windmills by fy

28/11/2013

Barthes & Madonna

Filed under: Uncategorized — Fy @ 2:52 AM

Sou apaixonada pelas gravuras de  Barthes .

Tanto ,  que seria impossível não sentir o mesmo

quando leio qualquer coisa que ele tenha escrito.

 

 

 

 

 

 

Até porque toda sua arte  me autoriza a percebê-la –

sem ter que paralizá-la em  discursos significantes ,

sem ter que trancá-la do lado de fora … ou de dentro …

naquelas intermináveis e idênticas frases geladas fazedoras de conceitos .

 

 

 

 

 

 

” O discurso está cansado ,   exausto de tanto produzir sentido ” .

– Barthes

 

 

 

 

 

Com esse diagnóstico Roland Barthes não pretende instituir um saber ,

mas . . .  um certo jeito de  viver o saber :

” nenhum poder , um pouco de saber , um pouco de sabedoria , e o maior sabor possível ” .

 

 

 

 

 

Com a proposta de  ” saber com sabor “,  Barthes reinvindica ,  além da liberdade crítica ,  o prazer .

Renunciando a qualquer pretensão de uma leitura sistemática ,  baseada em verdades linguísticas ,

históricas ou sociológicas .

 

 

 

 

 

Barthes produz um texto desejado ,  sonhado ,  saboreado ,  transformado em texto prazeroso e deslumbrante ,

– um ,  dois ,  tres textos barthesianos – muitas gravuras … líquidas , vivas ,

puro movimento , mundo ,  movimento de diferenças , diferenças em movimento .

Barthes não escreve ou desenha … ele dança .

 

 

 

 

 

Barthes pinta – ou seria melhor dizer :   traça, rabisca, encena ? – não para construir sentido e provocar interpretação ,

mas para fazê-lo vacilar ,  torná-lo vazio mesmo , pois atrás de sua superfície só existe um gesto :

o corpo que produz movimento , pulsão de desejo : enfim , quase  a encenação de um esquecimento .

 

 

 

 

 

 

Em   ” O Prazer do Texto ”  –  Barthes – 1987 –  nos desperta para o entendimento de que texto quer dizer  ” tecido ” ,

buscando acentuar  uma idéia gerativa , em contraposição à noção de produto acabado , . . . sob o qual se oculta   “ o sentido ” .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O entrelaçamento perpétuo por meio do qual o  ” tecido ” [ texto ]  de Barthes adquire vida ,

pelo fato de que se faz e se trabalha num   ” gerar-se permanente ” ,

relacionado a uma textualidade captada na folha impressa de papel

é certamente ponto de partida dos mais interessantes para se iniciar nossa reflexão sobre o hipertexto :

espécie de labirinto em que conjuntos de palavras ,

imagens e sons se entrelaçam uns aos outros ao simples toque de um elemento eletrônico ,

independentemente de uma porta de entrada principal ou de um ponto de chegada  – e sim num movimento ,   também vivo ,

feito de construção ,  desconstrução ,   reconstrução :   dança ! :

através do qual o leitor percorre determinado trajeto ,   buscando significados existentes ou produzindo outros .

 

 

 

 

 

 

O corpo que dança pode compor movimentos extremamente velozes em suas moléculas,

muito acima do limiar da percepção ; ou ,

paradoxalmente, pode  realizar movimentos extremamente lentos , muito aquém da percepção ,

mas que trazem mudanças essenciais no corpo .

A plasticidade no corpo do bailarino  o colocará em relação com o devir .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Valéry está muito próximo da idéia de um corpo que se torna pensamento ou de um pensamento que refaz os movimentos do corpo ,

um corpo de pensamento …  “ porque o corpo sendo coisa ,  explode em acontecimentos”, ou segundo Deleuze , é   “ criador de sentido ”  .

 

 

 

 

 

 

A idéia deste post surgiu quando outro dia ,

assistindo o making of  do último tour de Madonna ,

me surpreendi ao perceber a similaridade daquele espetáculo incrível e a incrível arte de Roland Barthes .

 

 

 

 

 

Enfim , conhecer e falar sobre o trabalho de Madonna   – sim, o trabalho por trás do espetáculo – ,

ou sobre  trabalho de  Barthes estaremos falando  de  corpos – traços – idéias  que se aventuram nas intensidades do pensamento e ,

sendo assim, propõem-se a pensar  corpos – traços – idéias  que dançam e as complexidades desse tempo dançante ,

o que enseja e quase exige  , um devir escritor , em ambos os casos ,

 

 

 

 

 

um devir-escritor que se deixa atravessar por estranhos devires para compor uma escrita inventiva ,

bailarina ,

um “escritor feiticeiro”, como diria Deleuze e Guattari (1997).

 

 

 

 

 

 

Podemos deslizar o pensamento em  profusão de diferenças ,

em movimentos de diferenças ,

porque  isso mesmo é a criatividade ,

a invenção e uma maneira de viver ,

 

 

 

 

 

– enfim nós podemos criar a partir de um movimento ,

que é a nossa própria relação com o que nos é dado do mundo como forças .  [ Valérie ]

 

 

 

 

 

 

É um pensamento de forças . Desse modo , o corpo dança , os traços deslizam , as idéias se entrelaçam  e convidam o  pensamento a dançar .

Barthes assume o individual contra o universal do modelo estruturalista ,

do corpo contra o conceito ,

o prazer contra a seriedade acadêmica ,

o diletantismo contra o cientificismo .

Barthes se desloca a partir de então com um à-vontade despudorado ,

provocando os que exigem do intelectual uma estabilidade ideológica .

Barthes não acredita em nenhuma posição de “verdade” ;

pelo contrário , achava que qualquer posição que se instala , que toma consistência e se repete ,

torna-se posição ideológica no mau sentido :

uma posição que pode ser facilmente recuperada e utilizada pelo sistema dominante ,

para que ele mesmo se mantenha imutável .

Na verdade , diz Barthes ,  o sentido de um texto não pode ser outra coisa senão o plural de seus sistemas ,

sua transcriptibilidade infinita ; um sistema transcreve o outro , mas reciprocamente :

face ao texto não há língua crítica   ” primeira ” ,  ” natural ” ,  ” nacional ” ,  materna .

O texto  – ou a dança –  é uma trança , cada fio , cada código é uma voz ,

essas vozes trançadas ou trançantes formam  a escritura .

O texto é em suma um fetiche , reduzi-lo à unidade do sentido ,

por uma leitura abusivamente unívoca , é cortar a trança , é esboçar o gesto castrador  .

O texto é , de chofre , ao nascer , multilíngue ;

não há nem língua de saída ,  nem língua de entrada ,  pois o texto tem do dicionário não o poder direcional  – fechado –  , mas a escritura infinita .

Este . . .  e  mais  tudo isto  é o espetáculo de Madonna :

” Que a dança faça nascer , pela sutileza dos traços , pela divindade dos ímpetos , pela delicadeza das pontas paradas , essa criatura universal que não tem corpo nem rosto , mas que tem dons , e dias , e destinos ” .

Paul Valéry

Fy

35 Comments »

  1. Não conheço quase nada do Roland Barthes, mas este texto tá excepcional, Fy. O vídeo, a comparação entre ele e Madonna, muito bem sacado.

    André
    abraço pra todos

    Comment by André — 28/11/2013 @ 8:51 AM

    • Que saudades! André!

      Volta logo !

      bj

      Fy

      Comment by Fy — 02/12/2013 @ 6:53 AM

  2. Bom Dia pra todos voces, e dia com Sol, o que depois de tanta chuva traz um sabor de novidade.

    E é de Novidade que vou falar.

    Antes de mais nada, parabéns Fy a comparação foi mesmo magnífica.

    E, lembrando que aos leitores, apreciadores de Barthes ou aqueles que o encontram pela primeira vez, a sensação causada é de Estranheza. Estranheza causada pela Novidade, sendo que esta sempre carrega a transgressão do antigo, do usual, do estabelecido pelo anterior.

    Quem mergulhou de cabeça e explorou profundamente os conceitos-novidades barthesianos foi Derrida.

    E o mais importante, e que na minha opinião ‘marca’ tanto seus textos quando pinturas foi a alteração que ele projeta nos mesmos em relação ao que chamamos de Signos.
    O linguista Saussure define o Signo como um composto de duas partes : o Significado : imagem mental ou conceito e o Significante : representação gráfica ou verbal.

    Ou seja : dividiu um todo em duas partes. Mesmo em se tratando ao mesmo tempo : conceitual “e” material, sentido “e” som, espírito “e” carne, por assim dizer. Isto impõe uma Relação > e não uma conexão natural.

    Esta “relação” é arbitraria: sujeita e condicionada à convenções e estas não são modificáveis à vontade do indivíduo. O vínculo entre Significado e Significante, desta forma se realiza por um conjunto de regras.

    E este conceito é uma das faces do pensamento filosófico ocidental desde Platão até aos nossos contemporâneos, no qual o mundo é visto como uma complexa rede de binários opostos hierarquizados, tais como alma e corpo, imaterial e material, bem e mal, homem e mulher, presença e ausência, etc.

    Quando Derrida substitui : Língua/Fala por Fala/Escrita não só se empreende numa oposição e um confronto contra Saussure como, também, contra a história da metafísica ou o logocentrismo.

    Oque temos em Barthes : o Corpo/Fala .

    E na dança ?

    Beijo a todos
    Tio Guz

    Comment by Gustavo — 29/11/2013 @ 12:37 AM

    • Esta “relação” é arbitraria: sujeita e condicionada à convenções e estas não são modificáveis à vontade do indivíduo. O vínculo entre Significado e Significante, desta forma se realiza por um conjunto de regras.

      Dá-lhe Platão e seu terror – seu medo da Criatividade.

      O papai do padrãozinho….

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 02/12/2013 @ 6:52 AM

  3. Podemos deslizar o pensamento em profusão de diferenças ,

    em movimentos de diferenças ,

    porque isso mesmo é a criatividade ,

    a invenção e uma maneira de viver ,

    Isto me representa a libertação do destino, a libertação de servir unicamente a uma representação, a descoberta da não representação.
    Fantástica apresentação, fantástico Barthes e insuperável Madonna.
    O quanto se aprende assistindo e observando esta grande mulher .
    Só posso agradecer, esta delícia de mensagem. E o prazer de ler todos voces,

    Isabel

    Comment by Isabel — 29/11/2013 @ 1:11 AM

    • Q comment gostoso, Bel!

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 02/12/2013 @ 6:50 AM

  4. Lindo, lindo lindo, Fy

    Este é comigo messssssmo.

    Bravo, Gustavo !

    Vamos colocar tudo isto na arte de Coreografar.
    Como desfazer o conceito de Coreografia e nexo ?
    É como tentar “definir” um nexo de movimentos dançados.
    Isto não pode ser escrito ou ditado nem por sua finalidade nem pela sua expressividade. Tomar ao pé da letra as seguintes palavras de Merce Cunningham: “Se um bailarino dança, o que Não é a mesma coisa que ter teorias sobre a dança ou sobre o desejo de dançar ou sobre os ensaios que se fazem para dançar ou sobre as recordações deixadas no corpo pela dança de algum outro , … mas se um bailarino dança, tudo já está presente. O Sentido Presente , sem nenhum binarismo ou divisão engloba em sí o corpo que dança, e que se “inscreve”.
    Quem quiser entender melhor, Vem Dançar!

    continuemos

    bjtos e muito sol

    Carolzinha

    Comment by Carol — 29/11/2013 @ 1:25 AM

    • Perfeito, Bel e Carol, alicerçando com Saussure: “Língua e escrita são dois sistemas distintos de signos; a única razão de ser do segundo é representar o primeiro”.
      Em Barthes, Niezsche, José Gil, Deleuze, Foucault , Derrida e cia, etc… temos a quebra deste paradigma.

      Volto já,
      Tio Guz

      Comment by Gustavo — 29/11/2013 @ 1:36 AM

      • 
No
começo
era
o
movimento 
[…]
 Era 
esquecer 
o
movimento
 que
 continuava
 em
 silêncio
 no 
fundo
 dos
 corpos.

 (José
Gil)




        Não
 interessa
 como 
você
 se 
move, 
mas
 o
 que
 te 
move.
 (Pina
Bausch)


        Comment by Carol — 29/11/2013 @ 1:56 AM

      • O Gustavo escreveu: alicerçando com Saussure: “Língua e escrita são dois sistemas distintos de signos; a única razão de ser do segundo é representar o primeiro”.
        O que nos remete ao velho conceito de simulacro. À Platão e sua mímeses como imitação. A insuperável oposição entre o mundo sensível e o mundo das idéias. Todo aquele idealismo fanfarrão de Platão que calunia a Arte apresentando-a como um desvio em relação à essência, uma mentira idiota, enfim , desmoralizado por Deleuze que num raciocínio extraordinário propõe uma “reversão do platonismo”: promove o triunfo do simulacro, que “nega tanto o original quanto a cópia , criando um jogo, no qual os signos descobrem-se: máscaras”.

        Nessa mesma linha de pensamento, o Roland Barthes fala de “effet de réel” ou ilusão referencial, criada por uma cumplicidade direta entre o referente e o significante, ocorrendo, no signo, uma expulsão do significado (a semiologia barthesiana vinga-se, então, de Platão, que expulsara de sua polis os poetas, que operam com os significantes, máscaras que levam à mentira).

        Um bom exemplo, não de Barthes ou Deleuze, mas de Wenders:

        Texto de abertura do documentário Identidade de nós mesmos de Win Wenders onde o cineasta acompanha o processo de criação do estilista Yamamoto. É um filme que fala de identidade e moda, da relação entre as cidades e as identidades. É uma reflexão sobre os nossos tempos, sobre a produção de imagem e o cinema na era digital.

        abração aê
        João Pedro

        Comment by João Pedro — 29/11/2013 @ 5:30 AM

        • O Win Wenders é um dos meus preferidos, Jonas. E o Yamamoto explodiu. Uma máquina de criatividade. [ meio sombrio, mas gosto ].

          E, sabe… eu acho q o mundo ainda deve muitas vinganças para o esperto Platão .

          bjs
          Fy

          Comment by Fy — 02/12/2013 @ 6:35 AM

      • Perfeito : Bel, Carol e Gustavo.

        Inteligência nua é a expressão máxima da quebra de paradigmas.

        bj
        Fy

        Comment by Fy — 02/12/2013 @ 6:41 AM

    • O Sentido Presente , sem nenhum binarismo ou divisão engloba em sí o corpo que dança, e que se “inscreve”.

      Qdo fui pesquisar o Barthes, até pra encontrar ou definir melhor esta sensação de familiaridade entre seus traços , a dança, Madonna e sua busca pelo movimento, adorei este texto, Carol :

      Tomamos a experiência como um Acontecimento, um aqui e agora vivido por um corpo, um instante que se escreve no corpo sem que nós tenhamos um conhecimento imediato.

      É um instante de recepção temporal e espacial de afecções e percepções sem mediação da consciência – pensamos, aliás, que não existe separação entre corpo e mente.

      A tomada de consciência, por ser tão rápida, parecerá imediata, mas encontra-se sujeita a uma diferenciação e a um diferimento (temporal e espacial), os quais potenciarão o entendimento e conhecimento “da” e “sobre” a experiência.

      Cremos que é pensando sobre a(s) sua(s) experiência(s) que o autor constrói a sua imaginação, o jogo da linguagem, que dá início à escrita, à literatura, ao conhecimento do seu corpo.

      Contudo, também a escrita, a leitura, a consciência do seu corpo, são experiências.

      Há por isso, pensamos, toda uma rede de experiências [ assim como Derrida fala de uma rede metafórica, no seu texto Mitologia Branca ] que não só se apresentam como singularidades – e que constantemente construirão a impossível de se abarcar, construir e definir na totalidade, identidade e presença de um corpo – como também estão sujeitas ao conceito de différance derrideano.

      Esta rede de experiências será aquilo que nomearemos mais adiante de Somatografia, isto é, uma escrita das experiências [ singularidades diferenciadas e diferidas ] num Corpo [ entendido como physis-psyché e como um Uno-Múltiplo ] que potenciam e concebem novos mundos pelo escritor [ a sua escrita, a sua literatura, as suas personagens, o devir si-próprio e de todos estes conceitos e corpos ] .

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 02/12/2013 @ 6:49 AM

  5. No
 começo
 era 
o 
movimento 
[…]
 Era 
esquecer 
o
movimento
 que
 continuava
 em
 silêncio
 no 
fundo
 dos
 corpos.

 (José
Gil)




    Não
 interessa
 como 
você
 se 
move, 
mas
 o
 que
 te 
move.
 (Pina
Bausch)


    Fy, saiu tudo grudado, apaga o outro…. Ai, Carol…

    Comment by Carol — 29/11/2013 @ 1:58 AM

    • Oi Carol,

      Não
 interessa
 como 
você
 se 
move, 
mas
 o
 que
 te 
move.
 (Pina
 Bausch)

      Mais um trabalho onde emoções-movimentos se mesclam maravilhosamente: grudados, hehe

      Baba de Caracol es un trabajo visceral de mujeres que sufren en escena a través de la danza, de coreografías que expresan sentimientos inconfesables que están más allá de las palabras. Partiendo de una interpretación libre de Carta a un niño que nunca nació, original de Oriana Fallacci, la compañía Estantres Danza elabora un espectáculo lleno de poesía y fineza femenina.

      Comment by Renato — 29/11/2013 @ 2:25 AM

      • Muito muito bom, Renato !

        É mais ou menos isto que eu chamo de inscrição : quando um corpo se inscreve . Dança suas emoções : e conta.

        bj
        Fy

        Comment by Fy — 02/12/2013 @ 6:39 AM

    • Carol,

      Eu ando meio maluca com o tempo, mas quero mto publicar aquele post do Clown.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 02/12/2013 @ 6:36 AM

  6. Lindo Renato, e rico .

    Veja, eu entendo que escrever, desenhar, pintar, ou coreografar > assim como interpretar, atuar , viver, é
 uma
 formação,
um 
espaço 
de
 invenções,
descobertas, 
atravessamentos 
e 
transbordamentos
 que
 envolvem
 o
 sujeito
 e óbviamente é improvisador 
em 
todas 
as
 suas 
instâncias:
 uma 
buscação,
 entendendo 
que
 a
 busca
 não
 tem
 finalidade,
 ela 
já 
é 
uma
 ação 
em
 si.
 O
 desempenho 
não 
se
 reduz 
a
 um 
exercício
 físico,
 ele
 é 
processo 
de 
integração,
 transformação 
e
 criação 
em
 si – e não para 
si.
 O 
desempenho e mesmo o resultado 
do artista ou do ser não 
está 
a 
serviço 
do “desempenho” ,
 ele
 dialoga, 
em 
fluxo 
rizomático, 
com 
ele.


    Isso 
significa 
que
 ”a forma de” 
não 
é 
veículo 
nem
 instrumento 
para 
atingir 
algum
 lugar 
ou
 resultado,
 ele 
é 
a 
“coisa”
em 
si.

    Tio Guz

    Comment by Gustavo — 29/11/2013 @ 2:46 AM

  7. às vezes eu lamento não ser muitas Adrianas. Quando venho aqui preciso sair dançando, conhecendo pintores, escritores, parando um pouco para olhar de verdade uma obra de arte, e não rapidamente, daquele jeito tão rápido do gostei ou não, tempo pra enxergar tantas coisa, Fy, como voce conseguiu nesta gravura de Roland Barthes. Sim, eu também consegui, depois de te ler. Mas adoraria, de verdade, ter descoberto sózinha, ter tido esta visão, que sem dúvida tornaria o momento de olhar tão mais emocionante.
    amei.
    beijo pra voces todos,
    Adriana

    Comment by Adriana — 29/11/2013 @ 3:00 AM

  8. Tambem acho melhor tentar fazer ao mesmo tempo. Dividiu, danou-se.

    Comment by duc@ — 29/11/2013 @ 3:23 AM

  9. eu adoro este blog!

    Comment by anonimo — 29/11/2013 @ 12:30 PM

  10. Aloha todo mundo,

    ” O discurso está cansado , exausto de tanto produzir sentido ” .
    – Barthes

    E não faltam máquinas produtoras de sentido. E nem consumidores.
    Sentidos cliches, prontos pra viagem.
    A maioria das frases-sentido todos sabem terminar. Ninguem sabe exatamente o que são, de onde vieram, ou aonde as levará. Frases-comerciais. Fabricadas em instituições que as fabricam , as inscrevem, organizam seus significados , os ordenam e controlam seus efeitos.

    Fico com o Bigode e não abro mão, uma vez mais:
    Somos nós apenas que criamos as causas, a sucessão, a reciprocidade, a relatividade, a coação, o número, a lei, a liberdade, o motivo, a finalidade; e ao introduzir e entremesclar nas coisas esse mundo de signos como algo “em si”, agimos como sempre fizemos, ou seja, mitologicamente.
    […] na vida real há apenas vontades fortes e fracas.
    Nietzsche

    Beijo menina
    Abraço
    TocaYo

    Comment by TocaYo — 30/11/2013 @ 2:40 AM

    • ah … fico com vc.

      bj – menino

      Fy

      Comment by Fy — 02/12/2013 @ 6:37 AM

  11. Aloha, amigão

    “a Inteligência é bela, quando é nua.” (ou enquanto se mantém nua)

    Acho que tem a ver com seu recado. beijo a todos
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 30/11/2013 @ 3:21 AM

    • Ah … e como é raro a inteligência nua. Gustavo, este comment é tão diversificado… – “enquanto se mantem nua” – vc continua, e eu tb penso q deve ser mesmo difícel pra mts pessoas, – pra mim tb – manter a inteligência assim : nua.

      É q quando eu leio certas coisas, observo, penso, e depois me pergunto, – não é possível ! e… esta pessoa escreve… elabora…. não parece inculta…. : tem que ser inteligente. Mas ela vestiu esta capacidade – penso eu – com tantos blablablás e conceitos e discursos e fórmulas…. que dificelmente alguem reconheceria a “sua” inteligência.

      Pior : parece que vão moldando a própria capacidade, sufocando se for preciso… contanto que possam repetir, sem se questionar ou raciocinar. Como se estivessem brecando, amarrando a própria capacidade.

      Ou são desinteligentes mesmo.

      bj

      Fy

      Comment by Fy — 02/12/2013 @ 6:28 AM

  12. Encontrei o blog procurando por fábulas e estou há horas curtindo . Não lí todos os comentários porque me entreti com as postagens, mas quero deixar meus sinceros parabéns a todos os que participam do blog.
    Já estão entre os meus favoritos, vou seguindo voces.

    Comment by Marcia — 02/12/2013 @ 12:09 PM

  13. Incríveis esses pensamentos de Barthes, “O discurso está cansado de tanto produzir sentido” ! Pensamento-dança, pensamento-corpo, escrita-bailarina… Confrontar e debater-se sobre a linguagem, isso pode provocar ótimos descarrilhamentos do ser😉

    Comment by adv — 05/12/2013 @ 1:49 AM

    • Ah … adorei que vc veio aqui ! [ o Wind tá cheio de citações suas ].

      Descarrilhar : lembrar de experimentar – ousar criar outras maneiras de pensar . de traduzir . de mostrar. de ver e fazer ver.

      É não reafirmar sempre aquilo tantas vezes reafirmado. É escapar da mesmice. É desejar .

      Bj
      Fy

      Comment by Fy — 05/12/2013 @ 10:59 AM

      • Um estranho, uma estranheza. Pensar é sempre uma violência, uma heterogeneidade, um descarilhamento. “Há sempre a violência de um signo que nos força a pensar, que nos tira a paz” . Se pensar é o momento em que o signo de algo estranho ao pensamento entra no meu campo de percepção, então há um descarrilhamento, um experimento nos invade e transtorna o circuito, o momento de decifração e interpretação desse signo. Mas decifrar e interpretar não querem dizer, recuperar o representado por detrás do representante, mas sim combinar, conjugar os pontos de intensidade, os pontos de singularidade, os “pontos notáveis” de dois mundos diferentes, estranhos.
        Mas como vivemos em uma época da compaixão deificada, qualquer movimento ou descarrilhamento que ofenda deve ser apagada tal como o faríamos com um grande incêndio, hehe, e qual seria nossa reação se não construir incêndios inapagáveis ?

        Parabéns pelo “Eterno Retorno”, um admirável incêndio , adv, e seja bem-vindo.

        Abraço
        Tio Guz

        Comment by Gustavo — 07/12/2013 @ 1:05 AM

  14. Passando pra cá o comentário do email… Uma coisa que me incomoda um tiquinho no desconstrutivismo é exatamente a dissociação da arte de um objetivo final… Esse incômodo foi comprado de uma análise que eu achei maravilhosa de JC (o João Cabral de Melo Neto, não o cara pelado na parede das igrejas) na qual ele comenta que a arte moderna está dissociada de um projeto de mensagem. Mário de Andrade tinha um projeto Modernista. Drummond deu sequência num projeto próprio. JC tbm (pra falar a verdade, é uma corrente assumida).

    Em contrapartida, o poeta moderno (que pode ser extrapolado pro artista moderno) é carente de uma mensagem. Sua arte é uma mistura de diário íntimo com libelo revolucionário. Drummond cria que o papel do Poeta era expor o sentimento do mundo. JC queria clarear o pensamento (é um poeta da Luz acima de tudo). Mário de Andrade quis mostrar o universal no nosso regional. O Artista Moderno trabalha o meio como fim.

    Nada contra a perspectiva de trabalhar a arte pela arte… Mas me vem à cabeça a frase célebre do autor que eu esqueci: “A arte deve conformar os perturbados e perturbar os conformados.”

    Meio na contramão, né?😉

    Bjus gerais!

    Comment by Anarcoplayba — 05/12/2013 @ 3:42 AM

    • Ah … este texto é q procura a contra-mão.

      E então vc cita : JC – Drumond – Mário de Andrade > e define seus estilos.

      Barthes é atraente justamente pq desamarra estes estilos . Vc viu o vídeo ? Madonna desfaz os nós que definem formas de dançar .

      Um escritor – um artista – um alguem > livre da mesmice “Drumond” não se desfaz de Drumond : apenas não é Drumond. E não se exige ser . Mas, aprecia e aprende com Drumond ….

      Foi assim q Deleuze “desmontou” o meme-simulacro de Platão . Nem mesmo o simulacro poderia ser cópia fiel . Mas … não morreria distraído com a imitação : criaria.

      Eu penso que na vida Tudo é Arte. E penso que nem mesmo devemos tentar estar “amarrados” em nossas próprias conclusões. Ou definições. Porque a Vida não é um cenário estático à espera do que decretamos.

      Ela é um cenário em movimento. Mais : movimento próprio – independente de nós – . Isto é o que nos constroe : nos transforma . O Adriel escreveu um post lindo sobre isto que diz o seguinte :

      Radical. Simples assim: a vida não é traduzida, em nenhuma medida, com as nossas verdades. Pensamentos, em Nietzsche, são estéticas. Não pensamos nada. Algo pensa em nós, o Eu é um personagem da gramática. Daí confiar mais na imanência da vida, na própria matéria que nos produz, na própria potência, nas forças que compõem e se entre-chocam, fluxos de energias. Nietzsche diria que todas as nossas tentativas de se antecipar à vida são vãs, restaria se jogar… e tentar aprender a dançar enquanto cai no abismo sem fundo.

      E as melodias são muitas, variadas > ritmos não respeitam estilos. Ritmos criam estilos.

      Bj
      Fy

      Comment by Fy — 05/12/2013 @ 5:42 AM

      • “Madonna desfaz os nós que definem formas de dançar .” – Isso aqui… foi a nossa conversa… sobre arte e técnica. Eu vi o vídeo, e achei lindo. Mas tudo que eu consigo pensar foi em quantos anos os dançarinos treinaram para conseguir técnica suficiente para não ter técnica…

        O engraçado é que eu discordo de Platão no sentido de que a Arte é a idealização de algo irreal na vida. Como eu falei a respeito de Breaking Bad: Em um roteiro o personagem não vai ao banheiro a menos que relevante para a trama. A Arte é o Photoshop da vida. Há beleza em tudo, sim, mas não necessariamente é a beleza carregada de mensagem. Mas eu costumo definir a Arte como toda manifestação humana que almeja a transcendência… e isso restringe um cadinho o que pode ser chamado de arte…

        Comment by Anarcoplayba — 05/12/2013 @ 12:36 PM

        • O engraçado é que eu discordo de Platão no sentido de que a Arte é a idealização de algo irreal na vida.

          Comecemos por afirmar que Platão é um câncer, Anarco. Num único e óbvio sentido: é a doença que contaminou a cultura ocidental, que intoxicada pelo platonismo e pelo seu herdeiro populista que é o cristianismo, serve a uma moral que a atrofia, a contamina como metástese, alem de criar malignas colônias manifestando-se numa incontrolável miríades de aspectos. Real para Platão é a negação da Realidade em prol de uma Verdade, criada por sua política retórica: verifique o diálogo platônico Hípias Menor, cujo texto traz uma ironia relacionada à retórica, ao discurso persuasivo e à capacidade de mentir como recurso de alguém com conhecimento ampliado, cujo intento é promover a ilusão e a aparência de sabedoria superior. Nesse diálogo platônico, Sócrates desafia o sofista Hípias e o faz afirmar “que os mentirosos são dotados de capacidade e inteligência, que conhecem e são sabedores relativamente às próprias matérias que são alvo de suas mentiras”. Assevera, ainda, que para mentir é necessário domínio sobre o assunto que se deseja encobrir e que a mentira é uma ação voluntária de alguém capacitado a produzi-la. Em suma, somente alguém que detenha o saber acerca de todo um tema será capaz de mentir e induzir os demais ao erro, enganando-os e fazendo com que vejam exatamente o que se deseja que seja observado.
          Este é Platão e sua concepção de ‘Verdadeiro’ em suas ‘criações’ assépticas de um bizarro ‘Mundo Ideal’, hehe e ‘Real’.

          Sofremos as consequências desta distorção até hoje. É uma aposta na manipulabilidade humana e tornou-se uma das mercadorias principais oferecidas no mercado da opinião popular e erudita” como afirma tão cálidamente Hanna Arendt . Platão definiu a religião e a política, a má política. Definiu o atrofiamento da multiplicidade humana em qualquer de seus aspectos incluindo o que se chama de real.

          E é isto a Arte : a multiplicidade, a possibilidade de intensificar os sentidos, ou o não-sentidos, enfim, é o corpo em atuação, ou o ser no mundo, o poder se aventurar em novas instabilidades, uma abertura de sentidos para a complexidade e diferenciação. Não há homogenia. Não é possível havê-la. A Arte é maior prova da multiplicidade sob qualquer instância. Somos Arte. Mesmo o photoshop no caso pode designar uma captura deste conceito, ou dos diferentes possíveis de se encontrar a realidade.

          arte e técnica. Eu vi o vídeo, e achei lindo. Mas tudo que eu consigo pensar foi em quantos anos os dançarinos treinaram para conseguir técnica suficiente para não ter técnica…

          Esta foi ótima.
          Mas se nos aprofundarmos na experiência produzida por Madonna, teremos que nos admirar também com o treinamento da libertação da Sensibilidade. Da libertação do estilo, que é onde a idéia se funde com os princípios de Barthes.

          Sim em tudo a técnica é necessária. Até ao fato de caminhar. Mas vejo, no caso Barthes-Madonna e nossas reflexões sobre o texto, uma performance além : a capacidade de dispor-se da sensibilidade e fazer intervir o corpo na paisagem, o sentir na tecnica, a invasão total e liberta de um pelo outro.

          Mas eu costumo definir a Arte como toda manifestação humana que almeja a transcendência… e isso restringe um cadinho o que pode ser chamado de arte…

          Aqui discordamos. Arte não admite restrições. Quando restrita a qualquer modelo não é Arte : é simulacro no mais básico sentido platônico ou o que Platão ‘admitiu’ como ‘Arte’ quando deformou seu significado. A Arte transcende, no sentido deleuziano em que ( ao contrário do que vomita Platão ) o empírico e o transcedental apenas se restringem ao fato de que o segundo ( o transcendental ) – é uma mera condição do primeiro: do empírico ou real .E aí temos uma reversão de sentidos, onde a restrição deixa de ter lugar, abrindo-se e validando infinitas possibilidades.

          ( dei espaços, vamos ver se sai.)

          abraço,
          beijo a todos,
          tio Guz

          Comment by Gustavo — 07/12/2013 @ 12:48 AM

  15. Realmente, a escrita é a dança dos significantes! Abrs Fy!

    Comment by Caio — 11/12/2013 @ 4:27 AM


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