windmills by fy

07/02/2011

is different –

Filed under: Uncategorized — Fy @ 6:43 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando postei sobre  Oxum , Yemanjá , estas mulheres-deusas tão cheias de encantos , garras , doçura e balangandãs  ,

o Gustavo nos chamou a atenção sobre uma  Sociedade de Mulheres na África  [ comentário 2 ] , a Sociedade Geledé .

Quando lí, imediatamente me lembrei das Bene Gesserit , – [ acho até que o Frank Herbert andou surfando nestes mares  africanos ] –  

e misturando tudo , Bene Gesserit ,  Geledés , sextos- sentidos , balanço , seios  e balangandãs ….

 …. claro que foi levantada a questão do Poder Feminino ,  Patriarcado… , Matriarcado … e talzetalz .

 

 

O mais divertido de fazer um post , ou trazer um assunto porque é bonito ou interessante ,

é … sentar aqui à noite e perceber o quanto ele deriva , cresce , se intensifica ….  

ahahahah : e sai dançando sózinho , na melodia única de quem comenta .

 

 

E a Bel nos mandou este ensaio  – sobre o  “ Feminino ”  e como este conceito tem sido mal interpretado  pelos homens e  até mesmo pelas mulheres ,

numa misturança de sentidos que vão desde a vulgarização  até uma noção  quase que masculinizada nesta época pós … – feminismo … [ ? ] .

Sem deixar de levar em consideração  [ nunca ] o desgate da Mulher ao “reabilitar-se”  como Ser-Humano

nesta cultura tão agredida pelo religiosismo  político cristão  no Ocidente ,  

sem esquecer a luta da mulher pela sua … ou por “alguma”  …  identidade …  no barbarismo de alguns segmentos  criminosos das  religiões orientais –

e  sem …  nem por um momento …  desvalorizar nossa força e poder  como Mulheres  que somos , a Bel trouxe um   “ outro olhar ”  sobre este conceito :  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“ Que Vênus eram aquelas ?

Esculpidas com nádegas e seios enormes pendendo sobre grandes barrigas ? ”

[ bah !]

 

 

 

 

 

Como elas teriam percorrido desde os Pirineos até a Sibéria , passando pela França , Tchecoslováquia , Itália e Ucrânia e… e…  ?…  

[ carregando todo aquele peso ? …. ]

                                                                                                                             [ ah … que muito  lindo! ]

 

 

 

Do Paleolítico superior até o início da era patriarcal indo-europeia , a adoração à grande deusa era universal …

foram períodos perdidos para a história escrita , nos quais os grupos humanos eram mais igualitários e conectados por vínculos pacíficos … ”

Sabemos hoje que existiram berços da civilização muito antigos onde a convivência era solidária ,

com ausência de destruição e conquista armada , as mulheres eram reconhecidas e os valores de solidariedade tinham grande relevância .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Disciplinas como a Antropologia e a Arqueologia nos falam amplamente destas estruturas .

James Mallart , conhecido arqueólogo e pesquisador , investigou em profundidade Çatal Hüyük  ,

uma antiga civilização muitos anos anterior à Suméria : 6150 BC ,  próspera , pacífica e adoradora de uma deusa .

 

 

 

 

http://terraeantiqvaefotos.zoomblog.com/archivo/2005/12/03/

 

 

 

 

 

 

Não podemos nomeá-las de matriarcado, como nos alerta a antropóloga Riane Eisler :

“ A verdadeira alternativa ao patriarcado não é o matriarcado , porque este é apenas o outro lado da moeda dominadora , mantendo o princípio de hierarquias ” .

 

 

 

O biólogo Humberto Maturana as menciona como culturas matrísticas ou matricêntricas ,

explicando que na cultura patriarcal o individual e o social se contrapõem :  

porque o individual se afirma pela negação do outro , a valoração da competência e da luta .

Na cultura matrística pré-patriarcal , o social e o individual não se contrapõem porque o individual surge a partir da convivência e da cooperação com os outros .

Marija Gimbutas utiliza o termo   “ ginocêntrico ”   para marcar estruturas determinadas claramente pela tolerância , pela partilha e pela receptividade ;

seus estudos sobre a extinção destas culturas são eloquentes , mostrando as invasões indo-europeias ,

povos vindos das estepes áridas do norte da Europa dedicados ao saqueio e à guerra .

Desaparecem a cerâmica e as diversas formas de arte , as tumbas mostram robustos esqueletos masculinos

e o sacrifício de mulheres e crianças glorificando cenas de matança , saqueios e estupros ao serviço de deuses . . .   que glorificam o poder e veneram a morte .

Assim , em termos de civilização , condenamos ao ostracismo o que a antropologia denomina   Princípio   Feminino ,  

> aquele que determina estruturas solidárias e harmônicas e valores de cooperação e partilha ,

condenando-nos a um panorama sangrento de lutas , abusos e crueldades .

 

 

A socióloga Jessie Bernard nos alerta para a urgência social de restaurar o que nomeia como qualidades diferenciais femininas

em todas as áreas da nossa gestão social , econômica e política , incorporando comportamentos que , até então , considerávamos pouco eficientes

e produtivos e que localizávamos somente nas mulheres , como a tolerância , o acolhimento e a ética do cuidado .

 

 

 

 

Feminino é um adjetivo derivado da palavra femina  >  que significa :  Mulher .

 Descreve algo que pertence às mulheres , aquilo que tem qualidades ou características que se aplicam a elas , como delicado , amável , etc .

Mas … para  ” determinar ”   o   Feminino , é imprescindível diferenciar :

mulher –

gênero –

e arquétipo .

 

 

Os órgãos sexuais determinam o que é Homem e o que é Mulher

com suas capacidades reprodutivas e definem um gênero como uma classe ,

ou agrupamento de indivíduos , uma categoria com traços comuns .

Arquétipo ,  segundo Jung , seriam imagens primordiais , representações inconscientes dotadas de uma energia própria

que podem fornecer interpretações significativas no sentido simbólico , criando mitos , filosofias  e que influenciam e caracterizam nações e épocas inteiras .

 

Assim  :

  o Feminino não se refere aos órgãos sexuais  e nem se esgota nas referências arquetípicas ,

ele está vinculado a uma estrutura de consciência ,              

                                                                                                    –  o que quer dizer que :

                                                                                                                               – pode ser vivido sem se identificar com o masculino como uma forma de funcionar ,

                                                                                                                               – não precisa atuar de forma reativa para se defender

                                                                                                                                   e

                                                                                                                              – não tem que compensar alguma coisa que lhe falta para poder existir .

 

                                                                                                                                                                                                          !       

                                                          

pelo menos … à princípio  … –  é ela quem diz … …

 

 

 

 

 

“ Quando me refiro ao feminino, não estou falando de um princípio materno … > a consciência feminina significa mergulhar nesse enraizamento

e reconhecer quem é você

Tem a ver com o afeto e a capacidade de receber  –

e com entregar-se ao seu próprio destino com total consciência de forças e limitações … ”

Esta definição da Marion Woodman nos fala da lucidez de consciência que insistimos em não escutar

por causa de uma atividade febril , dos vícios , do sexo , dos artifícios do mundo moderno

e da nossa identificação integral com o aspecto patriarcal : guerreiro , eficiente , desumanizado e tecnológico da nossa cultura .

Camuflamos o ritmo lento da vida e , nós , tanto Homens como Mulheres , não entregamos , não desaceleramos  :  

controlamos tudo o tempo inteiro , insistimos em procurar a perfeição , adoecemos e vivemos uma angustiada situação de vida .

O patriarcado , como forma social , localiza o macho como cabeça da tribo ,

organizando uma particular convivência institucional e uma política marcada pelo individualismo feroz , a luta pelo domínio e o desprezo pelos interesses coletivos .

 

 

O mundo ocidental e sua glorificação da razão , da objetividade e da separatividade descartam o subjetivo e as vivências vitais

nas quais reconhecemos quem somos ; assim :  dentro de cada um de nós  >  reproduzimos o gesto civilizatório que oprimiu o Feminino na história .

 

A   Mulher Contemporânea se tem conectado amplamente com o aspecto masculino da cultura : lutando e reproduzindo relações de poder e submissão .

 

– Uma observação  oportuna :  Aqui : http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2010/08/ei_voce.html 

o Acid escreveu um post  sobre a Mulher  –   é um outro ponto de vista , que se encaixa super bem neste ensaio da Marisa Sanabria – .

 

 

 

 

 

 

O psicólogo Robert Stein ilustra muito bem esta situação ,

mencionando Apolo como um deus distante e sem envolvimento ,

interessado na  ” claridade ” , na ordem e na moderação  >  ele personifica o espírito patriarcal e a tendência ao afastamento .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nosso mundo é apolíneo e sem emoção ,

organizado a partir de estruturas conduzidas por uma inteligência diretiva ;

desta forma , teremos êxito se somos despersonalizados e distantes , condenando o feminino dionisíaco  à sombra ,

a uma segunda categoria  sem rendimento , sem reconhecimento e , sobretudo, sem lucro ou ganhos específicos .

Nosso comando patriarcal interno nos faz sentir a todos , sobretudo as mulheres , envergonhados , inadequados e frágeis

quando não nos identificamos com a eficiência no  “ funcionamento ” .   . . . !

 

 

Assistimos constantemente a mulheres irritadiças , doentes e com um entristecimento severo como pano de fundo da sua existência .

[ . . . homens também . . . ]

Nossa estrutura contemporânea , não conhece a alegria , que nada tem que ver com o consumo imediato .

Marion Woodman nos diz que , em estado de vício e de submissão , não podemos saber quem somos ou quais são os nossos propósitos .

Vitimamos o Feminino dentro de nós – o dionísio –  e vivemos freneticamente aderidos ao plano material de propósitos acumuláveis .

 

 

 

Assim ,  [ e eu acho que aqui ela resume direitinho a idéia toda : ]

quando pensamos : o Feminino >  deixamos de entendê-lo como um adjetivo agregado [ à mulher ] , como o mundo patriarcal nos fez entender ,

para torná-lo um substantivo que nos leva a adotar uma outra ordem para os relacionamentos , as formas de trabalhar e de dar sentido à vida ,

seguindo um padrão não determinado , um estilo próprio que responda a uma demanda pessoal

e não a uma necessidade de aceitação , inclusão ou de reconhecimento institucional – [ > no caso da mulher  , que acaba distorcendo também seu significado ,

ou abrindo mão de  sua feminilidade  – ou exagerando-a … – ou “santificando-a ]   .

 

Hoje  as características reais do Feminino  aparecem  como uma opção à tirania da modernidade ,

porque exigem  uma consciência de vontade própria ,

uma liberdade para abandonar padrões e modelos impostos

e uma proposta de conexão e convivência mais solidária e pacífica em oposição clara à ordem hierárquica patriarcal .

 

 Não se trata de recuperar um gesto nostálgico ou de cultivar a caricatura do eterno feminino ,

mas de uma vivência sem hierarquias e de uma proposta sem ambiguidades .

 

 

Para Rose Marie Muraro , por baixo da nossa estrutura social competitiva , continuamos ligados aos valores ditos femininos de solidariedade e de partilha ,

temos que pensar que estas atitudes governaram a vida humana por um tempo muito maior

que os valores hierárquicos e excludentes que são historicamente muito mais recentes .

Redefinir o conceito de Feminino , determinar e escolher com que parâmetros vamos conviver

não é um   ” problema de mulher ” , é um desafio e um questionamento coletivo que diz respeito à sobrevivência e à condição humana .

 

 

Este propósito de escolher entre o público e o privado , o reprodutivo e o produtivo , a hierarquia ou a conexão , a luta ou a solidariedade

é um dilema que até agora se localizou no corpo da mulher , em questão de gênero , em sintoma de senhoras .

Pensar o Feminino é uma análise das diversas estruturas sociais , educativas , jurídicas e laborais ;

o princípio de conexão não é somente para as mulheres , é um novo entendimento para todos ,

uma contraordem institucional , uma perspectiva subversiva de modificar as tradições dominantes .

No auge da nossa civilização pós-moderna , globalizada e desafiante , no esplendor do gesto patriarcal e dos abusos de poder ,

precisamos aprender atitudes que   “ os primitivos ”   conheciam tão bem , como o cuidado com os mais débeis .

Essas atitudes são antigas , eram exercidas pelas mulheres e tinham como função manter e sustentar a trama da vida ,

eram   “ elas ”   que teciam , plantavam , armazenavam ;

e estes gestos davam um sentido à existência e traziam consciência para o lugar que cada um ocupava no coletivo .

É essa nova ética do cuidado e da pacificação que precisamos retomar .

“As mulheres não são as únicas guardiãs do feminino .

Tanto homens como mulheres estão buscando aquela parte que nos foi expurgada …

 

 

O feminino não se interessa em estar no topo , dedica-se a perambular …

quando estamos no controle de tudo , exercemos uma masculinidade movida a poder…”,

é o que afirma Marion Woodman .

 

 

 

                                                                                                                              e o TocaYo… chegou e lembrou : 

 

 

 

 

 

Marisa Sanabria

Psicóloga CRP 04-5350. Mestre em Filosofia – UFMG

 

 

Referências :

CAMPBELL, Joseph. Todos os Nomes da Deusa. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2000.

CAMPS, Victória. El siglo de las Mujeres. Madrid: Ediciones Cátedra Universitat de Valéncia, 2003.

GIMBUTAS, Marija. Los Dioses y las Diosas de la Vieja Europa del 7000 al 3.500 a.C. Madrid,1985.

JUNG, Gustav Carl. O Homem e seus Símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1964.

MURARO, Rose Marie. A Mulher no Terceiro Milênio. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1995.

OLIVEIRA, Rosiska Darcy de. Elogio da diferença, o feminino emergente. São Paulo: Brasiliense, 1999.

RIANE, Eisler. El Cáliz y la Espada – .Nuestra história, nuestro futuro. 10. ed. Santiago de Chile: Cuatro Vientos, 2006.

WOODMAN, Marion. A Feminilidade Consciente. São Paulo: Paulus, 2003.

ZWEIG, Connie (Org.). Ser Mujer. Biblioteca de la Nueva Consciencia. 4. ed. Barcelona: Kairós, 2001.

TocaYo  

 

 

Bel –   Bia-blue  e   Fy

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

17 Comments »

  1. Que post!
    beijos
    Adriana

    Comment by Adriana — 07/02/2011 @ 1:45 PM

  2. Que post!

    É isso mesmo, Adriana. Um BIG post!
    Parabéns meninas.
    Eu nem chamaria de post, e sim de ALERTA.
    Alarme. Um chamado à consciência URGENTE.

    Não há muito a acrescentar. Mas, vamos começar colocando este mesmo alerta em alguns parágrafos do James Hillman, pra deleite da Fy:

    Além disso… interesse pela patologia, anima e politeísmo se inter-relacionam intimamente.
    Iríamos muito longe se quiséssemos mostrar a lógica interna deste elo, e não me sinto inclinado a fazê-lo rápida e sucintamente.

    E mais, esta interconeção foi o tema principal de muitos de meus escritos, porque logo se descobre, ao trabalhar consigo mesmo e com outros, que cada um destes critérios de elaboração da alma tende a implicar no outro.

    As variadas figuras da anima, as inspirações dos elfos, e as disposições do humor que movem uma pessoa, homens e mulheres igualmente

    (pois é asneira sustentar que as mulheres só podem ter animus, sem almas, como se um arquétipo ou uma deusa pudessem ser limitados à psicologia de gênero sexual, pessoal)- BEM IMPORTANTE ESTA OBSERVAÇÃO –

    geram um duplo sentimento peculiar.

    Geram um senso de minha importância pessoal, um senso de alma, que não é uma inflação do ego e, ao mesmo tempo, há uma consciência de que sua subjetividade é líquida, aérea, ígnea, terrena, feita de muitos componentes, cambiante, inapreensível, agora próxima, íntima e útil como Atena dando sábio conselho, e depois matreira, e fugitiva, ingenuamente metendo o sujeito em becos sem saída como Perséfone, e no momento seguinte fantasiando sussurros de Afrodite no ouvido interno, espuma do mar, conchas bivalves de vulva rósea, e logo mais a orgulhosa e esbelta Ártemis, acuando tudo, ela própria a distância, unida somente com a natureza, uma alma virgem entre irmãos e irmãs, apenas.

    Anima nos faz sentir a multilateralidade.

    Anima, como disse Jung, é o equivalente e a personificação de um aspecto politeísta de psiquê.

    “Politeísmo” é conceito teológico ou antropológico da experiência de um mundo dotado de muitas almas.

    Esta mesma experiência de multiplicidade nos alcança também através de sintomas.

    Eles também nos conscientizam de que a alma tem outras vozes e intenções, além das do ego.

    O interesse pela patologia atesta simultaneamente a inerente natureza composta da alma e os muitos deuses refletidos nesta composição.

    Encontro minha deixa em dois breves reparos de Jung :

    “o divino em nós funciona como neurose no estômago, no cólon ou na bexiga, simples pertubações do baixo mundo.
    Nossos deuses foram dormir, e somente se agitam nos intestinos da terra “.

    É este reforço :

    “Os deuses viraram doenças; Zeus não governa mais o Olimpo e, sim, o plexo solar, e produz curiosos espécimes para a sala de consulta do médico …”.

    AHHAHAAHHA
    beijo a todos
    tio Gus

    Comment by Gustavo — 07/02/2011 @ 11:06 PM

    • Oh Gus…

      Vou começar um post com estes parágrafos! Vamos?

      As variadas figuras da anima, as inspirações dos elfos, e as disposições do humor que movem uma pessoa, homens e mulheres igualmente
      geram um duplo sentimento peculiar.

      Geram um senso de minha importância pessoal, um senso de alma, que não é uma inflação do ego e, ao mesmo tempo, há uma consciência de que sua subjetividade é líquida, aérea, ígnea, terrena, feita de muitos componentes, cambiante, inapreensível, agora próxima, íntima e útil como Atena dando sábio conselho, e depois matreira, e fugitiva, ingenuamente metendo o sujeito em becos sem saída como Perséfone, e no momento seguinte fantasiando sussurros de Afrodite no ouvido interno, espuma do mar, conchas bivalves de vulva rósea, e logo mais a orgulhosa e esbelta Ártemis, acuando tudo, ela própria a distância, unida somente com a natureza, uma alma virgem entre irmãos e irmãs, apenas.

      [ (pois é asneira sustentar que as mulheres só podem ter animus, sem almas, como se um arquétipo ou uma deusa pudessem ser limitados à psicologia de gênero sexual, pessoal)- BEM IMPORTANTE ESTA OBSERVAÇÃO – ]

      Super Importante > o point todo da Marisa Sanabria éjustamente ressaltar o Feminino como um “componente inerente à “alma” do ser humano…. Se ânima ou animus, não faz mal… o importante é que ele esteja presente “no” ser humano.

      Eu gostei mto da comparação da “anima” com Dionísio. Até pq esta forma de abordar se aproxima mais do Puer do Hillman.

      E quanto a ânima ou ânimus …. > Consideremos agora a conexão puer-psique sem forças as reivindicações de uma figura sobre outra. …- Hillman –

      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 08/02/2011 @ 6:09 AM

    • “Os deuses viraram doenças; Zeus não governa mais o Olimpo e, sim, o plexo solar, e produz curiosos espécimes para a sala de consulta do médico…

      hahahahahahahahahahahah !

      Gustavo! isto só podia vir do Hillman.

      Nossa… muito bom.

      Olha, aqui neste circuito meio q triangular de internet – q vc sabe qual é…. olha as peças que se lê!
      De vez em qdo eu faço um tour… um… “re-tour”. Só dá louco!

      Eu fico pensando aquicomigo… eu sempre fui apaixonada por historias, por Historia tb, claro.
      Vc que é apaixonado pelo que faz e vai fundo tb.
      Como é ou pq será que nós nunca tivemos pesadelos, flashes esquisotéricos…. – deuses apertando nosso umbigo ou epilepsia causadas pelas trombadas deste vil e miserável ego com o divino self? … e nem ficamos “boiando no ar” em cima de dragões ?! Yeah!
      lembra?

      Gus – acho que nós …. não somos normais !

      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 08/02/2011 @ 6:45 AM

  3. Bom Dia,

    Não tenho nem como elogiar. O artigo ganhou uma tal intensidade que eu mesma, ao indicá-lo não havia notado.
    Você tem razão Fy, é fascinante como um assunto adquire aspectos inusitados,como o discurso se torna errante e nos traz inumeros e novos horizontes não percebidos em uma análise pessoal.
    Estou indescritivamente muito mais afetada (e das mais variadas formas) por esta leitura e pela projeção visual de sua interpretação e da Bia, do que à princípio em minha solitária leitura e análise.

    Isto é uma demonstração clara do princípio de conexão. Se isto é feminino faz juz ao artigo “definido-feminino” com o qual “brindamos” “a” internet; esta encarnação spinozista do século XXI.

    Estou analisando os diversos afectos com os quais voces me surprenderam e sei que com os comentários terei ainda mais material para novas reflexões.
    Obrigado pela atenção.
    beijo a todos e ao tio Gus que começou tão bem.
    Bel

    Comment by Bel — 08/02/2011 @ 12:17 AM

    • Eu tb gostei.
      Tem mais ?
      bj
      Fy

      Comment by Fy — 08/02/2011 @ 7:47 AM

  4. em estado de vício e de submissão , não podemos saber quem somos ou quais são os nossos propósitos .

    Vitimamos o Feminino dentro de nós – o dionísio

    duda

    Comment by duda — 08/02/2011 @ 12:25 AM

    • ôh dó….

      “I will tell of Dionysos, the son of glorious Semele, how he appeared on a jutting headland by the shore of the fruitless sea, seeming like a stripling in the first flush of manhood: his rich, dark hair was waving about him, and on his strong shoulders he wore a purple robe. … Homero.
      beijo
      Fy

      Comment by Fy — 08/02/2011 @ 6:56 AM

  5. Oi pessoas!

    Oi Bel, vou começar por você.
    “Estou indescritivamente muito mais afetada” …. //// eu também! Mas a primeira coisa que me ocorreu é…. SILICONE, folks!
    Que peitaria sem fimmmmmmm.

    Outra coisa, bem bacana o artigo do Acid.Gosti mto.

    Como hoje, por enquanto, eu estou de bueníssimo humor,vou convidar minhas amiguíssimas “NORMAIS” **** com todos os seus faniquitos, TPMs, ataques e frescuras NORMAIS,minhas amigas que adoram ser mulher, independente de sua preferências sexuais, porque tenho um monte de amigas gays que também não estão nem um pouquito preocupadas com isto, a lerem este hilário show de absurdos a seguir.
    Bom, eu nunca fui fã de Psicanalise… pra mim é fabricação de loucura em série. Mas… este bando de malucos às vezes se supera…!!!55$$#@#$ $

    Come with me, ladies: e riam à vontade: by Freud, Lacan, Jung e outros esquisitos :

    WOMANLINESS IN PSYCHOANALYSIS:

    THE CONTROVERSY ABOUT THE PHALLIC PRIMACY

    http://www.scielo.br/pdf/fractal/v21n3/09.pdf

    francamente….
    bjinhos
    Juju

    Comment by Juliana — 08/02/2011 @ 1:03 AM

    • aHaHaHAhaHahahah !

      “CONTROVERSIES >>> ??? – no baby… – There is nO controversy …😉.
      bjs
      Fy

      e mto menos silicone!

      Comment by Fy — 08/02/2011 @ 7:03 AM

  6. esqueci:

    Voces viram, amigas normais, como o Steven Tyler tá um gato no American Idol?
    Fera! Quem é Rei… sempre é magestade!
    Suuuuuuuper carismático. Qts anos o cara tem ?
    bjinhos bem humorados, aproveitemmmmmm
    Juju

    Comment by Juliana — 08/02/2011 @ 1:10 AM

    • Impressionante, Ju.

      Gostou do Janie’s got a gun ….. – a Carol não deve ter visto.
      Ela já fez uma coreografia linda – linda com esta musica deles.

      bjs
      Fy

      eu que gravei e deixei PÚBLICO.
      Não aguento esta frescura no Youtube agora.

      Comment by Fy — 08/02/2011 @ 7:11 AM

  7. Quando se diz o ditado “por trás de um grande homem tem sempre uma grande mulher” erroneamente se concebe um verdadeiro líder, viril, e uma mulher submissa e compreensiva que, com seu sacrifício, ajudou-o a estar ali. Quando crescemos e conhecemos a natureza feminina é que percebemos que ELA é quem o moldou (ou manipulou) para que ele chegasse ali (muitas vezes sem que ele o perceba). Seja como mãe, namorada, amiga ou esposa, a mulher é como um rio que, com sua força, marca a fundo a geografia masculina e nos irriga com vida e, às vezes, destruição.

    Muito bom este comentário lá do Saindo da Matrix, mas eu acrescento:a mulher é como um rio que, com sua força, marca a fundo a sua “própria” geografia, e no fundo anda meio cansada deste papel “marcador” em relação aos homens.

    Outra coisa relevante e que na minha opinião não pode ser descartada:

    O mundo contemporâneo masculinizou a mulher para resolver as desigualdades que, na prática, não foram solucionadas. Para a advogada carioca Rosiska Darcy de Oliveira , não soubemos negociar o mundo privado e público e continuamos funcionando na cadência das máquinas do século XIX, em que existia uma dedicação exclusiva ao mundo doméstico.

    A luta pelas igualdades escondeu algumas diferenças cruciais e as mulheres permaneceram com várias jornadas laborais e sobrecarregadas, hoje entendemos que o que deveria ter sido explicitado era a distinção entre possibilidades e direitos civis.

    A profa. Vitória Camps , da Universidade de Valencia, diz que duvidamos de que os valores ditos femininos, como cooperação, responsabilidade ou afeto, sejam eficientes ou decisivos em um mundo caracterizado pela prepotência e pela indiferença.

    O dilema que se coloca para as mulheres entre público e privado, ou entre cuidar de seu filho ou ocupar um cargo em uma empresa, é uma situação que camufla a falta de compromisso do masculino, como se sua responsabilidade fosse exclusivamente o funcionamento do âmbito público, evitando ou desviando-se das solicitações do espaço privado onde se encontram o que alguns sociólogos chamam de “valores suaves”.

    Ou seja, ao reivindicar direitos a mulher deixou de lado uma série de pontas desatadas, o que acabou se tornando uma sobrecarga, principalmente se considerarmos a importância intransferível do seu papel ativo na sociedade “pública”.

    “Aquel femenino de las igualdades se prolonga en el femenino de las diferencias.”

    A palavra tão vigente hoje, de que o privado é político, leva-nos a refletir sobre qual é a medida do feminino, porque o preço para participar de ambos os mundos, público e privado, é uma conta que até o momento as mulheres pagaram sozinhas.

    Inclusive, esta contradição foi sentida duramente no corpo, com doenças, desvios e entristecimentos.

    “Para ser respeitada, pense, aja e trabalhe como um homem, mas, para ser amada, continue sendo mulher.”

    Bel

    Comment by Bel — 08/02/2011 @ 1:40 AM

    • Oi Bebel!

      Que bom que vc gostou.
      O post dele inteiro é bom.

      Eu não coloquei este trecho pq acho um pouco exagerado Bel.

      Eu penso que as mulheres da minha geração, não encaram este problema de forma tão acentuada como ela considerou.

      Não acredito que o mercado de trabalho esteja assim tão preconceituoso como era antes dos sessenta.
      Nós mulheres da minha idade somos as filhas ou as netas do feminismo.

      Eu até gostaria – de verdade – que o mercado de trabalho fôsse mais exigente em relação à competência… ah, gostaria mesmo, pq a quantidade de incompetentes é enorme e não tem preferência sexual.

      Não acho que pra trabalhar dedicadamente…. a mulher sinta que está trabalhando como um Homem…. – isto dá até a impressão que os homens trabalham mais que a mulher…. – e não é verdade… ou não é “mais” verdade.

      Quanto aos filhos, olha minha opinião pode até parecer controversa… mas acho que os homens estão muito mais participativos e interessados, talvez… nesta geração. E às mulheres que reclamam e reclamam por viver a vida que “escolheram” > veja bem : que “escolheram” > eu acho que são umas chatas .
      É preciso organização, pelo menos uma vontade de realização pra que certas coisas não virem dramas.

      Porque ter um filho se o pai ainda não está pronto?- ou se tem um temperamento avêsso à convivência diária com nenens… ou blábláblás e talzs… – isto acontece…

      A Bia sempre diz uma coisa sábia… : laranjeira… não dá limão.
      Pra que estacionar embaixo da laranjeira com vontade chupar limão?
      só pra reclamar?

      Estou falando de mulheres esclarecidas, ocidentais em franca liberdade , mulheres que hoje em dia : escolhem o que querem e o que não querem pra si mesmas.

      Trabalho dá trabalho.
      Ter alguem : dá trabalho.
      Ter nenens dá trabalho.
      Escolher alguém que esteja disposto a viver esta e outras realidades ao lado dagente dá trabalho tb.
      Ah…. o lance é decidir “como” se vai trabalhar.

      Senão fica aquele lance complicado e igual a alguns judeus… que estão sempre a lamentar o holocausto… como se fôsse uma pedra preciosa…. que justifica qualquer incompetência ou coisas piores. E eu digo isto sem radicalismos, claro.

      O que é que trabalho tem a ver com feminilidade?
      São fatores excludentes ?
      Não são.

      Se a pessoa percebe que não vai segurar a onda – sózinha ou acompanhada… pra que ter filhos ?
      Pra que se sujeitar à madalena – ou suportar um homem que não divide ou não sente a necessidade de participar?
      Por amor ? – Legal, mas please…. sem reclamar. É uma “escolha” também .

      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 08/02/2011 @ 7:44 AM

  8. Oi Juliana,

    O Steven Tyler nasceu em 1948. 26 de março. Vai completar 63 anos.
    beijo

    Fy, Carol, Marcia,voces viram esta palestra anunciada lá no Himma ?

    Seminários Junguianos – 2011

    1 – Seminário sobre a Psicologia Arquetípica de James Hillman: Re-Vendo a Psicologia: O Patologizar em tempos do Imperativo cultural da ” Vida Saudável”

    Quais são os espaços contemporâneos para as imagens do Patologizar na cultura atual? Estará a possibilidade de ” experimentar e imaginar a vida através desta perspectiva deformada e aflita” presente apenas nos filmes de Lars Von Trier ou Quentin Tarantino? na literatura do escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez? Ou nas exposições de Body Art? Qual a relação do Patologizar com estas modalidades de expressão cultural?

    Neste seminário, avançaremos na leitura da obra fundamental de James Hillman: “Revisioning Psychology”. Após termos lido o capítulo “Personificar”, começaremos a estudar uma das principais idéias da Psicologia Arquetípica, ou seja, o Patologizar.

    Estudaremos o contexto que permitiu a Hillman criar esta idéia fundamental para o trabalho de fazer – alma como proposto por ele.

    O patologizar surge como um antídoto frente a ênfase quase religiosa a favor da saúde e da totalidade que contaminavam o ambiente psicológico junguiano no final da década de 60 e início dos 70.

    Para Hillman, o patologizar não se confunde com o patológico, visto que é umas das formas mais legítimas e particulares da alma apresentar suas imagens.

    Destacaremos através de um olhar retrospectivo e histórico que o patologizar sempre esteve presente na história da criação da Psicologia Arquetípica através dos inúmeros textos onde Hillman apresentou suas imagens sobre esta idéia como: traição, masturbação, morte, depressão, pânico, velhice e a guerra.

    A questão que pretendo lançar ao grupo é:

    Diante do cenário atual em que atravessamos, onde todo sofrimento psíquico torna-se patológico, como a noção de ” patologizar” pode ajudar a nos re-posicionarmos de modo ético e clínico frente a esta arbitrariedade?

    Pode haver sofrimento psíquico sem a marca do patológico? Toda dor deve necessariamente ser uma dor patológica?

    Queremos discutir o “patologizar”, como proposto pela psicologia arquetípica, ser a marca de uma nova possibilidade de aceitação e acolhimento para estas legítimas experiências da alma: tristeza, depressão, melancolia, tédio, apatia, desãnimo, todas as dores do existir.

    Se a clínica sustentada pela Psicologia Arquetípica não se sustenta em nenhum ideal de “vida saudável” ( esta é uma prerrogativa dos médicos, nutricionistas, academias de ginástica, etc…), criar espaços para a manifestação do “patologizar” torna-se condição sine qua non para o exercício deste trabalho psicológico.

    Datas:

    12 de Fevereiro
    19 de Março
    16 de Abril
    14 de Maio
    18 de Junho
    16 de Julho

    Horário: 10hs às 13hs

    Valor: 120 reais por encontro

    Local: Local: Rua Pamplona, 1018, cj.33. Jardim Paulista – metrô Trianon-Masp

    Comment by Renato — 08/02/2011 @ 3:45 AM

    • Toda dor deve necessariamente ser uma dor patológica?

      claro que não….
      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 08/02/2011 @ 7:45 AM


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