windmills by fy

13/08/2014

Mr. Williams

Filed under: Uncategorized — Fy @ 5:18 AM


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fy

 

 

 

 

 

 

 

 

4 Comments »

  1. Que coisa, não Fy? Este negócio de depressão é assustador.

    Vou deixar um texto do Pablo Villaça, bonita homenagem a este grande ator.

    A primeira vez em que ouvir falar do nome “Robin Williams” foi em 1986 ou 1987, lendo numa revista de cinema alguma nota sobre Bom Dia, Vietnã e o fato de que era considerado um dos favoritos ao Oscar. Como jovem cinéfilo, quis imediatamente ver o filme, mas não conhecia seu protagonista e, aos 12 anos, não sabia muito bem nem o que havia sido o tal Vietnã. Pouco depois, ao visitar o Video Clube do Brasil na época que marcou a chegada do videocassete ao Brasil, descobri em seu acervo uma cópia (pirata, como eram todas) de Popeye e a levei para casa. Era um VHS vagabundo, com péssima imagem, legendas trôpegas (e que nem traduziam as músicas), mas que me impressionou muito pelo universo que criava e pelo ator que havia conseguido transformar o personagem animado que eu crescera vendo em uma criatura de carne-e-osso. Ao ler seu nome nos créditos, percebi que era o tal ator do Bom Dia, Vietnã.

    Alguns anos depois, seu Sociedade dos Poetas Mortos foi lançado no Brasil e permaneceu em cartaz em Belo Horizonte por quase dois anos – e lembro-me de ler matérias sobre ter sido o longa que mais tempo permaneceu em exibição na cidade, num tempo em que os cinemas de rua imperavam e uma produção tinha tempo para criar boca-a-boca e um público cativo. Emocionei-me com sua história simples, mas humana, e até hoje me arrepio ao lembrar da cena na qual os estudantes veem as fotos antigas de outros alunos, agora todos mortos, e aprendem o conceito do carpe diem.

    Veio, então, Um Tempo de Despertar – e foi vendo aquele filme no cine Acaiaca que decidi cursar Medicina (e o fiz) e me tornei fã de Oliver Sacks, que Robin Williams encarnou de maneira impecável. Sim, o personagem de Robert De Niro é o grande chamariz deste lindo longa, mas a performance de Williams não só recria todos os maneirismos de Sacks como ainda cria um homem tímido, inseguro, com o qual passamos a nos importar. É uma interpretação sensível que só um ser humano com grande alma poderia oferecer (e digo isso como ateu).

    Com o passar do tempo, redescobri ou fui presentado com obras como O Mundo Segundo Garp, Voltar a Morrer e, claro, O Pescador de Ilusões. Ri com suas breves aparições em Nove Meses e As Aventuras do Barão de Münchausen, sonhei em ouvir sua versão do Gênio de Aladdin em uma época na qual somente cópias dubladas das animações eram lançadas (e não havia o DVD para trazer trilhas alternativas) e jamais esqueci sua dor ao dizer, ao final de Uma Babá Quase Perfeita, como era “viciado” em seus filhos – um vício ao qual eu próprio sucumbiria tempos depois.

    Foi mais ou menos neste período, aliás, que percebi que todos os trabalhos de Williams, mesmo os mais cômicos, traziam um subtexto de dor que ele projetava com os lábios finos encurvados, os olhos doloridos e as mãos estendidas à frente do corpo, como se tentasse se proteger do mundo. Notei, ali, o que tornava suas performances tão memoráveis: dramáticas ou cômicas, elas projetavam vulnerabilidade e uma certa impotência diante do mundo.

    Quando descobri que Robin Williams enfrentava problemas com drogas, álcool e depressão, não me surpreendi.

    Ao longo das décadas seguintes, Williams me fez rir e chorar. Provocou um incômodo profundo com suas performances assustadoras em Retratos de uma Obsessão e Insônia. Estabeleceu uma química invejável com Nathan Lane na eficiente refilmagem de A Gaiola das Loucas. Demonstrou falta de ego absoluta ao surgir sempre desfocado em Desconstruindo Harry. Fez uma pequena, mas emblemática, participação no Hamlet de Kenneth Branagh (a melhor versão de todas) depois de dividir com ele a cena no subestimado Voltar a Morrer. Foi instrumental para o sucesso de Gênio Indomável. Revelou coragem ao atuar no complicado O Melhor Pai do Mundo. Enriqueceu a já linda Louie com sua belíssima participação em um episódio memorável.

    E se matou em 11 de agosto de 2014 ao finalmente sucumbir à depressão que o perseguia há décadas.

    Imagino Williams sozinho em sua casa, de madrugada, confrontando os velhos demônios. E decidindo que já não queria mais enfrentá-los.

    Sempre que ouço a notícia de que alguém se matou, tenho a sensação de descobrir que mais um companheiro desabou no campo de batalha. Assim funciona a depressão, esta inimiga traiçoeira e persistente: você pode enfrentá-la por décadas; basta um momento de distração para que ela te destrua. Não há fama, fortuna ou realizações profissionais que a afastem – é preciso ter força constante para entender que o suicídio, como dizem, é uma solução permanente para problemas temporários.

    Mais fácil dito que vivido, eu sei. Como sei.

    O fato é que Robin Williams não existe mais. Levou consigo seu talento único para o improviso. Sua capacidade de saltar de um tema a outro com a velocidade de uma piscada. E o dom da empatia que o tornou tão eficiente ao viver todo tipo de personagem por entender seus dramas mais íntimos.

    Morreu o “Capitão, oh, meu Capitão”. Morreu o homem que, mesmo enlouquecido pela morte da esposa em O Pescador de Ilusões, transformava o caos de uma estação de trem num balé harmonioso e adorável. O pai que se disfarçou para conviver com os filhos. O Gênio que se metamorfoseava com a mesma habilidade de seu dublador.

    O artista que me fez rir e chorar tantas vezes.

    Comment by João Pedro — 13/08/2014 @ 6:18 AM

  2. Pois é, vai entender…. tá bom que depressão é um terror, mas daí pra se esganar com um cinto…. eu acho uma atitude agressiva demais. Não entendí nada.
    Triste.

    Comment by Juliana — 13/08/2014 @ 10:25 AM

  3. Muito bom o texto do Pablo Villaça. Se não me engano ele também sofre de depressão, ou conseguiu se curar, apesar do constante receio. Mas, eu também achei bastante estranha e agressiva a forma que o Robin Williams escolheu. Na verdade a depressão sempre me causou a impressão de desistência, de desistência apática, ou qualquer coisa assim que vá mergulhando a pessoa numa tristeza tão profunda que ela acaba se entregando, desistindo, enfraquecendo. Talvez seja só impressão. Mas eu percebo no depressivo a incapacidade de sentir qualquer coisa, senão o desespero da tristeza. Daí pra ter uma atitude tão forte contra a vida… sei lá, pode ser que o mais comum seja um final sem dor.
    É lamentável sim. Grande artista, grandes papéis.
    abraço
    (tio) Renato

    Comment by Renato — 13/08/2014 @ 11:41 AM

  4. Lamentável.
    tio Guz

    Comment by Gustavo — 13/08/2014 @ 1:03 PM


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