




Há muito tempo discute-se o pensamento : seus prolegômenos , suas formas e funções ,
seus princípios e orientações , suas geografias e territorialidades , suas organizações e
fundações .
Muitas imagens remetem a um pensamento como estrato , imobilidade ,
doutrina .
O presente artigo tem como objetivo experimentar um pensar livre , leve , alegre
e afirmativo , colocando para dançar todo o corpo adestrado , educado e enrijecido pelo
sensório motor – etc …
Uma subversão em torno do pensamento da representação , – da imagem
dogmática do pensamento .
Busco tratar aqui do pensamento de Nietzsche e Deleuze ,
dos desdobramentos feitos por Badiou e das reflexões de Mallarmé e Valery a respeito
de um pensamento-dança .
Trata-se , pois , de um pensamento que vem se apresentar sob
a forma de dança e que faz viver o corpo em pensamento .
De um pensamento-dança que
se encontra na fluidez dos movimentos .
Dançar o corpo , o pensamento , a escrita .
Dançar a vida .
Um pensamento corporal e dançante escapa a rigidez do pensamento estratificado ,
linear , arbóreo .

Ah… – Feito de pausas , ritmos , imagens , silêncios , gestos , vozes , – pensamento que se ex-pe-ri-men-ta .
A cada passo , um novo pensamento .
A cada gesto , uma nova imagem .
E . . . no entrelaçamento entre a dança , o corpo e a escrita , o pensamento se desnaturaliza .
A escrita possui um corpo , este corpo dança , este corpo que dança pensa , aquilo que pensa é um corpo ,
. . . a vida dança .
A própria variação posta em variação produz outros sentidos , expondo
o conceito à sua própria exterioridade , variando no seu outro , na relação com algum
paradoxo , alguma imagem , alguma cintilação .
São corpos-pensamentos que se lançam para fora da gravidade
e vão criar linhas de fuga para liberar-se da forma .
Misturam- se ,
movimentam-se ,
relacionam-se ,
são afetados por ações e paixões ,
são interceptados por fluxo .
Nessa possibilidade de pensamento , criam-se espaços , inventam-se planos ,
perfuram-se certas espacialidades .
Explicar uma coisa é quase deformá-la ou estratificá-la e muito pouco tem a ver com o pensar.
Pensar é substituir o arbitrário ao desconhecimento verdadeiro .
Contrariamente a toda ontologia metafísica baseada no pensamento da representação ,
podemos pensar com Nietzsche e Deleuze , que o pensamento é da ordem da Vida ,
sendo , portanto somente : movimento .
O objeto do pensamento para Nietzsche – 1998 – é o sentido e o valor
e não a verdade .
O sentido e o valor não se opõem ao erro , mas à tolice , à besteira , à baixeza .
Nesse sentido , pensar para Nietzsche não é ver objetos no mundo ou fenômenos neutros ,
mas ver o objeto ou o fenômeno como sintomas das forças que geram esse efeito ,
já que é na relação de forças que o sentido emerge . 
Então quem dá o valor é o criador de valores ,
pois , ele cria modos de viver e maneiras de pensar .
Nietzsche descreve em Zaratustra a metamorfose do espírito que se transforma em camelo , leão e criança .
O espírito se torna camelo quando carrega os valores “superiores”
[ divinos ou humanos ] -
mas acaba no deserto e se torna leão .
O leão devora os valores superiores estabelecidos dizendo não a esses valores
e esse não libera o espírito [ mente ] para criar ou inventar .
O espírito torna-se então criança , – “ inocência ,
- é a criança e esquecimento ; – um novo começo , um jogo ,
uma roda que gira por si mesma , um movimento inicial , um sagrado dizer SIM ”
- NIETZSCHE , 2006 , p. 53 -
A metamorfose é um meio para liberar o corpo , o
pensamento e os devires , para a transvaloração de todos os valores .
Neste trecho, parafraseando Pelbart em seu prefàcio à Maura Baiocchi ,
e explorando ao máximo a metáfora da dança nesta idéia de um corpo-pensamento
e que invoca o sentido do múltiplo :
corpo-mente , nas suas relações com a dança , com o ritual , com a música ,
com a textualidade , com a corporeidade ,
com a materialidade , com o cosmos , com a Vida , com a filosofia ,
percebemos uma tendência que nos atravessa e nos percorre em círculos concêntricos ,
esferas cada vez mais amplas , nos limites , na não – totalidade .
Isso tem a vantagem de favorecer as conexões , a multiplicidade das dimensões ,
a heterogeneidade sempre em função de uma perspectiva prospectiva , propositiva .
O pensamento , assim , é a própria potência que gera sentidos
e valores como objeto do próprio pensamento .
Nietzsche – 1998 – falará também que o pensamento necessita de
uma faculdade do esquecimento sempre ativa , de uma consciência limpa da memória
de marcas , das impressões que a congelam , mantendo-a com seu frescor , sua pureza ,
sua leveza .
Seria , pois , impossível viver novas sensações , novas experimentações , novos
encontros com uma consciência invadida por marcas ,
pois as marcas viram filtros e toda a sensibilidade torna-se : codificada .
Também em Deleuze [ 1992 ] podemos ver que o pensamento tem direções e
dimensões.
O pensamento se orienta antes de entrar em algum sistema , antes de inventar
teorias ou de se atrelar a alguma estrutura .
O pensamento, para Deleuze – 1992 – , se dá numa pura exterioridade , num fora .
Fora de que ?
Fora da consciência , da subjetividade , da interioridade , fora do saber .

O pensamento é expressão , relação de forças e a força não precisa da forma .
Então é preciso encontrar as forças que levam a pensar , que forçam a pensar ,
que violentam o pensamento , pois é somente por uma coerção , de uma violência ,
de um encontro de forças que o pensamento pode pensar .
Se pensar é pensar fora do saber , então , pensar também é pensar fora do poder .
Respirar fora do saber , fora do poder é buscar uma maneira alegre de viver e uma forma
afirmativa de pensar .
Deleuze desejava levar o pensamento para o fora , devolver – lhe a vida ,
o ar puro , tirá-lo do sedentarismo . – [ e do mofismo ... 
- DELEUZE - 1992 -
- a filosofia platônica é a origem do pensamento representacional , pois
em sua leitura encontramos todos os elementos
que constituem o modelo da representação : a identidade existente entre a cópia
e o modelo a ser copiado - a imagem moral calcada no senso comum [ o modelo
é verdadeiro , pois idêntico a si próprio ] - e o exercício de re-cognição [ re-conhecer
aquilo que permanece idêntico a si próprio , ou seja , re-conhecer a “ verdade ” . . . ] .
O pensamento sedentário é um pensamento arborescente ,
fixa raízes , fundamentos , desenvolve seus caules e suas folhas ,
seus frutos como valores estabelecidos .
Um pensamento-rizoma descentra o pensamento das faculdades que lhe são sempre associadas :
- razão , entendimento , imaginação .
No rizoma não existem senão linhas que fazem proliferar o pensamento em sua multiplicidade .
Então o pensamento é necessariamente nômade .
Não pensa coisas fixas , origens ou finalidades . Não precisa obedecer a uma imagem para poder pensar .
É nesse sentido que pensar é sempre da ordem do impensado - DELEUZE - 1992- .
Subtraído de toda a preexistência de um saber , da nudez de conceitos ,
de ornamentos , o pensamento então . . .
ah . . . . . . pode . . . pensar .


Hy , everyone! I’m sorry but I’m In the midst of a very busy month !!!
but I’m hope you can enjoy yourselves with this little one … [ in this raining Sunday ]
Thank’s Billy , to break this silence : repeat my friend : we love your songs !
Luciana , I’m going … – I’m looking for answers too. - Come together !
Bjs
Fy
FONTES :
Peter Pál Pelbart
Paul Valéry
Gilles Deleuze
Mallarmé
Angélica Vier Munhoz Professora do Centro Universitário UNIVATES/RS/BRA – Doutora em Educação pela UFRGS.
Alessandro Carvalho Sales Doutorando em Filosofia pela UFSCar e Bolsista da FAPESP .
