windmills by fy

24/12/2013

T i m e …

Filed under: Uncategorized — Fy @ 4:54 AM

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FOTO POST 2014 2

“ O tempo é a minha matéria ,

o tempo presente , os homens presentes , a vida presente ” .

Carlos Drummond de Andrade

Cientistas, engenheiros, poetas, sonhadores, enfim… praticantes de Mundo .

E , mais  um ano …. um tempo …. de todos nós, e tanta coisa atravessando as vidas de cada um .

E o Wind,   projeto de experimentação – muitíssimo pouco interessado em começos ou fins ,

– fascinado pelo Possível – , também foi atravessado , invadido ,

composto por cada um dos que aqui chegaram , dos que por aqui passaram e dos que ficaram.

Por isto, não é texto formado por palavras que andam em linha reta, mas sim,  ziguezagueando.

 

 

 

 

 

 

E o faz não para confundir quem o escreve, ou quem o lê…. ,

mas porque só no rastro daquilo que escapa, do fugidio, do que não se apreende, Vive o Desejo.

O desejo como vontade de viver, criar , fazer acontecer ,  imantar, amar , rir ou chorar ,

enfim, o desejo como Vontade  e não   como … :   carência .

O Desejo como potência revolucionária: “ ( … )   porque quer sempre mais conexões e agenciamentos” .

– Deleuze –

Este ano, em vários posts , o Wind foi ilustrado com vários parágrafos–encontros  ,   – idéias relâmpagos ,

faíscas moventes e desejantes encontradas em dois novos espaços de expressão que me fascinaram :

      

 

   

                          

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://www.eternoretorno.com/                                                                        http://arazaoinadequada.wordpress.com/

Nesta composição sem tags, apenas recortes , gravuras –  leitura – escrita , caos – aprendizagem, experiência e experimentação,

– nomadismo , poesia –  Música e dança entremeadas –  linhas-melodia ondulando em uma enorme vontade de Estar e não apenas Ser …

– Trazer  o Participar para as  palavras – não é simples … ou fácil …. mas é sobretudo …  dançar .

 

 

 

 

 

 

 

Permitir contatos, atravessamentos é praticar o Mundo.

Este Mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Permitir é descentralizar .

E , ondeando neste nietzschismo ,  [ que não parou de lutar contra o sistema de julgamento

e a idéia de um mundo verdadeiro que supõe um “homem verídico ” ]

nós,  praticantes de mundo,   aqui, procuramos forças, mas forças que não remetem a um centro .

São forças que enfrentam outras forças, que afetam e são afetadas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um chamamento à   potência que Nietzsche chama de Vontade de Potência :

esse poder de afetar e ser afetado, a relação de uma força com outras .

Buscando esta lógica, em que cada plano exerce sua força e sofre a de outro ,

a cada novo “agenciamento” entre os planos – o Wind pretende ,  a cada post,  a proliferação de centros e a multiplicação de sentidos.

 

 

 

 

 

 

 

Trânsitos humanos são montados em diferentes experimentações que não  se dirigem a um acabamento

ou a alguma teleológica imobilidade existencial ,

e as diversas linhas de conhecimento  [ sociológicas ,  teológicas ,  filosóficas ,  psicológicas ,  econômicas ,  etc ]

que se dedicam a problematizar os devires humanos não dispõem – e nem podem –  de teorias únicas para o mesmo conjunto de fenômenos ,

nem de métodos comuns a todos os seus praticantes  – CARIELLO

 

 

 

 

 

 

 

 

Nada que centralize, nenhum discurso que se omita :  enquanto discurso ,  – servindo-se de opacidades ôcas e indiscutíveis para se instalar como verdades ,

estabelecendo- se  como conceito central e gerador de um mundo estático em sua representação ,

– nada que discurse cliches abotoados em dicotomias desgastadas , encontra espaço ou reflexo por aqui .

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta foi a primeira idéia , o objetivo do Wind ,  quando foi criado : toda a possibilidade de Movimento :

um arranjo, uma pluralidade de centros, uma multiplicidade ,

jamais a idéia de um único centro a partir do qual todos os termos se organizam , uma única perspectiva que a tudo medisse .

 

 

 

 

 

 

 

 

É num mesmo movimento que a repetição compreende a diferença  – não como uma variedade acidental e extrínseca ,  mas como seu âmago ,  como a variante essencial que a compõe ,

o deslocamento e o disfarce que a constituem para uma diferença divergente e deslocada –

Deleuze

 

 

 

 

 

 

Sempre pretendi que o Wind representasse esta possibilidade ,  uma combinação de elementos heterogêneos ,

um crescimento de dimensões :  dos que fazem surgir algo novo ,

que não é nenhum dos elementos originais ,  mas novas formas de multiplicidade –   povoadas sómente por intensidades :

 

 

 

 

 

sómente as intensidades passam e circulam  –   Deleuze

 

 

 

 

 

” Um agenciamento é precisamente este crescimento das dimensões numa multiplicidade que muda necessariamente de natureza à medida que ela aumenta suas conexões ”  – Deleuze

 

 

 

 

– Nenhum discurso que comprometa ou substitua  esta realidade  móvel, mutante em sua plasticidade, crescente em sua contínua possibilidade –

– Nenhum discurso gessificado na incompetência, insignificânca  e desmoralização da Vida ou do Ser Humano, ou do que entendemos como corpo-humano, terá eco neste espaço .

– Nenhum discurso nomocêntrico que denigra a ou impeça a produção do Desejo, condição inesgotável e  inalienávelmente humana,

– Nenhum mundo do depois-de-amanhã… [ ! ! ! ]

 

 

 

 

Você será significante e significado ,   intérprete e interpretado – senão será desviante

– Deleuze

 

 

 

 

 

 

 

Ah … mas é justamente este  o desvio  que queremos ,

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

a transformação , a desarticulação ,   a não-interpretação , jamais a interpretação outorgada por nenhum juízo :

 

 

 

muito menos pelo juízo destas  máquinas organizadas e organizadoras :

deus – religião > deus – política ou deus – psicologia….  : constrangedoramente comerciais .

É na Filosofia do  limite , das passagens , dos fluxos de intensidades ,  da desterritorialização e da reterritorialização dos conceitos ,

que o Wind procurou sua razão e seu motivo ,  ao ser criado.

Um Espaço – Corpo que se permitia o contato e o atravessamento de forças várias .  Intimidade e paixão .   Contato .

“ In general and in conclusion ,  truly fertile Music ,  the only kind that will move us ,   that we shall truly appreciate ,

will be a Music conducive to Dream ,

which banishes all reason and all analysis .

One must not wish first to understand and then to feel .

Art does not tolerate Reason .  ”

—  Albert Camus , Essay on Music   – 1932

Imagens ritmadas permeiam a nossa história.

 Ritmo que as programa para voltar , reiterar-se em ciclos , girar .

Figuras que regressam iguais em si mesmas ,  embora diferentes pelo olhar do outro .

Déjà vu às avessas contrariando a lógica das próprias imagens .

No contrafluxo , figuras diversas que soam como gêmeas .

Repetição contida na diferença .

Que movimento fazem as imagens quando retornam ?

Que trajetórias percorrem em suas idas e vindas ?

Desenvolvem caminhos circulares ,  . . . num quase acariciar de um ponto central por um eixo de distância sempre idêntica ?

Afas- tam-se paulatinamente do ciclo inicial , buscando a diferença por meio do percurso numericamente programado da espiral ?

Ou se perdem em rodopios desarrazoados ,  que são quase-círculos ,  quase- espirais ,  quase-elipses ,  quase-retas ?

A  Arte  , por aqui :   é qualquer coisa que nos encante ,  é Desejo que se espalha , que transgride e transborda : Mundo e Vida .

 

 

 

 

 

Nosso Mundo.

Nossa Dança :

Nossas Vidas .

 

 

 

 

” Há uma linguagem mais velha e distante ,   mais profunda do que as palavras .

É a linguagem dos corpos ,

corpo no corpo ,

vento na neve ,  chuva nas árvores ,

ondas nas pedras .

 

É a linguagem do sonho,  do gesto, do símbolo ,  da memória .

Nós nos esquecemos dessa linguagem .

Nós nem sequer  lembramos  que ela existe .  ”

 

 

– A Language Older Than Words

Derrick Jensen

Fy

10 Comments »

  1. Feliz Natal a todos , às famílias, um ano novo repleto de felicidade e realização. Que 2014 nos traga muitas satisfações.

    Mais uma mensagem linda e dinâmica, Fy, e meu desejo de coração é que as transformações e seus frutos continuem ocorrendo, o mundo precisa mesmo delas.

    Meu mais sincero abraço (apertado) em cada um de voces, grandes amigos,

    Sofia Mastrada

    Comment by Sofia — 24/12/2013 @ 11:05 AM

  2. Feliz Natal pra todos, té o ano que vem.

    Comment by duc@ — 24/12/2013 @ 1:22 PM

  3. Feliz Natal, du@a, Sofia e a quem mais chegar.

    Nosso Mundo, Nossa Vida, Nossa Dança . (isto é Fy) . Dancemos , moçada! Nietzchiando nossos corpos, nunca prontos, nunca acabados, permissivos a potenciais intemporais, incorporais, possibilitemos o aumento das intensidades, a abertura de campos sensíveis. Corpo-potência, como é originalmente, capaz de viver na liquidez das formas, deslizar nos fluxos, deixar rastros, capaz de fabricar outramentos, trocas, vidas em sua imanência natural, verdadeira e simples. Quanta beleza existe nesta simplicidade, ou neste orgulho consciente de ser humano.
    WindmillsbyFy : lindo trabalho. Que seus ventos não mentirosos façam parte, cada vez mais, da contínua plasticidade do tempo atual. E nos ajude a fugir, cada vez mais de qualquer forma idealizada e homogênea de viver ou de dançar.
    Beijo querida,
    (tio) Renato

    Comment by Renato — 24/12/2013 @ 2:58 PM

  4. Festa é com o brasileiro mesmo…. “é natal – é natal”, então vamos todos cantar e fingir fraternidade. Feliz natal. Que absurdidade é esta?Detesto isto.
    seu blog é maravilhoso.Adoro.

    Comment by Alessandra.oi — 24/12/2013 @ 3:44 PM

  5. Fácil te compreender, Fy, fácil aderir a estas palavras que acontecem. Na verdade, não há quem se sinta totalmente garantido para o seu futuro, importante e grande empreendedor é quem tem gana de viver
    intensamente o presente. Não há quem tenha resolvido totalmente suas questões econômicas. Nem mesmo seus problemas de relacionamentos, no geral. Vivemos bons e maus momentos, mas não pensamos que sejam para sempre. Sentir-se apto é sentir-se disposto a lutar por suas coisas, nesse momento e no momento que se apresentar. Aprender o mais importante, que podemos ousar, que podemos
    experimentar o diferente, que precisamos crescer e que isso não nos diminui, ao contrário, aumenta nossa potência. Ao nos deixarmos flexibilizar, encontramos mais ventilação, mais vibração para a própria vida; parecemos mais vitalizados, sentímo-nos assim. Sabemos que os problemas não acabaram, e nem as felicidades, mas encontramos outras formas de sentí-las ou de encará-los e resolvê-los.
    Sabemos também que podemos empacar de vez em quando, mas que temos recursos para continuar buscando nossos fluxos. O importante é nos manter atentos, respirando e vibrando com a vida. Encontrar uma via saudável para manter-se em fluxo. Abrir mão de crenças, em proteções fora de nós mesmos. Encontrarmos em nós mesmos os recursos para nos mantermos vivos, mais vivos. Abrir mão de uma escravidão enganadora porque acabamos de alguma maneira pagando um preço alto por isso. Encontra-se mais vivo, mais disposto para a vida aquele que é dono de si e dos próprios passos, na medida em que não se engana.
    Como diz Naffah, comentando um texto de Nietzsche: Saúde significa, pois, autodomínio e disciplina capazes de permitir ao espírito habitar a multiplicidade; envergadura interior para contornar os narcisismos paralisantes de meio-caminho; excesso de forças plásticas que dão forma à vida e a regeneram, lançando-a no ensaio, na aventura. É interessante a idéia de habitar a multiplicidade, pois dá sempre uma idéia de processo, de movimento. O que me faz pensar em saúde não como um estado a ser atingido, mas como uma dinâmica saudável. Penso que é isso que diz Naffah quando sugere que as forças plásticas dão novas formas à vida. Esse processo me parece ser exatamente a apropriação dessas forças.
    Cada um de nós possue a fraternidade que consegue, e concordo que não seja um exercicio comum em nossos dias. Ainda por isto desejo boas festas a todos.
    Beijo
    Isabel

    Comment by Isabel — 24/12/2013 @ 10:13 PM

  6. Feliz Natal a todos voces!
    beijos
    Adriana

    Comment by Adriana — 25/12/2013 @ 8:45 AM

  7. awesome! Happy Christmas

    Comment by Holian — 26/12/2013 @ 1:08 AM

  8. para todos os que não conheço pessoalmentee que gostam de vir aqui um Feliz Natal e um maravilhoso Ano Novo .

    bjos

    Karina e Gab

    Comment by Karina e Gab — 27/12/2013 @ 11:55 PM

  9. Parabéns a todos e a voce, Fy por mais um excelente ano de Windmills. Espero que voces sigam em frente com este projeto muitíssimo pouco interessado em começos ou fins e fascinado pelo Possível!

    Viver é sempre perder a existência do passado, do presente e do futuro: é movimento. Isto é a essência da linguagem, passa-se o mesmo com a vida. Como enfatiza Frédéric Worms: “é preciso insistir na vida, em seu movimento”.

    Comment by passeiporaqui — 27/12/2013 @ 11:58 PM

  10. seu espaço é realmente puro movimento, embaralha até a conexão (é difícil pra mim conseguir carregá-lo qdo está lento por aqui rsrs), um espaço de forças, sai-se daqui sempre com algo que afetou, que está em vias de afetar ou afetará… tenha um ótimo ano

    Comment by adv — 30/12/2013 @ 9:51 AM


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