windmills by fy

04/11/2011

Filosofia ? – 1

Filed under: Uncategorized — Fy @ 2:38 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Este post é uma pequena homenagem ao inigualável   Marques Patrocínio  ,  Alice Valente  , Steven Miesel e sua arte-fotografia ,

e sobretudo ao   Grupo Corpo , esta  “surpreendência” brasileira ,  que  atravessa o mundo , sob intensos aplausos e exclamações :

With its fast footwork and dynamic Brazilian rhythms ,

Ongotô sets out to explore a monumental theme – that of humanity’s place within the vastness of the universe.

Edinburgh International Festival 2010
Grupo Corpo – Ongoto

 

levando nossa arte e sensibilidade , através do maravilhoso trabalho dos irmãos Pederneiras . 

E , claro uma Homenagem à Filosofia e à Dança como Arte .

Mas além de homenagem , um agradecimento ao tio Guz , – que perfazendo um contorno contínuamente em expansão –  ,

brilha neste  meu crescente festival de Vida e , claro , de Amigos : devires-água no meu existir .

“ Como essa escrita é atravessada por muitas forças , para nomeá-las

demandaria um delicado trabalho cartográfico , mas algumas , por sua intensidade ,

não poderiam faltar no traçado afetivo desse mapa de gratidão . ”

Porque por aqui  Arte é  Vida  e Vida : Conhecimento :  um eterno e mutante devir .

Fy

 

 

 

 

44 Comments »

  1. E cá estou eu, dançando com a Filosofia!
    Maravilhoso.
    Camila

    Comment by Camila — 04/11/2011 @ 1:36 PM

    • Muito bom este Vinícius ! E os outros todos também . Vamolá , Camila , filosofemos dançando , sempre. hahahahaha

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 04/11/2011 @ 1:46 PM

  2. Fy,

    Fico lisonjeado pela homenagem, embora não a mereça em escala alguma, sou apenas mais um bailarino em meio à inquietação provocada pela música sem som dos pensamentos sem fronteiras e limitações. Quanto a sua postagem, propriamente uma pintura, e me traz ainda mais a certeza de que aqui nesse espaço a filosofia ganha som, imagem e movimento; Aqui a provamos por mais de um sentido; Aqui aprendemos inclusive que podemos dançar, nesse espaço apesar de nem todos ouvirmos a mesma música, ainda assim dançamos…

    “Isso serve para alguma coisa ?”

    Sim, isso nos leva àquilo que nos foi negado. E como queremos ir somente onde somos proibidos de adentrar, somente “isso” por nos levar.
    Onde queremos ir? Isso pouco importa, se durante o trajeto música, dança e arte nos acompanhar…
    Filosofia nossa, deixou a inércia de vossos teóricos, e está conosco a dançar… E nessa dança encontramos “o mais”!

    Abraços,

    Marques Patrocínio

    Comment by Marques Patrocínio — 04/11/2011 @ 2:41 PM

    • Claro que vc é um Dançarino ! Suas palavras tem um ritmo alucinante ! Sua escrita é um convite, um apelo ao movimento. Movimento sem fronteiras e limitações. Esta é a verdadeira dança.

      ‘“(…) a dança quer mostrar aos mortais como o real, o irreal e o inteligível se podem fundir e combinar”. – José Gil .

      Ah… eu vou lembrar de mais um sócio deste clube da Liberdade : meu querido Spinoza !

      Para Espinosa, a tristeza é o afeto que envolve a diminuição da potência de atuar e da força de existir de um corpo, e a alegria o que envolve seu aumento. Ora, a essência do homem é sua potência de agir, pensar e existir em ato, pois é assim que ele persevera em sua existência. Uma essência que não remete ao que se é, mas ao que se pode. Assim, contrariamente ao que foi dito até o momento, a efetuação de sua potência é tudo o que pode um corpo, sendo o afeto, em sua variação contínua, essa efetuação, tristeza quando a potência é diminuída, alegria quando é aumentada.

      Continuando, outra citação, agora da própria aula do Deleuze:

      a tristeza será toda paixão, não importa qual, que envolva uma diminuição de minha potência de agir, e a alegria será toda paixão envolvendo um aumento de minha potência de agir. Isso permitirá que Spinoza, por exemplo, realize uma abertura em direção a um problema moral e político muito fundamental, que será sua própria maneira de estabelecer o problema político: como acontece que as pessoas que têm o poder, não importa em que domínio, tenham necessidade de afetar-nos de uma maneira triste? As paixões tristes como necessárias: inspirar paixões tristes é necessário ao exercício do poder. E Spinoza diz, no Tratado teológico-político, que esse é o laço profundo entre o déspota e o sacerdote: eles têm necessidade da tristeza de seus súditos. Aqui, vocês compreenderão com facilidade que ele não toma “tristeza” num sentido vago, ele toma “tristeza” no sentido rigoroso que ele soube lhe dar: a tristeza é o afeto considerado como envolvendo a diminuição da potência de agir.

      (…) O que é importante é que vocês percebam como, segundo Spinoza, nós somos fabricados como autômatos espirituais. Enquanto autômatos espirituais, há o tempo todo idéias que se sucedem em nós, e de acordo com essa sucessão de idéias, nossa potência de agir ou nossa força de existir é aumentada ou é diminuída de uma maneira contínua, sobre uma linha contínua, e é isso que nós chamamos afeto [affectus], é isso que nós chamamos existir. (…)

      … outro bruxo.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 07/11/2011 @ 2:31 PM

  3. Belíssimas palavras, amigo Marques. Magnífico poema! Magnífico.

    Eu só poderia fazer minhas suas palavras, num descarado roubo de inspiração e arte.

    ‘sou apenas mais um bailarino em meio à inquietação provocada pela música sem som dos pensamentos sem fronteiras e limitações.’

    À semelhança de Crowley, à semelhança de tantos ‘malditos’, celebremos a Sabedoria em seu verdadeiro altar, a Liberdade. E em meio à arte, à música, e à filosofia, busquemos ‘o mais’ homenageando nosso Filósofo Dançarino: Friedrich Nietzsche, aquele que tambem produziu entre o pensamento e a época uma certa relação extemporânea, intempestiva, ao mesmo tempo, prospectiva e liberadora, ligando o Pensamento Vivo à Existência.Porque ‘sem a Música, a Vida seria um erro.” huahUahHu.

    mas, como penso que o não-conhecer torna-se um perigoso inimigo, um vírus faminto que apenas destrói nossa imunidade tornando-nos presas e vítimas dos arames farpados e correntes de uma vida menor, lá vai, um gosto, um algo mais, sobre este grande pensador:

    Nas palavras de Zaratustra, retrata-se em tom sarcástico, aos desprezadores do corpo, a ingenuidade, algo como uma “brincadeira de criança”, a possibilidade de conceber a separação entre corpo e alma (razão e emoção; corpo e mente).

    Em “Para Além de Bem e de Mal”, Nit abala em tom mais sério, sem perder a ironia, aponta:

    “Alguma superstição popular proveniente de tempos imemoriais (como a superstição da alma que, como superstição do sujeito e do eu ainda hoje também não cessou de provocar disparates), algum jogo de palavras, talvez, uma sedução de parte da gramática, ou uma ousada universalização de fatos muito estreitos, muito pessoais, muito humanos, demasiado humanos.”

    Nesse pensamento de Nit, expõe-se o quão grosseiro (característica das brincadeiras de criança) é o intelectualismo da metafísica que se faz enquanto um saber superficial, simplista e filosoficamente imaturo.

    Para Nit é impossível extrair do processo de pensamento, da consciência, do “ser”, algum “eu” que, de tal maneira, possa ser capaz de dizer que pensa, ou como Descartes, “PENSO, LOGO EXISTO”. Revela-se enquanto uma fantasia produzida pelas funções lógicas e gramaticais a tentativa de apreender uma unidade de consciência, de conhecimento, em seu caráter puro. hehe

    É eliminar essa ingenuidade do “ser” que Nit aponta como superação das correntes da filosofia dogmática.

    – É nisso que consiste o pensamento crítico em Nit, despertar-se, ser sensível a captação da consciência que se revela enquanto processos “contaminados” e não puros.

    Ser consciente em Nit é saber que a consciência anda sobre o plano de fundo do desconhecido.

    A idéia do “eu penso” nos leva a uma série de falsificações criadas pelo próprio “ser”, entre elas, a idéia de que o pensamento é algo à parte do corpo, que existe um “eu” interior, que é possível estabelecer o que se deve pensar, que eu sei pensar, existência de corpo e alma, etc.

    Assim, em Nit, a grosseria de Descartes se revela no fundamento de postular que há algo em mim que pensa, um “eu” interno e substancial autônomo. Um “eu” criado pela própria subjetividade desconhecida.

    A superstição dos lógicos, dita por Nit, se apresenta aquele que crê na possibilidade do pensamento chegar quando “ele” quiser, e não quando “eu” quero.

    Em Nit o pensamento é uma atividade, e enquanto tal se revela enquanto o “ser” atua.

    Consiste em destituir o “eu substancial” enquanto causa do pensar, pelo ato de pensar enquanto funções lógicas intimamente ligadas à estrutura gramatical da linguagem criada pelo homem.

    Mas quem é o “eu”? Há um “eu” que habita nós mesmos? – Nietzsche nos responde através de Zarastustra:

    “Por detrás de teus pensamentos e sentimentos, meu irmão, se encontra um poderoso senhor e um sábio desconhecido – ele se chama si mesmo. Ele habita o teu corpo, ele é o teu corpo. Há mais razão em teu corpo do que em tua melhor sabedoria. E quem sabe, aliás, para que o teu corpo necessita justamente da tua melhor sabedoria? Teu si mesmo se ri do teu eu e de seus saltos orgulhosos. ‘O que são para mim esses saltos e asas do pensamento’?, diz ele consigo. Um desvio para as minhas finalidades. Eu sou a andadeira do eu e aquele que infla os seus conceitos.”

    Percebe-se que Nit inverte os pólos sagrados da metafísica, do Cristianismo, do platonismo, do dogmático e propõe o “corpo” enquanto a grande razão.

    Aqui não há uma alma, um espírito, um “eu”, uma substância subjetiva que está aprisionada no corpo, é o próprio corpo que és tu.

    “”O corpo é uma grande razão, uma multiplicidade com um único sentido, uma guerra e uma paz, um rebanho e um pastor. Instrumento do teu corpo é também tua pequena razão, meu irmão, que tu denominas ‘espírito’, uma pequena ferramenta e um brinquedo de tua grande razão.

    ‘Eu’, dizes tu, e estas orgulhoso dessa palavra. Mas aquilo que é maior, em que não queres crer – teu corpo e sua grande razão – não diz eu, porém FAZ eu.

    Aquilo que os sentidos sentem e que o espírito conhece, não tem neles mesmos seu fim.

    Porém sentido e espírito te convencem de que eles são o fim de todas as coisas – tão vaidosos são eles.

    Ferramenta e brinquedo são sentidos e espírito: atrás dele se encontra ainda o si mesmo. O si mesmo procura com os olhos dos sentidos, escuta com os ouvidos do espírito.”
    (Assim falou Zaratustra, dos desprezadores do corpo).

    ———–

    uma beleza, Fy,se me permite: uma beleza.
    beijo a todos,
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 05/11/2011 @ 1:51 AM

    • Tio Guz,

      “À semelhança de Crowley, à semelhança de tantos ‘malditos’, celebremos a Sabedoria em seu verdadeiro altar, a Liberdade.”

      Altar esse que resiste até ao assalto mais forte da mais torpe instiuição! Lendo sua excelente exposição Nietzscheana, Crowley me cutucava ao lado com adendos a sua filosofia do prazer que pretende atingir de fato o clímax da liberdade ao gozo do prazer e do respeito ao prazer do próximo:

      “com relação ao ciúme e à paixão desenfreada, é suficiente afirmar que nove décimos da miséria social não originada pela pobreza provêm deste tipo de alucinação? O Livro da Lei arremessa-os para fora de sua existência. ‘Não haverá qualquer propriedade sobre a carne humana.’ Ninguém tem o direito de dizer a ninguém o que se deve fazer ou não com seu corpo. Estabeleça este princípio de absoluto respeito pelos outros e todo o pesadelo to sexo se dispersa” – [Confessions].

      O que me fascina em Crowley vem de encontro ao que expõe de Nietzsche na afirmativa de total dependência do universo fenomênico do sujeito-percebedor (“o universo (…) existe somente em virtude do (…) pensador”), sem o qual a própria existência não se afirma, pois tudo depende de um
      sujeito que perceba a existência, o foco ou a importância ontológica, no idealismo subjetivo, é transferida para o sujeito, e não mais para o objeto. Aos olhos de Crowley isso garantiria ao sujeito (e não ao objeto, o mundo fenomênico simbolizado pelos rígidos dogmas de um deus antropomorfo e despótico) a primazia da própria criação e existência de todo o universo… Liberdade, Liberdade, Liberdade!

      Abraços,

      Marques Patrocínio

      Comment by Marques Patrocínio — 05/11/2011 @ 2:17 AM

      • Aloha Marques, Gustavo, Carol

        Eu volto mais tarde, to aqui com a minha peãozada no meio de uma lama só! Mas, uma rapidinha Hua|Hua só pra não perder o embalo, Crowley, Nietzsche… e Sartre também (por enquanto): e é bem por aí que deuses e governos se arrepiam: // Sartre discute que a liberdade é um “destino coletivo” não se trata de uma simples “fatalidade”. Não existe determinismo somente liberdade é determinante que faz do homem ser aquilo que ele faz de si mesmo, pois, o homem está condenado a ser livre este se lançou ao mundo é responsável por tudo que fizer, é um sujeito que é dono da sua própria historia e da humanidade.

        Mais, camarada Marques, Salve Babalon! eternamente Babalon!

        abraçoaê
        TocaYo

        Comment by TocaYo — 05/11/2011 @ 5:50 AM

        • somente liberdade é determinante .

          Salve Babalon, man !

          .. you know:

          Comment by Fy — 07/11/2011 @ 3:12 PM

      • Fy, esplêndido! Pura expressão, emoção,sensações sómente decifráveis pelo sublime contato da música, poesia, enfim da arte com o corpo. Parabéns ao Steven M., M. Patrocínio e tio Guz.

        Em relação aos comentários dos dois, penso ser oportuno acrescentar uma outra relação com o pensamento trágico, trata-se da tragédia como elemento intrínseco à vida e que, por assim dizer, possibilitaria um modo de vida mais potente e alegre dentro de um ethos afirmativo diante da condição humana.Sim, lendo Aleister Crowley cabe aqui recorrer a Nietzsche que tão bem discorreu sobre a cultura helênica antes de Sócrates, o demônio da razão. Ora, que a existência compreende forças destrutivas, dor, morte e doença não há como negar, somos frágeis diante da vida inaudita e, ainda assim, tudo o que vive persevera por expansão, vontade de potência! A tragédia como potência afirmativa da vida encontra no deus Dioniso a sua metáfora mais contundente, um deus que diante do abismo dança, canta e ri rodeado de belezas e prazeres que a vida, apesar de trágica, proporciona.
        A vida não pode ser capturada pelos discursos do saber, pois se trata de fluxos que escapam por toda parte, vibrações quânticas da matéria do universo cuja carne somos carne, relações por toda parte causando afetações. Que direito tem o homem de eleger um sentido universal à ínfima parte do afeto que ele consegue capturar pelas vias da razão?
        Morra a verdade, faça-se a vida! – F. Nietzsche
        Isso explode por toda parte…

        Bel

        Comment by Isabel — 07/11/2011 @ 1:06 PM

        • Hi Bel,

          Morra a verdade, faça-se a vida! – F. Nietzsche

          tudo o que vive persevera por expansão, vontade de potência!

          Isso explode por toda parte… – é . . .

          [ ondeando na vibe do João Pedro:

          bj
          Fy

          Comment by Fy — 07/11/2011 @ 1:34 PM

      • Always, Mr. Patrocínio! Liberdade e mais liberdade .

        Aqueles que são seguidores nunca conhecem a beleza de experienciar coisas novas. Eles sempre têm usado conhecimento de segunda mão, e fingido serem sábios. As pessoas são certamente muito estranhas. Elas não gostam de usar sapatos de segunda mão; nem mesmo em seus pés elas porão sapatos de segunda mão. Mas quanto lixo elas estão carregando em suas cabeças… simplesmente sapatos de segunda mão! Tudo o que elas sabem é emprestado, imitado, aprendido – não pela experiência, mas somente pela memória. O conhecimento delas consiste em memorização.
        O rebelde não tem um caminho como tal.
        Ele anda, e faz o seu caminho enquanto anda.
        O rebelde assemelha-se a um pássaro voando no céu; que caminho ele segue? Não existem estradas no céu, não existem pegadas de pássaros ancestrais, de pássaros notáveis, Gautama Budas. Nenhum pássaro deixa qualquer pegada no céu; portanto o céu está sempre aberto. Você voa e faz o seu caminho.
        Encontre a direção que lhe dê alegria. Mova-se para a estrela que toque sinos em seu coração. Você deve ser o fator decisivo, ninguém mais!
        – Osho –

        bj
        Fy

        Comment by Fy — 07/11/2011 @ 2:45 PM

    • Percebe-se que Nit inverte os pólos sagrados da metafísica, do Cristianismo, do platonismo, do dogmático e propõe o “corpo” enquanto a grande razão.

      Aqui não há uma alma, um espírito, um “eu”, uma substância subjetiva que está aprisionada no corpo, é o próprio corpo que és tu.

      “”O corpo é uma grande razão, uma multiplicidade com um único sentido, uma guerra e uma paz, um rebanho e um pastor. Instrumento do teu corpo é também tua pequena razão, meu irmão, que tu denominas ‘espírito’, uma pequena ferramenta e um brinquedo de tua grande razão.

      ‘Eu’, dizes tu, e estas orgulhoso dessa palavra. Mas aquilo que é maior, em que não queres crer – teu corpo e sua grande razão – não diz eu, porém FAZ eu.

      —————————-

      Eu sou a andadeira do eu e aquele que infla os seus conceitos.”

      —————————-

      Verdade é escravidão!
      Não acredito em sistemas teóricos, em geral eles são nefastos e catastróficos, podem nos ajudar à medida que nos alimentamos sem deles fazer palavra de verdade, mas o homem de carne e osso atravessando seus devires é afetado por muito mais que está fora dessas frágeis embalagens da razão.

      Experimentar e jamais interpretar!

      (Deleuze)

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 07/11/2011 @ 2:44 PM

  4. Emocionada! Fiquei emocionada.

    Mas além de homenagem, um agradecimento ao tio Guz, – que perfazendo um contorno contínuamente em expansão –

    brilha neste meu crescente festival de Vida e, claro, de Amigos: devires-água no meu existir.

    Fy, que seja uma homenagem minha também! Querido Gustavo!Querido e querido é pouco. Quantas viagens na minha própria arte eu devo a você! Quantas descobertas! Eu danço você!

    Tá lôco!

    Fy, este estudo do Grupo Corpo é tão vivo, tão pele e emoção que mexeu mesmo com agente, né?

    Lembrei disto tambem e acho que intensifica o argumento do post:

    Em Pequeno Inventário de Lugares-Comuns, Cia. – Dani Lima chama atenção para as pequenas ações do dia a dia, que se tornam invisíveis graças ao excesso de familiaridade. O resultado é a construção de sua “poética do cotidiano”.

    O espetáculo é um convite à contemplação de um banal que não é banal e à fruição do prazer estético que a água descendo pelo ralo em redemoinho ou a textura de um grupo de objetos azuis ao lado de um bolo de objetos vermelhos podem oferecer.
    De acordo com Dani Lima, “Pequeno inventário… é um projeto sobre o universo das ações ordinárias e das pequenas memórias que nos constituem diariamente”. Aos 45 anos, a artista dirige a companhia que leva seu nome desde 1997, embora a maioria de seus projetos aconteça em colaboração com outros bailarinos – ou seja, sem uma hierarquia vertical. Dani Lima traz para suas obras influências que vão desde o balé clássico, circo, contato-improvisação, teatro e performance até a academia, já que ela é mestre em Teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e professora da Faculdade de Dança da UniverCidade, também no Rio.

    A mesma lógica de olhar de forma diferente para simples objetos está também presente no trabalho corporal dos bailarinos. A investigação se deu em torno de ações básicas como dobrar, correr, puxar e sacudir – que, mais uma vez, todos nós realizamos continuamente, sem pensar muito, mas que na peça são esmiuçadas e transformadas. Por meio de descrições dos movimentos uns dos outros e depois de sugestões (como por exemplo, esticar, girar a cabeça e saltar) a movimentação vai se desenhando de acordo com as particularidades de cada dançarino.

    Na oficina ministrada pela companhia em Salvador, fica clara a influência do teórico do movimento, artista plástico e coreógrafo húngaro Rudolf von Laban (1879-1958) para a criação deste espetáculo. Dani Lima, ao compartilhar parte de seu processo, pediu aos participantes que explorassem diferentes ações corporais, atentos às possíveis variedades de peso, tempo, espaço e fluxo do corpo – os fatores de movimento propostos por Laban. A artista chamava atenção para que, durante o exercício, o grupo mantivesse o foco nas ações de forma objetiva, sem “psicologizar”, evocar emoções ou interpretações. Paralelo a isso, a instrução era para que, de tempos em tempos, se mudasse radicalmente a dinâmica do movimento executado, de forma a ampliar o repertório de possibilidades.

    Essas foram estratégias usadas também para a construção de Pequeno Inventário… A partir de gestos que têm uma finalidade específica, como, por exemplo, se despedir de alguém ou espantar um mosquito, Dani Lima compôs um solo em que transita com precisão por movimentações de qualidades bem diferentes.
    Cabe destacar que os artistas levam em conta a presença da plateia, dialogando de forma bem humorada com as situações que vão acontecendo no momento da apresentação. A peça é coesa, cada escolha revela-se implicada nas demais. Desse modo, não se vê excessos, os elementos presentes dialogam uns com os outros e tornam-se indispensáveis à constituição da obra. O resultado é uma dramaturgia acessível, mas longe de ser óbvia, que investe na complexidade da concisão.

    É genial esta fusão entre Teatro e Dança.

    bjnhosss comovidos da Carol….

    Comment by Carol — 05/11/2011 @ 4:31 AM

    • “é com o disponibilizar-se para o movimento alheio que recebemos a novidade do universo poético do corpo aberto de outra pessoa.”

      Cabe destacar que os artistas levam em conta a presença da plateia, dialogando de forma bem humorada com as situações que vão acontecendo no momento da apresentação. A peça é coesa, cada escolha revela-se implicada nas demais. Desse modo, não se vê excessos, os elementos presentes dialogam uns com os outros e tornam-se indispensáveis à constituição da obra. O resultado é uma dramaturgia acessível, mas longe de ser óbvia, que investe na complexidade da concisão.

      Fy, este estudo do Grupo Corpo é tão vivo, tão pele e emoção que mexeu mesmo com agente, né?

      Ahahaha : pele e emoção. O resto é bobagem, Ca.
      bj
      Fy

      Comment by Fy — 07/11/2011 @ 3:09 PM

  5. Êeta papo bom demais!

    à voces, depois eu volto também,

    “A grandeza do homem é ser ele uma ponte, e não uma meta; o que se pode amar no homem é ser ele uma transição e um ocaso.” – F.Nietzsche – Assim falou Zaratustra, I,4

    Num primeiro momento da história espiritual do homem, pelo menos o de espírito sadio, ele não passa de um camelo, que, como o desgraçado animal, apenas ajoelha-se e agradece quando lhe dão uma boa carga. Carrega pelo deserto as culpas por ter nascido. Na sua humilde corcova avoluma-se as penas do mundo, sobrecarregado pelas regras morais e pelas imposições que lhe fazem, que lhe dizem – tu deves (Du-sollst!)! Porém, no deserto, isolado, dá-se uma transformação.

    O camelo vira um leão.

    É o espirito que, liberto, quer ser “o senhor do seu próprio deserto”. Agora é ele quem, rugindo desafiante, responde – eu quero! (Ich will!). Se bem que o leão não consiga ainda criar os novos valores, ele pelo menos, assentado na sua força e vigor, sacode para fora a canga que afligia o pobre camelo. Dá-se então a derradeira transformação – o leão vira criança. Sim porque a criança é esquecimento, é um novo começo, é o embrião do super-homem que, ao crescer e desenvolver-se, “quer conseguir o seu mundo”.

    (tio) Renato

    Comment by Renato — 05/11/2011 @ 6:26 AM

  6. é com o disponibilizar-se para o movimento alheio que recebemos a novidade do universo poético do corpo aberto de outra pessoa.>>

    A linguagem filosófica é uma ferramenta relativamente nova na publicidade.
    Faz parte do apelo emocional e tem o objetivo de provocar reflexão. O objetivo é de propor ideias ao invés de impor uma forma de pensar. Uma maneira de causar empatia com a marca e provocar uma troca de sensações prazeirosa com o público, que publicitariamente, é o nome bonito do consumidor, desde que consumidor, cínicamente se tornou palavrão.

    No Brasil, a linguagem filosófica teve seu primeiro grande momento com o filme criado pela DPZ, em 2007, para o Itaú Personnalité, que questionava: O que é essencial para você?

    No mesmo ano, a Africa criou campanha para o Pão de Açúcar perguntando: O que faz você feliz?

    Aí, não sei se voces lembram, estreou o primeiro comercial de televisão da Natura para o seu perfume masculino Kaiak. Nesta campanha, criada pela Taterka, a questão é: O que move você?

    O que une os exemplos citados são os questionamentos e a utilização do pronome pessoal na segunda pessoa, o Você.
    Sem dúvida esta é a filosofia do envolvimento, do sair de sí, de caminhar em direção ao outro, criando um “possível diálogo” mais envolvente, interativo e relevante. Uma filosofia de cidade.

    Algumas pessoas classificam a Publicidade como arte, eu não. A Arte sempre foi e é inovadora, é contestadora, cria tendências, alimenta e é alimentada por novos movimentos culturais. É direito da arte provocar, criar reações adversas e repulsa algumas vezes. Já a publicidade precisa caminhar em trilhas mais seguras, ela não pode correr o risco de não ser aceita. Aqui eu fico com o David Olgivy que considera que a publicidade, ao contrário de influenciar costumes sociais, os reflete. Não sendo jamais o carro chefe de mudanças significativas.

    É certo que alguns trabalhos publicitários têm sim, características artísticas muito fortes, aliás a maioria dos melhores procura exatamente isto, mas isso em momento nenhum, oculta seu objetivo, nem tira de seu genoma a marca de seu mecenas, o cliente. Pois no momento em que fizê-lo deixa de ser publicidade e passa a ser simplesmente Arte.
    É mais ou menos como qualquer outra ciencia. A engenharia, por exemplo. A criação artística do Tocayo ou do Dennis é maravilhosa, mas esbarra nas exigências do cliente.

    A Publicidade é parte da ciência da comunicação, e pode e deve se utilizar de todos oconhecimento e recursos semióticos e explorar todas as possibilidades cognitivas para transmitir sua mensagem,( cada vez mais se aproximando do cinema) mas ela ainda assim é publicidade: parte da ciência da comunicação.

    Em resumo, para mim, a arte pode ser considerada como expressão espontânea da criatividade humana não tendo objetivo de ser, mas, em sendo, constituir-se como arte pelo mero fato de existir. Já a publicidade é parte da ciência da comunicação que se utiliza de inúmeras técnicas de transmissão de mensagem, ou da mensagem, como o cinema, inclusive a própria arte.
    A Arte cria conceitos, a publicidade os veícula. Com arte claro, sempre.

    Agora Fy, o post tá um assunto sério. Vou mandar uns trabalhos pra voce.

    Vou colocar os 3 filmes um em cada comentário pra não ser bloqueado:

    DPZ:

    Comment by João Pedro — 05/11/2011 @ 9:22 AM

  7. JP, ptzgrilo, isto não é arte?
    bjitos da Carol e parabéns.

    Comment by Carol — 05/11/2011 @ 1:10 PM

  8. Boa Noite Windmills, Fy, um show!
    Show de post e comentários.
    Melhor programa pra 6ª à noite, não tem. Só posso agradecer.
    Não perco a próxima apresentação deste grupo Corpo, aqui em São Paulo!
    Sofia

    Comment by Sofia — 05/11/2011 @ 1:14 PM

  9. Vamos juntas !
    bj
    Fy

    Comment by Fy — 07/11/2011 @ 1:25 PM

  10. Fy, impossível esquecer Espinoza, mesmo que ele não tenha explicitado a sensualidade tão fortemente quanto Crowley, convém lembrar que a alegria , em seu contexto universal é uma das mais ricas provas da sensualidade natural e humana.
    Por isto covém aos “doentes pelo poder’ execrá-la, confiná-la, condená-la” aos dominíos do demo. Exatamente como o fazem com a Sabedoria. HuaHuaHua : também espetacularmente: sensual.

    Deleuze em seu Tratado teológico-político, ao explicar Espinosa coloca-nos um problema ético e político fundamental: por que razão aquele que tem o poder, em qualquer domínio, tem, ao mesmo tempo, a necessidade de afetar de tristeza aqueles que mantém sob suas ordens? Para o exercício do poder, nos diz Espinosa, a tristeza é necessária, pois para governar, para sujeitar aquele que se deseja ter sob domínio, é necessário inspirar nele paixões tristes.

    Para compreendermos a radicalidade dessa afirmação do filósofo, é necessário que tomemos tristeza não em seu sentido vago, mas com o rigor que ele confere a esse afeto.

    Para Espinosa, a tristeza é o afeto que envolve a diminuição da potência de atuar e da força de existir de um corpo, e a alegria o que envolve seu aumento. Ora, a essência do homem é sua potência de agir, pensar e existir em ato, pois é assim que ele persevera em sua existência. Uma essência que não remete ao que se é, mas ao que se pode. Assim, contrariamente ao que foi dito até o momento, a efetuação de sua potência é tudo o que pode um corpo, sendo o afeto, em sua variação contínua, essa efetuação, tristeza quando a potência é diminuída, alegria quando é aumentada.

    Espinosa desfaz, com isso, o argumento de que é o poder o que todos queremos ou devemos querer, por ser através dele que efetuaríamos nossa potência, pois, contrariamente, o poder é sempre de efetuação da potência, não sua condição.

    Assim, afirmar que o poder é condição da potência, de sua perspectiva, seria uma grande bobagem, o que não impede que os homens se engalfinhem em uma luta incessante e feroz pelo poder, a um ponto tal que não saberiam existir se não tivessem a quem ou a que comandar e fazer obedecer.

    É nesse sentido que o poder faz parte de um mundo representativo, ao qual pertence também o mundo dos signos e da linguagem, com sua força imperativa de ordem, de mandato, de agenciamento do fazer-fazer.

    A potência, ao contrário, não é representativa, não é vontade de algo, é tão somente o que pode um corpo, pertencendo assim às relações, e se expressa, diminuída ou aumentada, nos afetos que a efetuam no encontro de corpos (humanos e não-humanos, já que todas as coisas que existem são corpos, cada uma com sua própria potência).

    Assim, quando Espinosa fala de potência e de afetos, isto é, de aumento ou diminuição de potência, ou quando Nietzsche fala de vontade de potência, o que ambos têm em mente não diz respeito à conquista de um poder qualquer. Eles diriam que o único poder é, afinal, a potência. Diz Deleuze: “A saber: aumentar sua potência é precisamente compor relações tais que a coisa e eu, que compomos relações, só somos duas sub-individualidades de um novo indivíduo formidável”.

    Dessa forma, quando dois corpos se compõem em suas relações um com o outro, há aumento de potência de ambos, quando um corpo descompõe o outro em suas relações, há diminuição de potência deste último. Compreende-se, assim, porque aquele que detém o poder precisa da tristeza do outro, isto é, da diminuição de sua potência, para compor suas próprias relações.

    Se compreendermos isso, compreenderemos também a razão da transformação da vida e dos acontecimentos do mundo em espetáculo investida pela mídia televisiva, principal acesso às riquezas e acontecimentos do mundo de boa parte da população: perante homens tristes, que têm suas relações descompostas no jogo de forças, todos os esforços para arrebatá-los de sua tristeza, de emocioná-los propondo a eles alegrias substitutivas, essas alegrias do outro que se empenham em animá-lo, jamais serão vãos.

    Mais uma observação, antes de caminharmos para uma finalização provisória deste texto. Espinosa chama de amor a alegria das relações que se compõem, e de ódio a tristeza das relações que não se compõem. O ódio é a alegria do homem triste, uma alegria indireta, substitutiva, que se alegra da descomposição das relações de todo e qualquer outro corpo que diminua, ou possa vir a diminuir, real ou imaginariamente, sua potência.

    A alegria substitutiva extraída da tristeza é sempre ressentida, não sendo capaz de sincera admiração pelas realizações de um outro e, muito menos, de solidariedade.

    Esse é o afeto de toda situação de dominação, de toda concorrência desmedida, sendo seu principal vetor a violência de uns contra os outros. Daí a conclusão de Espinosa de que devemos temer os homens tristes, pois são muito perigosos.

    São eles que, impotentes, precisam dos poderes e de sua hierarquia para efetuar sua potência. Para essa efetuação, todos os meios lhes são válidos.

    beijo a todos, e voltemos aos guarda-chuvas!
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 08/11/2011 @ 5:44 AM

  11. Buenas….Grande fim de semana com o SWU rolando – eu só posso acompanhar pelo multishow, mas vale a pena – grandes bandas!

    Destaco algumas que estão entre as minhas preferidas:

    Faith no More:

    Stone Temple Pilots:

    Alice in Chains:

    Não sei se esses links vão caber neste comentário, mas fica aí a dica…rsrs

    Valeu!

    Comment by billy shears — 13/11/2011 @ 8:00 AM

  12. seu blog é inacreditável, aí venho nos comentários e me deslumbro ainda mais.
    Parabéns, virei leitora assídua. Sou a Analice. Bons feriados para voces.

    Comment by analice — 15/11/2011 @ 7:34 AM

    • Analice , que mto bom ! Como diz o post : entre na roda. Seja bem vinda e dance como quiser .

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 16/11/2011 @ 11:06 AM

  13. O QUE É ISTO, A FILOSOFIA?
    “Que representa a filosofia? É uma das raras possibilidades de existência criadora. Seu dever inicial é tornar as coisas mais refletidas, mais profundas”. (Heidegger, m)

    Show de post!

    Comment by Marcos — 16/11/2011 @ 2:53 AM

    • Thanks, Marcos > welcome aboard !

      “Que representa a filosofia? É uma das raras possibilidades de existência criadora.”

      A filosofia implica uma mobilidade livre no pensamento, é um ato criador que dissolve as ideologias.
      Heidegger também.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 16/11/2011 @ 9:21 AM

  14. Relendo Nietzsche

    Olavo de Carvalho
    O Globo, 15 de fevereiro de 2003

    Do fenômeno que denomino paralaxe conceitual — o deslocamento entre o eixo da concepção teórica e o da perspectiva existencial concreta do pensador –, os exemplos são tantos, nos últimos séculos, que não me parece exagerado ver nele o traço mais geral e permanente do pensamento moderno. As idéias tornam-se aí a racionalização ficcional com que um intelectual se esforça para camuflar, legitimar ou mesmo impor como lei universal sua inaptidão de se conhecer, de arcar com suas responsabilidades morais, de se posicionar como homem perante a vida.

    Nas culturas européias ou mesmo nos EUA, esse impacto alienante é amortecido pela barreira residual da tradição cristã e clássica. Mas, num país como o Brasil, psicologicamente indefeso entre os muros de geléia de uma cultura verbosa e superficial, qualquer autor que faça algum barulho no mundo adquire as dimensões de uma potência demiúrgica, cultuada com temor reverencial. Suas mais gritantes fragilidades passam despercebidas, e qualquer tentativa de apontá-las é condenada como pretensão megalômana ou insolência blasfema.

    Um caso particularmente desesperador é Friedrich Nietzsche, a quem tantos neste país veneram, talvez porque nele encontrem algo como um monumento à sua própria alienação.

    Outro dia, conversando com uma amiga antropóloga, ela me lembrou que em certa época recente, na USP, ninguém no seu departamento era aceito como gente grande se não soubesse classificar na ponta da língua os fenômenos culturais em apolíneos e dionisíacos — uma distinção nietzscheana a que o livro de Ruth Benedict, “Padrões de Cultura”, dera foros de critério científico.

    Vamos ver quanto vale essa distinção?

    Em “A Origem da Tragédia”, Apolo, deus da luz e da ordem cósmica, é o senhor das aparências, do universo visível. Dionísio, caos e turvação, é causa e origem, é a realidade tenebrosa e fecunda por baixo do véu apolíneo. Assim diz Nietzsche, mas no mundo real as coisas às vezes são assim, às vezes não. Às vezes, é a aparência caótica dos fenômenos que oculta uma ordem profunda, a qual escapa ao comum dos mortais mas se revela aos olhos claros daqueles que Schiller denominava “filhos de Júpiter”. De fato, o contraste Apolo-Dionísio expressa, no mito grego, a tensão dinâmica entre os polos do caos e da ordem, da aparência e da realidade, em contínua rotação e intercâmbio no quadro do mundo. A compreensão de todo simbolismo mitológico ou religioso depende de um certo senso das inversões. Um símbolo, por definição, não tem sentido unívoco, podendo sempre transfigurar-se em seu contrário, conforme a esfera de ser a que se aplique num contexto dado. Por isto e só por isto tem força evocativa e geradora, não cabendo aprisionar na moldura de um conceito fixo aquilo que é antes, na feliz expressão de Susanne K. Langer, uma “matriz de intelecções possíveis”. Ao identificar de maneira estática a ordem com superfície, o caos com profundidade, Nietzsche eliminou artificialmente a tensão, congelando os opostos em papéis imutáveis. Degradou o símbolo em estereótipo. Transmutou o ouro em chumbo.

    O pior é que ele cai nessa justamente no momento em que está protestando contra o racionalismo e clamando pela volta dos mitos como força renovadora da civilização. Neutralizar as inversões tensionais, prendendo os pares de opostos na grade fixa de uma correspondência biunívoca, é o suprassumo do racionalismo esterilizante. No caso, totalmente involuntário. Nietzsche simplesmente não entendia o que estava fazendo.

    Abominando a dialética, preferindo à busca das sínteses a ostentação espalhafatosa das oposições estáticas, mas ao mesmo tempo querendo cavar efeitos de linguagem no vocabulário da simbólica tradicional, no qual nada pode opor-se definitivamente a nada porque tudo aí são aparências em incessante metamorfose, o que ele fez foi uma metafísica grosseiramente linear camuflada sob um manto de símbolos falsificados. E nestes o leitor então projeta as mais lindas sutilezas dialéticas que, é claro, não estão lá. Confunde o Apolo e o Dionísio do mito grego com os de Nietzsche, o símbolo com o estereótipo, e vê neste as profundidades daquele. Melhor para Nietzsche, pior para o leitor.

    Mas a substancialização fetichista dos opostos é somente um dos vários cacoetes mentais que, no autor de “Zaratustra”, buscam suprir a falta de autêntica intuição filosófica. Pior é este: ele confunde a reiteração enfática de um acidente com a definição de uma essência, e então sai disparando deduções daí obtidas pela via de um conseqüencialismo furiosamente mecânico. Assim ele transforma os problemas mais banais em dilemas insolúveis que lhe parecem tragédias, sem perceber que uma tragédia fabricada na base do hiperbolismo verbal não é tragédia, é farsa.

    Em “A Gaia Ciência”, após mostrar que em muito do que o homem faz está presente o instinto de sobrevivência, ele conclui que esse instinto é “a essência” (sic) do bicho homem, e então reduz todas as demais qualidades humanas a disfarces do instinto de sobrevivência. Mas esse instinto, sendo comum a todas as espécies animais, não pode ser essência de nenhuma delas em particular. Se o fosse, nas demais teria de ser mera propriedade ou acidente, o que resultaria em afirmar que só uma espécie sobrevive por instinto, as outras apenas por hábito, por acaso ou talvez por frescura. Não é preciso dizer que elas não concordam com essa tese de maneira alguma.

    O melhor em Nietzche são as notas de psicologia pejorativa, que ele extrai da observação de si mesmo mas em seguida projeta, com autoconfiança adolescente, em Sócrates, em Jesus Cristo, na humanidade inteira. O ressentimento do doente contra as pessoas saudáveis é uma delas. Mas por que esse diagnóstico deveria aplicar-se antes a Sócrates, velho soldado robusto, do que ao próprio Nietzsche, paciente crônico que mal se levantava da cama?

    Confuso, não?

    Comment by Lurdes — 16/11/2011 @ 3:40 AM

    • Hi Lurdes,
      “Confuso, não ? “

      Não. Não há confusão .

      Tavez exista sim uma significativa distância entre as pessoas q se interessam pelo Windmills e seus diversos posts e as pessoas q consideram o Olavo , ou um tal Pondé…. ou qq outra coisa assim, : Filósofos.

      Eu jamais discutiria qq opinião de Olavo de Carvalho … E, como astrólogo… ahahaha, não abro mão do Acuio !

      e depois … estamos falando de Nietzsche … – // … por aqui … o intuito é discutir Filosofia .

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 16/11/2011 @ 9:16 AM

      • Luiz Felipe Pondé é filósofo, doutor pela Universidade de São Paulo e Université de Paris VIII e professor do Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências da Religião da PUC-SP.

        O Olavo de Carvalho não é formado em filosofia.

        De qualquer forma, também não gosto dos dois.

        bj

        Lurdes

        Comment by Lurdes — 16/11/2011 @ 10:42 AM

        • Lurdes, eu tb não . Pra falar a verdade, não suporto.

          O Pondé mais me parece ter feito Facul de Boçalidade .

          O Olavo, de palavrão e cinismo. [ pelo menos serviu pra insultar o Lula : o mesmo nível ]

          E o Pondé, além de repulsivo, só podia mesmo ser prof de religião : um Edir Macedo com pretensões elitizadas … Os dois são a favor da Inquisição, entre outros crimes reigiosos. O Pondé chega a declarar, publicamente, que os genocídios promovidos pelo tal “cristianismo” pela historia a fora, nada mais foram que o extermínio de uma porção de “bobos” .

          bj

          FY

          Comment by Fy — 16/11/2011 @ 11:03 AM

  15. “Em “A Gaia Ciência”, após mostrar que em muito do que o homem faz está presente o instinto de sobrevivência, ele conclui que esse instinto é “a essência” (sic) do bicho homem, e então reduz todas as demais qualidades humanas a disfarces do instinto de sobrevivência.”

    Esse fim de semana vi um filme chamado “Detenção”; trata-se de uma experiência que consiste em colocar 2 grupos de indivíduos em um local fechado, simulando uma prisão. Um grupo – menor – é o dos guardas, o outro – maior – é o dos prisioneiros. Durante uma série de situações conflitantes, emerge duas lideranças, uma em cada grupo. Forest Whitaker e Adrien Brody em grandes atuações. Resumindo: No final um cara fala para o outro – que antes de entrar era um cara idealista e pacifista – e aí, você continua a achar que somos diferentes dos macacos na escala evolutiva? ele responde: sim, pq nós podemos fazer algo a respeito.

    È justamente esse “algo a respeito” que nos distingue não só dos animais, mas tambéms de outros seres humanos. É a nossa personalidade. E cabe a nós desenvolvê-la e aprimorá-la, no sentido de sermos um indivíduo melhor, mais consciente de seu papel na sociedade. Nós podemos escolher evoluir.

    Comment by billy shears — 16/11/2011 @ 5:19 AM

    • A Gaia Ciência é uma poesia singular: – escrito em parágrafos, tão do jeito de Nietzsche, alguns tão breves , outros relativamente longos, … naquele tom religiosamente ateu, aforístico e arrogante que tanto caracterizam Nit .
      Nietzsche dança com o paradoxo e a constante deslocação de ângulo (frequentemente: inversão) em relação à aquele e a tudo que se espreguiça na rede do hábito e do senso comum.

      É fascinante ondear na lucidez e na habilidade sutil desta operação que nos leva a mudar de enfoque, um mergulho na procura de um olhar fresco e sem lastro, desmistificador, irónico e tão perigoso quanto a coragem.

      É uma poesia , alem de realmente ser Filosofia , à procura da alegria do saber: uma alegria que nos parece impiedosa e injusta, porque é sempre a exaltação da vitalidade e da força que empurram «continuamente para longe de nós algo que, em alguns , quer morrer». [ : é o tal do tremendo medo da Vida …] Repito : exalta a coragem de viver . e de ser maravilhosa e grandiosamente Humano .

      Billy, eu não vi o filme: já tem pra alugar ou pegar na internet ?

      Mas de qq forma, eu concordo : nós podemos fazer algo a respeito.

      bj

      … ah ah ah mais idéias ?

      Comment by Fy — 16/11/2011 @ 10:50 AM

    • alem do que : You’re Perfect ! YES : it’s TRUE !

      hahaha

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 16/11/2011 @ 11:10 AM

      • Fy,

        O filme passou sábado no Telecine, acho que deve reprisar.Vi por acaso, tava mudando de canal e parei pra ver até o final – ainda bem que peguei no início, é horrível qdo a gente pega filme no meio…hehe

        Yes it’s true……o FNM arrebentou no SWU; show antológico. Fizeram um terreiro de macumba no palco e o Mike Patton vestido de pai de santo; noves fora a criatividade dos caras, a banda mostrou que está em forma e tocou muito. Lembro que fui a um show deles lá no Mineirinho, na década de 90 – 92 ou 93 – e eles mandaram muito bem. Eu sabia as letras quase de cor…hehe

        Qto às ideias, estou às voltas com um caminhão de apostilas e livros que tenho para estudar, pois em março do ano que vem farei uma prova importante no meu trabalho; o negócio é um funil, são poucas vagas e muita gente concorrendo. Logo se quero passar tenho que estudar muito. Até porque não me sobra tempo durante a semana, pois trabalho o dia todo, de maneira que vou ter que administrar bastante o meu tempo. Mas, não vou deixar de acompanhar seu blog e, de vez em qdo, dar uns pitacos ou postar umas músicas, porque isso é de lei…hehe

        bj

        Comment by billy shears — 16/11/2011 @ 2:53 PM

  16. Olá pra todos,

    Falando em boçalidade, esta é boa:

    Quem financia o astrólogo?
    Janer Cristaldo – domingo, 27/01/2008 – 02:39

    Anselmo Heidrich está se propondo a um trabalho interessante, a desmitisficação de dois engodos da imprensa eletrônica nacional, o jornal Mídia sem Máscara e seu mentor, o sedizente filósofo e astrólogo Olavo de Carvalho. Sedizente filósofo porque se pretende como tal. Astrólogo por ofício, já que escreveu três ou quatro livros de astrologia, que curiosamente prefere nem mais citar em sua bibliografia. Aliás, o “filósofo” parece ter desistido de definir-se como astrólogo, pois em seus créditos já não acrescenta o antigo ofício. Quando a profissão é infamante, melhor declarar-se bailarina.
    Ok! Filósofo não é profissão regulamentada, como muito menos a de astrólogo, psicanalista ou ornitologista. Assim, quem quiser anunciar-se como filósofo, astrólogo, psicanalista ou ornitologista, esteja a gosto. Nihil obstat!
    Como leitor que um dia teve algum apreço por Olavo de Carvalho e ex-colaborador censurado do Mídia sem Máscara, presto meu depoimento. Gostei de seu livro O Imbecil Coletivo. Quando Olavo o autografou na livraria Cultura, em São Paulo, fui lá prestigiá-lo. O autógrafo veio eivado daquela simpatia impessoal que os autores dedicam a um leitor quando não querem comprometer-se. Li também o Imbecil Coletivo II, menos interessante que o primeiro, como todas as suítes de filmes. Acabei sabendo que meu livro sobre a Suécia, O Paraíso Sexual-Democrata, fora citado em O Jardim das Aflições. Até hoje não entendi porquê. Meu livro nada tem a ver com o que pretende ser um tratado de filosofia.
    Tratado de filosofia, umas ovas. Olavo irritou-se com uma palestra de um certo José Américo Motta Pessanha sobre Epicuro, proferida no MASP, em maio de 1990, e escreveu um livro inteiro para contestar o autor. Na verdade, quem Olavo não suporta é Epicuro,o filósofo de Samos que se opôs às concepções fundamentais dos estóicos, platônicos e peripatéticos, aproximando-se dos cirenaicos, movido por uma dupla necessidade: a de eliminar o temor aos deuses e a de desprender-se do temor da morte. Segundo Ferrater Mora, “o primeiro se consegue declarando que os deuses são tão perfeitos que estão além do alcance do homem e de seu mundo; os deuses existem (pois, contrariamente à opinião tradicional, Epicuro não era ateu) mas são indiferentes aos destinos humanos. O segundo se consegue advertindo que enquanto se vive não se tem sensação da morte e quando se está morto não se tem sensação alguma. (…) A felicidade se consegue quando se conquista a ataraxia, não para insensibilizar-se por completo, mas para alcançar o estado de ausência de temor, de dor, de pena, e de preocupação”.
    É claro que este tipo de filosofia não pode servir a um astrólogo que, manipulando a superstição, quer exercer poder sobre seus semelhantes. Quem não teme a morte não teme deuses nem astros. O divertido em tudo isso é que, Olavo, irritado com o Pessanha, escreveu um livro inteiro sobre sua palestra. Ora, invejo o Pessanha. Adoraria um ouvinte assim irritado. Se cada palestra minha tivesse gerado um livro, minha bibliografia hoje seria vasta. Caso típico de um tiro que saiu pela culatra.
    O autor de O Jardim das Aflições revela-se mais com vocação para garçom do que para ensaísta. Elabora sofisticados coquetéis de idéias que nada têm a ver com pensamento. Mistura todo tempo filosofia e teologia e chega a proferir este despautério: “O sábio deve, por um lado, obediência às leis e costumes, caso não deseje ser excluído da comunidade humana; deve-a, por outro lado, ao Deus verdadeiro, do qual a comunidade só conhece analogias e símbolos distantes, cristalizados em ritos e mandamentos cujo sentido se perdeu”.
    Que Deus verdadeiro? Teria lido o pretenso teólogo algum dia a Bíblia? Até Jeová acreditava em outros deuses, tanto que mandava destruir seus altares. Os jeovistas contemporâneos são mais jeovistas que Jeová, acham que deus é um só. Jeová não achava. Aliás, esse gambito do astrólogo é muito safado. Professa um cristianismo abstrato, manifesta sua fé no tal de Altíssimo, sem jamais dizer à qual confissão de fé pertence. Aparentemente, é a fé católica. Mas o astrólogo não pode afirmá-la, sob pena de incoerência. Ninguém pode ser católico tendo tido três mulheres. Muito menos ser astrólogo e católico ao mesmo tempo. Então, fica professando aquele cristianismo indefinido, que só convence quem adora ser convencido – para não ter de comprometer-se. Em suma, um arremedo de Nostradamus que vive de mascambilhas. Nós, ateus, podemos ter uma, dez ou vinte mulheres. Católico só pode ter uma só.
    Católicos, hoje, têm se mostrado mais enrustidos que homossexuais dentro do armário. Se homossexualismo se tornou uma opção comportamental, a fé católica é mais difícil de sustentar. Essas empulhações de mãe virgem, de deus-três-em-um, de Cristo que ressuscitou, de vinho que vira sangue, de pão que vira carne, já não convencem nem mesmo os cristãos.
    De escritor de textos lúcidos contra as esquerdas, Olavo de repente descambou para aiatolices. O Mídia sem Máscara seguiu o chefe. Quando escrevi sobre as práticas medievais da Opus Dei aqui em São Paulo, recebi advertência do editor Paulo Diniz. Que não era bem assim, etc e tal. Quando escrevi que Cristo nascera em Nazaré, mas não em Belém – questão que sequer constitui dogma – fui censurado. Hoje o Vaticano mostra um presépio na praça de São Pedro, onde Cristo nasce em Nazaré. Se o Vaticano mandar um artigo para o Mídia sobre o assunto, certamente será censurado. Quanto a algum artigo do Bento, talvez passe. Neste Natal passado, enquanto o Vaticano afirmava o nascimento do Cristo em Nazaré, o Bento falava em Belém. Pelo jeito, está faltando comunicação interna na Santa Sé.
    É curioso observar que o Mídia – que, bem ou mal, acaba se professando católico ou algo por el estilo – não escreveu uma linha sobre a visita do papa a São Paulo. Pelo jeito, temos cisma à vista. Quem sabe o Olavo cria uma seita. Dá grana a granel – os pastores da Renascer ou da IURD que o digam – e assim Olavo não precisaria pedir esmola a seus discípulos para sustentar suas vilegiaturas na Virginia. Também é curioso observar que Olavo, defensor incondicional da cristandade, nunca disse sequer uma palavrinha contra as práticas hediondas do islamismo, como a ablação do clitóris e a infibulação da vagina.
    Padre não briga com padre. Muito menos astrólogos com teólogos. O ofício é o mesmo. Como escreveu Anselmo, “o Mídia Sem Máscara hoje é um site que detém elementos claramente totalitários. E isto parte da chamada “filosofia de Olavo de Carvalho”. Mas, seu maior erro é se julgar “sem máscara” enquanto que, na verdade, apresenta dois rostos: um anticomunista e outro tão totalitário quanto o comunismo, o do fundamentalismo religioso em campanha contra o estado laico e a pluralidade de opiniões intrínseca à democracia. (…) E não diferencio isto de um lixo como Carta Capital ou Caros Amigos”.
    Mantive longos debates com alguns meninos da comunidade Mídia sem Máscara, no Orkut. Todos se manifestavam católicos, mas pouco ou nada entendiam de teologia ou doutrina da Igreja. Em boa parte, defendiam a Inquisição. Mais ainda: mantinham uma postura de quem se atribuía direitos sobre a orientação do jornal. Muito estranho.
    A pergunta que permanece é esta: quem financia o Mídia sem Máscara? Porque o jornal tem algum custo de edição. Seus redatores não recebem nada. Os editores recebem. Recentemente, a ministra petista Marina da Silva alinhou-se a Olavo de Carvalho na defesa do creacionismo. Quando tivermos esta resposta, saberemos a quem servem Olavo de Carvalho e seus acólitos.
    Olavo estende o chapéu desde Virginia: “Estou pedindo a todos os meus leitores e amigos que me ajudem a fazer o que tenho de fazer. Doações pessoais ainda são permitidas e livres de impostos. Quem tiver sensibilidade e condições para isso, que faça uma contribuição por qualquer destes três meios, à sua escolha: “Para contribuições em dólares, por cartão de crédito, simplesmente clique o botão abaixo e siga as instruções (no formulário, em resposta ao item “payment for”, escreva simplesmente “donation”).
    Ainda há poucos dias, o Mídia sem Máscara oferecia um curso de filosofia ministrado pelo astrólogo em Virginia, por módicos três mil e poucos dólares. Parece que o site tomou vergonha: o anúncio do curso não está mais lá.
    Ora, alguém acredita que leitores financiarão um guru nos States? Guru brasileiro? Para isto é preciso manipular altos níveis de vigarice, oriundos de países que têm prestígio místico. Falo de Bento XVI, Osho, Dalai Lama, Deepak Chopra.
    Não é empreitada para campineiro. Resta então a pergunta: quem financia o astrólogo?

    Janer Cristaldo
    Cristaldo é jornalista, escritor e tradutor e vive em São Paulo….

    HuahUahauHa,um pouco de humor numa segunda chuvosa.

    beijo, Fy, demais o post
    André

    Comment by André — 17/11/2011 @ 1:56 AM

  17. Perdendo a Rabiola com o tio Nietzsche, aquele bobinho
    Olavo de Carvalho (paródia de Renato Kress)
    O Globo, 15 de fevereiro, 2003

    Do fenômeno que demonizo paralaxante contraceptivo — o deslocamento entre o eixo da rebimboca da minha parafuseta e a confusão teórica é o da perspectiva preconceitual discreta do pensador, o Gabriel –, os exemplos são mansos, nos últimos tréculos, que não me apareço enxergando ver, cadê ele? O traço mais ancoral e permanente com alisamento e luzes mas só nas raízes do pensamento de terno. As idéias tornam-se aí a ração ficticional com que um intelectualóide como eu se esforça para camuflar, legitimar ou mesmo impor como lei universal sua inaptidão de se auto re-conhecer a si mesmo por sigo próprio sozinho, de arcar com suas responsabilidades morais, de se posicionar como homem, macho, superior e portador do falo perante a vida.

    Nas culturas européias que desconheço ou mesmo nos EUA – modelo para todos os países pé-rapados e otariamente diplomáticos, que só nos pede que lambuzemos suas botas com nossas salivas terceiromundistas e inferiores por natureza –, esse impacto almofadante é amolecido pela barreira residual da tentação cristã, clássica, élfica e sapucaística. Mas, num país ufanológico como o Brasil, psicologicamente enfeso entre os muros de geléia de uma EmeTêvê vertiginosa e superficcional, qualquer menor que faça algum bagulho no mundo adquire as dimensões de uma potência demiúrgica, cultuada com temor preferencial. Suas mais gritantes, berrantes e urrantes falsidades pasmam desavergonhadas, e qualquer mente ativa a apontá-las é condenada como presuntão megalômana ou insolvência blasfema, enferma e endema.

    Um caso que eu particularmente, e coletivamente também, acho desesperador é do cozinheiro bolonhês Friedrich Nietzsche, a quem tantos neste país veneram – chegando a 300 visitas por dia a casinha que teve na Lapa com Dona Zica e que hoje faz parte do acervo Museus Du’piniquinhos – , talvez porque nele encontrem algo como um caqui de jumento à minha própria depravação.

    Outro dia, conversando com uma amiga elfa ranger da floresta dourada do Sei-cho-no-iê-iê-iê antropóloga, ela me alembrou que em certa éspoca de lua crescente, na USP, ninguém no seu compartimento era azeite como gente grave se não soubesse calcificar na pronta da míngua os feanômalos culturais em apolíneos e dionisíacos — uma distinção nietzscheana a que o livro de uma tal de Dona Ruth Benedict – cá entre nós uma bela duma salamandra que só se casou com nosso Monarca deposto Ferdinando segundo, o nada breve, para ganhar um extra e ir morar na lapônia com seu verdadeiro amor um cara tão másculo que se veste sempre de vermelho e branco e se chama Santa – , “Padrões de Cultura”, dera foras de critério centrífugo.

    Vamos prever quanto vale essa injeição?

    Em “A Vertigem despirocada da Tragédia”, Apolo, deus da luz até onde não bate sol e da ordem cósmica, é o senhor das insolências, do universo risível. Dionísio, caos e turvação, é causa e origem, é a morangosidade alfaçosa e corcunda por baixo do véu papolindo, tesão, bonito e gostosão. Assim diz Mintozsche, mas no mundo mágico e sobrenatural as coisas às vezes são assim, às vezes são às vezes que bebi no boteco do fumaça são a inconsistência caótica dos fenômenos na minha cabeça que ocultam uma ordem que afunda, a qual escapa ao bumbum dos mortais mas se resvala aos olhos claros, verdes, azuis ou lilases de nós, os Arianos, escolhidos daqueles que Schiller denominava “filhos de Gandhi”. De flato (de lado), o traste Apolo-Dionísio expressa, não minto em grego, a tensão dinâmica da pré-menstruância entre os pólos – o Classic 1.8 com ar condicionado e a versão caidinha 1.6 com vidro elétrico e freio a disco rígido – do caos e da desordem, da demência e da incredulidade, em contínua rotação e intercâmbio do meu mundo paralelo, que todos sabemos, como eu, é quadrado. A compreensão de um tolo mintológico ou religioso desprende de um certo senso das inversões. Um símbolo, por definhação, não tem sentido unívoco, podendo ser diívaco, triívaco ou simplesmente um vácuo, podendo sempre transfer figurinhas da Copa de 2002 em seu contrato, conforme a espera de ler a que se complique num contexto dado. Por isto e só por isto tem força, músculos, pernas bem torneadas e um sorrisinho maroto, o Roberto Carlos, aquele morenaço carequinha do meu cavaquinho provocativo e gerador, não cabendo aprisionar na moldura de um conceito fixo entre minhas coxinhas flamulentas aquilo que é antes, na feliz expressão de Susanne K. Longo, uma “matriz de introduções possíveis”. Ao identificar de maneira estática a ordem da superfície daquelas coxonas simplesmente “arrasadoramente odaras” como diria Caê, o caos da minha profundidade da área de serviço, Nietzsche eliminou artificialmente o tesão, congelando os supositórios em papéis imutáveis. Degradou o símbolo fálico em estereótipo. Transmutou o ouro olímpico em Dumbo, aquele adorável elefantinho voador, que é claro, existe!

    O pior é que ele cai nessa juntamente no fermento em que está progesteronando contra o dadacionalismo e clamando pela volta olímpica dos mitos como força renovadora do civilization IV – que nunca cheguei a terminar. Neuralizar as inversões tensionais, prendendo os pares e os ímpares de compositores sertanejos em jaulas químicas nessa Guerra do Iraque na grade fixa de uma correspondência biotônica, é algo para o qual estou cagando solenemente rios de bosta como suprassumo do racionalismo esterquilizante. No caso, totalmente involuntário – visto o laxante que se provou o azeite de dendê depois daqueles três dias de larica. Nietzsche, aquela cozinheira Piauiense, simplesmente não entendia o que estava fazendo.

    Abominando a dietética, preferindo à busca das sínteses a ostentação espalhafatosa das oposições matemáticas, hematômicas e caribenhas, mas ao mesmo tempo querendo cavar Mários Covas de defeitos de libertinagem no vocabulário da simbólica transnacional, no qual nada pode compor-se definitivamente a nada porque tudo aí são napalmrências em incessante metamorfose, como os Vampiros ou os Garou – a seita dos lobisomens assasinos, que é claro possui uma entrada para o convento das freiras lésbicas assassinas, à esquerda radical, maneira e gente fina do Congresso Nacional – o que ele fez foi uma bandalheira de forró grosseiramente linear camuflada sob um manto de símbolos de candomblé falsificados, por que disso eu entendo. E nestes o leitor – aquele que produz o leite – então projeta as mais lindas boiolezas apopléticas que, é claro como o Pelé, não estão lá. Confundo Apolo, Dionísio e você com mitos gregos como confundo quem quer que leia essa troça de Nietzsche, o símbolo mágico como um obelisco – que me causa até dor na espinha de tanto arrepio e sudorese – com o estereótipo, esse tal de Ronaldinho, o Gaúcho, e vê neste as profundidades daquele. Melhor para Mim“tzschê”, pior para o leitor.

    Mas a substancialização, a fluidificação, a levitação e a yoga fetichista dos compostos carbonados é somente um dos vários cacoetes e gagueiras débeis-mentais que, no autor de “Zarabustra”, buscam suprimir a falta da ausência da carência da privação da míngua da escassez do desaparecimento de autêntica instituição piromaníaca-filosófica. Pior é este: ele confunde, infunde e desbunde a reiteração enfátima de um acido dente com a definhação de uma incongruência, e então, sai disparando abduções, saquinhos de cocozinho de rato e deduções daí obtidas pela via crucis de um conseqüencialismo furiosamente mecânico, como o patinete que estorqui ao moleque da vizinha. Assim ele transforma os problemas, dilemas e saquaremas mais banais em termas insolúveis que lhe parecem tetraplégias, sem perceber que uma tetraplégia fabricada pela Grow na base do hiperbolismo, do superbolinhas e do megabolão da copa 2006, verbal não é tragédia, é como a Creusa, marvada e farsa.

    Em “A Gralha Ciência”, após monstrar que eu minto do que o homem desfaz, está presente o instinto de rapadurência e malemolência, ele conclui que esse instinto, como o chouriço, é “a hieroglifência” (sic) da bicha homem, e então seduz todas as demais – maneiríssimas e super legais – qualidades desumanas a disfarces, máscaras e Terê-Fantasy do instinto de concupisciência. Mas esse insminto, sendo comum a todas as espécies animais, animenos, anidivididos, anivezes e anipercentuais, não pode ser a degenerescência de nenhuma delas em particular. Se o fosso, buraquinho pobremático donde qui miscurrêgo nas escada da Lapa, nas demais teria de ser mera apalpabilidade ou duende, o que resultaria em macaquear que só-luço uma espécie sobreviveria por inslindo, as outras apenas por hábito, e outras por jaqueta, calça jeans ou terno, por acaso ou talvez por frescura, quem sabe pura bicha-louquice. Não é preciso desdizer que eu jamais não disconcordo com essa tese de maneira alguma.

    O melhor nesse bon vivant que era o tal do marteleiro norueguês chamado Fredie Nietzche são as notas de ponta de pé-de-moleque e de página junto com as gotas de melado de cana que ele introjeta numa psicologia pejorativa, que ele extrai pressionando los deditos na observação de si por sigo mesmo e sozinho, mas em seguida projeta, como um arremessador de beisebol, autoconfiança adolescente em Sócrates aquele cara que era tutor do outro tipógrafo, o Jesus Cristo, que afundou uma igreja em cima da humanidade inteira. O ressentimento de um demente como eu contra as pessoas saudáveis é uma delas. Mas por que esse diagnóstico deveria aplicar-se antes a Sócrates, velho soldado robusto, cheiroso a para quem eu diria enfática e eufemisticamente que los tapinhas non doem, do que ao próprio curandeiro xamã Nietzsche, paciente cômico que mal se levantava da grama?

    Eu Lavo Meu Carvalho é filósofo.

    Comment by Desculpa, não resisti — 17/11/2011 @ 4:35 AM

    • Lurdes, muito bom isto! hahahahaha !

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 17/11/2011 @ 9:19 AM



  18. Maravilhoso é esse homem, Fy.
    Dá uma olhada

    Comment by Lurdes — 17/11/2011 @ 10:24 AM

  19. Oi pessoal, belo post Fy, e muiiiiito assunto.

    Eu sou da opinião que filosofia…. cada um tem a sua própria. Claro que formular sua pópria filosofia é uma combinação entre o conhecer e o seu temperamento. Tem que haver química.

    Umas palavras que eu achei legais :

    O espanto é a mola propulsora da filosofia. O questionamento do mundo surge mediante o sentimento de admiração, espanto e estupefação diante da existência do ser-no-mundo, aguardando uma explicação do seu estar-ai .

    O que é isto, a vida? O que é isto, o mundo? Admiração e espanto são instrumentos impulsionando à busca de uma interpretação do “kosmos filosófico”, criando sentido, organização e ordem para um certo “Kaos” sem um porquê.

    A angústia é o nada de Kierkgaard, “se perguntarmos qual é o objeto da angústia, deve-se responder aqui como em toda parte: é o nada. A angústia e o nada marcham juntos”(Kierkgaard). A angústia revela a possibilidade de ser e a ameaça do nada. A humanidade revela-se na angústia da impossibilidade possível de sua existência, defendida por Heidegger.

    A angústia revela-se ao ser, que se encontra impotente frente ao medo da morte, gerando seres frágeis e inautênticos que fogem da realidade. A morte, por sua vez, desnuda a existência como possibilidade privilegiada de ser possível. A niilidade da angústia conduz a um projeto libertador, mediante a busca autêntica da existência do ser-no-mundo.

    O medo se encontra materializado na timidez, no acanhamento, na ansiedade e na impotência de vencer o mundo e lança seus tentáculos em nosso ser, querendo fazer domínio em nós. Entretanto, a admiração, o espanto e a angústia filosófica impulsionam a alma humana a superar o medo, caminhando rumo ao seu epicentro, destruindo-lhe as bases frágeis. O medo é o sentimento de impossibilidade frente ao desconhecido, que somente as luzes da razão supera.

    A coragem é um sim à realização do ser-no-mundo, é a existência da possibilidade mediante o esforço, trabalho e tentativa, impulsionando-nos para a criação do nosso devir.

    A condição humana no mundo exige coragem como força propulsora para a criação e modificação da realidade, domando a maior fraqueza humana, o medo de ser autêntico.

    E isto é Puro Nietzsche na veia.

    abraço
    Alexandre Golaiv

    Comment by Alexandre — 18/11/2011 @ 6:33 AM

  20. Isso aqui tá meio parado; vamos ouvir uma música pra começar a semana agitando:

    he he he he

    Excelente semana!

    Comment by billy shears — 21/11/2011 @ 1:38 PM

  21. Free Japan

    You made some decent points there. I regarded on the internet for the difficulty and located most people will go together with together with your website….

    Trackback by Free Japan — 07/07/2014 @ 11:39 PM

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    Trackback by Free Webmaster Guide — 12/09/2014 @ 4:39 AM


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