windmills by fy

09/03/2013

A tragicômica condição humana – by Billy Shears

Filed under: Uncategorized — Fy @ 12:24 AM

 

 

I don’t like the idea of   ‘ understanding ’   a film .

I don’t believe that rational understanding is an

essential element in the reception of any work of art .

 

 

Either a film has something to say to you or it hasn’t .

If you are moved by it , you don’t need it explained to you .

If not , no explanation can make you moved by it .

 

                                                                                                  Federico Fellini

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 – Uma pequena  introdução :    

 

 

” Um pouco de possível, senão sufoco ”  …   disse Foucault .

 

 

Psicologisar até as beiras do ridículo …

Foi uma expressão que usei no post anterior .

 

 

… outro dia, atônita ,  lí uma crítica sobre um filme, onde a autora , psicóloga  religiosa  , se entusiasmou e…. se entusiamou ….  

Ah … de tal maneira que , numa desastrosa  tentativa de mostrar-se conhecedora [ ? ]  … e , heroína da fé ….  não sei bem de que …. ou em que …  ,

 fez um “ fuá junguiano ” , ítem por ítem , num desesperado sermão católico ou cristão , não sei a diferença…  

pretenciosamente decorado  por um paganismo de enciclopédia .   – penso eu …

 

 

O absurdo foi tão estarrecedor, que , fácilmente , nos remeteria à  uma  chamada tão  bizarra quanto hilária ….   assim :

 

 

Assista Branca de Neve e os 7 anões    [ o remake….]   e encontre sua centelha crística

ou o Cristo que mora em vc  dividindo um ap.  com  Perséfones, Ariadnes,  Dianas, Hipólitos, Cornuttos , Cronos etc ….. e consiga …. 

se transformar num intrumento da “vontade divina” , batendo um papo com seu “espelho”  , desembainhando sua espada …  e saltando a cavalo ,  aqui … na Terra . 

Aleluia .

 

 

… pois é …. aiaiai … 

Em uma confusão completa  – e cômica –   entre cavalos, espelhos, espadas , fogos daqui e dalí ,

úteros, florestas ,  eras , mitos  e religiões …. : não se lê nada, – creia … –  

absolutamente nada de diferente  em relação à outras críticas dos mais  diversos filmes ,

onde o roteiro é grosseiramente empacotado no  Índice de :  Sonhos … Memórias e Reflexões … by Jung,   

 – totalmente maestrado : chapters : 1-2-3  –     e derivam grotesca e estrambolicamente  em versões mitológicas  

mirabolantemente adaptáveis , adquirindo ridículos significados vazios .

 

 

Toda as análises são iguais :

 

 

O tal do  ego sai correndo pra lá e pra cá…. , desesperado em uma catastrófica  “ Jornada do Herói ” ,  

onde o dragão inimigo e maligno  é ele mesmo ….  ,  quando de repente aparecem mais 10 egos ….

e o herói tem mais é que inventar uma  espada … – matar tudo o que é ego ….

 

perseguir  sombras que não acabam mais   ,  despencar em tenebrosos abismos ,

aterrisar no inconsciente , “se” tornar inconsciente e … …. realizar  ….

uma tal de  …. vontade divina … que …. jamais foi a dele . . . e que , óbviamente ele não sabe qual é ….

– e que por isto mesmo  … já vem explicada …. no próprio adjetivo “divino”: … que serve pra tudo .  

 

 

E o filme  ? ? ? …. ah … este ,  não importa …

 

 

Hahahaha : pronto > esta é a receita …  ou  manual que voce deve ter em mãos para :  “atônito” ,

“entender qualquer  filme”  ,  dissolver sua consciência em um samadhi de poltrona , e, sobretudo : Re- conhecer-se …. … –

na maçã envenenada ou no galho que não se quebrou ou no silêncio que se ouviu   …. e , então ,

Oh ……. :  deslumbrar-se com tudo o que voce “não percebeu” …… 

– ” Baita Filme ” !

 

 

 

Oh …. mitólogos de sofá …. …. mantenhamos  Branca de Neve em sua magia original ,

…. longe destes desvarios psico – religiosos .

 

 

Permitamos  que a Magia toque o coração , exatamente como ela é .   Livre .    Mágica .

Não aprisionada por esta desumana , embora cômica , lista de absurdos . 

 

 

E como no post anterior o papo rolou em torno do Discernimento … ,

eu separei,  entre outros ensaios , este do Billy Shears com o intuito de reabrir alguns textos sobre :  Cinema e Filosofia .

 Achei este post do Billy tão real , humano em suas  reflexões   

que foi um bálsamo… depois da referida …  “ leitura ” .

 

 

 

 

 

 

 

 

O humor é uma válvula de escape das pressões do dia-a-dia ; foi o que eu ouvi e compartilhei durante muito tempo.

Mas , o que diferencia uma válvula de escape de uma fuga ?

Talvez o excesso ; talvez a negação de algo; talvez a alienação do que realmente importa .

 

 

No entanto ,  o humor é só um exemplo ,  mais visível em nossa sociedade ,  – por ser o mais acessível e agradável ao ser humano –

entre tantas rotas de fuga que o indivíduo percorre para se distanciar do seu caminho .

 

 

O ódio ,  a frustação ,  a ambição ,  a melancolia ,  são outros exemplos .

Características inatas ,  portanto inerentes à condição humana ;   –  por que ,  então ,  seriam considerados como  “ fuga ”  ?

 

 

O problema está no excesso ,   no qual se vive em tais módulos de freqüência .

Paradoxalmente ,  é a partir da falta de algo , 

que se detona o processo de potencialização do desequilíbrio interno no indivíduo .

 

 

A Insatisfação :  “ o ser humano nunca está satisfeito com o que tem ”  , é um velho clichê solidificado pela prática .

 

 

 

O cinema é pródigo em exemplos do que eu estou tentando dizer .

Outro dia , me surpreendi ao ver   “ Psicopata Americano ”  ,  que eu julgava ser mais um filme de violência ,

banhado em sangue ;   mas ao ver as primeiras cenas e a forma como o personagem principal era descrito na trama ,

saquei de cara que a história era muito mais interessante do que prometia o título .

 

 

Patrick Bateman   – vivido com maestria por Christian Bale –   é o estereótipo do yuppie nova-iorquino dos anos 80 :

um sujeito endinheirado ,  vice-presidente de uma empresa ,  com uma bela noiva ,  vários amigos ;  enfim ,

tudo o que se poderia esperar de uma vida bem sucedida .

 

 

Mas , tudo não passa um jogo de aparências , que ele começa a se dar conta

e aos poucos vai se revoltando ;  por estar imerso em um oceano de superficialidade , 

ele torna a sua vida mais densa e é tomado de uma raiva extrema a tudo o que o cerca ,

pois percebe o quanto a vida dele   – e das pessoas com as quais ele convive –   é vazia .

 

 

É a violência que vai preencher este vazio .

 

 

Agora , em sua mente    –  essa é uma outra discussão que o filme propõe…  –     ele é um alguém ,

um sujeito ímpar ,

não um mero mortal confundido com qualquer indivíduo do seu grupo de amizades :  

                                                                                                                                                        é um assassino violento e cruel .

 

Vodpod videos no longer available.

 

 

O interessante ,  é que o mesmo ator encarnou Batman nas telas ,

a história de um indivíduo atormentado pelas injustiças que via em sua cidade e que ,

traumatizado desde a infância pela violência ,

é levado a agir de maneira contundente contra o mal que se instalara em Gothan City ;

mas antes , precisou domar a sua raiva   –  como é mostrado no primeiro filme da trilogia  –   ,

a qual poderia levá-lo a se tornar o monstro que ele próprio combatia .

 

 

Batman e Bateman são duas faces da mesma moeda , coincidentemente interpretados por Bale .

 

 

 

 

 

 

A fuga transformou Bateman num psicopata assassino , revoltado com a futilidade de seu meio social .

 

 

Já Batman ,   transforma sua raiva inicial em vontade de potência e

vai à luta contra as injustiças ,  em favor de uma sociedade que pretendia ser mais justa .

 

 

Dois personagens que chegam a extremos e ,   por isso ,   bastante atuais .

Um não consegue conviver com a falta ,  a ausência de algo que ele não consegue definir ,  mas que o perturba ,

a ponto de perder a sua sanidade mental ,

 

 

o outro consegue sublimar a sua raiva e promove a sua catarse pessoal , através da criação da persona Batman .

 

 

No entanto,   penso eu , uma outra personagem da ficção :   a Marge ,   de   “ Fargo ”  ,

vivida por Frances McDormand , está mais próxima de ser uma heroína real .

 

 

Na história , repleta de personagens egocêntricos , gananciosos e atrapalhados ,

ela emerge como uma pessoa sensata e prática .

 

 

Uma policial , grávida , que leva uma vidinha pacata no interior ,

onde nada de mais interessante acontece , é envolvida numa ocorrência de seqüestro ,

que leva a uma série de assassinatos e acontecimentos bizarros ,

que ela ,  com bom senso ,   resolve como se estivesse em mais um caso corriqueiro .

 

 

Em uma cena marcante do filme ,  Marge deixa claro para o assassino que ele deveria saber que existe coisa mais importante que o dinheiro .

 

Costumo dizer ,  em tom de brincadeira , para as outras pessoas ,

quando estamos enfrentando algum problema corriqueiro ,  que ele é decorrente da tragicômica condição humana na terra .

Mas ,  pensando bem ,  a tragédia ou a comédia , quando provocada por nós ,

não deixa de ser uma fuga existencial .

 

 

Nietzche diria :   “ torna-te quem tu és ”  .  Porém ,  lembrando de Marge , creio que Kant também recomendaria ,

através de seu imperativo categórico , que é necessário tomar decisões como um ato moral ,

ou seja , sem agredir ou afetar outras pessoas .

 

 

Obs:   Uma cena de   “ Fargo ”  , só para quem já viu ou que não pretende ver :

 

Vodpod videos no longer available.

 

 

 

 

 

Thank you , Billy Shears !

 

Fy 

 

 FONTES:

 

Billy Shears

adv  : autor do excelente  http://www.eternoretorno.com/

 

and me .

 

GRAVURAS  :

 

Laura Laine e  diversos

 

 

 

 

 

36 Comments »

  1. Huahuhauhaua, Fy, melhor que este temporal se armando , só tua introdução !

    Interpretose!

    Todos sofremos de Interpretose hoje em dia. Mas, é claro que as interpretoses variam.
    Já dizia Scholes que a leitura é sempre o esforço de compreender e incorporar. O que me parece óbvio.
    Lendo o artigo que voce menciona, juro que de cara me lembrei do Fuchs no post da Pureza.

    Bom, tendo em conta que esta interessante e patológica busca por este estado artificial é a via para se obter a Gnose ou o que este segmento entende por Conhecimento, é mais que natural que o embrulho todo se transforme num vinagrete temperado com chantilly.

    E olha que o último parágrafo é bastaaaaante tendencioso :

    ‘Resta questionar como podemos nos tornar a predestinada de nossa própria história, saindo do posto de meras passageiras expectadoras à condutoras da nossa própria existência? Como podemos nos salvar de nós mesmas? Devemos buscar, semear, cultivar e colher a pureza em nós e em tudo e todos que nos cercam. Nós já descansamos o suficiente, precisamos transformar o gelo em fogo, e despertar a luz do verdadeiro amor divino. Não há renascimento sem morte, e é uma guerra que jorra sangue, mas só nos resta arregaçar as magas e fazer o que precisa ser feito.’

    Complicado… esta última frase. Nada mais natural que jorrar sangue em nome de deus.

    E, a ladainha do ‘salvar-se de sí mesmo’ continua assombrando o ser humano e é onde a descrição do roteiro–comédia do junguismo católico se encaixa perfeitamente. As senhoras católicas devem entrar em êxtase, com este Ódio babando fé… este ódio aí, é do bão. Este é louvável.

    Sim, Fy é ridículo.

    Mais uma vez parabéns pro Billy Shears pela abordagem, volto depois para levantar umas questões que estou ainda remoendo.

    Vai cair água pesada por aqui!

    beijo a todos,
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 09/03/2013 @ 7:08 AM

  2. oi Fy, adorei o post. Estou aqui lendo, dei até uma voltinha em outros posts. Eu não assisti o Fargo, mas pelo trailer e as palavras do Billy, uma pessoa que consiga manter esta serenidade, não perca o foco, nestes momentos onde geralmente a adrenalina é quem comanda as atitudes dagente, é a pessoa mais útil do mundo! Eu queria tanto ser assim, mas confesso que não sou tão tranquila ou equilibrada. O difícel é treinar, rsrsrsrs. Na verdade, espero nunca precisar. beijo ,Karina

    Comment by Karina — 09/03/2013 @ 10:04 AM

  3. Quase Boa Noite pra voces e um comentário rápido antes de pegar a estrada, excelente o post e introdução. Segunda agente encomprida isto, mas eu discordo que Batman tenha sublimado a raiva. Na minha opinião ele a instrumentalizou, inverteu os papéis apenas. Tornou-se seu senhor. hehehe, sou meio contra este lance de sublimar, Billy. A raiva ou a não-aceitação, ou qualquer outra definição é um motivador muito útil. E sou meio que chegado em adrenalina, Karina. Falo mais sobre isso na segunda,

    Freud?

    abraço e bom fim de semana,

    João Pedro

    Comment by João Pedro — 09/03/2013 @ 10:25 AM

    • Oi galera do Windmills,
      Mais uma leitura muito útil e bacana.
      Eu concordo com o João Pedro sobre a palavra sublimar,e mesmo após décadas de evolução sobre as teorias Freudianas, é relevante lembrar que Freud a determinou como um mecanismo de defesa. Que consiste consiste no modo que utilizamos para afastar idéias (principalmente sexuais) que nos incomodam, ou seja, quando criamos coisas socialmente aceitáveis (pintar, escrever, dançar, estudar, expressar artísticamente, zuar, fazer piadas, etc) para desviar pensamentos “considerados” perturbadores para os mais moralistas. Eu me lembrei de um personagem do filme Beleza Americana (American Beauty) voces já viram? O personagem Lester é um exemplo ótimo para entendermos o que é sublimação. Esse indivíduo passa por situações difíceis e complicadas envolvendo problemas trabalhistas, familiares, sexuais, morais e sociais, até o momento em que entra em constante luta contra o conformismo fazendo tudo aquilo que sempre quis fazer, mas não fazia porque era moralmente ilegal. Dessa maneira ele realiza vários de seus desejos e se sente cada dia mas jovem, saudável e sábio. Na minha opinião, ele transformou sua insatisfação em atitudes. Não as sublimou.
      A princípio, o termo sublimar significa passagem da água do estado sólido para o gasoso, o que não deixa de ser uma transformação, mas em termos psicológicos ela nos remete a um estado de censura ou freio e frustração de nossas tendências e não de transformação.

      Comment by Adriana — 10/03/2013 @ 12:14 AM

    • João, eu não acho que adrenalina tenha a ver com a perda do bom senso. Ainda esta semana, assistindo Chicago Fire vi em baita exemplo disto. Os bombeiros são chamados pra um acidente onde um motorista aparentemente bêbado perde a direção e enfia o carro numa loja, arrebentando tudo e ferindo pessoas. Os bombeiros chegam e atravessam uma multidão louca pra linchar o cara e liderada por um brutamonte que enfrenta os bombeiros que constatam que o cara está tendo um derrame, e não bebedeira. Um deles, tenta peitar o cara pra abrir passagem e socorrer o infeliz, e o outro, usa o bom senso e “pede ajuda” para o grandalhão que imediatamente se sente importante e abre caminho na multidão. Percebendo que naquela situação até mesmo uma estátua estaria engasgando adrenalina, ocara mais sensato foi muito mais útil.beijo,Karina

      Comment by Karina — 10/03/2013 @ 12:41 AM

  4. cheguei aqui clicando em uma imagem do Mickey e não consegui mais sair. Parabens pelo blog, assuntos, opiniões e apresentação.Tornei-me leitor assíduo.

    Comment by Luiz Felipe — 09/03/2013 @ 10:34 PM

  5. Boa noite Windmills, Fy
    Brilhantes conclusões sobre a Insatisfação.Será que não é este o problema que gera tamanhas interpretoses? Será que não é esta nossa fraqueza o ponto explorado pelos espertos, profissionais, religiosos e políticos mais oportunos? Alguns diriam que a ingenuidade, promovida muitas vezes pela ignorância, seria o campo fértil para que certos desvarios ganhem importância e credibilidade. Temos um bom exemplo na política. Mas em relação à crendices, fés, religiões,e mesmo diagnósticos psicológicos, eu acredito que a Insatisfação corresponde à uma excelente xícara vazia, disponível à qualquer marca ou qualidade de chá.Um grande problema é que mesmo quando ela transborda,nem assim consegue saciar esta fraqueza, e encontramos então este tipo de interpretações absurdas e embriagantes, e principalmente manipulatórias.
    Um grande abraço para voces e ótimo fim de semana,
    Sofia Mastrada

    Comment by Sofia — 09/03/2013 @ 11:08 PM

  6. freud sempre foi nefasto. Imagine os freudianos acendendo o charutão! YeahAihaih

    Comment by duc@ — 10/03/2013 @ 12:23 AM

  7. Sonhar é ignorar Freud.

    Interpretar não é Interpretosar.
    Interpretosar é ser pretencioso. Interpretar é sentir .

    Obrigado,
    Marianne

    Comment by Marianne — 10/03/2013 @ 1:16 AM

    • Sonhar é ignorar Freud.

      Interpretar não é Interpretosar.
      Interpretosar é ser pretencioso. Interpretar é sentir .

      Marianne, eu vou usar isto… nesta sequência de Filme e Filosofia …. Sonhar é ignorar Freud e seus segmentos – incluindo Jung, na interpretação dos “fiéis” .

      Lindo vídeo !

      bj

      Fy

      Comment by Fy — 13/03/2013 @ 12:50 AM

  8. Um dos males deste excesso de interpretose mofada , huahuahuhauha, pelo brilhante Caio Fernando Abreu em Morangos Mofados:

    Sri Lanka, quem sabe? ela me pergunta, morena e ferina, e eu respondo por que não? mas inabalável ela continua: você pode pelo menos mandar cartões-postais de lá, para que as pessoas pensem nossa, como é que ele foi parar em Sri Lanka, que cara louco esse, hein, e morram de saudade, não é isso que te importa?

    Uma certa saudade, e você em Sri Lanka, bancando o Rimbaud, que nem foi tão longe, para que todos lamentem ai como ele era bonzinho e nós não lhe demos a dose suficiente de atenção para que ficasse aqui entre nós, palmeiras & abacaxis. Sem parar, abana-se com a capa do disco de Ângela enquanto fuma sem parar e bebe sem parar sua vodca nacional sem gelo nem limão.

    Quanto a mim, a voz tão rouca, fico por aqui mesmo comparecendo a atos públicos, pichando muros contra usinas nucleares, em plena ressaca, um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Teresa de Calcutá, um dia de merda enquanto seguro aquele maldito emprego de oito horas diárias para poder pagar essa poltrona de couro autêntico onde neste exato momento vossa reverendíssima assenta sua preciosa bunda e essa exótica mesinha-de-centro em junco indiano que apóia nossos fatigados pés descalços ao fim de mais outra semana de batalhas inúteis, fantasias escapistas, maus orgasmos e crediários atrasados.

    Mas tentamos tudo, eu digo, e ela diz que sim, claaaaaaaro, tentamos tudo, inclusive trept, porque tantos livros emprestados, tantos filmes vistos juntos, tantos pontos de vista sociopolíticos existenciais e bababá em comum só podiam era dar mesmo nisso: cama. Realmente tentamos, mas foi uma bosta Que foi que aconteceu, que foi meu deus que aconteceu, eu pensava depois acendendo um cigarro no outro e não queria lembrar, mas não me saía da cabeça o teu pau murcho e os bicos dos meus seios que nem sequer ficaram duros, pela primeira vez na vida, você disse, e eu acreditei, pela primeira vez na vida, eu disse, e não sei se você acreditou.

    Eu quero dizer que sim, que acreditei, mas ela não pára, tanto tesão mental espiritual moral existencial e nenhum físico, eu não queria aceitar que fosse isso: éramos diferentes, éramos melhores, éramos superiores, éramos escolhidos, éramos mais, éramos vagamente sagrados, mas no final das contas os bicos dos meus peitos não endureceram e o teu pau não levantou. Cultura demais mata o corpo da gente, cara, filmes demais, livros demais, palavras demais, só consegui te possuir me masturbando, tinha biblioteca de Alexandria separando nossos corpos…

    Bom dia moçada!
    (tio) Renato

    Comment by Renato — 10/03/2013 @ 2:29 AM

    • Cultura demais mata o corpo da gente, cara, filmes demais, livros demais, palavras demais, só consegui te possuir me masturbando, tinha biblioteca de Alexandria separando nossos corpos…

      Renato! Nossa : texto incrivel! [ – Apesar de imaginar o qto devia ser barraaaaa segurar estas baladas depressivas do Caio, pelo próprio Caio… – You Know… – ele é sublime de tão verdadeiro.

      Existe um gift – no meu tumblr – que diz assim : INTELLIGENCE IS SEXY – e, difícel … ler um texto tão inteligente …. – Outro dia mesmo, fiquei imaginando como estes fiéis seguidores de conceitos empapelados conseguem transar … deve ser hilário …. – … alma de um lado …. corpo de outro …. hahahahaha – um num “galho”… outro em outro ….

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 13/03/2013 @ 1:41 AM

      • Coloca realidade nisto!Eu acho, Fy que quando a poesia nasce do momento instável , ela nos encontra justamente naquele estado de invenção, onde a propria realidade se inventa e ao mesmo tempo se descobre e, claro me parece que este seja o processo natural para renovar num interminável processo de criação, confiando inteiramente na capacidade única de encher a linguagem de realidade ! E não permitir que a realidade se “encha” de linguagem. HuaHuahuHa , uma arte, uma arte .
        (tio) Renato

        Comment by Renato — 13/03/2013 @ 3:48 AM

  9. Eu não compreendi muito bem a mensagem do Billy , na comparação de conceitos entre Nietzsche e Kant. Mas taí uma discussão que agente pode levantar.

    Eu não creio que esta frase de Nietzsche possa ser introduzida em texto onde ela conseguirá uma interpretação [ que aí seria interpretose ] aleatória. É preciso, contextualizá-la.

    Zaratustra de Nietzsche fala em circunstâncias diversas e de diferentes maneiras. E sobretudo, procura por alguém ou alguéns que consigam ouví-lo (compreendê-lo).

    Discursa para o público reunido na praça, dirige-se aos discípulos e, por vezes, a apenas um em particular, dialoga com várias personagens que cruzam o seu caminho: o saltimbanco, o aleijado, o espírito
    de peso. Zaratustra fala, mas também canta; discursa e monologa; tem interlocutores e entretém-se com si mesmo; conversa com seus animais e troca segredos com a vida.

    E, na maior parte das vezes, o falar esconde mais que o calar; o silêncio revela mais que as palavras.

    É assim que fala Zaratustra, “o sem-Deus”, “o porta-voz da vida, o porta-voz do sofrimento, o porta-voz do círculo”, “o mestre do eterno retorno”, “o que não em vão disse a si mesmo: ‘torna-te quem tu és’”.

    É Zaratustra, aquele que vem desvincular a metafísica e a moral, quem assim fala.

    Ao contrário do profeta báctrio, que teria introduzido no mundo os princípios de bem e mal, submetendo a cosmologia à moral, ele vem refazer a obra do Zoroastro histórico.

    Alter ego de Nietzsche, quer recuperar a inocência do vir-a-ser.

    E mais do que tudo, a grande busca de Zaratustra é justamente por pessoas que consigam compreendê-lo .

    E, para compreendê-lo , nesta comparação ao imperativo categórico de Kant , ninguem melhor que Deleuze, que nos deixou um acervo maravilhoso, inspirado por ele, Nietzsche (também):

    beijo a todos,

    tio Guz

    Comment by Gustavo — 10/03/2013 @ 4:34 AM

    • É Zaratustra, aquele que vem desvincular a metafísica e a moral, quem assim fala.

      Gustavo, eu conhecia o vídeo, e… salve Nietzsche, tão real e por isto mesmo imortal . Esta visão do Deleuze, genial, sobre julgamento, me lembra um pouco Derrida e tem toda a vibe da Desconstrução. Daria um excelente post .

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 13/03/2013 @ 12:47 AM

  10. Ei, Fy!

    Excelente introdução para o post, obrigado pelas palavras. Gostei muito da figura do cartão de visitas, pois no filme ele é um símbolo da disputa travada entre os “colegas” para ver quem era o “melhor”, mas na realidade, aquiilo não passava de um mero pedaço de papel…lembrando aqui do Tyler Durden de “O Clube da Luta”…”você não é a sua conta bancária; você não é a roupa que veste.etc…ele poderia dizer:” você não é o seu cartão de visitas”….
    Ainda to em processo de mudança de cidade…uma correria só…tudo novo pra mim…mas foi bom, pois saí da minha zona de conforto…agora tenho que criar outra de novo…hehe ordem/caos; construção/destruição, tudo é transitório, a vida é impermanente e flui como um rio…rsrs

    Pessoal, valeu pelos comentários, fiquem a vontade para criticar e desenvolver melhor alguns aspectos que eu abordei.

    Abs

    Comment by billy shears — 10/03/2013 @ 3:47 PM

    • Oh Billy : quero mais ! Escreva mais !

      bj

      Fy

      Comment by Fy — 13/03/2013 @ 12:42 AM

      • Ei, Fy!
        Opa….vamos ver…quando tiver uma outra inspiração, te passo.
        Obrigado pelo espaço. O Windmills é o abrigo das palavras livres de interpretoses.
        Afinal, sometimes, a cigar is just a cigar…..

        yeaaaahhhhhhhhh

        bj

        Comment by billy shears — 13/03/2013 @ 1:20 PM

    • Aloha Billy,

      Amigo, somos companheiros aê nesta correria. Passei o ano passado atravessando cidades, países, num easy rider furioso. mares/montanhas/areia e neve. minha engenharia aprendeu a falar até frances, huahuahuahaua. O melhor é se estabelecer no mundo,deve ser esta nossa zona de conforto. meu segredo é ter escolhido boa moradia… que vai comigo aonde eu for.

      Lembrei esta, que eu curto pacas do Talking Head, alguem aí deve lembrar,

      abraço aê moçada,

      beijo, menina
      TocaYo

      Comment by TocaYo — 14/03/2013 @ 6:05 AM

      • Fala, Tocayo!

        Pois é…a vida segue seu fluxo como um rio, sendo que a felicidade está na viagem, que às vezes é cheia de aventuras, obstáculos, perigos, tormentas e também belas paisagens e às vezes é calma, tranquila, até monótona, nos deixando com uma sensação de estar numa zona de conforto, porém, muitas vezes quando olhamos para trás e lembramos de períodos da vida que julgávamos como felizes, pela tranquilidade, percebemos que eles poderiam ser melhores e só o foram por causa das mudanças que ocorreram.

        E por falar em rio…..

        Aloha!

        Comment by billy shears — 14/03/2013 @ 1:17 PM

        • Billy, Billy , eu a do ro esta música !

          Tanto, tanto … vc podia bolar um post com ela !

          bjs
          Fy

          Comment by Fy — 15/03/2013 @ 3:42 AM

      • beijo, menino.

        Não q eu precise falar… mas um violão, vc cantando , ah …. gosto mais.

        Fy

        Comment by Fy — 15/03/2013 @ 3:45 AM

  11. Bom dia pessoas, Mr. Freud e tudo o mais.
    Adorei tudo, e olha que é domingo… e eu sou a única pessoa que está acordada, sem saber porque. A introdução tá ótima Fy, morri de rir, e é bem por aí. E o papo dos segredinhos foi muito bem fotografado por Deleuze e Parnet. Mas eu acho que as pessoas que vivem este pânico chatinho de correr atrás de sí mesmo, escondido sabe lá onde, são pessoas frustradas e que não conseguem ou não conseguiram se realizar de jeitinho nenhummmmm nenhummmmm. Sabe aquelas pessoas que morrem de raiva de sí mesmas, ou vergonha, ou que fcam muiiiiito chateadas quando se olham ou olham pra própria vida? Aí então, elas pulam pro lado de lá, se enfiam nesta palhaçada toda, e se acham “demaissss” ! Ai que coisa chata! Chata que nem elas. Chata que nem os questionamentos eternos em que elas vivem. Já pensou viver em um questionamento ao invés de viver no mundo? É pra quem tem tempo… e não encontra o que fazer, Perdeu o tesão ou nunca teve.

    Billy, adorei o som, o post, os filmes, e o cartão do sociopata. Depois, fiquei pensando… não é só sociopata que tem cartão. O meu, é mais bonito que o dele, caramba. E eu tenho o maior orgulho! Se eu pudesse colocava todo meu curriculum, meu esforço, minhas brigas, as noites que não dormi, as alegrias,, todas as 6 horas da manhã, hauhauahau, pra conseguir, hoje, mostrá-lo ou entregá-lo. Claro que meu cartão não sou eu, mas… muito de mim é o que está alí, nas linhas, nas entrelinhas, no meu nome, falando de mim e por mim. Sei lá, talvez seja um ponto de vista diferente, mas sem falso moralismo, eu adoro poder ter o que eu tenho hoje, através do que eu fiz acontecer. E eu sou também tudo isto aí.
    Beijocas, vou dormir de novo. Depois eu volto pra bater papo.
    Ju

    Comment by Juliana — 11/03/2013 @ 2:40 AM

    • É verdade! Mas também tem um outro tipo de mala . Um tipo Pondé, que se acha mega bem sucedido, genial, além de tudo e de todos e que insiste em interpretoses patéticas. E pior de tudo: tem um grande espaço na mídia para espalhar as suas bobagens.

      Comment by Beto — 12/03/2013 @ 8:03 AM

      • Hi Man , – Vc é outra coincidência incrível ! acredite ou não, ontem à noite fui parar num vídeo deste idiota. Eu não suporto o Pondé. – difícel crer q alguem suporta!!!! – Mas, pense comigo… o Malafaia, e outras peças do gênero tem espaço na mídia ….. Eu nem sei como estes tipos saem incólumes, depois de tanta barbaridade …. – Dê uma olhada nos comments do post anterior e leia o que escreví – justamente sobre este “mala” , … me esforçando por ser gentil como vc ….

        be welcome,

        Fy

        Comment by Fy — 13/03/2013 @ 12:30 AM

    • JUUUU! Uau…. – Ayn Rand na veia !

      É claro que penso da mesmíssima forma. Somos exatamente tudo aquilo que somos. E aquilo que produzimos, aquilo que transformamos, e, sem dúvida o esforço e o valor que temos em relação a isso . Atingir nossas metas, não nos deforma. Não nos desmerece. A pessoa peocupada em aparentar qualquer coisa, não atingiu é nada , e isto está incluso no sentido da palavra “aparentar”. Quem “é” , quem conseguiu “ser”, não aparenta : é. E, não precisa, nem de longe, esconder ou se envergonhar por isto. …. sabe, isto é uma falsa atribuição de valores que atravessando a frustração valoriza o confortável ressentimento pelos que se esforçaram e atingiram seus sonhos. Não é ? ah …

      bj

      Fy

      Comment by Fy — 13/03/2013 @ 12:41 AM

  12. Tu, Místico

    Alberto Caeiro/ Fernando Pessoa

    Tu, místico, vês uma significação em todas as cousas.

    Para ti tudo tem um sentido velado.

    Há uma cousa oculta em cada cousa que vês.

    O que vês, vê-lo sempre para veres outra cousa.

    Para mim, graças a ter olhos só para ver,

    Eu vejo ausência de significação em todas as cousas;

    Vejo-o e amo-me, porque ser uma cousa é não significar nada.

    Ser uma cousa é não ser susceptível de interpretação.

    Lindo Blog.

    Comment by Melissa — 11/03/2013 @ 6:11 AM

    • Melissa,seja bem vinda!
      Acredita que eu quase coloquei esta poesia do FP no início do post? Nada poderia dizer melhor da smplicidade – q hj me parece uma atitude “reservada” aos esclarecidos – do Ser . E resume, ao lado do comment da Juliana, meus 2 ou mais últimos posts . – … até acho que vamos ter q falar mais sobre isto, – pq esta “simplicidade” longe de ser limitante ou resumida em sí mesma, é pra lá de explorável, infinita em sua realidade …. tão desmerecida por esta enxurrada de “significâncias” artificiais atravessadas por um misticismo sempre humanamente desmerecedor. Adorei !

      bj

      Fy

      Comment by Fy — 13/03/2013 @ 12:24 AM

  13. oi pra todos, e prometo que venho no finalzinho da tarde! O papo tá mto bom, mas tenho que sair … neste calor absurdo….

    bjs e bjs
    Fy

    Comment by Fy — 12/03/2013 @ 6:10 AM

  14. Billy, Tocayo, continuem aí, bom som, boa música, comecemos a sexta feira na quinta.

    Karina,

    Demorei pra responder porque viajei. E eu concordo plenamente com voce, jamais fiz analogia entre adrenalina e descontrole.Talvez eu não tenha me expressado bem, mas tenho plena convicção do que falei, o conhecimento racional é diretamente ligado ao nosso instinto afetivo, às emoções , aos sentimentos de atração, empatia, repúdio, aceitação e não aceitação. Sublimar ou esmagar é instalar uma caixa de Pandora dentro de sí mesmo. Uma hora eles explodem a caixa, sem pedir autorização ou espaço.

    E, a tomada de atitude , que é o contrário da sublimação da mesma exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação – o que não significa que encarar certas emoções seja partir para um comportamento insandecido ou descontrolado.
    O insandecido descontrolado é insandecidamente descontrolado .
    Muitas e muitas vezes a raiva, a indignação , são motivadores essenciais pra que possamos comparar, escolher, romper, decidir , trocar, lutar e estimular a elaboração de nossas próprias opiniões.

    Recortei um parágrafo do Freire que ilustra o que eu quis dizer:

    Freire afirma com profunda sensibilidade afetiva e ética:
    Tenho direito de ter raiva, de manifestá-la, como motivação para minha briga tal qual tenho o direito de amar, de expressar meu amor ao mundo, de tê-lo como motivação de minha briga porque, histórico, vivo a história como tempo de possibilidade e não de determinação. […] Meu direito à raiva pressupõe que, na experiência histórica da qual participo, o amanhã não é algo pré-dado, mas um desafio, um problema. A minha raiva, a minha justa ira, se funda em minha revolta em face da negação do direito de “ser mais” inscrito na natureza dos seres humanos (FREIRE, 1999:84)
    A manifestação da raiva é manifestação da indignação, uma raiva que brota da exigência de mudança, elemento motivador para o engajamento com os menos favorecidos. E Freire aceita a condição de silenciado para bem lutar contra a negação de si mesmo. A questão da legitimidade da raiva contra a docilidade fatalista foi tema da conversa de ambos em toda aquela manhã….

    Como não levo jeito pra budista, Docilidade Fatalista, é um excelente tema pra discussão.
    Abraço
    João Pedro

    Comment by João Pedro — 15/03/2013 @ 5:36 AM

  15. very good most of your articles, many years of quality posts, i admire you in many things and i disagree in others, but still love your posts.

    Comment by caoegato — 16/03/2013 @ 5:30 AM

  16. nice, informative and educational post and the most interesting and informative post i’ve ever seen, so the post bookmarked my browser for future

    Comment by ciclistadanigh — 19/03/2013 @ 6:12 AM

  17. Dica para quem gosta dos Fab Four:

    Estreia nesta sexta-feira (15) no UOL o “Especial Beatles – 50 Anos de Beatlemania”. O material celebra os 50 anos do lançamento do primeiro álbum dos quatro rapazes de Liverpool, “Please, Please Me” (1963). O UOL produziu uma série de programas em vídeo, dividida em quatro edições, em que mostra a banda cover ZoomBeatles interpretando o álbum na íntegra, com instrumentos e equipamentos de época para reproduzir a sonoridade original de 1963.

    http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2013/03/15/serie-do-uol-celebra-os-50-anos-da-beatlemania-e-do-lancamento-de-please-please-me.htm

    Comment by billy shears — 19/03/2013 @ 11:03 AM

  18. Super dica, Billy.

    beijo a todos
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 20/03/2013 @ 3:04 AM

  19. this is so beautiful i have to congratulate you for this.

    Comment by carolferreirinha — 25/03/2013 @ 12:15 PM

  20. this post was really awesome, congratulations and thank you very much for sharing it with us.

    Comment by Claudia jsp — 16/04/2013 @ 5:44 AM


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