windmills by fy

21/09/2011

Tempo – Movimento – Imagem // Cinema

Filed under: Uncategorized — Fy @ 3:34 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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    a matéria é o conjunto das imagens em si ,

o universo do movimento em variação infinita sem centro de referência .

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O ser vivo é o centro de ancoragem do movimento ,

é o intervalo no fluxo do contínuo do movimento .

Bergson

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I –   Clichês interculturais segundo Gilles Deleuze

 

 

O clichê  :  força-motora da representação clássica cinematográfica , 

torna-se no  cinema intercultural  um dos principais pontos de reflexão e de questionamento .

 

 

Rever situações históricas , re-avaliar preconceitos sociais , restabelecer identidades culturais e

denunciar arbitrariedades imagéticas sociais  são algumas das tarefas e

temas que cineastas interculturais se propõem à levar para as telas e

transformam o cinema num terreno de discussão e de reavaliação social e histórica .

 

 

 

 

 

 

O cinema intercultural é , sobretudo um fenômeno recente na história do cinema,

concebido entre dois regimes culturais distintos

e adota certos procedimentos estilísticos que Gilles Deleuze

caracteriza como do cinema moderno : a ligação deliberadamente fraca

entre uma ação e outra do roteiro , a situação dispersa , a formabalada ,

a denúncia de complôs , e principalmente , a consciência dos clichês .

O cinema intercultural quer chamar a atenção do espectador

para a autenticidade e originalidade de seu ponto de vista .

Como o cinema intercultural consegue ultrapassar os clichês interculturais e

não repetir    [  e re pe tir …   ]    as mesmas imagens-ícones ?

 

 

 

 

II – Cinema Intercultural

        Cinema de Exílio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 III – A crise da representação e o cinema moderno 

 

 

 

Após a grande e traumática experiência da Segunda Guerra Mundial ,  

o cinema , segundo Deleuze , sofre uma crise sobre a imagem que

produz .

L’image-mouvement –  Paris –  Ed. de Minuit –  1983 . –

 

 

É na Itália , terra devastada pela miséria e insegurança , que

surge um cinema que vai chamar a atenção de todos : o Neo-realismo .

 

 

Diretores como Roberto Rosselini e Vitório De Sica

vão inovar o fazer cinematográfico levando as câmeras para as ruas e vilarejos ,

colocando na tela pessoas comuns e no centro da trama histórias locais ,

revelando assim uma nova imagem .

 

 

Deleuze se refere a nova imagem que os italianos criaram no pósguerra ,

como uma imagem que nascia de um ilogismo , pois a Guerra

não era algo compreensível ou inteligível .

 

 

 Eles criaram algo próximo da realidade com atores improvisados

e cenários reais mas com algumas ações desconexas

para mostrar quão ilógico podem ser nossas vidas .

 

 

 As ilusões mais saudáveis caem por terra – , diz o filósofo .

A primeira coisa a ser comprometida por toda parte são

as  ligações das :  

 

 

situação – ação ,

ação – reação ,

excitação – resposta .

 – L’image-temps. Paris, Ed. de Minuit, 1985, p. 206. –

 

 

Segundo Deleuze , se o grande corte se faz no final da Segunda

Guerra , com o neo-realismo , é justamente porque : ele marca o

esgotamento dos esquemas sensório-motores [nossa capacidade de

criar ações ou histórias encadeadas ] .

 

 

Os personagens não sabem mais reagir à situações disparatadas

e desconexas , pois ou elas são muito horríveis ,

ou muito belas ou são insolúveis .

 

 

 

Esta nova imagem do cinema moderno é  :   a   imagem-tempo     distinta   da       imagem-movimento     do cinema clássico .

 

 

Stella Senra ,  no prefácio 7 da segunda edição da sua tradução do livro Cinema 1 –

Imagem-movimento de Gilles Deleuze , explica assim a questão do

Tempo   > na passagem deleuziana do   cinema clássico   [  imagem indireta  ]

ao   cinema moderno   [  imagem direta  ] :

 

Para esclarecer a diferença entre   imagem-movimento    e     imagem-tempo ,

Deleuze volta a um tema importante do bergsonismo :

percebemos o movimento no espaço , mas pensamos no tempo . –

 

A diferença entre uma   imagem indireta    e   uma   imagem direta   do tempo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                                 

               pode ser evidenciada justamente a partir desse princípio .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O tempo é uma representação indireta que >  se origina da síntese de imagens .

É a montagem , ela mesma , que constitui o todo , e que nos dá assim a imagem do tempo .

O tempo é necessariamente uma representação indireta ,

pois ele resulta da montagem que liga uma  imagem-movimento  à outra  .

 

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                            Vodpod videos no longer available.

 

 

É a ação que rege o discurso e as intercalações das imagens .

 

 

O tempo do cinema moderno é apresentado diretamente ,

[ ao contrário do cinema clássico onde o tempo é representado indiretamente : seja empiricamente ] ,

e ele toma forma de presentes sucessivos que colam à sucessão de imagens ,

seja metafisicamente como número do movimento .

 

 

O tempo pode aparecer na imagem como ponto limite ,

como intervalo do movimento , ou como totalidade , como máximo do movimento .

No cinema moderno , o movimento não é mais a resposta ou o prolongamento pela ação de uma situação ,

ele se torna flutuante e desconectado de todo encadeamento coerente .

 

 

 

 

 

 

 

 

O que o espectador vê não é mais a ação , nem mesmo o movimento ele mesmo ,

mas é o passar da duração que o é subjacente .

 

A personagem se encontra confrontada às situações que ultrapassam o seu entendimento

e diante das quais nenhuma reação é esboçada ;

 

ela encontra lugares que são para ela perfeitamente exteriores e cujos códigos são estranhos;

os espaços que ela atravessa são de alguma maneira espaços  “ puros ”

que não tem nenhuma função na intriga geral do filme .

 

 

 

IV – Os clichês e/ou  a pura visibilidade

 

 

A   imagem-tempo , ao contrário do clichê , contesta a ordem finalizada ,

recusa a ditadura da ação .

 

 

Ela é então a possibilidade de uma mudança da percepção da imagem , de uma renovação do olhar ,

de uma contemplação da banalidade do cotidiano , por exemplo , que se torna assim material cinematográfico .

 

 

Segundo Laurent Lavaud  [ em  L’image –  Textes choisis et présentés > Paris –  Flammarion  –  1999, p. 192. – ]  ,

a imagem cinematográfica nos libera do clichê .

 

 

A câmera pode se tornar  uma verdadeira instância de reflexão que produz um discurso construído e articulado ,

onde se abrem novas relações da imagem ao tempo , à expressão e ao pensamento .

 

 

Um clichê é uma imagem sensório-motora da coisa , diz Deleuze .

 Nós não percebemos geralmente   que   [ mais que apenas ]    clichês .

Nós não percebemos a coisa ou a matéria inteira , nós percebemos sempre menos ,

nós percebemos somente aquilo que nos interessa perceber , em razão dos nossos

interesses econômicos , de nossas crenças ideológicas , de nossas exigências psicológicas .

 

É a autoridade da história , de contar um fato por sucessões de imagens ,

e não :  a imagem ,  ela mesma enquanto história ou narrativa , roteiro .

 

 

 

 

Fy

 

 

 

FONTES:

Clichês interculturais segundo Gilles Deleuze

Hudson Moura

 

 

L’image mouvement – Gilles  Deleuze

 

 

 

 

    http://www.webdeleuze.com/php/texte.php?cle=72&groupe=Image%20Mouvement%20Image%20Temps&langue=1

 

  http://www.rochester.edu/in_visible_culture/issue3/herzog.htm                                                                                                                                                                                                                                  

34 Comments »

  1. Exceleeeeeeente post, menina!
    E aqui Deleuze é Bergson na veia! Cinema e filosofia. Bom caldo.

    Bergson é o filósofo da duração , do tempo puro /essencial, do tempo como virtualidade
    Filosofia que liberta o tempo do espaço.
    Deleuze fala do tempo como invenção / produção do novo.

    Terceira tese de Bergson: Movimento como mudança diz respeito ao todo.

    O movimento é um corte móvel de duração.
    Só existe o tempo (Nietzsche).
    Só existe a duração.

    O todo é aberto/ não é fechado com antes e depois como pensava Platão e o Cristianismo.

    Toda vez que há translação há mudança.
    Movimento com mudança = vibração
    Movimento como irradiação.

    O movimento exprime uma duração (Deleuze).

    O todo é aberto, isto é, sempre faz surgir algo de novo.
    O todo é a duração que não cessa de mudar.

    O movimento é algo que se pensa entre as partes (translação).
    Expressa uma duração – mutação.

    beijo a todos
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 21/09/2011 @ 5:59 AM

    • Êta postzinho cabeça!!!! hahahahaha

      Tempo que nada !

      O tempo é necessariamente uma representação indireta ,

      pois ele resulta da montagem que liga uma imagem-movimento à outra.

      mas… Deleuze, um beijo mas me desculpa :

      ah…. Rainha! – eu fico brava … mas não tem jeito!

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 22/09/2011 @ 11:31 AM

  2. O movimento é um corte móvel de duração.
    Só existe o tempo (Nietzsche).
    Só existe a duração.

    Certíssimo Nietzsche, a duração. Ou as durações : que são o enfoque, a apreensão dos espaços e das maneiras como esses temas se articulam, contemporaneamente.

    A arte avança sobre o não artístico, Gustavo, avança pra o real, mesmo na ficção . Palavras , cheiros, procedimentos estrangeiros invadem o território da arte. É o tempero do nomadismo tão explorado em Deleuze . O domínio discursivo e o campo de ação se alargam.
    A experiência estética absorve matéria orgânica, biotecnológica e virtual deste e de outros mundos. Migra para o litoral, pra o espaço, pra suposição, e aterrisa nos corpos, que já não se incomodam em se estrangeirar do comum. . Atravessa-os. Êta palavrinha boa que a Fy usou no Numb: ATRAVESSA.É o sentido da propaganda.
    Nossos corpos, nossas práticas, nossas vivências se vêem tocados por essas invasões, por alargamentos,absorções. É uma forma de nomear fatores “exilados”.
    E isto altera o próprio processo de alteração num contínuum criativo que tenta alcançar as formas , coagulando-as num momento.
    O “regime” do sensível, a partir do qual se configurava a percepção e acognição dos corpos, está em franca mutação. Acontecem novos corpos para mundos
    em transformação e novas práticas para percepções inéditas, ainda. Acontecem novos modos de vida para um novo senso do sensível. E para os saberes que lhe acompanham, claro, uma total redefinição.

    Minha área é o tesão desta eterna investigação. Uma sucessão de imagens que procura formar conceitos não a partir da imagem congelada em tempo, mas em sua sucessão:em suas dobras,no: movimento.

    Pra lá de excelente, Fy.
    Volto aê depois.
    beijo
    João Pedro

    Comment by João Pedro — 21/09/2011 @ 9:06 AM

    • Fala JP,
      Uma pergunta, como voce considera o efeito destas coagulações, momentaneas, em termos de intensidade em afetar a percepção da subjetividade atual e intervir em sua produção de conhecimento do real?

      Enfim, em que implica de uma forma geral a força da propaganda?

      beijo a todos
      tio Guz

      Comment by Gustavo — 21/09/2011 @ 10:42 AM

      • Aloha Gustavo,
        Tua pergunta merece uma resposta extensa, evocando vários princípios, começando pelo capitalismo, democracia, informação,arte, consumismo, etc…
        Como o texto é deleuziano,recorro, primeiro a este parágrafo, considerando a Arte como premissa da Comunicação e Marketing à nível de Propaganda atual, me valendo da perspectiva deleuziana de pensar o cinema ou a informação cinematográfica, como uma “recontextualização incessante de tudo o que a memória evoca”, alargando os limites do pensamento. Não busco aqui discutir teorias cinematográficas de Munsterberg aos
        fenomenologistas, dos fomatistas aos realistas. A experimentação aqui é a do espectador, pois acredito ser esse o maior papel que
        desempenho no cinema (como Informação): um fruidor cinematográfico.

        E debulhando a Informação como formatadora de pensamento vale evidenciar seu poder através das épocas, sendo inevitável ignorar seu papel como Propaganda em uma sociedade onde a Comunicação é um fator intrínsico.
        Aí caminharíamos em todos os setores humanos desde Religião, Sexo, política, alimentação, medicina , etc
        A Comunicação humana em sí é formatadora de pensamentos.

        Por pura falta de tempo neste momento, peguei um artigo bem interessante, e aguardo tuas reflexões e segmentos.

        No clássico Consumidores e Cidadãos (1995), Néstor Garcia Canclini afirma que não existe uma
        teoria sociocultural do consumo. Por isso, perguntas tais como “O que significa consumir?”

        “Qual é a razão – para produtores e para consumidores – que faz com que o consumo se expanda
        e se renove incessantemente?”, permanecem pouco exploradas.

        No senso comum e na linguagem corriqueira, assinala Canclini, consumir costuma ser associado a gastos inúteis e compulsões irracionais, numa desqualificação moral e intelectual que se apóia na suposta onipotência dos meios de comunicação de massa para incitar (as massas) a se lançarem irrefletidamente sobre os bens – há, inclusive, quem estigmatize os pobres alegando que preferem comprar televisores, reprodutores de DVD e eletrodomésticos, em vez de gastar em outras necessidades mais básicas.
        Com o intuito de formular uma hipótese de trabalho que permita avançar para uma conceitualização global do consumo, o mesmo autor propõe a seguinte definição: “o consumo é um conjunto de processos socioculturais em que se realizam a apropriação e os usos dos produtos” (p. 53).

        Com essa caracterização, ele diz, seria possível enxergar os atos de consumo como
        “algo mais do que um simples exercício de gostos, caprichos e compras irrefletidas, segundo os julgamentos moralistas, ou atitudes individuais, tal como costumam ser explorados pelas pesquisas de mercado” (p. 53).

        Além da racionalidade econômica, portanto, haveria no consumo uma racionalidade política interativa e aspectos simbólicos e estéticos igualmente significativos.
        Mesmo com relação aos mecanismos de distinção e discriminação embutidos nas práticas mercantis é preciso que os membros de uma sociedade compartilhem os sentidos dosbens e seus significados.

        “Logo”, afirma Canclini, “devemos admitir que no consumo se constrói parte da racionalidade integrativa e comunicativa de uma sociedade” (p. 56, destaque do autor).
        Seguindo as contribuições de Douglas e Isherwood (1990), Canclini também observa que “asmercadorias servem para pensar” (sic).
        Consumir, com efeito, é tornar o mundo mais inteligível, um modo de organizar e estabelecer processos de comunicação a partir dos fluxos erráticos dos significados:
        “Comprar objetos, pendurá-los ou distribuí-los pela casa, assinalar-lhes um lugar
        em uma ordem, atribuir-lhes funções na comunicação com os outros, são os recursos para se
        pensar o próprio corpo, a instável ordem social e as interações incertas com os demais” (p. 59).

        Nesse sentido, o consumo seria útil não apenas para a expansão do mercado e a reprodução da força de trabalho, mas para o ordenamento político da sociedade que procura organizar-se racionalmente.

        Uma das consequências mais interessantes da démarche de Consumidores e Cidadãos é a reflexão sobre as “comunidades transnacionais de consumidores”, segundo a qual a constituição dos mercados globais teria sacudido as tradicionais comunidades de pertencimento e controle, isto é, teria contribuído na diluição das lealdades nacionais e seus projetos hegemônicos3.

        Assim, as nações e os projetos nacionais passam a sobreviver como “comunidades hermenêuticas de consumidores”, cujos hábitos tradicionais fazem com que se relacionem de um modo peculiar com os objetos e a informação circulante nas redes internacionais:
        Na mesma linha de raciocínio das “comunidades transnacionais de consumidores” de Canclini, Renato Ortiz (1998) reconhece no marketing das grandes corporações “algo mais” do que uma racionalidade econômica.

        Trata-se, segundo ele, da produção do imaginário das sociedades globalizadas, o que ultrapassa o simples ato promocional.
        Sendo a favor ou sendo contra, as marcas expressam de toda maneira um universo de referências compartilhado mundialmente .

        Abraço aê
        João Pedro

        Comment by João Pedro — 22/09/2011 @ 1:48 AM

        • Valeu JP.

          Num primeiro relance, lembrei de Foucault em sociedades de controle e sociedades de disciplina.

          Explicando a ligação que fiz:

          Num primeiro sentido, a comunicação é a transmissão e a propagação de uma informação.
          Ora, o que é uma informação?
          Não é nada complicado, todos o sabem: uma informação é um conjunto de palavras de ordem. Quando nos informam, nos dizem o que julgam que devemos crer. Em outros termos, informar é fazer circular uma palavra de ordem.
          As declarações da polícia são chamadas, a justo título de comunicados. Elas nos comunicam informações, nos dizem aquilo que
          julgam que somos capazes ou devemos ou temos a obrigação de crer. Ou nem mesmo crer, mas fazer como se acreditássemos. Não nos pedem para crer, mas para nos comportar como se crêssemos. Isso é informação, isso é comunicação; à parte essas palavras de ordem e sua transmissão, não existe comunicação. O que equivale a dizer que a informação é exatamente o sistema do controle. Isso é evidente, e nos toca de perto hoje em dia.
          É verdade que entramos numa sociedade que podemos chamar sociedade de controle. Um pensador como Michel Foucault analisara dois tipo de sociedades bastante próximas de nós: as sociedades de soberania e as sociedades disciplinares.

          ‘ A sociedade disciplinar definia-se — (as análises de Foucault, com todo mérito, por causa disso tornaram-se famosas) — pela constituição de meios de enclausuramento: prisões, escolas, oficinas, hospitais. As sociedades disciplinares tinham necessidade disso.
          Essa análise engendrou ambiguidades em certos leitores de Foucault, pois se pensou que essa era sua última palavra. Evidentemente que não. Foucault jamais pensou, e ele o disse com bastante clareza, que associedades disciplinares fossem eternas. Antes, ele pensava que entraríamos num tipo de sociedade nova. É claro que existe todo tipo de resquício de sociedades disciplinares, que persistirão por anos a fio, mas já sabemos que nossa vida se desenrola numa sociedade de outro tipo, que deveria chamar-se, segundo o termo proposto por William Burroughs — e Foucault tinha por ele uma viva admiração —, de sociedades de controle.’

          Vamos por aí?

          tio Guz

          Comment by Gustavo — 22/09/2011 @ 2:26 AM

    • É o tempero do nomadismo tão explorado em Deleuze .

      tempero cigano… e um savoir faire très défiant!

      Parabéns Jonas, o post foi teu!
      bj
      Fy

      Comment by Fy — 22/09/2011 @ 11:44 AM

  3. Impressionante esta filmagem dos gêmeos.

    Comment by LCarlos — 21/09/2011 @ 10:26 AM

    • Welcome aboard, LCarlos, tem mais coisa impressionante por aqui, hahaha – be my guest!

      Fy

      Comment by Fy — 22/09/2011 @ 11:46 AM

  4. Fy, muito bacana. Numa terça friorenta, com um bom vinho, foi na medida.
    Uma olhada rápida me lembrei do Kurosawa. Mas vou comentar depois. Preciso ler tudo e organizar as ligações que fiz. Depois do vinho, eu volto.
    Abração pra todos, Rodrigo

    Comment by Rodrigo — 21/09/2011 @ 1:03 PM

  5. Esta abertura de True Blood é espetacular!

    Comment by duk@ — 22/09/2011 @ 12:52 AM

    • duk@, sou fã.

      Olha esta daqui :

      [ culpa da Lotus ]

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 22/09/2011 @ 11:55 AM

      • Danada, não atiça! Eu não posso ver, não acabei de ler ainda haha.

        E ainda estou materializando as informações do texto. Essa frase “percebemos o movimento no espaço, mas pensamos no tempo” derrubou uns parafusos em algum lugar da minha cachola e estou procurando onde =P

        Comment by Lotus Eater — 22/09/2011 @ 3:50 PM

  6. Faz um post da série.

    Comment by duk@ — 22/09/2011 @ 12:53 AM

  7. O mais importante neste texo é que a filosofada do Deleuze é urgentemente atual. Neste processo galopante não só intercultural como a explosão de migrações internacionais, o transnacionalismo tem no Cinema, uma via expressa e importantíssima de veiculação e mensagem.
    A coisa é braba, na segunda metade do século XX foram observadas enormes ondas migratórias, internacionais e domésticas. Na atualidade, calcula-se em cerca de 120 milhões o número de pessoas que vivem fora do país de nascimento, sem contar os filhos (Weiner, 1996). Destes, um quarto seria formado por trabalhadores legais, outro quarto, por seus familiares, mais um quarto, de ilegais, e um quarto de refugiados (Castels & Miller, 1998, p. 162). Em 1998, por exemplo, imigrantes formavam 18,9% da população da Suíça e 8,1% da população da Alemanha (onde somavam 7,2 milhões, sendo cerca de 2 milhões de turcos, 1.350.000 da antiga Iugoslávia, 536 mil italianos, 360 mil gregos, 277 mil poloneses e outros).

    Os livros escritos por Deleuze sobre cinema, uma “aventura do movimento e do tempo”, pretendem ser uma taxinomia de todos os signos do mundo e não uma história do cinema ainda que esta, inevitavelmente, se espelhe nas sua teorias. São diversos os filmes citados assim como os realizadores referidos aproximando-se do que pode ser uma história pessoal do cinema. Mas, por pretender ser uma taxinomia, Deleuze pretendia ver as condições de individuação das imagens cinematográficas inventariando os diversos signos fílmicos como signos do mundo, isto é, as imagens cinematográficas são analisadas como “acontecimentos do mundo” e não apenas como imagens artísticas.

    Eu acho que aqui se encaixa a visão do João Pedro nas linhas finais do comentário do Canclini: Trata-se, segundo ele, da produção do imaginário das sociedades globalizadas, o que ultrapassa o simples ato promocional.
    Sendo a favor ou sendo contra, as marcas expressam de toda maneira um universo de referências compartilhado mundialmente.

    Uma visão legal a deste cara. Vale falar sobre isso .
    (tio) Renato

    Comment by Renato — 22/09/2011 @ 2:44 AM

    • Sendo a favor ou sendo contra, as marcas expressam de toda maneira um universo de referências compartilhado mundialmente.

      Renato, meu próximo post quero que seja sobre isto, o comportalhimento. Vc já leu Michel Maffesoli? “Sobre o Nomadismo – Vagabundagens Pós-Modernas”

      – get a taste:

      – Professor do Centre d’Études sur l’Actuel et le Quotidien, da Universidade Sorbonne, Maffesoli se prepara para vir ao Brasil em setembro, com os pensadores Edgar Morin e Jean Baudrillard, para participar de um ciclo de palestras em São Paulo e em Porto Alegre.
      Em entrevista à Folha, o autor analisa ainda o significado dos atentados terroristas aos EUA e a construção de uma nova Europa, a partir do euro.

      Folha – Acaba de ser lançado no Brasil seu último livro, “Sobre o Nomadismo”. O sr. poderia fazer uma apresentação dessa obra?

      Michel Maffesoli – O que eu quero mostrar nesse livro é o que eu chamo de “a volta dos arcaísmos”. Isto é, o fato de que não vai mais haver uma espécie de prisão à domicílio, seja no sentido ideológico, profissional, sexual. Como a imagem das sociedades primitivas, vai haver uma circulação, um comércio, no sentido antropológico do termo, no sentido da troca. A idéia central do nomadismo é uma nova circulação.

      Todo o nomadismo é a inauguração de um novo mundo, do modo pós-moderno. Estamos exatamente sobre esses três pontos da identidade pós-moderna: uma ideologia, um sexo, e uma profissão. Várias ideologias, vários sexos, e várias profissões, tudo o que remete à mestiçagem. Nesse sentido é que eu acho que o Brasil pode ser um belo laboratório de nomadismo, assim como a Europa foi um modelo de modernidade.

      Folha – Sobre o 11 de setembro, quais mudanças ocorreram nas sociedades do mundo após os atentados terroristas aos EUA? De que maneira as relações entre Ocidente e Oriente foram alteradas?

      Maffesoli – Acho que esse famoso 11 de setembro não pode ser visto apenas em termos geopolíticos. Ele não foi um simples acontecimento, mas algo que está chegando, um advento. Não só o que pode suportar uma interpretação racional, mas uma volta às ilusões, ao imaginário. É um sintoma de uma volta do não-racional. Um segundo ponto seria o golpeamento de um símbolo fálico do Ocidente. É interessante ver como essas torres são um símbolo fálico por excelência. Em nome do poder econômico podem ruir a partir de uma força que vem do imaginário.

      Folha – E em que grau o sr. acha que o “american way of life” foi atingido pelos atentados?

      Maffesoli – Profundamente. É uma espécie de ferimento narcisista. Foi um golpe profundo cujos efeitos nós iremos ver mais tarde. Em termos de repercussão, no que concerne particularmente ao “american way of life”, é fato que a vida não é exatamente redutível à economia, o que é particularmente positivo.

      Folha – O sr. concorda que houve um contato maior entre as “tribos” do Ocidente e Oriente após o 11 de setembro, e que essa troca de informações vem envolta em uma carga ideologizada, que beneficia o dominante, no caso, os EUA?

      Maffesoli – O que eu chamo de “ferida narcisista” é o “Colosso de Rodes” -é o gigante dos pés de barro. Acho que todos os grandes valores ocidentais, como o trabalho, a razão, e a positividade foram atingidos e causam uma grande repercussão no inconsciente coletivo. Então, o grande modelo hegemônico da América foi golpeado. E mesmo a vitória dos EUA no Afeganistão é uma “vitória de Pirro”. É aparentemente uma batalha entre a força e o imaginário.

      Folha – De que modo a União Européia pode ocupar uma nova posição mundial com a adoção do euro?

      Maffesoli – É preciso ver a Europa a partir da idéia imperial. A Europa persiste numa dimensão econômica, e o mais importante é que ela seja compreendida do ponto de vista cultural. Aí sim, pode-se falar em uma força cultural européia. Entendemos que o século 21 será uma era mais cultural do que econômica. Estamos num momento em que a Europa vai passar do virtual para o real.

      é interessante a beça, se quiser a Bia tem.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 22/09/2011 @ 12:43 PM

  8. Sendo a favor ou sendo contra, as marcas expressam de toda maneira um universo de referências compartilhado mundialmente.

    xxxxxxxxxxxxxx

    Dando segmento, Renato:

    Assim como a empresa possui uma alma, a marca também possui uma personalidade. Define-se como personalidade da marca, segundo Aaker, o conjunto de características humanas associadas a uma determinada marca:

    “Os cigarros Virginia Slims, por exemplo, tendem a ser femininos,
    comparativamente ao Marlboro masculino.

    A Apple é considerada jovem, enquanto a IBM tende a parecer mais velha (em parte por existir há mais tempo)

    A marca Guess é considerada sofisticada, em comparação com a robusta Wrangler.

    A etiqueta Nike é atlética, enquanto LA Gear tende a ser percebida como mais ligada à moda.

    O cartão American Express é pretensioso, em relação ao Discovery Card, que é mais equilibrado”.
    E vai por aí a fora…

    A personalidade da marca pode ser mensurada através de pesquisas quantitativas e qualitativas, dado que as pessoas interagem com as marcas como se fossem personagens animados.

    As metodologias EPM (Escala da Personalidade da Marca) destacam fatores de personalidade tais como sinceridade, emoção, competência, sofisticação e robustez, além de também permitirem medir atitudes positivas e negativas em relação a cada marca, comparativamente a outras marcas da mesma categoria de produtos.
    Para tornar-se eficiente, a personalidade da marca deverá ser desejável e suficientementeimportante para a pessoa que a usa, ou seja, a personalidade da marca e as necessidades de autoexpressão precisam se adequar.

    Para isso existe o que se chama “modelo da base de relacionamento”, que exprime tanto as personalidades das pessoas com as quais as marcas se relacionam, quanto a natureza desses relacionamentos.

    Segundo Aaker (lembrando um exemplo) , alguns dos tipos de personalidade poderiam ser os seguintes: Prática, Espirituosa, Influente, Pretensiosa, Atlética etc., sendo que, a cada tipo de personalidade, se afinaria com uma marca e vice-versa – na verdade, essa correspondência é sempre móvel e varia de acordo com critérios de idade, sexo, classe social, raça e religião, entre outros; admite-se, inclusive, a hipótese das “personalidades múltiplas”, quando o que se almeja é a correspondência da marca com personalidades diferentes em uma mesma pessoa segundo os contextos nos quais ela participa e os papeis sociais que exerce.
    Vale a pena destacar ainda o modo em que a personalidade da marca interage com as denominadas “imagens mentais dos usuários”, que são, segundo Aaker, as representações das preferências do usuário padrão ou público-alvo.

    Qual o perfil das pessoas que usam a marca como elemento de auto-expressão? Quanto esse perfil se corresponde com a representação das preferências do usuário padrão? Qual o grau de “desvio”? Como isso pode afetar a personalidade da marca?

    Nunca esses elementos se encontram sob controle absoluto. Há sempre uma margem de indeterminação a ser preenchida pela publicidade e pela comunicação de uma maneira geral.Só assim passa a existir um momentâneo processo de ancoragem, dentro de um movimento ininterrupto do devir evolutivo natural.

    Para isso é preciso construir um conceito e um vocabulário da personalidade da marca capaz de orientar e manter os esforços de comunicação assestados para objetivos pré-definidos.
    Através desse conceito e desse vocabulário, enfim, a marca não apenas possui uma personalidade, senão que também fala!

    (ou, como afirma Clemente Nóbrega, “o que o marketing faz é criar linguagens competentes em engajar pessoas em diálogos”).

    Nada mais digno de se encaixar na leitura deleuziana de Bergson: a matéria é o conjunto das imagens em si , o universo do movimento em variação infinita sem centro de referência .O ser vivo é o centro de ancoragem do movimento , é o intervalo no fluxo do contínuo do movimento .
    Abraço
    João Pedro

    Comment by João Pedro — 22/09/2011 @ 4:02 AM

    • Claro que sim JP, certas críticas, certas afirmações são feitas como se fôssemos um bando de macacos, suscetíveis a qualquer coisa que tivesse aparência de banana.

      Incapazes de Discernimento e Análise.

      Propaganda sempre existiu. o Saber é propaganda. O Conhecer é formatador, seja lá do que for.

      Qualquer discurso é propaganda.

      … uau uau : onde foi parar nosso cérebro ? …

      bj de novo
      Fy

      Comment by Fy — 22/09/2011 @ 12:50 PM

  9. complementando e ainda encaixando:

    Fazendo um primeiro balanço dessa démarche conceitual (e conceitualizadora) do marketing e da publicidade, podemos observar que, apesar da sua pretensão “soberanista” de tornar-se parte integrante ou componente integral do ‘eu’ através da marca, ela esbarra permanentemente com uma indeterminação, com uma zona de correspondências móveis que exige sempre um esforço extra de comunicação para alcançar os objetivos da alma empresarial que lhe deu origem.

    Por outro lado, há o reconhecimento (tem que haver) (por parte dos profissionais do marketing) de que hoje não mais se está lidando com um “consumidor genérico”, mas com mercados constituídos por pessoas fazendo escolhas individuais, cada uma a sua maneira e querendo as coisas a seu modo (cf.Nóbrega, 2002).

    Assim, não existiria mais a priori, senão necessidades e desejos a serem modelados pela INTERAÇÃO CONTÍNUA entre produtores e consumidores.
    E à nível mundial.

    Ora, se as necessidades e desejos passam a ser modelados pela interação entre produtores e consumidores, o que há é, no mínimo, uma co-produção do mercado.
    Antes de inflectir o debate nessa direção, entretanto, é preciso esclarecer que existe um poderoso arsenal crítico para tratar do marketing e da publicidade no capitalismo contemporâneo, que inclui, entre outros, a crítica da indústria cultural da Escola de Frankfurt, a crítica da Sociedade do Espetáculo de Guy Debord (“As imagens que se descolam de cada aspecto da vida”), e os críticos da condição pós-moderna (Jameson, Habermas, Harvey).

    Em termos gerais, todos eles destacam aspectos extremamente perversos da instrumentalização do mundo da vida através do poder da imagem e da comunicação, e de seu apelo maçante a participar das benesses do mercado. Contudo, nenhuma delas seria compatível com o argumento da COPRODUÇÃO DO MERCADO, isto é, com a figura de um consumidor proativo capaz de determinar a própria maneira de se produzir mercadorias.

    Como imaginar uma democracia verdadeira sem capitalismo?
    A crítica sobre a competitividade que o capitalismo encerra é propaganda comunista.

    Té já, papo bom!
    João Pedro

    Comment by João Pedro — 22/09/2011 @ 4:10 AM

    • João, vc é um fofo, Beijo seu lindo!!! =)

      Comment by LU — 22/09/2011 @ 5:04 AM

    • Agree.

      Fy

      Comment by Fy — 22/09/2011 @ 12:56 PM

    • Faço coro =)

      O capitalismo, e consequentemente o consumismo, são os conceitos que mais levam chumbo descabido hoje em dia, e a raiva, em bola de neve, com o “fracasso” prático obscura o fracasso informativo…

      Comment by Lotus Eater — 22/09/2011 @ 3:57 PM

  10. http://www.youtube.com/user/oslovanet#p/u/15/azVqekQBK8g

    Rever situações históricas , re-avaliar preconceitos sociais , restabelecer identidades culturais e

    denunciar arbitrariedades imagéticas sociais são algumas das tarefas e

    temas que cineastas interculturais se propõem à levar para as telas e

    transformam o cinema num terreno de discussão e de reavaliação social e histórica .

    A crítica sobre a competitividade que o capitalismo encerra é propaganda comunista.

    Sim JP, quem sabe a cadernetinha cubana IGUALANDO nosso consumo?
    bjitos da Carol pra todo mundo deste papo cabeça

    Comment by Carol — 22/09/2011 @ 6:16 AM

    • aê Carol!

      bj
      Fy

      Ca, este quadradinho de comentário tá uma verdadeira tourada. Saiu direitinho, era este o vídeo q vc queria ?

      de qq forma: adoro esta música.

      Comment by Fy — 22/09/2011 @ 12:59 PM

  11. Comment by Carol — 22/09/2011 @ 6:17 AM

  12. Fy, me atrapalhei aí, amiga
    conserta pra mim?
    bjitos

    Comment by Carol — 22/09/2011 @ 6:18 AM

  13. Fy, querida, teu blog é um sonho!!!

    Comment by Laura — 22/09/2011 @ 12:03 PM

    • Querida é vc que escreve isto!

      E o Wind é nosso.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 22/09/2011 @ 1:01 PM

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