windmills by fy

08/06/2014

Just For Tonight –

Filed under: Uncategorized — Fy @ 11:40 AM

 

 

foto gavião poema texto

Fy

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

14 Comments »

  1. Bacana lembrar do Ricardo Piva, dei até uma re-olhada no Paranóia. O Renato que é fã do Piva. Bravos sessentas…. – mesmo sendo só por uma noite, ótimo texto.
    Beijo a todos, grande domingo, tio Guz

    Comment by Gustavo — 09/06/2014 @ 7:00 AM

  2. Boa noite Windmills, Fy,
    Sempre lindo, e a música, maravilhosa.
    Bom domingo a todos
    Sofia

    Comment by Sofia Mastrada — 09/06/2014 @ 12:16 PM

  3. because the night belongs to the lovers.

    Comment by duda — 09/06/2014 @ 12:19 PM

  4. Existe uma amargura poética contínua em Ricardo Piva.Já curti bastante, principalmente na faculdade, aquela época em que se discute os delírios de Dante na Divina Comédia, e que se tem orgasmos com as insinuações dúbias de William Blake. Em tudo o que conheço de Ricardo Piva encontro a influência de Dante, que o impressiomou um pouco além do normal.
    Mas adorei este poema e o seu toque pessoal.

    Comment by Isabel — 10/06/2014 @ 1:04 AM

  5. Olá pra todo mundo, eu não conhecia o poeta, mas adorei o poema. A múuuuusica! linda. O Gustavo falou que o Renato gosta e eu achei bem o estilão dele, rsrsrs . Vou esperar mais comentários pra entender melhor.
    beijos
    Karina

    Comment by Karina — 10/06/2014 @ 1:08 AM

  6. eu também gostei do poema, mesmo. Aí procurei e achei este vídeo, meu…. tétrico….

    abração pra quem eu não vejo todo dia!

    Comment by Gabriel — 10/06/2014 @ 1:18 AM

  7. Eu conheço alguma coisa do Ricardo Piva. Meio chapadão, meio pra baixo, mas tem coisa muito boa. Um Bukowski mais elaborado, talvez. Mas este poema em particular é muito bom. Fora a apresentação que é sempre genial, Fy. Foto linda, musica linda, e isto vai muito da sua forma de entender o que o Piva escreveu .
    Abraço, André

    Comment by André — 10/06/2014 @ 6:24 AM

  8. Boletim do Mundo Mágico – Roberto Piva, poema…

    Meus pés sonham suspensos no Abismo
    minhas cicatrizes se rasgam na pança cristalina

    eu não tenho senão dois olhos vidrados e sou um órfão

    havia um fluxo de flores doentes nos subúrbios

    eu queria plantar um taco de snooker numa estrela fixa

    na porta do bar eu estou confuso como sempre mas as

    galerias do meu crânio não odeiam mais a batucada dos ossos

    colégios e carros fúnebres estão desertos

    pelas calçadas crescem longos delírios

    punhados de esqueletos são atirados no lixo

    eu penso nos escorpiões de ouro e estou contente

    os luminosos cantam nos telhados

    eu posso abrir os olhos para a lua aproveitar o medo das nuvens

    mas o céu roxo é uma visão suprema

    minha face empalidece com o álcool

    eu sou uma solidão nua amarrada a um poste

    fios telefônicos cruzam-se no meu esôfago

    nos pavimentos isolados meus amigos constroem um manequim fugitivo

    meus olhos cegam minha mente racha-se de encontro a

    uma calota minha alma desconjuntada passa rodando

    (do livro de poemas Paranoia, Roberto Piva)

    – este site tem coisa boa: http://camelolendo.blogspot.com.br/search/label/Roberto%20Piva

    Comment by André — 10/06/2014 @ 6:25 AM

  9. Eu acho que diante desta saturação na linguagem, ou da linguagem, é difícel descolar novidades. Ou mesmo ir contra o mercado de novidades, contra a globalização, a mercantilização da novidade. O poeta precisa deslocar as mesmas palavras que conhece há séculos para outros contextos, mesmo que nem essa idéia seja novidade. Eu gosto das combinações que o Roberto Piva faz. Estes deslocamentos de épocas, realidades, sonhos roubados, alucinações emprestadas acabam formado caleidoscópio improvável, um nonsense agradável. Ele não tem medos quando escreve, o cara aterrisa em qualquer swell. Meu skate gavião e eu até queria ter escrito isto.

    “Quando nossos poetas vão cair na vida?
    deixar de ser broxas para ser bruxos?”
    Roberto Piva

    Beijo menina.
    TocaYo

    Comment by TocaYo — 10/06/2014 @ 1:32 PM

  10. e Fy… I’ll take you wherever I go.

    outro beijo, menina.

    Comment by TocaYo — 10/06/2014 @ 1:35 PM

  11. hahahaha eu ia comentar até fiquei quieto Huahuhauhahahaha. Tu não perde uma, amigão!

    Comment by Gabriel — 10/06/2014 @ 1:38 PM

  12. Figura sim, este Roberto Piva . Kd o Renato ?
    Gente eu estou maluca de trabalho – amanhã respondo. beijos pra todo mundo . E outro beijo também, menino .
    Fy

    Comment by Fy — 10/06/2014 @ 1:47 PM

  13. Tô aqui, encontrei coisa boa, mas vai ser extenso. Se você achar muito, apaga Fy. É que o Piva tem um histórico tão complexo quanto seu trabalho, e não achei que valia a pena resumir, e é interessante.

    A história pessoal do poeta Roberto Piva começa e gira em torno da cidade de São Paulo. Ele cresceu e formou-se entre a capital e as antigas fazendas do pai, no interior do Estado de São Paulo.

    Seus primeiros poemas foram publicados em 1961, quando tinha 23 anos. Nessa mesma época, integrou a famosa Antologia dos Novíssimos, de Massao Ohno, na qual se lançaram vários poetas brasileiros iniciantes, que depois desenvolveram uma obra poética de importância. Piva formou-se em sociologia. Sobreviveu em grande parte como professor de estudos sociais e história. Nos anos de 1970, tornou-se produtor de shows de rock.
    Piva mora em São Paulo, cidade que lhe parece apocalíptica, exemplo do que não deve ser feito contra o meio ambiente, mas que forneceu todo o pano de fundo para sua obra poética.
    A genealogia poética de Roberto Piva apresenta raízes e inclui influências muito raras na literatura brasileira, formando uma mistura-fina que é única por sua erudição, mas também por sua transgressão.

    Começa com Dante Alighieri. Ainda na década de 60, por três anos Piva aprofundou-se nos estudos da Divina Comédia, orientado por Eduardo Bizzarri, adido cultural do Consulado da Itália em São Paulo. Esse contato com Dante foi como seu imprinting poético-filosófico: marcou para sempre sua visão de mundo, sua política e sua poesia.

    Ao conhecer os poetas metafísicos ingleses, sobretudo William Blake, Piva começou a aprofundar sua experiência mais direta com o sagrado e a vida interior.
    A entrada em cena de Hölderlin e dos poetas expressionistas alemães Gottfried Benn e Georg Trakl temperaram essa experiência com uma ponta de pessimismo, que deixou de ser circunstancial quando, ainda na década de 60, Roberto Piva teve contato com a obra de um filósofo praticamente desconhecido, no Brasil do período: Friedrich Nietzsche.

    À experiência juvenil de Piva agregou-se a contundência desse profeta pessimista e decifrador da alma moderna. Mas nem só de espírito, nem só de intelecto fez-se o aprendizado juvenil de Roberto Piva, que cedo descobriu Rimbaud e Lautréamont, recebendo a influência desses dois poetas visionários, que extrapolam os limites da expressão racional e das escolas literárias.

    A partir daí iniciou-se em sua vida o cultivo do rimbaudiano “desregramento de todos os sentidos” para se chegar à poesia. Das vanguardas do começo do século 20, Roberto Piva absorveu lições do surrealismo, na vertente francesa de André Breton, Antonin Artaud e René Crevel.

    É um dos três únicos poetas brasileiros a constar no famoso Dicionário Geral do Surrealismo, publicado na França. A partir de Artaud, Piva incorporou a idéia de que existe um compromisso absoluto entre poesia e vida.

    O dito artaudiano “para conhecer minha obra, leia-se minha vida” teve em Piva a contrapartida: “só acredito em poeta experimental que tem vida experimental”. Também é flagrante em sua poesia a influência dos futuristas italianos (com seu culto à fragmentação moderna), acrescida de algumas expressões musicais da contemporaneidade do pós-guerra, através da onipresente marca do jazz e da bossa nova, duas fidelíssimas paixões de Roberto Piva. Mas há mais duas fortes presenças contemporâneas em sua poética. Uma é a beat generation americana, da qual Piva não só absorveu a estilística fragmentada e a temática que aproxima o contemporâneo do arcaico, mas através da qual também sedimentou a orientação basicamente transgressiva dos costumes do seu tempo.

    Na década de 70, a transgressão foi reforçada pela descoberta do outsider Pier Paolo Pasolini, protótipo do intelectual-profeta que caminha nas frinchas do paradoxo. Dos poetas brasileiros, essa genealogia poética agregou as figuras de Murilo Mendes – com seu surrealismo intenso, expontâneo e sensorial, ao contrário dos franceses intelectualizados – e Jorge de Lima, sobretudo aquele barroco, visionário e atormentado de “Invenção de Orfeu”. Os elementos finais da construção poética de Roberto Piva evidenciam uma substancial ligação com o aspecto mágico.

    Suas constantes caminhadas xamânicas pela represa de Mairiporã e serra da Cantareira, ambas nos arredores de São Paulo, além de Jarinu, no interior do estado, selaram sua ligação sagrada com a natureza.
    Essa sacralidade é, para Piva, a única salvação possível ao mundo moderno, que colocou a destruição da natureza como parte do seu projeto consumista. No quadro da recuperação do sagrado e do mágico, enquanto forças da natureza, Piva passou a estudar e praticar o xamanismo.

    Para aprender o culto ao primitivo e às forças da natureza, foi buscar elementos não apenas em teóricos como Mircea Eliade, mas sobretudo nas culturas indígenas brasileiras e na prática do candomblé. Ele não só cultua seus orixás (Xangô, Yemanjá e Oxum) mas também toca tambor para invocar seu animal xamânico, o gavião.

    Os traços mais presentes na obra de Roberto Piva giram em torno dessas influências ou ao menos partem delas. Trata-se, antes de tudo, de uma poética de transgressão: na abordagem, na temática e na quebra de fronteiras entre os contrários. Portanto, uma transgressão que desemboca no paradoxo – por exemplo, entre carne & espírito, vida & obra, contemporâneo & arcaico. Sua expressão poética persegue o rastilho da escrita automática de extração surrealista: recuperar para a poesia os estados primitivos do sonho e da loucura.

    No caso de Roberto Piva, talvez fosse mais adequado falar em escrita delirante. Essa prática levou, também no caso do poeta brasileiro, à utilização do método da livre associação de idéias, a partir da crença na importância poética do inconsciente.
    Outro traço marcante na obra de Roberto Piva é o total desmantelamento da versificação métrica, influência modernista que, no seu caso, caotiza-se, na tentativa de transpor para a poética escrita o ritmo sincopado do jazz e a respiração do músico de jazz.

    A rítmica entrecortada, a batida imprevista e a respiração irregular, com notas se sucedendo lânguidas, são traduzidas inclusive numa distribuição desordenada dos versos o espaço da página. Veja-se como o poema dança, neste seu “O Robot Pederasta”:

    “Não vale
    sair
    com asas
    onde
    o cra cra cra cra cra cra cra
    cra cra cra cra cra cra
    se amassava
    nas
    velas apagadas
    quem
    quer
    o telhado
    de lágrimas?
    beberei veneno
    contra
    teu temperamento
    alegria que se
    espera
    raio X de gente que
    desce do alto
    porta acesa
    olhar inchado no escuro
    Signorine, la danza della Morte è servita
    algumas ficaram
    LOUCAS” (Piazzas, 1964)

    Depois, veio a influência do cinema. Trata-se de uma obra pontuada por cortes cinematográficos que remetem ao cinema experimental, com passagens abruptas de espaço, tempo e imagética. Confira-se neste “Ganimedes 76”:

    (Abra os olhos e diga Ah!, 1976)
    Teu olhar maluco atravessa os relógios/ as fontes/ a tarde
    de São Paulo como um desejo espetacular tão
    dopado de coragem
    marfim de teu sorriso nascosto fra orizzonti perduti
    assim te quero: anjo ardente no abraço da Paisagem”
    (Abra os olhos e diga Ah!, 1976)

    No geral, temos uma temática muito diversificada, que parte do urbano e quotidiano, passando pelo erótico e carnal, até atingir o metafísico e o sagrado.
    Confira-se neste trecho do seu:- “Beija-flor badulaque”:

    “nus & feéricos/ olho no gatilho meia-lua/ nado esta
    manhã a favor da correnteza/ à deriva/ no miolo do
    furacão/ eu era uma Sibila entre os gonzos da lingua-
    gem/ Samba-Vírus/ exus nanicos carregando cabaças
    de pedra da lua no portal do meu ouvido/ cruzamento
    das Avenidas Assassinato & 69/ garoto-pombinha no
    balcão da lanchonete/ esperando o pernilongo da Mor-
    te/ estrelas rachadas gotejam leite dos deuses/ é com
    este que eu vou sambar até a Pradaria – Kamikase/ no
    trecho Belém-Brasília da Teogonia” (Quizumba, 1983)

    O resultado geral é uma expressão poética fragmentada, que resume exemplarmente as soluções expressivas, as inquietações e encruzilhadas da contemporaneidade. Assim, Roberto Piva inaugurou traços singulares no contexto poético brasileiro, que fazem de sua obra uma das mais originais e inovadoras dentro da poesia brasileira contemporânea. Como sempre esteve eqüidistante das escolas conhecidas, pode-se dizer que ele é sua própria escola.
    No espelho da poesia, sua imagem é daquele que reflete, de modo nem sempre aceitável, os paradoxos da contemporaneidade, através dos seus próprios. Com suas transgressões na vida e na poesia – que formam um só organismo – Piva veio para confundir. Piva persegue e vive o ideal do poeta-profeta, como menciona em seu “Poema Vertigem”:

    “Eu sou uma metralhadora em
    estado de Graça
    Eu sou a pomba-gira do Absoluto”.

    abraço,
    (tio) Renato

    Fy, dê os espaços, talvez eu não tenha conseguido.

    Comment by Renato — 11/06/2014 @ 7:16 AM


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