windmills by fy

14/01/2011

Mercurio – Exú

Filed under: Uncategorized — Fy @ 12:03 PM

 

 

 

Não sou preto; branco ou vermelho ;

Tenho as cores e formas que quiser;

 

Não sou diabo nem santo , sou Exu .

 

 Mando e desmando ;

Traço e risco ;

Faço e desfaço ;

 

 

 Estou e não vou ,

 Tiro e não dou ;

 

 

Sou Exu ; Passo e cruzo ; Traços misturam e arrastam o pé ;

Sou reboliço e alegria ; Rodo , tiro e boto ; Jogo e faço fé ;

 

Sou nuvem , vento e poeira ;

 

Quando quero , homem e mulher ;

Sou das praias , e da maré ;

Ocupo todos os cantos ;

Sou menino , avô , maluco até ;

Posso ser João , Maria ou José ;

 

Sou o ponto do cruzamento ;

 

Durmo , acordo e ronco falando ; Corro grito e pulo ;

Faço filho assobiando ;

 

Sou argamassa  ; De sonho   carne   e   areia ;

Sou a gente sem bandeira  ;

 

O espeto , meu bastão ;    O assento  ?   O vento  .

Sou do mundo , nem do campo ; Nem da cidade ;

Não tenho idade  ;

 Recebo e respondo pelas pontas  ;

Pelos chifres da nação ;

 

Sou   Exu  ;   Sou  agito  vida  , ação  ;    Sou  os  cornos  da  lua  nova   ;

A   barriga   da   lua   cheia ;

 

 

Quer mais  ?    Não dou ;    Não tou mais aqui !

 

Jorge Amado

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                     

 

 

 
 
 

Lend me your arm:
lift me up on your wings. Together,
we watch the world grow old
yet, never die.

Compositor de destinos

Tambor de todos os ritmos

 

 

Words flow from your fingers-
skipping stones and sandals on ocean waves.
Mirth and light-hearted contempt
for gravity and possession

Exu Lonan, o Senhor dos Caminhos

Exu Osije-Ebo, o Mensageiro Divino

 

 

 

Dancing gleefully upon the sky,
lips whisper plans to take the fire from
Helios’ crown, and return it to the realm
of men.

Exu Bará , o Senhor (do movimento) do Corpo

Exu Odara , Senhor da Felicidade

Exu Inã , o Senhor do Fogo

 

Perchance, the fire of a different kind
be deemed appropriate to their needs:
your lute’s melody plays
in hearts.

Exu Eleru , o Senhor da Obrigação Ritual

Exu Yangi , o Senhor da Laterita Vermelha

Exu Elegbara , o Senhor do Poder da Transmutação

Exu Agba , aquele que é o ancestral

 

Laroiê  –   Exu !                             

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma Madrugada na Oficina de Mercúrio-Exu

Exu , Orixá   do  Começo .

Mércúrio ,   sua   mini-saia , caduceu   e   pés   com   asas .

 

 

 

 

 

 

 

 Mércurio , do panteão mitológico romano , corresponde ao grego Hermes , senhor das “mensagens” –

uma espécie de ” poeta ” , ” inventor ” ,  ” comerciante ” ,

” ladrão sagaz ”  e  ” esperto leitor ”  dos designios das outras divindades .

Conforme narram as teodicéias clássicas , sobretudo em Homero ,

Mercúrio era o único filho que Zeus não tivera com Hera .

Nascido na Arcádia , filho de Maia , demonstra ainda bem menino uma esperteza e inteligência incomuns .

Uma de suas peraltices foi a de ter escapado do berço e chegar com grande desenvoltura em Téssália ,

donde rouba parte significativa do rebanho pastoreado pelo seu irmão Apolo .

Ladino que era , trata logo de esconder numa caverna o fruto de sua   ” apropriação ”  .

Esperto , como somente ele , retorna ao berço , como se nada de extarordiário tivesse acorrido .

Mas eis que Apolo descobre o furto e o seu autor , tratando de levá-lo à presença do Pai Zeus .

O castigo do pai ao filho foi que tratasse de imediato de devolver os animais a Apolo .

Mercúrio , entretanto , põe-se a tocar a lira  –  instrumento musical por ele inventado

com as víceras de um dos animais que imolara .

Apolo , esquece-se de imediato da sentença de Zeus ,

encantado que ficara com aquele engenho do qual brotava um som belo ,

que fazia vibrar o ar maneira que nem mesmo o vento no alto das colinas conseguia produzir :

era a    música     que arrebatara o coração de Apolo .

Dá-se pois uma transação comercial entre os dois irmãos :

A lira em troca do rebanho e ainda o caduceu

– bastão com propriedades mágicas que aparece na maioria das representações plásticas do deus Mercúrio –

que confere a esse o dom da adivinhação .

 

 

 

 

 

Em muitas das obras plásticas clássicas ,

Mercúrio é representado como um rapaz   bonito vestido apenas de uma mini-túnica .

Traz na cabeça um capacete alado ,

tal  qual suas sandálias trazendo na mão seu principal símbolo , o caduceu .

 

 

 

Essa excurção breve nesse universo mitológico grego-romano

deixou nas línguas originadas do latim- a exemplo do espanhol e do português , marcas até hoje não apagadas .

 

 

 

A exemplo de Mercúrio/Hermes em grego , ficou a palavra  ” hermeneutica ”

– que significa o ato social de  ” ler/interpretar ”  com profundidade os textos ditos  ” herméticos ”

[considerados difícies…densos] – em geral os de origem filosófica e religiosa .

 

 

Esses traços sagrados-profanos que desenham as caractéristicas de Mercúrio ,

o fazem na mitologia greco-romana e podem ser relacionados aos atributos de deuses de outras mitologias ,

a exemplo da pouco conhecida , porém tão rica e cheia de sutilezas   Mitologia Africana .

 

 

 

 ” Exu ”   do yorubá   ” Esu Osije ”    – o Mensageiro dos Orixás ,  – senhor dos mil ardis , o criativo e engenhoso ,

aquele que se deleita em estratagemas , o que ri no escuro , o que anda ligeiro , o mestre das ambivalências

[ Ver de João Ubaldo  Ribeiro – Viva o Povo Brasileiro ] .

Exú que conhecemos através da  Umbanda e do Candomblé , a entidade mais temida,

mais incompreendida e ao mesmo tempo mais buscada .

Ele é o Orixá que rege o jogo de Búzios , uma modalidade divinatória .

Diz um mito que Exu é o único Orixá que tinha esse poder , mas decidiu compartilhá-lo com Ifá

em troca de receber as oferendas e pedidos antes de qualquer outro Orixá .

 

 

 

 Exu nada tem em comum com o diabo lúdico , e as esquisitas estátuas comercializadas

e utilizadas arbitrariamente em terreiros são frutos da imaginação de visionários

que não enxergam nada além das manifestações dos baixos sentimentos em formas deprimentes ,

nos seres que lhes são afins .

Exu corresponde a Príapo , a Hermes , a Mercúrio ,

deuses mensageiros ou protetores da sexualidade masculina :  nunca ao Demônio “cristão ”

ou pelo “ medo ”  inventado pelos   “ cristãos ”   como ferramenta de poder  .

 

 

 

Exu é  o mensageiro dos deuses , seu poder é o de receber

e transportar os pedidos e oferendas dos seres humanos ao Orum, o Mundo dos Deuses .

É o Senhor dos Caminhos , das encruzilhadas , das trocas comerciais e de todo tipo de comunicação .

 

 

 

Ele representa também a fertilidade da vida , os poderes : sexual , reprodutivo e gerativo .

Não podemos nos esquecer de que o sexo ,

diferentemente do que os “ cristãos ” dizem (uma coisa de luxúria, de pecado) ,

é na verdade um ato sagrado  , em diversas mitologias pagãs .

Talvez por isso , por ele representar  o poder sexual , os cristãos o comparem com o Demônio .

 

 

 

Exu também tem os seguintes epítetos ou atributos :

Exu Lonan , o Senhor dos Caminhos ;

Exu Osije-Ebo , o Mensageiro Divino ;

Exu Bará , o Senhor (do movimento) do Corpo ;

Exu Odara , Senhor da Felicidade ;

Exu Eleru , o Senhor da Obrigação Ritual ;

Exu Yangi , o Senhor da Laterita Vermelha ;

Exu Elegbara , o Senhor do Poder da Transmutação ;

Exu Agba , aquele que é o ancestral ;

Exu Inã , o Senhor do Fogo .

                                        Laroiê, Senhor Exu!

                                                            Larô-iê, Exu, senhor dos começos  !

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagens :

 

Michael Parkes

– Texto :

– Uma Madrugada na Oficina de Mercúrio-Exu

 

 

 

 

 

 

                                                 

                                                 

   

 

 

 

 

 

De um modo geral , as encruzilhadas ( do mundo ) são loci da comunicação ,

das línguas, das feiras temporárias e permanentes , dos mercados , das cidades ,

dos teatros edificados e das profissões das artes do espetáculo .

 

 

 

 

 

 

 

 

Aí se encontra a Esfinge (e suas charadas mortais) , Tirésias ( o que vê mais quer os demais , sem nada ver , tão importante para theorein e para theatrum ) ,

Hermes (o que nos legou o poder da interpretação dos textos sagrados e o grande problema da traduzir e trair; na expressão italiana: traduttore traditore ) .

 

 

Por aí vem Dionísio ( o estrangeiro , que será patrono do teatro e da milenar questão sobre as distinções entre cultura e civilização )

e por aí circulam Mercúrio ( o patrono romano do comércio ) ,  Exu ( a entidade gege nagô , do trato humano com a natureza e o sobrenatural ) ,

todos os mensageiros e tricksters  ( responsáveis pelos bem entendidos e pelos mal-entendidos , esses os que descontrolam ) e todos os diabos e fadas  ( que desencantam e encantam ) .

 

 

 

 

 

Aí , nas encruzilhadas , lugares de encontros e desencontros , também ,

se constróem os monumentos memoriais e a sinalização de tráfego ( que tentam tudo controlar )  e residem , simultaneamente , o perigoso e o maravihoso .

Encruzilhadas são a casa da angústia existencialista da escolha do caminho a tomar ou da imobilidade .

 

 

Mover-se ? Para onde ? Para trás ? Para a frente ? Por qual dos caminhos ?

Aí a rotina ordinária convive com os acontecimentos extraordinários .

Daí serem sua melhor representação , os teatros , encruzilhadas de dança ,

teatro , ópera , música , magia , diversão , sobrevivência e vida das artes do espetáculo!

Aí se cruzam pessoas de todo tipo , inclusive marginalizados que só aí têm lugar .

 

 

 

Aí e em encruzilhadas vizinhas  ( bares , guetos , etc ) , formaram-se alguns dos mais importantes ícones de povos do Atlântico Negro:

o tango argentino , o candomble uruguaio , o samba brasileiro , o fado português , o flamenco andaluz e o jazz norte-americano !

 

1171_10_09

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fy

12 Comments »

  1. eê!

    lá vai :
    /
    /
    /

    Deus dos bosques e dos pastos, protetor dos pastores, veio ao mundo com chifres, orelhas e pernas de bode. Pan é filho de Mercúrio. Era bastante natural que o mensageiro dos deuses, sempre considerado intermediário, estabelecesse a transição entre os deuses de forma humana e os de forma animal. Pan, antiqüíssima divindade pelágica especial à Arcádia (uma região rural), morada do Deus Pan. É o guarda dos rebanhos que ele tem por missão fazer multiplicar.

    Parece, contudo, que o nascimento de Pan provocou certa emoção em sua mãe, que ficou assustadíssima com tão esquisita conformação. As más línguas dizem que, quando Mercúrio apresentou o filho aos demais deuses, todo o Olimpo desatou a rir.

    “Mercúrio chegou à Arcádia, que era fecunda em rebanhos. Ali se estende o campo sagrado de Cilene; nesses páramos, ele, deus poderoso, guardou as alvas orelhas de um simples mortal, pois concebera o mais vivo desejo de se unir a uma bela ninfa, filha de Dríops. Realizou-se enfim o doce himeneu. A jovem ninfa deu à luz o filho de Mercúrio, menino esquisito, de pés de bode e testa armada de dois chifres. Ao vê-lo, a nutriz abandona-o e foge. Espantam-na aquele olhar terrível e aquela barba tão espessa. Mas o benévolo Mercúrio, recebendo-o imediatamente, colocou-o no colo, rejubilante. Chega assim à morada dos imortais, ocultando cuidadosamente o filho na pele aveludada de uma lebre. Depois, apresenta-lhes o menino. Todos os imortais se alegram, sobretudo Baco, e dão-lhe o nome de Pan, visto que para todos constituiu objeto de diversão.”

    /
    /
    /

    Laro-iê exú!
    beijo a todos
    tio Gus

    Comment by Gustavo — 14/01/2011 @ 11:10 PM

  2. Oi gente

    Exú? Diabo?Hades, diabo?Pan, Diabo? Dionísio, diabo? etc

    O Diabo é uma palavra/concepção oriunda do termo Grego “Diabolo” que significa não Símbolo, desunir, separar. Símbolo, significa, juntar, unir.
    Tudo que não era “Símbolo” como os Peixes (Igreja Primitiva) ou a Cruz (Igreja Romana), era considerado “diabolo”, o seja não símbolo.
    Fato é que a religião pagã grega e romana, continha seus “Símbolos” como o Tridente de Netuno/Poisedon ou na própria aparência de Pã (Pés de Bode, corpo humano…) ou Dionísio (Deus da Dança/Fartura…), Hades (Άδης em grego), filho de Cronos e de Réia, irmão de Zeus e Posídon.
    Segundo a lenda, o poder de Hades, Zeus e Posídon era equivalente. Hades era um deus de poucas palavras e seu nome inspirava tanto medo que as pessoas procuravam não o pronunciar. Era descrito como austero e impiedoso, insensível a preces ou sacrifícios, intimidativo e distante. Invocava-se Hades geralmente por meio de eufemismos, como Clímeno (o Ilustre) ou Eubuleu (o que dá bons conselhos).
    Seu nome significa, em grego, o Invisível, e era geralmente representado com o elmo mágico que lhe dava essa habilidade, que ele ganhou dos ciclopes quando participou da titanomaquia contra os titãs.
    No fim da luta contra os titãs, vencidos os adversários, Zeus, Posídon e Hades partilharam entre si o universo, Zeus ficou com o céu, e a terra, Posídon ficou com os mares e Hades tornou-se o deus do inferno e das riquezas.
    Como reinava sobre os mortos, Hades era ajudado por outras divindades, que serão mais tarde citadas. O nome Plutão “o rico” (pois era dono das riquezas do subsolo) ou “o distribuidor de riqueza”, que se tornou corrente na religião romana, era também empregado pelos gregos, e apresentava um lado bom, pois era ele quem propiciava o desenvolvimento das sementes e favorecia a produtividade dos campos.
    Como divindade agrícola, seu nome estava ligado a Deméter e junto com ela era celebrado nos Mistérios de Elêusis que eram os ritos comemorativos da fertilidade, das colheitas e das estações.
    Hades teve uma amante cujo nome era Mente, que foi transformada por Perséfone em uma planta, hoje chamada de menta. Teve também outra amante, Leuce, porém antes do rapto de sua esposa.
    Era também conhecido como o Hospitaleiro, pois sempre havia lugar para mais uma alma no seu reino. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, Hades não é o deus da morte, mas sim do pós-morte.
    Apenas Ares e Cronos estão relacionados com a prática da morte. Assim, Hades não é inimigo da humanidade, como o são Ares e Cronos.
    O deus raramente deixava seu mundo e não se envolvia em assuntos terrestres ou olímpicos.
    Deixou o seu reino apenas duas vezes; uma para raptar Perséfone, a quem tomou como esposa e outra para curar-se, no Olimpo, de uma ferida provocada por Héracles.

    Elementos que associados a visão judaica (após a convivência com os Assírios Zoroastristas e Dualista na babilônia, tempos antes), elementos que poderiam materializar imagens dos “jinns”, gênios do mal, que são alegorias primitivas dos povos semitas e hititas, contemporâneos dos levitas, estas então foram os “diabolos” escolhidos para assentar a base Cristã, ou seja a antítese dos “Símbolos”.

    Nada mais óbvio que taxar o outro , qualquer “outro” , de “ilegal” ou “do mal”, já havia uma Guerra Santa em Andamento.
    Aliás aproveitando, “daimon” em grego significa “espírito”, não há referência se do bem ou do mal… o termo “demônio” provavelmente sai destes absurdos “propositais” em tradução.
    Acelerando no Tempo….Passando toda a Idade Média, onde a figura do “Diabo” foi elevada a um status de Divindade, sendo até iconografada, para provocar pavor nos incautos anafabetos , (só membros da nobreza ou religiosos, aprendiam a ler o pouco que sobrou), que através das visões do “inferno” angariaram almas para fortalecer suas instituições .
    Época das Indulgências e das Perseguições, antes da Reforma… Quando os Missionários chegaram a África junto com os escravagistas, para promover a Diáspora Africana, logo viram o seu “Diabo” na figura mitológica e controvertida e Divinizada de Exu, onde já se viu adorar um Deus, fálico (esqueceram os nobres Cristãos que no passado em Roma havia Príapo, Deus da Fertilidade…) mas respeitar o desenvolvimento das Religião Naturais, nunca foi coisa de Abstracionistas… Exu não é o Diabo, santo diabo!Judaico Cristão. O santo que mais lhes ajudou e serviu.

    abraço,
    Alexandre Golaiv

    Comment by Alexandre — 15/01/2011 @ 1:40 AM

    • Alexandre,

      acabei de ler um texto do del Debbio no Sedentário, que começa assim :

      Esta série de posts promete pegar fogo. Parece que “medo do diabo” está tão arraigado no subconsciente das pessoas que muitas delas não conseguem nem ler um texto sobre Pan, Cernunnos ou exú sem ficarem apavorados. O medo que a Igreja colocou (e coloca) na cabeça das pessoas é muito grande, pois como todos nós sabemos, pessoas com medo doam mais dízimo e ficam menos propensas a questionarem ordens. Afinal de contas, se você questionar as otoridades, será mandado para o Inferno, onde ficará mergulhado em óleo fervente, sendo torturado e queimado pelos capetas pela eternidade… mas Jesus te ama!

      hahahahaha

      “santo diabo judaico-cristão!” o santo que mais lhes ajudou e “serviu”.

      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 15/01/2011 @ 3:49 AM

  3. Pan também era o deus da fertilidade, da sexualidade masculina e do desejo carnal. Como o nome do deus significava “tudo”, no mais amplo sentido da natureza, a raiz, a fertilidade, Pan passou a ser considerado um símbolo do Universo e a personificação da Natureza; e, mais recentemente, representante de todos os deuses.
    Celebrar a Pan é celebrar a sexualidade de maneira primal, a bebida e a boa música.
    E meus amigos, esta é uma trombada brutal com os ideias de servilismo tanto do cristianismo quanto do budismo.
    O Alexandre foi muito feliz na expressão “religiões abstracionistas”.
    O próprio Junguismo (não: Jung,e sim o junguismo) é fácilmente incorporado nesta falácia de legiões demoníacas.
    A vida, a carne, a mente sã, tudo o que deseja, toca, vibra, alcança, respira é considerado diabólico, mal e mau.
    E, tem sua representação no que eles determinaram como diabo.
    É mesmo ignorância.
    Negar a própria natureza e “servir” a uma abstração desenhada como uma “ilha” paradisíaca e formatada com visões absolutamente “terrestres” huahuahua, é divertido até.
    Pra voces, moçada, uma diabólica idéia:

    Laroiê, doce Exú, dionísio mercurial cheio de saúde,cor,pele e amor.
    beijo a todos
    tio Gus

    Comment by Gustavo — 15/01/2011 @ 2:06 AM

    • Follow me:

      Entre as mutações infinitas deste universo sem fim, somos uma raça.

      Não estamos em nenhum outro lugar que não seja este aqui.

      Não estamos aqui pra nos postrar.

      Não estamos aqui pra nos esconder nem em nós mesmos e nem do que criamos em nossa Imaginação.

      Estamos aqui pra explorar os dois.

      De cabeça erguida, orgulhosos do que somos e responsáveis pelo que viremos a ser.

      Com alegria. Com total e extrema Liberdade.

      Mesmo sabendo que Liberdade não é uma coisa fácil.

      —————————

      Todos temos uma pátria mítica ao fundo da alma, uma terra verde onde a vida se renova em pináculos de neve e em mares límpidos.

      Na minha pátria mítica a terra e o homem são um só, mas também a águas, os céus e as montanhas;

      entre a geada e a neblina, o vigor expectante do veado é o coração tranquilo do guerreiro que ateia o lume,

      o grito do falcão, sobre as nuvens atapetadas de prata, e a alma valente do pastor que trepa vales e escarpas.

      É um reino e não um país,

      porque é a vontade dos homens que regula o curso do tempo,a cor das casas , os dias sagrados ,

      os dias para o luto e os dias para o júbilo

      e o temor da noite que conserva nos gestos das crianças a aliança primordial entre os homens e a morte.

      São um povo,

      de saúde férrea enraizada nos minerais do chão,

      de braços fortes como as pedras em pé, altas, eternas ,

      que bordejam o mapa invisível das leis e dos costumes;

      os panos coloridos que incendeiam as raparigas,

      as barbas e os cabelos desgrenhados dos rapazes e a dança dos archotes que lhes une o desejo,

      os modos de se conservar a memória dos mortos no zelo com que se cuida as espadas e os escudos de eras pretéritas,

      os relógios lentos nos edifícios de rocha.

      Nada é um vazio.

      Tudo é pleno de Força antiga: santa.

      Nas horas em que a vida cansa, caminha-se para o manto branco colado ao céu,

      nenhuma coisa é feita de fraqueza, sobe-se , sobe-se com a ajuda dos mortos que antes o fizeram,

      para cima, onde o trono de gelo apazigua as dúvidas amargas,

      a melancolia de ser, o receio da morte e “ergue a Alegria do sangue acima dos medos do espírito” !

      Depois somos pedra na pedra, uma estaca de gêlo sem idade ,

      e sabemos que o paraíso é tão simples como estar sentado no Vento em silêncio, a cortar pão de forno e queijo de ovelha.

      Long Live Scotland!

      Lord of Erewhon

      —————–

      Laroiê Exú > senhor dos começos !

      ——————

      A vida é um sistema instável no qual se perde e se reconquista o equilíbrio a cada instante;

      a inércia é que é o sinônimo de morte.

      A lei da vida é mudar.

      Simone de Beauvoir

      e a mudança é sempre um novo começo.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 15/01/2011 @ 4:23 AM

  4. Ô deusinho sarado, hem?

    Tio Gus, tudo o que eu queria era 365 dias e mais um tanto com um diabo destes….mercurial assim, in Paradise.
    saúde/cor/pele/amor/ e talz…
    bjinhos
    hahahahahahaha
    Ju

    Comment by Juliana — 15/01/2011 @ 2:10 AM

    • …. e mais um tanto …

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 15/01/2011 @ 4:23 AM

  5. té esqueci
    Laroiê, exú beleza!
    Ju

    Comment by Juliana — 15/01/2011 @ 2:11 AM

  6. Jorge Amado/ Van Halen / exú hermes querubim/
    De onde vem esta magia toda que só as faíscas de Urano tem ?

    TocaYo

    Comment by TocaYo — 15/01/2011 @ 5:00 AM

  7. Check This Out…

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    Trackback by Buy Guaranteed Fans — 17/12/2011 @ 10:56 AM

    • So… Thank you and welcome aboard !
      Fy

      Comment by Fy — 17/12/2011 @ 11:29 AM


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