windmills by fy

06/08/2011

Face the World II

Filed under: Uncategorized — Fy @ 2:37 PM

 

 

 

 

Vodpod videos no longer available.

 

 

 

 

 

 

 

 

 –  ainda ,  surfando a vida com Spinoza  : [ uma arte … e tanto ! ]

 

 

Spinoza mostrou e deixou bem claro que nós não temos conhecimento do que pode um corpo

partindo do princípio de   Potência que Somos   e que desconhecemos nossa   Potência de Agir  .

E com isso , o mesmo raciocínio pode existir sobre o espírito [ Mente ]

e concluir que , assim como a  Potência de Agir  de um corpo é desconhecida por nós ,

a   Potência de Pensar   do Espírito  é  Inconsciente  para nós .

 

 

 

Inconsciente   que Spinoza fala   é   Potência de Pensar ,    > ele diz que Pensar é um Exercício , uma Força  >  e que é Inconsciente .

 

 

A Consciência apenas percebe essa Força ,   >  e a partir daí ,   >    ela é expressa  >   e se torna Consciente .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Spinoza diz que  : exercer a Potência do Corpo  é  exercer igualmente a Potência de Pensar .

 

 

Com isso para ele não há diferença entre       Agir e Pensar  ,     Agir e Pensar   > andam sempre juntos ,

podemos exemplificar isso com a seguinte frase :

 ” Diga-me como tu pensas que lhe direi quem és ” .

A maneira de ser de alguém é  nada mais que o que chamamos de  alma ou  espírito desse alguém .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A distinção está na composição da matéria .

Os Corpos então se compõe e se distinguem nas Relações ,

–  Relações estas que são eternas assim como as partículas que as constitui ,

onde o que é durável e precário são os compostos , as composições entre corpos .

 

 

Esses corpos, compostos de partículas infinitamente pequenas podem , a partir do tipo de Encontro e de Relação , compor ou decompor algo .

 

 Vodpod videos no longer available.

 

 

Então ele acrescenta que a Potência de Qualquer Coisa possui um poder de ser preenchido ,

que ele chama de:  

Poder de ser Afetado ;  que se dá nas Relações .

 

 

Relações estas de  :   Movimento – Repouso  ,   Velocidade – Lentidão .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esse Poder de ser Afetado é sempre preenchido por Relações que são  :

Afecções   e   Afetos .

 

 

 

 

 

                                Quando um    Corpo  X      age sobre outro   Corpo  Z   ,

                                o  Corpo  X    produz uma marca   :    um traço no Corpo ,

 

                               Z     foi afetado por   X    –      essa marca no Corpo    é uma    Afecção .

 

 

 

Com isso , Spinoza passa a acrescentar uma nova definição do Corpo onde ele diz que :

um Corpo se define pela :  capacidade de ser afetado .

Essa capacidade é altamente variável , de acordo com a forma como agimos diante desse Afeto ,

e com isso, esta capacidade  é capaz de alterar o grau de nossas Potências de Agir e de Pensar .

 

 

Para nos relacionarmos precisamos de Encontros  

 

 

 

e Spinoza diz que a Ética consiste em : nos esforçarmos  na Organização desses Encontros para que eles sejam Positivos .

.

 

 

Michel Pastoureau , historiador da simbólica ocidental na École pratique des Hautes Études ,

 nos lembra que uma cor nunca existe só :

ela só adquire seu sentido e só funciona plenamente na medida em que está associada ou oposta a uma ou várias outras cores .

.

 

 

 

Afeto  é então definido como uma variação intensiva , uma quantidade intensiva :

que está diretamente relacionada com o :  Aumento ou Diminuição das nossas Potências .

.

 

Spinoza nos fala de dois Afetos , ou paixões primárias da alma , que são :

Alegria    e  a    Tristeza .

 

 Vodpod videos no longer available.

 

 

A   Alegria   é o   Afeto   que aumenta nossa Potência de Agir  ,

–  seria uma variação intensiva positiva  >  para   Mais .

.

.

Já  a  Tristeza é o afeto que faz com que aconteça uma   diminuição da nossa   Potência de Agir .

 

 

 

 Podemos dizer então que a  Alegria  está ligada  à   Expansão ,

e a  Tristeza   ao   Constrangimento .

Os outros afetos variam desses dois .

 

 

 

Isto não significa que nos tornemos bobos alegres ,

mas que procuremos sempre pela Expansão e pela Alegria .

Em nós e ao nosso redor .

.

.

.

 

A nossa resposta a esses Afetos é o que vai diferenciar se estamos agindo passivamente :

apenas reagindo à afecção que o outro nos causou ,

 

ou ativamente :  levando-nos a refletir dentro da Relação , tentando Entendê-la ,

e fazer do Encontro algo produtivo que faça a Expansão de todos os Corpos dentro dessa relação ,

compondo Verdadeiramente : uma Relação .

 

 

Isso é o que Spinoza chamaria de um Bom Encontro .

 

 

 

 

 

FONTES :

Spinoza

Paula Godoy

Piaget

Humberto Maturana

Francisco  Varela

 

 

Fy

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                                                                                  

30 Comments »

  1. Espinosa bem sabia que nem todo mundo pode fazer filosofia. Fazer filosofia tem uma causa; não fazer, também. Uma das causas da não-filosofia é que a regra, em uma sociedade, é antes a superstição, a servidão e a obediência, em vez do conhecimento, da liberdade e da compreensão.(André Scala)
    Excelente,Fy, pena que os “bons encontros” se tornaram bons conluios de políticos safados.

    Comment by Rodrigo — 07/08/2011 @ 8:26 AM

    • Uma das causas da não-filosofia é que a regra, em uma sociedade, é antes a superstição, a servidão e a obediência, em vez do conhecimento, da liberdade e da compreensão.(André Scala)

      Rodrigo, me diz : quando foi q a superstição – a servidão e a obediência não provocaram catástofres ao longo de toda a história ?

      Ou qdo uma não foi o mais deslavado sinonimo da outra ?

      Eu presumo, q estes conluios não gerem “bons-encontros” > apesar de concordar que seus efeitos trágicos e negativos só se manifestem com o tempo. Aí…. disfarça-se…. ou cínicamente reconhece-se q não havia nada de bom.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 09/08/2011 @ 5:43 AM

  2. Fy,

    Parabéns pelo post, uma delícia de leitura e reflexão…

    ” Podemos dizer então que a Alegria está ligada à Expansão , e a Tristeza ao Constrangimento.”

    Uma vista tão simples e ao mesmo tempo tão profunda, que guarda em si uma verdade inocente e geralmente inobservável pela mecânica do raciocínio imediato.

    O que dizer de um pensador que afirma que só a alegria é boa, exatamente porque é ela o caminho que nos leva ao amor, precisamos de mais Espinosa e menos lideres religiosos que confundiram amor com submissão…

    Abraços,

    Marques Patrocínio

    Comment by Marques Patrocínio — 07/08/2011 @ 4:48 PM

    • Oh Marques, vindo de vc é um elogio muito importante.

      precisamos de mais Espinosa ! > nas veias, na alma, no coração!

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 09/08/2011 @ 5:46 AM

  3. Ôopa amigo Marques, é uma satisfação vê-lo por aqui e uma oportunidade pra elogiar o Culto de Sophia. Não tenho sentado e tomado do seu wisky por pura falta de tempo, mas jamais por falta de inclinação aos bons efeitos. Embora não tenha comentado, não perco suas publicações.

    Fy, excelente trabalho!
    E sobretudo agradabilíssimo de ler e absorver. Bom encontro! E realmente deliciosa reflexão. Nua e sem mentiras.

    Volto a comentar no final deste domingo que aliás chega a estar desaforado de tão lindo! Não dá pra perder o por do sol!

    beijo a todos
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 08/08/2011 @ 8:42 AM

    • Foi mesmo. Que dia lindo !

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 09/08/2011 @ 5:53 AM

  4. Aloha!

    beleza de domingo mesmo Gustavo! uma fotografia.

    é, de uma variante entre urano e urano, neonizando assim gostoso um espetáculo habitado por cores de além do alem, só poderia mesmo brotar uma aula de filosofia cheia de montanha e mar.bom encontro,Fy. bom encontro, sim.

    surfar com Spinoza é se misturar com a vida, compreender os impulsos dos encontros. perceber na pele e na alma a hora de imergir, de submergir, sacar e então saber usar a força das correntes que te lançam nas direções do coração, dropar um 360 e escorregar na manha de algum backside do derepente.

    compreender a velocidade e a lentidão.

    é a voz do instinto cantando no corpo, e o corpo dançando o ritmo do coração, deve ser o que faz a mente fluir.

    levar isto pra todos os sentidos da vida, ondear todas as suas escolhas, entender a cadência das marés, estar em suas forças, usá-las a seu favor, o que significa intrinsicamente: não distorcê-las, nem teme-las é pra lá de um bom encontro. é viver sabiamente.

    Spinoza além de lustrar lentes, o que por si é só: significativo demais, era um juaqueiro fudido.

    beijo bom menina,…do TocaYo🙂

    abraço aê

    Comment by TocaYo — 08/08/2011 @ 9:36 AM

    • levar isto pra todos os sentidos da vida é ser sábio sim.

      é ser bailarino!

      Vou esclarecer o q é juaca ou juaqueiro, depois de te perguntar : é o surfista que “entuba” [ surfa um tubo ] mto bem. – se eu ñ entandí, esclareça….

      um beijo mto bom … menino … da Fy.

      Comment by Fy — 09/08/2011 @ 6:12 AM

  5. No aforismo 276 da Gaia Ciência, Nietzsche define: “Amor fati (amor ao destino): seja este doravante, o meu amor. Não quero fazer guerra ao feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que a minha única negação seja desviar o olhar! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diz Sim!”
    Assim, como visão trágica de vida, o amor fati é uma postura de amar o acaso e um dizer sim à vida como um todo, não a separando em coisas boas (a serem aproveitadas) e ruins (a serem corrigidas).
    Tudo o que deveria ser “corrigido” ou “consertado” não pertence ao pathos da tragédia, não pertence ao modo de perceber tragicamente o todo.
    Amor fati é amar tudo que foi, é, e será, sem excluir nada. Para quem vê o mundo através do amor fati, nada é um defeito na existência. Esta visão de partes do todo a serem consertadas como defeito deriva do cientificismo, que invoca a postura de colocar o homem como controlador, explorador e aprimorador da natureza.
    Não se trata de resignação, de aceitar tudo (até os “erros”) passivamente. É uma nova perspectiva, difícil de ser percebida por nós, tão acostumados a divisão de tudo entre bem e mal, acerto e erro.
    O próprio Nietzsche liga a resignação à felicidade dos fracos no primeiro aforismo de “O Anticristo”:
    “(…) ficávamos o mais longe possível da felicidade dos fracotes, da ‘resignação’…”
    Incapaz de se ver como Ativo e Criador No Mundo, o que resta ao Fraco é resignar-se com o que aparece (mesmo achando errado ou injusto), esperando, algumas vezes, uma recompensa futura por este sofrimento (nem que seja após a morte).
    Suportar, como o camelo das três transformações de “Assim falou Zaratustra”, o peso que lhe é imposto e ainda orgulhar-se dele. hehehe
    Isso está longe do Amor Fati de Nietzsche.

    A tremenda diferença está aqui:

    O resignado pensa que “ele” , o mundo e a vida tem defeitos a serem corrigidos, mas se vê incapaz de consertá-los, e os aceita, triste.
    O amor fati é afirmar a vida como ela é, querendo-a totalmente em todas as suas expressões e formas, de forma alegre e firme.

    Dos resignados é que as políticas de submissão , todas elas “religiosas” , necessitam.

    Os “resignados” são “plantados” como se planta grama para alimentar os bois.

    Espetaculo de trabalho,Fy. O vídeo do surfe e o desenho são aforismos fantásticos.
    Isabel

    Comment by Bel — 08/08/2011 @ 10:05 AM

    • A tremenda diferença está aqui:

      O resignado pensa que “ele” , o mundo e a vida tem defeitos a serem corrigidos, mas se vê incapaz de consertá-los, e os aceita, triste.
      O amor fati é afirmar a vida como ela é, querendo-a totalmente em todas as suas expressões e formas, de forma alegre e firme.

      Dos resignados é que as políticas de submissão , todas elas “religiosas” , necessitam.

      Os “resignados” são “plantados” como se planta grama para alimentar os bois.

      ———————

      Incrível, não é Bel?

      e… como eles ficam contentes…. a “curto-prazo” > pq o resultado sempre acaba por aparecer, com suas verdades… estas sim, indubitáveis.

      Thanks!

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 09/08/2011 @ 6:16 AM

  6. E como agente perde tempo e se machuca nos encontros errados!Beijo, bons encontros, bom domingo. Marília

    Comment by Marília — 08/08/2011 @ 11:12 AM

    • Sabe Marília, às vzs os encontros errados são lições tão poderosas q acabam desenhando bons encontros.

      de verdade!

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 09/08/2011 @ 6:20 AM

  7. Boa noite Windmills, Fy, já estava com saudades.
    Adorei cada frase. E é claro que existem encontros que diminuem, pra não dizer, arrasam com nossas potências. Não só a de pensar, mas a de agir, e até a de sonhar.
    Eu acho que trabalhar a auto-estima, a certeza do que se é, ou melhor, a certeza de que temos potencial suficiente para realizarmos nossos sonhos, atingirmos nossas metas, é o único antídoto para estes encontros que contaminam e nos enfraquecem.
    Mas é doloroso pensar o quanto estamos sujeitos a eles e quantas vezes somos incompetentes na hora de nos precaver.
    Spinoza é uma vacina, não é?
    Bom domingo,
    Sofia Mastrada

    Comment by Sofia — 08/08/2011 @ 1:04 PM

    • Oi Sofia, eu tb tava com saudades!
      É q às vzs o tempo fica tão ocupado, q embora agente já tenha uma idéia é difícel sentar e dispor do tempo necessário pra elaborar o post.

      ————————————

      é claro que existem encontros que diminuem, pra não dizer, arrasam com nossas potências. Não só a de pensar, mas a de agir, e até a de sonhar.

      pois é, e quem é q já não topou com um traste de encontro assim?

      às vzs acontece sem-querer > por falta de malícia ou por não termos maldade , e em consequência … anti-corpos contra ela.

      Mas o importante é permanecer alerta, prestar atenção no corpo, nas sensações > deixar q eles contem pra gente os sintomas incômodos qdo ocorrem estas “proximidades”.

      Respeitá-los > penso.

      bjs
      Fy

      Comment by Fy — 09/08/2011 @ 6:27 AM

  8. “Há metafísica bastante em não pensar em nada.

    O que penso eu do mundo?
    Sei lá o que penso do mundo!
    Se eu adoecesse pensaria nisso.

    Que idéia tenho eu das coisas?
    Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
    Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
    E sobre a criação do mundo?
    Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
    E não pensar. É correr as cortinas
    Da minha janela (mas ela não tem cortinas)

    O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!
    O único mistério é haver quem pense no mistério.
    Quem está ao sol e fecha os olhos,
    Começa a não saber o que é o sol
    E a pensar muitas coisas cheias de calor.
    Mas abre os olhos e vê o sol,
    E já não pode pensar em nada,
    Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
    De todos os filósofos e de todos os poetas.
    A luz do sol não sabe o que faz
    E por isso não erra e é comum e boa.

    Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores
    A de serem verdes e copadas e de terem ramos
    E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
    A nós, que não sabemos dar por elas.
    Mas que melhor metafísica que a delas,
    Que é a de não saber para que vivem
    Nem saber que o não sabem?

    “Constituição íntima das coisas”…
    “Sentido íntimo do universo”…
    Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
    É incrível que se possa pensar em coisas dessas.
    É como pensar em razões e fins
    Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
    Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

    Pensar no sentido íntimo das coisas
    É acrescentado, como pensar na saúde
    Ou levar um copo à água das fontes.
    O único sentido íntimo das coisas
    É elas não terem sentido íntimo nenhum.

    Não acredito em Deus porque nunca o vi.
    Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
    Sem dúvida que viria falar comigo
    E entraria pela minha porta dentro
    Dizendo-me, Aqui estou!

    (Isto é talvez ridículo aos ouvidos
    De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,
    Não compreende quem fala delas
    Com o modo de falar que reparar para elas ensinar)

    Mas se Deus é as flores e as árvores
    E os montes e sol e o luar,
    Então acredito nele,
    Então acredito nele a toda a hora,
    E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
    E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

    Mas se Deus é as árvores e as flores
    E os montes e o luar e o sol,
    Para que lhe chamo eu Deus?
    Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
    Porque, se ele se fez, para eu o ver,
    Sol e luar e flores e árvores e montes,
    Se ele me aparece como sendo árvores e montes
    E luar e sol e flores,
    É que ele quer que eu o conheça
    Como árvores e montes e flores e luar e sol.

    E por isso eu obedeço-lhe,
    (que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
    Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
    Como quem abre os olhos e vê,
    E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
    E amo-o sem pensar nele,
    E penso-o vendo e ouvindo,
    E ando com ele a toda hora.”

    Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa), in “O Guardador de Rebanhos” – Poema V

    BEIJO
    Marianne

    Comment by Marianne — 08/08/2011 @ 1:36 PM

    • ah … como é lindo este deus ….

      Salve Pessoa!

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 09/08/2011 @ 6:44 AM

  9. Complementando mais um pouco :

    O objetivo da Filosofia para Espinosa é a Felicidade, a paz de espírito como: efeito do conhecimento.

    Esse conhecer, para ele, se dá sempre através das causas. Assim chegamos ao conceito de deus ou natureza, como causa primeira de todas as coisas.

    Esse deus spinozista não é o padrão judaico-cristão, mas seria , ao contrário , um deus não transcendente, e sim a substância infinita que se mostra em modos ou atributos em Tudo que existe.

    ATRIBUTO seria uma forma de ser que contém a essência da substância,
    enquanto MODO seria um efeito ou modificação da substância.

    Por exemplo, a extensão e o pensamento seriam dois desses modos.

    Entre todos esses modos, há um princípio de paralelismo como diz o post : se um corpo A afeta um corpo B (extensão), por exemplo, há uma idéia desse corpo A afetando a mente de B (pensamento).

    Contudo, não podemos esquecer que Spinoza viveu em 1632 – 1677 e se desenvolveu em uma cultura extremamente religiosa , absolutamente judaica . E tudo o que fez foi desmistificar um conceito da carochinha que emprestava , e empresta, a algum ser sobrenatural , todas as características e delírios humanos, afirmando-o como natureza , apenas Natureza , por mais que se queira bordar e com isso “alterar” seus princípios e sua filosofia.
    Desta forma o que ele identifica como “deus” é por ele denominado “Natureza naturante”, enquanto os infinitos modos são a “Natureza naturada”.
    Há uma diferença entre essas naturezas, mas NÃO : uma separação.

    Na sua obra principal, Ética demonstrada à maneira dos geômetras, Spinoza desvenda os mecanismos que explicam a origem, a natureza e a força dos afetos e constrói uma verdadeira ciência da afetividade humana.

    Para ele, alegria, tristeza, desejo, amor, ódio e todos os demais sentimentos humanos, têm causas determinadas e efeitos necessários dignos de conhecimento.

    Conhecer as verdadeiras causas dos mecanismos afetivos, a que estamos submetidos, permite elaborar uma técnica para dominar as paixões e diminuir os efeitos naturalmente obsessivos.

    Assim, Spinoza expõe na terceira parte da Ética um estudo sobre os afetos humanos e demonstra que estes se baseiam principalmente no CONATUS(esforço em latim), “Toda coisa, enquanto está em si, se esforça por perseverar no seu ser.”(Ética III, prop.6), este esforço de nossa essência em perseverar na existência é o próprio conatus.

    Conatus é a essência atual do corpo e da alma, sendo uma força interna para existir e conservar-se na existência,é uma força interna positiva ou afirmativa, intrinsecamente indestrutível, pois nenhum ser busca a auto-destruição.

    Possui assim, uma duração ilimitada, até que causas exteriores mais fortes e mais poderosas o destruam. Definindo corpo e alma pelo conatus, Spinoza faz com que sejam essencialmente vida, de maneira que, na definição da essência humana, não entra a morte. A causa da morte de um corpo nunca pode estar no próprio corpo, sendo sempre algo exterior a ele.

    beijo a todos
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 09/08/2011 @ 4:14 AM

    • Gustavo…. sempre Gustavo!

      Sabe q eu achei uma palestra deliciosa do Deleuze explicando Spinoza?

      Fiquei na dúvida de publicar, … seria legal pra Lótus, q se interessou por ele, e esta tá com todo aquele estilo gostoso, informal, tão dele.

      Mas não fica Spinoza demais ?

      êta 2ª brava ! Kd o tempo lindo ?

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 09/08/2011 @ 6:47 AM

      • Publica, por gentileza. Com certeza deve ser uma palestra maravilhosa.

        Comment by Mia — 09/08/2011 @ 7:40 AM

  10. Oi Mia, concordo com voce. Publica, sim, Fy.
    Como disse o Marques lá em cima, mais que nunca o mundo precisa de Spinoza.
    E imagine “explicado” por Deleuze.
    Go on! hahaha, go on!

    beijo todos
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 09/08/2011 @ 10:44 AM

  11. Oi todos, amei os comentários, e Fy claroque Spinoza não enjoa, fiquei curiosa!
    bjinhos
    Ju

    Comment by juliana — 10/08/2011 @ 9:39 AM

  12. Faço coro, publique!
    Tô adorando os videos de entrée de Deleuze, pode servir com Spinoza também =)

    Agora, sobre o comentáro do Guz aí em cima, Spinoza não reconhece uma possível ausência, ou diminuição significante, de conatus na experiência humana em Ética? Há muito no comportamento humano que pode ser (pelo menos assim me parece) direta ou indiretamente autodestrutivo e imagino se isso não se extende às condições que permitem a alguém destruir a vida do outro sem motivação de autopreservação (ainda mais considerando que geralmente essa dissociação não é percebida nem pelos próximos nem pela própria pessoa).
    Como explicar a vontade plena de uma pessoa de extinguir absolutamente a existência de uma outra (ou de si mesma) e tudo que ela própria e suas características significam, sem um contexto ideológico ulterior?

    Comment by Lotus Eater — 13/08/2011 @ 12:47 PM

    • Oi Lótus vamos lá, nesta segunda braba, chuvosa e bem morna,

      Conatus em Espinoza , ou a essência de todo ser é o “esforço por perseverar em existência”.
      O planeta Terra, por exemplo, tem uma força própria de tentar se manter em sua órbita; idem para os outros astros. (princípio da inércia – todo corpo tende a se manter em movimento: a não ser que seja contrariado por outro)

      As partes da natureza interagem eternamente. os astros surgem, desaparecem, aparecem milhõs, bilhões de outros, mas a natureza continua a mesma: uma potência infinita de existir que se manifesta de infinitas maneiras.

      Por isto afecções são modos da substância (potência infinita de existir). Não tem como não ser. O homem é um parte da natureza e está determinado a interagir com as demais. O homem também é esforço por perseverar em existência.

      “é impossível que o homem não seja uma parte da natureza e não sofra mudanças…” Spinoza.

      Portanto somos como um barco levado para um lado e para outro por ondas. Não temos como escapar desta condição. MAS temos a grande e tão indispensável quanto letal alternativa que é conhecer bem o mar (a natureza), conhecer o que podemos e o que não podemos.
      Ou seja : O Conhecimento.

      Isto é tão óbvio, Lótus quanto é obvia a ‘manipulação’ do mesmo.

      Infelizmente, algumas ‘manifestações de potência’ são mais poderosas que outras. O que não significa que consideremos esta avaliação através de parâmetros entre o Bem e o Mal.

      A possibilidade da escolha, que me parece ter sido a motivação do tema, desde o Face the world l e, Fy, me corrija se interpretei errôneamente,é justamente a grande questão!

      Até onde podemos ou temos condições de “escolher” os Encontros e suas affecções.

      O que Spinoza quer dizer é que a natureza sendo uma potência infinita de existir não produz apenas as coisas que sejam úteis a conservação do ser humano.

      Até onde temos possibilidades de “reagir” positiva ou negativamente a esta influência tão óbviamente exposta em Spinoza?

      Claro, através do Conhecimento?
      Sem dúvida. Mas, relevando a importância de sua pergunta: Justamente este fator, o Conhecimento, é a grande ferramenta de manipulação.

      Estamos discutindo isto de uma forma confortável em relação às diversas realidades espalhadas ao nosso redor, pelo nosso globinho a fora.

      Mas, analisando o problema de uma forma mais universal, eu diria ou insistiria que a maldade é justamente o fruto ‘semeado’ e ‘cultivado’ por “affecções” produzidas com esta finalidade.

      Num mesmo laboratório produzimos remédios e venenos, com a mesma eficácia.

      A Natureza: amoral, funciona da mesma forma.

      Então parto do princípio que a questão é mais em relação a uma postura da Humanidade, e na minha opinião mais direcionada a ‘ela’ do que ao ser humano individualmente.

      Não podemos esquecer por exemplo, que um homem-bomba é um admirável exemplar dos “seguidores de Alá”.

      Onde foi que perdemos a noção de Vida, Bem, Mal,etc?

      Fabricamos conceitos… – há: manipulação.

      Há leis inventadas, ‘criadas’ e anti-naturais. O “instinto” natural ou inerente… o conatus, por si mesmo, muitas vezes se submete a estas leis por “sómente” ter acesso a elas, ou por não “poder” vencê-las em seu movimento ou impulso natural de “permanecer”.

      beijo a todos,
      tio Guz

      Comment by Gustavo — 16/08/2011 @ 1:41 AM

      • Guz, adoro teus comentários!!!

        Comment by Mia — 16/08/2011 @ 9:15 AM

        • E eu adoro que voce adore, Mia.

          beijo a todos
          tio Guz

          Comment by Gustavo — 17/08/2011 @ 11:41 AM

      • Ah sim, eu estava pensando “pequeno” em relação ao conatus, limitando-o à experiência humana =P
        Nesse caso, nossa morte, por qualquer que seja o motivo, é indeferente ao conatus da natureza de que somos parte, pois ocasiona uma transformação de matéria (e consequentemente de potências) que afetam sua forma, mas não sua substância, da qual a morte é constituinte, afinal.

        Imagino se somos o único tipo de consciência cujas potências podem subjugar o conatus de sua natureza.
        Pelo menos no nosso espacinho no universo, somos a única espécie capaz de manipulação e suicídio. Uma casualidade, enfim, de nossa imensa potência.

        Comment by Lotus Eater — 16/08/2011 @ 12:42 PM

        • 5 linhas sensacionais, Lotus Eater.

          beijo a todos
          tio Guz

          Comment by Gustavo — 17/08/2011 @ 11:40 AM

  13. Lotus e Gustavo, é bem por aí.
    Transformar o Mundo num mundo desagradavel, feio, incompleto onde não somente as pessoas mas também os poderes estabelecidos têm interesse em nos comunicar afecções tristes, produzindo medo e insegurança é a tal da manipulação.
    A tristeza, os afectos tristes, são todos aqueles que diminuem a nossa potência de agir.
    Os poderes estabelecidos precisam das nossas tristezas para fazer de nós escravos.
    O tirano, o padre, os ladrões de almas, necessitam de nos persuadir de que a vida é dura e pesada. Os poderes precisam menos de nos reprimir do que de nos angustiar, ou como diz Virilio, de administrar e organizar nossos pequenos e íntimos terrores.
    A longa lamentação universal sobre a vida: a falta-de-ser que é a vida… podemos dizer “dancemos”, que nem por isso ficamos alegres.
    Podemos dizer “que desgraça é a morte”, mas era preciso que tivéssemos vivido para termos algo a perder.
    Os doentes, tanto da alma como do corpo, não nos darão descanso, são vampiros, enquanto não nos tiverem comunicado a sua neurose e a sua angústia, a sua querida castração, o ressentimento contra a vida, o seu imundo contágio.
    Tudo é uma questão de sangue.
    Não é fácil ser um homem livre: fugir da peste, organizar os encontros, aumentar a potência de agir, afectar-se de alegria, multiplicar os afectos que exprimem ou encerram o Máááximo de Afirmação.

    Comment by Renato — 16/08/2011 @ 3:58 AM

  14. Este comentário tá vivo, sai saltando antes dagente terminar!
    beijo aê pra todo mundo
    (tio) Renato

    Comment by Renato — 16/08/2011 @ 3:59 AM

  15. Boa Noite Windmills, Fy,

    O que será que ainda vai sair desta caixinha de surpresa?
    Vou comentar uma coisa com voces. Espinoza com certeza nos marca por conseguir engendrar um conceito de Deus que não confronta ou nega a Ciencia sob nenhum aspecto e que por sua vez não é negado por ela.
    Corrijam-me se esta opinião é errada, pois é assim que consigo entender.
    Diante de tantas comparações lógicas entre o poder político, o poder econômico e o poder religioso, tudo farinha do mesmo saco, Espinoza dá um salto, uma virada de 380 graus.
    beijo
    Sofia Mastrada

    Comment by Sofia — 17/08/2011 @ 2:17 PM


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Blog at WordPress.com.

%d bloggers like this: