windmills by fy

27/05/2011

Alice

Filed under: Uncategorized — Fy @ 7:57 AM

Nem todas as abordagens  ou  os que estudam , exercem e se dedicam à Psicologia Analítica [ junguiana ]

estão interessados em transformar o estudo do comportamento humano

e sua busca por uma existência integral , lúcida , produtiva e próspera em todos os sentidos ,

em um culto onde “religiosos” e gurus alucinados e espertos

apenas exploram as possíveis fragilidades dos incautos ou dos fragilizados .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando assisti a versão de Tim Burton de Alice in  Wonderland ,

eu me lembrei muito de Clarissa Pinkola Estes , psicanalista junguiana e escritora ,

cuja forma de analisar Jung e brilhantemente utilizar seu legado se assemelha muito a de James Hillman ,

inúmeras vezes citado aqui no blog .

– deambulando em Hillman , só pra ilustrar “Alice ” :

Na grande lista das influências que a Psicologia Arquetípica recebeu ,

o nome de Carl Gustav Jung é colocado em primeiro lugar .

O conceito dos arquétipos , padrões básicos e estruturais da psique , é um dos principais empréstimos .

Contudo , uma discussão mesmo superficial sobre os arquétipos —

conceito muitíssimo mal compreendido pelos críticos ,

extremamente mal formulado pelo próprio Jung  ,

 “ literalmente ”   entendido por apressados estudantes e leitores da vasta obra de Jung   –  está fora de questão aqui .

 

 

 

 

 

Iremos apenas citar , por sua clareza , um pequeno trecho do livro   ”  The Passion of the Western Mind  “   , de Richard Tarnas .

Comparando o conceito de arquétipo com o conceito de   ” semelhanças familiares ” formulado por Wittgenstein ,

Tarnas chega à seguinte formulação   ” pós-moderna ”    da idéia original de Jung :    [ – . . .  porque a … fila anda … e não empedra . . .   –

Nesta  concepção, os arquétipos são reconhecidos como padrões ou princípios duradouros

que são inerentemente ambíguos e multivalentes , dinâmicos , maleáveis

e sujeitos a diversas inflexões culturais e individuais ,

embora possuam uma distinta e subjacente coerência formal e universalidade .

 

 

 

James Hillman , além do mais , faz uma pequena , mas fundamental modificação da classe gramatical

na qual os arquétipos são tradicionalmente colocados .

Quando, por exemplo , fala-se em     ”  imagem arquetípica ”  ,

as posturas clássicas    – e empoeiradas –    junguianas entendem esta expressão

como um indicativo de que esta determinada imagem está associada a   “ um ”   determinado arquétipo .

Esta imagem passa a ter uma natureza diferente de outras imagens que não estejam associadas a um arquétipo .

É este arquétipo substantivo que dá substância à imagem .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Toda imagem passa a ser arquetípica contanto que a ela seja associada uma idéia de valor .

A intenção desse ato valorativo é tornar a imagem mais profunda ,

mais elaborada , mais envolvente , mais rica e mais necessária .

Arquetípica é uma operação que dá importância e fecundidade a  qualquer  imagem .

Arquetípico é algo que : >  fazemos com a imagem e  NÃO :  > algo que está na imagem . 

Hillman

 

 

 

As razões que me fizeram lembrar Clarissa  são meio que óbvias ,

porque exploram da mesma forma esta  grande viajem que é o  conhecimento de sí mesmo  ,

mas desvia – se totalmente do mal elaborado significado do processo de Individuação . . . –

ou desta reforçada noção do EU . . . : [ le moi . . .  das ich  . . . ]

adoecida pela pretensa e sorumbática superioridade do monoteísmo ,

do deus interior . . . , do . . .  “ Deus ”  …

e desta tentativa doentia  da perda da identidade . . . humana . . .

Não seria esse mesmo dogma o que fez as almas  “ adoecerem ”  ?

 

Não foi esse dogma que fez a alma do mundo em nossa civilização adoecer

ao afastá-la dos fatos da vida , das coisas como elas são , da nossa parte selvagem ?

Hillman

Somente quando a noção de alma . . .  se torna um dogma teológico

é que se persiste na sua unidade e indivisibilidade como algo essencial .

 

 

 

O selvagem , que não se encontra preso pelos dogmas ,

é livre para explicar os fatos da vida a partir da suposição da existência de quantas almas ele achar necessário .

The Golden Bough , abr. ed. [ Nova York: MacMillan, 1947 ] , 690 .

 

 

 

 

Em situações clínicas . . .  essa consciência reforça a noção de ;

“Eu” (le moi, das Ich)

 e então , o que mais os Deuses podem fazer ,  [ ? ]

 além de se tornarem doenças , que é onde Jung os encontrou ? . . .

. . . o que ele também chama de : “o particular ” , :  o pessoal e o doentio . ”

Hillman

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pois é , eu acho que Tim Burton é fã  de James Hillman , como eu ,   . . .    –

ou de Jung  como por  Hillman  compreendido .

Justificado pelo fato de que Carroll constrói seus livros como dois longos sonhos ,

Burton usa e abusa das operações de deslocamento e condensação que constituem a base da linguagem onírica .

Se nos sonhos os elementos da  ” vida diurna ” mudam de lugar e se fundem uns com os outros ,

o cineasta faz o mesmo com o próprio universo criado pelo escritor ,

saqueando e manipulando a seu bel-prazer os personagens e situações presentes nos dois livros

–  e incorporados ,  de múltiplas maneiras ,  ao imaginário ocidental no último século e meio .

 

Assim , por exemplo , estão no filme os soldados do exército de cartas  [ do primeiro livro ] ,

mas eles obedecem à rainha vermelha   [ do segundo livro ] , e não ao rei e à rainha de copas .

Burton reforça em seu filme o espírito lúdico das  duas obras originais ,

multiplicando em ritmo alucinante as tiradas de nonsense ,  os jogos internos , os trocadilhos verbais e visuais .

 

Mais do que isso ,

enfatiza uma ideia apenas esboçada em Lewis Carroll   [ escritor pré – freudiano , – é bom lembrar ] ,

a de que o País das Maravilhas  :

 

Ou seja :   o   Mundo da Fantasia    é  o     Mundo do Inconsciente , ou do Subconsciente ,

daquilo que é soterrado pela consciência , pela vigília .

Vodpod videos no longer available.

E o Mundo da Fantasia não necessariamente é um mundo de Pesadelos –

habitado por Terrores , Sombras Draconianas , ou Abismos Negros . . .

– Leia :   Don’t Fuck Eros …      https://windmillsbyfy.wordpress.com/2011/05/06/dont-fuck-eros/

 

 

 

 

 

A  Alice de Tim  Burton , já adulta,

mistura em suas lembranças eventos ocorridos na infância com retalhos de sonhos e pesadelos .

No magma impreciso que forma a memória afetiva ,

as imagens e sons da vigília têm a mesma espessura , a mesma densidade, daqueles do Sonho e da Imaginação .

A nova Alice , a de Tim Burton ,

tem tudo o que precisamos para dar o salto para o próximo nível psicológico da libertação ;

o do Reconhecimento de nós mesmos  e da Interação do mesmo com a Vida .

E não  só da mulher … – como bem explica Clarissa quando recomenda seu livro aos homens , porque somos todos . . . Humanos .

Isto tudo lembra a historia de Yentl , um filme dos anos 80 ,

com Barbara Streisand como principal protagonista representando uma moça judia

que disfarçou-se de homem para poder seguir seu amor pelo Conhecimento .

Desta vez, quase trinta anos depois , o que queremos não é isso .  E sim,   maravilhas !

Queremos frescor , supresa e encantamento  :

tudo o que faz parte de nossa feminilidade e que jamais nos impediu de sermos integralmente capazes e libertas .

Não estamos mais satisfeitas/os  com o “ velho conhecimento de sempre “,

estaríamos ainda roendo ossos . . .  se assim fosse ,  e que ,   a propósito  e com muiiiiito  : propósito ,

é difundido pelos mantenedores de Sistemas apodrecidos .

 

mas   Yentl  não é mais o caminho feminino . [ leia-se : de ninguém ]

Aquilo foi seu começo , a pré – história da libertação das mulheres .

Para poder Avançar ainda mais , as mulheres agora devem libertar-se das correntes internas que as seguram ,

e entrar no País das Maravilhas .

– apenas .

 

Vamos analisar o filme para compreender o padrão da jornada interior das mulheres ,

tão igualmente válida para os homens também . . . [   https://windmillsbyfy.wordpress.com/2011/02/07/6443/

 

Em Clarissa as Mulheres correm com os Lobos ,  em Tim Burton . . . correm   atrás  do coelho . . .

–  Vamos entender o porque  – 

Para começar, Alice tem um pai visionário.

[ Anima e Animus ]  >  Nossos pais dentro de nós ] ,

a figura paterna representa o mundo das idéias para a garota .

Tendo uma mente inventiva , o pai de Alice endossa os estranhos sonhos da filha .

“ As pessoas loucas são sempre as melhores ”  :  ele acrescenta .

 

E isto é verdade , pois as novas idéias frequentemente parecem loucuras ,

mas sem elas estaríamos todos ainda na Idade da Pedra Lascada .

Agora . . .   saber disso na forma de uma afirmação geral é uma coisa ,

outra totalmente diferente é viver esta realidade numa vida de pessoa normal .

 

 

Qualquer pessoa diferente de seu ambiente

sabe o quanto é difícil confiar em si e manter firme a própria visão das coisas .  – Assim  :   Alice .

Não é suficiente sentir-se diferente do modelo social de um determinado momento histórico .

Quando uma mulher deixa a infância e

entra no mundo adulto onde ela tem que tomar decisões e definir sua vida ,

ter tido uma criação propícia lhe dá o forte sentimento de desconforto no assim chamado mundo   “ apropriado ”  >   

–  que é o jeito tradicional e embolorado de ser que vai adiante por inércia .   –   [ e . . .  falando m . . . ]

 

 

 

 

 

 

Ah . . .   Vamos dizer a Verdade .

Uma  ” boa ”  Verdade  . . .  . . .  pra variar . . .  um pouquinho . . .

Este é o momento de encarar o próprio mundo interior,

não o dos sonhos e fantasias  esquizofrenicas …  fantasmas e sombras sorumbáticas ,

desbotadas e mofadas pela morbidez psicopata , monstros assassinos e cruéis ,

ou via rituais desintegradores , etcetalz

 

 

 

 

 

 

 mas o Real , Verdadeiro e Poderoso Mundo Interior,

que clama sua existência  e sua própria lógica .

 

Sem fazer isso, a única escolha que uma mulher   [ ou homem ]    tem

é o de encaixar-se em papeis pré-estabelecidos e desistir de sua unicidade .

.

.

.

Alice , que é esquisita o suficiente para seguir   o coelho   que nada mais é que  :   Sua Imaginação , começa sua jornada .

O processo consiste em dois aspectos interconexos:


 

 

 

 

Quem ela é significa o que ela sempre foi . . .  mas perdeu ou esqueceu

por causa da ocorrência de crescer num ambiente social

onde é dito às crianças como devem pensar, comportar-se e sentir .

 

 

 

 

 

 

Na educação tradicional   [ seja na família , religião  ou  escola ] ,

desenvolvimento coincide com seres  formatados em moldes pré-determinados

dando pouca atenção ao que a criança é dentro de si mesma .

Os papeis sociais são lentos assassinos a sangue frio .

 

O filme mostra a dúvida a respeito de Alice : é ela a verdadeira Alice ou somente uma impostora ?

Esta é a idéia principal como é nossa questão central na vida : Somos Reais ?

Ou  só palhaços fingindo ser aquilo que exibimos a todos ?

Somos verdadeiros e confiáveis ?     

Vamos conseguir ?

Para ajudar Alice a encontrar a si mesma, a história desdobra-se entre medo e compaixão .

Mais e mais , Alice vai se dando conta que depende dela a salvação de seus queridos ,

primeiro de todos o Chapeleiro Louco  :

a representação das idéias malucas que ela andou chocando por toda sua vida .

 

 

 

 

 

 

 

 

O Chapeleiro Louco é seu Animus ,

que pôde existir tão colorido e imprevisível graças ao apoio do pai de Alice .

E Alice precisa salvá-lo .

 

 

 

 

 

 

 

 

Isto me lembra um sonho que eu tive nos meus primeiros anos de análise pessoal .

Tinha cerca de 18 anos na época .

O sonho começa comigo conversando com um rapaz perto de um carro .

Depois o sigo para dentro de um edifício .

Encontro-me num apartamento em andar alto , onde vive uma família normal , comum .

Descubro que há um homem louco trancado no banheiro .

Ele tem sido mantido lá há muito tempo . . . . no banheiro .

Liberto o homem.

Ele vai a uma janela próxima que está aberta .

Ficamos lá e eu olho para ele .

Ele fixa a distância , daí pega um telescópio e olha além do mar , muito além .

Esta era sua loucura : ele podia ver além das interpretações e compreensões da vida superficiais .

Sua vista é profunda  MAS não é  convencional .

 

 

 

 

 

 

 

 

Como sabemos . . .

esta visão é altamente desconfortável para aqueles que preferem “ manter quieto ”  ,

e temem perguntas .    – ou delas “ desdenham ” . . .

Salvar o Chapeleiro Louco significa , para Alice ,

comprometer-se consigo mesma e com a tarefa que ela tem adiante :

soltar sua vida de qualquer pensamento julgador .

 

 

 

E aqui entra a diferença entre a Rainha Vermelha e a Rainha Branca  !

A primeira é o aspecto negativo do arquétipo da mãe , a mulher patriarcal que inflacionou sua cabeça com idéias repetitivas .

Ela impõe dogmas , crenças não-questionáveis a suas crianças e a todos que estiverem à sua volta .

O resultado é gente falsa e covarde .

Por causa dela , o Chapeleiro é Louco e todo Animus Criativo vive trancado nos banheiros das casas das famílias respeitáveis .

A Rainha Vermelha representa a consciência coletiva ,

com inteligência tão encolhida quanto inchados são seus pensamentos manipuladores .

Ela também mostra belamente a ambiguidade do amor :

Em nome do amor, escorreu sangue nas guerras e lágrimas no desespero .

[  que nem os doentes  e os silícios ….  –   as adoradoras dos abismos negros – dos cristos ensanguentados –  dos rituais a base de blásblásblás  desintegradores . . .   ]

A Rainha Branca , do outro lado , é simplesmente a Bruxa que desafia e desconstrói

a histórica idéia patriarcal e doente  sobre bruxas vestidas de preto e sendo más .

Ela é o Feminino não submetido à lógica patriarcal .

Foi posta de lado , não destruída , mas vive num mundo separado .

É aqui que Alice encontra seu tamanho certo : – nem muito reduzida , nem muito inflacionada  – ,

e

Aqui é a terra que dá raízes à Nova Mulher .

Chegar à Rainha Branca não é suficiente .

Ainda falta lutar contra o monstro .

Esta é uma luta real que toda mulher tem que assumir se quiser seguir sua verdadeira e simples  alma .

Enquanto ato real no mundo, este requer coragem .

Para vencer o monstro Alice precisa da Espada .

 

 

 

 

 

 

Espadas são o símbolo do pensamento discriminador , uma das coisas mais preciosas [ e raras ]  que há .

Sem ele , a Coragem é Vaidade e Cegueira .

 

 

 

 

 

 

Uma garota pode instintivamente rejeitar uma situação como perigosa para sua personalidade .

Entretanto , uma mulher . . .  deve ir além disso :  ela precisa saber   “ porque ”   ela não gosta a fim de poder tomar as decisões apropriadas .

Esta é a Espada ao Trabalho : ela distingue e separa .

Torna sentimentos fortes e obscuros em idéias afiadas e em límpida visão acerca da Vida .

Assim fazendo , Alice encontra  sua  Identidade e a Filosofia de  sua  Existência .

 

 

Com esta espada Alice luta contra o Monstro :

a face feia da consciência coletiva que impõe papeis e valores , que tenta moldar e julgar , diminuir e barganhar , manipular e destruir a Criatividade .

A luta com espada é diferente daquela com a clava ,

como as que Hércules fazia golpeando de todos os lados como um maluco  [ não é uma coincidência que ele ficou realmente louco numa ocasião ] .

A espada representa uma luta sofisticada e consciente , baseada na Inteligência e que também exige Coragem e Determinação .

Golpe final  ,  –   “ E corto tua cabeça  ”   diz Alice , baixando a espada no longo pescoço do monstro .

A batalha está vencida .

Agora ela está livre .

–  Para que ?

Precisamente , livre de dizer :  Não =  aos papeis tradicionais e livre para dar início à jornada de sua vida .

Única , Preciosa e totalmente  Sua .

E aqui , a metamorfósis está completa .

O prólogo e o epílogo, ambientados no ” Mundo Real “, ou seja, na superfície, ressaltam o sentido  libertário do filme.

Pois logo de início a jovem Alice é confrontada com a sina que a espera:

casar-se com um bom moço da nobreza e ser sómente  uma apagada dama do lar.

A fuga assustada a esse destino coincide com a queda no mundo subterrâneo,

que por vias retorcidas vai ajudá-la a se conhecer e iluminar seu caminho no mundo.

No começo da história Alice é simplesmente uma moça inquieta ,

que não se encaixa no modelo social e comportamental reservado a ela na sociedade vitoriana

[ assim como a Alice dos livros era só uma menina curiosa e imaginativa ].

 Seu signo é o do desajuste , da inadequação .

É no Wonderland / Underland que ela vai aprender a transformar esse handicap em vantagem ,

a se metamorfosear de menina em mulher ,

assim como a Lagarta Azul se transmuta em borboleta

 – a última imagem do filme , voando em 3-D em direção à plateia . –

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FONTE:

Carlos Bernardi

Apresentando James Hillman

Rubedo

Tim Burton

Adriana Tanese Nogueira


José Geraldo Couto

Notas Esparsas sobre Alice

Alice  Valente

http://alisenao.blogspot.com/

ILUSTRAÇÃO :

Will Bullas

Oleg Tchoubakov

Lostfish

Xavier Collette

Fy / Bia / TocaYo

49 Comments »

  1. Aloha Terra Encantada!

    Que lindeza!
    Vou ver este “filme” lá em casa. Mas o som já to curtindo.
    bjinhos underlandezes for you/you/you
    Ju

    Comment by Juliana — 27/05/2011 @ 10:24 AM

  2. PS
    Adoro a Lostfish!

    Comment by Juliana — 27/05/2011 @ 10:26 AM

  3. “Toda imagem passa a ser arquetípica contanto que a ela seja associada uma idéia de valor .”
    Fantástica interpretação e fantástica a maneira de transformar algo que a princípio(segundo a interpretação) era simplismente algo.
    Essas são as primeiras palavras que eu li de Hillman. De tal maneira que eu fiquei com algumas dúvidas.
    Toda e qualquer imagem nasce crua e sem floreios até o ponto em que uma vontade se impõe e a associa a um juízo e a torna arquetípica. E isso, seguindo o óbvio, mostra: A> Ou tudo o que há de arquétipo nada passa de idéias de valor; B> Ou o arquétipo, qualquer um deles, seria ainda uma entidade que unicamente se mostra [para nós] quando há essa relação;
    Penso que o ato valorativo é tão maleável, pode partir de qualquer lado da psiquê e pode fazer associações tanto irracionais(inconsientes) e constrangedoras como racionais e prazerosas e mais ainda, relações forçadas entre a imagem e a idéia de valor.
    Forçadas, por exemplo, como me foi essa interpretação da aventura em Wonderland. Eu não havia pensado nisso, mas ao ler e ao COmpreender, a associação foi imposta. Nisso não há como voltar, mesmo que, por ventura, essa associação seja relegada ao inconsciente.
    Isso faz sentido para os dois quadros, portanto vamos um passo além.
    As duas alternativas indicam que a todo momento interagimos e somos “interagidos” com e por arquétipos. Ou seja, qualquer que seja a vivência, ela é arquetípica. Por isso eu pergunto, como fica a psiquê com essa constante interação?

    Dizer que o arquétipo tem conotação adjetiva é implicar que ele DEPENDE de algo e não É em SI. Mas ele É em outra coisa, a saber, uma re-presentação. Ele re-presenta algo que se apresenta(anwesen). Isso une, estranhamente, os quadros A e B.

    A meu ver, a leitura na qual um arquétipo tem X imagens que o representam e a leitura na qual o arquétipo é necessariamente dependente de uma imagem são extremos. Não que um anule o outro, pelo contrário, acho que deve ter algo intermediário.

    Para engrossar o caldo, chamo Heidegger, num parágrafo do “O que quer dizer pensar?”:

    “Enquanto perceber, o pensamento percebe o presente em sua presença. Nela, o pensamento toma a medida para o seu modo próprio de ser enquanto perceber. Assim sendo, o pensamento é uma tal apresentação do que está presente, que entrega o que é vigente em sua vigência e, assim, o põe a nossa frente, de modo que estamos diante do que é ou está vigente e, então, nesse âmbito mesmo, suportamos esse pôr-se. Enquanto esta apresentação, o pensamento libera o que está vigente na relação conosco; ele o põe de volta para nós. Por isso, a apresentação é re-apresentação. Posteriormente, a palavra repraesentatio torna-se o nome corrente para este representar(Vorstellen).”
    Isso me lembra que nenhuma imagem é possível de ser pensada sem que haja uma idéia de valor, mas eu teria que apagar o comentário inteiro e refazer, ficará para outra hora, então.

    “Assim fazendo , Alice encontra sua Identidade e a Filosofia de sua Existência .”
    Para constar, como se dá o arquétipo do Si-mesmo na linha que Hillman desenvolveu? E outra, o que recomenda para ler dele e sobre ele?

    Perdões pela ousadia do pedantismo,
    Thomas.

    Comment by Thomas — 27/05/2011 @ 1:00 PM

  4. hahahah adorei isto.

    Mas eu preciso comer… tô morta de fome e tb preciso levar meu cachorro no veterinário…. depois eu sento e te respondo.

    a little bit:

    James Hillman [Hillman, James. The thought of the heart., Dallas: Spring, 1981], fatores como sentimentalismo da personalidade, eficiência a todo custo, engrandecimento do poder e simples fervor religioso são fatores atuais que podem levar a doenças, destacadamente as cardíacas. Para ele, o infarto (que vem de farto, farctus = estufado, cheio) revela que o coração do homem moderno está congestionado pelas riquezas que não entraram em circulação, ou que foram constrangidas por estreitamentos, não tendo permissão para passar, riquezas estas que vêm do mundo da fantasia e da imaginação.

    Bem vindo a um mundo q não tem limite e nem medo de nada disto.

    Pra mim, um dos mergulhos mais incríveis em Hillman :

    http://www.rubedo.psc.br/artigosb/paixaohm.htm

    Já volto
    bj
    Fy

    Comment by Fy — 27/05/2011 @ 1:19 PM

    • Thomas : fiz tudo errado… tomara q vc não tenha vindo aqui.

      Este endereço q eu te dei não é o q eu queria – este aqui é mais gostoso e claro pra uma primeira vez :

      http://www.rubedo.psc.br/Artlivro/picovale.htm

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 27/05/2011 @ 4:34 PM

      • Hi man – desculpe por ontem – mas meu cachorro pegou uma conjuntivite q me assustou…. – vamos lá…

        Tudo o q eu vou escrever é by Fy – depois q vc se familiarizar um pouco mais com Hillman, e discordar de alguma coisa – agente pode continuar – por aqui ou por email; tá bem ?

        Tuas perguntas me mostram q vc tá familiarizado com os conceitos de Jung sobre Arquétipos – Self > Si Mesmo etc

        E aí… aparece Hillman > pós junguiano > e “profana” alguns “conceitos junguianos” – like Mad Hatter – simplesmente porque “dá continuidade” > ou > “trabalha-os de alguma outra forma” > questiona … amplia e com isso desconstrói aos olhos dos “adoradores” de Jung , alguns conceitos estigmatizados pela iconoclastia engessada que se tornou este culto à Jung .

        Na realidade, ele jamais desmerece Jung > em meu entender – e, claro… q isto é irrelevante > mas não só no meu, e sim de pessoas categorizadas pra embazá-lo : Hillman abraça a Psicologia Analítica e os conceitos junguianos sob um outro ponto de vista , e concede-lhes a “honra” de evoluir em si mesmos – o q para os engessados causa a impressão de diferenças .

        A> Ou tudo o que há de arquétipo nada passa de idéias de valor;

        B> Ou o arquétipo, qualquer um deles, seria ainda uma entidade que unicamente se mostra [para nós] quando há essa relação;

        – Os pontos mais discutidos atualmente, em Psicologia Analítica , me parecem ser o conceito junguiano sobre Inconsciente Coletivo e Arquétipos.

        A insistência de Jung em defender a supremacia do Si Mesmo como entidade única e “surreal” – aproxima demais o conceito do SI Mesmo > Self > do conceito do deus cristão. [ ou qq outro deus de algum sistema monoteísta > não vejo diferença se trocarmos os nomes ou as características ].

        Enfim , a tal da Individuação ou “constelação” do Self > fácilmente se identifica com a doutrinação religiosa em vários aspectos … e isto passou a ser explorado pelos crentes de tal forma q justifica uma preocupação significativa da Psicologia, não só como ciência… mas como um estudo do Comportamento Humano …. o que não se vincula exatamente a esta ou aquela religião .

        E o point de tudo isto é a óbvia e perigosa substituição > da psicologia pela “guruzação” .

        e bláblablás e tal . . . , Hillman aposta numa interpretação diferente destes conceitos e aposta na diversidade ou multiplicidade, e descentraliza este lance de Self > admitindo q ele é composto e não unificado.

        Qto aos Arquétipos > a leitura tradicional e classicamente junguiana … e na minha opinião tão “forçadinha” o “quanto” pode ser explorada – condensa qualidades e atributos “à” ou “em” alguma imagem, ou “conceito imagético” – hahahah – > o melhor de mim… conto com sua compreensão…. – e utiliza este “preenchimento” como Referência ou Significado de Qualidade :

        tipo : deus > bom

        diabo > mal

        Hillman desmistifica pluralizando > nem tudo o que é bom é condensado numa única figura e nem o mal em outra.

        Desta forma ele “desabriga” o bem de uma única moradia e vice –versa > isto é um ex. – e lhes concede a alforria de se nomadizar . que é “virar nômade” e eu não sabia….

        Nomadizando > ele pode ser multiplicado e deslocado como atributo em várias direções .

        Assim é q eu entendo.

        bj

        Fy

        Comment by Fy — 28/05/2011 @ 3:18 AM

  5. Bom dia moçada, Fy, Ju, Thomas,

    Vou fazer um acréscimo aqui para o Thomas, adicionando mais algumas diferenças.
    Thomas, estas diferenças são legais porque ampliam este universo psicanalítico junguiano retirando-o do claustro impenetrável das proposições dogmáticas e atirando-os no mundo. Assim como ele é.

    O processo de individuação que passou a ser compreendido como a via sacra de um Cristo tão pouco conhecido e verdadeiramente instituído, deixa de ser um mergulho misticamente solitário e passa a ser um processo ce interatividade, integração, onde a “constelação” de sua unicidade se multiplica em diversas possibilidades.

    Consagrando ainda uma máxima ontológica mais “humana” ou real , onde podemos afirmar com segurança que uma consciência sem o mundo será tudo quanto se queira, menos consciência humana.

    beijo a todos
    tio Gus

    Comment by Gustavo — 28/05/2011 @ 4:12 AM

    • uma consciência sem o mundo será tudo quanto se queira, menos consciência humana.

      Enquanto o elevador subia a pique em direção à varandim superior, o fuste começou a ficar mais estreito, com os seus grandes esteios a contraírem-se num túnel vertical bem apertado.

      – é isso sim, Gustavo, – pq é do mundo e é no mundo que a imaginação se reinventa – encontra seus novos sentidos e suas histórias, cria jogos de linguagem e os labirintos de sonhos.

      Ah…. lembrei do Tocayo…. e lá vai mais um piercing de Rimbaud …. pra que as vogais possam ser azuis – sem chás de cogumelo….

      Há muito me gabava de possuir todas as paisagens possíveis, e julgava irrisórias as celebridades da pintura e da poesia moderna.

      Gostava das pinturas idiotas, em portas, decorações, telas circenses, placas, iluminuras populares; a literatura fora de moda, o latim da igreja, livros eróticos sem ortografia, romances de nossos antepassados, contos de fadas, pequenos livros infantis, velhas óperas, estribilhos ingênuos, ritmos ingênuos.

      Sonhava com as cruzadas, viagens de descobertas de que não existem relatos, repúblicas sem histórias, guerras de religião esmagadas, revoluções de costumes, deslocamentos de raças e continentes: acreditava em todas as magias.

      Inventava a cor das vogais! – A negro, E branco, I vermelho, O azul, U verde. Regulava a forma e o movimento de cada consoante, e , com ritmos institivos, me vangloriava de ter inventado um verbo poético acessível, um dia ou outro, a todos os sentidos. Era comigo traduzí-los. Foi primeiro um experimento. Escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens.”

      – in Delírios II, Alquimia do Verbo, de Arthur Rimbaud (1854-1891) – trad. Paulo Hecker Filho

      bj no coração –
      Fy

      Comment by Fy — 29/05/2011 @ 2:41 AM

  6. Mais Hillman no País das Maravilhas,

    Em 1970, James Hillman escreveu um artigo para a revista Spring com o seguinte título:

    “Por que Psicologia Arquetípica?”

    Era a primeira vez que o termo era utilizado como tal.

    Com esse artigo, Hillman abria uma possibilidade diferente de pensar a psicologia junguiana.

    Logo de início, visava se distanciar do termo mais comumente utilizado de “analítica”, exatamente por suas implicações a princípio exclusivamente ligadas à prática da psicoterapia.

    /

    Quais são as conseqüências reais desse afastamento do analítico em busca do arquetípico?

    Qual é a marca essencial da contribuição de Hillman e de seus companheiros para a psicologia junguiana e, mais, qual a sua importância?

    /

    O livro Psicologia Arquetípica: Um Breve Relato, que contém uma monografia escrita por Hillman em 1979 para inclusão no Volume V da Enciclopedia del Novecento,

    do Istituto dell’Enciclopedia Italiana, publicada em 1981, aborda essas questões da forma mais objetiva possível.

    O leitor interessado numa compreensão mais sistemática da psicologia arquetípica e, mais especificamente, da obra de Hillman, encontra ali uma espécie de guia capaz de orientá-lo na leitura dessa obra.

    Neste trabalho encontra-se o traçado intelectual de cada um dos conceitos fundamentais que Hillman, em outros ensaios e livros, ocupar-se-á de ampliar e saborear mais profundamente.

    /

    James Hillman aparece de fato como a figura central dentro dessa perspectiva de pensamento que, é preciso deixar claro, pretende-se menos como uma “escola” em si,

    e mais como um aprofundamento e um avanço das idéias originadas principalmente no trabalho do psicólogo suíço Carl Gustav Jung.

    Por isso é difícil falar em psicologia arquetípica como uma linha ou uma escola de psicologia ou mesmo de psicoterapia.

    Simplesmente, não faz sentido. Procuramos dizer que a psicologia arquetípica é uma maneira de se fazer psicologia junguiana.

    /

    Hillman, seguindo uma tradição essencialmente retomada por Jung, fala de alma, de um sentido de alma.

    Acima de tudo, alma aqui é entendida como “uma perspectiva, ao contrário de uma substância,

    um ponto de vista sobre as coisas, mais do que uma coisa em si” (Hillman, 1991, p. 40).

    Seus textos e os de seus amigos falam da alma do mundo, do amor, do puer, do senex, da guerra, da psicoterapia, da imaginação, do estado da cultura, dos sonhos,

    da masturbação, da arquitetura, examinam os detalhes das figuras míticas em busca de uma psicopatologia descrita numa linguagem mais rica e sensual.

    Falam, portanto, de muita coisa. Falam, acima de tudo, de anima.

    /
    Falam de anima de uma maneira libertária, que identifica anima imediatamente com alma, com psique.

    Retomam, assim, o sentido, presente em Jung, de desfazer a ilusão subjetivizante de que a anima está em nós em vez de nós estarmos na anima.

    Hillman diz que “porque tomamos a anima personalisticamente, ou porque ela “engana”… o ego dessa forma,

    perdemos o significado mais amplo de anima” (Hillman, 1990, p. 5).

    /

    Esse significado mais amplo constela a alma como uma perspectiva genuinamente psicológica: esse in anima, nos diz Jung, ser humano é ser na alma desde o começo.

    /

    Anima 30 anos depois da morte de Jung, essa anima de 30 anos, essa “balsaquiana”, talvez esteja se tornando assim mais independente.

    Com Hillman talvez ela possa agora livrar-se de ser pensada sempre em termos de opostos, sempre presa nas sizígias, seja com animus, com sombra, com Self.

    Podemos ver que anima, alma, está por tudo e em tudo, não só na interioridade feminina do homem.

    Está no homem e na mulher.

    /

    Anima pertence a todas as coisas, exatamente como a possibilidade de interioridade de todas as coisas.

    Anima refere-se, numa só palavra, a interioridade.

    /

    Para essa perspectiva, a área mais fundamental do trabalho de Jung é naturalmente a teoria arquetípica.

    É para lá que voltamos a nossa atenção. Estamos nos referindo aqui ao trabalho de Jung na maturidade,

    onde o conceito de arquétipo ganha a profundidade e o alcance que ele apontava desde o início.

    /
    Como comenta o próprio Hillman, há um aprofundamento constante no trabalho de Jung:

    do pessoal para o universal,

    da consciência para o inconsciente,

    do particular para o coletivo, enfim, dos tipos para os arque-tipos.

    /

    Diferentemente de Freud, que regularmente revisava suas idéias em busca de uma teoria sistemática, Jung não revisava nada.

    Jung não tem, nesse sentido, uma mente crítica, aristotélica.

    Ele construía em cima do que já tinha,

    num modo peculiar de aprofundamento (James Hillman, citado em The Wisdom of the Dream, Stephen Segaller e Merril Berger, Shambala, Boston, 1989, p. 43).

    É também nesse espírito que me parece inscrever-se o trabalho da psicologia arquetípica.

    /

    A formulação do conceito de arquétipo em psicologia é encarada como a contribuição mais radical e importante de Jung

    para a história do pensamento psicológico no Ocidente.

    O conceito de arquétipo aqui parece fundamental não só porque reflete a profundidade do trabalho de Jung,

    mas também porque leva a reflexão psicológica para além da preocupação clínica e dos modelos científicos:

    /

    “arquetípico pertence a toda a cultura, a todas as formas de atividade humana.

    (…) Assim, os vínculos primários da psicologia arquetípica são mais com a cultura

    e a imaginação do que com a psicologia médica e empírica” (Hillman, 1991, p. 21).

    /

    Hillman nos faz enxergar os arquétipos como as : Estruturas Básicas da Imaginação,

    e nos diz que a “natureza fundamental” dos arquétipos só é acessível à Imaginação e apresenta-se como imagem.

    ///

    Vou pra outro pra não abusar do espaço.

    Comment by Renato — 28/05/2011 @ 5:24 AM

  7. Caracoles ficou grande!(são os espaços)!

    Mais um pra detectar bem as diferentes focalizações:

    /
    Penso que aqui a psicologia também tem que acompanhar o movimento que se detecta em outras artes e ciências:

    a atual busca do Paradigma da Fraternidade.

    E taí um assunto que contém uma larguesa considerável, e uma das mais acirradas críticas ao Processo de Indivuduação do cartesianismo junguiano .

    /

    A psicanálise — e seu trio paterno Freud, Adler e Jung — abriu o século psicológico passado com o foco nas relações parentais.

    Esse modelo começa a ser criticado e revisto.

    A transição para o novo milênio pode abrir o século XXI trazendo como tarefa o foco nas relações fraternas.

    /

    A radicalização da idéia de fratria mexe de forma contundente na nossa prática clínica,

    especialmente no que toca as questões transferenciais, mas também em nosso amor pelo mundo.

    /
    É cada vez mais nítida a presença do arquétipo fraterno, sua necessidade e sua atuação, igualmente no campo social,

    onde as ações institucionalizadas do Estado dão crescentemente lugar às ações mais significativas

    e cada vez mais importantes das diversas solidariedades,

    por exemplo na proliferação e no trabalho das ONGs nos mais variados planos da vida pública e da experiência humana comum.

    Também a psicologia, e sua prática, caminha, ainda que pouco se perceba, para um novo paradigma.

    A resistência a esse caminho marca uma prática fadada a esgotar-se,

    como vai-se esgotando o Primeiro Século Patriarcal da Psicanálise.

    /

    Esse novo paradigma, acredito, tem a ver com o Arquétipo Fraterno.

    /

    No entanto, os anos de estudo dedicados a compreender os temas que mais me instigam na psicologia junguiana,

    permitindo acrescentar a ela o aprofundamento que traz a perspectiva da Psicologia Arquetípica,

    fizeram-me sensível para a grande lacuna, a ausência quase total de imagens: na literatura e na prática, do aparato teórico — aparato imaginário —

    que poderia fazer com que se reconhecesse e se entendesse, em toda sua realidade, a importância:

    o impacto das relações horizontais fraternas NÃO HIERARQUIZADAS NO TRABALHO DIÁRIO DA PSIQUE: quer seja no Plano Individual, quer seja no Coletivo.

    /

    Uma afirmação, no entanto, de James Hillman no Mito da Análise, de 1972, em nota de roda-pé, apontava nessa direção, e hoje motiva este trabalho:

    “onde o interesse pela alma for soberano, um relacionamento assume mais a natureza do par irmão-irmã.

    Compare a soror na alquimia, e as denominações de ‘Irmão’ e ‘Irmã’ nas sociedades religiosas.

    (…) As implicações do problema familiar para a psicoterapia são óbvias:

    se o objetivo é fazer alma, então a igualdade da relação irmão-irmã deve ser soberana,

    caso contrário eros e psique não podem constelar.

    Paternalismo e Maternalismo tornam-se clinicamente doentios, se o alvo é fazer alma.”

    /

    PORÉM , a riqueza de imagens está lá: nos mitos, nos contos-de-fada, nas histórias, na literatura, na clínica.

    Castor e Pólux, Remo e Rômulo, Cain e Abel, Esaú e Jacó, Gilgamesh e Enkidu, Exú e Ogun, Apolo e Ártemis, Zeus e Hera, Osiris e Set, Antígona, Ifigênia e Eletra, as irmãs de Psiquê, a constelação e o signo de Gêmeos, a terceira Casa zodiacal: o território dos irmãos.

    Muito amplo nosso tema.

    Tenho, contudo, neste momento, apenas algumas perguntas, especulações incompletas, um livre pensar, livre perguntar, que passo então a formular:

    /

    1. Em primeiro lugar, a primeira pergunta, talvez a mais crucial:

    – qual então o verdadeiro impacto da função fraternal, constelada pela aparição simbólica do irmão, na individuação — esteja este irmão determinado literalmente por

    um laço de sangue ou não?

    Como esse irmão de alma — que é mais que simplesmente: O OUTRO: um estranho, a Sombra, o outro-sombreado — pode determinar,

    influenciar ou desenhar a maturação de minha individualidade e de minha ação no mundo?

    Quero pensar que o irmão, como o Outro Significativo, define, em níveis mais avançados do que aqueles: do influxo de pai e mãe…, –

    o meu estar no mundo, meu amor pelo mundo.

    Como, então, fazer-se sensível para estes níveis no trabalho da alma e no trabalho com a alma?

    Como diferenciar um arquétipo como este, o da Fratria, em seus aspectos formadores e deformadores?

    E isto a ponto de poder compreender o indivíduo a partir dele — de sua chave no corpo psíquico e no corpo político —

    sem “novamente” cair nos braços da Mãe e nas preocupações da origem?

    um bom começo pra entender Hillman e a análise desta Alice por Burton.

    /

    Para poder Avançar ainda mais , as mulheres agora devem libertar-se das correntes internas que as seguram ,

    e entrar no País das Maravilhas .

    /

    A primeira é o aspecto negativo do arquétipo da mãe , a mulher patriarcal que inflacionou sua cabeça com idéias repetitivas .

    Ela impõe dogmas , crenças não-questionáveis a suas crianças e a todos que estiverem à sua volta .

    O resultado é gente falsa e covarde .

    /

    Por causa dela , o Chapeleiro é Louco e todo Animus Criativo vive trancado nos banheiros das casas das famílias respeitáveis .

    /

    A Rainha Vermelha representa a consciência coletiva ,

    com inteligência tão encolhida quanto inchados são seus pensamentos manipuladores .

    Ela também mostra belamente a ambiguidade do amor :

    Em nome do amor, escorreu sangue nas guerras e lágrimas no desespero .

    [ que nem os doentes e os silícios …. – as adoradoras dos abismos negros – dos cristos ensanguentados – dos rituais a base de blásblásblás desintegradores . . . ]

    /

    penso que seja por aí.

    abraço
    (tio) Renato

    Comment by Renato — 28/05/2011 @ 6:03 AM

    • Hey Man!

      Sempre Hillman no país da Maravilhas !

      O caminho que atravessa o mundo é mais
      difícil de achar que o caminho que o transcende.
      Wallace Stevens,

      ——————-

      Não se acha a paz evitando a vida.

      Virginia Woolf

      ahahahah – Quem tem medo . . . de Virginia Woolf ?????

      ————————————

      in time :

      My best – http://www.ajudawp.com/wp-content/uploads/2010/06/Thank-you.jpg – pelo colírio… o Juan tá quase curado.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 29/05/2011 @ 2:49 AM

  8. Oi Fy, comecei ontem e terminei hoje.

    Semana que vem estou levando o tema para um debate de análise interpretativa em sala de aula.
    Ameeeeeei.
    E mulheres que correm com os Lobos?
    Também lí e acho indispensável discutir por aqui.
    Um beijo e agradeço.

    Comment by Marília — 28/05/2011 @ 6:43 AM

    • Muito legal Marília!

      Ah vamos fazer sim, – Oriah – Clarissa, tem uma vibe bem soul … – ondeia gostoso aqui no Wind.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 29/05/2011 @ 2:54 AM

  9. Aloha povo,

    Outra coisa interessante pragente dar uma olhada depois:

    There has also been much written about the adventures of Alice, but very little on its Occult leanings and those of its creator, Lewis Carroll (real name Charles Dodgson). This is shocking considering ‘Alice in Wonderland’ is one of the most mystical and surreal works in all of literature. Beyond its impact on modern culture and art, the book has influenced the Occult (Aleister Crowley required that his magicians read both ‘Alice in Wonderland’ and ‘Through a Looking Glass’).

    Beyond what appears to be a vibrant metaphor for a child’s view of the alien and often illogical world of adults, could Carroll have hidden Occult ideas in his classic?

    It is documented that Carroll was a member of the Society for Psychical Research, an organization founded by Anglican clergyman for the study of spiritualism, ESP, clairvoyance and all type of paranormal activity (members of its American branch included William and Henry James).

    In ‘The Annotated Alice’, Martin Gardner states that Carroll was a strong proponent of ESP and Psychokinesis. Carroll himself wrote that the mind could break through into the supernatural realms:

    ‘All seems to point to the existence of a natural force, allied to electricity and nerve-force, by which brain can act on brain. I think we close on the day when this shall be classed among the known natural forces, and its laws tabulated, and when the scientific skeptics, who always shut their eyes till the last moment to any evidence that seems to point beyond materialism, will have to accept it as a proved fact in nature.

    This is clearly echoed in ‘Alice in Wonderland’ where the caterpillar is able to read Alice’s mind.

    In ‘Through a Looking Glass’, Alice suddenly takes out a pencil and begins writing unintelligible words in a book before The White King. Gardner claims this scene was included because Carroll supported Automatic Writing (when a disembodied spirit is believed to seize the hand of a psychic) .
    This could possibly be the esoteric secret of Carroll’s famous riddle ‘Why is a raven like a writing desk?’ After all, ravens are symbolical messengers of the dead while Automated Writing (performed on a desk) is also communication with the dead.

    Lastly, Carroll is reported to have owned a large collection of books on the Occult .
    It’s surprising there is even this amount of evidence about his mystic interests and how they influenced his writings. Carroll was a Deacon for the Anglican Church, as well as a very private man who never granted interviews. And there is the mystery concerning the disappearance of his extensive diaries.

    TocaYo

    Comment by TocaYo — 28/05/2011 @ 7:25 AM

    • Olá pra todos!
      Que friozinho gostoso hein?

      ô bonitão, quanta coisa misteriosa em redor do LCarroll, não?
      Eu me lembro de que quando tomei conhecimento destas possibilidades pedófilas senti uma decepção tão grande, como se ele fôsse alguém conhecido, ou da família, rsrsrsrsrsrs
      Hoje, não me surpreendo, ele era diácono ou sei lá o que.
      Mas, de alguma forma sombreou meu encanto pela magia, pela genialidade dos contos de Alice.Fazer o que….
      bjinhos e até já, – agasalhos e botas, meninas – aqui tá frio pra caramba!
      Carolzinha

      Comment by Carolina — 28/05/2011 @ 10:44 AM

    • Outra coisa interessante pragente dar uma olhada depois:

      Well day breaks and life is as dark as the room
      The air is laced with sweet perfume
      What is it about morning light
      That makes everything feel alright

      sometimes….

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 29/05/2011 @ 2:25 AM

      • “Take care of the sense, and the sounds will take care of themselves.”

        And when the time is right, I
        Hope that you’ll respond
        Like when the wind gets tired
        And the ocean becomes calm

        agente olha depois.

        beijo menina,
        TocaYo

        Comment by TocaYo — 29/05/2011 @ 3:15 AM

  10. Fy, um confronto entre a análise psicológica que você apresentou do filme do Tim Burton tendendo para o lado de Hillman, e uma outra , que aproxima os contos de Lewis Carrol ao gnóstico Mito de Sofia e que seria a preferida pelos junguianos clássicos, como diz o post:

    A saga de Alice faz um impressionante paralelo com o mito da queda de Sophia :

    – Ambas, por curiosidade, tédio e desobediência, são jogados em uma dimensão existencialista (Alice – Wonderland / Sophia – The Chaos).

    – Ambas, muitas vezes perdem a direção e os sentidos e são ajudados por seres estranhos e trapaceiros (Alice – O Gato de Cheshire / Sophia – O Cristo Cósmico).

    – Ambas parecem criar criaturas bizarras para ter que superá-las (Alice : várias entidades, Jabberwocky é o exemplo mais famoso / Sophia : Jeová, que aparece para ela em forma de dragão).

    Ambas devem passar por testes de emoção e vontade para que possam retornar ao seu lar primordial (Alice-Inglaterra; Sophia-O Pleroma).

    – Ambas representam a busca gnóstica da alma caída em busca de auto-conhecimento que trará a restauração e a liberação da matéria corrompida (Alice deve resolver diversas adivinhações e frequentemente reflete sobre sua própria natureza / Sophia deve descobrir e pronunciar as orações direito para compreender a si mesma e seu lugar dentro do reino eterno, de onde se originou).

    – Ambas percebem que são parte do sonho de vida de um ultra-Ser Supremo (Alice : O Rei Vermelho / Sophia – O Espírito Virgin / Bythos).

    – Ambos têm nomes que representam grandes virtudes humanas (Alice significa ‘verdade’ / Sophia significa “sabedoria”).

    Mesmo o maior Evangelho Gnóstico dos últimos tempos, ‘The Matrix’, faz alusão a “Alice no País das Maravilhas”. Isso só acontece quando Morpheus (o deus dos sonhos) ensina Neo (o Jesus gnóstico) que ele não deve apenas acordar de todas as falsas realidades, mas também confrontá-las:

    ‘I imagine that right now, you’re feeling a bit like Alice. Hmm? Tumbling down the rabbit hole?’

    ‘This is your last chance. After this, there is no turning back. You take the blue pill – the story ends, you wake up in your bed and believe whatever you want to believe. You take the red pill – you stay in Wonderland and I show you how deep the rabbit-hole goes.’

    O engraçado é que o autor do texto no final pergunta :

    Ou será que Carroll acredita, (como acontece com Alice e Sophia), que os gnósticos apenas se jogaram em uma “toca de coelho” ? hehe

    É importante a ligação desta forma de interpretação com o último comentário do Renato, porque é evidente a crença numa entidade paternalista, soberana e sobretudo desumana e a via sacra entre sofrimentos e “testes” dos personagens em busca de se livrar ou libertar de sua condição de “humanos”, como se isto fose uma coisa menor e mal acabada.

    beijo a todos,
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 28/05/2011 @ 10:24 AM

    • – me passa este link ?

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 29/05/2011 @ 2:54 AM

  11. The Caterpillar and Alice looked at each other for some time in silence: at last the Caterpillar took the hookah out of its mouth, and addressed her in a languid sleepy voice.
    “Who are you? ” said the Caterpillar. This was not an encouraging opening for a conversation. Alice replied, rather shyly, “I—I hardly know, sir, just at present—at least I know who I was when I got up this morning, but I think I must have been changed several times since then.”
    “What do you mean by that?” said the Caterpillar sternly. “Explain yourself!”
    “I can’t explain myself, I’m afraid, sir,” said Alice, “because I’m not myself, you see.”
    “I don’t see,” said the Caterpillar.
    “I’m afraid I can’t put it more clearly,” Alice replied very politely, “for I can’t understand it myself to begin with; and being so many different sizes in a day is very confusing.”
    “It isn’t,” said the Caterpillar.
    “Well, perhaps you haven’t found it so yet,” said Alice; “but when you have to turn into a chrysalis—you will some day, you know—and then after that into a butterfly, I should think you’ll feel it a little queer, won’t you?”
    “Not a bit,” said the Caterpillar.
    “Well, perhaps your feelings may be different,” said Alice; “all I know is, it would feel very queer to me.”
    “You!” said the Caterpillar contemptuously. “Who are you?”

    BEIJO
    Marianne

    Comment by Marianne — 28/05/2011 @ 12:53 PM

  12. Boa tarde Windmills, Fy

    Maravilhoso!

    Uma garota sempre deve dizer o que pensa.
    Principalmente quando pensa.
    Principalmente porque pensa.
    Mais um para minha lista de leitura: James Hillman. Ninguem me aguenta!
    Um bom domingo.
    Sofia

    Comment by Sofia — 29/05/2011 @ 8:09 AM

  13. Muito legal,Fy. O Lewis Carroll foi amigo do Crowlley,Tocayo. Amanha vou ver se eu acho uma reportagem que eu guardei sobre isto e trago o link pra ca.

    Comment by RODRIGO — 29/05/2011 @ 10:06 AM

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