windmills by fy

20/12/2011

Clarissa

Filed under: Uncategorized — Fy @ 3:08 PM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Clarissa Pinkola Estés e seus livros maravilhosos . 

Lê-los ,  relê-los , à medida que o tempo avança ,

vai nos revelando camadas e camadas  sucessivas  e  incomparáveis de interpretação .

Mulheres que correm com os Lobos ,  a Ciranda das Mulheres Sábias   , 

certamente são livros escritos para mulheres

que não temem a própria pele e nem perdem tempo

correndo  ‘ atrás ’ ou marcando encontros com  sombras estáticas

engessadas  num inconsciente transformado em museu .

 

 

Mulheres que acompanham o movimento do mundo e preparam seus corpos para a Vida ,

possuem a mente aberta e tão  ágil  quanto  lhes  solicita a dança do viver .

Por isto Clarissa afirma que uma mulher saudável é muito parecida com uma loba .

Como ela , possue uma forte força vivificante , é consciente de seu território , é intuitiva e é leal .

 

 

No entanto, a separação de sua natureza selvagem ,  dos seus instinstos ,

faz uma mulher se tornar escassa …  ,

ansiosa e com medo . . . [s]

 

 

A natureza selvagem , natural , instintiva , é o remédio para todas as coisas .

Ela carrega histórias , sonhos , palavras e canções .

Ela carrega tudo que uma mulher precisa ser e saber.

Ela é a essência da alma feminina …

 

 

Com a natureza selvagem como aliado e professor , não vemos por dois olhos apenas ,

mas através dos muitos olhos da intuição .

Com a intuição , somos como a noite estrelada , nós olhamos o mundo através de milhares de olhos .

Isso não significa – e jamais significou –  ignorar a civilização , involuir ,

ou nos tornarmos atrazados , como uma comparação que já ouvi  no formato de um vídeo tão brutal

quanto a idéia que certas mulheres fazem de sí e  do próprio corpo .

Sómente  mentes involuídas e pobres de conhecimento pensam assim .

 

 

Clarissa significa e descreve  exatamente o oposto .

A natureza selvagem possui uma vasta integridade .

 

 

Isso significa estabelecer território ,

estar em um corpo com certeza e orgulho ,

falar e agir em harmonia com sua humanidade ,

é estar consciente ,

recorrer ao poder feminino  inato  da intuição  para encontrar o que nos pertence ,

assumir nossa feminilidade com dignidade :

 para continuar como um ser poderoso que é amigável ,

 …  mas nunca manso ou servil .

 

 

A Mulher Selvagem é aquela que troveja em face da injustiça .

 Ela é intuição , agora vidente , escuta profunda , e ela é o coração leal .

Ela vive em local fresco e integridade pessoal .

 

 

Através das épocas , ela cada vez mais afirmou  seu conhecimento instintivo,

carregou orgulhosamente as cicatrizes das batalhas do seu tempo ,

escreveu seus segredos nas paredes ,

se recusou a se envergonhar ,

desbravou seu  caminho através e para fora ,

rompeu grilhões religiosos doentios afirmando-se como ser .

 

 

 Como encontrá-la ?

Como encontrar nosso instinto , nossa natureza , nossa beleza ,

e a Consciência de se saber absolutamente humana e mulher  ?

 

 

Ah … , ela caminha nos desertos , cidades , florestas ,

oceanos ,  nas montanhas e também  na solidão .

Ela mora em mulheres em toda parte , em castelos com rainhas ,

em salas de reuniões, na cobertura , e no ônibus à noite  .

 

 

Ela mora em um lugar distante que rompe com o nosso mundo .

Ela vive no passado e é convocada por nós .

Ela está no presente .  

Ela está no futuro e caminha para trás no tempo para nos encontrar  no agora .

 

 

A Mulher Selvagem  sussurra em nós : nossas palavras ,

a forma como nossos gestos instintivos naturalmente se  manifestam ,

e nós a seguimos .

Ela foi correndo e parando e esperando para ver se a estamos alcançando .

Ela tem muitas coisas para nos mostrar.

 

 

Quando matamos nossa natureza , nossos instintos ,

nos tornamos criaturas bizarras , imbecis não desejantes ,

dóceis idiotizados , à mercê de qualquer senhor .

 

 

Sem nós , a Mulher Selvagem morre . Sem a Mulher Selvagem , nós morremos .

Para a Vida : a vida verdadeira , ambas devem viver . 

O que é natural , se auto-regenera , sempre  ! ! !

 

 

Toda árvore possui por baixo da terra uma versão primeva de si mesma.

Por baixo da terra , a árvore venerável abriga uma  ” árvore oculta ” ,

feita de raízes vitais constantemente nutridas por águas invisíveis.

 A partir dessas radículas , a alma oculta da árvore empurra a energia para cima ,

para que suas naturezas mais verdadeiras , audazes e sábias vicejem a céu aberto .

 

 

O mesmo acontece com a vida de uma mulher .

Como a árvore , não importa em que condições ela esteja acima da terra ,

exuberante ou sujeita a enorme esforço ,

por baixo da terra existe  uma mulher oculta , 

que cuida do estopim dourado, aquela energia brilhante , aquela fonte profunda que nunca será extinta .

 

 

 

 

A verdadeira mulher , em nós ,

está sempre procurando empurrar

esse espírito essencial em busca da vida.

 

 

 

 

Para cima : para que atravesse o solo cego e

consiga nutrir seu eu a céu aberto

e ter o mundo a seu alcance .

 

 

.

 

 

… Assim , filha querida , anime-se e inspire-se .

 

… Assim . . .  , que você escolha o que tornar maior , não menor , o seu coração , sua mente e sua vida ,

 

… Que você absorva o que tornar mais profundos , não mais amortecidos , seu coração , sua mente e sua vida ,

 

Que você escolha o que a faça dançar ,

 

não mais andar pesadamente e cochilar . . .  –  pelo tempo afora …

 

[ Clarissa Pinkola Estés ]

 

Vodpod videos no longer available.

 

 

Fy  e  Carol

12 Comments »

  1. Na terceira leitura da postagem, uma imagem veio à mente (dançando é claro), principalmente após “A natureza selvagem possui uma vasta integridade”, que imagem é essa? Pomba-gira!

    “A iconografia da Pomba Gira inspira-se fortemente sobre tudo descrito aqui nessa postagem, ela pode ser uma mulher da rua ou da aristocracia, ela quase sempre está expondo seios e exibindo com orgulho seu corpo sensual, de uma forma que celebra a feminilidade em todo o orgulho, ela é a sedutora, a prostituta, a mãe, a bruxa, a melhor do amiga e o pior dos inimigos, ela é mulher e bruxa, ambas na medida mais completa das palavras. Ela se delicia com os prazeres de desafiar as fraquezas e desejos obscuros dos homens, especialmente por suas reações sexualmente provocantes.
    Ela pode ser percebida como uma forma de dominar e despertar um tipo diferente de consciência entre os homens, especialmente em culturas machista, pomba Gira é a revolta da mulher sob a perspectiva opressora da sociedade moderna, a negação culturalmente imposta de valores morais e éticos, bem como uma revolta contra as regras comuns aceitas de comportamento que acorrentar mulher no papel de uma virgem, em vez de celebrar o seu espírito livre. Ela é melhor entendida como uma mulher livre, uma mulher do mundo que vive sobre os prazeres e as provações da vida carnal, Clarissa é tudo isso. “

    Laroyê Pomba-Gira! Salve Clarissa…

    Abraços,

    Comment by Marques Patrocínio — 20/12/2011 @ 4:41 PM

    • – bem como uma revolta contra as regras comuns aceitas de comportamento que acorrentar mulher no papel de uma virgem, em vez de celebrar o seu espírito livre. –

      Sabe Marques, a historia da mulher, depois que o tal cristianismo invadiu e transtornou tudo o que é absolutamente natural, sofreu uma alteração brutal .

      Qdo lembro de certas passagens, no tal livro que estes crentes carregam, mas com certeza jamais lêem, relacionadas à mulher, penso q as mulheres q se dizem católicas, ou cristãs ou sei lá mais q , não passam de loucas varridas ou viciadas em masoquismo . … … …

      É uma agressão pesada, sádica, e desmerecedora além dos limites compreensíveis… como a própria historia [ historica] de qualquer religião .

      Vou deixar umas palavras de outra Clarisse … que eu gosto tanto tb – ah… quem não gosta ?

      “ Este Deus é uma criação monstruosa. Eu tenho medo de Deus porque ele é total demais para o meu tamanho.

      E também tenho uma espécie de pudor em relação a Ele: há coisas minhas que nem ele sabe.

      Medo ? – Conheço um ela que se apavora com borboletas como se estas fossem sobrenaturais.

      E a parte divina das borboletas é mesmo de dar terror.

      E conheço um que se arrepia todo de horror diante de flores – acha que as flores são assombradamente delicadas como um suspiro de ninguém no escuro.”

      Clarisse Lispector [ Água Viva ]

      ——————

      Laroyê pomba-gira > Salve este duende que mora nas mulheres saudáveis !

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 21/12/2011 @ 5:33 AM

      • ah , lembrando que este duende não é propriedade das terras de Andaluzia…. querido Lorca !

        o instinto da mulher selvagem vive em todas nós, pelas montanhas, vales, rios, subways, feiras, avenidas , mares deste mundo inteiro: – não tem raça , nem cor e nem idade , ele vive em nós : mulheres :

        bj
        Fy

        Comment by Fy — 21/12/2011 @ 5:43 AM

  2. Aloha Marques,

    Pobres mulheres que procuram sufocar esta verdadeira mulher. amareladas em parágrafos e regras. descoloridas paginas vazias, sem pele e nem sangue. mulheres que transformaram seus balangandans em discursos vazios. seus movimentos em posturas servis às asas de anjos amorfos.

    Ahhhhh .

    Uma tigresa ….
    de unhas negras e íris cor de mel. uma mulher, uma beleza que me aconteceu.esfregando a pele de ouro marrom do seu corpo contra o meu

    me falou que o mal é bom e o bem cruel.

    /
    Laroyê Pomba-Gira! Salve Clarissa… Salve a Mulher !

    hahaha e salve Rodin!

    TocaYo

    Comment by TocaYo — 21/12/2011 @ 12:34 AM

    • Enquanto os pelos dessa
      deusa tremem ao vento ateu …

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 21/12/2011 @ 5:15 AM

  3. Lindo, lindo, magnífico!

    Marília

    Comment by Marília — 21/12/2011 @ 12:41 AM

    • Oi Marília,

      Também acho !
      bj
      Fy

      – Sofia ?

      Comment by Fy — 21/12/2011 @ 5:13 AM

  4. Magnífico sim, Fy, e mais, já fazendo parte, por vivência e os direitos que esta me concede, deste ‘círculo de mulheres sábias’ , posso dizer que me sinto comovida. E o quanto é ‘vivificante’ e maravilhoso assistir uma jovem mulher desabrochar assim. Sim, voce me comove.
    Quero tambem neste comentário, abraçar bem forte minha grande amiga Bia, sua mãe, mulher capaz de criar mulheres assim.
    Bel

    Comment by Isabel — 21/12/2011 @ 12:47 AM

    • Oh Bel , guardei este elogio no coração ! é mto especial vindo assim, de alguem que eu admiro tanto !

      Biablue tem uma participação mais do que intensa, é uma mulher maravilhosa . ahahah, minha mãe .

      Ela vem chegando hj à noite do Rio com a minha irmã. Vai te responder com certeza.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 21/12/2011 @ 5:12 AM

  5. As mulheres livres e libertadoras correm com os lobos.

    Galgam o mundo montadas nas suas ilhargas esguias e frementes, febris e lustrosas sob os seus dedos, que ficam a cheirar a rosmaninho e a cedro. Refrescam-se nas suas sombras, aninham-se nas suas grutas e vivem nos negrumes matizados de luz das florestas espessas: respirando as folhas raiadas, bebendo o orvalho cintilante, devorando os frutos proibidos, quando descobrem a árvore do conhecimento.

    Recusam o carcereiro da casa. E mantêm acesa a chama da imagem feminina das lendas, dos contos de fadas, dos mitos ancestrais: a deusa, a vestal, a amazona, «aquela dos bosques», a loba. Seres mitológicos, provavelmente irrecuperáveis e inatingíveis. É de tudo isto que nos fala o excelente trabalho da psicanalista americana Clarissa Pinkola Estés, Mulheres que correm com os lobos; por entre mitos milenários e histórias do arquétipo da mulher selvagem, uma espécie em vias de extinção nos nossos dias. Um livro feminino, empolgante, galvanizante, que fala de mulheres jubilosas, desvenda sinais, segue pistas, descobre passos encobertos, tapados pela poeira do tempo. Interpreta narrativas antigas, fábulas e legendas fantásticas.

    Interpretações essas através das quais a autora identifica o arquétipo da mulher selvagem já referido atrás, como sendo a essência da alma feminina, propondo em seguida o assumir desse longínquo passado que agora nos escapa, caso desejemos vir a atingir uma real e autêntica plenitude: «Quando as mulheres reafirmam o seu relacionamento com a natureza selvagem, recebem o dom de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, uma oráculo, uma inspiradora, uma intuitiva, uma criadora, uma inventora e uma ouvinte que guia.».

    Seres intuitivos, sensíveis e orgulhosos, dotados de uma percepção aguçada, de uma «determinação feroz e de uma extrema coragem», que segundo Clarissa Estés têm bastante em comum com os lobos.

    E tal como estes, ao longo dos séculos foram perseguidas, cercadas, acossadas e inúmeras vezes mortas. Deixando claro o modo ostensivo como a psicologia tradicional se mantém lacónica ou mesmo omissa, no que diz respeito a questões importantes para as mulheres, tais como: «o aspecto arquetípico, o intuitivo, o sexual, a sabedoria da mulher, seu fogo criador».

    Mas, Mulheres que correm com os lobos é sobretudo um inteligente e corajoso ensaio, completamente diverso do que é habitual publicar-se entre nós. Um texto desafiador, que parte de uma corrente actual do feminismo, que recorre aos saberes colaterais para seguir as pistas e entender os sinais que nos levam até ao passado distante das mulheres, a fim de melhor se entender a causa da feroz e deliberada destruição, que a partir de certa altura passou a marcar todo o seu percurso, até chegar à sua anulada existência actual.

    Neste livro, há a recuperação de uma sexualidade sagrada, ensinam-se rituais de iniciação e fertilidade, refazendo a abordagem das deusas das culturas matriarcais. Dando-nos a ver o ser que continua a habitar, apesar de tudo, no subterrâneo selvagem da rebelde e esquiva natureza feminina.

    Laroyê Pomba-Gira! (a Femea ancestral) Salve Clarissa… Salve a Mulher ! Salve a Tigresa !

    BEIJO
    Marianne

    Comment by Marianne — 21/12/2011 @ 2:54 AM

  6. Hi Marianne !

    É sim, um livro inesquecível . Entre os pós junguianos, eu acredito que o nome de Clarissa tenha um brilho especial .

    Pena que os homens não a leiam, ou não não a leiam tanto . É maravilhoso pra todos.

    “Women Who Run With the Wolves

    [ Direct Quotation ]

    Wolves can move ever so softly. The sound they make is in the manner of “los angeles timidos”, the shyest angels. First they fall back and shadow the creature they’re curious about. Then, all of a sudden, they appear ahead of the creature, peeking half-face with one golden eye from behind a tree.

    Abruptly, the wolf turns and vanishes in a blur of white ruff and plumed tail, only to backtrack and pop up behind the stranger again. That is shadowing.

    The Wild Woman has been shadowing human women for years. Now we see a glimpse of her. Now she is invisible again.

    Yet she makes so many appearances in our lives, and in so many different forms, we feel surrounded by her images and urges.

    She comes to us in dreams or in stories–especially stories from our own personal lives–for she wants to see who we are, and if we are ready to join her yet.

    If we but look at the shadows we cast, we see that they are not two-legged human shadows but the lovely shapes of a something free and wild.

    ……………….

    but the lovely shapes of a something free and wild. …

    Quote– Clarissa Pinkola Estes, Ph.D. Chapter 15, Women Who Run With the Wolves

    bj
    Fy

    Comment by Fy — 21/12/2011 @ 5:08 AM

  7. Sites We Like…

    […]just below, are some totally unrelated sites to ours, however, they are definitely worth checking out[…]…

    Trackback by Nature Inspiration — 02/01/2012 @ 1:24 PM


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