Fy
Neruda diz que ama todas as coisas e que só o amor não gasta .
Por isso, vai de vida em vida , de guitarra em guitarra ,
sem medo da luz nem da sombra .
Leão Ramos
Ah… cada post tão lindo “de fim-de-ano” : nos blogs dos meus amigos .
Alguns não escreveram , devem estar viajando ou qualquer coisa assim muito ocupados ,
outros mudaram tudo , e ainda outros apostaram muito neste ano cheio de Lua e de Dragões .
Outros se perguntaram ou explicaram porque escrevem – porque escreveram …
O blog do Acuio então…. merece uma olhada , mensagem pra lá de boa !
IÔ !!!!!!!!!!! João Acuio !
E eu , recebí um email do Drummond – bem no meio desta festa louca - em que não se pode sair na rua ,
os cachorros são por demais inteligentes e taças de vinho escolhem alvos perfeitos . por enquanto .
e . . . as coisas ficam diferentes . . . > Mas é claro que ficam .
E se Drummond me permite , hahaha … eu penso que agente deve olhar assim pra si mesmo também .
Pra cada uma de nossas fases , nossos momentos , aquilo que escrevemos, aquilo que fomos ,
o que sentimos , o que desenhamos, o que fotografamos , enfim ;
tudo aquilo que nos construiu e que nos lança em um novo dia . sempre .
E então eu reservei um texto lindo do Thomas , pra este último dia do ano .
um texto que falou mto comigo , e que fala muito deste olhar ou deste jeito de olhar .
Cheers Thomas ! , taí , - um super ano pra voce !
- Saudade , essas letras que por tanto tempo deixaram de me expressar .
Agora um lapso , num acaso , me encontro diante delas .
Não me lembro de muita coisa que escrevi , sorrio enquanto as leio em voz alta ,
a interpretação é agradável para alguém tão reservado .
Remorso , por não me lembrar.
Talvez as palavras tenham vindo de outro alguém , talvez fosse o efeito do álcool ou prestidigitador .
Vale-me a angústia tamanha pelo esquecer de tanta poesia .
Talvez não me lembre por que foi um ato de exorcismo ,
foram-me arrancadas palavras que não voltaram ;
Sinto agora um prazer por não ser atacado por elas , foram apaziguadas em seu exílio .
Suas tormentas se resolveram sozinhas .
E eu , que poderia ter feito eu , senão escrever ?
São memórias , lembranças e rascunhos de uma vida que tento tornar o mais plena possível , para valer a pena ser vivida .
Agora , nessa maré que vem , absorvo tudo , foram horas lendo , tantos risos , tantas dores , algumas lágrimas .
Surpresa , muitas palavras que não são minhas .
Muitos amigos cultos e ocultos . Teimam em continuar por aí , enchendo de ritmo todo esse mundo .
Felicidade tranquila , por alforriar essas tantas coisas ; mais uma vez .
Por encontrar escritos e me rir de sua profundidade inesperada .
Por não me lembrar do por que , do como , e interpretar de maneira diversa .
Por , inocentemente , – apreciar o que fiz .
por Thomas Freski .
.
e porque Drummond tambem disse que as palavras não nascem amarradas, elas saltam, se beijam,
se dissolvem, no céu livres, por vezes um desenho, são puras, largas, autênticas, indevassáveis . . .
.
ah … vambora , que a Lua já tá em Áries . Vem 2012 , vem , vem !
com todas as suas luas ,
todos os seus dragões .


Clarissa Pinkola Estés e seus livros maravilhosos .
Lê-los , relê-los , à medida que o tempo avança ,
vai nos revelando camadas e camadas sucessivas e incomparáveis de interpretação .
Mulheres que correm com os Lobos , a Ciranda das Mulheres Sábias ,
certamente são livros escritos para mulheres
que não temem a própria pele e nem perdem tempo
correndo ‘ atrás ’ ou marcando encontros com sombras estáticas
engessadas num inconsciente transformado em museu .
Mulheres que acompanham o movimento do mundo e preparam seus corpos para a Vida ,
possuem a mente aberta e tão ágil quanto lhes solicita a dança do viver .
Por isto Clarissa afirma que uma mulher saudável é muito parecida com uma loba .
Como ela , possue uma forte força vivificante , é consciente de seu território , é intuitiva e é leal .
No entanto, a separação de sua natureza selvagem , dos seus instinstos ,
faz uma mulher se tornar escassa … ,
ansiosa e com medo . . . [s]
A natureza selvagem , natural , instintiva , é o remédio para todas as coisas .
Ela carrega histórias , sonhos , palavras e canções .
Ela carrega tudo que uma mulher precisa ser e saber.
Ela é a essência da alma feminina …
Com a natureza selvagem como aliado e professor , não vemos por dois olhos apenas ,
mas através dos muitos olhos da intuição .
Com a intuição , somos como a noite estrelada , nós olhamos o mundo através de milhares de olhos .
Isso não significa – e jamais significou – ignorar a civilização , involuir ,
ou nos tornarmos atrazados , como uma comparação que já ouvi no formato de um vídeo tão brutal
quanto a idéia que certas mulheres fazem de sí e do próprio corpo .
Sómente mentes involuídas e pobres de conhecimento pensam assim .
Clarissa significa e descreve exatamente o oposto .
A natureza selvagem possui uma vasta integridade .
Isso significa estabelecer território ,
estar em um corpo com certeza e orgulho ,
falar e agir em harmonia com sua humanidade ,
é estar consciente ,
recorrer ao poder feminino inato da intuição para encontrar o que nos pertence ,
assumir nossa feminilidade com dignidade :
para continuar como um ser poderoso que é amigável ,
… mas nunca manso ou servil .
A Mulher Selvagem é aquela que troveja em face da injustiça .
Ela é intuição , agora vidente , escuta profunda , e ela é o coração leal .
Ela vive em local fresco e integridade pessoal .
Através das épocas , ela cada vez mais afirmou seu conhecimento instintivo,
carregou orgulhosamente as cicatrizes das batalhas do seu tempo ,
escreveu seus segredos nas paredes ,
se recusou a se envergonhar ,
desbravou seu caminho através e para fora ,
rompeu grilhões religiosos doentios afirmando-se como ser .
Como encontrá-la ?
Como encontrar nosso instinto , nossa natureza , nossa beleza ,
e a Consciência de se saber absolutamente humana e mulher ?
Ah … , ela caminha nos desertos , cidades , florestas ,
oceanos , nas montanhas e também na solidão .
Ela mora em mulheres em toda parte , em castelos com rainhas ,
em salas de reuniões, na cobertura , e no ônibus à noite .
Ela mora em um lugar distante que rompe com o nosso mundo .
Ela vive no passado e é convocada por nós .
Ela está no presente .
Ela está no futuro e caminha para trás no tempo para nos encontrar no agora .
A Mulher Selvagem sussurra em nós : nossas palavras ,
a forma como nossos gestos instintivos naturalmente se manifestam ,
e nós a seguimos .
Ela foi correndo e parando e esperando para ver se a estamos alcançando .
Ela tem muitas coisas para nos mostrar.
Quando matamos nossa natureza , nossos instintos ,
nos tornamos criaturas bizarras , imbecis não desejantes ,
dóceis idiotizados , à mercê de qualquer senhor .
Sem nós , a Mulher Selvagem morre . Sem a Mulher Selvagem , nós morremos .
Para a Vida : a vida verdadeira , ambas devem viver .
O que é natural , se auto-regenera , sempre ! ! !
Toda árvore possui por baixo da terra uma versão primeva de si mesma.
Por baixo da terra , a árvore venerável abriga uma ” árvore oculta ” ,
feita de raízes vitais constantemente nutridas por águas invisíveis.
A partir dessas radículas , a alma oculta da árvore empurra a energia para cima ,
para que suas naturezas mais verdadeiras , audazes e sábias vicejem a céu aberto .
O mesmo acontece com a vida de uma mulher .
Como a árvore , não importa em que condições ela esteja acima da terra ,
exuberante ou sujeita a enorme esforço ,
por baixo da terra existe uma mulher oculta ,
que cuida do estopim dourado, aquela energia brilhante , aquela fonte profunda que nunca será extinta .
A verdadeira mulher , em nós ,
está sempre procurando empurrar
esse espírito essencial em busca da vida.
Para cima : para que atravesse o solo cego e
consiga nutrir seu eu a céu aberto
e ter o mundo a seu alcance .
.
… Assim , filha querida , anime-se e inspire-se .
… Assim . . . , que você escolha o que tornar maior , não menor , o seu coração , sua mente e sua vida ,
… Que você absorva o que tornar mais profundos , não mais amortecidos , seu coração , sua mente e sua vida ,
Que você escolha o que a faça dançar ,
não mais andar pesadamente e cochilar . . . - pelo tempo afora …
[ Clarissa Pinkola Estés ]
Fy e Carol
Quase três anos depois do nascimento do Tea Party – o movimento que radicalizou a direita republicana -
a política dos Estados Unidos está às voltas com outra novidade de massa: o Occupy Wall Street [ OWS ] .
Esse é o nome do movimento que nasceu há alguns meses ,
quando um grupo de jovens decidiu acampar numa pequena praça que tem mais cimento e pedra do que árvores ,
no centro financeiro de Nova Iorque , no sul de Manhattan .
No começo , os protestos não chamaram muito a atenção da imprensa , mas ,
na primeira semana de Outubro já haviam triplicado o seu espaço no noticiário .
Com palavras de ordem contra “ o sistema financeiro e a desigualdade social ” ,
o OWS foi ficando cada vez mais popular .
Enfim , não é mais novidade , já virou moda ,
virou esquerdismo… – direitismo…. – fascismo …. quadrinhos , polêmica e , com certeza musica .
Embora Zuccotti Park , o distrito financeiro de Nova Iorque , pareça um acampamento cigano ,
onde cavalos e cachorrinhos nos dão uma excelente aula sobre como respeitar a diversidade ,
hippies, punks, veteranos de guerra com longos rabos de cavalo grisalhos ,
- saias coloridas , sandálias de couro, pessoas dançando , enquanto outros tocam saxofone,
… o [ inevitável grupo de hare krishnas : [ meio que boca-livre ] e cheiro de incenso no ar -
tudo em meio a um carnaval de solicitações tipo : o “ fim das violações dos direitos humanos nas Honduras ” ,
outros querem “ enforcar a junta turca de 1980 ” . . .
- defendem “ as espécies em extinção ” , pregam “ um mundo sem carvão ” e ,
em alguns cartazes, prometem : “ Vamos vencer o sistema ” . . .
- é importante lembrar , a nível de insatisfação generalizada ,
que em sua maioria os jovens “ ocupantes ” são , universitários com empregos ,
jovens de terno e gravata ,
senhores de idade em casacos de couro e senhoras de mãos delicadas
postadas atrás de um balcão improvisado que oferecem café e bolachas aos acampados .
Formando assim o mais curioso perfil de pessoas
que não estão sufocadas pelas necessidades essenciais > matriz dos movimentos sociais no capitalismo .
A ocupação é um meio para mostrar que os canais políticos tradicionais
ou estão bloqueados ou insensíveis às demandas em curso .
Não há preocupações com direitismos ou esquerdismos !
… à priori .
E esta é a novidade que permanece :
Occupy Wall Street está mobilizando jovens americanos a protestar contra o atual estado de coisas nos EUA .
Começou em Nova York e se espalha pelo país e pelo mundo .
Ao contrário das manifestações comuns na democracia , ela não se dirige ao governo , mas ao sistema .
É , a rigor , um movimento que clama por reformas radicais ; talvez revolucionárias .
Duas engrenagens existem e tendem a aproximar, cada vez mais, os movimentos sociais no planeta:
1 - o uso das redes sociais como instrumento de mobilização -
2 - o anseio por mudanças relacionadas às injustiças geradas pela crise global ,
que afeta o sistema capitalista , -
As conseqüências de cada movimento , no entanto , poderão ser distintas ,
considerada a sua localização geográfica .
Enquanto a Primavera Árabe recria instâncias de poder nos países afetados [ sob uma tênue linha da democracia ] ,
os ocupantes de Wall Street poderão sensibilizar parlamentares e governos a se posicionar
sobre uma agenda social sufocada pelas necessidades de ajuste econômico .
[ E por aqui , continuaremos torcendo pelo time que nos roubar melhor ... ]
E nos envolvendo também .
Sem direitismos ou esquerdismos … – apenas sem alienação .
Talvez Coerência :
Fy
Pesquisa:
Gilberto Rodrigues
Omelete
Irapuan Peixoto
Charlot Bernard
- Relação com o saber, formação de professores e globalização: questões para a educação hoje. -
http://anarcoblog.wordpress.com/2011/11/30/occupy-the-world-legendas-do-ultimo-post/

- Mirei na embarcação .
Uma rajada de vento dificultava a visão .
Na medida dos meus olhos observava o vermelho se espraiando no horizonte … Tinha dúvidas …
Era como se um punhado de sol esperneasse antes de cair no fundo do mundo giratório . -
Se tomássemos essa visão como bebida ,
ou empunhássemos esse ângulo de observação na mão ,
e se aí pegando , sentindo , encravando a concretude misturada a um abstratismo urgente ,
poderíamos dizer estar diante de uma obra de arte contemporânea .
Sou um leigo nesta questão .
Tomei contato com a ferida desta arte há pouco tempo .
Julgo que o que me arrebatou desde então
foi a possibilidade de multiplicar sentidos conforme a perspectiva que se vê uma obra de arte .
E a arte contemporânea ( falo aqui de pinturas e artes plásticas principalmente )
é feita a partir da perspectiva do autor .
Toda a ambivalência de sentidos aí provocada é fruto do encontro entre perspectiva do artista e do “ apreciador ” .
Segundo o Wikipedia , “ o belo contemporâneo não busca mais o novo , nem o espanto ,
como as vanguardas da primeira metade deste século :
propõe o estranhamento ou o questionamento da linguagem e sua leitura . ”
Segundo o artista plástico e escritor Nuno Ramos , a arte existe para “ furar ” .
“ Se você pegar a Igreja Católica , o poder católico , não era para ter sido feita a Capela Sistina . Mas foi .
. . . Alguma coisa na arte parece conseguir pegar o peso mórbido da vida e dar um rolê . ”
arrisca-se num gesto que é clichê e , também , completamente absurdo .
Esse é um dos desafios – brincar com as certezas e os estranhamentos ,
com os paradoxos da própria imagem , de uma forma sutil ,
quase imperceptível …
A arte deve ter o poder de crismar ou excomungar um “ padre ” , expor a fome de um satisfeito , revelar estéticas escondidas na pobreza …
Mais do que permitir novos sentidos , a arte provoca uma queda de sentidos e permite a capacidade de contemplar .
Proponho aqui uma discussão sobre a apreensão da beleza .
A beleza , que pode ser extraída até da feiúra , está no olhar e na interação .
E sempre sobra um Vazio porque o Desejo quer “ pegar ” o “ objeto ” e levar consigo .
Mesmo que se leve um objeto , sempre falta … A insatisfação faz o desejo continuar gotejando …
TEXTO :
Caio Garrido -
Caio Garrido é escritor – psicanalista – poeta e baterista – and a friend of mine .
Além de autor dos livros “Pena que foi Ontem” (Romance, 2010)
e “Poemas auto-escritos em estado de Sonambulovisão” (Poemas, 2011),
tem os seguintes blogues e trabalhos:
http://psiqueativa.blogspot.com/
http://nucleotavola.com.br/literatura/blog/
http://nucleotavola.com.br/revista/ - (editor associado da Revista Tavola)
http://caiogarrido.blogspot.com/
www.musicocontemporaneo.blogspot.com
http://penaquefoiontem.wordpress.com/
OBSERVAÇÕES :
Donaldo Shüller
Nuno Ramos
Fy
GRAVURAS:
Nuno Ramos
Miró
Internet
Fy
Este mundo :
uma monstruosidade de forças , sem início , sem fim ,
uma Firme , brônzea grandeza de força , que não se torna maior , nem menor ,
que não se consome , mas apenas se transmuda , inalteravelmente grande
em seu todo , uma economia sem despesas e perdas , mas também sem
acréscimo , ou rendimento , cercada de “ nada ” como de seu limite , nada de
evanescente , de desperdiçado , nada de infinitamente extenso ,
mas como força determinada posta em um determinado espaço , e não em um espaço
que em alguma parte estivesse “ vazio ” ,
mas antes como força por toda a parte
como um jogo de forças e ondas de força ao mesmo tempo um e múltiplo ,
aqui acumulando-se e ao mesmo tempo ali minguando ,
um mar de forças tempestuando e ondulando em si próprias ,
eternamente mudando , eternamente recorrentes , com descomunais anos de retorno ,
com uma vazante e enchente de suas configurações ,
partindo das mais simples às mais múltiplas ,
do mais quieto , mais rígido , mais frio
ao mais ardente , mais selvagem , mais contraditório consigo mesmo ,
e depois outra vez voltando da plenitude ao simples ,
do jogo de contradições de volta ao prazer da consonância ,
afirmando ainda a si próprio ,
nessa igualdade de suas trilhas e anos ,
abençoando a si próprio como aquilo que eternamente tem que retornar ,
como um vir-a-ser que não conhece nenhuma saciedade , nenhum fastio , nenhum cansaço ( … )
Quereis um nome para esse mundo ?
Uma solução para todos os seus enigmas ?
Uma luz para todos nós , vós , os mais escondidos , os mais fortes , os mais intrépidos ,
os mais da meia-noite ?
– Esse mundo é vontade de potência – e nada além disso !
E também vós próprios sois essa vontade de potência – e nada além disso!
- NIETZSCHE -
A hora é de avaliar e buscar perspectivas .
E nesse sentido a primeira constatação a ser evocada é que a Dança [ e a Vida ]
ainda está sob a égide da colonização .
Apesar de atrelada aos padrões do clássico europeu ou do moderno norte americano ,
conseguiu no entanto se libertar do discurso narrativo e linear.
Enredo e tema passaram a ser desnecessários
e a dança assumiu o movimento como elemento suficiente
para criação coreográfica e revelação do espetáculo .
O fenômeno “ mover-se ” fala a despeito do dançarino .
Esse mover re-significa sua sensibilidade , fisicalidade , história de vida , herança cultural e genética
que : somadas ao seu preparo profissional e artístico
resultam num discurso corporal pessoal e intransferível que promove a dança .
O mundo contemporâneo rompeu com a precisão e a certeza .
Assumiu o risco , a fragmentação e a incoerência .
O virtuosismo baseado na perfeição e na aproximação máxima ao padrão estético estabelecido caiu por terra .
O novo desafio não está em aparecer ao outro ,
mas no reconhecimento de si próprio ao se apresentar para o outro .
A proposta é um corpo que dança sua presença singular .
O processo coreográfico busca as possibilidades criativas geradas
a partir de competências corporais territorializadas .
Não se trata mais do corpo universal ,
mas de um corpo produzido por funções e saberes locais
e que por isso se reconhece sujeito capaz de uma performance que é única ,
pois responsável por sua única e insubstituível Vida .
Tudo está em questão:
Quais os elementos que definem uma coreografia ? Qual o papel do coreógrafo ?
É possível falar de uma dramaturgia da dança ?
Há uma técnica eficiente e segura para preparação do dançarino ?
São infinitas as perguntas e não menos infinitos os caminhos
para os pesquisadores da dança se debruçarem em investigações .
Certo é que a dança não quer mais se alienar numa estética estéril .
Para tanto redimensiona o papel da técnica e do virtuosismo que tanto lhe promoveu
em outros momentos , para traduzir o estranhamento , o risco e o acaso .
Trata de rever as dimensões do corpo , sua expressão , limites e potenciais .
O produto e o processo coreográfico também foram reconsiderados .
O papel do coreógrafo , o sentido da improvisação , a formação do dançarino , tudo está em questão .
Felizmente a dança não está mais segura e timidamente tenta afrouxar-se do sistema rígido de referência .
Está “ desconstruindo ” , ou seja , se deslocando do logocentrismo* , no caso o eurocentrismo* .
Repetindo > Está “ desconstruindo ” , ou seja , se deslocando do logocentrismo* , no caso o eurocentrismo* .
Busca novas conexões com outros conhecimentos , reconhecendo um mundo sem hierarquias estéticas ou culturais .
Mergulhados nessas questões , os pesquisadores Lúcia Lobato e Sérgio Andrade ,
selecionados pelo Programa PIBIC/2006 da Universidade Federal da Bahia ,
estão desenvolvendo a pesquisa intitulada :
“ Identificação do Princípio da Desconstrução de Jacques Derrida na coreografia contemporânea ”
que tem como campo de observação o espetáculo desconstrucionista
intitulado “ Obras de uma carta anônima ” do
grupo baiano CoMteMpu´s .
- Por que Derrida ?
Porque esse estranhamento que desafia a atual produção coreográfica poderá melhor
ser absorvido à luz do princípio da “ desconstrução ” de Derrida e através de alguns de seus indicadores :
como o deslocamento da cultura de referência , o diálogo crítico , a ampliação de conexões com outros saberes ,
a revelação que questiona a estrutura interna , o fenômeno do afrouxamento ao sistema rígido , o conseqüente
processo de descolonização , o respeito às diferenças ,
a alteridade e o reconhecimento do inconsciente que fala “ a despeito de ” .
Jacques Derrida foi um dos fundadores do Pós-Estruturalismo
que reuniu pensadores como Bataille , Deleuze , Foucault , entre outros .
O movimento Pós-Estruturalista inaugura com Derrida uma filosofia que ,
embora atrelada à tradição do pensamento ocidental ,
propõe a ruptura com esta dependência ,
principalmente no que concerne à lógica da identidade herdada de Aristóteles .
Por meio do princípio batizado como “ desconstrução ” ,
Derrida deu início a uma inovadora investigação sobre a natureza da tradição metafísica ocidental .
Essa tradição fundamentava seu argumento em três leis :
1 - a lei da Identidade considerando que aquilo que é , simplesmente é ;
2 - a da Contradição definindo que nada pode ser e não ser ao mesmo tempo ;
3 - e a do Excluído determinando que tudo deve ser ou então não ser .
É obvio que essas leis não admitem que haja nos fenômenos características como ,
por exemplo : a complexidade , a auto-presença e a diferença .
Esses três princípios sustentaram o positivismo e o espírito da modernidade .
Mas o movimento Pós- Estruturalista já não se contentava em pensar as transformações do mundo
e das sociedades em bases tão dicotômicas .
Afinal “ ser ou não ser ” já não era uma questão ,
pois os fenômenos já se apresentavam podendo ser e não ser ao mesmo tempo .
Foram as idéias dos pós-estruturalistas que apontaram para o que viria a ser
um pensamento pós-moderno .
Nesse processo , as investigações de Derrida revelaram que a tradição era cheia de paradoxos .
O interessante , no entanto , é que , apesar desses resultados , Derrida não almejou ,
com a apresentação do princípio da desconstrução ,
apontá-lo como um instrumento eficaz para acabar com as contradições .
Tampouco se colocou imune e capaz de fugir às exigências da tradição a partir de um sistema próprio e autônomo .
Ao contrário , reconheceu que é necessário não abandonar ,
pelo menos temporariamente , os mesmos conceitos considerados insustentáveis .
Não propôs a ruptura , mas redimensionou a função da metafísica tradicional no processo de descolonização .
Apontou a necessidade de desconsiderar a cultura de referência ,
introduzindo o valor do diferente e o discurso do “ deslocamento ” .
Com esse propósito define o princípio da Desconstrução .
A compreensão dessa categoria filosófica passa pelo esclarecimento de que não significa ,
nem é empregada pelo autor como sinônimo de destruição ou
demolição de um dado fenômeno ou argumento em sua totalidade .
Ao contrário, trata-se de desvelar os reflexos conceituais ,
as seqüências e associações de idéias que precedem e condicionam os pensamentos ,
operando > como o inconsciente que fala > “ a despeito de ” .
Podemos inferir que a desconstrução , tal qual proposta ,
é um processo de revelação que questiona a “ estrutura interna ” do discurso ,
descobrindo o sintoma do campo cognitivo que ele chama de “ logocentrismo ” .
Ou seja, a desconstrução seria uma forma de diálogo crítico .
Mas não seria uma crítica para reverter à oposição , mas sim para deslocá-la do “ logocentrismo ” ,
afrouxando-a do sistema rígido de referência que restringe a compreensão
e não amplia novas conexões de conhecimento .
A desconstrução propõe um olhar ampliado e contínuo ,
ao invés da observação do fenômeno localizado e isolado .
Por essa razão não se limitou aos instrumentos disponíveis na filosofia tradicional ,
pois busca a pluralização e a adjetivação dos atributos em vez da fixação e substantivação .
Trazendo o argumento exposto para o nosso campo de reflexão ,
é possível inferir que o principal desafio da dança contemporânea
que nas diferentes conjunturas históricas sempre esteve homogeneizada e
modelada nas estéticas dominantes das hierarquias do poder tradicional é :
exatamente distender-se desses códigos encarnados ,
através da expansão e absorção de suas próprias realidades
e diversidades étnicas e culturais , embora ainda distantes .
Trata-se de enfrentar as históricas estruturas de poder .
Vencer este desafio exige enfrentar os preconceitos
e o caráter elitista de nossa colonização de origem escravista que
sempre desprezou e inferiorizou nossas práticas espetaculares .
Só vencendo nossos medos civilizatórios e desconstruindo a estética colonizadora ,
imposta como ” padrão de valor superior ” ,
poderemos vir a descobrir a riqueza e diversidade de nossas danças . - e de nossas Vidas -
Bibliografia:
Derrida , Jacques- Gramatologia
Geertz , Clifford – O Saber Local , Novos Ensaios em Antropologia Interpretativa .
Johnson , Christopher – Derrida , A cena da escritura , São Paulo , UNESP , 2001 .
Lechte , John – Cinqüenta pensadores contemporâneos essenciais : do estruturalismo à pós-modernidade .
Eliana Rodrigues Silva – Dança e Pós Modernidade . Salvador , editora da Universidade Federal da Bahia – EDUFBA , 2005 .
Ilustração:
STEVEN MEISEL :
Fy
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Este post é uma pequena homenagem ao inigualável Marques Patrocínio , Alice Valente , Steven Miesel e sua arte-fotografia ,
e sobretudo ao Grupo Corpo , esta “surpreendência” brasileira , que atravessa o mundo , sob intensos aplausos e exclamações :
With its fast footwork and dynamic Brazilian rhythms ,
Ongotô sets out to explore a monumental theme – that of humanity’s place within the vastness of the universe.
Edinburgh International Festival 2010
Grupo Corpo – Ongoto
levando nossa arte e sensibilidade , através do maravilhoso trabalho dos irmãos Pederneiras .
E , claro uma Homenagem à Filosofia e à Dança como Arte .
Mas além de homenagem , um agradecimento ao tio Guz , – que perfazendo um contorno contínuamente em expansão – ,
brilha neste meu crescente festival de Vida e , claro , de Amigos : devires-água no meu existir .
“ Como essa escrita é atravessada por muitas forças , para nomeá-las
demandaria um delicado trabalho cartográfico , mas algumas , por sua intensidade ,
não poderiam faltar no traçado afetivo desse mapa de gratidão . “
Porque por aqui Arte é Vida e Vida : Conhecimento : um eterno e mutante devir .
Fy
Há muitas estórias sobre a lenda do sétimo filho do sétimo filho .
Na Inglaterra diz-se que esta figura terá poderes mágicos ;
- na metáfora construída pelos autores dos versos acima , ele encarna a figura de um libertador .
Fica difícil ler sobre esta lenda e não lembrar do mito do Sebastianismo , criado por nossos irmãos lusitanos .
As vicissitudes do agora serão quebradas pela intervenção de alguém: no futuro ,
que restabelecerá a verdade e fará a justiça , trará a cura para vários males ou libertará um povo .
Aqui em terra brasilis , durante muito tempo cultivamos a figura do “ salvador da pátria ” ,
aquele que faria o Brasil deixar de ser o país do futuro e dar o grande salto adiante .
Parece que é comum à humanidade cultivar este tipo de mito , colocando sobre as costas de um outro ,
em um tempo futuro , as mudanças que devemos , nós , fazermos agora .
Por que isto acontece ?
Será que é por que nós tendemos a supervalorizar
a participação de outras pessoas sobre as dificuldades que encontramos pelo caminho ?
Um exemplo disto é quando estamos às voltas com determinadas situações de competitividade
em que somos levados a pensar :
“ Ah o outro é o inimigo , pensa diferente , quer nos fazer mal , têm interesses que se conflituam com os nossos ” ; pensamos nós .
E se estivermos certos ? E realmente exista alguém que , por um ou outro motivo , nos quer mal .
Mas a saída é odiá-lo ?
Refletindo com cuidado , vejo que não .
O mestre Yoda vários pensamentos sobre este tema tem . . . rsrs . . .. .
Percebi , na prática , que o sábio Jedi acerta em cheio ;
o ódio nos cega para aquilo que temos dentro de nós e só nos faz ver aquilo que o outro tem de ruim .
Assim , vamos nos tornando piores , à medida em que combatemos o outro com raiva .
Não enxergamos que “ a força ” está dentro de nós ;
- quando a sentimos , as coisas se esclarecem , o inimigo é fraco e por isso nos ataca e ao revidarmos mostramos a ele a nossa fraqueza .
Apesar da linha que divide a justiça da vingança ser tênue ,
sendo justos venceremos aqueles que se colocarem como nossos antagonistas ; por outro lado ,
sendo vingativos os convidamos mais e mais a nos atacar .
Ser justo não é ser bom , nem mau .
A virtude está na justiça , assim como o vício está na vingança .
Mas o que este exemplo tem a ver com o mito do libertador futuro ?
É que a sociedade tem muito em seu bojo o que cada indivíduo carrega em seu interior .
Como ? O que significa isso que eu falei ? Explico – ou pelo menos tento…rsrs -
Na mesma medida em que projetamos o mal no outro
e não vemos que ele pode estar presente em nós também .
A sociedade parece não enxergar que é ela que deve lidar com os males do agora
e que esperar por um salvador que a liberte do atual estado de coisas produz conformismo e inação ,
favorecendo aqueles que possuem as chaves das correntes .
Eis a chave : a razão e a ação ; ou a ação guiada pela razão .
Não uma razão fria , irmã da crueldade ,
mas uma razão com a sensibilidade de conhecer o que temos dentro de nós ,
o que nos anima como indivíduo , uma razão justa .
Não existe utopia , existe o Fazer , existe o Agora !
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Pra descontrair : Se algum engraçadinho for ao show do TFF e pedir para eles tocarem Raul , com certeza eles irão tocar , mas não será Raul Seixas .
RAUUULL !
RAUUUL !
RAUUUL ! HE HE HE HE HE
Billy Shears
Outro dia , comentei num post do Anarco , sobre a Felicidade .
Pois é , … Wonder/Land - Nowhere/Land … - In- a- Moment/Land … Impossible/Land…
– cada um : cada um .
Talvez … , “feliz” seja território paradoxal , que vai revelando camadas sucessivas de interpretação ,
abrigando metamorfoses que se desdobram e ondeiam na eloquência do dizível ,
aquele … que nunca morre de frio ou em uma história que não existe .
Talvez… seja feita pra quem abre mão de super-poderes . . .
pra quem abre mão do adiado e fantástico fascínio de viver em histórias que não existem .
Ou percebam que o eterno e a ficção não precisam tanto de amigos . Nem as paredes .
Eu penso que a felicidade exige um certo treino .
Uma tremenda coragem e alguma coisa assim . . . como uma curiosidade sem-fim .
Uma importância urgente de estar no mundo e perceber o que é que o mundo tem .
Vôos , mergulhos , alegrias , tristezas , esperas , abraços , amores ,
perguntas , saudades , entregas , exigências, opiniões e ar . Muito ar.
Felicidade é ser . Estar . A ousadia de estar . Em cada busca , em cada encontro , em cada dúvida .
Não é rir à toa . É rir : É emocionar-se .
Talvez… seja simplesmente : perceber .
Poizé,
e eu , - que já me conformei com o amor , que derepente , a chuva passou a sentir pelos meus finais de semana ,
resolvi retribuir-lhe toooodo este carinho , com todos os filmes, acolchoados , bis ,
salgadinhos e boas companhias ,
… e nós duas , unidas por esta paixão insisteeeeeente não podíamos deixar de recomendar , ah . . . o melhor ,
ou um dos melhores momentos do Woody Allen e , claro . . . o melhor vinho .
Gênio , gênio e mais gênio , que , com toda a simplicidade sofisticada dos gênios ,
” genialmente “ desprovida de apelações escalafobéticas , clichês apocalípticos ,
efeitos esquizofrêncios , ou defasados espantos cósmicos . . . ,
traz uma mensagem fascinante , verdadeira , sobre a importância dos nossos sonhos ,
nossas singularidades e a força de nossas atitudes em direção à Felicidade .
Uma angústia inexplicável , – uma esquina [ em Paris , in its total & bewitching of course... ] ,
um convite
e um táxi que brinca com o tempo , com as imagens , com a metade da noite ,
com os sonhos e com a distância inexistente entre o que somos , o que desejamos . . . e nossa realidade .
Tudo isso em um conto de fadas . . . pra pessoas de bom gosto .
Se ainda não viu , – ah … não perca não !
- be my guest … - and Voilà :
por Vinicius Carlos Vieira :
Woody Allen é um cara apaixonado .
Por seus filmes , por suas mulheres ,
pelas cidades em que passa e , mais que tudo , pelo cinema ,
só isso explica o quanto Meia Noite em Paris é deliciosamente apaixonante .
E talvez seja essa mesma paixão que mova o cineasta novaiorquino
a começar seu novo filme deslumbrado pelas belezas da capital francesa ,
trocando o fundo preto e os créditos iniciais por um verdadeiro tour pela Cidade Luz ,
como se tivesse a necessidade de se redimir da injustiça
de não conseguir mostrar tudo aquilo durante seu filme .
Ou simplesmente para convidar seu espectador a se apaixonar por aquela cidade ,
como ele parece ter se apaixonado e , consequentemente , seu protagonista .
A bola da vez agora de interpretar a “ persona ” de Allen é responsabilidade de Owen Wilson , que vive Gil ,
um roteirista de Hollywood que vai à Paris com a noiva e os sogros e acaba descobrindo uma nova cidade . . .
depois … das badaladas do início da madrugada.
Na verdade , é esse casal que Woody prefere apresentar durante os créditos iniciais , ao invés de seu jazz tradicional .
Ele romântico , . . . tentando escapar do marasmo artístico dos roteiros descartáveis e escrever seu primeiro romance ,
inspirado por tudo que Paris representa ( e representou ) , -
enquanto ela , vivida por Rachel McAdams , prefere não enxergar nada disso ,
sem conseguir entender qual a obsessão do namorado por aquela cidade ( e pela . . . chuva ) .
Meia Noite em Paris é então uma história de amor ,- entre Gil , Woody Allen ( – o espectador ) . . . e Paris ,
talvez no sentido figurado , – e o mais provavel é que não :
já que o diretor não se esconde por trás de nenhum simbolismo ou metáfora
para levar seu personagem em uma viagem no tempo de volta à Idade de Ouro dessa cidade ,
durante a década de 20 , cheia de escritores , artistas e personalidades que ,
não sem exagero , deram o ponta-pé inicial
para muito do que hoje existe em termos de arte .
Woody Allen então convida seu espectador a participar dessa deliciosa viagem ,
pela boemia da Cidade Luz na companhia dessa grande festa onde personagens famosos
e verdadeiras homenagens dão uma vida enorme a seu filme
e parecem dar as caras : como um enorme playground de referências .
É impossível não saborear cada linha de diálogo entre Gil e um Ernest Hemingway -
[ ha ha ha : simplesmente genial ! ] :
Carey Stoll , que na TV é um dos protagonistas da série Lei e Ordem LA -
com cara de bêbado suicida ,
pessimista , galanteador , tétrico e obcecado por sua espingarda de caça .
E Meia Noite em Paris não se esconde porá trás de um lado “ pseudo-intelectual ” ,
que nesse caso é irritantemente representado pelo personagem de Michael Sheen ( sempre ótimo ) ,
amigo de faculdade da noiva de Gil e , aparentemente . . .
capaz de ser expert em todo e qualquer assunto que exista no mundo .
Na realidade Sheen é talvez a mola central dessa artimanha de Allen
para criar mais ainda esse protagonista simpático , já que todos a sua volta , aos poucos , . . . se tornam insuportáveis ,
. . . vazios e céticos , incapazes de viver essas experiências ( ou se deixarem viver por elas ) .
É lógico que Woody Allen faz disso um instrumento , uma arma até ,
contra todos que ainda dão mais valor a uma enciclopédia
do que a vontade de viver essas novas experiências .
Mais ainda . . . – reafirmando-se nesse “ tour mundial ” que vem fazendo ,
saindo de seu habitat em Manhattan , para que seu cinema experimente novos ares ,
da misteriosa Londres em : “Match-Point” ,
da “ caliente ” Espanha em : “ Vicky Christina Barcelona ” [ inesquecível ! ]
e agora . . . toda a poesia de Paris .
Assim como seu protagonista ( ou o contrário ) Woody Allen parece à procura de viver essas experiências
e não de falar sobre elas como se as tivesse lido em um livro ,
e isso é imprescindível para que “ Midnight in Paris ” seja essa experiência tão apaixonante ,
já que é tão fácil se sentir como um companheiro de viagem do diretor , nessa louca viagem .
Mas Allen não se perde nessa paixão ,
Meia Noite em Paris ainda é , sobretudo , um “ filme de Woody Allen ” ,
com um protagonista frágil , pragmático , preso em um mundo que parece não aceitá-lo ,
mas sem medo de deixar suas opiniões ácidas vazarem por grandes planos de diálogos .
Também permite que ele viva essa história de amor fora de época
com uma espécie de “ musa inspiradora ” ( a linda Marion Cotillard )
de um trio de pintores ( Modigliani , Braque e Picasso ) dos quais foi amante .
Por outro lado , essa “ viagem no tempo ” dá ainda a chance de Woody Allen zombar
da cadeira de vinte mil dólares no presente , ao mesmo tempo em que
se permite ver um quadro de Matisse sendo vendido por quinhentos francos ,
- esse tipo único de ironia que sempre se perpetua pela filmografia do diretor
e acaba sendo uma verdadeira válvula de escape
para que ele possa remexer em mais um monte de assuntos pertinentes .
. . . Ou você não percebeu que a família da noiva vai , em plena Paris ,
ver uma comédia descartável de Hollywood ,
cujos nomes dos atores nem ao menos são lembrados .
E talvez seja isso que Allen mais tenta em sua carreira :
mostrar que nem tudo precisa ser descartável para fazer sucesso e ser popular .
Infelizmente , uma discussão que Woody Allen talvez perca ,
já que na maioria das vezes seus filmes
ainda acabem caminhando apenas na borda deste sucesso ,
o que talvez o faça se sentir como seu personagem ,
na divertida conversa com o trio formado por Man Ray ,
Salvador Dali : um Adrian Brody incrivelmente interessante ,
como todo resto do elenco , – e Luis Buñuel ( que depois … , em outro momento ,
ainda ganha “ de brinde ” o ponto de partida para seu Anjo Exterminador ,
mesmo sem entender : - “ por que eles não conseguem sair daquele lugar ! ” ) - ,
onde a verdade acaba se perdendo de modo surrealista
entre significados existenciais e rinocerontes .
Como se : mesmo tentando mostrar o que fazer , . . . sempre alguém acabe “ lendo demais ” algo ,
. . . que é só feito para ser sentido . [ ! ]
E é então que se percebe que Meia Noite em Paris não quer ser simbólico , metafórico , surrealista
ou . . . cheio de leituras ( como eu já citei ) ,
mas sim : só quer contar essa história ,
juntar esses personagens nessa história de amor e , no final das contas ,
ter a certeza de que o presente sempre parece insuficiente para quem não tem limites para sonhar
e às vezes perceber . . . que a única coisa necessária é : esse momento de chuva sobre Paris .
que . . . ( realmente ) acaba deixando-a muito mais bonita .
E essa impressão . . . , só consegue ser passada realmente por um gênio como Woody Allen que ,
decididamente , é um cara apaixonado , … e mais que qualquer coisa , apaixonado pelo cinema .
Escolhi a crítica do Vinicius Carlos Vieira – mas a do Pablo está genial e a do Omelete também.
E mais um achado , uma coisa incrível que o Renato achou pra nós :
Fy
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