windmills by fy

17/09/2011

NuMb

Filed under: Uncategorized — Fy @ 8:05 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                                                

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                         

 

Há alguns dias atrás , alguém me perguntou se levava jeito pra poesia .

Graças aos ventos de Urano , meu distraído bruxo e sparkling- master  ,

respondi sem perceber que era um recado , e nem todos os recados precisam de resposta .

 

 

Yep > Existem enganos .

 

 

Mas , a  verdade , de qualquer modo , é uma quimera ,

um monstro com mil cabeças , é impossível ocuparmo-nos de todas ao mesmo tempo .

O que , com certeza desculpa minha uraniana distração .

 

 

E depois . . .   algumas  verdades

e alguns enganos  dependem sempre de uma questão de perspectiva .

 

Sem contar que , pra quem gosta da vida ,  equívocos são bem-vindos > equívocos, porque : equívocos ,  não tem maldade,

são por demais distraídos  e geralmente não ferem em sua rápida transitoriedade .

 

 

Às vezes ensinam , às vezes comprovam , às vezes elucidam .

 

 

À distância , os enganos permanecem abstratos , inomeáveis ,

despidos do seu rosto antigo: mas suas palavras prevalecem .

Mas prevalecem como estrelas preguiçosas , destas que quase brilham  incertas ,

pedindo emprestado  um céu qualquer ou qualquer céu pra quase-brilhar .

 

 

Mas de todas as verdades , a mais feiosa  é a Mentira .

 

 

Mais , bem mais  ainda do que aquela – que se esquiva , que não diz : só  insinua –

Morta ,  pálida ,  hesitante de ser , por não se ter vivido e

que responde por : ‘quase-sou-uma-mentira’  –  

na impossibilidade de ser alguma coisa nem que seja  quase-coisa .

 

 

Assimqueassim e sem dar a menor bola ao tempo ,

porque ele não conhece e nem precisa  da Conveniência e seus nômades territórios ,

resolvi reescrever sobre o Poeta , mas… sobre aquele … , que é o único senhor de sua Poesia ,

e senhor único de seus ‘espaços’   .

 

 

  – so , and  if you want ,  follow me :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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talvez eu tenha uma relação deliciosamente desorientada com a poesia .

quando quero falar sobre ela , presumo que nem consiga ,

. . . ela chega sempre  antes de mim . – emociona , agita , fere , acende , ondeia , desliza ,

delata , mergulha , se oferece toda :  sempre inteira como a música : o que ela é.

 

 

É a poesia !  –  

aquela … de um poema verdadeiro  – e sempre , e simplesmente ,   chega .

 

 

Se vem , na carruagem da ternura nua ou na violência sensualizada das rimas ,

métricas , estilos, – eu … , na hora de analisar … chego atrasada .

Ou surpreendida. – o que é bom demais .

 

 

Mas aprendi … – [ foi ela quem me ensinou ,

que poetar  em mim – é só assim :  atravessar .

Atravessar .

 

 

Poeta ?

 

 

Ah … , é ser o Herói vagamundo, sem chaves – sem fronteiras , superman da errância ,

trovador sem época , clowneando limites , des-girando  rodas ,

caminhante dançarino das vastidões e do som dos mundos.

Eu acho que o poeta nasce de uma transada cósmica entre a bruxaria e o tempo.

Nasce de um dom. Vem viajando.

Crescendo e  brincando, entre amores , paixões , espadas , saias , batalhas ,

de – repentes , partidas , chegadas , deuses , sangue , ternuras ,

respirando a cadência das palavras – e , entre elas , as histórias do sem-fim

Poetas cantam         –  mas contam .

São os traidores da lógica . –   traidores das crenças .

 

 

De Shakespeare à Dylan , de Jagger a Yeats , … quem não atravessa o instante e submerge no país dos elfos , 

 seja nas noites de um verão encantado ou nos parques de Manhattan ,

onde trolls ou emos Tolkienianos rasgam os sons de Sherwood em alucinadas guitarras quânticas ,

misturando marijuana , margaridas ,  girassóis vermelhos , tambores , flechas , flautas e latim. – ? –

 

 

Quem não se torna Integridade ,  quando surpreendido pela Lealdade de – Captain ! Oh my Captain !

 

 

E quem não é rei ou rainha , amor e amante , herói e guerreiro , tesão ou perdão  –

beleza e mar no abraço quente de um poema . – ? –

 

 

Eu acho , sim , é que o poeta, ou o poema, nos recorda que Somos Poesia.

Assim mesmo , peregrinos da carne  :   filhos que a Terra gestou, híbridos de sol e lua , mestiços cósmicos ,

crias da safada sensualidade universal.

Então …  o poeta não é mentiroso.

 

 

O mentiroso não poéta, costura palavras ,

ah …   é costureiro .

um diplomata ansioso em agradar   ‘ todas ‘  as letras ,

apostando sempre no garantido prêt a porter .

 

 

E  a Poesia  me ensinou também  . . .  Ah … – que não se dá . . .  o Mar de presente , não …

 

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e nem mesmo Juan , … tão leal , nobre,  veloz . . .

 

 

– porque o mar foi feito pra quem navega ,

 

 

– E Juan … ah , Juan é um dom , é pra quem faz caminho ….

é pra quem sabe chegar .

 

 

 

Fy

 

——————————————————————————————————————————– 

 

Thank you , Billy –  este é pra voce e por ter feito a gentileza de segurar o Wind neste tempo em que viajei .

[ Voce foi literalmente clicado !  – hahaha : Parabéns ! ]

  

 

 

 

49 Comments »

  1. get away from these liars.

    André

    Comment by André — 17/09/2011 @ 10:25 AM

    • get away from these liars !

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 18/09/2011 @ 11:48 AM

  2. Onde tem um poeta assim, Fy?
    Quero um pra mim!
    beijo aí pra todo mundo e tava com saudade!

    Comment by Marília — 17/09/2011 @ 10:26 AM

    • Ah… vou dar uma dica…

      qdo vc ouvir sobre a importância da Vida brincando ou gritando nas palavras de alguém… dê aquela olhada que é toda especial.

      É o melhor poeta.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 18/09/2011 @ 11:47 AM

  3. Aí em cima sou eu, Marília.

    Comment by Marília — 17/09/2011 @ 10:27 AM

  4. clowneando limites e rindo um riso torto que beira a selvageria, um riso aquariano, diria eu.

    Haha.

    Sempre um prazer em lê-la.

    Thomas.

    Comment by Thomas — 17/09/2011 @ 11:55 AM

    • Quem é vivo…
      Aloha Thomas.

      Teu comentário me fez lembrar mais um animal enquadrado no limites opacos da fixidez do que um sorriso aquariano,pra quem limites são impossíveis.
      Repare como os muros limitadores animalizam os corações e transformam os sorrisos em esgares deformados.
      Abraço
      tio Guz

      Comment by Gustavo — 17/09/2011 @ 1:38 PM

      • O q vc tem contra aquarianos … ?
        ha ha ha

        bj
        bom te ver,
        Fy

        Comment by Fy — 18/09/2011 @ 11:30 AM

      • Saravá, camarada.
        Quando você me diz de animalizar os corações com muros limitadores, não vejo nenhum problema.
        Antes uma fera enquadrada mas enraivecida do que uma besta enquadrada mas domada.

        Não há nada mais aquariano do que romper com as barras de aço que nos cercam.

        Sorrisos e esgares, a beleza se apresenta para o indivíduo de várias formas… E não há juiz nenhum para isso.

        Bom, somente conjecturas. Usualmente palavras mudam palavras e não pessoas.

        Continuemos;

        Thomas

        Comment by Thomas — 20/09/2011 @ 2:13 PM

        • Antes uma fera enquadrada mas enraivecida do que uma besta enquadrada mas domada.

          Aloha Thomas,
          De pleno acordo!
          E de pleno acordo também em relação às palavras. Aliás, temos que criar palavras das palavras huahahaha. As que existem parecem procurar pelas pessoas domadas.
          Abraço
          beijo a todos
          tio Guz

          Comment by Gustavo — 21/09/2011 @ 10:33 AM

  5. Saudade de escrever. Saudade de te ler.
    Saudade daqueles amigos, aqueles que gostam de papear; seja besteira, seja coisa séria, aqueles que agente busca sempre no mesmo lugar,e derepente,no meio da loucura urbanizada de uma 6ªtinha chata que se arrasta, que não acaba,fazem agente sorrir, fazem agente pensar. Sou poeta?
    Tem gente que diz que é viciante. Viciante trocar, O que eu sei com o que voce sabe. O que eu acho com o que voce acha. Um vício bom, um hábito do bem.
    do bem,depois de ver tanta coisa estranha; tanta coisa ofensiva, tanta gente fazendo gênero, com medo de falar o que pensa; falando o que não pensa ou o que não faz;comecei a perceber que, mesmo na net, mesmo sob total anonimato, muitas pessoas são simulacros,simulacros imbecis do simulacro.

    Abs aê, vou ver se desço, mas tá a maior chuva, naum?
    Rodrigo

    Comment by Rodrigo — 17/09/2011 @ 12:45 PM

    • Nossa Rodrigo!

      Vc sabe q é bem vindo sempre.

      Poizé ! e eu fico me perguntando se, na net, como vc falou, não ocorre justamente o contrário.

      O tal do anonimato, será que não permite q as pessoas revelem , ao contrário, sua Verdadeira identidade ?

      Eu nunca ví uma reunião de babacas – canalhas – tão grande – como nesta discussão sobre Pedofilia e igreja.

      Eu duvido que cada canalha q opinou a favor do doente do Solius, tivesse coragem de fazer isto em público, de cara lavada.

      Bom, o Mundo está tomando , mesmo que atrazado, fatalmente atrazado…. , as devidas providências.

      O mundo está processando a tal “igreja” e seus tarados. Tarados há séculos, mas… antes tarde do q nunca.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 18/09/2011 @ 11:39 AM

  6. Aloha, Rodrigão que tédio! já devia ter descido, tá chuva e frio quer coisa melhor? melhor aqui.

    ///tanta coisa ofensiva, tanta gente fazendo gênero, com medo de falar o que pensa; falando o que não pensa ou o que não faz;comecei a perceber que, mesmo na net, mesmo sob total anonimato, muitas pessoas são simulacros,simulacros imbecis do simulacro.///

    Mas,brother, de onde voce acha que vem tanta valentia?

    TocaYo

    Comment by TocaYo — 17/09/2011 @ 12:51 PM

  7. Rodrigo, teu celular não toca.
    Desce aí com a Ana, tem minha casa, a da Fy.

    Comment by TocaYo — 17/09/2011 @ 12:54 PM

  8. huahuhauuha
    Muito boa esta dos simulacros, Rodrigo! Eu acabei de crer que taí um fenômeno espantoso.
    Uma mistura de Carroll com Borges, uma cartola dramática de onde só saem urubús.
    Mas, falando em simulacros, são coelhos sem nome,Tocayo.

    De um lugar em que a Pedofilia é cabalmente ignorada e o homosexualismo um ataque à quem não anda bem com a própria sexualidade,voce quer que algum coelho tenha nome?

    beijo a todos
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 17/09/2011 @ 1:24 PM

    • Gustavo, eu já cansei de colocar meu email aqui. à pedidos, brother. pergunta se eu recebí algum?

      Ainda tô esperando.

      té já, cumpadre

      TocaYo

      Comment by Tocayo — 19/09/2011 @ 11:24 AM

  9. Boa Noite Windmills, Fy
    Que coisa mais bonita, Fy. E a verdade, a mentira são mesmo uma questão de perspectiva. Se bem que ultimamente uma se apaixonou pela outra. Vivem de mãos dadas, uma repetindo a outra.Fazer o que?

    Um pouquinho de poesia:

    Assim, o mesmo rio redemoinha, deixa marcadas as garras, desvenda-se e passa, preso do encanto das doces pedras, das sombras e das ervas. A água, enlouquecida com os seus redemoinhos, como uma autêntica cabeleira de fogo. Para fluir, como a água, em pura cintilação, seria preciso perder a noção do tempo.
    André Breton
    beijo
    Sofia

    Comment by Sofia — 17/09/2011 @ 3:27 PM

    • Sofia!
      q coisa bonita é o q vc escreveu!
      Roubei pra mim!

      —————–

      É verdade . Olha, ainda mais saindo de uma discussão – eu diria que : miserável…. sobre Pedofilia , onde o chapéu de um fdp nazista e podre é mais importante que uma criança…. aiaiai, é revoltante, nauzeante, a falta de caráter , a miséria de caráter…. de algumas pessoas.

      Pior é a desfaçatez com que – cinicamente – expõem suas opiniões.

      É que é muito pesado, e – traumatizante – mas, uma hora eu fico bem forte e faço um post sobre isto.

      Me faz mal .

      bj
      Fy

      Curtindo este friozinho bom ?

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 18/09/2011 @ 11:27 AM

      • Fyzinha, explica de quem é o chapéu.

        Nazista, lá tem de montão.

        beijo menina,
        TocaYo

        Comment by Tocayo — 19/09/2011 @ 11:27 AM

  10. Fy, quando um cara entra numa discussão apoiando um defensor de pedófilos, encobertador de vergonhas e crimes, aliciador declarado e desavergonhado, usando sua argumentação como porta de entrada porque, na falta de hombriedade e caráter precisava justificar sua presença, o que mais voce esperaria?
    Qualquer merda que um fulano diga depois que demonstra algum interesse em se solidarizar e se comunicar com um filha da puta que proselitiza cilícios e outras pornografias católicas, num discurso totalmente doente e francamente desequilibrado, é mais uma demonstração de falta de caráter do que qualquer outra coisa.
    É decepcionante? Claro que sim. Mas não mais que 2 ou 3 canalhas que se colocaram a favor deste fundamentalista lambedor de papa. É decepcionante porque torna comum e vulgar uma personalidade que voce admirava pela aparência contrária.
    O que MAIS se pode concluir?

    (tio) Renato

    Comment by Renato — 17/09/2011 @ 11:39 PM

    • O MAIS a se concluir é sempre doloroso Renato.
      É decepcionante quando a admiração ou qualquer tipo de lembrança pessoal ou não desmorona sob o impacto da baixeza.Eu sinceramente, não tenho reservas de caráter suficientes pra discutir sobre um anormal como este tal sujeito Solius. Me sentiria envergonhado. O cara é viscoso.
      Talvez, numa perda total de possibilidades as pessoas usem de qualquer recurso, mesmo que vil, pra poder estar em evidência. Ou para justificar algum tipo de evidência.
      Isto a Fy deixou claro quando disse: Assimqueassim e sem dar a menor bola ao tempo ,porque ele não conhece e nem precisa da Conveniência e seus nômades territórios. Os territórios da Conveniência são nômades, instáveis. Mas, nem por isto ela deixa de enojar, de magoar. Isto seria se congelar. Concluir, “sente-se”, alem de apenas esquematizar.
      Estar em cima do muro, sempre, no viés de qualquer evento, é uma larga e farta demonstração de caráter. E é um hábito, não uma filosofia. Um hábito desabonador, não-produtivo, descaracterizante. E, como foi dito há pouco tempo, em outro espaço, como concluir ou discorrer sobre o que não se vivencia? Taí, nada como a vivência, a experiência em sí, nua e óbvia, embora impactante, pra que se desfaçam antigas noções, antigas impressões e se abram espaços pra novos conceitos, admirações, respeitos e experiências. Isso me lembra, a vida.

      beijo a todos
      tio Guz

      Comment by Gustavo — 18/09/2011 @ 12:50 AM

      • Apenas complementando,

        – A sensação de importância faz a pessoa sentir-se pesada, desajeitada e vaidosa.

        Para ser um homem de conhecimento, ela tem de ser leve e fluida”.

        (Castaneda, Uma estranha realidade).

        tio Guz

        Comment by Gustavo — 18/09/2011 @ 12:53 AM

        • Q coisa mais descontrolada e agressiva… – q discurso desnecessário, ou que “recurso” desnecessário.

          vai entender …

          mais bj
          Fy

          Comment by Fy — 18/09/2011 @ 11:12 AM

          • TÔ meio perdida aqui, sei lá se vai sair no lugar,
            ô Fy, imagina eu que ia fazer um tratamento… ah! eu te esganava huahuahhauuhauahauhaua.

            LOTUS: eu adoro a Jeanette!

            é que não dá pra falar mto, JP está viajando… sobra pra quem?

            KEEP WALKING- Super Segunda!
            Ju

            Comment by Juliana — 20/09/2011 @ 5:41 AM

      • Estar em cima do muro, sempre, no viés de qualquer evento, é uma larga e farta demonstração de caráter. E é um hábito, não uma filosofia. Um hábito desabonador, não-produtivo, descaracterizante.

        Sabe Gustavo, o “des-hábito” de agir, de viver, > o hábito de transformar a vida em um eterno nada, cria o “descaracterizante” hábito de não conseguir sustentar nenhuma situação.

        São as pessoas que vc encontra ora aqui, ora alí, tornando-as imperceptivelmente comuns como uma laranja em dúzia de laranjas.Ou duas.
        E nunca sustentar uma situação, pra mim, depõe contra a propria pessoa.
        mas s s :

        For last year’s words belong to last year’s language
        And next year’s words await another voice.
        And to make an end is to make a beginning.
        T.S. Eliot

        bj
        Fy

        Comment by Fy — 18/09/2011 @ 11:09 AM

    • O que MAIS se pode concluir?

      um nada. bem horroroso! e bem sentido.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 18/09/2011 @ 11:18 AM

  11. amores , paixões , espadas , saias , batalhas ,

    de – repentes , partidas , chegadas , deuses , sangue , ternuras ,

    respirando a cadência das palavras – e , entre elas , as histórias do sem-fim .

    BEIJO
    Marianne

    Comment by Marianne — 18/09/2011 @ 12:06 AM

    • Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo,
      ando debaixo da pele e sacudo os sonhos.
      Não desprezo nada que tenha visto,
      todas as coisas se gravam pra sempre na minha cachola.
      Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos,
      destelho as casas penduradas na terra,
      tiro os cheiros dos corpos das meninas sonhando.
      Desloco as consciências,
      a rua estala com os meus passos,
      e ando nos quatro cantos da vida.
      Consolo o herói vagabundo, glorifico o soldado vencido,
      não posso amar ninguém porque sou o amor,
      tenho me surpreendido a cumprimentar os gatos
      e a pedir desculpas ao mendigo.
      Sou o espírito que assiste à criação
      e que bole em todas as almas que encontra.
      Múltiplo, desarticulado, longe como o diabo.
      Nada me fixa nos caminhos do mundo.

      Murilo Mendes

      … ainda vou postar este!

      BEIJO
      Fy

      Comment by Fy — 18/09/2011 @ 11:01 AM

  12. Morta , pálida , hesitante de ser , por não se ter vivido e

    que responde por : ‘quase-sou-uma-mentira’ –

    na impossibilidade de ser alguma coisa nem que seja quase-coisa .

    duda

    Comment by duda — 18/09/2011 @ 2:48 AM

    • que coisa mais… descoisada! hahaha

      beijo duda, muito frios, os ventos do sul ?
      Fy

      Comment by Fy — 18/09/2011 @ 10:57 AM

  13. Fy, eu preciso te re-recomendar Jeanette Winterson querida, tu escreve de um jeito que tem muito a cara dela =)

    “A palavra alada. A palavra volúvel. A palavra que é ao mesmo tempo mariposa e lâmpada. A palavra que se ergue acima de si mesma. A palavra que é ela mesma e mais. A palavra associativa iluminada de significados. A palavra não enredada pela significação. A exata palavra espaçosa. A palavra não prostituta nem cenobita. A palavra não mentida.
    Devo usar meu alfabeto para desembaralhar os dias? Não os rotular A, B, C, nem fazer de minhas letras uma fraude mais misteriosa. Duas coisas distinguem significantemente os seres humanos dos outros animais: um interesse pelo passado e a possibilidade da linguagem. Reunidas, produzem uma terceira: a Arte. A cidade invísel não planejada para existir. Para além das grandiosas pretensões do meramente protocolar, muito depois dos dramáticos conchavos da vida política, goste-se ou não, ela permanece. Tempo passado eternamente presente e indestruído.
    E agora? Sim, e agora, ainda desafiando os fragmentos que eu sou?

    Olhei para o alto. Cem bilhões de estrelas em nossa galáxia, a Via Láctea. Indiferente a mim, aquela confiança das estrelas, ofertas de luz de dois mil anos de idade. Se são alguma coisa para mim, são jóias para minha mortalha. Não posso conhecê-las. Não posso sequer conhecer a mim mesmo. O terror de Pascal é o meu: “Le silence éternel de ces espaces infinis m’effraie.” O que pode equilibrar a injustiça daquele espaço imenso, que não acaba nunca, e minha vida limitada? Talvez isto: a terra devastada de meu corpo não é o campo de ação de meu reino, tenho dentro espaços tão vastos, se eu pudesse reinvindicá-los. Prova? Que prova tenho eu disso – não Deus, que, se verdadeiro, é a priori e não pode ser uma prova, mas a arte, que nunca se preocupa com as realidades da vida, nem a representa como pensamos que seja, nem a expressa como esperamos que seja, e no entanto se transforma nela. Não representações, mas invenções que carregam em si mesmas as forças centrais do mundo, e não apenas o mundo. A arte faz criação de estrelas.

    Como posso me aproximar do significado de meus dias? Hei de laçá-los para mim com a palavra rodopiante. A palavra levada tranquilamente a meu lado, a palavra elaborada, vigorosa, precisa, a palavra que aprisiona o tempo antes que o tempo me aprisione.
    Monta a meu lado, tanto quanto o tempo permitir, tanto de beleza e de amor. O deserto que cruzamos floresce. Tempo de assimilar a vista. Sou apenas uma localizadora de corpos celestes? Olhos que sorriem e passam. O que fazer com o que descubro? O que há nisso para mim? O esplendor e a brevidade, o esforço de tocar e ver, o esforço de compreender.
    A salvação, se vier, será consciente. A ignorância não é a estrada para a sabedoria. A sinceridade da emoção não será sufuciente. A palavra me descobrirá; falo, logo existo. Para estár à altura da eloquencia silenciosa do mundo criado tive de aprender a falar. A linguagem, que o descreve, vem a ser eu. Cuidado, então, com aquilo em que me torno; por minhas palavras tu me conhecerás.”
    – Arte e Mentiras, Jeanette Winterson

    Abraço pro povo daqui =)

    Comment by Lotus Eater — 18/09/2011 @ 12:08 PM

    • À, óbviamente especial, Lótus Eater:

      ‘… invenções que carregam em si mesmas as forças centrais do mundo, e não apenas o mundo. A arte faz criação de estrelas.’

      O ser, caligrafia incerta.
      O poema é um ato novo, inicialmente indefinido,
      mergulhado nos violinos de água, nos augúrios da descoberta,
      precipitando o nada, o desconhecido;
      a trípode, o bálsamo, o desconcerto, a anémona;
      a noite da noite; um som terrível;
      o cânone abrindo a luz secreta da solidão,
      o murmúrio indivisível imortalizando o nome.

      Um sabor que começa a nascer.
      Vejo o ser, caligrafia incerta, torres de alabastro.
      Um poema – a única forma de conhecer o tempo,
      a ordem criadora, a latitude boreal, os cometas da metamorfose,
      lunações no céu noturno; um único ponto de luz.
      Uma razão, um fundamento.
      O fulgor imediato para descobrir a escuridão,
      o lado-morte por vezes, um barco para o Hades
      – uma vela de mim.

      Procuro, entre a palavra e o metal, a pedra e o silêncio,
      o gérmen da claridade,
      nessas águas iniciáticas, lugares onde as árvores amadurecem,
      onde as folhas se propagam,
      onde as cigarras gemem, exuberantes, fascinadas pela forma da substância.
      A noite – vivo fragmento na dança das casas, borboletas voltejando;
      os tempos, os lugares.
      “Natura arsque”.
      Nesses momentos, invoco Atena, a fonte de Hipocrene, leitos de água.

      Novelos de prata, vida infinita;
      formei a minha alma de intérprete dos pássaros e dos sonhos
      (folhas orvalhadas, mistério oculto).
      Canto essas paredes incólumes à destruição
      e canto a teoria das coisas, a mobilidade apoteótica das raízes.

      Canto a pureza, esse canto azul,
      sob o sol dinâmico de um grito originário,
      num poema que é um verso de água,
      …………………múltipla
      …………………………e
      …………………………criadora.

      Ivo Miguel Barroso

      (tio) Renato

      Comment by Renato — 19/09/2011 @ 12:03 AM

      • esse canto azul,
        sob o sol dinâmico de um grito originário,
        num poema que é um verso de água,
        …………………múltipla
        …………………………e
        …………………………criadora.

        Um poema, um texto // O texto que é o mundo não é um texto único: cada página é a tradução e a metamorfose de outra e assim sucessivamente.
        As palavras não começaram abstratas, mas concretas. Essas palavras que agora são abstratas já tiveram um forte significado…. eram envoltas em mágica – não tinham significado estanque – a poesia não tenta pegar um conjunto de moedas lógicas e transformá-las em Mágica. Mas ela trata de levar a linguagem de volta às fontes. [ à verdadeira magia].

        Tem mais ?

        bj
        Fy

        Comment by Fy — 19/09/2011 @ 9:44 AM

        • Renato,

          2 comments teus saíram em branco.

          bj
          Fy

          Comment by Fy — 19/09/2011 @ 9:46 AM

      • “Natureza e arte”, realmente. Lindo poema, Renato =)

        Comment by Lotus Eater — 20/09/2011 @ 10:35 AM

    • Lótus , que muito bom !

      quem dera…

      Olha, roubando do Renato, suas recomendações são especiais, sim. Mas, antes da J. Winterson eu tenho 1 milhão de pgs recomendadas q eu não consigo desgrudar ! Onde eu vou levo comigo! Fora o peso dos livrinhos, hahaha ! Fiquei amiga inseparável do George! – R R Martin! Impossível parar !

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 19/09/2011 @ 9:21 AM

      • Haha, pois é. O Sr. Martin é um chicletão. Peguei o Crônicas semana passada e me prometi terminar as leituras já começadas antes de pegar nele, mas nem, larguei tudo, até o Kerouac que comprei junto ficou de molho =P

        Comment by Lotus Eater — 20/09/2011 @ 10:42 AM

    • Pra variar muito bom Lótus, forte, estilo cadenciado, gostoso e profundo.
      E sem querer dar uma de sábio, de Zen ou de moralista, vamo que vamo: palavras são atitudes.

      “Cuidado, então, com aquilo em que me torno; por minhas palavras tu me conhecerás.”

      bj pra voce,
      TocaYo

      Comment by Tocayo — 19/09/2011 @ 11:32 AM

      • Nada de moralismo, uma simples observação, não há alma viva que não tenha sentido o quanto =)

        Comment by Lotus Eater — 20/09/2011 @ 10:55 AM

  14. Oh minha capitão, eu é que agradeço!

    Coincidentemente, essa semana eu ouvi direto Pink Floyd ; )

    Influenciado pelo teu post sobre gatos, tenho os observado mais cuidadosamente, quando faço minhas corridas noturnas pelo condomínio onde moro – aqui é cheio de gatos, parece que um deles resolveu pegar geral as gatinhas daqui…hehe – e outro dia conversando com um colega sobre comportamento, me ocorreu traçar um paralelo com o comportamento felino e dizendo eu que admirava a segurança que um gato demonstra diante de uma aproximação inesperada, esse colega saiu-se com uma observação bastante interessante: é que ele confia no próprio pulo.

    Acho que isso deve servir para nós também: ter a segurança de confiar no próprio pulo.

    Beijos

    Comment by billy shears — 18/09/2011 @ 5:46 PM

    • Billy, este teu comment me lembrou uma música, – se bem q quem lembrou foi o Tocayo> pq eu não conseguia lembrar o nome, nem a letra – a não ser a palavra : captain! … aí ele me fez o favor de lembrar … pra mim … hahahahaha

      – uma observação bastante interessante: é que ele confia no próprio pulo.

      Acho que isso deve servir para nós também: ter a segurança de confiar no próprio pulo.-

      ——————-

      uma que eu gosto:

      MEMBRANAS

      metamorfoses inconstantes evoluem nas (r)evoluções
      das maçãs. pobre Newton! no caminho do ínfimo, a
      mecânica produziu incerteza. nenhuma esfera de vidro
      resistiu! só há inércia nos estilhaços de rubis translúcidos.

      o retorno apenas é possível pela alquimia dos sentidos,
      pela busca do elo dos multi-Versos interiores. quais
      cascatas verdes? sustenta-te nas terras das águas azuis.
      não te esqueças que as estrelas são corpetes de jóias lilases.

      animal político? por isso não existe lei sem paixão! já
      tentaste Estagira? fazes bem! de qualquer maneira não
      é inteiramente redutor. pensa na alternativa, a Cidade
      do Sol, e reparte-te no espírito da entidade cósmica.

      qual a velocidade para se viajar entre galáxias? simples.
      terá que ser geometricamente proporcional à distancia a
      percorrer. no entanto, nada se afasta. é o espaço que se
      expande! e aí chegarás ao pensamento do coração branco.

      vês agora porque sigo golfinhos às quintas e as nebulosas
      laranjas pela manhã? são a chave para a vibração pulsante
      nos perfumes dos oceanos astrais. ou física em poeiras! no
      acelerador de probabilidades internas dum orbe carecido.

      que hei-de fazer? gosto de gatos siameses! principalmente,
      em buracos de par nove. são mais resistentes. e meigos.

      mas nunca abandonarei o imaginário vivo dos teus verbos.

      [ Vicente Ferreira da Silva ,in “Interlúdios da Certeza”] ,

      —————-

      e a música q o Tocayo lembrou :

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 19/09/2011 @ 9:44 AM

      • Sim, bem lembrado; me amarro nessa música. Quando a ouço, fecho os olhos e tenho a sensação de que estou de volta às areias de Araruama – Região dos Lagos/RJ – e contemplando a lagoa, suas salinas e aves; onde eu ia durante as férias e feriados, na minha infância. Apesar da música não ter sido composta naquela época, a melodia me remete a esta lembrança.

        Hoje de tarde, tava ouvindo uma música do Cranberries – ode to my family – e tem uma parte que diz que ” não eramos felizes, mas não dávamos importância”, é um clipe que evoca a infância da cantora; lembrei-me da minha também, que, paradoxalmente, a despeito de alguns fatos tristes, foi a época da qual tenho mais recordações legais.

        Valeu, Captain Fy!
        😀

        Comment by billy shears — 19/09/2011 @ 10:58 AM

        • É linda Billy.

          Eu acho q todos nós temos estas lembranças, estes lugares, estes cheiros no coração.

          bj no teu coração q é pura música!
          Fy

          Comment by Fy — 19/09/2011 @ 11:10 AM

          • Billy Shears , voce já tá nos meus favoritos!

            bjs da Ju

            Comment by Juliana — 20/09/2011 @ 5:24 AM

            • Valeu, Ju!
              😀

              Beijos

              Comment by billy shears — 20/09/2011 @ 12:16 PM

    • Billy Shears, meu amigo, vou te explicar o que é “lembrar” uma música pra Fy.

      o lance começa assim: – Lembra… aquela música ?

      ( perceba que começou bem)

      – qual ?

      – depois de 3 ‘aquela…’ – ela consegue lembrar uma palavra… – dessa vez foi ‘captain’…

      – depois de 10 lálalás irritados e incodificaveis: porque nem eu e nem Ninguem lembrava ou adivinhava; milagrosamente , esta me veio na cabeça… assim, como um beijo dos deuses!

      abraço aê,
      TocaYo

      Comment by Tocayo — 19/09/2011 @ 10:58 AM

      • Tudo mentira, Billy.

        Aliás se eu conheço esta música é pq vc gosta, Caíto ! hahahahaha

        Comment by Fy — 19/09/2011 @ 11:12 AM

      • He he he….de vez em quando eu também faço isso, principalmente quando a música é em inglês e como meu inglês é bem macarrônico…rs..acabo me enrolando em algumas palavras, aí “as vezes sai um Tcharara…lala..aquela..aquela”….hehehehe

        Comment by billy shears — 20/09/2011 @ 12:34 PM

  15. Fy, lí tudo.

    …sem… comentários. ( é melhor NÂO comentar mas.. que #¨**/*#/**¨#!)

    O que eu tinha pra falar, deixei há séculos lá no Zwill!
    Vc não vai mais mexer lá? a-do-ro!

    … é legal deixar uma boa impressão, nénão?
    ou era?
    sei lá… ainda é?

    bjitos
    Ju

    Comment by Juliana — 20/09/2011 @ 5:21 AM


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