windmills by fy

03/02/2014

Herman and Rosie

Filed under: Uncategorized — Fy @ 1:08 PM

Com suas ilustrações incrivelmente encantadoras e história intemporal de solidão e de pertença  na cidade grande ,

Herman e Rosie é um mel para a visão e uma delícia para o coração ,

lembrando-nos de que também  nas cidades , no mundo ,   como na própria vida ,  a felicidade vem do Encontro .

Bem  gostoso pra um final de tarde . 

Esta é  história de um crocodilo e um cervo que vivem como estranhos vizinhos , como a maioria dos nova -iorquinos fazem ,

até que eles descobrem que têm duas coisas profundas em comum:

um enorme amor pela música e uma solidão profunda nesta grande cidade que eles chamam de casa ,  mas nunca se sentem abraçadas por ela .

Herman Schubert mora no sétimo andar de um típico apartamento de Nova York ,

e Rosie Bloom dois andares abaixo .

Herman tem um fraquinho por “vasos de plantas , tocar  oboé, iogurte amora selvagem,

cheiro de cachorro-quente no inverno, e assistir filmes sobre o oceano”,

Rosie ama “panquecas, ouvir discos de jazz antigos, o metrô,

brisa de verão e caramelos ,  canta  na escada de incêndio e

também  assiste filmes sobre o oceano .

Depois de um longo dia de vendas pelo  telefone em seu escritório – cubículo ,

Herman toca oboé à noite no telhado.

          Rosie, que trabalha na cozinha de um restaurante chique ,

           monta em sua bicicleta e vai para  aula de canto, todas as tardes .

           Toda  quinta –feira frequenta  um pequeno clube de jazz .

Um dia , Herman ouve Rosie cantando ,  e inspirado ,

improvisa um jazz , em sua sessão de oboé naquela noite .

Rosie, tomando  um banho, ouve a música de Herman.

Por dias a música um do outro repetia-se , na imaginação de cada um ,

como um companheiro invisível e delicioso em todos os lugares que iam .

E então, houve um desastre :

Herman é demitido porque não consegue vender coisas inúteis o suficiente  e Rosie descobre seu amado clube de jazz  está sendo fechado .

Herman Schubert , para animar a si mesmo,  decidiu assistir toda a sua coleção de filmes subaquáticos Jacques Cousteau.

 

E bem guardado, embaixo da cama, bem quieto…. estava o oboé de Herman.

 

 

 

Rosie Bloom estava na cozinha de seu apartamento fazendo pequenas panquecas.

Muita panquecas.

Muito mais do que ela jamais poderia comer.

 

Isso não a fez sentir-se melhor, então ela sentou

e resolveu assistir  toda a sua coleção de filmes subaquáticos de Jacques Cousteau .

 

Passam-se semanas,  e  Herman e Rosie afundam em  desânimo.

” A cidade continuou a mover-se , mas tudo tinha ficado  fora de sintonia , –   observa Gordon ,   com seu toque terno e cheio de poesia .

 

Até que em um dia ensolarado de primavera ,  Herman e Rosie caminham a pé pela cidade , 

até que um encontro casual os reúne em um carrinho de cachorro-quente no  Central Park  .

Encontro que coloca um sorriso em ambas as almas.

 

 

 

 

Naquela noite ,  Herman pega o oboé novamente .

“A cidade parecia contente em vê-lo .  Mesmo seus ruídos  e buzinas soaram  musicais . 

 ”  Rosie ,  sentindo  um clima extraordinariamente alegre ,  ouve a música de sua cozinha ,  salta  para a escada de incêndio   

até o telhado, e descobre que seu novo amigo do Central Park ,  é o seu próprio vizinho oboísta .

“ Most people do not grow up … our real selves , the children inside , are still innocent and shy as magnolias ”

Maya Angelou wrote in her beautiful meditation on home and belonging .

So how do those shy magnolias find a sense of purpose in a world of billions and amidst the hustle and bustle of a crowded city ?

O autor e ilustrador australiano Gus Gordon ,  explora num pequeno e suave conto infantil ,  a enorme dificuldade de ‘ se  perceber ‘  e de  interagir entre sí , que vem envolvendo os humanos ,  cada vez mais .  

FONTES :

http://www.brainpickings.org/index.php/2014/01/31/herman-and-rosie-gus-gordon/

http://www.gusgordon.com/

 

21 Comments »

  1. Parabéns Fy, pela criatividade e pela escolha dos personagens, a meu ver um total apelo a não-rostidade, uma transgressão à mesmice da modernidade marcada pelo pensamento racional operante, ao endeusamento do cogito e à obsseção pela interioridade , pelo tal do ‘eu’ e à fuga neurastênica do ‘ego’ e outras balelas.

    Muito bem focada a problematização da solidão imposta.

    Tudo o que temos percebido neste pós modernismo é que a definição de um sujeito universal, estável, unificado, totalizado e totalizante, interiorizado e individualizado vem caindo por terra, e não sem um belíssimo grito de alerta, rompendo um silêncio continental, a bem dizer. Variações intensas de conceitos de subjetividade distribuída, socialmente construída, descentrada, nômade, múltipla, de subjetividade inscrita na superfície do corpo e não mais em pretensas almas, inconscientes ou essências divinas ou surreais.

    Não há como se desenvolver ou resistir quando há o abandono do calor humano.
    (Apesar da temperatura estar exigindo um contato gelado!)

    Beijo a toda esta moçada linda cuja criatividade (movimento e perspectivas) me faz tão bem,
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 04/02/2014 @ 4:39 AM

    • Como magnólias tímidas podem encontrar um senso de propósito em um mundo de bilhões e em meio à agitação de uma cidade lotada?

      Eu gostei muito da questão e da comparação com as magnólias.
      Não será esta dificuldade uma das razões fundamentais da criação de tribos afins ? Grupos de pessoas que acabam se reunindo partilhando, muitas vezes , ideias que mal compreendem, apenas para adquirir este sentimento de pertença ?
      Não seria melhor aprofundarmos este ítem, que diz respeito à falta de propósito? Talvez nem tenha muito a ver com a mensagem essencial da historia, que não deixa de evidenciar a forma como construimos muros ao redor de nós mesmos, mas este detalhe me chamou atenção.

      Encontrar um senso de propósito não é exatamente partilhar de um senso de propósito. Ou estou apenas divagando ?

      Muito bonito e gostoso, Fy, tão infantil e tão provocante.
      Bel

      Comment by Isabel — 04/02/2014 @ 8:56 AM

      • Oi Bel e Ju,

        Bel, sua divagação é totalmente relevante! Esta pequena frase de Maya Angelou, que aliás não conheço, fiquei curioso em saber quem é, me passou desapercebida. A expressão senso de propósito é muito forte, e tambem a mim pareceu meio fora de contexto.

        Inclusive quando falamos em solidão é preciso entender bem a que conceito estamos nos referindo, como está explicado no post. Deleuze (referindo-se a Sartre) tem um parágrafo interessante sobre solidão:

        “Estar só é falar por si mesmo, é não ter diante de si, nem atrás de si, algo que lhe ampare, que lhe sustente; é não representar ou ser representado por algo. Rejeição é repulsa, desaprovação. Estar só não implica em rejeição e esta não leva necessariamente à solidão”

        São inúmeras as referências que nos levam a formar propósitos ou senso de propósitos. A cultura, a educação, a contemporaneidade, etc, e, sobretudo a observação, palavrinha que a Fy gosta muito. Observar é uma atitude completamente solitária. Um dos pilares mais importantes senão cruciais para que formemos propósitos ou desenvolvamos o senso de tê-los. A partir da observação partimos em busca de complementações que edifiquem nossa forma de pensar, concluir e nos direcionar. Repetindo que estas “arte” é deveras solitária em seu próprio contexto, não há dúvida que a expressão está totalmente fora de contexto, lembrando que não devemos confundir solidão com o fato de estar só.

        beijo a todos
        tio Guz

        Comment by Gustavo — 04/02/2014 @ 10:48 AM

        • Apesar da expressão mal colocada, ta aí uma grande mulher. Falha minha em não conhecê-la. Lá vai :

          Marguerite Ann Johnson, nome real da escritora e poeta estadunidense Maya Angelou, nasceu em St. Louis, Missouri, no dia 4 de abril de 1928.

          Passou a infância na Califórnia, Arkansas, e St. Louis, e viveu com a avó paterna, Annie Henderson, na maior parte de sua infância. Quando tinha 8 anos, ela foi estuprada pelo namorado da mãe em St. Louis; isto levou a anos de mudez para Maya que finalmente superou com a ajuda de uma vizinha atenciosa, e um grande amor pela literatura.

          Aos 17, Maya se tornou a primeira motorista negra de ônibus em São Francisco e tornou-se mãe solteira ao dar a luz ao seu primeiro filho, em uma época em que isso não era comum; em anos posteriores, ela se tornou a primeira mulher negra a ser roteirista e diretora em Hollywood. Na década de 50 – quando surgiu com o pseudônimo “Maya Angelou” – ela se afirmou como atriz, cantora e dançarina em várias montagens teatrais que percorreram o país, tais como: Porgy and Bess, Calypso Heatwave, The Blacks e Cabaret for Freedom; Nos anos 60 ela era amiga de Martin Luther King Jr. e Malcolm X; ela serviu no SCLC com Dr. King, e trabalhou durante anos para o movimento de direitos civis. Também nos anos 60, ela trabalhou e viajou pela África, como jornalista e professora, ajudando vários movimentos de independência africanos. Em 1970, ela publicou o primeiro livro, I Know Why the Caged Bird Sings, para grande aclamação, e foi nomeada para o Pulitzer Prize em poesia no ano seguinte.

          Angelou teve uma carreira longa e distinta, é poetiza, escritora, ativista de direitos civis, e historiadora, entre outras coisas. Ela também é atriz, dançarina, e cantora, atuou na peça de Jean Genet, “The Blacks”, e o aclamado seriado, “Roots”, ganhador de um Emmy. Angelou provavelmente é conhecida melhor pelos trabalhos autobiográficos dela que incluem I Know Why the Caged Bird Sings e All God’s Children Need Travelling Shoes.

          Em 1993, Angelou leu um de seus poemas chamado “On the Pulse of Morning”, na posse de Bill Clinton como presidente; este foi um dos pontos altos de sua carreira: recebeu o Grammy de melhor texto recitado pela leitura do mesmo, e novamente a trouxe para a vista do público. Atualmente, ela é professora de história americana na Wake Forest University, Carolina do Norte, mas ainda fazendo suas excursões e dando palestras em vários lugares.

          pra quem tambem ficou curioso,
          tio Guz

          Comment by Gustavo — 04/02/2014 @ 10:53 AM

      • Bem colocado, sim, Bel . – estou pensando …

        bj
        Fy

        Comment by Fy — 05/02/2014 @ 2:57 AM

    • pois é… tão mais colorida esta ” subjetividade distribuída… nomade , descentrada , múltipla … inscrita na superfície do corpo …. – e é tão intenso estar nele, não é ?

      Chega deste lance transparente, insôsso, nem salgado nem doce…. artificial e opaco que as pessoas chamam de alma…. – Pq não Pensamentos…. Emoções …. enfim : tudo o q nos compõem como humanos?

      É desconcertante – pra não dizer ridículo – a aversão de sentir apenas…. humano.

      [ ah …. as vez eu queria que todo mundo q lê o Wind, ou q aparece por aqui te visse pegando onda …. “tio” Guz ! ]

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 05/02/2014 @ 2:42 AM

      • Aloha Gustavo,

        cuidado rapaz que eu tambem vou te chamar de tio .

        Mas neste bla todo eu to com voce. Este papo de monge, silencio, e tal não faz minha cabeça. Gosto de calor humano.

        Do post, seja um filme, um livro, qualquer coisa que nos afete é por princípio e definição inesgotável, sejam quais forem os esforços de sua decifração. eu já lí esta historinha 3 vezes e nas 3 sentí uma única sensação comum. eu que adoro a solidão de um mar aberto, arrepio diante da solidão de não estar com quem eu amo.

        Herman e Rosie já estavam afundados e mareados em uma vida vazia, no viver sem ser percebido. talvez até por eles mesmos.
        A percepção do outro serve como um dispositivo ou como ignição para que nos percebamos. e isto a vida toda, se agente prestar atenção.

        E também embarco na Ju, acho esta solidão crônica, tediosa ou meio que típica das cidades grandes, um pouco fantasiosa, forçada.

        beijo menina
        abraçoaê
        TocaYo

        Comment by TocaYo — 05/02/2014 @ 1:37 PM

  2. Hoje vou falar um pouco sobre uma reflexão, a partir de um questionamento que já fiz a mim mesma, em alguns dos meus períodos de vontade de solidão .Eu comecei a me perguntar qual seria o papel que a comunicação tem na vida do ser humano, considerando que ele é um ser de várias esferas: biológica, histórica, filosófica, sociológica. E concluí que, o ser humano só consegue sobreviver por que ele se comunica e interage com outras pessoas. O falar, característica do grupo social, é o que dá ao ser humano a possibilidade de se expressar, transmitir ideias, sentimentos, emoções. E é evolutivo, ou seja, não se limitou apenas à palavras e passou a utilizar sinais e gestos como ferramenta para a comunicação. A dança, a arte, e todos os outros meios de expressão. Isto sem falar no sorriso. No tom da voz de um amigo bem vindo. Ameiiii o Herman e a Rosie. Vou trabalhar esta historia com minhas crianças mesmo tendo que adaptá-la, pois são bem pequenas . Olha, valeu pela linda idéia.Ótima tarde a todos

    Comment by Adriana — 04/02/2014 @ 8:10 AM

    • Adriana, que legal ! Me envia por email : vai ser incrível publicar as criações delas !

      Fy2hns@hotmail.com

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 05/02/2014 @ 2:44 AM

  3. Não há como se desenvolver ou resistir quando há o abandono do calor humano

    Enfim, como questionar um grande abraço? o colo, o seio, a voz, o olhar, o “estou te vendo ou ouvindo” ?

    Esta historia me lembra um acontecimento trágico, mas excelente exemplo. Um vizinho do meu pai que se suicidou exatamente no andar superior ao seu. O cara morava sózinho, e descobriram o corpo dias depois. Meu pai ficou muito impressionado, e repetia que apenas alguns metros o impediram de dizer uma palavra amiga que talvez impedisse aquele momento, aquele gesto.
    Alguns metros explicam a existência de milhares de mundos diferentes, onde ocorrem experiências e fatos absolutamente diversos. E onde os mesmos momentos são vividos de formas tão diferentes. O mundo precisa de mais amigos.

    Comment by Renato — 04/02/2014 @ 8:31 AM

    • é… o mundo precisa de mais amigos.
      bj
      Fy

      Comment by Fy — 05/02/2014 @ 2:45 AM

  4. ou … de mais panquecas.

    Brincadeira, Renato. Voce tem toda a razão. Mas pensando bem, é mais ou menos brincadeira, porque às vezes é preciso contar mesmo é com agente, e panquecas é nutritivo, além de reconfortante.
    bjitos
    Ju

    Comment by Juliana — 04/02/2014 @ 8:36 AM

    • Tem razão Ju, eu “só” acho isto tb . Mas veja – hahaha – somos tão criativos… q à vzs trocar figurinhas ou participar a outros as diversas ferramentas que criamos qdo precisamos de nós mesmos, ilustra, inspira, aquece… , e instiga … !

      bj

      Fy

      Comment by Fy — 05/02/2014 @ 2:48 AM

  5. Por coincidência eu lí por aí uma reportagem sobre a solidão na super interessante: A julgar por um estudo recentemente divulgado pela Brigham Young University, nos EUA, solidão é meio caminho andado em direção à cova. O trabalho conclui que gente solitária tem 50% mais chances de morrer do que aqueles que estão sempre cercados de familiares ou amigos. Isso significa dizer, segundo os pesquisadores, que a solidão deveria ser encarada como um problema de saúde pública – tão preocupante quanto o tabagismo e o alcoolismo.

    De acordo com o psiquiatra Neury Botega, professor da faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, uma vida solitária começa a virar problema quando ela passa a infligir sofrimento ao indivíduo. “Isolamento social geralmente faz parte do quadro clínico da depressão, junto com sensação de desesperança, incapacidade de sentir prazer e a ideia de que nada vale a pena”. É aí que o solitário costuma abrir a guarda, tendendo a ficar cada vez mais vulnerável a uma série de doenças.

    A literatura médica está cheia de casos que relacionam solidão com aumento da pressão arterial e aceleração do processo de envelhecimento. Também há trabalhos científicos que colocam os solitários na categoria dos mais sujeitos a arteriosclerose, diabetes, derrame, ataque cardíaco e deficiências imunológicas. Sem contar o elevado índice de suicídios. Nas contas da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, é provável que a solidão esteja relacionada a 50% dos casos registrados anualmente em todo o mundo.

    Números assustadores

    • Todo ano, 1 milhão de pessoas cometem suicídio.
    NO BRASIL – 1 a cada hora.
    NO MUNDO – 1 a cada 40 segundos.

    • Suicídio é a 7ª maior causa de morte entre a população masculina.
    HOMENS – cometem 7 vezes mais suicídios que as mulheres.
    MULHERES – usam veneno 3 vezes mais que os homens.

    • Nos últimos 45 anos, o número de suicídios cresceu 60%.

    • Para cada suicídio consumado, ocorrem de 12 a 25 tentativas malsucedidas.

    • A solidão pode estar relacionada a 50% dos suicídios cometidos anualmente.

    Fontes: Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Organização Mundial da Saúde; The New York Times.

    Mas de acordo com a historinha, o Tocayo e a Ju jamais se sentirão sózinhos, vão ficar meio chateados de vez em quando, mas quem não fica? O Tocayo com o telhado e a Ju com as panquecas.

    abraço
    Gabriel

    Comment by Gabriel — 04/02/2014 @ 9:40 AM

    • tá vendo … todo mundo devia ter um telhado lindo e saber fazer panquecas !

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 05/02/2014 @ 2:49 AM

  6. Eu sei lá, devo ser esquizofrenica, tem dia que eu não suporto ninguem perto de mimmmmm. (tenho que suportar, é diferente) Ai que vontade de dizer Vai mais pra lá….neste calor entãaaaao!

    E concordo mesmo com a Bel, se é que eu entendi o que ela sugeriu, eu não acho que senso de propósito tenha a ver com pertencer a uma galera. Hje em dia todo mundo nasce pertencendo. Quem não percebe ou se esquiva é meio estranho. Já se enfiar em qualquer levada porque “quer pertencer” é coisa de crente! Pra não dizer de quem berra sem saber porque, messssssmo. E nem o que tá berrando. Experimenta perguntar o que significa aleluia. Até funkeiro tem mais nexo. Senso de propósito é uma construção pessoal. Um trabalho. É reunir elementos e não estar reunida a elementos.

    Por outro lado, mudando de pato pra ganso, a solidão imposta é horrível. A solidão por falta de opção . Mas será que a diferença está em assistir Crash e logo depois algum capítulo de Sex and the City ?

    Comment by Juliana — 04/02/2014 @ 9:55 AM

    • Ju, eu tb não sou a mais social… das criaturas …. mas quem não gsta de se sentir acompanhado mesmo nestes momentos de vai+pralá? A solidão total, sem escolha ou alternativas é mortal. Não que eu não reconheça q mta gente é responsável pela própria solidão…. – além daquelas q por algum motivo esquisito e desiquilibrado a desejam ou a proclamam pq estão frustrados ou fracassados…. – isto é pra lá de comum – . Mas solidão me faz falta … De vez em quando eu preciso estar comigo mesma. Sei lá : acho q isto devia ter outro nome. Deve ter, mas não me ocorre agora. … Quem está consigo mesmo … não está só … , né ?

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 05/02/2014 @ 2:56 AM

  7. Oi Fy!

    Gostei dessa coisa de panquecas, oceano, jazz… Talvez devêssemos criar uma rede social física e não virtual, que quem sabe se encontraria em torno do oceano, ouvindo jazz, e comendo umas panquecas… A vida anda meio chata nesse virtualismo pegajoso. Seria a tal da solidão compartilhada? Nao sei…

    Penso que quando falamos de uma outra solidão, importantíssima, uma solidão produtiva, ( como qdo. Deleuze fala do fundo da solidão em que se pode dar o encontro) falamos de uma certa intimidade, privacidade, donde idéias e pensamentos podem ser gerados.

    Abrs!

    Comment by Caio — 19/02/2014 @ 7:01 AM

    • Oi Caio ! – mil lançamentos, mil novidades, livro novo, – que legal !

      panquecas – oceano – jazz > nossa , super título !

      Ah … se deveríamos !

      Mas são tantos mundos, tantas rotinas, sei lá… parece que o povo vai se ajeitando… meio que formando tribos … > mas justamente por isto esta mistura toda é pra lá de interessante.

      bjs e Parabéns !
      Fy

      Comment by Fy — 11/03/2014 @ 10:03 AM

  8. Oi Fy, Guz, Tocayo, Bel, Ju, Renato, Caio e todos os outros! Li o texto e todos os comentários. Com exceção de uma divergência (aparente) ou outra, percebi que todos acabaram convergendo para um mesmo ponto: estar só, por opção, é bom e, muitas vezes, necessário; sentir-se solitário, de uma solidão que não é bem uma escolha e, sim, uma imposição externa à vontade de alguém, é mau.

    Penso que, em parte, tudo depende da relação que estabelecemos com a solidão. Lembrei de uma frase de Sartre (by the way, bastante conhecida e repetida ad eternum) que diz (mais ou mesnos) assim: não importa o que a vida fez de você. Importa o que você vai fazer com o que a vida fez de você. E eu pergunto: o que é a vida, senão os pequenos momentos cotidianos que se fazem e se vão tal qual uma onda no mar? Jamais poderemos guardá-los, eternizá-los. Eles vão e eles vem e eles vão… O que quero dizer com isso? Mesmo a solidão advinda de uma imposição externa, algo que nos sai de controle, dependendo da forma como a encaramos, pode, sim, tornar-se algo bom, desde que a tornemos produtiva, que façamos algo dela, além de lamentarmos. Penso que este espírito “fatalista” está pondo a perder muita gente, como aconteceu com aquele vizinho do pai do Renato, que se suicidou… Ou será que a “causa”, ou a “motivação”, não foi, necessariamente, a solidão?

    Acho normal que o pai do Renato tenha se sentindo mal (pelo menos, foi o que entendi que aconteceu) e achado que uma palavra amiga o teria salvado. Mas as coisas podem não ser bem assim… Já li muito sobre o tema “suicído” e, garanto, muitos outros problemas, antecessores ao da solidão, deviam estar assombrando essse rapaz. Mais chance de que a solidão, o isolamento, tenha sido apenas o efeito, e não o antecedente (algo que subjazia na memória do rapaz, de forma consciente ou não), que o levou a um ato tão extremado, chocante. Portanto, o problema aqui talvez tenha sido não a solidão como causa e, muito menos, a relação que se estabeleceu com ela. Talvez a chave, a “gênese”, esteja em outro lugar.

    Por que estou a falar tudo isso? Bom, tenho de fazer côro com a Fy e com a Ju e dizer que não sou das criaturas mais sociáveis. A solidão me faz mal? De maneira alguma. Lembrei de uma frase do Nietzsche, em seu Ecce Homo, que diz assim: “Sofrer por causa da solidão também é uma objeção – eu sempre sofri tão só por causa da multidão”. Digamos, então, que existam pessoas de todos os matizes e, penso, toda a generalização leva a um erro intrínseco, posto não levar em consideração as subjetividades, as singularidades individuais.

    Nietzsche era um pensador que, para escrever sua obra, precisou, em variadas ocasiões, estar em contato com os outros, com a vida “lá fora”. A última coisa que desejava era se comportar como seus ex-colegas da universidade da Basileia e intelectuais em geral, que apenas “filosofavam” fechados a sete chave em seus escritórios, seus mundinhos abstratos. Entretanto, amava a solidão e era capaz de se recolher por meses, sobretudo quando estava produzindo, e mantinha apenas os contatos mínimos necessários com o “mundo de lá”. Já outros existem que não conseguem prescindir do contato humano frequente e ininterrupto. E isso tudo é muito humano, demasiado humano…😉

    No fim e ao cabo, cabe a nós decidirmos o que faremos com o que a vida fez, faz ou fará com a gente, tomando nossos destinos à medida em que a vida se desenrola e os acontecimentos se apresentam.

    Beijos a todos e até a próxima!😀

    ps: também adorei o trio telhado, panquecas e jazz. Apenas acrescentaria uma taça de vinho… hehe

    ps 2: se estiver errada, ou se falei alguma besteira, por favor, corrijam-me, please!

    Comment by Miriam Waltrick — 02/03/2014 @ 12:58 PM

    • Mesmo a solidão advinda de uma imposição externa, algo que nos sai de controle, dependendo da forma como a encaramos, pode, sim, tornar-se algo bom, desde que a tornemos produtiva, que façamos algo dela, além de lamentarmos. Penso que este espírito “fatalista” está pondo a perder muita gente, como aconteceu com aquele vizinho do pai do Renato, que se suicidou… Ou será que a “causa”, ou a “motivação”, não foi, necessariamente, a solidão? –

      Míriam , penso e-xa-ta-men-te como vc !

      E mais : tenho algumas idéias controversas sobre o suicídio .

      Sim, existem casos em que é pura falta de apoio. fraquesas, e blablablás , e na maioria destes casos as razões são revoltantes. Mas… jamais fui contra o direito de alguem terminar sua vida por opção própria e alicerçada em suas razões. Afinal, a Vida talvez seja o que mais nosso podemos ter.

      bj
      Fy

      Comment by Fy — 11/03/2014 @ 10:15 AM


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