windmills by fy

23/11/2010

Não fale por mim, senhor presidente

Filed under: Uncategorized — Fy @ 12:44 PM

 

 

 o c a s

 

 

que fique bem claro

desde o início

essa previsão de resto e resquício:

 

ainda estou aqui

nesses tempos bicudos

de orelhas moucas

quando nem as borboletas

giram loucas

nem as palavras alçam voo

de tão roucas

 

fred girauta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://www.estadao.com.br/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 – eu sempre digo que alguns posts tem vida própria, vão se desenhando…

                                                                                                       – e a Juliana   ” nos”  lembrou da   nobel da paz iraniana, Shirin Ebadi :

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

14/11/2010 – 16h38

Shirin Ebadi pede a Dilma que não se cubra com véu caso visite o Irã

 

 

A advogada iraniana, Shirin Ebadi

Rio de Janeiro, 14 nov (EFE).

 A nobel da paz iraniana, Shirin Ebadi, pediu neste domingo à presidente eleita, Dilma Rousseff,

que caso visite o Irã “não cubra a cabeça com um véu”, para defender os direitos das mulheres.

 

“Todas as mulheres , muçulmanas ou não , que chegam ao Irã têm que cobrir a cabeça .

Alguém tem que mostrar ao Governo do Irã que esta lei não é correta ” , afirmou Shirin .

 

Dilma , que substituirá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 1º de janeiro ,

não antecipou como serão suas relações com o Irã , mas precisou que tem “uma posição bem intransigente” em relação à defesa dos direitos humanos .

 

Shirin também pediu à presidente eleita que converse com movimentos independentes de mulheres iranianas ,

” não só com as que estão no Parlamento ” ,           e criticou Lula por ignorar seus pedidos de defender os oprimidos pelo regime islâmico.

 

“Lula visitou Teerã , abraçou o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ,  deu um beijo no rosto e foi embora .

Parece que se esqueceu das pessoas que morrem e são presas no Irã ” , assinalou .

 

A advogada e opositora iraniana lembrou o passado sindicalista do presidente Lula

e disse que lhe enviou ” mensagens ” para que se reunisse com as famílias de trabalhadores iranianos presos pela relação com os sindicatos .

 

 

 

” Quando Lula esteve no Irã, Mansour Osanlou , um líder sindical como ele , já cumpria uma pena de cinco anos .

A Organização Mundial do Trabalho pediu sua libertação , mas Lula ignorou ” , acrescentou .

 

Recentemente o Brasil estreitou relações com o Irã e defendeu seu direito de desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos .

 

Na sua visita a Teerã em maio , Lula e o primeiro-ministro turco , Recep Tayyip Erdogan ,

assinaram um acordo com o Irã para a troca de urânio destinado a seus reatores nucleares com fins científicos .

 

Este acordo foi rejeitado pelas potências nucleares , que acusam Teerã de ocultar em seu programa civil outro clandestino ,

com objetivos militares , com o qual pretende criar um arsenal de bombas atômicas .

 

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/

 

 

.

.

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 pois…  … que …        pois é …

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Aí eu … pergunto …

[ – você não ? …]

 

– Kdê   as  manifestações   igrejosas … escandalosas …   ? ? ?

 

– Os ” espirituais ” ou espiritualizados … ?

 

– Os Homens … as Mulheres … os Gays …

– Kdê ?

 

 

 

– Alguem tem idéia do que significa estarmos fazendo parte deste Circo de Horror : Venezuela – Síria – Sudão – Cuba – Bolívia – Irã :

onde as Ditaduras mais sangrentas e anti-humanas existem impunemente ?

Onde o Povo grita por Socorro e foge desesperado – mesmo que a fuga signifique uma morte mais digna ?

 

 

 

 

Eu lí … e adorei isto , trouxe pra cá porque tive a sensação de que alguem ainda tem dignidade ,

ainda se indigna com a Vergonha – com o Terror , . . . ainda é HUMANO :

 

 

 

 http://www.interney.net/blogs/

 

 

 

 

 

 

Vamos ler na íntegra ,  o  que   “NÓS”   APROVAMOS   :

– a tradução é do Google mas dá pra entender  – 

 

 

http://www.iran-e-azad.org/stoning/khatami.html

 

 

É isto ?

Isto somos nós ?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

o  Chiiiiiiico ?

 

–   NÃO  VER     –    NÃO   OUVIR    –    NÃO  FALAR  –

 

 

 

 

 

Windmills by Fy

 

 

21 Comments »

  1. – Oi meus amigos,
    Raciocinem comigo :

    Quem não votou em Dilma é maioria: 80 milhões de eleitores CONTRA o chamado Projeto Lula 8+4+8 e apenas 55 milhões A FAVOR do projeto de Lula.

    Quem não votou em Dilma é maioria: 80 milhões de eleitores CONTRA o chamado Projeto Lula 8+4+8 e apenas 55 milhões A FAVOR do projeto de Lula.

    Não precisa interpretação, é só olhar os números do TSE:

    Nº de eleitores: 135.804.433

    Votos em branco: 2.452.597 (2,30%)

    Abstenções: 29.197.152 (21,50%)

    Votos nulos: 4.689.428 (4,40%)

    Total que não votou em Dilma nem em Serra: 36.339.177

    56,05% votaram em Dilma, isto é, 55.752.529

    43,95% votaram em Serra, ou seja, 43.711.388

    Total que não votou em Dilma: 36.339.177 + 43.711.388 = 80.050.565

    28,2% não votaram em ninguém: 36.339.177, destes, 21,5% nem sequer se dignaram ir até os locais de votação: são 29 milhões dos 135 milhões eleitores que nem se tocaram.

    Imaginem o valor que este tal fulano teria que disponibilizar de suas contas no exterior se estes 80 milhões de brasileiros lhe processassem por CALÚNIA E DIFAMAÇÃO MUNDIAL!

    Uma pergunta… a Globo colocou isto no ar ?(sinceramente não ví).

    Continuando:

    PSDB GANHA EM POPULAÇÃO E PIB

    Em termos estaduais, a oposição do PSDB ao projeto Lula 8+4+8 estará governando o Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Pará e os pequenos Roraima e Alagoas.
    São mais de 90 milhões de brasileiros e mais de 60% do PIB, isto é, da riqueza nacional.

    /
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    /

    O PT governará dois estados grandes, Rio Grande do Sul e Bahia, dois pequenos, Sergipe e Acre, e mais o Distrito Federal: são 30 milhões de brasileiros e apenas 16% do Produto Interno Bruto brasileiro.
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    Em síntese: o PSDB governará os estados mais populosos e mais ricos, vale dizer que São Paulo, sozinho, tem 34% do PIB nacional.
    Já o PT governará os estados menos populosos e mais pobres, com a única exceção do Rio Grande do Sul, que, sozinho, tem 7% do PIB brasileiro.
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    /

    RELAXEM

    Como conselho e canja-de-galinha não fazem mal a ninguém,
    eu acho que a galera que ganhou deveria ir bem devagar com o andor e segurar seus monstrinhos nas jaulas,
    porque o eleitorado mostrou aritmeticamente que não está afim do que estão querendo para o Brasil.
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    /

    De 135 milhões de eleitores, só 55 milhões votaram no projeto do presidente que se vai (por enquanto?) e 80 milhões votaram contra.
    É gente pra dedéu…
    E isso para um presidente que as pesquisas de popularidade davam 82% de aprovação,
    o que o levou a pensar que iria eleger a sua candidata no primeiro turno com uma votação esmagadora (lembram da arrogância dele no primeiro turno? esculhambando todo mundo?).
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    /

    Não só não elegeu, como seu maior opositor, o PSDB vai governar os estados mais populosos e ricos.

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    Então, se houver humildade, haverá alguma chance de termos paz e prosperidade.

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    Se houver arrogância, a divisão do país entre o ? Partido dos Grotões? (antigamente, a Arena, e, hoje, o PT)
    e a parte mais desenvolvida do Brasil pode virar uma guerra.

    RECADINHO

    Fica também o recadinho pretensioso para os verdes, os anarquistas e os socialistas libertários em geral: vocês notaram que 36 milhões de brasileiros NÃO QUEREM esta dobradinha PSDB/PT para o nosso futuro?

    É gente pra cara… Some-se a isso, mais uns 12 milhões de adolescentes que podiam ter título eleitoral e nem se tocaram de tirar, tem-se aí uma Espanha inteira à disposição de movimentos sociais alternativos.

    Mãos à obra! (tony Pacheco)
    /
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    /

    MAIS ARROGÂNCIA QUE ISTO ?

    brincar de “sou popular” até que sua REAL empresa se esborrache com o colapso social e com o apodrecimento moral que estas cenas acusam sem a menor preocupação?

    Popular?

    tio Gus

    Comment by Gustavo — 23/11/2010 @ 2:38 PM

  2. Fy, e o nome do post?

    beijos
    tio Gus

    Comment by Gustavo — 23/11/2010 @ 2:41 PM

    • huahuhauhauah..

      Mim: Aquário.

      Sou 80 milhões ?

      Q bom, Gus

      ! ! !
      bj
      Fy

      Comment by Fy — 23/11/2010 @ 2:51 PM

  3. e nem por mim!

    Há quem tente lapidar
    uma mulher
    como se lapida
    jóia rara
    e pedra bruta.

    Com escalpelo
    cinzel
    buril
    inscrevem nela uma figura, depois
    a expõem nos salões
    revistas e altares
    apregoando quantos camelos
    quantos colares
    vale o dote
    – da criatura.

    Na Nigéria também
    lapida-se mulher
    mas de forma
    inda mais dura.

    Assim a mulher
    que se nega a ser
    por eles esculpida
    deve morrer como viveu:
    – petrificada.

    Não bastassem
    os muros em que viva
    vive emparedada
    é sob pedras
    que a mulher viva
    é pétrea e friamente
    sepultada
    quando não se conforma
    com a forma
    como desde sempre
    é deformada.

    Atiram-lhe
    tantas pedras
    até que não se veja
    a forma e o sangue
    da apedrejada,
    até que a mulher -alvo
    alvejada
    desapareça numa maré de pedras
    coaguladas.

    Desta feita os escultores
    foram mais perfeccionistas
    deixaram a mãe
    amamentar o filho
    antes que o leite no seio
    se petrificasse.
    Assim o filho na fonte beberia
    o pétreo ensinamento
    antes que a fonte secasse.

    Ao amante não lapidaram.

    Ali o homem já nasce feito
    é obra de arte que dispensa
    qualquer lapidação.
    A mulher, sim, carece
    de acabamento
    posto que imperfeita figura
    na ordem da criação.

    Affonso Romano Sant’anna

    BEIJO
    Marianne

    Comment by Marianne — 23/11/2010 @ 3:35 PM

  4. Se já não é fácil ser mulher num país democrático, onde eu posso votar, onde posso me divorciar, onde tenho chances de estudar, arranjar um emprego e viver sozinha, se quiser…onde não sou obrigada a reverenciar ninguém simplesmente por questões de gênero, nem tenho que baixar a cabeça para o desrespeito, a violência e a segregação… imagine o horror de viver num país onde a mulher não vale absolutamente nada, onde ela não tem vontade, direitos ou necessidades, onde não pode dizer não em hipótese alguma, onde não há nem mesmo possibilidade de fuga!

    A iraniana Sakineh, condenada à morte por supostamente ter traído e assassinado o marido, tem sua vida nas mãos de um bando de radicais narcisistas que se vêem como deuses, e que destino pode haver para ela, ainda que o mundo inteiro interceda por seus direitos? menos o Brasil? E outros países comunistas?

    E mesmo que tivesse traído e assassinado, não deveria ser morta pelo Estado, o que acaba oficializando o assassinato. Mas terá mesmo traído e assassinado? E, caso sim, terão sido torpes e fúteis os seus motivos? Imagine como são tratadas as mulheres afegãs por seus maridos ultramachistas que as vêem como lixo, e pela família deles, de quem as esposas, por lei, são meras serviçais! Imagine quanto ódio, ressentimento e vingança as sogras devem despejar sobre suas noras, num desejo perversamente “humano” de “compensação”, por tudo o que elas próprias já amargaram!

    Não é à toa a onda de mulheres que vêm ateando fogo em si mesmas, no Afeganistão… para fugir da vida de submissão e horror em um país onde doenças mentais ou psicológicas, como a depressão, não são diagnosticadas, onde não há com quem desabafar sobre os maus-tratos sofridos porque é culturalmente vergonhoso queixar-se de problemas domésticos…

    Nem fugir elas podem. Mulheres sozinhas no Afeganistão podem ser raptadas, presas ou devolvidas aos maridos, que em geral as matam a facadas.
    No Irã, país de Sakineh, a situação, incirvelmente, é um pouco melhor, mas ainda longe do ideal de liberdade: elas estudam, mas dificilmente conseguem emprego remunerado. Vivem sob a lei do apedrejamento; não podem escolher o marido.

    Onde é que está o limite entre a cultura, o costume, a raiz… e o abuso, o absurdo, a barbárie?

    Se não colaboram com a felicidade e o bem, os costumes estão aí para serem mudados; as tradições, para serem quebradas; as leis, para serem revistas. Lamento que o Brasil não tenha intercedido por Sakineh. E espero que, em vez de bancar o coleguinha de tipos como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, faça jus à democracia que é e se espelhe na evolução da França, que proibiu o uso do véu islâmico em locais públicos por entender que este costume subjuga a mulher. Ao meu ver, foi uma grande colaboração com os direitos humanos.

    Beijo, parabens a voces,
    Adriana

    Comment by Adriana — 23/11/2010 @ 9:58 PM

  5. Oras, vamos falar claro.
    As mulheres afgãs ou iranianas são cães, não seres humanos.
    São desde que nascem.
    Isto não pode ser considerado religião. È uma das mais formas mais vís de se escravizar e subjugar um ser humano. Não é nem política. É a malandragem mais cafageste e irracional que desde o sempre vem torturando a humanidade.
    Concordar com uma coisa destas é ser um animal, sem tirar nem por. Que “costumes” o que! Que “religião” o que!

    E deixando o ler-lero pra lá, imagine se o Lula ou esta turma de safados está preocupado com Alcorão ou religião ou costumes…
    Não sabem nem onde é o Irã no mapa, sabem, “agora”, que “voam” até lá.
    Os interesses são muito mais malignos.
    Basta ler o post anterior.
    O Lula está louco para nos indispor com o resto do mundo, principalmente usando osEstados Unidos como plataforma! Ele vai desgraçadamente “arrumar” um bloqueio” pra explicar a Miséria que PROGRAMOU para o povo brasileiro. E se sair bem, ileso e trilhardario de toda esta barbaridade que está se tornando nosso país. Esperem pra ver .
    Tudo ensinado, calculado e programado pelo “mestre” Fidel Castro e cia.
    Quem sabe enviaremos nossos filhos para a guerra contra os americanos, com bombas na cintura, gritando alá alá, pra encher os bolsos destes porcos?
    Muito bom, querida,
    Enquanto tivermos voz,nomes, e formos cidadãos e não cães, falemos.
    Lutamos por este direito.
    Bel

    Comment by Izabel — 23/11/2010 @ 10:26 PM

    • Fantástica Bel!
      É que eu estou com pressa, mas volto aqui, Bel, volto aqui.

      Êta 6º sentido.
      Dá-lhe mulherada inteligente!
      Um abraço, Bel.
      Renato

      Comment by Renato — 24/11/2010 @ 12:08 AM

    • Enquanto tivermos voz,nomes, e formos cidadãos e não cães, falemos.
      Lutamos por este direito.

      > a força ainda se move com certa liberdade, detendo-se apenas nas formas extremamente fluídicas e de movimento incessante : uma forma particular de força se manifesta: traduzida em seres q se movem para a frente e para traz nos limites da manifestação: a Vitória: a emanação da Energia Vital aos sentimentos : instintos, emoções em geral.

      querida e sábia Bel.
      bj
      Fy

      Comment by Fy — 24/11/2010 @ 1:06 AM

  6. Muito bem Bel, Fy, Miriam (acabei de vir do on the road).
    É nauseante.
    Mas sempre há de existir seres humanos de caráter, consciências dignas, seres humanos que não se conformam em serem cães.
    Vou colocar um textinho aqui sobre alguem, que eu admiro, uma voz que não se cala, sabe destas pessoas que não se rendem ao medo, que simplesmente não conseguem?
    Shirin Ebadi, fundadora do Círculo de Defesa dos Direitos Humanos, é uma das vozes incontornáveis no Irão. O que não significa que a sua segurança seja, por isso, um dado adquirido.
    A prová-lo, o fato de mais de um dos advogados que com ela colabora terem sido detidos no rescaldo dos protestos contra os resultados das eleições presidenciais.
    Não sei se ela ainda tá viva…. vou verificar, depois conto.
    Mas, fica minha admiração por alguem que não se rendeu à animalidade, ao abuso, à negação de seus direitos.

    ” Bem, hoje aconteceu uma coisa interessante no trabalho.” Foi assim que Shirin Ebadi, a iraniana e única mulher muçulmana detentora do Prémio Nobel da Paz – que lhe foi outorgado em 2003 -, começou a conversa com o marido para lhe contar que, nesse dia, ela tinha lido a sua própria sentença de morte.

    Estava-se no Outono de 2000. Há muito que a advogada, e uma vez juíza do Tribunal de Teerão, perdera a ingenuidade quanto ao tipo de regime que controlava o país. Longe iam os dias em que Shirin Ebadi e o marido, à semelhança do que faziam os milhões que residem em Teerão, subiam ao telhado da sua casa, quando o relógio marcava as 9 horas da noite para – numa resposta ao pedido do ayatollah Khomeini – gritar a plenos pulmões “Allah akbar” (Deus é grande”).

    Agora, Ebadi integrava um grupo de advogados que procurava preparar o processo de opositores assassinados pelos esbirros da República Islâmica. Um processo só possível porque, pela primeira vez, o Estado assumira que tinha eliminado os seus críticos. E fizera-o de forma arbitrária.

    “A próxima pessoa a morrer é Shirin Ebadi.”

    Fora esta a frase que a advogada lera, nesse dia, ao tentar inteirar- -se das acusações feitas às duas vítimas cuja defesa estava a seu cargo.
    Ebadi seguiu a narrativa com atenção: tratava-se do relato de uma conversa entre o ministro dos Serviços Secretos iraniano e o indivíduo que deveria executar o crime. Este estava disposto a agir de imediato mas o ministro insistia que a advogada só deveria ser assassinada após o mês do Ramadão.

    Por razões que a própria “condenada” não conseguiu apurar, a execução nunca foi consumada.

    Mas, nesse dia, Ebadi leu a sua sentença de morte e – como ela própria conta numa das suas obras – face a ela “não me sentia assustada, nem estava zangada.

    “Lembro-me sobretudo de um avassalador sentimento de descrença. Pensava: por que é que eles me odeiam tanto?” Mais tarde, após o jantar, Ebadi relata ao marido o que lera, começando a conversa com a frase: “Bem, hoje aconteceu uma coisa interessante no trabalho…”

    Mas, afinal, quem é esta mulher que os clérigos de Teerão temiam? Corria o dia 21 de Junho de 1947, quando, em Hamedan (Oeste do Irão), Shirin veio ao mundo.

    A recebê-la teve uma família abastada, algo tradicional mas sem ser conservadora ou religiosa em excesso. Uma casa “bastante grande” foi o universo da sua infância em Teerão, onde os pais não estabeleceram qualquer diferença na educação entre ela e o irmão. Para grande escândalo do “pessoal doméstico”.

    Ebadi foi uma jovem do seu tempo. No poder estava o xá, nas ruas de Teerão, as jovens iranianas usavam a minissaia, participavam em tertúlias literárias. Sem véu, lenço ou chador.

    Ebadi não foi excepção. Cursou Direito porque queria seguir a magistratura. E assim o fez. Aos 23 anos, é uma das juízas do Tribunal do Teerão, o que a faz perder vários pretendentes.
    Porque, como ela própria conta, os homens, por mais liberais que fossem, “temiam ser casados com uma juíza”.
    Até que, na Primavera de 1975, apareceu Javad – o engenheiro com quem a “teimosa” Shirin acabou por casar e com quem teve duas filhas.

    É com ele que a juíza partilha a sua própria queda: o regime dos ayatollahs, ao contrário do xá, veda à mulher iraniana cargos de magistratura; daí que Ebadi seja afastada para um trabalho menor no Ministério da Justiça, situação que não consegue aceitar.

    Os seus protestos e a “greve de zelo” nada alteram. E a depressão espreita. Salva-a o nascimento da segunda filha.

    Reformada – com 15 anos de serviço, como prevê a lei da República Islâmica -, Ebadi tem tempo para tudo: para a família, para os seus artigos, para os livros – que começa a escrever -, para se despedir dos amigos que abandonam o país, para ficar atenta à violência dos esbirros do regime contra o povo. E desse povo faz parte o jovem Fuad, o irmão mais novo do marido, que foi executado na prisão após um processo que nada tem de credível.

    A execução de Fuad, no Outono de 1988, marca profundamente Ebadi; de tal modo que fala dela a toda a gente, numa violação – quase desafio – às ordens que haviam recebido. Torna-a “mais obstinada”.

    Fuad e Leila: A CRIANÇA (MULHER: MENINA) DE NOVE ANOS QUE É VIOLADA POR TRES ADULTOS (3 FILHOS DA PUTA) E DEPOIS ASSASSINADA, são os dois casos que, de certa forma, forçam Shirin Ebadi a sair de si própria, a retomar a sua coragem para desafiar o poder. Recuperada a autorização para exercer advocacia, Ebadi transforma-se na voz daqueles que a não têm.

    Legal prestar atenção nesta mulher, é assunto pra post Fy.

    bjinhos pra voces,que ainda são minha terra encantada, neste mad… mad… world.
    Juju

    Comment by Juliana — 23/11/2010 @ 11:07 PM

    • A Ebadi é outra rainha!

      Ah…. vamos publicar?

      bj de chuva …. nesta insana 3ª feira.

      Fy

      Comment by Fy — 24/11/2010 @ 1:07 AM

  7. Não fale por mim, presidente.

    Eu falo por mim.

    duda

    Comment by duda — 23/11/2010 @ 11:22 PM

    • Aê Duda.
      bjs
      Fy

      Tudo bem aí no Sul ?
      Tá chovendo que nem aqui ?
      bj
      Fy

      Comment by Fy — 24/11/2010 @ 1:09 AM

  8. Bom dia, Ventania! Uma nota rápida, depois volto.

    Saiu no Estadão?

    Bravos! Estadão, véio….

    Mas, numa crise filosófica como esta… faz bem lembrar:

    Só dois tipos de pessoas realmente sabem para que serve um JORNAL: os que leram muitos livros… e os que não sabem ler.
    hehehehehe

    (lá do Ponto Cinza do Paul, pelo Fuchs…).

    beijos
    (tio) Renato

    Comment by Renato — 23/11/2010 @ 11:53 PM

    • hauahauahauahauahauah..

      então ….

      bj

      Comment by Fy — 24/11/2010 @ 1:10 AM

  9. Numa crise filosófica como esta…

    ‘Stuff and nonsense!’ said Alice loudly. ‘The idea of having the sentence first!’

    ‘Hold your tongue!’ said the Queen, turning purple.

    ‘I won’t!’ said Alice.

    ‘Off with her head!’ the Queen shouted at the top of her voice.

    nem Carroll.

    Juju na terra dos loucos, numa insana terça feira.
    bjinhos
    Saudade do Dennis.
    Ele volta? eu não voltava, não.
    b-ji-nhos
    já volto.

    Juju

    Comment by Juliana — 24/11/2010 @ 12:05 AM

    • Pobre meninas.

      Mad Mad Mad world. deuses alucinados, meninas “atacadas” – crianças violadas e esquartejadas de todas e todas as maneiras.

      Voce acredita que o mundo foi informado que NÓS concordamos com isto ?

      … Carroll….

      Lastly, she pictured to herself how this same little sister of hers would, in the after-time, be herself a grown woman; and how she would keep, through all her riper years, the simple and loving heart of her childhood: and how she would gather about her other little children, and make their eyes bright and eager with many a strange tale, perhaps even with the dream of Wonderland of long ago: and how she would feel with all their simple sorrows, and find a pleasure in all their simple joys, remembering her own child-life, and the happy summer days.

      se é que algum dia estas … que nascem meninas … viram algum dia de sol .

      bjs

      Fy

      Comment by Fy — 24/11/2010 @ 1:21 AM

  10. Claro! Devemos dizer um Não Total a estas barbaridades.
    Animais!
    Animais os que se calam também.
    Que vergonha! Estou envergonhadíssima de ser brasileira, perante todas as mulheres do mundo.
    E perante qualquer pessoa que tenha ainda um pouco de cérebro ou de amor.
    Na época em que lí sobre a Aisha, quase vomitei. O mundo vomitou.
    E agora nós saímos nas manchetes concordando com estes abusos, crimes, que selva podre é esta?

    Lembrei disto na hora, Fy, o post teve quase 600 comentários. Só neste lugar.
    Boa pergunta: cadê este povo agora?Calou a boquinha?Encolheu o rabinho?
    Só lembrando:
    http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/tag/mutilacao/

    Qual será o futuro da menina afegã mutilada por seu marido? Aisha posa com prótese. E sorri.
    ter , 12/10/2010 ruth de aquinoMulheres Tags: afeganistão, aisha, mutilação, preconceito, talibã
    Em agosto, a revista Time publicou uma das capas mais ousadas de sua história. Mostrava a bela jovem Aisha, de 18 anos, mutilada por seu marido, um talibã “ofendido em sua honra”, no Afeganistão. A visão do rosto jovem desfigurado causava um misto de repulsa e pena, mas era sem dúvida uma denúncia poderosa das condições terríveis a que mulheres podem ser submetidas no regime talibã.

    O blog 7×7 publicou um post sobre o assunto e informou que ela tinha embarcado para os Estados Unidos para uma cirurgia, com o objetivo de reconstituir seu nariz e orelhas, arrancados quando tentou fugir do marido arranjado por sua família.

    Agora, ela posou para a imprensa internacional com uma prótese temporária, enquanto aguarda uma solução mais permanente, que exige cirurgia.

    Aisha sorriu. Um sorriso doce.

    Nesses momentos, eu penso por que todos nós às vezes reclamamos e nos deprimimos por motivos absolutamente fúteis. O sorriso dessa moça – e seu claro orgulho por finalmente poder parecer uma pessoa normal, sem provocar no próximo um olhar de choque – é comovente.

    A prótese dá uma ideia de como Aisha ficará após a operação. Quem está financiando a cirurgia é a Fundação Grossman Burn, com sede em Los Angeles.

    Seu sobrenome nunca foi revelado. Sua história, sim, para o mundo inteiro. E é aterradora e revoltante. Aisha foi dada pelo pai a um guerrilheiro Talibã quando tinha apenas 12 anos de idade, uma criança. Foi vendida em troca de uma dívida. A família do marido dela a forçou a dormir no estábulo com os animais. E, anos depois, quando a menina tentou fugir de um cotidiano de humilhações, seu marido a perseguiu e, como castigo, a mutilou. Ela desmaiou e, no meio da noite, despertou em meio a um líquido viscoso. “Quando abri meus olhos, não podia enxergar nada, por causa do sangue”, declarou à repórter da CNN Atia Abawi.

    Aisha foi abandonada na montanha. Achavam que ela morreria. Mas ela conseguiu, apesar de terrivelmente ferida, chegar à casa de seu avô. E foi tratada durante dez semanas num posto médico administrado por americanos. Transportada para um refúgio secreto em Cabul, capital do Afeganistão, foi levada enfim para os Estados Unidos, abrigada por uma família americana.

    Espera-se que sua reabilitação dure cerca de oito meses.

    Segundo o Dr. Peter Grossman, seu nariz e suas orelhas serão reconstituídas com osso, pele e cartilagem extraídos de outras partes de seu próprio corpo. A mulher do médico disse que Aisha se lembra de seus tempos de escravidão toda vez que se olha no espelho, mas hoje já é capaz de sorrir e, quem sabe um dia, poderá superar toda a injustiça e crueldade de que foi vítima – num momento em que era uma adolescente, com todos os mesmos sonhos de quem um dia quer ser feliz, amar e ser amada.

    De acordo com estimativas das Nações Unidas, quase 90% das afegãs sofrem algum tipo de abuso doméstico.

    Os afegãos afirmam que tudo isso não passa de propaganda americana, porque, pela lei sagrada islâmica, cortar nariz e orelhas de pessoas seria ilegal.

    562 comentários !

    Que vergonha!
    bjs
    Camila

    Comment by Camila — 24/11/2010 @ 1:31 AM

  11. Recentemente o Brasil estreitou relações com o Irã e defendeu seu direito de desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos .

    Na sua visita a Teerã em maio , Lula e o primeiro-ministro turco , Recep Tayyip Erdogan ,

    assinaram um acordo com o Irã para a troca de urânio destinado a seus reatores nucleares com fins científicos .

    Este acordo foi rejeitado pelas potências nucleares , que acusam Teerã de ocultar em seu programa civil outro clandestino ,

    com objetivos militares , com o qual pretende criar um arsenal de bombas atômicas .

    Adorei a “sutileza” da UOL, HhuaHuaHhauuaHh

    Taí a resposta pro Thomas, lá no post da grana.
    Ele tem razão….
    O buraco é bem mais fundo moçada!

    enquanto isto….
    ele vai morrinhando o povo com 60 reá de esmola-família.

    País de trouxas.
    Abraço
    Gabriel

    Comment by Gabriel — 24/11/2010 @ 3:49 AM

  12. Que igrejosas o que, Fy.

    O povo come 60 reá e arrota “Glória” “Aleluia”.

    O Lulão não é besta, não.
    Besta é quem pensa que ele é.
    1 beijo
    Gabriel

    Comment by Gabriel — 24/11/2010 @ 3:53 AM

  13. Estes 3 últimos posts resumem quem é o Lula, e em que canoa furada nós embarcamos.
    Mesmo sabendo e sem querer.
    Se alguem viajar não diga que é brasileiro.
    Viramos terroristas.
    abço

    Comment by Rodrigo — 25/11/2010 @ 7:42 AM


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