windmills by fy

02/08/2014

… Nietzsche por Rubens Alves

Filed under: Uncategorized — Fy @ 12:24 PM

 

 


                        

 











 

 


Fy

32 Comments »

  1. Ser feliz não é uma experiência para qualquer um. Nietzsche sabia disto melhor do que ninguém.

    Comment by Amanda — 02/08/2014 @ 9:47 PM

    • que enorme verdade, Amanda, – é impressionante como as pessoas resistem à felicidade, se opõem a tudo o que é bom de verdade, a tudo o que é digno e por isto cheio de valor. A beleza, a ambição saudável, o desejo, o viver-bem e intensamente se tornaram palavrão. E isto me remete à uma das mais feias fraquezas humanas… a má-inveja. – Nada como vestir a fantasiazinha hipócrita do pseudo socialista-comunista de buteco pra babar inveja e esconder frustações preguiçosas.
      bj
      Fy

      Comment by Fy — 08/08/2014 @ 10:24 AM

      • Gente, tem inveja boa? heheh

        Comment by Ana — 09/08/2014 @ 6:23 AM

        • Oi Ana, seja bem vinda também,

          Sim, existe inveja boa, claro. Pra entender melhor é legal esta divisão que eu coloquei: inveja-boa – inveja -má.

          Ela teria que ser boa, pq não há ser humano que não a sinta. É impossível admirar, – que é uma palavra enorme diante do que significa – sem sentir inveja. Não como um sentimento ruim, mas até mesmo como um estímulo, um exemplo, uma possibilidade.

          A inveja ruim ou aquela que precisa ou deseja assistir o mal ou o fim daquilo que admira, existe também, e é doentia. Mas eu as considero completamente diferentes.

          Fy

          Comment by Fy — 09/08/2014 @ 11:53 PM

  2. Velho Rubens Alves. Adorei esta visão rubiniana sobre Nietzsche. Nietzsche, na verdade é uma “escola”. E sobre isto, assim de repente, RA ( adotando o sistema do post) tem uma citação que resume seu pensamento sobre o filósofo:

    Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

    Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

    Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

    Rubem Alves

    Foi mesmo um feliz encontro entre pensadores, Fy.

    Isabel

    Comment by Isabel — 03/08/2014 @ 12:30 AM

    • O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

      – O cérebro não é um recipiente a ser preenchido, mas um fogo para ser aceso .

      Plutarco

      beijo, Bel

      Comment by Fy — 08/08/2014 @ 10:31 AM

  3. Boa tarde Windmills, Fy,
    Eu acho que todos nós temos muita coisa em nós mesmos, aflitas por serem ditas. Mas depois deste dia lindo, forçosamente lindo, indepentendemente lindo, e esta leitura, só mesmo um SIM abençoante.
    Linda música.

    Ótimo final de tarde a todos
    Sofia Mastrada

    Comment by Sofia — 04/08/2014 @ 9:49 AM

    • Eu acho que todos nós temos muita coisa em nós mesmos, aflitas por serem ditas.

      nossa querida Sofia, estamos sempre ouvindo … – hahaha , e como é delicioso um SIM abençoante.e mais um dia lindo, independentemente lindo.
      beijo
      Fy

      Comment by Fy — 08/08/2014 @ 10:33 AM

  4. Ser feliz não é uma experiência para qualquer um. Nietzsche sabia disto melhor do que ninguém.

    Gostei e concordo com o comentário da Amanda. Mas é preciso lembrar o que Nietzsche significa por felicidade.
    Uma de suas citações, que envolve bem sua visão é esta :

    Depois de estar cansado de procurar
    Aprendi a encontrar.
    Depois de um vento me ter feito frente
    Navego com todos os ventos.

    E é preciso colocar muito bem estas palavras, dentro da filosofia nietszcheana para não confundí-la com niilismos apáticos budistas ou cristãos. Para não confiná-la no fatalismo onde a vontade e a determinação são dispensadas. Ao contrário ou totalmente ao contrário, apesar de sua rejeição a toda concepção finalística, Nietzsche não aceita a entrega ao acaso bruto, que excluiria qualquer possibilidade de um sentido a criar. Nas palavras de Zaratustra, apenas a vontade pode redimir o homem do absurdo do acaso. Trata-se de “ensinar ao homem o futuro do homem como sua vontade, dependente de uma vontade humana…para pôr fim a este pavoroso domínio do acaso e do absurdo que até hoje se chamou história” , como bem explica o Acima do Bem e o Mal. Contudo, isso se deve fazer sem o recurso a propósitos previamente estabelecidos na essência das coisas, que necessitam ser salvas de sua “escravidão à finalidade”, sem permanecer, todavia, aprisionadas na “mecânica absurdidade de todo acontecer” . Nem teleologia metafísica, nem determinismo mecanicista: para não incorrer nem em uma nem em outra dessas visadas, Nietzsche fará intervir o amor fati e o pensamento do eterno retorno. A afirmação suprema de todas as coisas não implica, todavia, numa posição passiva ou resignada diante delas, como nos mostra o caráter essencialmente combativo da filosofia nietzscheana.

    Muito bem lembrada pela Bel, a experiência do vôo livre, que implica em uma enorme coragem, tão bem explicada no nosso inesquecível amigo Fernão Capelo Gaivota, e cujas exigências são tão bem apresentadas pelo autor Richard Bach, e tão bem encaixada na citação que escolhi.

    beijo a todos,
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 05/08/2014 @ 12:42 AM

    • É isto, Gustavo, a parte válida do Fernão Capelo Gaivota. A experiência do vôo livre.
      beijo, Fy

      Comment by Fy — 08/08/2014 @ 10:35 AM

  5. Gustavo, tirando a dose de messianismo também encaixada no Fernão Capelo Gaivota, a meu ver, único detalhe que ensombrece a obra do Bach, o exemplo foi perfeito.

    Comment by Renato — 05/08/2014 @ 3:57 AM

  6. Renato, através deste ponto de vista você está coberto de razão, não foi mesmo um bom exemplo e sim um quadro imaginário.
    Eu citei o livro porque é uma alegoria sobre a importância de se buscar propósitos mais nobres para a vida À primeira vista, é a história de uma gaivota um tanto incomum, diferente das outras de sua espécie, que não se preocupa apenas em conseguir comida. Fernão Gaivota está preocupado com a beleza de seu próprio vôo, em aperfeiçoar sua técnica e executar o mais belo dos vôos: excelente descrição pra toda a obra de Nietzsche.

    A paixão pelos vôos de todos os tipos, a alma que decola como os seus experimentos e emocionantes triunfos de ousadia e feitos aéreos que prefere desenvolver suas técnicas de vôo ao invés de comportar-se como qualquer outra gaivota do bando, como os comuns, lembrando que o “bando” foi o horror de Nietzsche. Nada mais cristão do que pagar pelo êrro ou pela “falta” tanto da conquista do si-mesmo, como a da beleza e pior: a conquista da liberdade, no caso do Gaivota, a morte foi o preço da pseudo-iluminação. (esta, na minha opinião, atingida quando reconheceu em sí, e respeitou, o direito de “realmente voar”. Sem questionamento, Renato, o messianismo do “voltar” e “ensinar” perde toda a filosofia de Nietzsche quando impõe uma norma a ser “ensinada” e um vôo específico a ser alcançado.

    Comment by Gustavo — 05/08/2014 @ 5:57 AM

    • Gustavo e Renato, eu tb acho que o arremate a “grande-gaivota” foi ridículo e desnecessário. E a volta… o retorno messiânico um revival… pobrézimo. A Bel foi perfeita citando o Rubens Alves aqui: – Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.- só assim sairemos do refrão: Fernão Capelo Gaivota “é” o caminho…. a “luz” , etc …

      “A paixão pelos vôos de todos os tipos, a alma que decola como os seus experimentos e emocionantes triunfos de ousadia e feitos aéreos que prefere desenvolver suas técnicas de vôo ao invés de comportar-se como qualquer outra gaivota do bando, como os comuns, lembrando que o “bando” foi o horror de Nietzsche. Nada mais cristão do que pagar pelo êrro ou pela “falta” tanto da conquista do si-mesmo, como a da beleza e pior: a conquista da liberdade ” > isto não se ensina, apenas encoraja-se.

      No caso, “ensinar” é roubar.

      beijo
      Fy

      Rubem Alves

      Comment by Fy — 08/08/2014 @ 10:42 AM

  7. Fabuloso, Fy. Nietzsche sempre funciona e chacoalha a mesmice dagente.
    beijos a todos.

    Comment by Adriana — 05/08/2014 @ 9:44 AM

    • hahaha , é… Nietzsche é um liquidificador turbinadíssimo!
      beijo
      Fy

      Comment by Fy — 08/08/2014 @ 10:43 AM

  8. Chacoalha mesmo! A moçada do post então, chacoalha total!
    Super Rubens Alves. Pena que já foi.
    bjocas pra todos // (será que Zaratustra era feinho assim?)

    Comment by JUliana — 05/08/2014 @ 9:48 AM

    • hahaha, lindos, né?

      e a expressão do 1º – : todo Zaratustra !

      beijo
      Fy

      Comment by Fy — 08/08/2014 @ 10:44 AM

  9. Eu concordo com o Gustavo nesta frase: “no caso do Gaivota, a morte foi o preço da pseudo-iluminação. (esta, na minha opinião, atingida quando reconheceu em sí, e respeitou, o direito de “realmente voar”. Principalmente quando você, Gustavo, adjetiva a palavra iluminação. O prefixo “pseudo” no caso, envolve o conceito de devir, muito importante na filosofia de Nietzsche. E ao iluminado não resta mais transformações.
    Pra caracterizar efetivamente este conceito de devir, Nietzsche não impõe metas ou finalidades à Vontade. Pois considera as contínuas transformações ocorridas durante o trajeto e o acontecimento da Vontade.
    Em Aurora, a ideia de “realização essencial” é assim descrita por Nietzsche: “Tudo o que se faz, fazer na tranquila fé de que beneficiará de algum modo aquilo que em nós está vindo a ser!…Nada sabemos de como sucede, aguardamos e procuramos estar prontos. Ao mesmo tempo, um puro e purificador sentimento de profunda irresponsabilidade nos domina, quase como o de um espectador diante da cortina fechada _ aquilo cresce, aquilo vem à luz: não temos como determinar nem seu valor, nem sua hora…Seja o aguardado um pensamento, um ato _ com toda realização essencial não temos outro vínculo senão o da gravidez, e deveríamos lançar ao vento a presunçosa conversa de “querer” e “fazer” . No final de sua obra, Nietzsche descreve a própria tarefa como uma atividade inconsciente, que não se faz a partir de uma meta previamente conhecida. É um trabalho que se exerce sobre si mesmo e sobre a própria vida, “um amor de si”, um “cultivo de si” no sentido de tornar-se aquilo que se é. Contudo, para que alguém se torne o que é, o pressuposto é de que “não suspeite sequer remotamente o que é”. A idéia organizadora cresce na profundeza, enquanto a consciência, identificada à superfície, está limpa de grandes imperativos: a ideia domina e ordena, preparando tudo aquilo que se faz necessário à tarefa, antes de revelar qualquer coisa sobre a tarefa mesma, ou seja, sobre “fim”, “meta”, “sentido”.
    Em Fernão Capelo Gaivota eu creio que existisse exatamente isto, a idéia, o desejo de um grande vôo. Apenas.
    Justificá-la através de negativas, como a de não somente se alimentar, ou qualquer coisa assim, não a explica.
    Isabel

    Comment by Isabel — 05/08/2014 @ 10:07 AM

  10. “o que eu posso amar no homem é ele ser uma transição e não um fim”

    Nietzsche

    Excelente comentário, Isabel.
    abraço
    João Pedro

    Comment by João Pedro — 05/08/2014 @ 10:34 AM

  11. Buenas João Pedro, a ventania já chegou até Sampa? Aqui tá derrubando árvore!
    É isto mesmo, a Bel é incrível. Essas passagens, dentre outras do filósofo-dinamite ressaltam a dimensão da espera, da entrega, da aposta, no que concerne à “tarefa”, como afirmação da vontade. Não se trata de uma experiência passiva: a atividade é intensa, porém se dá numa esfera sobre a qual o Eu não exerce qualquer domínio. A vontade não é vontade de algo, nem obedece à razão. Sua determinação não diz respeito a um objeto visado, e sim consiste nessa escolha de um caminho que não se sabe até onde leva; recusando-se a idéia de intenção, a meta e o sentido só podem revelar-se depois. Isto soa como uma tentativa de explicar o óbvio. Mas Nietzsche, assim como outros, foram praticamente renegados por isto. Eu me lembrei daquelas palavras do Ingolg, “conhecer o mundo não é cobrí-lo de significados”. E “cobrir de significados” é uma das maiores fraquezas do homem: tentar significar o que só existe por estar se transformando.

    beijo a todos,
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 05/08/2014 @ 10:49 AM

    • tentar significar o que só existe por estar se transformando…

      beijo,
      Fy

      Comment by Fy — 08/08/2014 @ 10:45 AM

  12. Parabéns pelo blog, super interessante e bonito. Dei uma lida em vários posts, e nos comentários, novamente parabéns. Também sou um leitor de Nietzsche, e sou daqueles que admiro o alcance expressivo de seus aforismos que muitas vezes estão mais para a poesia do que para tratados filosóficos, e que transtornaram o que tradicionalmente se conhecia como filosofia. E não interpreto essa postura como apenas uma forma de abordar questões afetivas ou que dizem respeito à sensibilidade, mas também e principalmente, incorporá-las no interior da racionalidade como elemento de interpretação do mundo e da vida.
    Entre as publicações de vocês, gostei muito do post “O sábio e o erudito”. E deslocando-o pra estes comentários, Nietzsche foi o primeiro a acusar o nosso mundo moderno de estar preso na rede da civilização alexandrina que conhece como ideal o homemteórico, equipado com os máximos poderes de conhecimento, trabalhando a serviço da ciência, cujo protótipo e ancestral é Sócrates. Todos os nossos meios de educação têm em vista, primordialmente, esse ideal.
    Esta citação interessa, principalmente, porque introduz a crítica de Nietzsche à figura do “erudito”. Para o filósofo, essa educação pautada pelo ideal do homem teórico busca “adestrar” o jovem para ser erudito, ou seja, o educa para a “prova de filosofia”, para que ele se torne um professor de história da filosofia, um reprodutor do pensamento tradicional, e não para a prática filosófica, para uma filosofia da(e na) vida.

    Comment by Ronaldo — 05/08/2014 @ 11:45 PM

    • Seja bem vindo, Ronaldo.
      – excelente comment.

      Fy

      Comment by Fy — 08/08/2014 @ 10:47 AM

  13. “A mentira do ideal foi até agora o anátema lançado sobre a realidade, e, assim, a humanidade mesma tornou-se mendaz e falsa até em seus instintos mais profundos”.

    Ler Nietzsche é um desafio, um confronto que talvez não dinamite cérebros buscadores ou ilustrados com outros tipos de valores como os que frequentam aqui e outros alguns lugares. Mas apesar do modismo, que não é infundado, pelo contrário, é um tipo de contemporização inevitável, o bigode ainda é considerado maldito pela mentalidade… mundana ou “asnática”, como ele diria…

    Em Ecce homo afirma: “‘Melhorar os homens’, eis a última coisa que eu prometeria. Não sou eu quem levantaria jamais um novo ídolo. Derrubar ídolos (e por ídolos entendo todo ‘ideal’ ou tudo o que é interpretado como ideal) esta é primeiramente minha tarefa” .

    E como poderia o homem, sem ídolos aos quais pudesse responsabilizar, arcar com suas escolhas, seus próprios esforços ou sua tarefa de clarificar pensamentos próprios?

    Existe maior falsidade do que as falsidades particulares de se atribuir resultados a ídolos? Sejam de qualquer espécie, reais ou místicos? Tangíveis ou transcendentes?

    um abraço a todos
    Vítor

    Comment by Vítor Simmonsen — 06/08/2014 @ 3:41 AM

    • Saudades doutor!

      não é? – Nada como um deusinho de encomenda qdo não se quer por a mão no batente ou se julga o batente uma expressão de terror. – Ultimamente tenho visto uma variedade de deuses disponíveis para estes tipos de personalidade: regimes políticos, religiões, e aí vai…

      bj e apareça mais vezes.
      Fy

      Comment by Fy — 08/08/2014 @ 10:50 AM

  14. Aloha, Víctor

    Existe uma citação do Osho, curta e grossa, pra lá de nietzscheana, zagunzada em Spinoza que responde sem enfeites estas perguntas, tá lá:

    Deixar de ser um seguidor das ideias, filosofias ou valores alheios é uma grande responsabilidade. Quando você segue alguém, a vida se torna mais fácil já que, quando algo dá errado, a responsabilidade não será sua.

    Você culpará aquele cujas ideias ou ensinamentos você seguiu, e não se sentirá em dívida com a sua consciência. Porém, as respostas prontas, dadas a você por outra pessoa, ainda que experiente, podem se revelar inadequadas em algum momento.

    Somente aquele que assume para si a tarefa de responsabilizar-se, a cada momento, por suas escolhas, poderá alcançar o verdadeiro significado da palavra crescimento.

    A maturidade interior nasce do exercício constante de seguir a própria verdade, sem qualquer medo ou insegurança. E descobrir essa verdade exige que você se dedique permanentemente à auto-observação.

    Somente ela lhe permitirá saber o que você deseja de fato, e se aquela escolha lhe fará feliz. E se por acaso ela se mostrar equivocada, você não terá ninguém para culpar. Entretanto, terá adquirido um aprendizado valioso, que o levará cada vez mais para perto da conquista da sabedoria.

    “…Essas pessoas que não podem desfrutar de tudo – amor, vida, comida, uma bela cena, um pôr do sol, uma manhã, roupas bonitas, um bom banho – coisas pequenas, coisas comuns – se você não pode desfrutar dessas coisas, e há pessoas que não podem desfrutar de qualquer coisa, eles se interessam por Deus. Elas são as pessoas mais impossíveis; nunca podem chegar a Deus.

    Deus gosta destas árvores; caso contrário, por que ele iria em criá-las? E ele não está farto de tudo… Por milênios ele tem trabalhado em árvores e flores e pássaros. E ele passa a substituir: novos seres, novas terras, novos planetas. E ele é realmente muito, muito colorido! Olhe para a vida, veja-a e você vai ver o coração de Deus – como é.

    E as pessoas que são incapazes de desfrutar de tudo, incapazes de relaxar, incapazes até mesmo de desfrutar de uma boa noite de sono, são as pessoas que se interessam por Deus. E elas se interessam pelas razões erradas. Elas pensam que, porque a vida é inútil, fútil, elas têm de procurar Deus. Seu Deus é algo contra a vida, lembre-se.

    Gurdjieff costumava dizer: “eu tenho procurado em todas as religiões, em todas as igrejas, mesquitas e templos, e eu descobri que o Deus do povo religioso é contra a vida. “E como Deus pode ser contra a vida? Se ele é contra, então, não há nenhuma razão para que a vida deva existir ou deva ser permitido existir. Então, se o seu Deus é contra a vida, de fato, lá no fundo, você é contra o verdadeiro Deus…

    …Deus é a própria realização da vida, Deus é a própria fragrância da vida, Deus é a unidade orgânica total da vida. Deus não é algo que existe como uma pedra morta, Deus não é estático. Deus é um fenômeno dinâmico. Deus não existe , acontece. Quando você estiver pronto, acontece. Não pense que Deus existe em algum lugar e você vai encontrar uma maneira de chegar até ele. Não, não há nada, e não há outro Deus existente em algum lugar esperando por você.

    Deus é algo que acontece com você quando você estiver pronto. E quando você estiver pronto – quando a tristeza desaparece e você pode dançar, quando o peso desaparece e você pode cantar, quando o peso pesado do condicionamento não está mais em seu coração e você pode fluir – Deus acontece. Deus não é uma coisa que existe, é algo que acontece. Trata-se de uma unidade orgânica dinâmica.

    E quando Deus acontece, tudo acontece: as árvores, as estrelas, os rios. E para mim, ser capaz de desfrutar é a porta. As pessoas sérias nunca foram conhecidas por terem alcançado. Seriedade é a barreira, a atitude errada. Tudo o que faz você grave é irreligioso. Não vá a uma igreja que faça você sério.

    Osho – Venha, siga a si mesmo.

    abraço
    TocaYo

    Comment by Tocayo — 07/08/2014 @ 8:55 AM

  15. Legal você ter lembrado do Osho, claro! Há muito em comum. O Osho respeita o Nietzsche, considera-o em inúmeras de suas palestras. Mas há um texto dele sobre Nietzsche muito equivocado. Faz uma confusão danada entre Nietzsche e o nazismo e considera o mais importante livro de Nietzsche o VONTADE DE POTÊNCIA. Tá aí a razão da confusão. Esse livro não foi publicado pelo Nietzsche. Foi editado pela irmã, aquela que doou a bengala de Nietzsche ao Hitler e foi casada com um nazista. Mas Nietzsche foi visceralmente contra o antisemistismo, sendo essa uma das razões do seu rompimento com Wagner. E Nietzsche foi contundente crítico do “espírito” alemão, que mais tarde, criaria Hitler e o nazismo. Morreu antes, bem antes, de acontecer a tragédia que anunciou. E no Ecce Homo está bem claro a sua declaração de ser a irmã e a mãe os terrores da sua vida. Elas o protegeram? É, “protegeram”, daquele jeito horrível que as famílias, costumam “proteger”. Como diz o Roberto Freire (o psicanalista da somoterapia) diz: amor de mãe pode matar mais que bomba atômica. Que me perdoe a minha mãe, as mães. Mas é preciso saber ser mãe, é preciso saber proteger sem matar. E é preciso desmistificar esse papo de amor de mãe e amor de irmã.
    Nossa, como um post frutifica… huahuhaha, começamos com o Rubens Alves e fomos parar na maquiavélica irmã do Nietzsche,
    abraço
    Alexandre

    Comment by Alexandre Golaiv — 08/08/2014 @ 3:20 AM

    • super excelente lembrança, Tocayo! Nossa, caiu como uma luva.

      beijo menino.
      Fy

      Comment by Fy — 08/08/2014 @ 10:51 AM

      • milhões de beijos, menina
        do TocaYo

        Comment by TocaYo — 08/08/2014 @ 10:59 AM

  16. Nossa, como um post frutifica… huahuhaha, começamos com o Rubens Alves e fomos parar na maquiavélica irmã do Nietzsche,

    e eu adoro isto, Alexandre. Ninguem sabe aonde um post vai parar!

    bj

    Fy
    abraço

    Comment by Fy — 08/08/2014 @ 10:52 AM

  17. Não há nada mais incômodo, desagradável e perturbador para uma sociedade autoritária, e sob a ideologia do sacrifício, do que um homem alegre. A alegria é uma agressão porque provoca inveja e rompe pactos de mediocridade.
    Roberto Freire

    Comment by Monica Leme — 12/08/2014 @ 12:21 PM


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