele MUITA coisa positiva – mas que perde totalmente o sentido quando as relacionamos À IMAGEM do Nazismo .

    Minha opinião pessoal vai além: entre este religiosismo (inclusive nós assistimos as baboseiras afirmadas, lamentavelmente, naquele necrotério)-
    entre este religiosismo mumificado, como diz voce, e o nazismo >>> existem vários, inúmeros e consistentes pontos em comum.

    Mas vamos lá, que o negócio aqui é quente:<> voce não viu nada:



    Em 08/09/2007, abria eu o Fórum “Análises em geral”, com o tópico “Sobre Jung”, e na mensagem inaugural, perguntava:

    “Teria sido Jung um nazista convicto?” Em seguida, foram enviadas três mensagens. Agora eu não pergunto mais. Eu afirmo.



    Caindo a Máscara (Persona)

    Em 1933, com o Nazismo já no poder, Hitler nomeou o Dr. M.H. Goering, parente de Hermann Goering, que dividia o comando do III Reich com Hitler, para que fosse organizada uma Nova Sociedade Alemã de Psicoterapia.

    Imediatamente, Ernst Krestchmer, que era então o Presidente desta Sociedade, pediu espontaneamente sua demissão irrevogável do cargo.
    Para nossa surpresa quem assume a Presidência deste Órgão Alemão, é o suíço Carl Gustav Jung, que além de Presidente acumulou o cargo de Diretor da importante Revista Zentralblatt für Psychotherapie, órgão oficial de publicações desta Sociedade.

    O Dr. M.H. Goering, reorganizador da Sociedade e da Revista deixou registrado seu pronunciamento no primeiro número da nova Revista:
    “Esta Sociedade tem a tarefa de unir todos os médicos alemães dentro do espírito do Governo Nacional-Socialista, particularmente os médicos que estejam dispostos a praticar a psiquiatria de acordo com a Weltanschauung (visão-de-mundo) dos nacionais-socialistas.”

    Neste mesmo número introdutório, Jung redige, como Presidente do Órgão, uma curta declaração com frases politicamente ambíguas:

    “As bem conhecidas diferenças factuais entre Psicologia germânica e judaica não devem ser mais obscurecidas, o que só pode beneficiar a Ciência.”

    No segundo número da nova revista Jung escreve um confuso artigo chamado “A Atual Situação da Psicoterapia”,
    onde ele ataca severamente os pontos de vista de S. Freud a respeito da significação das raízes infantis da neurose.
    Atacou também a “teoria judaica” de A. Adler sobre a Vontade de Poder como força motivadora básica.
    Comparando a ênfase que ele próprio, Jung, dava aos aspectos criativos da mente inconsciente
    com as opiniões hedonísticas – Princípio do Prazer – de Freud, acusou-o de só ver o lado sombrio da natureza humana.

    ———————————————————
    ( hahaha: imagine se ele tivesse feito um tour naquele “nazístico” paraíso das Cruelas)!!!
    ———————————————————

    Justificou a popularidade da terapia de Freud pelo fato do psicanalista subestimar a personalidade do paciente…


    “atingir o paciente em seu ponto vulnerável e dessa maneira obter facilmente a superioridade…
    Existem realmente pessoas decentes que não são impostoras e que não usam ideais e valores para o embelezamento de sua personalidade inferior.
    Tratar tais pessoas redutivamente e atribuir a elas motivos inconfessáveis e suspeitar que por trás de sua pureza natural existe sujeira antinatural é não só pecaminosamente estúpido, mas também criminoso”.


    Está claro, que Jung, tendo conhecido muito bem o trabalho de Freud, só pode escrever essa demagogia que falseia as opiniões de Freud,
    para enaltecer os pontos de vista nazistas sobre a suposta baixeza da mentalidade judaica.


    Pasmem, é Jung quem escreve:

    “Os judeus têm esta semelhança comum com as mulheres: sendo fisicamente mais fracos, precisam visar as brechas nas defesas do adversário e,
    devido a essa técnica que lhes foi imposta através dos séculos, os judeus têm as melhores defesas onde outros são mais vulneráveis.”


    “Devido à sua antiga cultura são capazes de maneira perfeitamente consciente, mesmo no ambiente mais amistoso e tolerante,
    de entregar-se a seus próprios vícios, enquanto nós somos jovens demais para não termos “ilusões” ao nosso próprio respeito.”


    “O judeu, o nômade cultural, nunca criou e provavelmente nunca criará suas próprias formas culturais porque todos os seus instintos
    e dotes dependem de uma nação hospedeira (insinuando ao judeu como um parasita – obs. nossa), mais ou menos civilizada.

    O inconsciente ariano tem um potencial mais elevado que o judaico; isto é a vantagem e a desvantagem de uma juvenilidade que está mais próxima do barbarismo.”


    Para Jung a psique ariana é, ao mesmo tempo, mais bárbara e mais criativa:

    “A mente inconsciente do ariano contém tensões e elementos criativos a serem realizados no futuro.

    É perigoso e não permissível desvalorizar essas forças criativas como romantismo da infância.

    Em minha opinião, foi um erro da Psicologia Médica até agora existente aplicar inadvertidamente as categorias judaicas –
    que não são válidas sequer para todos os judeus – aos alemães e eslavos cristãos.

    O mais valioso segredo da personalidade alemã, sua alma intuitiva criativa, foi declarado como um charco banal e infantil.

    Ao mesmo tempo, minha voz de advertência foi suspeita de anti-semitismo.”

    “Esta suspeita originou-se em Freud. Ele conhecia tão pouco a alma alemã quanto seus idólatras alemães.

    Não terão eles aprendido alguma coisa com o poderoso aparecimento do Nacional-Socialismo para o qual o mundo inteiro olha cheio de espanto:

    Onde estava a tensão e ímpeto sem precedentes quando o Nacional-Socialismo ainda não existia?

    Estava escondido na alma alemã em seu fundo, que pode ser tudo menos uma cesta de lixo para desejos infantis não satisfeitos
    e ressentimentos familiares não resolvidos.
    Um movimento que toma conta de toda uma nação deve ter-se tornado predominante em cada pessoa”.

    ——————————–

    Está claro que Jung viu no movimento Nacional-Socialista uma oportunidade de vingar-se de Freud
    e liquidar a Psicanálise freudiana na Alemanha, declarando-a inaceitável à personalidade germânica.

    Jung fala da Psicanálise como um “movimento materialista sem alma”, produto de uma raça não criadora,
    que não é capaz de perceber as profundezas do gênio intuitivo criativo alemão.

    Ora, como já disse, Jung não era sequer cidadão alemão e não tinha desculpas para querer tornar-se líder de uma nova espécie de psiquiatria alemã
    e redator-chefe de uma Revista que, aberta e oficialmente, apoiava a filosofia do Nacional-Socialismo.

    O que teria levado Jung a declarar, que a Psicologia de Freud era inadequada para não-judeus,
    psicologia essa para a qual ele próprio contribuíra e que louvava e defendera em anos anteriores?

    O que o teria levado a desempenhar papel preeminente em um novo movimento psicológico racialmente orientado?

    Se não foi preconceito racial nem convicção nazista, o que foi então?



    autor: Tripicchio
    Fonte: Alexander, F. & Selesnick, S.- The History of Psychiatry. Chicago: Harper & Row, Publ., 1966.

    Foda hem?

    Mas, …é verdade.

    ————————————————————

    Se deslocarmos estas informações de todo este contexto de “nazizmo” – de racismo,de ideologias ou nacionalismos,- vamos ter apenas uma declaração sobre a Psicologia e uma análise do potencial do ser – como ser humano – bem a la Nietzsche – e bem contrária às teorias “reinventadas ” sobre individuação via iluminação deísta à la S João da noite escura.

    Difícel esta desarticulação… mas é possível fazê-la.

    E, sinceramente, repito, “retirando” do texto as palavras judeu – arianos – alemães – nazismo, etc, eu concordo com muita coisa dita por Jung , mesmo que ele as tenha desenvolvido e aperfeiçoado através dos anos em que se dedicou à Psicologia.

    e como voce disse, véio,
    …vale pensar.

    (tio) Renato

    Comment by Renato — 19/11/2010 @ 10:20 AM

  4. – Vou fazer uma dobradinha aqui,

    Achei esta resposta ao autor do texto acima, bem interessante, também “vale pensar” e perceber como, infelizmente, o “conteúdo” das palavras de Jung se perdem, porque relacionadas às imagens da época .

    Não se presta atenção na essência

    Resposta ao Eduardo
    Caríssimo Adalberto:

    Depois de um longo e tempestuoso verão, volto à carga.

    Não abri o RedePsi por mais de mês, por excesso absoluto de abacaxis a descascar e galhos a quebrar.

    Hoje abro e me deparo com sua coluna focando algo que é central da minha vida: O espantoso, mostruoso, inacreditável fenômeno do Nazismo.

    Nasci durante a 2a. Guerra, ou seja, mamei o medo que minha mãe sentia.

    Medo intenso, pânico crônico.

    Judeu que já não era criança ao longo dessa Guerra, vivesse onde vivesse, não podia viver tranquilo:
    a ameaça nazista permanente aos judeus abarcava a todos.

    Eu diria, hoje, que NENHUM judeu escapou ao Nazismo – pode ter sobrevivido, mas ficou marcado.

    O Nazismo transformou a paranóia no único fenômeno emocional digno de crédito, naquela época.

    Para você, psiquiatra, isso deve fazer sentido.

    Jung (assim com Heidegger) é um caso extremamente importante nessa história.

    Quando fiz o mestrado na USP escrevi um trabalho a esse respeito.

    Estou enviando-o a você particularmente, porque é longo.

    Li, na época vários artigos dele, e cheguei a uma conclusão pessoal. Se você achar relevante e possível, publique-o, por favor.
    Até hoje não foi publicado em lugar algum.

    Quanto às observações do Eduardo Alencar, só posso dizer o seguinte: Tive, na Faculdade de Psicologia (no século passado…)

    um excelente professor de Psicologia Experimental, e como tal um veemente inimigo da psicanálise.

    Eu o adorava, embora detestasse sua matéria.

    Alguns anos depois fiquei pasmo ao saber que ele havia abandonado o Comportamentalismo e se tornado… junguiano.

    Achei isso uma dessas reviravoltas absolutamente inesperadas, pela sua radicalidade.

    Mas passou-se não muito tempo e alguém me contou a segunda notícia: Ele, que era bastante jovem – pouco mais velho do que eu, havia morrido.

    Portanto, caro Eduardo, cuidado.

    Essa polaridade (entre o chão batido da ciência e a cosmogonia inefável de Jung) é perigosa.
    (Sei que não estou sendo científico, tirando conclusões a partir de um único caso.

    Mas, primeiro, quando o risco é grande, não é preciso respeitar demais a probabilidade, e segundo,
    sou daqueles que perde o amigo mas não perde a piada…)

    Mas voltando ao tema: as três judias discípulas e assistentes de Jung devem ter tido razões para confiar nele.

    Li um livro onde Jung é retratado como um sedutor absolutamente irresistível.
    Isso também pode ser apenas uma calúnia, não uma análise respeitável, mas me ficou a idéia de que,
    com suas poéticas excursões ao reino do divino, ele deve ter exercido um grande fascínio sobre quem o conhecesse.

    O importante, no entando, é que todas essas coisas que ele disse e você cita deixam um gosto amargo na mente.
    Em meu trabalho tentei resolver esse enigma.

    O que teria levado um homem como Jung, tão severamente tiranizado por seus pais,
    a bandear-se para o lado do Nazismo, mesmo que por pouco tempo?

    E dei uma resposta, que não vou contar agora. Vou esperar que você leia e me diga o que achou.

    Um grande abraço a você e ao Eduardo.

    E os junguianos sinceros que me perdoem.

    Não os estou desqualificando por adotarem a teoria de que mais gostam.

    Jung pode ter pisado na bola e mijado fora do penico, mas isso não signitica que tudo o que ele disse, pensou e esceveu é besteira.

    Como dizem os anti-semitas, ‘conheço alguns junguianos muito sinceros e legais’… Há Há Há.
    Mas o fato é que conheço mesmo. E gosto muito deles.
    Aliás, Winnicott foi um dos únicos analistas ingleses que consideravam Jung um teórico respeitável.

    Davy.

    ———————————————-

    Que explicação nós teríamos pra isso ?
    Que resposta daríamos ?

    ———————————————–

    minha sugestão: ler com atenção o texto do comentário do TocaYo : ele elucida esta passagem de Jung… por Jung .
    (tio) Renato

    Comment by Renato — 19/11/2010 @ 10:45 AM

    • Renato ….

      cyclones in my mind . . .



      Difícel – difícel ” aumentar o volume . . . desta imagem .”

      1º – que Jung era vaidoso : ok – mas ser vaidoso não deixa de ser uma característica inteligente . E se o lance é Cir-cu-mam-bu-lar . . . aiaiai minha resposta

      é q vai virar uma desgrameira .

      – se a vaidade de jung foi contestar e se fazer ouvir – insistindo em seu ponto de vista – derivando todo um pensamento , permitindo um devir , seguindo outros desdobramentos , explorando territórios novos , quebrando paradigmas …. – he’s my hero : again and again .

      – mesmo não concordando – mesmo não entendendo : foi um enorme prazer pensar : raciocinar – buscar explicações > circuma… > dificinho escrever isto … .

      – E isto é Jung : como foram tantos > o drama todo está no “congelar” > no “repetir e repetir” sem … continuar …

      – Continuar : explorar > re-significar > propor > > rizomar enfim > é a proposta dos pós-junguianos . > produtores da “evolução” das teorias junguianas .

      – Aos adoradores do Estático > do Permanente > das Repetições > … resta o cansaço , a banalidade , o esquecimento . – Como negar que os pós Junguianos é que

      mantém vivas , atuantes , vibrantes > as teorias de Jung ?

      —————————————————–

      – Qto à fase nazista ….

      – Esta palavra é miserável seja lá em que contexto for .

      – Mas não há como discutir – impossível – que cada um de nós > por mais genial ou capacitado q seja , é influenciado pela realidade de sua época.

      – Jung defende teses , – q ao pé da letra – ou seja – de acordo com elas mesmas : como foram formuladas , obrigam a certas discussões , no mínimo curiosas …

      – De cara , o Inconsciente Coletivo . . . > as próprias palavras dele – acima : no comentário deste cara – já formam uma contradição violenta –
      coletivo é coletivo > e no contexto significa Humanidade : o que diz respeito à toda uma raça .

      – Eu não concordo com isso e vc sabe disto: aliás eu acho uma “particularidade mental” > deter o devir e a natural transformação de qualquer coisa , incluindo conceitos , religiões , e qq parafernalha do gênero . > MAS > uma das maneiras mais comuns de interpretar Jung > é esta , ou seja > somos apenas vítimas do que raciocinamos anteriormente > no decorrer da existência da nossa historia como raça . E eu dis-cor-do totalmente disto . Mais: acho esta discordância óbvia . Se assim fôsse : só existiriam sementes : árvores : jamais .

      Mas como diferenciar qq raça se o Inconsciente é coletivo e > sua [ hahaha : imutável ] consequência tb ?

      Parece q estou radicalizando um segmento – mas … sabemos q este obtuso raciocínio ou lamentavelmente “curioso” cacoete de copiar>colar : é o quase mais

      comum. aiaiai : comum …. – para o benefício das Corporações dos Espertos …

      – Entã … não há como negar que a escorregada do Jung foi dramática e … – ainda creio … de verdade : que meio infantil > ele é humano > e como todos nós

      mutável – e as mutações são progressivas …

      – E se quisermos explicar e e desculpar acabaremos caindo numa circum…. cujo resultado é fazer crescer a Imagem … e vai ficar pior … >>>>>>> Hitler

      também foi “produto de sua época” > insano ? gênio ? Insanamente genial ?

      —————————

      Outra forma de engulir este lance :

      O comentarista – mto inteligente – colocou a figura FDP do Heidegger .

      E foi aí que deu um show de genialidade .

      >>>> nós tb … acho … fazemos parte deste ciclo evolutivo interminável .

      Isti … acho … nos permite ANALISAR o contexto da obra de um personagem > desarticulando-a de seu contexto histórico e usando-o para compreendê-la mais

      profundamente > usando-o para elaborar arestas > des-significar suas contemporaneidades: re-significá-las … ou não temos mais raciocínio ?

      … às vezes penso que não .

      Em torno deste meu argumento , vou colocar um ensaiozinho que me explica melhor … e deixa ainda mais uma pergunta no ar :mais um “vale pensar” do Cayto :

      – é gde > mas sei q vc vai ler – hahahaha –



      HEIDEGGER E OS NAZISTAS

      Autor:
      Jeff Collins
      Tradução:
      Fernanda Gurgel


      “Nazismo” e “Heidegger” foram figuras problemáticas na história e cultura do século XX.

      O primeiro gerou a existência de uma nova maquinaria de governo totalitário,
      atrelado ao capitalismo industrial e à tecnologia moderna, que, num período de 12 anos,
      dizimou por volta de seis milhões de pessoas em seus programas de extermínio,
      sujeitou outros tanto milhões a trabalho escravo brutal ou a migrações forçadas pela
      Europa e além, e, em uma guerra em que eles mesmos eram os perseguidores, matou
      quase quatro milhões de soldados só do lado alemão, enquanto reduzia a economia
      alemã, suas principais cidades e infraestrutura a ruínas.



      A lista de acusações, muito mais longa, pode começar aí.
      Martin Heidegger, o filósofo alemão, é problemático por outros motivos. Em
      seu trabalho inicial, dos anos 20, ele propõe uma reavaliação radical da subjetividade
      humana, questionando o que pode significar a existência como “ser humano”.

      Nisto, ele rivaliza com outros discursos modernos e inovadores sobre a subjetividade – por exemplo, a psicanálise e psicologia científica de Freud.

      Heidegger também propôs um “pensar”, distinto do “filosofar”, que questiona as fundações da filosofia ocidental.

      Nisso, ele arrisca alto, já que a tradição filosófica em questão tem dois mil e quinhentos anos.

      Noções há muito reconhecidas de razão, lógica e verdade, por exemplo, não contavam mais com a aura da certeza.

      Heidegger tinha um projeto ainda mais ambicioso: levantar a questão do ser.

      Ele questionava não só o ser humano, mas o ser “em geral”, o fato de entidades terem uma existência.

      Ele ofereceu à ontologia (a grande tradição da especulação filosófica sobre o ser) um novo começo radical.

      O encontro do pensamento de Heidegger com o nazismo já foi descrito como desastroso, até monstruoso.

      Metáforas de colisão se aplicam: como em uma batida de trens, talvez – produtiva ou não – o filósofo mais inovador do século XX emprestou seu

      pensamento a um dos mais notórios regimes políticos da época.


      Perguntas e questões



      Poucos debates na filosofia contemporânea tiveram tamanha ressonância concentrada.

      De certo modo, a “política de Heidegger” tornou-se área de testes de diferentes modos de pensar, uma arena com uma longa história de fidelidade a um

      pensamento, realinhamentos e divergências.

      Pelo menos dois tipos gerais de indagação se destacam.

      Por um lado, vieram questões empíricas, com fatos e interpretações conflitantes.

      Essas foram geralmente expressadas biograficamente: os fatos da vida.

      O que ele fez?

      Até que ponto chegou seu comprometimento?

      Por quanto tempo durou: alguns anos de desvio, 1933-34, ou até sua morte, talvez impenitente, em 1976?

      Fatos simples, como de costume, podem resplandecer com complexidades.

      Se perguntarmos “Heidegger era realmente nazista?”, podemos também perguntar : “como” poderíamos ter certeza.

      Imediatamente, confrontamos perguntas de maior relevância, incluindo o que “ser nazista” significa, em vários contextos, hoje.

      Por outro lado, apareceram questões difíceis para a filosofia e para qualquer um que agora se engajasse ao pensamento de Heidegger.

      Seus trabalhos filosóficos podem ser lidos sem que se leve em consideração suas conhecidas lealdades políticas?

      São elementos inteiramente separados, esferas puramente autônomas? Ou há passagens ou movimentos, pontos de contato ou até mesmo ligações estruturais, que

      mantêm tudo junto de algum modo?

      Neste caso, os textos de Heidegger devem continuar sendo distribuídos com admiração, como recursos vitais para o pensamento?

      Há uma relevância maior nessas questões também.

      O encontro dos anos 1930 reuniu não só um pensador e o Partido Nazista, mas também, de modo mais geral, filosofia e política.

      Como podemos pensar “a política da filosofia” hoje?

      Essas questões, que se sucedem e proliferam, sugerem ao menos um pouco do que está em questão no “caso Heidegger”, e por que ele vem gerando publicações há

      mais de sessenta anos.

      Colette Audry, que em 1934 talvez tenha sido a primeira a levantar a questão publicamente na França, colocou-a sucintamente:

      Tenho um dossiê completo sobre o assunto; arrebatou meu interesse, acho, porque toda a nossa era e o conteúdo que associamos à palavra “cultura” estão

      enredados nele.

      Como Audry sugere, há implicações históricas, mas não se limitam especificamente ao seu tempo. ********

      Política Pós-Moderna


      Algumas das mais ferozes “guerras de Heidegger” vêm acontecendo desde o fim dos anos 1980, e entraram em um campo de debate chamado “política da

      pósmodernidade”.

      Tomando-o elasticamente, o termo descreve como apreciações recentes do modernismo cultural e da modernidade sócio-econômica foram colocadas em prática

      no território político.

      Mais dramaticamente, os pensadores pós-modernos se dedicaram a reunir discursos que contribuam para erradicar diferenças sociais e culturais.

      Essencialismos de classe, etnia ou gênero e pensamentos exclusivistas também foram alvos.

      Apresentando-se sob várias denominações, como movimentos “neo” ou “pós” feministas e marxistas, políticas pós-colonialistas e movimentos contraculturais, uma

      reorganização da política tradicional foi proposta.

      Dentro dessas áreas, uma conhecida lista de nomes foi circulada: Jean-François Lyotard, Jacques Derrida, Gilles Deleuze, Michel Foucault, Jacques Lacan e

      outros – pensadores geralmente classificados como pós-estruturalistas.

      Eles propuseram mudanças radicais no modo como pensamos conhecimento, poder, subjetividade e linguagem, e, de maneiras distintas e variadas, advogaram

      contrafilosofias, antiessencialismos, antifundacionalismos e estratégias de desconstrução.

      E aqui a figura de Heidegger entra.

      Sua análise da subjetividade, seu “pensar diferente” da tradição ocidental, até seu questionamento do ser provaram ser significativos e úteis a muitos

      pós-estruturalistas.

      De alguns redutos, entretanto, vieram denúncias de irracionalidade e irresponsabilidade política.

      Pós-estruturalistas foram acusados de rejeitar discursos razoáveis e embasados, e todas as categorias estáveis para julgamentos normativos e

      ações significativas.

      Essas objeções têm um viés político. Como os pósestruturalistas podem se opor com sucesso às forças da dominação e opressão, quando essas chegam no

      intensificado capitalismo global, autoritarismo de estado, militarismos e nacionalismos, formas de patriarcado ou fundamentalismo religioso, ou em outras

      formas talvez?

      Para embasar suas críticas, esses pensadores aceitam a influência de um filósofo, Heidegger, entusiasta do nazismo.

      A perspectiva que ilumina este livro é bem diferente. Sugere que tanto os fatos biográficos quanto a crítica filosófica da face política de Heidegger precisam

      ser levados a sério.

      Há movimentos políticos em prática que exigem isso – formas de “revolução conservadora” e o populismo da Nova Direita enraizaram-se profundamente

      em sociedades do tipo ocidental, que não têm barreiras inexpugnáveis contra neonazismos ressurgentes ou totalitarismos emergentes.

      Também pode ser que transpareça, entretanto, o fato de que qualquer possibilidade de abordar a democracia e a justiça social dependa de uma disposição de

      ” pensar sobre o pensar” >>> , e perturbar as categorias comuns e aceitas sem questionamento >>> da prática política.

      Os textos de Heidegger podem ter um papel nisso – pelo menos, é o que argumentam alguns de seus defensores.


      Lidamos, portanto, com uma charada extremamente difícil: como os textos de um filósofo que defende o nazismo podem se prestar, mesmo que em uma APARENTE

      DISTORÇÃO PARADOXAL , À LUTAS POLÍTICAS QUE RESISTEM : A NAZISMOS DE QUALQUER TIPO ? ? ?

      Esta é a principal questão do livro.

      ELE CONSIDERA ESPECIALMENTE A CONTRIBUIÇÃO DE JACQUES DERRIDA > > > CUJOS TRATAMENTOS DO DISCURSO CONDENATÓRIO – LIMITES DO NAZIZMO E ÉTICA POLÍTICA SÃO , TALVEZ > > > O USO MAIS SURPREENDENTE DE HEIDEGGER CONTRA SUAS PRÓPRIAS CRENÇAS POLÍTICAS .

      Junto a outros colaboradores, Derrida propôs uma reavaliação radical damaneira como entendemos totalitarismo e democracia.

      [ AQUI É PRA RIR ….. >>>> VALE PENSAR !!!!! RELIGIÕES – LULAS – IRÃS – CHAVES E CHAVOSOS – … e talz – hahahahahah]



      Primeiramente, entretanto, o que se conhece da face política de Heidegger?

      – Re,

      Não estou argumentando em defesa de Heidegger > veja bem > preciso estudar Heidegger e mto pra poder …. pensar em argumentar a favor ou contra … > mas estou tentando levantar a relevância do argumento – do autor ou autores do texto .

      bjs
      Fy

      – ai, esqueci se defeza é com s ou com z … depois corrijo.

      Comment by Fy — 21/11/2010 @ 12:28 AM

  5. Esta fase de Jung é discutível, sim.

    Mas é preciso um pouco de raciocínio pra se entender este lance.Junguiando Jung :“a pró­pria imagem abre caminho àquilo que jaz além dela, em direção àquilo que simboliza”. = TAÍ A DESGRAMEIRA TODA.

    Uma coisa voce pode estar certo, véio, o nazismo foi uma barbaridade elaborada por um bando de fdp inteligentes. Muito inteligentes.
    O mesmo tipo de fdps inteligentes que bolaram e bolam todos os sistemas de opressão, é a velha maquinaria dos governos totalitários, a engenharia do poder.

    Por mais que seja foda, não tem como negar as construções imagéticas altamente estratégicas e construídas justamente pra impressionar. Se o tema é Imagem, como negar que os ideais nazistas e sua exaltação e endeusamento da raça ariana são recursos estratégicos idênticos aos de qualquer religião e seus absurdos endeusamentos ?

    É tudo igual.

    Temos insistido tanto em temas pesados como o Castrismo : as fotos de Fidel espalhadas nas salas de aula, o livro vermelho de Mao : como adoração e evangelho , Goebbels e as estratégias de tornarem Hitler um deus, as velhas manipulações religiosas através das imagens sangrentas e miseráveis, exaltando a pobreza e o sacrifício, as delícias do paraíso, as ameaças divinas,as condenações : o racismo, a Inquisição, a escravidão: aprovada e explicada pela Igreja católica através da inferioridade do negro, exatamente com as palavras do Jung.enfim… no toma lá dá cá tudo obedece ao mesmo sistema, à mesma imagem. Não taí o Lula, fazendo a mesma coisa?

    Eu penso que nada mais natural que o Jung, jovem, cara, claro que vaidoso, o cara era humano devia ter mais uma porrada de defeito, tenha se entusiasmado, com a fantástica agilidade goebbeliana, ainda mais na rivalidade furiosa que ele tinha com Freud, e a chance de propagar estas diferenças através de um cargo tão importante.
    Eu acho que ele não tinha idéia do que este entusiasmo terminaria por provocar.
    Uma merda cada palavra dele.
    Mas não há como negar que por tráz deste discurso todo, como voce falou, muita coisa se aproveita.
    Mas fica aquele lance… não foi “isto” o que ele falou.
    O que ele falou tá lá.
    Circumambulou feio… espiralou na retranca…/ chato porque a “imagem” era sinistra.

    Mas eu entendi.
    TocaYo

    Comment by TocaYo — 19/11/2010 @ 12:21 PM

  6. Boa noite Fy, Windmills,

    Adoreiiiiiiiiiiii tudo sobre Monteiro Lobato.
    Sou da época em que se dormia ouvindo estas historias e passava-se o dia “brincando com elas” . Bons tempos, uma delícia relembrar.
    Os comentários estão fantásticos, vou observar mais um pouco e depois dou meus palpites.
    Parabéns à Bia, TocaYo, Fy, Marcos Quintaes e ao meu querido Monteiro Lobato.

    Quanto a esta historia de racismo, Monteiro Lobato apenas retratou exatamente o período pós escravidão e o racismo existente naquela epoca.
    Cínicos são aqueles que querem esconder os fatos ou fazer disto uma bandeira, insistindo em um tema que, na minha opinião, não existe mais.
    Nem aqui nem na Europa.
    Negros ou brancos, amrelos, verdes ou vermelhos, as dificuldades não me parecem mais nem um pouco diferentes.
    Beijos
    Sofia Mastrada

    Comment by Sofia — 19/11/2010 @ 1:17 PM

    • Oi Sofia,
      Eu tb to lendo e lendo…

      Caindo de sono….

      To gostando dos comentários também.

      Legal vc ter falado sobre este absurdo do Racismo.

      Sabe, analisar ou forçar a barra do Lobato neste sentido, tem muito a ver com a discussão dos meninos aí em cima.

      Renato, este cara que respondeu p/ o autor do 1° texto é muito inteligente, queria tanto ler o trabalho dele, tem no blog? me dá o endereço.

      Ele falou em Heidegger – ai escrevi 3 vzs errado, e amanhã vou escrever sobre isto e sobre o tal disvinculamento q vc propôs.

      kiss you goodnight!

      Fy

      Comment by Fy — 19/11/2010 @ 1:37 PM

    • Oi Sofia ,

      Voce disse :

      Sou da época em que se dormia ouvindo estas historias e passava-se o dia “brincando com elas” .

      Eu também, e quando eduquei minhas filhas, longe do meu país: fiz com que elas brincassem com estes sonhos e sonhassem muito, em várias historias, em diferentes idiomas .

      Sonhassem que existem muitas terras neste nosso mundo, diferentes,diversas,e que todas elas, com suas características diferentes,se complementam, quando o sonho consegue ser lindo .

      Bia

      Comment by Bia Neal — 21/11/2010 @ 12:56 AM

  7. Parabéns aí, moçada, excelente trabalho.

    Volto depoisss s s

    João Pedro

    Comment by João Pedro — 19/11/2010 @ 11:41 PM

  8. olhando a sua imagem monocromática no espelho ,

    evocou sua memória perdida e ao evidenciá-la por poucos segundos ,

    suicidou-se .

    duda

    Comment by duda — 20/11/2010 @ 12:45 AM

    • faz tempo…

      faz tempo….

      bj

      Fy

      Comment by Fy — 21/11/2010 @ 1:03 AM

  9. Fy, parabéns pelo blog. Esse post, simplesmente, maravilhoso.Adorava assistir Sítio do Pica…

    Comment by Lu — 20/11/2010 @ 4:09 AM

    • Lu, tomara q seja vc !!! Lu Ramos …

      Senão fica pra outra Lu tb.

      Adorei vc ter vindo aqui.

      Adorei q vc gostou.

      Vem sempre > palpite à beça > só ganhamos com isto por aqui.

      Querendo publicar > seja o assunto q escolher > o espaço é seu também.

      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 21/11/2010 @ 1:05 AM

  10. Puxa que legal!

    Parabéns de montão!

    Vou deixar um link com o ABAIXO ASSINADO dirigido ao Ministro da Educação Fernando Haddad que está rodando em toda a net .

    ASSINEM por favor.

    Monteiro Lobato é BRASILEIRO e patrimônio da nossa terra.

    É só acessar e assinar,

    http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/7383

    Seu blog é uma riqueza!

    Marília Ferraz

    Comment by Marília Ferraz — 20/11/2010 @ 6:26 AM

    • Welcome , Marília > muito obrigado > publiquei no post.

      Volta sempre : riqueza é o q vc trouxe .

      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 21/11/2010 @ 1:07 AM

  11. crescimento pessoal e espiritual
    se dá nas situações futuras
    de amor que vc dá…

    Comment by panterinha — 20/11/2010 @ 10:08 PM

    • Oi Panterinha

      Então, venha sempre , distribua coisas assim , e com certeza continuaremos a crescer juntos .

      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 21/11/2010 @ 1:09 AM

  12. MAIS MAGIA …

    a Marília e a Panterinha me lembraram isto.

    tchau q tá sol!

    bj

    Comment by Fy — 21/11/2010 @ 1:26 AM

  13. Que frescura é essa agora ?

    Comment by Fy — 21/11/2010 @ 1:33 AM

  14. Fy,não é a Lu Ramos.

    Comment by Lu — 21/11/2010 @ 1:42 AM

    • Lu,

      Não faz mal,

      Seja bem vinda e eu fico feliz igual.

      O espaço é seu tb : tudo igualzinho escrevi pra Lu Ramos.

      bjs

      Fy

      Comment by Fy — 21/11/2010 @ 4:43 AM

  15. Boa Tarde a todos, um bom domingo também.
    O tempo anda corrido, mas consegui sentar e ler com a atenção necessária.
    Digamos que esta palhaçada é uma ofensa,ou mais uma.Uma ousadia, e só poderia partir de uma administração analfabeta.

    Já que o post inspirou comentários longos, e posteriormente acho que vale a pena continuar com o tema do nazismo, os comentários estão convidativos…
    vale pensar …
    Mas por enquanto eu trouxe uma tradução bastante veemente em torno do nosso querido “Andersen Caboblo”, como o designam no texto.
    À Bia , Sofia , gostaria de dizer que também faço parte desta turma, que dormiu ao som das histórias de Lobato.

    A literatura brasileira é muito vasta; em todas as suas ramificações e de maneira alguma apenas no beletrismo. Às vezes tem-se a tentação de dizer que um pouco menos seria mais. A literatura brasileira é em parte também muito valiosa e bela e mereceria de verdade, através de boas traduções, ser levada para além das fronteiras brasileiras muito mais do que tem sido até agora. Monteiro Lobato encontra-se bem no meio dessa rica e bela literatura, está profundamente ligado a ela, é um autóctone brasileiro acabado (mesmo que um leve sopro de influência francesa, manifestamente de Flaubert e Maupassant, não escape ao pesquisador bem informado). Prenhe de amor fervoroso pelo Brasil, ele permanece no ambiente brasileiro, fiel à exigência de Luiz Amaral, ele vê o estrangeiro com olhos brasileiros e o julga a partir de uma perspectiva brasileira. E, contudo, ele é um – “outsider”. Isto é algo notável e singular nesse forte personagem, e talvez se encontre aí em parte a chave para a questão de por que Monteiro Lobato tenha tido, não apenas em seu país natal, mas em todo o mundo da cultura uma ressonância tão forte e uma recepção tão calorosa, que lhe garantiram um lugar na literatura universal.
    Esse estar-bem-dentro e ao mesmo tempo apartar-se é típico dele e constitui seu caráter. Individualista no limite do possível, Monteiro Lobato foi o “eterno rebelde”, o protótipo perfeito do “eterno revolucionário”. Moacir Werneck de Castro acertadamente o comparou certa vez, há anos, àquele anarquista amargurado, que “possuía uma metralhadora e por conta própria conduziu uma guerra”, a saber, contra ambos os partidos na guerra civil.

    Este rebelar-se contra tudo o que ele achava repreensível, inferior e imoral era de sua própria natureza, e ele atacava valente e impiedosamente, apontava com firmeza os defeitos e lutava com todo o idealismo e capacidade de sacrifícios de uma grande alma para sua eliminação. Pessoas assim costumam ser incômodas, não apenas para muitos de seus próximos, que a contragosto se deixam demover de sua fleuma, como também, e principalmente, para as autoridades, pois é sabido que a verdade nem sempre é ouvida com prazer, especialmente pelos burocratas, que com freqüência acreditam ter o monopólio sobre o bem-estar e as dores da nação. Estes costumam reagir aos rebeldes e amantes da verdade de maneira bem pouco amável.

    O Brasil não é nenhuma exceção a essa regra. Assim chegou também para o íntegro lutador, Monteiro Lobato, o momento em que o espírito das autoridades se cansou de ouvir a verdade do “eterno rebelde”. Isso aconteceu quando surgiu sua obra “O escândalo do petróleo”. “A prisão foi o preço do seu idealismo”, como Manoelito de Ornellas definiu, com precisão e amargura.

    O que o guiou na redação daquela obra bem como de todas as suas outras obras foi exclusivamente seu fervoroso amor por seu país e seu povo. Desse amor já tinha surgido sua primeira obra, “Urupês”, uma coleção de contos na qual, entre outros, criou aquela figura que gradualmente se tornou clássica, o simbólico Jeca Tatu: o caboclo miserável, que vive um dia após o outro; o caipira do interior.

    “Urupês” deve certamente ser evocada como sua produção literária mais significativa. “Se ele não tivesse escrito mais nada além do que escreveu sobre o caboclo da sua Taubaté natal, ainda assim ele seria imortal”, no julgamento de seu biógrafo, Alberto Conte, que infelizmente faleceu cedo demais.

    Quando surgiu, em 1918, “Urupês” foi inicialmente recebido com fria reserva pelo público brasileiro, até que ninguém menos que Ruy Barbosa, que bem naquela época estava no topo da sua fama e reconhecimento, se posicionou em defesa do “admirável escritor paulistano”, como ele se referia a Monteiro Lobato. Foi em março de 1919, no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, que o “águia de Haia”, com sua natural eloqüência aludiu à brilhante caracterização do caboclo brasileiro e, com isso, indiretamente, ao imenso significado social da obra “Urupês”. Com isso salvou-se a honra de Jeca Tatu, ao mesmo tempo em que seu criador passava a ocupar a primeira fila dos autores brasileiros contemporâneos.

    Agora Monteiro Lobato havia encontrado a plataforma a partir da qual podia fazer sua voz ecoar. E ele escrevia, escrevia e escrevia. Escrever era para ele uma necessidade. Ele escrevia tudo o que lhe pesava o coração. A quantidade de escritos seus é sumamente admirável. Eles hoje estão disponíveis na coleção “Obras Completas”, composta por 30 volumes, publicada pela Editora Brasiliense Ltda., de São Paulo, que representa uma iniciativa editorial significativa e admirável. A tiragem de livros de Monteiro Lobato só no Brasil já ultrapassou a marca de dois milhões de exemplares. Além disso, existem as traduções em espanhol, inglês, alemão, francês e italiano.

    Monteiro Lobato era decididamente viril, o que contribuiu substancialmente para que ele ganhasse e assegurasse a simpatia do mundo todo, bem além das fronteiras da sua pátria.
    “Monteiro Lobato exerceu uma influência muito maior no Brasil do que podem estimar seus contemporâneos”, escreveu Austregesilo de Athayde em um necrológio para o “mestre das (futuras) gerações”, como ele o chamava. A esta opinião pode-se aderir sem hesitação, e se espera e deseja que sua influência possa beneficiar a continuidade da literatura brasileira. Monteiro Lobato, o “Andersen caboclo”, como Mario da Silva Brito, com humor muito alegre, certa vez o chamou, abriu as portas do reconhecimento internacional para a literatura brasileira.

    Que muitos autores brasileiros possam lhe suceder e encontrar o caminho através dessas portas!
    Em memória de Monteiro Lobato se quis escrever essas considerações. Elas pretendem ser uma modesta folhinha na coroa de louros que aqueles que sobrevivem tecem para o grande morto que conquistou a imortalidade no coração de seu povo e do mundo. Ao acrescentar esta modesta folhinha à coroa, nós nos inclinamos com humildade e profunda veneração diante do gênio José Bento Monteiro Lobato.

    (*) Texto publicado no Serra-Post Kalender 1949 (Casa Editora Ulrich Löw, Ijuí, RS) e traduzido do alemão por Maria Cecília Batista Soares especialmente para este sítio eletrônico.

    comentários (coloquei porque achei que valia a pena)

    Longe da Hipocrisia dos problemas desta nação que teve 350 anos de Escravidão.
    Um Intelectual consagrado que pertenceu a turma de Prestes, Monteiro Lobato, Candido Portinari, Graciliano Ramos, Astrojildo Pereira, Jorge Amado, Oscar Niemeyer, Darcy Ribeiro e tantos outros que lutaram e foram perseguidos por duas Ditaduras, a do Estado Novo do Getúlio e a dos Militares no Golpe de 64.,
    Perderam nas suas partes piores que foram na repressão com violações dos Direitos humanos com perseguição, prisões, Julgamentos ilegais, condenações, banimentos e toda forma de perda humana, por estar longe da sua gente e terra amada.

    Abraço a todos
    Vitor Simmonsen

    Comment by Vitor Simmonsen — 22/11/2010 @ 7:37 AM

  16. Free Japan

    We came across a cool web-site which you could appreciate. Take a search should you want.

    Trackback by Free Japan — 16/09/2014 @ 5:59 PM


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