windmills by fy

12/10/2013

crossing wandering lines

Filed under: Uncategorized — Fy @ 2:11 AM

Uma das tags de um blog  que eu gosto muito, é :   –   “  poderia ter sido escrito por mim ” .

 

 

ha ha ha … – um desejo … quem dera ! mas  é verdade é  que  às vezes entre os assuntos que me atraem,  idéias que  fascinam ou  acrescentam ,

encontro  algumas coisas que   – tão mais que outras –   realmente conversam com meus pensamentos ,

atravessam minha curiosidade e despertam sentidos apenas suspeitos … até então.

 

 

 

Mais que um post , mais que uma opinião , a mensagem de Nathalia me parece urgente  .

Não apenas urgente em mim ,  mas urgente neste mundo,

onde a idéia – fixa – de ser fixou-se no mergulho narcísico e fronteirante do – sí mesmo – .

 

 

 

Idéias cada vez mais congeladas em verdades produzidas ,  colonizadoras ,  centradoras e estáticas ,

muradas por arames farpados  que impedem outramentos ,  narratividades que possam atravessá-las ,

movimentá-las , deslocá-las enfim .

Gulags amorfos …  improducentes ,  replicantes que apenas obstruem o Discernimento  e a Descoberta .

Ah …  : o melhor de nós.

 

 

 

O post de Nathalia impõe-se como sugestão ,  meta , transcrição .

A mim sugere um urgente rompimento desta corporeidade  grosseira que isola os discursos circulares .

Sugere a abertura de planos ,  sensações ,  intensidades que criem  fluxos ,

ventanias …  que  nos transportem  a novas regiões .

 

 

 

 

– Voilà:

Há uma palavra muito usada pela Regina Favre da qual gosto bastante , que é   ‘ imantar ’ .

 

 

Quer dizer trazer junto ,  agregar…

 

 

 

Imantar é manter diversos fragmentos próximos ,  por um  intervalo de tempo .

 

 

 

Sou um agregado de moléculas ,  de ações ,  de palavras .   Sou uma trama , um ser tecido . Sou tecidos …

Músculos ,  pele ,  imagens ,  nexos ,  sentidos ,  contornos .

 

 

 

Aqui … … Eu .

 

 

 

Não um eu fechado ,  fixo ,  pronto :  mas um eu imantado .

Um lugar flexível e dinâmico ,  mas que vive sim seus momentos de estabilidade .   Vive repousos na forma .

É bom poder repousar na forma !

E é bom saber que se está repousando , ter consciência disso .

 

É necessário constituir zonas ,  ainda que temporárias …   Desenhar territórios ,  para depois poder também desterritorializar .

 

 

 

Então para que se começa um blog ,  se não há o intuito ou a expectativa de que alguém vá ler …

Ou ,  ao menos ,  se esse não é o impulso inicial ?

 

 

 

É que , sem que eu soubesse de início , o  ” Sonora Letra ”   tornou-se um espaço onde pratico essa imantação de mim .

Uma realização virtual desses atos que produzem discursos , criam palavras-chaves  ( ou ‘ tags ’ ) ,

reordenam ideias ,  estabelecem rotas de navegação ,  orientam fluxos e buscam dar a todo esse mapa um layout adequado .

 

 

 

Trata-se de um exercício de criar designs , no fora e no dentro .

Um automodelamento pela produção e pela organização da comunicação .

 

 

 

Diferente de se ter um site criado e mantido por um webmaster ,

gerenciar um blog pessoal é praticar essa atualização da própria presença de maneira dinâmica e constante ,

pela construção das narrativas de si .

E podendo fazer isso a qualquer momento e com as próprias mãos .

 

 

 

Há alguns dias , acessei o blog e desgostei do layout .

Faziam poucos meses que havia estabelecido aquela estrutura , daquela forma .

Mas ,  nesse meio tempo ,  muitas coisas aconteceram  –  nele ,  em mim .

 

 

O lance das entrevistas surgiu como um poderoso dispositivo disparador de poéticas

e de modos de vinculação completamente novos e potentes .

Revelou-se como um elemento não apenas informativo , mas sobretudo per/formativo .

 

 

 

Porque essa liberdade de poder ir em busca das pessoas e fazer suas próprias perguntas traz à tona uma questão :

 

 

‘ Quais são as minhas perguntas ? ’

Por que razão algo em mim deseja buscar aquela fonte ?

Quem é esse   ‘ quem ’   que pergunta ?

 

 

Então percebi que sou ,  antes de tudo ,  uma história …   Ou uma estória .   Não sou o fato , mas as versões .

 

 

E estou em busca das falas que me alimentam e ajudam a compor estruturas .

Busco no outro os fios com que desejo me tecer como imagem ,  como mapa ,  como corpo-linguagem .

 

 

 

E dias atrás ,  ao ver meu blog no formato em que estava ,

tive a nítida sensação de estar me desmanchando …   Me desfigurando .

Senti meus tecidos esgarçarem-se , contornos ficando rarefeitos .

 

 

 

Vi que era hora de mexer novamente ,  achar o layout ,  reestruturar as páginas ,

incluindo as novidades que estão acontecendo .

 

 

 

Perceber aquilo que se está fazendo enquanto se faz é um ganho .

Narrar os eventos para si é um modo de imantação .

Precisamos nos contar sobre nós mesmos ,  repassar eventos ,

reviver os acontecimentos sob outras perspectivas ,  embaralhar os fatos ,

reordenar a sequencia dos atos ,  fazer recortes ,  colagens etc .

 

 

 

Bloguear ,  para mim , é isso .

E meu destino aqui é lembrar-me  ( lembrar-nos )  de que nossas histórias

precisam ser constantemente narradas para nós mesmos .

Como explica Regina ,  o capitalismo global nos inunda de imagens ,  medos ,  impressões ,

modos de comportamento ,  maneiras de agir e de se relacionar com o mundo e consigo ,

ao mesmo tempo em que nos ameaça com a desagregação ,   a perda do sentido e a exclusão sob vários aspectos .

Bloguear como mecanismo de auto-agregação ,  de produção de diferença e efetivação de si ,

baseado na ideia de que somos múltiplos ,  somos instáveis ,  frágeis e efêmeros ,

mas podemos alinhavar palavras e células e produzir poética em nossos próprios corpos .

 

 

    

A tarefa é árdua :   imantar é preciso  !

Fonte:

 NathaliaLeter           

Ilustrações :

mydeadpony

Fy

        

 

24 Comments »

  1. Excelente… e inspirador. (Estou redigindo um texto aqui…) com certa frequência eu me questiono pra quê serve o Anarcoblog. Ele veio do Malandricus, que era primordialmente, uma exposição de como líamos o mundo. Hoje eu me questiono aobre o quê escrever, uma vez que eu tenho cada vez menos certezas. Uma coisa, no entanto, é certa: tenho saudades de blogs.

    Comment by Anarcoplayba — 12/10/2013 @ 2:40 AM

    • Enquanto voce, e outros voces , estiverem por aqui : o Wind se justifica.

      Escreva … muito … um dia eu faço um post dizendo pra que serve o Anarcoblog – aqui neste espaço – desde a 1ª vez que eu te lí .

      Deve ser pq vc não tem certezas ! – que eu gosto tanto de te ler !

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 12/10/2013 @ 4:47 AM

  2. Delicioso !

    Anarco – saudadesssss. Quem tem certeza já acabou .

    Tô terminando aqui, já tô indo praí.Me aguardem, pessoas.

    beijocas

    Comment by Juliana — 12/10/2013 @ 10:42 AM

  3. Anarco: “Hoje eu me questiono aobre o quê escrever, uma vez que eu tenho cada vez menos certezas”.

    Também sinto isso. Mas, seguindo a pista do que a Ju disse, talvez a escrita nascida das dúvidas seja a mais próxima da verdade. Tipo, ao perguntarmos: o que é a verdade? já estamos construindo um raciocínio sobre a verdade, a partir da dúvida, tornando-a mais clara e próxima – ou não – do raciocínio de quem nos lê. Em contrapartida, quando temos fortes convicções a verdade já está produzida em nós e quando a repassamos para outrem, passamos a ideia de sermos monotemáticos.

    Portanto: salve a dúvida, escrevamos sobre ela e tentemos, a partir dela, descobrimos mais sobre nós e o mundo.

    Um som, pra não perder a viagem (da escrita) – né, Fy? rsrs

    Uma linda música, cantada por uma menina prodígio.

    Comment by billy shears — 12/10/2013 @ 12:00 PM

    • Portanto: salve a dúvida, escrevamos sobre ela e tentemos, a partir dela, descobrimos mais sobre nós e o mundo.

      Sempre Billy : … fico pensando…. sómente a dúvida nos conduziu até aqui .

      quero mais música : o vídeo nonexziste!!!!!!!!

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 17/10/2013 @ 4:21 AM

      • Acho que agora vai:

        Bj

        Comment by billy shears — 18/10/2013 @ 10:15 AM

        • Oi Billy !
          Olha que interessante : – esta musica, foi a musica do meu 1º post !

          Vou contar :

          O nome do Wind – entre outras razões – foi inspirado em uma música – mais q linda – do Sting : Windmills of your mind.

          Quando procurei o vídeo, encontrei esta música do Massive Attack num remix que um cara fez, colocando esta música no vídeo da música do Sting.

          Ah … misturou tudo e eu amei.

          Dá uma olhada aqui : https://windmillsbyfy.wordpress.com/2009/10/31/8/

          Super coincidência!
          Bj
          Fy

          Comment by Fy — 18/10/2013 @ 11:03 PM

        • Aloha Billy

          Sonzasso.

          Vou colocar a musica do Sting. Não está muito legal, mas o vídeo é incrível e tem tudo a ver com a idéia do post, ou eu acho que sim.

          Poucas letras são tão bonitas.

          A historia da musica:

          “The Windmills of Your Mind” (Les moulins de mon cœur) is a song with music by Michel Legrand, as well as Alan Bergman and Marilyn Bergman, and lyrics by the Bergmans, from the 1968 film The Thomas Crown Affair. Noel Harrison performed the song for the film score. It won the Academy Award for Best Original Song in 1969. (Harrison’s father, the British actor Rex Harrison, had performed the previous year’s Oscar-winning “Talk to the Animals”). The opening two melodic sentences were adopted from Mozart’s second movement from his Sinfonia Concertante for Violin, Viola and Orchestra.
          Dusty Springfield’s version of the song from her album Dusty in Memphis is also well known; this version reached #31 on the US Billboard Hot 100 chart and #3 on the Billboard adult contemporary chart in 1969.[1] This recording also appears on the soundtrack to Breakfast on Pluto (2006). Other artists who have covered the song include Alison Moyet, Swing Out Sister, Edward Woodward, Parenthetical Girls, Esthero, Anne Clark and Sting, whose version was used in the 1999 remake of The Thomas Crown Affair, Sharleen Spiteri on her “The Movie Songbook” album.

          abraço aê,
          beijo, menina
          TocaYo

          Comment by TocaYo — 18/10/2013 @ 11:19 PM

          • Ei Fy e Tocayo!

            Sempre achei interessante essa metáfora: moinhos de vento de sua mente. Para mim, remete aos moinhos de vento imaginários de D. Quixote, um personagem que vivia de verdade as suas ilusões, para uns: um louco, para outros: um visionário. As duas interpretações devem estar certas. Afinal, é o vento que move o moinho; talvez o vento seja a ilusão/sonho e o moinho somos nós. Sem ilusões, deixamos de nos mover.

            Ainda hoje ouvi num filme que a realidade da vida é o funeral das ilusões. É, pode ser…mas sem ilusão não há realidade. Acho que a realidade mata a ilusão e a ilusão produz a realidade. É, pode ser…rsrsrs

            Vai um sonzinho aí? rsrs

            Comment by billy shears — 24/10/2013 @ 12:05 PM

  4. Bom Dia Fy, Windmills
    Espero que todos tenham tido um agradável Dia das Crianças.

    Dias atrás , tive a nítida sensação de estar me desmanchando … Me desfigurando .
    Senti meus tecidos esgarçarem-se , contornos ficando rarefeitos .
    Vi que era hora de mexer novamente , achar o layout , reestruturar as páginas ,
    incluindo as novidades que estão acontecendo .

    Com muita alegria e gratidão, tomei a liberdade de modificar um pouco este trecho desta maravilhosa leitura.
    Creiam, este parágrafo expressa sinceramente minhas impressões sobre mim mesma quando, pela primeira vez, criei coragem para escrever um comentário no Windmills.
    O que mais me surpreende e liberta, é a naturalidade com a qual alguem expressa certos sentimentos que sempre procurei esconder, sobretudo de mim mesma. Isto é libertador, é um alivío, uma porta que se abre para quem está sufocado.
    Por aqui, através de voces, tornei-me capaz de refazer meu layout, rompi cercas e muros que me aprisionavam, tornei-me incuravelmente curiosa quando já convencida de estar incuravelmente desinteressada.
    Só posso agradecer, “uai”. E agradeço. Pelas postagens, pela troca de emails, pelo interesse de todos voces.
    Um abraço apertado na Criança tão livre que encontro em cada um por aqui, meus grandes amigos e abençoadas Ventanias.
    Sofia Mastrada

    Comment by Sofia Mastrada — 13/10/2013 @ 11:31 PM

    • Sofia querida,

      Só eu é que agradeço ! Vc é tão indispensável ! Ah … uma das cores do Windmills !

      – Um abraço apertado na Criança tão livre que encontro em cada um por aqui, meus grandes amigos e abençoadas Ventanias. –

      Como por aqui só existem Crianças Livres, um abraço bem querido na sua também.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 17/10/2013 @ 4:24 AM

  5. Perdoem-me, escreví alívio incorretamente.
    Mania de professora.

    Comment by Sofia Mastrada — 13/10/2013 @ 11:32 PM

  6. É bem verdade minha gente que a multiplicidade e a lógica da diferença que Deleuze propõe, nos desestabiliza, ( o texto da Nathalia Leter é abusivamente deleuziano) quando se está, (ou quem quer que ainda esteja), centrado no único, na similitude, no idêntico como “naturais” na produção do ser e do conhecimento.

    Mas o que o torna difícil é justamente o que fascina, pelo que nos afeta.

    De repente surge um cara, um aglomerado de propostas, nos convidando a deixar, intempestivamente, irromper, emergir, aparecer a criação, a vida enfim… a transformação.

    Ao Anarco: Tranquilize-se amigo, deixo contigo uma das grandes frases de Lacan :

    …pois onde é , na clínica, que o sujeito está mais correlacionado com uma certeza do que na psicose ?

    à Sofia: Eu entendo também, Sofia que estes atravessamentos, estes encontros, como diz o post, só ocorrem diante e através de nossa permissão. O que eu quero dizer é que todo o mérito é seu. Voce se permitiu. E com isto nos trouxe tantos outros encontros. Tantas modificações.

    Grande post, Fy
    Beijo a todos
    Tio Guz

    Comment by Gustavo — 15/10/2013 @ 11:52 AM

    • Uma nova noção de espaço , uma nova dimensão… sem que percebessemos. E que nos aproxima, mistura, conecta … propõe .

      Não é ? estamos próximos nesta mistura atualizada simultaneamente e em algum lugar real, mas não denso ou apertado, hahaha . O espaço da comunicação, representação e interação. Novas possibilidades.

      Comment by Fy — 17/10/2013 @ 4:14 AM

  7. O texto é muito bacana, Fy.
    E é incrível que estejamos vivendo isto, uma época em que podemos entrecruzar pensamentos, ideais, conclusões, idéias, com toda esta facilidade e tão à vontade.
    Aqui no Wind temos um território, provisório em sí mesmo, cheio de assuntos legais enriquecidos por uma variação de comentários e sugestões. Um convite à pesquisas , à curiosidade, a uma vontade bacana de acrescentar.
    Eu mesmo já fui parar em outras ilhas cibernéticas surpreendentes, em busca de argumentos ou de uma forma de estruturar minhas sacadas em torno das idéias lançadas nestes nossos bate-papos virtuais.
    Gibson, que cunhou o termo “cyberspace” em suas obras literárias, é o exemplo de autores que destruíram as fronteiras entre a Filosofia, teoria social e Literatura. Nesse sentido, Kellner afirma que a obra de ficção científica de Gibson sugere a desconstrução das posições nítidas entre literatura e teoria social, mostrando que grande parte da teoria social contém uma visão narrativa do presente do futuro, e que certos tipos de literatura apresentam um mapeamento convincente do ambiente contemporâneo e, no caso, do cyberpunk, das tendências futuras.
    O ciberespaço é definido como um mundo virtual porque está presente em potência, é um espaço desterritorializante. Esse mundo não é palpável, mas existe de outra forma, outra realidade. O ciberespaço existe em um local indefinido, desconhecido, cheio de devires e possibilidades. Não podemos, sequer, afirmar que o ciberespaço está presente nos computadores, tampouco nas redes, afinal, onde fica o ciberespaço? Para onde vai todo esse “mundo” quando desligamos os nossos computadores? É esse caráter fluido do ciberespaço que o torna virtual.
    E neste caráter fluído é que escorregam e se entrecruzam nossos pensamentos.
    Cansados de feriado e praia ? Eu tô. Marchemos com os professores.
    Abraço
    (tio) Renato

    Comment by Renato — 16/10/2013 @ 11:47 AM

    • gostei deste nosso território provisório em sí mesmo .

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 17/10/2013 @ 4:03 AM

  8. O grande esforço de cada discurso, texo, comentário ou imagem é o de convencer ou mesmo “se” convencer , à sua maneira. São indivíduos com opiniões próprias que produzem essas imagens e revelam orientações subjetivas e únicas. As imagens, os pensamentos, as conclusões podem representar coisas que existem na realidade como outras que nunca tiveram entidade total .A interpretação da realidade é sempre modificado por quem a cria, ou pela técnica ou pelo ponto de vista,etc do observador. Por mais que se exponha esta versão pessoal através de elementos originais ou redundantes ou sugestivos, estaremos refletindo características pessoais, sociais e regionais.

    Mesmo recorrendo-se intencionalmente ou não à construções polissêmicas ao elaborar opiniões, encontraremos diferentes interpretações de acordo com o grupo social ou considerando a individualidade que contorna e localiza o sujeito que as recebe.Um mega exemplo é a impressionante, eu diria desconcertante quantidade de mensagens exposta nos cartazes nas manifestações estes últimos meses. Um show espetacular de arte, cultura, des-cultura, criatividade, poesia, um verdadeiro marco visual e histórico, onde grupos hetereogeneos , associações diversas , individualidades se mesclam e produzem.

    Nessa polissemia que se auto-organiza estão a beleza e a força dos protestos, aquilo que lhes dá impulso e oxigênio. É um avanço político extraordinário que as vozes das ruas estejam sendo ouvidas. Elas poderão ser a plataforma de lançamento de um novo ciclo democrático no País. O ruído, o atrito, o conflito, a contestação, as mensagens grafadas nos cartazes somadas à uma panóplia de imagens com características distintas, desempenham, assim, papel eminentemente de alerta, de advertência, que somente os pobres de espírito e de inteligência poderão desprezar. Ou os canalhas que precisam ignorá-las para impor a sobrevivência de sua canalhice.

    Me parece que esta é a diversidade apontada por Deleuze, o tal rizoma inevitável, ou o caos que tanto seduziu Nietzsche.

    Abraço aê pra todo mundo
    João Pedro

    Comment by João Pedro — 17/10/2013 @ 1:49 AM

    • Hi Jonas,

      Um mega exemplo é a impressionante, eu diria desconcertante quantidade de mensagens exposta nos cartazes nas manifestações estes últimos meses.-

      Ah.. é mesmo. Uma representação gráfica de toda a indgnação tardia dos brasileiros. Impressionante . Indignações e revolta deslizando pelas avenidas. Um estranho carnaval atravessando a cidade e estourando fronteiras. Produzindo e comunicando .

      Me parece que esta é a diversidade apontada por Deleuze, o tal rizoma inevitável, ou o caos que tanto seduziu Nietzsche.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 17/10/2013 @ 4:01 AM

      • Demorei mas encontrei!

        (eu sei que isto vai parecer São Paulo à partir das 5, mas lá vai🙂

        O que é um dispositivo?

        .
        O que é um dispositivo?
        DELEUZE, Gilles.

        A filosofia de Foucault muitas vezes se apresenta como uma análise de “dispositivos” concretos.

        Mas o que é um dispositivo?

        Em primeiro lugar, é uma espécie de novelo ou meada, um conjunto multilinear.

        É composto por linhas de natureza diferente e essas linhas do dispositivo não abarcam nem delimitam sistemas homogêneos por sua própria conta (o objeto, o sujeito, a linguagem), mas seguem direções diferentes, formam processos sempre em desequilíbrio, e essas linhas tanto se aproximam como se afastam uma das outras.

        Cada está quebrada e submetida a variações de direção (bifurcada, enforquilhada), submetida a derivações.

        Os objetos visíveis, as enunciações formuláveis, as forças em exercício, os sujeitos numa determinada posição, são como que vetores ou tensores.

        Dessa maneira, as três grandes instâncias que Foucault distingue sucessivamente (Saber, Poder e Subjetividade) não possuem, de modo definitivo, contornos definitivos; são antes cadeias de variáveis relacionadas entre si.

        É sempre por via de uma crise que Foucault descobre uma nova dimensão, uma nova linha.

        Os grandes pensadores são um tanto sísmicos; não evoluem, mas avançam por crises, por abalos.

        Pensar em termos de linhas móveis era a operação de Herman Melville, e nele havia linhas de pesca, linhas de imersão, perigosas, e até mortais.

        Há linhas de sedimentação, diz Foucault, mas também há linhas de “fissura”, de “fratura”. Desemaranhar as linhas de um dispositivo é, em cada caso, traçar um mapa, cartografar, percorrer terras desconhecidas, é o que Foucault chama de “trabalho em terreno”.

        É preciso instalarmo-nos sobre as próprias linhas, que não se contentam apenas em compor um dispositivo, mas atravessam-no, arrastam-no, de norte a sul, de leste a oeste ou em diagonal.

        enfim, é mais ou menos isto?

        abraço
        João Pedro

        Comment by João Pedro — 17/10/2013 @ 7:47 AM

        • Nossa Jonas, que muito bom !

          O grande Nachlass [legado] de Foucault foi estabelecer com sua filosofia que que somos diferença, que nossa razão é a diferença dos discursos, nossa história a diferença dos tempos, nosso eu a diferença das máscaras.

          bj
          Fy

          Comment by Fy — 17/10/2013 @ 11:26 AM

  9. What you’re seeing is drawing you too .

    como não?

    outros rostos, outras vozes.
    Interagindo e modificando você.
    E aí surgem novos valores.
    Vindos de outras vontades.
    Alguns caindo por terra.
    Pra outros poderem crescer.
    O mundo gira,o entre eu e voce se modifica, se entrelaça,
    os espaços se confundem, produzem outros eus e voces.

    amei o post.
    Obrigado
    Marianne

    Comment by Marianne — 17/10/2013 @ 2:03 AM

    • Marianne, que coisa mais bonita ! Vc resumiu o post em algumas linhas !

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 17/10/2013 @ 3:31 AM

  10. gostei

    Comment by duc@ — 17/10/2013 @ 3:44 AM

  11. eu também !
    bj
    Fy

    Comment by Fy — 17/10/2013 @ 3:49 AM


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Blog at WordPress.com.

%d bloggers like this: