windmills by fy

19/08/2011

A Tristeza é Fascista

Filed under: Uncategorized — Fy @ 1:55 PM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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                                       –  e porque  Eu Amo Muito  Tudo  Isso

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Eu tinha entre 16 e 17 anos , era órfão e fodido  ( no sentido financeiro do termo , bem entendido ) 

e via-me forçado a trabalhar e estudar , dobradinha que um jovem dessa idade

geralmente suporta a contragosto – o que é bastante compreensível ,

já que nessa fase da vida o trabalho costuma ser alienado  ( no sentido que o barbudão dá a esse termo ) ,

e os estudos, quase que inteiramente desinteressantes .

Para piorar as coisas , havia me intoxicado com todo o Sartre que era capaz de digerir

e tudo era náusea e morte na alma .

Em resumo: além de ser jovem , ou seja , escravo das condições exteriores ,

eu ainda cultivava cuidadosamente minha tristeza ;

tristeza que nem mesmo era a minha , já que bem lá no fundo eu ardia numa alegria fatal e inexplicável , mas a do mundo .

 

Foi então que li em algum lugar , provavelmente no Pasquim ,

uma frase de Glauber Rocha que deu um nó na minha cabecinha : a tristeza é fascista .

 

 

Qualquer fã mais ardoroso da lógica teria rejeitado imediatamente

esse curto-circuito insólito entre sentimento e política ,

mas eu sequer tive tempo de acionar minhas defesas lógicas .

Aquilo simplesmente fez sentido , embora eu não tivesse a mínima idéia do porquê .

Não entendi nada , mas isso pouco importava , já que aquilo me dizia respeito .

 

Trinta anos se passaram e eu jamais esqueci essa frase .

Hoje eu sei que Glauber era um gênio . Hoje eu saberia explicar essa frase com minúcias de amanuense ,

o que por sorte é totalmente desnecessário já que o nível dos meus parcos leitores é pra lá de alto .

Hoje , escrevendo sobre uma das aulas de Deleuze sobre Spinoza  ( que será publicada em breve em webdeleuze ) ,

pensei em usá-la no meu texto e fui procurá-la no Google , quase que por nada ,

quase como quem diz  ” vejamos o que conseguem dizer os outros sobre a frase que me pertence ” .

 

Encontrei uma única referência .

É isso mesmo : em toda a Internet , só encontrei essa frase em um único lugar ,

lugar esse que está muito longe de ser um lugar de destaque :

ela está num blogue ,

perdida entre os comentários a uma nota circunstancial já sem qualquer interesse  ( se é que chegou a ter algum na época ) .

O blogue se chama triagem e eu mesmo a havia escrito .

http://triagem.blogspot.com/

 

 

Agora a busca passará a dar dois resultados .

E eu ficarei a me perguntar por que diabos eu fui o único a reter essa frase durante todo esse tempo .

Pensando bem , acho que vou apagar ambas as referências e relançar a frase como sendo minha .

É possível que na minha adolescência eu tenha sonhado que era Glauber sonhando um filme sobre um filósofo holandês no Maranhão .

 

 

P.S. –  É, eu sei que o prezado leitor não vai resistir à tentação de fazer ele mesmo sua busca no Google .

Já que é assim , lembre-se de que tristeza –  e –  fascista tem aos montes por aí .

Use aspas para procurar a frase exata :

 “a tristeza é fascista”.

 

P.S. II – Lembre-se de que será imensamente fácil achar todos os que copiarem a frase por aí . . .

Se quiser usar , pague !

Eu só não sei , a essa altura , a quem pertencem os royalties . Na dúvida , mande-os para mim .

 

P.S. III – Informação útil para os que não me conhecem : o P.S. II é uma blague . Mas mande os royalties assim mesmo .

 

P.S. IV –  “Maranhão” também quer dizer ” mentira engenhosa ” , o que obviamente nada tem a ver com o relato acima .

 

Francisco Fuchs

 

 

Fy

 

14 Comments »

  1. Agora são 4, tá melhorando.

    E em contraste ao ritmo da Madonna, algo mais relax que eu estive ouvindo durante a leitura e que eu acho casa muito bem com o tema, The Reign Of Kindo =)

    Comment by Lotus Eater — 19/08/2011 @ 5:53 PM

    • Oh Lótus q coisa tão linda !- e eu nem conhecia …

      Claro q casa com o tema.

      Olha… [ pensando cá com meus ciclones uranianos, sempre na dúvida de q serão compreendidos ] casa sublimemente [ uau : tá certo isso ? ] com o link do Marques Patrocínio que eu coloquei.

      Lá ele faz uma citação de Fichte q dá um beijo nestas estrofes aqui :

      Soon we part from this place that makes us whole
      Take this in
      Take it with you when we go

      All too soon we will be pulled away
      So opposed to our pleasure to stay
      We must treasure all we find
      We behold the enchanted and reconcile our souls to light

      Fichte:

      “This Being out of God cannot, by any means, be a limited, completed, and inert Being, since God himself is not such a dead Being, but, on the contrary, is Life; — but it can only be a Power, since only a Power is the true formal picture or Schema of Life. And indeed it can only be the Power of realising that which is contained in itself — a Schema.”

      “Thus then does the Doctrine of Knowledge, which in its substance is the realisation of the absolute Power of intelligising which has now been defined, end with the recognition of itself as a mere Schema in a Doctrine of Wisdom, although indeed a necessary and indispensable means to such a Doctrine: — a Schema, the sole aim of which is, with the knowledge thus acquired, — by which knowledge alone a Will, clear and intelligible to itself and reposing upon itself without wavering or perplexity, is possible, — to return wholly into Actual Life; — not into the Life of blind and irrational Instinct which we have laid bare in all its nothingness, but into the Divine Life which shall become visible to us.”

      Doctrine of Knowledge – Fichte

      bj [ tem mais ? traz pra cá! hahahaha ]
      Fy

      Comment by Fy — 20/08/2011 @ 3:17 AM

      • Haha, sim, dá muitíssimo certo. E um algo a ver com o lance do propósito lá no Deleuze III… “realizing that which is contained in itself”… que é Vida =) Um propósito mais do que suficiente…. if done right.

        E se tem mais? Nossa, eu recomendaria fácil o catálogo todo.
        Fui vê-los ontem em SP e ralou no litmite do quanto é possível ser incrível.

        Mais duas, pode? =P

        Comment by Lotus Eater — 22/08/2011 @ 3:21 AM

        • Muito bom mesmo, Lotus.

          Eu também não conhecia.

          Pra um final de domingo friorento, muito vinho, ó, taí outro beijo bem dado!

          beijo aê,
          (tio) Renato

          Comment by Renato — 22/08/2011 @ 11:46 AM

  2. Bom som, Lotus, mutcho bom.

    Vamos lá na Tristeza, não na do Poeta, não é nessa Tristeza ou neste tipo de emoções que o Spinoza caminhou.

    E eu vou falar de outro afecto; o afecto Triste do Terror , pra fazer juz às palavras do filósofo e observar um outro tipo de afecto triste, aquele que produz a Indiferença.
    Malandro e, claro, expert em política, o tal do Terror, tremenda ferramenta , age de forma safada numa estratégia ardilosa, múltipla, repleta de armadilhas e maquinações – é uma forma de capturar a indiferença, convertê-la em oposição: o indiferente vira um inimigo.
    Obviamente não existe uma indiferença pura, não se pode ser indiferente a tudo – sempre se é indiferente em relação a algo. Lembrando, na fase jacobina da Revolução Francesa, aquele que não era nem revolucionário nem contra-revolucionário (ou seja, indiferente em relação à revolução) era enquadrado como inimigo, como contra-revolucionário.
    Me lembrei deste a parte, pq é legal salientar que o Spinozismo não é apenas uma maneira romântica de se encarar a vida.
    é um papo pra lá de sério, e importante.
    A Alegria é uma contravenção, huahuha
    abraço aê
    beijo, menina

    Comment by TocaYo — 20/08/2011 @ 4:55 AM

    • Falaê TocaYo,
      Mas vamos mais fundo, véio
      O medo é uma palavra importante aqui: como dizia o bom Spinoza, trata-se de uma tristeza incerta ,tipo eu não sei se vai acontecer, mas pode acontecer e pá, minha capacidade de agir diminui – e o mesmo vale para a esperança fabricada, a vendida, um afecto triste com cobertura de chocolate, que acaba fantasiada de alegria sob as mesmas condições.

      Tô olhando daqui, Caíto, bateu um offshore dramático, marzão preguiçoso, vai é cair água.

      A tristeza é fascista sim, Fyzinha, e teu blog é uma viagem do bem.
      abraço

      Comment by Gabriel — 21/08/2011 @ 12:35 AM

      • Gab, me lembrei de um lance q eu lí há um monte de tempo atraz, do Chopra – gosto dele – q dizia q cada vez q tivéssemos de optar ou escolher ou tomar uma decisão, tendo , pra isto q analizar entre diversas coisas, deveríamos parar, sentar e perguntar ao nosso corpo… – apresentar a ele as diversas possibilidades e escutar sua reação . Saber ouvir seu movimento a cada sugestão : conforto, prazer, desconforto , entusiasmo, desânimo, etc

        Para Espinosa existe apenas os corpos e, entre os corpos, suas relações, seus encontros, que se compõem ou não. A ignorância desta verdade é que deu origem a moral do bem e do mal, “transcendentes e metafísicos”, > aos quais, o homem, se preciso for, deve inclusive, sacrificar sua vida.

        Na realidade, para Espinosa, só existe o BOM e o MAU, segundo os encontros dos corpos, que se compõem ou não uns com os outros, aumentando ou diminuindo sua força para EXISTIR ou sua potência para agir.

        Ao invés do bem existe o bom e bom é tudo aquilo que convém com a nossa natureza, compondo-se com ela e aumentando nossa força para existir ou nossa potência para agir.

        Ao invésdo MAL existe o MAU e mau é tudo aquilo que não convém com nossa natureza, não compondo com ela e diminuindo nossa força para existir ou nossa potência para agir.

        Bom e Mau é tudo o que existe e jamais bem e mal.

        E como chocolate é mto bom… e eu não nasci meeesmo pra brincar de amarelinha entre o céu e o inferno … dos retrógados eternos, penso q um pouquinho de cobertura não faz mal pra ninguem. hahaha

        bj em vc – Karina e no garotão.
        Fy

        Comment by Fy — 23/08/2011 @ 5:18 AM

    • A Alegria é uma contravenção .

      Caíto, faz um post !

      A Alegria é “a” contravenção > ela é desconstrutora > nunca renuncia > ela “se” ressurge > recomeça.
      Mais.. ela é espontânea como um soluço, e é natural do não-corresponder. É surpreendente e motiva.
      Faz viver.
      E é, então : um descontrole.
      bj
      Fy

      Comment by Fy — 22/08/2011 @ 1:42 AM

    • Yeah, no caso da Revolução Francesa a consequência da indeferença era forçosamente sumária. Hoje costuma ser mais lenta, por vezes com a cabeça dos outros na lâmina. Felizmente não é apenas por via e pelo propósito de terror que se pode converter passividade em ação, mas é preciso algo tão imponente aos sentidos que é mais fácil um afeto triste, naturalmente ardiloso, se infiltrar que um alegre, que para ser e sentir genuíno, não dá pra vir manipulado, que cai por terra mais rápido que chegou.

      Comment by Lotus Eater — 22/08/2011 @ 3:52 AM

  3. A verdade é que começo a entender que não adianta teorizar sobre a vida. Viver e aprender com o cotidiano é o que conta.
    É tão pobre essa moda “hedonista-deprê”. Não adianta tomar compridos, não adianta jurar arrependimento e se auto-flagelar. Mesmo que seja o resultado encroado de uma cultura ocidentalizada e romana. Nada disso adianta.
    Crescer adianta.
    O que realmente importa é a vontade real de querer mudar. E o mudar de fato.
    Teoria sem a prática, nesse caso, morre no mundo das idéias. É intangível e imaturo. E, por mais paciência que a humanidade tenha, definitivamente, isso cansa.

    Kd todo mundo nesse friiiiiiooooooo
    bjitos da Carol

    Comment by Carol — 22/08/2011 @ 11:17 AM

  4. O REBELDE NÃO TEM caminho algum para seguir; aqueles que seguem algum caminho não são rebeldes. O próprio espírito de rebeldia não necessita de qualquer orientação. Ele é uma luz em si mesmo.
    As pessoas que não podem se rebelar pedem por orientação, querem ser seguidoras. A psicologia delas é a de que ser um seguidor as alivia de todas as responsabilidades; o guia, o mestre, o líder, o messias se tornam responsáveis por tudo. Tudo o que se requer do seguidor é apenas que tenha fé. E apenas ter fé é um outro nome para a escravidão espiritual.
    O rebelde está em um estado de tremendo amor pela liberdade – liberdade total, nada menos do que isso. Daí ele não ter salvador, mensageiro de Deus, messias ou guia algum; ele simplesmente vive de acordo com sua própria natureza. Ele não segue ninguém, não imita ninguém. Certamente ele escolheu o modo de vida mais perigoso, cheio de responsabilidades, mas de uma alegria e liberdade tremendas.
    Ele muitas vezes falha, comete erros, mas nunca se arrepende de nada, porque aprendeu um profundo segredo da vida: ao cometer erros você se torna sábio. Não existe outra maneira de se tornar sábio.
    Ao extraviar-se, você conhece mais claramente o que está certo e o que está errado, porque tudo aquilo que lhe dá miséria, sofrimento, que torna sua vida uma escuridão sem fim, sem amanhecer.. isso significa que você se extraviou. Perceba-o – e volte novamente para o estado de ser onde você está em paz, silencioso, sereno, uma fonte de felicidade, e estará novamente no caminho certo. Não existe outro critério além desse.
    Estar em estado de graça é estar certo.
    Estar infeliz é estar errado.
    A peregrinação do rebelde está repleta de surpresas. Ele não tem mapa, nem guia, assim, a cada momento ele está entrando em um novo espaço, em uma nova experiência – em direção à sua própria experiência, à sua própria verdade, ao seu próprio êxtase, ao seu próprio amor.
    Aqueles que são seguidores nunca conhecem a beleza de experienciar coisas novas. Eles sempre têm usado conhecimento de segunda mão, e fingido serem sábios. As pessoas são certamente muito estranhas. Elas não gostam de usar sapatos de segunda mão; nem mesmo em seus pés elas porão sapatos de segunda mão. Mas quanto lixo elas estão carregando em suas cabeças… simplesmente sapatos de segunda mão! Tudo o que elas sabem é emprestado, imitado, aprendido – não pela experiência, mas somente pela memória. O conhecimento delas consiste em memorização.
    O rebelde não tem um caminho como tal.
    Ele anda, e faz o seu caminho enquanto anda.
    O rebelde assemelha-se a um pássaro voando no céu; que caminho ele segue? Não existem estradas no céu, não existem pegadas de pássaros ancestrais, de pássaros notáveis, Gautama Buda. Nenhum pássaro deixa qualquer pegada no céu; portanto o céu está sempre aberto. Você voa e faz o seu caminho.
    Encontre a direção que lhe dê alegria. Mova-se para a estrela que toque sinos em seu coração. Você deve ser o fator decisivo, ninguém mais!
    OSHO

    beijo moçada
    (tio) Renato

    Comment by Renato — 22/08/2011 @ 11:41 AM

    • “Ele muitas vezes falha, comete erros, mas nunca se arrepende de nada, porque aprendeu um profundo segredo da vida: ao cometer erros você se torna sábio. Não existe outra maneira de se tornar sábio.”

      Feliz ao ler isso. Muito bom, Renato.

      Comment by Mia — 22/08/2011 @ 11:56 AM

  5. Muito bom quanto ao autor ter experimentado a alegria fatal e inexplicável, uma das principais diferenças para não confundir alegria com felicidade, mas discordo de que a tristeza é fascista, depende da tristeza, ou melhor, depende do que eu faço com a tristeza, penso que a tristeza pode ser fascista sim, mas antes de tudo: a tristeza é inevitável ou é um afeto da vida tanto quanto a alegria. Uma vida sem tristeza talvez só aquelas advindas das várias formas de paraíso.

    abraços😉

    Comment by adriel — 15/04/2014 @ 6:01 AM

    • Oi, bom te ver por aqui.

      Claro, desde que a tristeza não se torne um meio, um caminho para tais paraísos.- E tristeza não é infelicidade – como vc disse, sim, é um afeto e um afeto saudável, nunca um meio .

      Aquele que amarra a si mesmo uma alegria,
      Não faz mais que destruir as asas da vida;
      Aquele que beija a alegria que esvoaça,
      Vive no sol nascente da eternidade.
      Blake

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 17/04/2014 @ 12:04 PM


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