windmills by fy

11/02/2011

A Síndrome do Obscurantismo

Filed under: Uncategorized — Fy @ 12:18 PM

 

 

 

 

 

 há em cada fanático um fascista camuflado ,

pronto para emergir em atos de exclusão e eliminação .

  

  

  

  

  

  

  

  

O Fanatismo Religioso , entre outros .

  

 

 

 

Em nossa época , supostamente dominada pela ciência e pela tecnologia – . . . outro papo chatinho… –  ,

 o fanatismo parece ser uma reação made in recalcado do inconsciente da humanidade .

 

 

Fanatismo , vem do latim fanaticus , quer dizer   ” o que pertence a um templo”   ,  fanum  .

O indivíduo fanático  ocupa o lugar de escravo diante do senhor absoluto ,

que , pode ser uma divindade , um líder mundano , uma causa suprema ou uma fé cega .

O fanatismo é alimentado por um sistema de crenças absolutas e irracionais  que visa  servir  [1] à um  ” ser  poderoso ”   empenhado na luta contra o Mal .

 

 

Ou seja , o fanático acha que pode exorcizar pessoas e coisas supostamente possuídas pelo   ” demônio ”  [2]  ,  

 ” combater as forças do Mal ”  ou  ” salvar a humanidade ”  do caos .

 

 

Tendo origem no dogma religioso , o fanatismo não se restringe a esse campo único ;

existe fanatismo por uma raça , um time de futebol , por um partido político ,

sobretudo por ideologias revolucionárias quando extrapolam a dimensão racional ,

sentindo-se guiada pela   ” fantasia da escolha divina ” . 

 

 

  

  

                                                            

 

 

 

Foi fanatismo religioso que fez muitos seguirem Jim Jones  : Templo do Povo  ,

Asahara  : Verdade suprema  ,

David Koresh  : Ramo davidiano  ,

Jo Dimambro  : Templo Solar   e tantos outros místicos ou charlatães que terminaram causando tragédias coletivas , noticiadas no mundo todo .

A história conheceu também os histerismos coletivos da  ” caça as bruxas ” ,

a perseguição aos negros , índios , homossexuais , prostitutas . 

 

 

O movimento da Jihad islâmica contra os   ” infiéis do ocidente ”  

e  a  ” guerra aos terroristas ”   do ocidente cristão , demonstram

que o fanatismo está vivo e atuante em nossa época supostamente  ” científica ”  e  ” tecnológica ” .

 

 

 

 

Precisamos admitir que , a história da humanidade é também a história dos vários fanatismos dominando grupos humanos ,

sempre com conseqüências trágicas .

Esse pedaço da história renegado nos causa vergonha , medo e sinalizam alertas para possíveis efeitos negativos no rumo da civilização .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                         A região vem sendo alvo de manobras do Exército do Paquistão contra braços da al-Qaeda ligados aos insurgentes talibãs.

                                                                                                                                                                                      http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/02/menino-bomba-mata-31-em-ataque-instalacao-militar-no-paquistao.html

 

 

 

O fanatismo religioso tem mais haver com a exacerbação de um sentimento religioso pouco esclarecido

e sua instrumentalização politica, do que com uma experiência religiosa intensa e esclarecida.

 

 

Amos Oz   inicia um ensaio com palavras  significativas sobre  uma outra forma de encarar o fanatismo :

 

 

 « Como curar os fanáticos ? » , – pergunta o escritor sugerindo que o fanatismo possa ser tomado como uma doença ,

um vírus que se propaga e contamina largos setores da humanidade .

 Uma doença alimentada pela irracionalidade , a fé cega , a ausência de uma atitude critica , ou de duvida .

Talvez os fanáticos sejam mais um caso de psiquiatria , do que de policia .

Neste caso , importa   não    subestimar o significado politico que o fanatismo pode adquirir .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um dos erros em relação ao fanatismo é considerá-lo como uma atitude de loucos .

Não que o fanatismo não possa ser efeito de graves desequilíbrios psicológicos ,

mas descartá-lo . . .  como a atitude de desequilibrados é , no mínimo , subestimar o perigo que o fanatismo representa .

 

 

Qual seria a fé destas figuras tão marcantes do cristianismo ?  Torquemada , Agostinho , Aquino , os tão devotos Kramer e Sprenger e suas macabras técnicas de tortura ?

Como desenvolveríamos o perfil psicológico destes patológicos fanáticos ?

Estariam em busca de algum êxtase divino , algo que superasse os limites do humano ?

 

 

Será que seus discípulos o alcançaram aprimorando as tecnicas liturgicas  da    Pedofilia Sagrada ?

Entre outras práticas anormais e criminosas e. . .  sAgRaDaS  ?

 

 

É sempre bom lembrar que por de trás da loucura fanática de Hitler , e do nazismo , citando um excelente exemplo ,

repetido e excelente, SiM ,  

escondia-se um programa politico bem definido e uma estratégia de dominação da Europa , por parte da Alemanha nazi .

Exatamente como a pretensão muçulmana –  ou cristã –  ou lulista  – etc  de dominar o ocidente .

 

 

O fanatismo parece surgir de uma estrutura psicótica .

O fato do sujeito se ver como o único que está no lugar de certeza absoluta ,

de  ” ter sido escolhido por Deus para uma missão   ” x ”     ,  já constitui sintoma suficiente para muitos psiquiatras diagnosticarem aí uma loucura ou psicose .

Mas , seguindo o raciocínio de Freud , vemos que   ” aquilo que o psicótico paranóico vivencia na própria pele , o parafrênico experiência na pele do outro ” –

 ou seja ,   somos levados a supor que o fanatismo está mais para a   parafrenia   que para a   paranóia   .

 

 

Hitler , antes considerado um paranóico , hoje é mais aceito enquanto parafrênico ,

pois seus atos indicam sua idéia fixa pela supremacia da raça ariana e a eliminação dos   ” impuros ”   ;

mais ainda … >  o gozo psíquico do parafrênico não se limita   a   ” ser olhado ”    ou    ” ser perseguido ”   ,

tal como acontece com paranóicos ,

mas sim se desenvolve   à partir de  ”  uma ação inteligente de perseguição e extermínio de milhares de seres humanos ”   , donde extrai um quantum de gozo sádico .

 

 

– ah … este último parágrafo e os que se seguem,  é [ e são ] , caprichosamente,  a descrição fantástica de um patético sociopata e  

psicopata cristão…. em constante  delírio psicótico…. que eu conheço . – 

Claro que é a descrição  de vários , como os citados acima , e outros . . .  ,  ah . . . mas … nunca ví uma descrição tão perfeita !  –

 

 

 

Como dissemos , o fanatismo atua para além do efeito religioso ,  mas não extrapola ao campo ideológico como um todo .

Há fanatismo entre crentes de todo o tipo , do menos ao mais irracional .

Mas , não existe fanatismo racional , em que pese o fato de um certo tipo de razão  –  instrumental , cínica , etc –  também ter cometidos os seus desatinos e crimes  [3] .

Assim , para o fanático religioso , não basta adorar um deus visto como    ”  Senhor Absoluto  ”  >   – o que já é uma psicopatia –

 é necessário ser  ” soldado ”   dele na terra  , >  lutar pela causa superior , pregar , exorcizar , forçar os   ” infiéis ”   ou   ” divergentes ”   à conversão absoluta , à qualquer preço .

[ Loucura . . .  in full- expression ]

 

 

O fanático está sempre disposto a dar provas

do quanto sua causa suprema vale mais do que as próprias vidas : dele , de sua família ou mesmo de toda a humanidade .

Ele mata por uma idéia e igualmente morre por ela .

 

 

 

 

 

 

Os sintomas do fanatismo

  

  

  

Os sintomas do fanatismo , em grupo , são :

orações , privações , peregrinações , jejum ,

discursos monológicos e martírios que podem terminar com o sacrifício da própria vida visando salvar o mundo das   ” trevas ”   ou do que ele entende ser   ” o mal ”  [4] .

 

 

O fanático não fala :   faz discursos  – 

é portador de discursos   [5]  prontos cujo efeito é a pregação de fundo religioso

ou a inculcação política de idéias que poderá vir a se tornar ato agressivo ou violento ,

tomado sempre como revelação da   ” ira de Deus ”   ou   ” a  inevitável  marcha  da  história ”

ou ,  ainda , a suposta   ” superioridade de uns sobre os demais ”  . 

  

  

  

  Faz discursos e não fala . . . >  , porque enquanto  a fala é assumida pelo sujeito disposto ao exercício do diálogo ,  da dialética ,

do discernimento da verdade ,   os discursos >   –  especialmente o discurso fanático  –   fazem sumir os sujeitos para que todos virem meros objetos de um desejo   ” divinizado “  ;

servos  do desejo divino e  dedicam-se – desta forma –  à produção da repetição de algo já pronto ,

onde o retorno do recalcado do sujeito faz do Eu (ego)   um porta-voz de um sistema de crenças   moralistas

carregado de ódio em relação ao suposto inimigo ou adversário que precisa ser destruído para reinar o     ”  Bem ”   . – BeM ?

 

 

Os tais  ” textos sagrados ” – ou que alguem determinou que são …  ” sagrados ” …  – sem esquecer que tem sagrado daqui … sagrado de lá … xiiii uma confusão … sagrada !!!!

  tomados literalmente , fornecem a   sustentação    ” teórica ”    do discurso fundamentalista religioso  ;

com ele , o indivíduo acredita , a priori , estar de posse de   toda a verdade   e por isso não se dá ao trabalho de levantar possíveis dúvidas ,

como confrontar com outro ponto de vista , ou desvelar outro sentido de interpretação , ou ainda , contextualizá-lo ,  etc .

 

 

O fanático tem certeza e isso lhe basta .

 

 

Creio porque é absurdo ,   já dizia Tertuliano .

Certeza   para ele   é igual   > a   verdade . . .

                                                                                              .

                                                                                              . 

 

– Segundo Popper , no campo científico ,   a  certeza nada vale   porque é   ” raramente objetiva :

geralmente não passa de um forte sentimento de confiança , ou convicção , embora baseada em conhecimento insuficiente ” ,

já a verdade tem estatuto de objetividade , na medida em que   ” consiste na correspondência aos fatos “,

na possibilidade da discussão racional com sentido de comprovação . Popper, 1988, p. 48 . –

 

 

 

O problema da religião não é a paixão    ” fé ”   >     mas a   ” suposta ”     inquestionalidade de seu método .

O método de qualquer religião traz uma certeza divulgada em forma de monólogo ,  jamais de diálogo ou debate de idéias .

                                                                                                                                                                                                                                          – Claro !

O pastor , padre , rabino , ou qualquer pregador de rua , vivem o circuito repetitivo do monólogo da pregação ;

acreditam que   ” vale tudo  ”  para difundir a   ” verdade única ”   que o tocou e o transformou para sempre  !

                                                                                                                                                                                                                         !

                                                                                                                                                                                                                         !

  

O estilo fanático usa e abusa do discurso monológico delirante , declarações , comunicados ,

ameaças …   > que jamais se voltam para  escuta ou o diálogo ,

exercício esse que faria emergir a verdade  ou alguma verdade ou outra verdade …. etc   –   > não  >  a   ” certeza ”  [6] .

 

 

 

 

Hitler e seus comparsas usaram de inteligência para inventar e administrar a chamada “solução final” contra os judeus , porém ,

antes de ser este um fato criminoso era uma exigência interna de seu próprio psiquismo .

 

 

Na   parafrenia   vigora a compulsão de observar e atuar     o ser    do Outro   como alimentador de seu delírio interno .

O   parafrênico     ” faz acting out em nome de >   …  “      

e jamais assume seu ato criminoso ,

pondo a responsabilidade em alguém que para ele encarna o   ” mal ”  .

Para sua   ” lógica ” ,  as vítimas são os únicos responsáveis .

  

Os fanáticos pela   ” solução final ”    dos judeus , no Julgamento de Nuremberg ,

não se consideravam culpados ou com remorsos pelo extermínio coletivo .

Goering , considerado o segundo homem depois de Hitler ,

tentou se defender segundo o princípio de sua lealdade e fidelidade para com o Führer ; [ seu deus ]

” cumprira ordens ”    e    ” nenhuma vez ele se considerou um criminoso ”  [12] .   [fdp]

Eis a ” razão cínica ” :

a culpa pelo genocídio era dos próprios judeus gananciosos por dinheiro , não de seus carrascos nazistas . . . .

[ alguém sabia que Giordano Bruno virou . . . ” espião ”    . . .   ?   – pois é . . .   – entre tantas outras barbaridades . . .  ]

 

Se no fanatismo o sujeito inexiste para dar lugar ao Senhor absoluto e maravilhoso ,

então faz sentido não assumir a sua própria responsabilidade , porque ela é   > [ acredite…]    ” obra  do  Senhor ”   [Werk de herrn.]   [13] ,

 ”  o Senhor quer que eu faça  ”  ,   ” foi a mão de Allah  ”  [14]  , etc  . . .

 

 

São mais do que frases , são efeitos de uma poderosa    ” fantasia da eleição divina  ”    [ sic ! ]    

onde o sujeito é   nadificado   para dar lugar ao discurso delirante da salvação messiânica  [15]  .

O mundo fanático foi dividido entre   ” os eleitos ”    . . .

 e os que continuam nas trevas      >         e que precisam ser salvos ou serem combatidos por todos os meios , pois   ” são forças do mal ”  .

 

O famoso caso Schreber  , analisado por Freud  [16] ,   que acreditava ter recebido um chamado de Deus para salvar o mundo  ,

que lhe era transmitido por uma linguagem particular   – só entre ele e Deus –   ,

tornou-se o modelo psicanalítico para se pensar a relação loucura e fanatismo.

 

 

 

Como já dissemos, o fanatismo é sustentado por sistema de crença delirante , psicótico ,

dominado por uma autoridade absoluta e invisível : 

algum deus  . . .  ou  a causa da   ” supremacia da raça ariana ”  ,

ou a   ” missão do povo judeu ”  ,   ou   ” a Jihad islâmica ”  ,   ” ou salvar o mundo do diabo ”  ,

enfim , um significante  qualquer  posto no lugar   ” absoluto ”   que comanda a ação do grupo fanático  [17]  ,etc . . .

Ou nesta ode à Eugenia , descaradamente apresentada pra crianças :   

 

 

 

 

 

 

 

Segundo a psicanálise , o Fanatismo por “algo superior [ ? ] ”    poderia apontar para a hipótese de um   ” complexo paterno ”   de origem .

A leitura lacaniana fala de    ” um buraco no Nome-do-Pai ,   . . .

que produz no sujeito um buraco correspondente  , no lugar da significação fálica  ,

o que provoca nele , >  quando é confrontado com essa significação fálica , a mais completa confusão .

É  isso que desencadeia   a psicose de Schreber , no momento em que ele próprio é chamado a ocupar uma função simbólica de autoridade ,

situação à qual só teria podido reagir com manifestações alucinatórias agudas ,

às quais a construção de seu delírio iria pouco a pouco fornecer uma solução ,

constituindo , no lugar da metáfora paterna fracassada , uma    ” metáfora delirante ”  ,

destinada a dar um sentido àquilo que  , para ele ,   era totalmente desprovido de sentido  ”  [18] .   . . .

 

 

 

 

 

 

Os primeiros sintomas de fanatismo e suas estratégias de sedução 

[  –  o filme acima tem todos os exemplos ….

 

 

O início de qualquer fanatismo consiste , em primeiro , reconhecermos um sujeito ou grupo estarem convictos ,

quando julgam de posse de uma certeza que recusa o teste da realidade .

 

 

Nietzsche dizia que :

 ” as convicções são piores inimigas da verdade do que as mentiras ” ,

porque quem mente sabe que está mentindo , . . .  mas quem está convicto não se dá conta do seu engano .

” O convicto sempre pensa que sua bobeira é sabedoria ”  [19]  .

 

 

Até no campo científico , há cientistas correndo o perigo de tornar-se convictos de suas teses .

Edgar Morin analisa que quando algumas idéias se tornam supervalorizadas

e adquirem um caráter de grandiosidade e absolutismo tendem a levar os seus sujeitos

a abdicarem de seu raciocínio crítico e se tornarem meros objetos dessas idéias .

Indivíduos assim submetidos a tão grandes idéias ,  >  fazem    qualquer coisa    para   ” salva-las ”

de um possível furo de morte ; elas funcionam como muleta existencial .

 Isso acontece   principalmente    no meio religioso , mas também pode ocorrer nos meios político , filosófico  e científico . 

 

 

 

 

 

 segundo  sinal do fanatismo é quando alguém quer impor a todos de modo tirânico a   ” verdade ”    ”  única ”   extraída de sua inspiração ou crença absoluta .

Pretende assim a uniformização via linguagem  , através de aparência física  , rituais e slogans do tipo:

 

 

 ” O único Deus é Allah ”  –   ” só Cristo salva ”    –   ” Jesus Cristo é o Senhor ”   –    ” somos o Bem contra o Mal ”   –   ” Em nome do Senhor Jesus eu ordeno … ”   –  etc . . .

 São expressões de caráter estereotipado , sustentado por uma    ” estrutura de alienação do saber ”    [20]  ,

onde o discurso passa a falar sozinho ,

é uma resposta que está no gatilho , >  pronta para qualquer emergência que o sujeito não quer , não  ” pode ”   ou não precise  pensar .

 

 

Observem o caráter tirânico , narcisista e excludente dessas afirmativas .

Todas possuem uma visão que nega outros modos de crer e pensar .

O mesmo acontece nos auto-elogios das pessoas de raça branca e o desprezo pelas outras

como proclamam os fanáticos da extrema direita , nas ações violentas de uma torcida sobre a outra , todos ,

sinalizam que o indivíduo se rende ao grupo e este   ” à causa ”  .

 

Os recém convertidos de qualquer seita religiosa ou política estão sempre convictos que ,

finalmente . . . , contemplam a verdade e essa tem que ser imposta a todos ,  >  custe o que custar .

 

 

 

 

O terceiro indicativo de fanatismo , já dissemos ,

é quando uma pessoa passa a colocar uma causa suprema   –  

podendo esta ser justa ou delirante –   acima da vida dela e dos outros .

 

 

 

Quarto , quando um indivíduo e/ou grupo se isolam da convivência familiar e social e adotam um modo de vida narcísico  [21]

[ no igual modo de vestir , de cortar ou não cortar o cabelo , no jeito de falar , nas regras de comer , na ritualística , etc ] ,

enfim , quando uniformizam seu discurso , gestos , postura , atitudes em geral e punem os que se recusam a seguir as regras impostas .

Entrar para um grupo de fanáticos implica em renunciar :

pai , mãe , os filhos , os amigos , o lugar onde viveu , o trabalho , enfim ,

os membros são persuadidos a   matarem os vestígios simbólicos da vida anterior   

para fazer renascer a vida em outra base moral e de fé . . . .

 

 

Quinto ,  quando o indivíduo e/ou grupo perdem o bom-senso na lógica da comunicação e nas ações do cotidiano .

O discurso passa a ser repetitivo e estranho à vida comum .

 

 

O sexto indício de fanatismo é quando se perde o sentido de respeito e humanidade para com os diferentes ,

em nome de uma causa : [ aiaiai . . . ]  transcendente .  [ transcendente …. que muitas vezes ou na maioria significa : conveniente . ]

 

 

 

O   Fascismo , tanto o de Estado dos fundamentalistas religiosos , como o que está pulverizado nos atos do cotidiano das relações humanas ,

é fanático porque    desrespeita , desconsidera , é intolerante quanto ao modo de ser , pensar e agir do outro  [24] ,  é tradicionalista-fundamentalista . 

 

 

Enquanto o fascista   ” quer o poder pelo poder ”  , 

há o fanático   ” autêntico ”   que anseia dominar o mundo com sua crença ,

e o  ” fanático terrorista ”   que   ” deseja apenas destruir a estrutura de sustentação do inimigo ” .

 

 

 

 

Mas , ambos , o fascismo e o fanatismo não são compatíveis com a democracia .

Ambos pregam intolerância multirreligiosa , a intolerância multicultural e multirracial e usam o espaço de liberdade democrática para espalhar o seu ódio e sua crença .

 

 

 

O sentimento que no fundo sustenta o fanatismo e o fascismo não é a fé ,

nem o amor   [ Eros ]  ,   >  mas o ódio  [ Thanatos ]   e a intolerância .

O desejo do fanático   ” autêntico ”   é dominar o mundo com seu sistema de crença cheiiiiiio de :  certeza . . .

 

 

No plano psíquico , o lugar do recalque torna-se depósito de ódio e desejo de eliminar todos os que atrapalham o seu ideal de sociedade .

Certa dose de paciência doutrinada o faz esperar-agindo para que a   ” idade de ouro puro ”    possa um dia acontecer . 

 

 

 

São tão fanáticos os terroristas-suicidas muçulmanos como os fundamentalistas cristãos norte-americanos

que atacam clínicas de abortos , perseguem homossexuais , proíbem o ensino da teoria evolucionista de Darwin ,

obrigando aos professores ensinarem a doutrina criacionista  [ estapafurdia ]  tal como está na bíblia ,

ou ainda , os protestantes da Irlanda do Norte que atacam crianças católicas

ou os bascos que querem ser um país independente a qualquer preço , por meio do terror .

 

 

Alguns personagens   ” messiânicos ” de nosso tempo , como Hitler , Idi Amin , Reagan , G. W. Bush , Sharon ,

os grupos dos martírios suicidas do Oriente Médio ,  os ” fetiches ”  on line…  …. entre outros ,

tem algo em comum :

cada um se sente   ” o escolhido para cumprir uma especial missão ”  [25] .

Hitler discursou que    ” as lágrimas da guerra preparariam as colheitas do mundo futuro “.   

G. Bush, na sua ânsia de guerra contra o ditador S. Hussein , não estaria delirando no mesma linha  ?

Não é sem sentido que os EUA , tem sido o solo fértil de seitas cristãs fanáticas .

Uma delas  >   A Casa dos Filhos de Jeová , torce para o mundo se acabar logo . . .    . . .    . . .  ,

porque seus membros acreditam que depois surgirá uma nova civilização do Bem .

 

 

Fanáticos e suicidas carecem de humor .

O fanatismo parece ser uma doença contagiosa ,

pois tem o poder de atrair adeptos geralmente em crise profunda de vida pessoal .

Fanáticos e suicidas tem em comum a falta de humor e o desapego pela própria vida .

A certeza cega tira-lhes o humor e os colocam no caminho do sacrifício místico .

 

 

O escritor e pacifista israelense , Amós Oz , numa carta ao escritor japonês Kenzaburo Oe , Prêmio Nobel de 1994 ,

escreve ter encontrado a   ” cura para o fanatismo ”   : o bom humor  .

Diz que :    – ” nunca vi um fanático bem-humorado , nem alguém bem-humorado se tornar fanático ” .

Oz  imagina uma forma mágica de prevenir o fanatismo : um novo tipo de messias que  ” chegará rindo e contando piadas ” .

 

 

 

 Por  RAYMUNDO DE LIMA

 
Psicanalista , Professor do Departamento de Fundamentos da Educação ( UEM ) e doutorando na Faculdade de Educação  ( USP )

 

 

 

 

 OBSERVAÇÕES :

 

 

 [1] Geralmente os fanáticos que se tornam assassinos o fazem “em nome de Deus”, ou em nome de um Outro qualquer. Ele é apenas um comandado. Já os assassinatos múltiplos disparados por um franco atirador anônimo, nos EUA,  parecem não ser movidos por um Outro, ou “Grande ser”, isto porque o assassino se diz que é o próprio “Deus”.

 [2] Basta ir a um templo evangélico ou, nas madrugadas, assistir pela televisão um show de exorcismo

 [3]  Nesse sentido, o Prof. Hilton Japiassu, costuma citar F. Jacob, que diz: “Não é somente o interesse que leva os homens a se matarem. Também é o dogmatismo. Nada é tão perigoso quanto a certeza de ter razão. Nada causa tanta destruição quanto a obsessão de uma verdade considerada como absoluta. Todos os crimes da História são consequência de algum fanatismo. Todos os massacres foram realizados por virtude: em nome da religião verdadeira, do racionalismo legítimo, da política idônea, da ideologia justa; em suma, em nome do combater contra a verdade do outro, do combate contra Satã” . Cf.: Crise da razão no ocidente. In: Japiassu, H. Desistir de penar? Nem pensar, 2001.

 [4] Zusman, W. 2001.

 [5] Para uma melhor compreensão dessa distinção, ver Juranville, A. Lacan e a filosofia. Rio: Jorge Zahar, 1987, principalmente a segunda parte.

 [6] Ossama Bin Laden é um bom exemplo de um fanático tecnológico que faz comunicados, monólogos, declarações ou discursos, jamais se oferece para um diálogo franco e aberto para confrontar com outros pontos de vista.

 [7] “O terrorismo é uma das expressões do fanatismo fundamentalista”.

 [8]   Cf.: Chemama, R.1995, p. 79-81.

 [9] Cf.: conforme análise de Becker, S., 1999.

 [10] Essa é a tese de S. Becker, 1999.

 [11] Originariamente o holocausto [gr. Holókauston] era o “sacrifício em que a vítima era queimada inteira”. Entre os hebreus, o holocausto era também o sacrifício em que se queimavam inteiramente as vítimas, tendo assim um sentido de imolação ou expiação. No período nazista, entre 1935 e 1945, os judeus se viram diante de um novo holocausto, sendo obrigados a perda da cidadania, a trabalhos forçados, a serem fuzilados em massa, serem transportados pela força para os campos de concentração onde terminavam sendo exterminados coletivamente em câmaras de gás. Durante esse holocausto, cerca de 6 milhões de judeus pereceram.

 [12] Cf.: Manvell, R, e Fraenkel, H. 1962, p. 262. Conferir pelo menos todo o capítulo final “Nuremberg”. 

 [13] Dito por Hitler, em Mein Kampf. Apud Becker, S. 1999, p. 157.

 [14] Dito por Ossama Bin Laden, por ocasião do ataque aos EUA.

 [15] “É o saber instituído no discurso universitário, quando o S1 vem no lugar da verdade. Com a extinção desse lugar ético, acontece a forclusão do Nome-do-Pai e a formação da holófrase parafrênica”. (Becker, S., 1999, p. 158).

 [16] Cf.: S. Freud. [1911] Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranóia (dementia paranoides), v. XII, p. 15 -105.

 [17] Raciocínio parecido fez o ensaista, poeta e dramaturgo alemão, Hans Magnus Enzensberger, onde escreve: “Não importa saber de qual alucinação se trata. Qualquer instância superior serve – uma missão divina, uma pátria sagrada, a uma revolução qualquer. Em caso de emergência, no entanto, o suicida assassino [refere-se aos kamisazes de 11 de setembro, entre outros atos suicídas]pode se arranjar até com uma justificativa qualquer de segunda mão. Seu triunfo consiste no fato de que não poderá ser atacado nem punido; disso ele mesmo se encarrega. E também o mandante à distância aguarda em seu “bunker ” o  momento da própria extinção; deleita-se  – como Elias Canetti já há meio século formulava – só com a idéia de que antes dele possivelmente todos os outros, inclusive seus correligionários, serão mortos” (grifo meu). Enzensberger, H. M. Paranóia da autodestruição. Folha de S. Paulo – Mais, 11/11/2001.

 [18]  Cf.: Chemama, R. 1995, p. 161-2.

 [19] Cf.: R. Alves. 2001, p. 105-10.

 [20] Trata-se de uma conceito de R. Barthes, trabalhado por L. Mrech 1999) . As “estruturas de alienação do saber” são formas estereotipadas de saber, mas que perderam o contato real  com a realidade entre os sujeitos. É uma estrutura  programada para filtrar o que o sujeito deve escutar, o que dizer e o que fazer em um determinado momento. Não incorpora nada novo, apenas repete.

 [21] Observamos que o narcisismo visa um resultado de gozo místico que implica, sobretudo, “amar a si mesmo”, tal como o Mito de Narciso, que morre diante de sua imagem refletida na água, ignorante que era sua própria imagem. O êxtase do místico, que faz um ato de terror, ou de suicídio ou, ainda, de ambos, é a intenção de “ultrapassagem do limiar do gozo-Outro” (Nasio, 1993) ; de um gozar que implicam o corpo e o psíquico, na crença suposta de uma vida após a morte.

 [22]   Cf.: Nebulosa fascista. FSP, 1995.

 [23] O fascista não é necessariamente nazista. Esclarece Eco que enquanto o nazista é obcecado pela raça pura, o fascista é pelo comando total das pessoas, que perdem suas liberdades.

 [24] Estamos nos baseando nas teses de U. Eco, escritas no artigo ensaio “Nebulosa fascista”, que aproveitamos em nosso artigo “Tolerância zero ao profofascismo”, publicado na revista virtual http://www.espacoacademico.com.br , ano 1, n. 4, set. 2001.

 [25] O tamanho do cinismo de Hitler está na frase: “pela graça de Deus, eu sempre evitei oprimir meus inimigos” (apud Chalita, M., s.d., p. 186). Tem sido frequente, ditadores se verem os eleitos de Deus para cumprir uma missão na terra. Idi Amim Dada, o ditador-açougueiro de Uganda, certa vez declarou: “Eu só atuo conforme as instruções de Deus”. (apud Chalita, M., s. d., p. 186).

 

 

 

 

Referências Bibliográficas :

 

 

ALVES, R. Entre a ciência e a sapiência. São Paulo: Loyola, 2001

BECKER, S. A fantasia da eleição divina; Deus e o homem. Rio de Janeiro: C. de Freud, 1999.

CHEMAMA, R. Dicionário de psicanálise. Porte Alegre: Artes Médicas, 1995.

CIORAN, E. Genealogia do fanatismo. In: Breviário da decomposição. Rio de Janeiro: Rocco, 1989, p.11-100.

DEMO, P. Dialética da felicidade; felicidade possível. V. 3. Petrópolis: Vozes, 2001.

ECO, U. A nebulosa fascista. In: Folha de S. Paulo – Mais!, 14/05/95.

ENZENSBERGER, H. M. Paranóia da autodestruição. Folha de S. Paulo – Cad. Mais! 11/11/2001, 5-7.

FREUD, S.  [1911] Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranóia (dementia paranoides). Rio de Janeiro: Imago, 1974, v. XII, p. 15 -105.

_____. [1917] O futuro de uma ilusão. Rio: Imago, 1974, v. XX1.

GARCIA-ROZA, L.A. O Mal radical em Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.

 

 

 

 

 

Fy

 

 

 

 

 

17 Comments »

  1. Que texto maravilhoso, Fy! Concordo com cada ponto e vírgula do que foi colocado aqui. O fanatismo em nossos dias chegou a tal ponto que nem mesmo alguns ateus ficam fora dessa. Acho que a partir do momento em que alguém começa a defender uma idéia (seja religiosa, científica ou política), sem jamais dar margem à nenhum outro tipo de questionamento, torna-se um fanático. E não tem coisa pior do que tentar argumentar com qualquer um deles. Eles se enclausuram numa cápsula (sistema de crenças) e dali ninguém mais consegue tirá-los. É uma pena. Posso dizer que já tenha sido uma “fanática esotérica”. Hoje em dia, joguei tudo para o alto e quero mais é viver minha vida sem nenhum tipo de amarra. Tornei-me responsável por mim mesma. Se algo não deu certo na minha vida prefiro me perguntar onde foi que EU errei. É fácil culpar um deus ou um diabo (ou mesmo outras pessoas) por tudo o que nos acontece. O difícil é crer que somos NÓS os responsáveis por nossas vitórias e derrotas. Saber que tudo só depende de TI pra funcionar ou não. Assustador, não acha?… e, ao mesmo tempo, maravilhoso! Afinal, não é fantástico saber que a força esteve o tempo todo aqui, dentro da gente, enquanto delegávamos o poder a outros seres, fossem eles humanos ou deuses…? E a verdade me libertou! hehe
    Abraços a todos!
    Miriam

    Comment by Miriam Waltrick — 11/02/2011 @ 2:23 PM

    • Oi Míriam !

      Sabe , eu ando louca pra postar A M O R… mas este texto veio assim como um protesto – uma coisa irreprimível – ahahahah depois de umas leitura que eu fiz por aí.

      – Saber que tudo só depende de TI pra funcionar ou não. Assustador, não acha?… e, ao mesmo tempo, maravilhoso! Afinal, não é fantástico saber que a força esteve o tempo todo aqui, dentro da gente, enquanto delegávamos o poder a outros seres, fossem eles humanos ou deuses…? E a verdade me libertou! hehe
      Abraços a todos! –

      Ah… eu sempre relutei contra aquele universo silencioso e morto do Newton, no qual não sobra nenhum papel , nem de coadjuvante …, que agente possa desempenhar para conter a marcha de forças cegas … e imutáveis … No-way.

      Num sentido oposto , [ eu… e a contra-mão …] sempre aderi de corpo, alma, ego, e everythings ahahahah, à concepção que nos considera como co-autores do mundo , ah…. assustadora, sim, como vc disse, mas, acho que aposto na criatividade , sempre oferecendo um sem-números de tons à nossa humanidade, nos ajudando a enfrentar nossos desafios e o “efeito desumanizador” do dia a dia mal vivido, dos relacionamentos ásperos, e tantas e tantas expressões distorcidas que aniquilam algo dentro de nós.

      Olha, Míriam, se eu acreditasse , por um único momento que não passo de uma testemunha apática e resignada da minha própria vida ou deste nosso mundo, UaU…. eu já teria brigado demais comigo mesma.

      Não que eu não brigue…. mas brigo exatamente pelo contrário…. às vezes tenho que sair correndo atrás de mim mesma… pq… antes que eu perceba … já fui. Ahahahahahahah ou meu coração já foi… e nem sempre é fácil alcançar….

      Deve ser Urano…. ou segundo o babalorixá feiticeiro , Iansã.

      Mas seja lá o que for… sou assumidamente personagem , texto , produtor e designer, neste filme espaço que me foi dado participar . Seja atuando direitinho, improvisando, esquecendo tudo, puxando os cabelos, derretendo de amor, não importa… – I’m just… living!

      E que mais é a Vida que não um devir – bailarino?

      Nossos Corpos e Almas se aventurando nas Intensidades desta sinfonia > só assim : propõem-se a pensar o corpo que dança ou a vida que vive.

      https://windmillsbyfy.wordpress.com/?s=just+living+

      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 13/02/2011 @ 3:36 AM

  2. São tudo histórias, menino.
    A história que está sendo contada, cada um a transforma em outra, na história que quiser.
    Escolha, entre todas elas, aquela que seu coração mais gostar, e persiga-a até o fim do mundo.
    Mesmo que ninguém compreenda, como se fosse um combate.
    Um bom combate, o melhor de todos, o único que vale a pena.
    O resto é engano, meu filho, é perdição.

    (C.F. Abreu)

    BEIJO
    Marianne

    Comment by Marianne — 11/02/2011 @ 11:11 PM

    • Um bom combate, o melhor de todos, o único que vale a pena.

      bj, Marianne, super final de semana,
      Fy

      Comment by Fy — 13/02/2011 @ 3:37 AM

  3. Oi voces, Míriam, Mariane, Fy

    Excelente texto mesmo, momento certo com esta crise no Egito e tudo mais.
    O mundo tá meio que na expectativa do final desta encrenca toda.

    O fanatismo é como que uma erva daninha não escolhe lugar para germinar e se alastrar. Os grupos fanáticos exercem um atrativo para os indivíduos que possuem uma estrutura psíquica vulnerável, os desesperados, os desgarrados, os avessos ao espírito crítico ou predispostos à crendice, ao desejo de encontrar uma certeza e a se “contentar-se com pouco” na terra, porque ele tem certeza de que ganhará na suposta vida após a morte.
    Será que neste momento tão fudido dos egípcios, cansados, estagnados, explorados, vão cair nas mãos destes animais iranianos?
    È o momento certo pra estas hienas atacarem.
    Tanto o fanatismo como a guerra estão entre as situações que se encontram na contramão da Sabedoria.
    Eu não tenho religião nenhuma, e abomino esta ameaça paranóica e historica.
    Abraço,
    Alexandre Golaiv

    Comment by Alexandre Golaiv — 12/02/2011 @ 12:16 AM

    • Será que neste momento tão fudido dos egípcios, cansados, estagnados, explorados, vão cair nas mãos destes animais iranianos?

      Olha… eu não consigo desgrudar deste momento, sabia?

      Até agora de tudo o que eu lí sobre isto, a análise que eu mais gostei … ou quero gostar foi esta aqui :

      http://www.nytimes.com/2011/02/09/opinion/09friedman.html?scp=78&sq=egypt&st=nyt

      do Thomas L. Friedman – correspodente no Cairo.

      Dá uma olhada…
      Ele termina assim :

      “This country, I have said for a long time, this country is our country, and everyone has a right to this country,” Ghonim declared. “You have a voice in this country. This is not the time for conflicting ideas, or factions, or ideologies. This is the time for us to say one thing only, ‘Egypt is above all else.’ ”

      That is what makes this revolt so interesting. Egyptians are not asking for Palestine or for Allah. They are asking for the keys to their own future, which this regime took away from them. They are not inspired by “down with” America or Israel.

      They are inspired by

      “ Up with Egypt ” and “ Up with me . ”

      Published: February 8, 2011

      Vamos torcer por isto.

      Bj

      Fy

      Comment by Fy — 13/02/2011 @ 3:44 AM

  4. Bom dia gente bonita.
    Que tempestade hem?

    Míriam, tudo bem aí em Floripa?
    Cidade linda!
    O teu comentário é muito interessante.

    Eu vou voltar pra estender este tópico muito bem lembrado. Eu tô numa correria danada agora cedo.

    Quanto a esta visão mais generalizada sobre o Fanatismo, eu separei aqui um trecho pra gente discutir, vamo lá, moçada:

    Quero dizer o seguinte, como opormo-nos ao fanatismo sem que nós próprios nos transforme-mos em fanáticos?

    Estaremos diante de uma ‘batalha’, como diz Amos Oz?

    « Uma batalha entre fanáticos que crêem que o fim, qualquer fim, justifica os meios, e os restantes de nós, para quem a vida é um fim, não um meio.

    Trata-se de uma luta entre os que pensam que a justiça, o que quer que se entenda por tal palavra, é mais importante do que a vida,
    e aqueles que, como nós, pensam que a vida tem prioridade sobre muitos outros valores, convicções ou credos»,

    São termos fortes e claros, os que Amos Oz utiliza para demarcar a frente de batalha na guerra contra o fanatismo; de um lado os tolerantes que amam e defendem a vida e do outro os fanáticos que a odeiam e instrumentalizam.

    Repostas a estas questões é importante, porque há quem, como Amos Oz, que no atual debate sobre o fanatismo, defenda a ideia de uma “superior tolerância”
    do mundo ocidental assente no respeito pela vida.
    (Olha que isto é importante! “superior tolerância” ou ALIENAÇÃO?)

    A vida é hoje um valor relativo, mesmo no ocidente.

    A bem dizer, a vida nunca foi um valor absoluto entre nós –

    como comprovam as inúmeras guerras e violência que marca a historia do ocidente –

    a não ser para justificar a “presumível superioridade moral do ocidente”,

    supostamente mais sensível à vida e seus valores, do que outras culturas e civilizações.

    A vida está hoje ameaçada, de um lado e de outro,

    da linha artificial com que muitos pretendem separar as culturas, entre tolerantes e intolerantes.

    Se considerarmos o desrespeito pela vida como critério para identificar os fanáticos,

    então a relatividade com que a vida é tomada no ocidente coloca a nossa civilização do lado dos intolerantes.

    Não há duvida que o fanatismo – no terror e morte que é capaz de provocar – é uma negação da vida, sobretudo a vida de pessoas inocentes.

    Os fanáticos que atacaram as Torres Gémeas do World Trade Center, no 11 de Setembro,(TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO À PARTE… POR ENQUANTO)
    mostraram não ter consideração alguma pelas suas vidas, nem pelas vidas de milhares de inocentes que morreram nesse dia trágico.

    No entanto, se tomarmos o respeito pela vida como o que distingue fanáticos e tolerantes, então é legitimo perguntar se os militares que percorrem as ruas de Bagdad, pondo em risco as suas vidas e a de milhares de pessoas inocentes, não poderão também eles ser considerados fanáticos, como os terroristas que se fazem explodir nessas mesmas ruas, na fraca consideração que mostram pela vida?

    Não será a lógica desses militares, que colocam as suas vidas e as de outrem em risco, em nome de ‘ideais’ (embora democráticos), análoga à atitude dos fanáticos que lutam com o risco das próprias vidas e a vida de inocentes, em nome de convicções que eles consideram justas?

    Bem sei que haverá quem diga que não é legitimo colocar, num mesmo plano, o militar que combate no cumprimento dos seu dever e o fanático, que atua ao serviço de um ideal mortífero e totalitário.

    Mas, se nos colocarmos na perspectiva da vida, do valor absoluto da vida ou da consideração que temos por ela, não é possível, no limite, diferenciar a atitude do terrorista, da do militar:

    ambos podem ser considerados fanáticos na ameaça e desconsideração que mostram pela vida, própria e alheia, pese embora a diferença de ‘ideais’ em nome dos quais estão dispostos a morrer.

    A dificuldades da posição de Amos Oz – de fazer depender a diferença entre nós e os fanáticos de um principio moral – é a dificuldade do Ocidente.

    Já podemos ouvir aos objeções dos intolerantes:

    Como sustentar a superior tolerância do Ocidente na consideração pela vida, quando há milhões de vidas inocentes voluntariamnete interrompidas?

    Como pode o ocidente sustentar a sua tolerância, na incoerencia dos principios e valores que defende de forma tão veemente?

    Há muito que, no ocidente, as sociedades democráticas passaram da definição e defesa radical de princípios, para um plano mais pragmático de criação de consensos.

    Uma opção discutível, é certo, mas legitima, porque tomada pelos cidadãos de forma livre e democrática, num processo nem sempre fácil, mas que primitiu criar sociedades baseadas no consenso e na tolerância que este exige, e NÃO em princípios absolutos ou fundamentalistas.

    O Ocidente não pode assumir, contra o fanatismo, uma posição moralista baseada na presumível superioridade de certos valores, como o valor da vida, a democracia ou a liberdade, sob pena de transformar estes valores em princípios fundamentalistas, que é preciso impor e universalizar ao Mundo.

    Há muito que o ocidente perdeu a capacidade de dar lições de moral a quem quer que seja…

    Mas é JUSTAMENTE na impossibilidade de ser superior, que o tolerante se mostra melhor do que o fanático.

    O ocidente deve-se colocar contra o fanatismo, não com um sentimento de culpa, nem com a inferioridade moral que alguns pretendem colar-lhe, mas com a responsabilidade de preservar as condições que tornam as nossos sociedades, sociedades de consenso.

    Sociedades que recusam a moral e o pensamento únicos ; baseada não em princípios fundamentalistas, mas em direitos inalienáveis que é precisos preservar e respeitar.

    Volto depois,
    (tio) Renato

    Comment by Renato — 12/02/2011 @ 2:34 AM

    • Que tempestade!

      Acabou a luz aiaiai – breu total – e uma cortina d’água!

      E os raios estourando no mar ?

      Salve a Natureza !

      – Trata-se de uma luta entre os que pensam que a justiça, o que quer que se entenda por tal palavra, é mais importante do que a vida,
      e aqueles que, como nós, pensam que a vida tem prioridade sobre muitos outros valores, convicções ou credos», – e talz e talz ….

      Sabe Re, juntando seu comentário, e misturando tudo com a tempestade, os ventos, os raios, eu acho que estas atitudes humanas me deixam meio que … fascinada, por falta de uma palavra que não me vem agora…

      Eu fico admirada com o tamanho da pretensão do homem.

      “O homem — a despeito de suas pretensões artísticas, sua sofisticação e suas muitas realizações — deve sua existência a uma camada de 15 centímetros de solo e ao fato de que chove.”

      ahahahahah
      nãoénão?
      bj
      Fy
      té já

      Comment by Fy — 13/02/2011 @ 4:23 AM

  5. Muito bom o texto, Fy,
    e por acaso eu estava lendo um trecho do livro “Religião, da Origem à Ideologia” de Júlio José Chiavenato, onde ele fala: “…todas as religiões ensinam ou condicionam uma indiferença ética diante do imoralismo dos seus líderes, enquanto exigem dos fiéis, mais do que uma fidelidade radical, um comportamento ético impossível no cotidiano. O resultado é um complexo de culpa que se traduz no medo do inferno ou da morte, ou então, no cinismo e hipocrisia que têm sido a marca da maioria das religiões.”

    Pode estar aí mais uma faceta das origens do Fanatismo religisoso, o velho e conhecido MEDO.

    Bjs!

    Comment by caio — 12/02/2011 @ 2:40 PM

    • Oi Caio, oi pra todo mundo!

      Caio, não vou nem falar do medo relacionado às crendices, ou a estas bizarras figurinhas de HQ criadas pelas religiões com a única intenção de dominar pelo terror. Nem posso, tenho 2 moleques que assistem – se eu deixasse – o exorcista dando risada… ainda vão treinar como é que vira o pescoço daquele jeito (medonho) – mas, enfim, adoram o Spielberg, o Hulk, entre outros que eu nem lembro o nome.

      Mas, quantas vezes e quem de nós não precisa alcançar de vez em quando um lugar onde não haja nenhuma dor? Ou, de certa forma estamos sempre com isso na cabeça, como um sonho distante, ou um lugar que agente sonha um dia, pegar um avião e visitar?
      Em função disso, podemos, num exemplo comum, trabalhar que nem insanos, de maneira compulsiva, pois o fazer, fazer, fazer, esgota até que consigamos cair na cama, exaustos, pra não sentir a frustração de não chegar nunca neste lugar. Nem de avião.Nem com muita grana, nem com muita saúde,nem com muito amor, etc

      Então, os problemas cardíacos, a pressão sanguínea, a depressão camuflada, sem contar outros males patológicos, esquisofréticos e pentelhos, começam a aparecer, filhos do estresse em razão de um ciclo de vida desequilibrado, que procura e procura em vão, nem sabe exatamente o que, e que sempre finge ou tenta esconder as feridas e as angústias que não passam de chamamentos de um caminho impaciente e confuso, surdo aos pedidos do coração?

      O automatismo diário retorna.
      A maioria de nós está mergulhado nele. Além disso, esse “existir mecânico” não estimula a consciência nem confere sabedoria, só tende a inflamar raivas e tristezas, e causar o terror da solidão.

      E não percebemos que é só na aparência que lutamos sozinhos quando o que está em jogo é um caminho COM coração – lembra, do bom combate?

      Aquele que dá uma força danada, força porreta, que faz agente levantar do chão e voltar à luta, nos ajuda a viver com sinceridade a jornada pessoal, desde que enfrentemos nossos traumas e vergonhas com integridade emocional.
      Aquele que faz agente perder o medo dagente mesmo.

      E não resolve nada querer substituir o medo pelo poder.
      Não adianta temer e negar as partes de si mesmo que não se encaixam no enredo coletivo, incorporando avatares “aceitos” ou aceitáveis.

      Eu acho então que mesmo que agente pague um preço por sermos vulneráveis, nossas almas deixarão de viver tão assustadas, caso nos permitamos viver nossa verdade pessoal, e tenho certeza que isto gera uma baita ressonância afirmativa nos nossos relacionamentos,nos relacionamentos do mundo com agente, nos nossos afazeres do todo dia, e no estar consigo mesmo.

      É o sublime poder de parar de mentir, parar de se enganar.
      É aprender a respeitar o “caminho com coração” ou caminho do coração, que pra mim é a mesma coisa, deixar de ser um eu sempre-hesitante , assumir nossas coragens e nossas hesitações com muito respeito e atenção, e nos tornarmos, sem pressa mas com tranquilidade, os os protagonistas das nossas histórias. Sempre compreensivos, atentos e amorosos com nossa (natural) vulnerabilidade.

      Amei teu livro!Acho que ele fala disto também.
      bejinhos pessoal,
      Ufa…
      Carol

      Comment by Carol — 13/02/2011 @ 1:57 AM

      • Eepa, Carol… caramba!
        Suas palavras dançam hahahaha!

        Bem por aí, e é impressionante como o ser humano pode se julgar, se maltratar, “usar o chicote” para se ferir e castigar por não corresponder a algum padrão ideal que gostaria de ser . Ou ter.
        Eu acho, claro, que a única forma positiva de analisar as tendências negativas que todos nós possuímos, os nossos equívocos, nossas precipitações, é quando damos uma banana pra maioria dos medos, tipo: vai pra lá que agora não tem clima! E convidamos a camaradagem pra tomar um café, ou mesmo uma cachaça, pra que ela dê uma força e agente consiga bater um papo amigo, amoroso como diz a Carolzinha, e gentil com agente mesmo.

        Com aquele “agente mesmo” ainda imaturo, sempre ele está lá, ou talvez ainda não adequado que por alguma razão às vezes doloridamente íntima, esteja emperrando este processo de transformação nem sempre fácil, mas sempre compensatório que nos conduz a um indivíduo autônomo, solidário e confiante nos próprios recursos.
        Perder o medo de enfrentar por conta própria nossos desencontros com nós mesmos, perceber que somente quando renunciamos a nossa utópica imagem de perfeição é que deixamos surgir um ser humano perfeito: imperfeito, mas apto a se afetar e se relacionar afirmativamente, sem deixar de ouvir os lamentos mais escondidos da alma sem sentir medo.

        Na verdade, quando perdemos algo de essencial da nossa natureza, na maioria das vezes é porque nos adaptamos ao que os outros esperavam de nós.
        E é uma pena, porque essa adaptação quase sempre nos arranca o que temos de mais importante para expressar nossos sentimentos, nossa verdade.

        Existe algo único que deve sempre vibrar em nós para que sejamos capazes de apreender os pequenos detalhes do cotidiano, a prestar atenção às pessoas e às coisas que nos cercam e pra ler os sinais emitidos pela vida.
        Esta vibração não pode se extinguir nunca, e depende, é claro, de um aprendizado pessoal profundo, e de uma grande camaradagem entre nossos eus, é um fogo que não se apaga quando alimentado pela paciência, amor por nós mesmos e pela vida, pela valorização de si mesmo. Quando somos cruéis na forma como nos avaliamos, a reflexão ganha um vazio de precipício, nunca a expressão de um caminho…

        beijo a todos.
        tio Gus

        Comment by Gustavo — 13/02/2011 @ 2:50 AM

        • Vixe…. todo mundo respondeu !
          Até esqueci o que eu ia falar!

          Demaiiiiis Carol!
          Gus > !!!!!

          BtW… Caio, daqui a pouco eu lembro e volto !
          Vou procurar alguma coisa no teu livro, ahahahaha !

          Se vc voltar, escolhe e coloca uma música das suas, Mr Drummer,…. vc tem bom gosto e este post tá mto quieto!

          bjs
          Fy

          Comment by Fy — 13/02/2011 @ 4:33 AM

  6. Oi Carol!
    Importante o que você falou… Suas palavras cairam como uma chuva tardia que eu esperava mas nao chegava… O estresse diário a que nos submetemos é cruel e insano. O que você disse, veio em boa hora. Pelo menos pra mim…rs
    Bjs!

    Comment by caio — 13/02/2011 @ 2:17 AM

  7. Me pergunto agora se não somos fanáticos com nossos empregos, com nossos afazeres, com nossos “líderes”, empregadores, chefes, e toda a estrutura capilar de poder da sociedade. Vivemos estressados porque temos medo de mudar o nosso meio social? não dá mais pra viver do jeito que está…. Talvez aquilo que li, e que coloquei mais acima sobreo livro do Julio, talvez seja uma realidade que aconteça em toda estrutura de poder, desde a dos pais com os filhos, até em qualquer relaçao que exista poder e não uma liderança com base na verdade. Abrs a todos….. desabafo….rsrs

    Comment by caio — 13/02/2011 @ 2:29 AM

  8. O Cristianismo é a única religião que concebe o poder espiritual separado do temporal.
    A relação entre os dois poderes desenvolveu-se sob várias modalidades: em regime de aliança paritária, subalternidade de uma das partes, hegemonia teocrática ou ateísmo hegemónico, perseguições mútuas, separação formal com tratamento preferencial ou privilegiado, indiferença e neutralidade real ou aparente, etc. Em todos os casos, estes e outros, o regime subentendido é o da separação. Entende-se sempre a existência de dois poderes.
    Parabéns pelo blog.

    Comment by Elk — 13/02/2011 @ 5:30 AM

  9. Bom dia Fy, Windmills

    Fabuloso.

    É uma sindrome de ignorância.
    Outro dia eu lí um artigo que chamava a atenção sobre a exploração destas igrejas. Denunciava um pastor que ameaçava os tais crentes que se o dízimo não fosse pago, Deus mandaria uma nuvem de gafanhotos gigantes sobre a terra .

    http://www.internetigrejas.com.br/cristovivebelohorizonte/estudos-prosperidade__x_o_dizimo

    e) Só a obediência e fidelidade nos dízimos impede o ataque.

    Jl 2:14: “Quem sabe se não se voltará, e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, uma oferta de manjares e libação para o Senhor, vosso Deus?”

    Palavra final: A palavra Dízimo, que significa dez por cento, vem da palavra dez. Este número tipifica bênção, perfeição. E não se esqueça de que o homem não pode receber nada se do céu não lhe for dado. Cerca de 95% da vida de uma pessoa está estruturada sobre a área financeira. É por isso que o diabo ataca bastante esta área, pois estará destruindo 95% da vida desta pessoa.

    Não brinque com esses gafanhotos! Muito ou pouco, consagre seus dízimos ao Senhor. Só assim, Deus tem um compromisso de proteger seus patrimônios, bens e salários.

    É o fim da mortadela!
    Imaginem o “tipo” de pessoas que aceitam ouvir isto e acabam morrendo de medo!
    Bom Dia a todos voces e bom calorão!
    Sofia

    Comment by Sofia M. — 15/02/2011 @ 12:36 AM

  10. O medo proporcionado pela diferença que longe de afrontar apenas prova a diversidade da própria natureza humana é a constância máximo que perpetua a verdade vertida do sangue que pintam catedrais de púrpura, religiões sempre serão a justificativa perfeita para a besta que se alimenta de ignorância e que se sustenta no medo da diferença vir e tomar o palco da vida por escabrosidades em nome de um dogma imbecil qualquer.

    Lembrei-me de Bierce:”Religion, n. A daughter of Hope and Fear, explaining to Ignorance the nature of the Unknowable.” – [The Devil’s Dictionary]

    Abraços,

    Marques Patrocínio

    Comment by Marques Patrocínio — 20/02/2011 @ 6:18 PM


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