windmills by fy

29/11/2011

Filosofia 3 – Texto e Poema de Caio Garrido

Filed under: Uncategorized — Fy @ 3:48 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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– Mirei na embarcação . 

Uma rajada de vento dificultava a visão .                                       

Na medida dos meus olhos observava o vermelho se espraiando no horizonte …  Tinha dúvidas …

Era como se um punhado de sol esperneasse  antes de cair no fundo do mundo giratório . – 

 

 

Se tomássemos essa visão como bebida ,

ou empunhássemos esse ângulo de observação na mão ,

e se aí pegando , sentindo , encravando a concretude misturada a um abstratismo urgente ,

poderíamos dizer estar diante de uma obra de arte contemporânea .

 

 

Sou um leigo nesta questão .

Tomei contato com a ferida desta arte há pouco tempo .

Julgo que o que me arrebatou desde então

foi a possibilidade de multiplicar sentidos conforme a perspectiva que se vê uma obra de arte .

E a arte contemporânea  ( falo aqui de pinturas e artes plásticas principalmente )  

é feita a partir da perspectiva do autor .  

Toda a ambivalência de sentidos aí provocada é fruto do encontro entre perspectiva do artista e  do  “ apreciador ” .

 

Segundo o Wikipedia ,  “ o belo contemporâneo não busca mais o novo , nem o espanto ,

como as vanguardas da primeira metade deste século :   

propõe o estranhamento ou o questionamento da linguagem e sua leitura . ”

 

Segundo o artista plástico e escritor  Nuno Ramos , a arte existe para   “ furar ” .  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                       

                                           http://www.culturabrasil.com.br/especiais/centenario-cavaquinho-tres-sambas-para-nelson-4/rugas-por-nuno-ramos

 

 

 

 

 

“ Se você pegar a Igreja Católica , o poder católico , não era para ter sido feita a Capela Sistina . Mas foi .   

 

  . . . Alguma coisa na arte parece conseguir pegar o peso mórbido da vida e dar um rolê . ”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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                                                                                                                                                                                                arrisca-se num gesto que é clichê e , também , completamente absurdo .

                                                                                                                                                                                                Esse é um dos desafios – brincar com as certezas e os estranhamentos ,

                                                                                                                                                                                                com os paradoxos da  própria imagem , de uma forma sutil ,

                                                                                                                                                                                                quase imperceptível …

 

 

 

A arte deve ter o poder de crismar ou excomungar um  “ padre ” , expor a fome de um satisfeito , revelar estéticas escondidas na pobreza …

 

 

Mais do que permitir novos sentidos , a arte provoca uma queda de sentidos e permite a capacidade de contemplar .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Proponho aqui uma discussão sobre a apreensão da beleza .

A beleza , que pode ser extraída até da feiúra , está no olhar e na interação .

E sempre sobra um Vazio porque o Desejo quer   “ pegar ”   o   “ objeto ”   e levar consigo .

Mesmo que se leve um objeto , sempre falta …  A insatisfação faz o desejo continuar gotejando …

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TEXTO :

 

Caio Garrido –

  

Caio Garrido é escritor – psicanalista – poeta e baterista  – and a friend of mine .

Além de autor dos livros “Pena que foi Ontem” (Romance, 2010)

e “Poemas auto-escritos em estado de Sonambulovisão” (Poemas, 2011),

tem os seguintes blogues e trabalhos:

 http://psiqueativa.blogspot.com/

http://nucleotavola.com.br/literatura/blog/

http://nucleotavola.com.br/revista/ – (editor associado da Revista Tavola)

http://caiogarrido.blogspot.com/ 

www.musicocontemporaneo.blogspot.com

http://penaquefoiontem.wordpress.com/

 

 

OBSERVAÇÕES :

Donaldo Shüller

Nuno Ramos

Fy

 

GRAVURAS:

Nuno Ramos

Miró

Internet

 

Fy

33 Comments »

  1. Muito legal, Fy.
    Eu tambem não manjo muito de arte moderna, contemporânea ou qualquer outro nome que a arte possa ter. Uso o leiômetro do olhar, do gostar ou não, alguma química, etc… Mas este Nuno aí é um barato. Não sei se consigo ir além deste comentário. Já o Miró…. adorei o cubo e a idéia.
    abraço
    Alexandre Golaiv

    Comment by Alexandre Golaiv — 29/11/2011 @ 7:27 AM

    • Ale, eu acho q todos nós usamos a química… ou ela nos usa… pq acontece em nós. Mas isto merece uma resposta melhor, eu volto já.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 29/11/2011 @ 11:40 AM

  2. tomorrow….

    abração
    João Pedro

    Comment by João Pedro — 29/11/2011 @ 9:23 AM

  3. Boa noite Windmills, Fy,

    Bom, eu adoraria saber mais sobre Arte. Mas como não houve tempo aprendi a admirar as obras que pude conhecer pelo prazer que me causavam, as historias que me contavam ou o assombro que me provocavam. Sempre gostei de ler a biografia de alguns famosos, para compreender o que os inspiravam, além do talento.
    Mas nunca me ocorreu um pensamento tão bacana como o que está abaixo do cubo mágico, que se eu pudesse colocava em meu criado mudo!
    Uma ótima semana para todos, e volto para ler os comentários, aqui aprendo cada dia mais.
    Sofia Mastrada

    Comment by Sofia — 29/11/2011 @ 1:11 PM

  4. Bom dia moçada, vamos à luta porque o sol já raiou!e quem sabe fica por aqui!

    Excelente post, e excelente tema. A escolha dos artistas foi genial. Há qualquer coisa de similar entre as obras de Miró e do Nuno,Fy, talvez a busca pelo essencial. E que interessante o trabalho deste cara, ele se estende por várias áreas.
    Quanto às impressões do Alê ou da Sofia, eu creio que a proposta do Caio vai exatamente de encontro a este ponto.
    Propor um outro olhar diante do Inesperado com que a Arte Contemporânea nos impacta.
    Qual seria este olhar? Em que nível de pecepção poderíamos analizá-lo? O que este impacto significa ?

    Prato cheio pra quem curte os tais ‘pós-modernos’!

    beijo a todos
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 29/11/2011 @ 9:59 PM

    • Muito interessante este cara, Nuno Ramos. Com certeza mais conhecido lá fora do que valorizado por aqui.

      Trabalhar com Imagem. Meu tema.

      Falaê, Gustavo, o “outro olhar diante do Inesperado com que a Arte Contemporânea nos impacta.
      Qual seria este olhar? Em que nível de pecepção poderíamos analizá-lo? O que este impacto significa ?”
      sempre me pareceu relativo Guz, porque a Arte é e sempre foi o Impacto. Dimensioná-la através do Impacto me parece subjetivo.Talvez, os pós-modernos tenham tido uma análise diferenciada sobre ele, promovida pela liberdade do pensar geradora de originalidades.

      O que gerou uma série de técnicas bastante elásticas e possibitantes em torno de sua exploração. Explorar é a grande medida.

      Em relação a este fator meio que inexprimível quando nos deparamos com certas obras, é hiper bem explicado pelo José Gil, numa sequência estendida de Deleuze, etc
      (a Fy e a Carol que gostam disto)

      A dificuldade vem da ligação que a noção de experiência estabelece entre os sentidos e a consciência.

      O tal do “Olhar-não ver”, que é o que mais ou menos sentimos diante de uma obra inexplicável à consciencia viciada na funcionalidade tanto da linguagem verbal quanto dos fins – é justamente provocada pelo dizer as coisas e não ainda nomeá-las, construindo um continuum articulado na visão maciça; é fazer irromper movimentos imperceptíveis entre as coisas, juntá-las em unidades quase discretas, amontoados, aglomerados, tufos, abrindo na paisagem brechas imediatamente colmatadas ( juntadas, como entulhos) pelas pequenas percepções que compõem as articulações insensíveis. Pode parecer foda de entender, mas é um sistema amplamente utilizado em filmes, por ex.

      O que Gil sublinha é essencialmente a noção de sensação pura.

      Uma percepção visual pura, anterior ao ver, um olhar apenas.

      Um olhar que esquece (que coloca entre parêntesis) o que está significando, a intenção, o sentido.

      Fica-se sómente pelo fluxo, pela folha cheia de letras sem qualquer significação linguística ou qualquer coisa assim. É a apreensão da sensação.

      O “ver”, pelo contrário, já padece de uma espécie de vício mental. Dessa atividade fervilhante e muitas vezes entrópica. Focaliza, delimita, organiza,
      pré-condiciona o ato, a percepção visual.E muitas vezes deforma a mensagem que pretende ser sentida e não explicada.

      Mais ou menos isto.
      Abraço e usem o cubo da Fy.
      João Pedro o Híbrido de personalidade totalmente Artaudiana hehehe

      Comment by João Pedro — 30/11/2011 @ 3:12 AM

      • Concordo palavra por palavra, JP, e proponho um salto pra Lógica da Sensação de Deleuze, começando por falar em potência; o que o rapaz do post demonstra muito bem, explicando a força da água em sua pintura.
        Eu achei isto lá no Saturnália, um exemplo específico de como as intensidades atuam e são transmitidas, ou podem ser transmitidas num sentido não figurativo, mas sim representativo :

        tio Guz

        Comment by Gustavo — 30/11/2011 @ 6:55 AM

  5. “[…] a arte não explica mas implica.”
    Sophia de Mello Breyner

    « C’est le regardeur qui fait le tableau »

    “uma obra de Duchamp não é exatamente o que temos
    diante dos olhos mas o impulso que este signo dá ao espírito de quem o olha”.

    Fiz um cubo pra mim.

    BEIJO
    Marianne

    Comment by Marianne — 29/11/2011 @ 10:05 PM

  6. Adorei Fy, e que fotografia linda! Mais um fotógrafo desconcertante, iconoclasta e brilhante.

    Eu vou complementar a Marianne, porque esta frase de Duchamp consegue encerrar todo o sentido possível desta proposta do post do Caio.

    O lugar da contemplação é o lugar da possibilidade de se extrair beleza.

    diante de :

    “uma obra de Duchamp não é exatamente o que temos
    diante dos olhos mas o impulso que este signo dá ao espírito de quem o olha”.

    eu acho, que a Arte deve ser analizada a partir deste “impulso” .

    À este “impulso” é que devemos “uma discussão sobre a apreensão da beleza .” como diz o Caio.

    “A beleza , que pode ser extraída até da feiúra , está no olhar e na interação .”

    Vamos entender esta tal Interação.Pra mim, esta “é” a proposta da Arte.

    Até já,
    (tio) Renato

    Comment by Renato — 29/11/2011 @ 10:23 PM

  7. Outra coisa, o lance do Cultura Brasil que aliás , me surpreendeu, é imperdível mesmo.

    E ainda complementando, em termos de Filosofia é impossível não citar o Artaud, o filósofo que substituiu os órgãos do corpo e por sensações, por campos de atravessamento e choques de forças.

    Artaud diz que o problema (para ele) não é orientar seu pensamento, nem aprimorar a expressão do que ele pensa, nem adquirir aplicação e método ou aperfeiçoar seus poemas, mas simplesmente chegar a pensar alguma coisa. Aí está para ele a única “obra” concebível; ela supõe um impulso, uma compulsão de pensar, que passa por todo tipo de bifurcação, que parte dos nervos e se comunica à alma, para chegar ao pensamento. Assim, o que o pensamento é forçado a pensar é igualmente a sua derrocada central, sua rachadura, seu próprio “impoder” natural, que se confunde com a maior potência, isto é, com os cogitanda, estas forças informuladas, como com outros tantos vôos ou arrombamentos do pensamento.

    E eu, acredito que em qualquer nível a criação é uma “escrita”.

    O próprio termo “escrita” merece a redefinição de Artaud.

    (tio) Renato

    Comment by Renato — 29/11/2011 @ 10:45 PM

  8. Hauhauha, hoje tô pegando no tranco!

    Mas me ocorreu outra analogia, Four Seasons in one day é uma das leituras destas sensações possíveis implicadas na arte do impacto a que o Gustavo se referiu. Não só a letra que é espetacular, mas ovídei é tão desconstrutor quanto. Artaud não faria melhor. Um desmantelamento do maquínico, um impulso à libertação dos sentidos. Impressões significando um lapso de tempo (24hs) que extrapolam qualquer “cronometragem”, transformando o “relógio” num corpo sem órgãos. haHuahaua.

    “Four seasons in one day
    Llying in the depths of your imagination
    Worlds above and worlds below
    Sun shine’s on the black clouds hanging over the domain”

    e o refrão:

    “Blood dries up
    Like rain, like rain
    Fills my cup
    Like four seasons in one day”

    Fortíssima e cortante esta letra envolta numa sonoridade docemente enganosa.

    Viajei legal.

    (tio) Renato

    Comment by Renato — 29/11/2011 @ 11:04 PM

  9. Ótimo comentário, Renato! Pra mim, Artaud é um artista dionisíaco (como diria Nietzsche, e só assim posso classificá-lo), porque exprime com a sua arte trágica a mais elevada abundância de vida. Dionisíaco também no sentido da auto-superação, de ter ido além dos limites impostos pela racionalidade ocidental. E tais limites representativos se impunham pelo princípio de uma lógica objetiva-pacificadora. Artaud, ao contrário, perseguiu plenitude, abundância, entorpecimento, convulsão, loucura, e não frieza, fraqueza, décadence, negação da vida. Como observa Nietzsche, a causa da criação do artista dionisíaco não é o “desejo de fixar, de eternizar, de ser”, mas, o “desejo de destruição, de mudança, do novo, de futuro, de vir a ser”.

    A Arte existe pra que não nos digam como a vida é.

    Porque a Vida não pode ser dita, e não deve. A vida, querendo os profissionais da área ou pseudo pretenciosos em questão, impõe-se em ser “sentida”, até os limites de seu natural esgotamento. A grande mensagem de Artaud está na simples obviedade do deslimite natural às sensações culminado no impacto da morte em seus inúmeros sentidos. Não existe “treinamento” mental pra os impactos da vida em todos os seus sentidos. A não ser através da desumanização.

    Agora uma palavrinha à Sofia que percebe a Arte como todos nós, aqui neste espaço se aprende através da incomparável liberdade de não se estar preso ou condicionado a nenhuma estrutura fabricada. Nossas construções simplórias ou não, não passam pelo crivo ou fronteiras situacionais ou geográficas dos discursos determinantes. Tudo é válido e acima do bem e do mal estabelecidos.
    bom dia a todos e mais uma vez um excelente texto.
    Bel

    Comment by Isabel — 29/11/2011 @ 11:35 PM

    • Oi Bel e Renato,

      – Ótimo comentário, Renato! Pra mim, Artaud é um artista dionisíaco (como diria Nietzsche, e só assim posso classificá-lo), porque exprime com a sua arte trágica a mais elevada abundância de vida. Dionisíaco também no sentido da auto-superação, de ter ido além dos limites impostos pela racionalidade ocidental. E tais limites representativos se impunham pelo princípio de uma lógica objetiva-pacificadora. Artaud, ao contrário, perseguiu plenitude, abundância, entorpecimento, convulsão, loucura, e não frieza, fraqueza, décadence, negação da vida. Como observa Nietzsche, a causa da criação do artista dionisíaco não é o “desejo de fixar, de eternizar, de ser”, mas, o “desejo de destruição, de mudança, do novo, de futuro, de vir a ser”. –

      Então… ninguém me tomou mais tempo e atenção de q Artaud! { inclusive, me impressiona o qto ele era bonito, qdo mais jovem ]

      Mas a intensidade, a força das emoções em Artaud, me fascinam e fascinam e fascinam.

      Ler Artaud é afridisíaco, viajante, incontível , ele é quase uma vida q não se conteve em sí mesma.

      Dançando com ele:

      No fundo, o que interessa a Artaud é a captação direta daquilo que se rebela contra os princípios do próprio pensamento: os fluxos descodificados, não-domesticáveis, e portanto, não passíveis de serem conceitualizados, as fosforescências nervosas que escorrem pelas rachaduras de sua sensibilidade.

      Era preciso pensar os buracos, as lacunas, as forças pré-conceituais – tudo aquilo que estivesse além dos limites da representação.

      Como o poeta diz nos Fragmentos de um Jornal do Inferno:“Nunca nenhuma precisão poderá ser dada para essa alma que se estrangula, pois o tormento que a mata, a descarna fibra por fibra, passa debaixo de todo pensamento (se passe au-dessous de la pensée)…”

      Ou ainda no Pesa-Nervos quando ele “é atingido por essa incansável, por essa meteórica ilusão, que nos sopra as arquiteturas determinadas, circunscritas, pensadas, esses segmentos da alma cristalizados, como se fossem uma grande página elástica e em osmose com todo resto da realidade.”

      Há nesses abalos “sutis” e “rarefeitos” uma gênese do pensamento, que se produz ANTES DO PENSAMENTO (AVANT LA PENSÉE).

      Tal seria a condição para criar: “as titilações da inteligência e esse brusco transbordamento das partes.

      As palavras a meio caminho da inteligência. Essa possibilidade de pensar para trás (penser em arrière)…”

      Uma espécie de “desperdício (déperdition) constante do nível normal da realidade”.

      É uma sensação de deslocamento, de perda: “uma decantação no interior, como a despossessão da minha substância vital, como a perda física e essencial”, “um impoder (impouvoir) à cristalizar inconscientemente, o ponto rompido com o automatismo em qualquer grau que seja.”

      É nesse ponto que Deleuze vê Artaud como um daqueles artistas que possuem uma escrita “nômade”, “rizomática”, ou seja, uma escrita que “esposa uma máquina de guerra e linhas de fuga, abandona os estratos, as segmentaridades, a sedentariedade, o aparelho de Estado”.

      Não se trata simplesmente de pensar com o intelecto (Descartes), pois, segundo Artaud, há caminhos e bifurcações no pensamento que atravessam os “nervos” até chegarem à alma.

      É preciso pensar com o corpo, e sobretudo, com um corpo esquizofrênico.

      Um corpo atravessado por multiplicidades moleculares, órgãos pululantes, formigamentos.

      Artaud rompe com a tradição dualista-cartesiana que separava corpo e alma, razão e instintos. … ArGh …. Platon !!!!!!!!!!!!!!!!!!!

      Há meandros, labirintos, circunvoluções orgânicas, pontes silenciosas que o pensamento radical deve abarcar.

      … assim … : Artaud!

      bjs pros dois ,

      Fy

      Comment by Fy — 30/11/2011 @ 4:12 AM

  10. Eu AMO Miró!

    Miró é especial, Miró criou sua própria linguagem artística e procurou retratar a natureza como o faria o homem primitivo ou uma criança, que tivesse, no entanto, a inteligência de um homem maduro do Século 20.

    Sensacional em termos de Pedagogia, transbordando Piaget em suas cores, formas, e citando uma experiência em classe, “O Carnaval de Arlequin” . Nesta obra Miró realiza uma pintura com símbolos que mostram fantasias de infância. Uma obra repleta de formas coloridas, linhas de todos os tipos que fazem aparecer muitos planos. Impressionante a diversidade de reações da criançada. Um almanaque de reflexões pra nós, fantasiados de adultos.

    Uma boa frase:

    “Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela
    mas há também aquelas que fazem de uma simples mancha amarela
    … o próprio sol” (Pablo Picasso)

    Beijos mil,
    Adriana
    ( como se faz este cubo?)

    Comment by Adriana — 30/11/2011 @ 12:44 AM

  11. Ah… eu tb!

    Adriana, eu uso este site que é super fácil. Mas pra sair aqui no wordpress tenho q pescar com o Vodpod.

    Se vc não entender me passa um email q eu te dou as dicas uma por uma.

    http://www.photocube3d.com/

    bj
    Fy

    Fy2hns@hotmail.com

    Comment by Fy — 30/11/2011 @ 4:30 AM

  12. a arte existe pra que não nos digam como a vida é.

    duda

    Comment by duda — 30/11/2011 @ 11:27 PM

  13. Fiz 200 cubos… um pra de manhã… à tarde… de meia em meia hora…. (depois do Anarco, assumi minha multi/polaridade).
    Adorei o post, o Caio, o Bruno, é legal o vídeo dele no Jô.E, o Artaud… tesão né Fy?

    E não podemos admitir que se impeça o livre desenvolvimento de um delírio, tão legítimo e lógico como qualquer outra série de idéias e atos humanos.

    E o que é um autêntico louco? É um homem que preferiu ficar louco, no sentido socialmente aceito, em vez de trair uma determinada idéia superior de honra humana. Pois o louco é o homem que a sociedade não quer ouvir e que é impedido de enunciar certas verdades intoleráveis.

    A vida é a imitação de algo essencial, com o qual a arte nos põe em contato.

    Antonin Artaud

    Procês:

    Delírio das mentes dos poetas, dos profetas, dos vaga- lumes que brilham misteriosos dentro das nossas mentes, carentes de afeto e de entendimento. Delírio das bruxas, que voam alto no céu, enfeitando a lua. Das bruxas de coração e vassouras rápidas. Esses seres que deliram no som da madrugada, pelas teias da sensibilidade.

    BomDia! – preciso responder pro Anarco!
    retornarei

    Fy tô tentando fazer um avatar … surprize!

    Comment by Juliana — 01/12/2011 @ 1:13 AM

  14. Hahahahah

    Olha minha Lua ariana e bipolar !

    it’s Meeeeeeeee

    bjinhos da Ju

    Comment by Juliana — 01/12/2011 @ 1:21 AM

  15. **&&¨¨////

    again!

    tira depois, Fy…..
    I’m trying!

    Comment by Juliana — 01/12/2011 @ 1:24 AM

  16. Acho que saiu !

    Mas acho q ficou pra mim tb > vamos ver …

    aiaiai

    Kd o Tocayo!!!!!!!

    Ju, acho q deu certo! Mas te fiz um blog!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    depois vc arruma……. – é o único jeito q eu sei fazer hahahahah

    bj
    Fy

    Comment by Fy — 01/12/2011 @ 2:28 AM

  17. Que legalllllllllllll

    Me adoreiiiiiiiiiiiiiii!

    dá uma olhadinha no coração…. bipolar…. by Anarcoplayba!!!!!!!!!!!!!!!!

    Thanks amiga!
    bjinhos mil!
    Ju

    Comment by Juliana — 01/12/2011 @ 2:33 AM

  18. Fy e Ju, adicionando ao “assim : Artaud” : ( muito interessante)

    O que Nietzsche dissera a respeito do artista dionisíaco se aplica a Artaud:

    o desejo de destruição, a recusa de qualquer princípio “realista” na arte, a “energia abundante” que perpassa todas as camadas da consciência e do corpo. De acordo com Artaud, Van Gogh também foi um desses espíritos convulsivos e a sua pintura uma arte “tempestuosa”. Se quiséssemos entender uma tempestade natural, um céu tempestuoso, precisaríamos passar pelos seus “girassóis de ouro bronzeado”. Justamente porque esse pintor faz-nos sentir “o cheiro do seu peróxido de nitrogênio numa tela que contém uma dose suficiente de catástrofe…

    Van Gogh foi um relâmpago inesperado no horizonte de Artaud, pois, num instante de clarão, o visionário viu-se o próprio Van Gogh, aquele que foi suicidado pelas maquinações de uma sociedade corrompida.
    No entanto, mesmo nesse horizonte de conspiração dos agentes repressores, Van Gogh continua sendo para Artaud um artista dionisíaco:

    “o rei Van Gogh incubava sonolento o próximo alarma da insurreição da sua saúde. Como? Pelo fato de que a boa saúde é uma abundância de endemias encurraladas, de um formidável desejo de vida com cem chagas corroídas que, apesar de tudo, é preciso fazer viver.”

    Diz Artaud: “Um dia, a pintura de Van Gogh armada de febre e boa saúde retornará para lançar ao vento o pó de um mundo enjaulado que seu coração não podia suportar”.

    Pois Van Gogh tinha chegado a esse estágio de iluminismo no qual o pensamento em desordem reflui diante das descargas invasoras da matéria e no qual pensar já não é consumir-se e nem sequer é e no qual nada mais resta senão juntar pedaços do corpo, ou seja ACUMULAR CORPOS.

    Acumular corpos. Criar intensidades. Como se isso fosse a condição do pensar. Agrupar estratos, sub-estratos, partículas, multiplicidades. Forjar assim um agenciamento maquínico, um plano de imanência com rupturas e precipitações. Sonhar com um corpo sem órgãos.

    E por que – podemos nos perguntar – um corpo sem órgãos?
    Justamente um corpo destituído de suas partes mais vitais?

    O homem é enfermo porque é mal construído. Temos que nos decidir a desnudá-lo para raspar esse animalúculo que o corrói mortalmente,deus e juntamente com deus os seus órgãos.

    Se quiserem, podem meter-me numa camisa de força
    mas não existe coisa mais inútil que um órgão.

    Essa declaração de Artaud coincide plenamente com a sua proposta estética conhecida como “teatro da crueldade”.

    Destruir os órgãos do corpo significa destruir as “coerções” sociais que se imprimiram no nosso ser físico.

    Em outras palavras, destruir o corpo e os seus órgãos implica chegar ao grau zero, ao vazio, donde a verdadeira criação poderá irromper.

    Significa destruir a sociedade que se enraíza em nós, as suas convenções, os seus sistemas de castração.

    É somente a partir dessa crueldade, desse mal inerente a todo ato criador, que nasceria um novo ser.

    É por isso que o teatro contemporâneo ocidental deveria se libertar do naturalismo psicológico (Cf. O Teatro e o seu Duplo).
    Dava-se um peso enorme à interpretação teatral (no sentido psicológico do termo), à arte da imitação, pois, os atores sobrecarregavam a cena com a sua linguagem verbal, aquela linguagem falada mediante o uso das palavras, esquecendo de outros meios de encenação: os gestos, os sons, os movimentos corporais, os timbres da voz, a pantomima, a dança, a música etc. Além disso, era preciso descondicionar o corpo de seus vícios psicologizantes, atentando-se para outras possibilidades de simbolismo.

    Artaud precisa ser lido com um certo conhecimento, para que seja corretamente interpretado. Uma vez compreendido, é simplesmente excepcional.

    Uma amostra:

    (OS SERES… )

    O seres
    não saem
    para o dia exterior

    só têm a força
    de resplandecer
    na noite subterrânea
    onde se fazem.

    Mas desde eternidades
    passam
    o seu tempo
    e o tempo
    a fazer-se
    e nem um só chegou
    assim
    a manifestar-se.

    Vai ser preciso esperar que
    a mão do Homem
    os prenda e consuma
    porque só
    o Homem
    inato e predestinado
    tem
    esta temível
    e
    inefável
    capacidade:

    Fazer o corpo humano sair
    para a luz da natureza
    mergulhá-lo vivo
    no clarão da natureza
    onde o sol acabará enfim
    por desposá-lo.

    Antonin Artaud

    Bel

    Comment by Isabel — 01/12/2011 @ 5:08 AM

  19. Aloha todo mundo,

    eu vou ser mais do que franco. Adorei os comentários, a Bel foi demais, e todos também. Fui com a cara do Nuno Ramos, respeito, mas não colocava nada disto e nem nada parecido com isto em nenhuma parede ou canto da minha casa. já com o Miró e muitos outros, tenho uma empatia pra lá de paz.

    A Fy tem tontura com muitas gravuras do Dalí, e acha ele um gênio. alguma coisa parecida deve acontecer comigo, em relação a certas obras .

    TocaYo

    Comment by Tocayo — 01/12/2011 @ 10:56 AM

    • Ah… vc já me viu numa sala… com Dalí.

      Eu não acredito q uma parede, ou uma casa, possa suportar Dalí.

      Na maioria das vzs, minha mente… não suporta.

      Gênio, – claro q gênio, – mas, me assusta.

      bj, menino.
      Fy

      Comment by Fy — 02/12/2011 @ 12:11 PM

  20. Acho que a Arte existe para que nos digam como a Vida pode ser.

    Comment by Anarcoplayba — 02/12/2011 @ 4:50 AM

    • Poizé, poizé…

      Tanto quanto a arte, algumas idéias, poderosas idéias, têm aquela rara capacidade de subtrair-nos do mundinho comum , atravessar agente feito avalanches sucessivas , cheias de cheiros e ritmos , doces terremotos, e apresentar de- repentes espaçados no sem -fronteiras, sem molduras, delirantes, desviantes, plenos de caos.

      Qdo elas passam pela gente, e tentamos “voltar” do impacto, geralmente tentamos, q nem bobos, reunir as velhas peças , então tão separadas, já distorcidas, recoloridas, – num primeiro-momento-de-colocar-ordem-no-caos.

      Este impacto, acontece nas imagens, nas leituras, nos encontros, [ existem encontros q são verdadeiras obras de arte ] – impacto q desorganiza tudo, desencaixa a comodidade, introduz alertas desconhecidos e desconcertantes. É tal do irresistível -caos.

      E aí agente percebe q nunca vai conseguir dizer exatamente, ou direitinho, o q foi q aconteceu.

      Só q mesmo tentando, não tem cola no mundo que recomponha o conhecido, o habitual.
      Ah… não há mais territórios habituados, amortecidos pelo sempre-igual – talvez.. o desconfortável conforto de não nos repetirmos, de não nos satisfazermos no ainda- assim.

      Quando tentamos juntar as peças percebemos uma terra nova. Um território desconhecido, uma forma diferente e inesperada, e… sentimos o corpo, a alma, as veias e a pele anunciando um novo estar.

      Um abalo .

      Mas, qual seria o motivo de tanto abalo?
      O pensamento , aquele q tem a mesma potência das forças da natureza. A diferença está só na maneira como ele se realiza.

      Quando agente, de-repente sai por aí, e, experimentamos outros paradigmas ou, …no limite, nos desfazemos de antigos paradigmas, não estamos, clichezando no tal de “re-pensando” o mundo.

      Estamos, de fato, “inventando mundos”. Esse mundo, com essas idéias, não é o antigo mundo … agora “re-pensado”, “re-significado”, “re-apresentado”, etc-e-a-porção-de-talz :

      “É” outro mundo, mesmo que ainda : o mais fragmentado deles, o mundo dos velhos temas que não se encaixam. Mas q não deixa de ser um. E isto não é qualquer coisa ….

      Isto é uma obra de arte. I think… so …

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 02/12/2011 @ 11:44 AM

  21. Fy, como sempre, voce com seu blog demonstra uma estatura de sensibilidade, singeleza, com um belo tratamento das imagens, e palavras sempre certeiras….

    O impacto da arte é o impacto de verdades emocionais…

    A beleza é. Transcende nosso eu. Que fica até certo ponto des-iludido pelo motivo de que objetivar possuir uma obra de arte que tenha beleza, ou uma pessoa, mulher, ou qualquer outro objeto que signifique beleza, e que esteja ‘fora’ de nós mesmos causa um resto de insatisfação, que continua a criar a dinâmica desejante….

    gostei das colocações de todos… : em relaçao à arte, que tem de estar livre para nao se submeter a nenhuma demanda de “olheiros”/críticos ou o que quer que seja que tente causar regra ao que deve ser desregrado…

    gostei das colocações que dizem que “temos” de ter melhor atençao à percepçao pura, antes de pensar aquilo…

    e todas as outras mais…

    Abrs

    Comment by caio — 02/12/2011 @ 10:57 AM

    • – A beleza é. Transcende nosso eu.-

      Eu diria q não. Diria q nada nos transcende… uma vez q nada seria ,- ou o q seria a beleza, se não fôssemos nós a declará-la ? Diria q a beleza nos sensibiliza, nos chama, nos inspira. Nos aumenta. É … a “possibilidade de multiplicar sentidos” e sentidos.

      E do desejo: ah… o desejo é uma pergunta.

      E a resposta não existe.

      Bom q vc gostou, Writer.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 02/12/2011 @ 12:06 PM

  22. “a arte existe para que não nos digam como a vida é”

    Genial!

    “every morning when i wake up, i experience an exquisite joy – the joy of being joan miró – and i ask myself in rapture, ‘what wonderful things is this joan miró going to accomplish today?”

    Pois é, a arte da vida é transformá-la em uma coisa maravilhosa, não só por ser uma coisa em si, mas também por ser uma coisa a ser, um vir a ser mágico; que transcende o caminho, por ser intangível, mas que não é refutável, por ser possível.

    Comment by billy shears — 04/12/2011 @ 9:23 AM

  23. Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condi ão o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos.

    Comment by Jocelyn Pasagranto — 20/12/2011 @ 8:57 AM

  24. cool story bro

    Comment by svchost.exe — 21/12/2011 @ 1:21 PM


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