windmills by fy

21/01/2012

Pensar não dói ! – raciocinar não machuca …

Filed under: Uncategorized — Fy @ 2:38 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fy

01/01/2012

pro ano da Lua e do dragão

Filed under: Uncategorized — Fy @ 6:19 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Neruda diz que ama todas as coisas e que só o amor não gasta .

Por isso, vai de vida em vida , de guitarra em guitarra ,

sem medo da luz nem da sombra .

Leão Ramos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ah…  cada post tão lindo “de fim-de-ano” : nos blogs dos meus amigos .

Alguns não escreveram , devem estar viajando ou qualquer coisa assim muito ocupados ,

outros mudaram tudo , e ainda outros apostaram muito neste ano cheio de Lua e de Dragões .

Outros se perguntaram ou explicaram porque escrevem – porque escreveram …

 

O blog do  Acuio  então…. merece uma olhada , mensagem pra lá de boa !

IÔ !!!!!!!!!!! João Acuio !

 

 

E eu ,  recebí um email do Drummond – bem no meio desta festa louca -  em que não se pode sair na rua ,

os cachorros são por demais inteligentes e taças de vinho escolhem alvos perfeitos . por enquanto .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

e . . . as coisas ficam diferentes . . .     > Mas é claro que ficam .

E se Drummond me permite , hahaha … eu penso que agente deve olhar assim pra si mesmo também .

Pra cada uma de nossas fases , nossos momentos , aquilo que escrevemos, aquilo que fomos ,

o que sentimos , o que desenhamos, o que fotografamos , enfim ;

tudo aquilo que nos construiu e que nos lança em um novo dia . sempre .

 

 

E então eu reservei um texto lindo do Thomas , pra este último dia do ano .

um texto que falou mto comigo , e que fala muito deste olhar ou deste jeito de olhar .

 

 

Cheers  Thomas !  , taí ,  - um super ano pra voce !

 

 

- Saudade , essas letras que por tanto tempo deixaram de me expressar .

Agora um lapso , num acaso , me encontro diante delas .

 

 

Não me lembro de muita coisa que escrevi , sorrio enquanto as leio em voz alta ,

a interpretação é agradável para alguém tão reservado .

 

 

Remorso , por não me lembrar.

 

 

Talvez as palavras tenham vindo de outro alguém , talvez fosse o efeito do álcool ou prestidigitador .

 

 

Vale-me a angústia tamanha pelo esquecer de tanta poesia .

 

 

Talvez não me lembre por que foi um ato de exorcismo ,

foram-me arrancadas palavras que não voltaram ;

Sinto agora um prazer por não ser atacado por elas , foram apaziguadas em seu exílio .

Suas tormentas se resolveram sozinhas .

 

 

E eu , que poderia ter feito eu , senão escrever ?

 

 

São memórias , lembranças e rascunhos de uma vida que tento tornar o mais plena possível , para valer a pena ser vivida .

 

 

Agora , nessa maré que vem , absorvo tudo , foram horas lendo , tantos risos , tantas dores , algumas lágrimas .

 

 

Surpresa , muitas palavras que não são minhas .

Muitos amigos cultos e ocultos . Teimam em continuar por aí , enchendo de ritmo todo esse mundo  .

 

 

Felicidade tranquila , por alforriar essas tantas coisas ; mais uma vez .

Por encontrar escritos e me rir de sua profundidade inesperada .

Por não me lembrar do por que , do como , e interpretar de maneira diversa .

 

 

Por , inocentemente ,  – apreciar o que fiz .

 

 

por  Thomas Freski .

 

 

 

 

                                                                  .

e  porque Drummond tambem disse que as palavras não nascem amarradas, elas saltam, se beijam,

se dissolvem, no céu livres,  por vezes um desenho, são puras, largas, autênticas, indevassáveis . . .

                                                                  .

 

 

 

 

ah … vambora , que  a Lua já tá em Áries . Vem 2012 , vem , vem !

 

com todas as  suas luas ,

todos os  seus dragões .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

23/12/2011

Shake it up : it’s xmas!

Filed under: Uncategorized — Fy @ 3:34 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 of  my  mind

.

 

 

 

 

 

          

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fy 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

20/12/2011

Clarissa

Filed under: Uncategorized — Fy @ 3:08 PM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Clarissa Pinkola Estés e seus livros maravilhosos . 

Lê-los ,  relê-los , à medida que o tempo avança ,

vai nos revelando camadas e camadas  sucessivas  e  incomparáveis de interpretação .

Mulheres que correm com os Lobos ,  a Ciranda das Mulheres Sábias   , 

certamente são livros escritos para mulheres

que não temem a própria pele e nem perdem tempo

correndo  ‘ atrás ’ ou marcando encontros com  sombras estáticas

engessadas  num inconsciente transformado em museu .

 

 

Mulheres que acompanham o movimento do mundo e preparam seus corpos para a Vida ,

possuem a mente aberta e tão  ágil  quanto  lhes  solicita a dança do viver .

Por isto Clarissa afirma que uma mulher saudável é muito parecida com uma loba .

Como ela , possue uma forte força vivificante , é consciente de seu território , é intuitiva e é leal .

 

 

No entanto, a separação de sua natureza selvagem ,  dos seus instinstos ,

faz uma mulher se tornar escassa …  ,

ansiosa e com medo . . . [s]

 

 

A natureza selvagem , natural , instintiva , é o remédio para todas as coisas .

Ela carrega histórias , sonhos , palavras e canções .

Ela carrega tudo que uma mulher precisa ser e saber.

Ela é a essência da alma feminina …

 

 

Com a natureza selvagem como aliado e professor , não vemos por dois olhos apenas ,

mas através dos muitos olhos da intuição .

Com a intuição , somos como a noite estrelada , nós olhamos o mundo através de milhares de olhos .

Isso não significa – e jamais significou –  ignorar a civilização , involuir ,

ou nos tornarmos atrazados , como uma comparação que já ouvi  no formato de um vídeo tão brutal

quanto a idéia que certas mulheres fazem de sí e  do próprio corpo .

Sómente  mentes involuídas e pobres de conhecimento pensam assim .

 

 

Clarissa significa e descreve  exatamente o oposto .

A natureza selvagem possui uma vasta integridade .

 

 

Isso significa estabelecer território ,

estar em um corpo com certeza e orgulho ,

falar e agir em harmonia com sua humanidade ,

é estar consciente ,

recorrer ao poder feminino  inato  da intuição  para encontrar o que nos pertence ,

assumir nossa feminilidade com dignidade :

 para continuar como um ser poderoso que é amigável ,

 …  mas nunca manso ou servil .

 

 

A Mulher Selvagem é aquela que troveja em face da injustiça .

 Ela é intuição , agora vidente , escuta profunda , e ela é o coração leal .

Ela vive em local fresco e integridade pessoal .

 

 

Através das épocas , ela cada vez mais afirmou  seu conhecimento instintivo,

carregou orgulhosamente as cicatrizes das batalhas do seu tempo ,

escreveu seus segredos nas paredes ,

se recusou a se envergonhar ,

desbravou seu  caminho através e para fora ,

rompeu grilhões religiosos doentios afirmando-se como ser .

 

 

 Como encontrá-la ?

Como encontrar nosso instinto , nossa natureza , nossa beleza ,

e a Consciência de se saber absolutamente humana e mulher  ?

 

 

Ah … , ela caminha nos desertos , cidades , florestas ,

oceanos ,  nas montanhas e também  na solidão .

Ela mora em mulheres em toda parte , em castelos com rainhas ,

em salas de reuniões, na cobertura , e no ônibus à noite  .

 

 

Ela mora em um lugar distante que rompe com o nosso mundo .

Ela vive no passado e é convocada por nós .

Ela está no presente .  

Ela está no futuro e caminha para trás no tempo para nos encontrar  no agora .

 

 

A Mulher Selvagem  sussurra em nós : nossas palavras ,

a forma como nossos gestos instintivos naturalmente se  manifestam ,

e nós a seguimos .

Ela foi correndo e parando e esperando para ver se a estamos alcançando .

Ela tem muitas coisas para nos mostrar.

 

 

Quando matamos nossa natureza , nossos instintos ,

nos tornamos criaturas bizarras , imbecis não desejantes ,

dóceis idiotizados , à mercê de qualquer senhor .

 

 

Sem nós , a Mulher Selvagem morre . Sem a Mulher Selvagem , nós morremos .

Para a Vida : a vida verdadeira , ambas devem viver . 

O que é natural , se auto-regenera , sempre  ! ! !

 

 

Toda árvore possui por baixo da terra uma versão primeva de si mesma.

Por baixo da terra , a árvore venerável abriga uma  ” árvore oculta ” ,

feita de raízes vitais constantemente nutridas por águas invisíveis.

 A partir dessas radículas , a alma oculta da árvore empurra a energia para cima ,

para que suas naturezas mais verdadeiras , audazes e sábias vicejem a céu aberto .

 

 

O mesmo acontece com a vida de uma mulher .

Como a árvore , não importa em que condições ela esteja acima da terra ,

exuberante ou sujeita a enorme esforço ,

por baixo da terra existe  uma mulher oculta , 

que cuida do estopim dourado, aquela energia brilhante , aquela fonte profunda que nunca será extinta .

 

 

 

 

A verdadeira mulher , em nós ,

está sempre procurando empurrar

esse espírito essencial em busca da vida.

 

 

 

 

Para cima : para que atravesse o solo cego e

consiga nutrir seu eu a céu aberto

e ter o mundo a seu alcance .

 

 

.

 

 

… Assim , filha querida , anime-se e inspire-se .

 

… Assim . . .  , que você escolha o que tornar maior , não menor , o seu coração , sua mente e sua vida ,

 

… Que você absorva o que tornar mais profundos , não mais amortecidos , seu coração , sua mente e sua vida ,

 

Que você escolha o que a faça dançar ,

 

não mais andar pesadamente e cochilar . . .  -  pelo tempo afora …

 

[ Clarissa Pinkola Estés ]

 

 

 

Fy  e  Carol

15/12/2011

All Street-s

Filed under: Uncategorized — Fy @ 1:27 AM

 

 

  

 

 

  

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Quase três anos depois do nascimento do Tea Party – o movimento que radicalizou a direita republicana -

a política dos Estados Unidos está às voltas com outra novidade de massa: o Occupy Wall Street  [ OWS ] .

Esse é o nome do movimento que nasceu há alguns meses ,

quando um grupo de jovens decidiu acampar numa pequena praça que tem mais cimento e pedra do que árvores ,

no centro financeiro de Nova Iorque , no sul de Manhattan  .

 

 

No começo , os protestos não chamaram muito a atenção da imprensa , mas ,

na primeira semana de Outubro já haviam triplicado o seu espaço no noticiário .

Com palavras de ordem contra   “ o sistema financeiro e a desigualdade social ” ,

o OWS foi ficando cada vez mais popular  .

 

 

Enfim , não  é mais novidade , já virou moda ,

virou esquerdismo… – direitismo…. – fascismo …. quadrinhos , polêmica e , com certeza musica .

Embora Zuccotti Park , o distrito financeiro de Nova Iorque , pareça um acampamento cigano ,

onde cavalos e cachorrinhos nos dão uma excelente aula sobre como respeitar a diversidade ,

 hippies, punks, veteranos de guerra com longos rabos de cavalo grisalhos ,  

- saias coloridas , sandálias de couro, pessoas dançando , enquanto outros tocam saxofone,

… o [ inevitável grupo de hare krishnas :  [ meio que boca-livre ]  e cheiro de incenso no ar  -  

tudo em meio a um carnaval de solicitações tipo :  o  “ fim das violações dos direitos humanos nas Honduras ” ,

outros querem  “ enforcar a junta turca de 1980 ” . . .

 

- defendem  “ as espécies em extinção ” , pregam  “ um mundo sem carvão ”  e ,

em alguns cartazes, prometem :  “ Vamos vencer o sistema ” . . .  

-  é  importante lembrar , a nível de insatisfação generalizada ,  

que em sua maioria os jovens “ ocupantes ” são ,  universitários com empregos ,

 jovens de terno  e gravata ,

senhores de idade em casacos de couro e senhoras de mãos delicadas

postadas atrás de um balcão improvisado que oferecem café e bolachas aos acampados .

Formando assim o mais curioso  perfil de pessoas

que não estão sufocadas pelas necessidades essenciais >  matriz dos movimentos sociais no capitalismo .

A ocupação é um meio para mostrar que os canais políticos tradicionais

ou estão bloqueados ou insensíveis às demandas em curso  .

 

 

Não há preocupações com direitismos ou esquerdismos !

… à priori .

 

 E esta é a novidade que permanece :

Occupy Wall Street  está mobilizando jovens americanos a protestar contra o atual estado de coisas nos EUA .

Começou em Nova York e se espalha pelo país e pelo mundo .

Ao contrário das manifestações comuns na democracia , ela não se dirige ao governo , mas ao sistema .

É , a rigor , um movimento que clama por reformas radicais ; talvez revolucionárias .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Duas engrenagens  existem e tendem a aproximar, cada vez mais, os movimentos sociais no planeta:

 

1 -  o uso das redes sociais como instrumento de mobilização -

2 - o anseio por mudanças relacionadas às injustiças geradas pela crise global ,

que afeta o sistema capitalista , -

As conseqüências de cada movimento , no entanto , poderão ser distintas ,

considerada a sua localização geográfica .

 

 Enquanto a Primavera Árabe recria instâncias de poder nos países afetados  [ sob uma tênue linha da democracia ] ,

os ocupantes de Wall Street poderão sensibilizar parlamentares e governos a se posicionar

sobre uma agenda social sufocada pelas necessidades de ajuste econômico .

[ E por aqui , continuaremos torcendo pelo time que nos roubar melhor ... ]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                

 

                                                      

 

 

                                                                  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                 E nos envolvendo também .

                                                                              Sem direitismos ou esquerdismos … – apenas sem alienação .

                                                                                                                                                                     Talvez Coerência :    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fy

 

Pesquisa:

Gilberto Rodrigues

Omelete

Irapuan Peixoto

Charlot Bernard  

- Relação com o saber, formação de professores e globalização: questões para a educação hoje. -

http://anarcoblog.wordpress.com/2011/11/30/occupy-the-world-legendas-do-ultimo-post/

29/11/2011

Filosofia 3 – Texto e Poema de Caio Garrido

Filed under: Uncategorized — Fy @ 3:48 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- Mirei na embarcação . 

Uma rajada de vento dificultava a visão .                                       

Na medida dos meus olhos observava o vermelho se espraiando no horizonte …  Tinha dúvidas …

Era como se um punhado de sol esperneasse  antes de cair no fundo do mundo giratório . - 

 

 

Se tomássemos essa visão como bebida ,

ou empunhássemos esse ângulo de observação na mão ,

e se aí pegando , sentindo , encravando a concretude misturada a um abstratismo urgente ,

poderíamos dizer estar diante de uma obra de arte contemporânea .

 

 

Sou um leigo nesta questão .

Tomei contato com a ferida desta arte há pouco tempo .

Julgo que o que me arrebatou desde então

foi a possibilidade de multiplicar sentidos conforme a perspectiva que se vê uma obra de arte .

E a arte contemporânea  ( falo aqui de pinturas e artes plásticas principalmente )  

é feita a partir da perspectiva do autor .  

Toda a ambivalência de sentidos aí provocada é fruto do encontro entre perspectiva do artista e  do  “ apreciador ” .

 

Segundo o Wikipedia ,  “ o belo contemporâneo não busca mais o novo , nem o espanto ,

como as vanguardas da primeira metade deste século :   

propõe o estranhamento ou o questionamento da linguagem e sua leitura . ”

 

Segundo o artista plástico e escritor  Nuno Ramos , a arte existe para   “ furar ” .  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                       

                                           http://www.culturabrasil.com.br/especiais/centenario-cavaquinho-tres-sambas-para-nelson-4/rugas-por-nuno-ramos

 

 

 

 

 

“ Se você pegar a Igreja Católica , o poder católico , não era para ter sido feita a Capela Sistina . Mas foi .   

 

  . . . Alguma coisa na arte parece conseguir pegar o peso mórbido da vida e dar um rolê . ”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                                                                arrisca-se num gesto que é clichê e , também , completamente absurdo .

                                                                                                                                                                                                Esse é um dos desafios – brincar com as certezas e os estranhamentos ,

                                                                                                                                                                                                com os paradoxos da  própria imagem , de uma forma sutil ,

                                                                                                                                                                                                quase imperceptível …

 

 

 

A arte deve ter o poder de crismar ou excomungar um  “ padre ” , expor a fome de um satisfeito , revelar estéticas escondidas na pobreza …

 

 

Mais do que permitir novos sentidos , a arte provoca uma queda de sentidos e permite a capacidade de contemplar .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Proponho aqui uma discussão sobre a apreensão da beleza .

A beleza , que pode ser extraída até da feiúra , está no olhar e na interação .

E sempre sobra um Vazio porque o Desejo quer   “ pegar ”   o   “ objeto ”   e levar consigo .

Mesmo que se leve um objeto , sempre falta …  A insatisfação faz o desejo continuar gotejando …

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TEXTO :

 

Caio Garrido -

  

Caio Garrido é escritor – psicanalista – poeta e baterista  – and a friend of mine .

Além de autor dos livros “Pena que foi Ontem” (Romance, 2010)

e “Poemas auto-escritos em estado de Sonambulovisão” (Poemas, 2011),

tem os seguintes blogues e trabalhos:

 http://psiqueativa.blogspot.com/

http://nucleotavola.com.br/literatura/blog/

http://nucleotavola.com.br/revista/ - (editor associado da Revista Tavola)

http://caiogarrido.blogspot.com/ 

www.musicocontemporaneo.blogspot.com

http://penaquefoiontem.wordpress.com/

 

 

OBSERVAÇÕES :

Donaldo Shüller

Nuno Ramos

Fy

 

GRAVURAS:

Nuno Ramos

Miró

Internet

 

Fy

21/11/2011

Filosofia ? – 2

Filed under: Uncategorized — Fy @ 10:39 AM

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este mundo :

uma monstruosidade de forças , sem início , sem fim ,

uma Firme , brônzea grandeza de força , que não se torna maior , nem menor ,

que não se consome , mas apenas se transmuda , inalteravelmente grande

em seu todo , uma economia sem despesas e perdas , mas também sem

acréscimo , ou rendimento , cercada de   “ nada ” como de seu limite , nada de

evanescente , de desperdiçado , nada de infinitamente extenso ,

                                                                                                                     mas como força determinada posta em um determinado espaço , e não em um espaço

                                                                                                                     que em alguma parte estivesse   “ vazio ” ,

                                                                                                                     mas antes como força por toda a parte

                                                                                                                     como um jogo de forças e ondas de força ao mesmo tempo um e múltiplo ,

                                                                                                                    aqui acumulando-se e ao mesmo tempo ali minguando ,

                                                                                                                   um mar de forças tempestuando e ondulando em si próprias ,

                                                                                                                                                                                                                                        

                                                                                                                 eternamente mudando , eternamente recorrentes , com descomunais anos de retorno ,

                                                                                                                 com uma vazante e enchente de suas configurações ,

                                                                                                                 partindo das mais simples às mais múltiplas ,

                                                                                                                 do mais quieto , mais rígido , mais frio

                                                                                                                 ao mais ardente , mais selvagem , mais contraditório consigo mesmo ,

                                                                                                                 e depois outra vez voltando da plenitude ao simples ,

                                                                                                                 do jogo de contradições de volta ao prazer da consonância ,

                                                                                                                                                                                                                              

                                                                                                                afirmando ainda a si próprio ,

                                                                                                                nessa igualdade de suas trilhas e anos ,

                                                                                                                abençoando a si próprio como aquilo que eternamente tem que retornar ,

                                                                                                                como um vir-a-ser que não conhece nenhuma saciedade , nenhum fastio , nenhum cansaço  ( … )

                                                                                                                Quereis um nome para esse mundo ?

                                                                                                                Uma solução para todos os seus enigmas ?

                                                                                                                Uma luz para todos nós , vós , os mais escondidos , os mais fortes , os mais intrépidos ,

                                                                                                                os mais da meia-noite ?

                                                                                                                – Esse mundo é vontade de potência – e nada além disso !

                                                                                                                E também vós próprios sois essa vontade de potência – e nada além disso!

                                                                                                                 - NIETZSCHE -

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A hora é de avaliar e buscar perspectivas .

 

 

E nesse sentido a primeira constatação a ser evocada é que a  Dança [ e a Vida ]  

ainda  está  sob  a  égide  da  colonização .

 

 

Apesar  de  atrelada  aos  padrões  do  clássico  europeu  ou  do  moderno  norte  americano , 

conseguiu  no  entanto  se  libertar  do  discurso  narrativo  e  linear.

 

Enredo  e  tema  passaram  a  ser  desnecessários 

e  a  dança  assumiu  o  movimento  como  elemento  suficiente 

para  criação  coreográfica e revelação do espetáculo . 

 

 

O  fenômeno  “ mover-se ”  fala  a  despeito  do  dançarino . 

Esse  mover  re-significa  sua  sensibilidade ,  fisicalidade , história de vida , herança cultural e genética

que : somadas ao seu preparo profissional e artístico

resultam num discurso corporal pessoal e intransferível que promove a dança .

 

 

O mundo  contemporâneo  rompeu  com  a precisão  e a  certeza .

Assumiu o  risco ,  a  fragmentação  e  a  incoerência .

 

 

O virtuosismo baseado na perfeição e na aproximação máxima ao padrão estético estabelecido  caiu por  terra .

 

 

O novo desafio não está  em  aparecer  ao outro ,

mas no  reconhecimento de  si próprio ao  se  apresentar para o outro .

 

 

A proposta é um corpo que dança sua presença singular .

 

 

O processo coreográfico busca as possibilidades criativas geradas

a partir de competências corporais territorializadas .

Não  se  trata mais do  corpo universal ,

mas de um  corpo produzido por  funções  e  saberes  locais

e que por isso se reconhece sujeito capaz de uma performance que é única ,

pois responsável por sua única e insubstituível Vida .

 

 

Tudo está em questão:

Quais os elementos que definem uma coreografia ? Qual o papel do coreógrafo ?

É  possível  falar  de  uma  dramaturgia  da  dança ? 

Há  uma  técnica  eficiente  e  segura  para  preparação  do  dançarino ?

 

 

São infinitas as perguntas e não menos infinitos os caminhos

para os pesquisadores da dança se  debruçarem em investigações .

 

 

Certo é que a dança não quer mais se alienar numa estética estéril .

 

 

Para tanto redimensiona o papel  da técnica e do virtuosismo que tanto lhe promoveu

em outros momentos , para traduzir o estranhamento , o  risco e o  acaso .

 

 

Trata de  rever  as dimensões do  corpo ,  sua  expressão ,  limites  e potenciais .

O produto  e o  processo coreográfico  também  foram  reconsiderados .

O papel do coreógrafo , o  sentido da  improvisação , a  formação do dançarino , tudo está em questão .

 

 

Felizmente  a  dança  não  está  mais  segura  e  timidamente  tenta  afrouxar-se  do  sistema  rígido  de  referência .

Está  “ desconstruindo , ou seja , se deslocando do logocentrismo* , no caso o eurocentrismo* .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Repetindo >  Está  “ desconstruindo , ou seja , se deslocando do logocentrismo* , no caso o eurocentrismo* .

Busca  novas conexões com outros conhecimentos , reconhecendo um mundo sem hierarquias estéticas ou culturais .

 

 

Mergulhados  nessas  questões ,  os  pesquisadores  Lúcia Lobato  e  Sérgio Andrade , 

selecionados  pelo  Programa  PIBIC/2006  da  Universidade  Federal  da  Bahia , 

estão  desenvolvendo  a  pesquisa    intitulada :

 “ Identificação  do Princípio  da Desconstrução de  Jacques Derrida  na  coreografia  contemporânea ” 

que  tem  como  campo  de  observação  o  espetáculo  desconstrucionista 

intitulado   “ Obras  de  uma  carta  anônima ”  do

grupo baiano   CoMteMpu´s .

 

 

- Por que Derrida ?

 

 

Porque esse estranhamento que desafia a atual produção coreográfica poderá melhor

ser absorvido à luz do princípio da   “ desconstrução ”   de Derrida e através de alguns de seus indicadores :

como  o deslocamento da cultura de  referência , o diálogo crítico , a ampliação de conexões com outros  saberes ,

a  revelação que questiona a estrutura interna , o fenômeno do afrouxamento ao sistema rígido , o conseqüente

processo de descolonização , o  respeito às diferenças ,

a alteridade e o  reconhecimento do  inconsciente que  fala  “ a despeito de ” .

 

 

Jacques Derrida  foi um dos fundadores do Pós-Estruturalismo

que reuniu pensadores como Bataille ,  Deleuze , Foucault , entre outros .

 

 

O movimento Pós-Estruturalista  inaugura  com Derrida uma  filosofia que ,  

embora atrelada à tradição do pensamento ocidental ,

propõe a ruptura com esta dependência ,

principalmente  no  que  concerne  à  lógica  da  identidade  herdada  de  Aristóteles . 

 

Por    meio  do  princípio  batizado  como  “ desconstrução ” ,

Derrida deu  início  a uma  inovadora  investigação  sobre  a natureza da  tradição metafísica  ocidental .

 

 

Essa  tradição  fundamentava  seu  argumento  em  três  leis :

 

 

1 -  a  lei  da  Identidade  considerando  que  aquilo que é , simplesmente é ;

2 - a da Contradição definindo que nada pode ser e não ser ao mesmo tempo ;

3 - e a  do Excluído determinando que tudo deve ser ou então não ser .

 

 

É obvio que essas leis não admitem que haja  nos fenômenos características como ,

por exemplo :   a complexidade , a auto-presença e a diferença .   

 

 

Esses três princípios sustentaram o positivismo e o espírito da modernidade .

Mas o movimento Pós- Estruturalista  já não  se  contentava em pensar  as  transformações do mundo 

e das  sociedades  em bases  tão  dicotômicas .

 

 

Afinal  “ ser ou não ser ”   já não era uma questão ,

pois os fenômenos já se apresentavam podendo  ser e não ser ao mesmo tempo .

Foram as idéias dos pós-estruturalistas que apontaram para o que viria a ser

um pensamento pós-moderno . 

Nesse  processo ,  as  investigações  de  Derrida  revelaram  que  a  tradição  era  cheia  de  paradoxos . 

 

 

O  interessante ,  no  entanto ,  é  que ,  apesar  desses  resultados ,  Derrida  não  almejou , 

com  a  apresentação  do  princípio  da  desconstrução , 

apontá-lo  como  um  instrumento  eficaz  para  acabar  com  as  contradições .

 

 

Tampouco  se  colocou  imune  e  capaz  de  fugir  às  exigências  da  tradição  a  partir  de  um  sistema  próprio  e  autônomo . 

Ao  contrário ,  reconheceu  que  é  necessário  não  abandonar , 

pelo  menos  temporariamente ,  os  mesmos conceitos considerados insustentáveis .

Não propôs a ruptura , mas redimensionou a função da metafísica tradicional no processo de  descolonização .

 

 

Apontou a necessidade de desconsiderar a cultura de referência ,

introduzindo o valor do  diferente e o discurso do   “ deslocamento ”

Com esse propósito define o princípio da Desconstrução .

 

 

A compreensão dessa categoria filosófica  passa pelo esclarecimento de que não significa ,

nem é empregada pelo autor como sinônimo de destruição ou

demolição de um dado fenômeno ou argumento em sua totalidade .

 

 

Ao contrário, trata-se de desvelar os  reflexos conceituais ,

as seqüências e associações de idéias que precedem e condicionam os pensamentos ,  

operando > como o inconsciente que fala >  “ a despeito de ”  . 

 

 

Podemos inferir que a desconstrução , tal qual proposta ,

é um processo de revelação que questiona a   “ estrutura  interna ”  do  discurso , 

descobrindo  o  sintoma  do  campo  cognitivo  que  ele  chama  de  “ logocentrismo ” .

 

 

Ou seja, a desconstrução seria uma forma de diálogo crítico .

Mas não seria uma crítica para  reverter  à  oposição ,  mas  sim  para  deslocá-la  do  “ logocentrismo ” , 

afrouxando-a  do  sistema  rígido  de  referência  que  restringe  a  compreensão 

e  não  amplia  novas  conexões  de  conhecimento .

 

 

A  desconstrução  propõe um olhar ampliado e contínuo ,

ao  invés da observação do  fenômeno  localizado e  isolado .

Por essa  razão  não  se  limitou  aos  instrumentos  disponíveis  na  filosofia  tradicional , 

pois  busca  a  pluralização  e  a  adjetivação dos atributos em vez da fixação e substantivação . 

 

 

Trazendo  o  argumento  exposto  para  o  nosso  campo  de  reflexão , 

é  possível  inferir  que  o  principal  desafio da dança contemporânea

que nas diferentes conjunturas históricas  sempre esteve homogeneizada e

modelada  nas  estéticas  dominantes  das  hierarquias  do  poder  tradicional  é  :

exatamente  distender-se  desses  códigos  encarnados

através  da  expansão  e  absorção  de  suas  próprias  realidades 

e  diversidades  étnicas  e  culturais , embora ainda distantes .

 

 

Trata-se  de  enfrentar  as  históricas  estruturas  de  poder . 

Vencer este desafio exige enfrentar os preconceitos

e o caráter elitista de nossa colonização de origem  escravista que 

sempre desprezou  e  inferiorizou   nossas práticas  espetaculares .

 

 

Só vencendo nossos medos  civilizatórios e desconstruindo a estética colonizadora , 

imposta como ” padrão de valor  superior ”  ,

poderemos  vir a descobrir a riqueza e diversidade de nossas danças .  - e de nossas Vidas  - 

 

 

 

 

 

 

 

Bibliografia:

 

Derrida , Jacques- Gramatologia

Geertz , Clifford – O Saber Local , Novos Ensaios em Antropologia Interpretativa .

Johnson , Christopher – Derrida , A cena da escritura , São Paulo , UNESP , 2001 .

Lechte , John – Cinqüenta pensadores contemporâneos essenciais : do estruturalismo à pós-modernidade .

 Eliana Rodrigues Silva  – Dança e Pós Modernidade . Salvador , editora da Universidade Federal da Bahia –  EDUFBA , 2005 .

 

 

 

Ilustração:

STEVEN  MEISEL :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fy

 

 

 

 

 

04/11/2011

Filosofia ? – 1

Filed under: Uncategorized — Fy @ 2:38 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este post é uma pequena homenagem ao inigualável   Marques Patrocínio  ,  Alice Valente  , Steven Miesel e sua arte-fotografia ,

e sobretudo ao   Grupo Corpo , esta  “surpreendência” brasileira ,  que  atravessa o mundo , sob intensos aplausos e exclamações :

With its fast footwork and dynamic Brazilian rhythms ,

Ongotô sets out to explore a monumental theme – that of humanity’s place within the vastness of the universe.

Edinburgh International Festival 2010
Grupo Corpo – Ongoto

 

levando nossa arte e sensibilidade , através do maravilhoso trabalho dos irmãos Pederneiras . 

E , claro uma Homenagem à Filosofia e à Dança como Arte .

Mas além de homenagem , um agradecimento ao tio Guz , – que perfazendo um contorno contínuamente em expansão –  ,

brilha neste  meu crescente festival de Vida e , claro , de Amigos : devires-água no meu existir .

“ Como essa escrita é atravessada por muitas forças , para nomeá-las

demandaria um delicado trabalho cartográfico , mas algumas , por sua intensidade ,

não poderiam faltar no traçado afetivo desse mapa de gratidão . “

Porque por aqui  Arte é  Vida  e Vida : Conhecimento :  um eterno e mutante devir .

Fy

 

 

 

 

28/10/2011

O sétimo filho do sétimo filho está dentro de nós – por Billy Shears

Filed under: Uncategorized — Fy @ 9:44 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há muitas estórias sobre a lenda do    sétimo filho do sétimo filho  . 

Na Inglaterra diz-se que esta figura terá poderes mágicos ;

- na metáfora construída pelos autores dos versos acima , ele encarna a figura de um libertador .

Fica difícil ler sobre esta lenda e não lembrar do mito do   Sebastianismo , criado por nossos irmãos lusitanos .

As vicissitudes do agora serão quebradas pela intervenção de alguém: no futuro , 

que restabelecerá a verdade e fará a justiça , trará a cura para vários males ou libertará um povo .

 

 

 Aqui em terra brasilis , durante muito tempo cultivamos a figura do   “ salvador da pátria ” ,

aquele que faria o Brasil deixar de ser o país do futuro e dar o grande salto adiante .

Parece que é comum à humanidade cultivar este tipo de mito , colocando sobre as costas de um outro ,

em um tempo futuro , as mudanças que devemos , nós , fazermos agora .

Por que isto acontece ?

 

 

Será que é por que nós tendemos a supervalorizar

a participação de outras pessoas sobre as dificuldades que encontramos pelo caminho ?

Um exemplo disto é quando estamos às voltas com determinadas situações de competitividade

em que somos levados a pensar :

“ Ah o outro é o inimigo , pensa diferente , quer nos fazer mal , têm interesses que se conflituam com os nossos ” ; pensamos nós .

 

 

E se estivermos certos ?  E realmente exista alguém que , por um ou outro motivo , nos quer mal .

 

 

Mas a saída é odiá-lo ?

 

 

Refletindo com cuidado , vejo que não .

O mestre Yoda vários pensamentos sobre este tema tem . . . rsrs . . .. .

Percebi , na prática , que o sábio Jedi acerta em cheio ;

o ódio nos cega para aquilo que temos dentro de nós e só nos faz ver aquilo que o outro tem de ruim .

Assim , vamos nos tornando piores , à medida em que combatemos o outro com raiva .

Não enxergamos que  “ a força ”  está dentro de nós ; 

- quando a sentimos , as coisas se esclarecem , o inimigo é fraco e por isso nos ataca e ao revidarmos mostramos a ele a nossa fraqueza .

 

 

Apesar da linha que divide a justiça da vingança ser tênue ,

sendo justos venceremos aqueles que se colocarem como nossos antagonistas ;  por outro lado ,

sendo vingativos os convidamos mais e mais a nos atacar .

Ser justo não é ser bom , nem mau .

A virtude está na justiça , assim como o vício está na vingança .

 

 

Mas o que este exemplo tem a ver com o mito do libertador futuro ?

É que a sociedade tem muito em seu bojo o que cada indivíduo carrega em seu interior .

Como ?   O que significa isso que eu falei ?   Explico – ou pelo menos tento…rsrs - 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na mesma medida em que projetamos o mal no outro

e não vemos que ele pode estar presente em nós também . 

A sociedade parece não enxergar que é ela que deve lidar com os males do agora

e que esperar por um salvador que a liberte do atual estado de coisas produz conformismo e inação ,

favorecendo aqueles que possuem as chaves das correntes .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eis a chave :  a razão e a ação ; ou a ação guiada pela razão .

Não uma razão fria , irmã da crueldade ,

mas uma razão com a sensibilidade de conhecer o que temos dentro de nós ,

o que nos anima como indivíduo , uma razão justa .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não existe utopia , existe o Fazer , existe o Agora ! 

 

 

 

 

 

 

Pra descontrair : Se algum engraçadinho for ao show do TFF e pedir para eles tocarem Raul , com certeza eles irão tocar , mas não será Raul Seixas .

RAUUULL !

RAUUUL !

RAUUUL !   HE HE HE HE HE

 

Billy Shears

 

 

 

24/10/2011

Paris for your sunday night

Filed under: Uncategorized — Fy @ 6:18 AM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                                        

 

 

 

 

Outro dia , comentei num post do Anarco , sobre a Felicidade .

Pois é ,  … Wonder/Land  -  Nowhere/Land …  -  In- a- Moment/Land  … Impossible/Land… 

– cada um : cada um .

 

 

Talvez …  , “feliz”  seja  território paradoxal , que vai revelando camadas sucessivas de interpretação ,

abrigando  metamorfoses  que se desdobram e ondeiam na eloquência do dizível ,

aquele …  que nunca morre  de frio ou em uma história que não existe .

Talvez…  seja feita pra quem abre mão de super-poderes . . .

pra quem abre mão do adiado e fantástico   fascínio de viver em histórias que não existem .

Ou percebam que o eterno e a ficção não precisam tanto  de amigos . Nem as paredes .

 

 

Eu penso que a felicidade exige um certo treino .

Uma tremenda coragem e alguma coisa assim . . .   como  uma   curiosidade sem-fim .

Uma importância urgente de estar no mundo e perceber o que é que o mundo tem .

 

 

Vôos , mergulhos , alegrias , tristezas , esperas , abraços , amores ,

perguntas , saudades ,  entregas , exigências, opiniões e ar . Muito ar.

 

 

Felicidade é ser .   Estar . A ousadia de estar  . Em cada busca , em cada encontro , em cada dúvida .

Não é rir à toa .      É rir : É emocionar-se .

Talvez… seja simplesmente :    perceber  .

 

Poizé,

e eu ,  - que já me conformei com o amor , que derepente ,  a chuva passou a sentir pelos meus finais de semana ,

resolvi retribuir-lhe  toooodo este carinho  , com todos os filmes, acolchoados , bis ,  

salgadinhos  e boas companhias ,  

… e nós duas , unidas por esta paixão insisteeeeeente  não podíamos deixar de recomendar ,  ah . . .  o melhor  ,

ou um dos melhores  momentos do Woody Allen e , claro . . . o melhor vinho .

 

 

Gênio , gênio e mais gênio , que  , com toda a simplicidade sofisticada dos gênios  ,

” genialmente “  desprovida de apelações escalafobéticas ,  clichês apocalípticos ,

efeitos esquizofrêncios , ou defasados  espantos cósmicos . . .  ,  

traz  uma mensagem fascinante , verdadeira , sobre a importância dos nossos sonhos ,

nossas singularidades  e a  força de nossas atitudes em direção à Felicidade .

 

 

Uma angústia inexplicável , –  uma esquina  [ em Paris ,  in its total & bewitching  of course...  ] ,

 um convite

e um táxi  que brinca com o tempo , com as imagens ,  com a metade da noite ,

 com os sonhos e com a distância inexistente entre o que somos , o que desejamos . . . e nossa realidade .

Tudo isso em um  conto de fadas . . . pra pessoas de bom gosto .

Se ainda não viu , – ah … não perca  não !

 

- be my guest … -  and  Voilà :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

por  Vinicius Carlos Vieira :

 

 

 

Woody Allen é um cara apaixonado .

 

 

Por seus filmes , por suas mulheres ,

pelas cidades em que passa e , mais que tudo , pelo cinema ,

só isso explica o quanto Meia Noite em Paris é deliciosamente apaixonante .

 

 

 

 

 

E talvez seja essa mesma paixão que mova o cineasta novaiorquino

a começar seu novo filme deslumbrado pelas belezas da capital francesa ,

trocando o fundo preto e os créditos iniciais por um verdadeiro tour pela Cidade Luz ,

como se tivesse a necessidade de se redimir da injustiça

de não conseguir mostrar tudo aquilo durante seu filme .

Ou simplesmente para convidar seu espectador a se apaixonar por aquela cidade ,

como ele parece ter se apaixonado e , consequentemente , seu protagonista .

 

 

A bola da vez agora de interpretar a  “ persona ”  de Allen é responsabilidade de Owen Wilson , que vive Gil ,

um roteirista de Hollywood que vai à Paris com a noiva e os sogros e acaba descobrindo uma nova cidade . . .

depois … das badaladas do início da madrugada.

 

 

Na verdade , é esse casal que Woody  prefere apresentar durante os créditos iniciais , ao invés de seu jazz tradicional .

Ele romântico , . . . tentando escapar do marasmo artístico dos roteiros descartáveis e escrever seu primeiro romance ,

inspirado por tudo que Paris representa  ( e representou ) , -

enquanto ela , vivida por Rachel McAdams , prefere não enxergar nada disso ,

sem conseguir entender qual a obsessão do namorado  por aquela cidade  ( e  pela . . . chuva ) .

 

 

Meia Noite em Paris é então uma história de amor ,-  entre Gil , Woody Allen  ( – o espectador )   . . . e Paris ,

talvez no sentido figurado ,   – e o mais provavel é que  não :

 já que o diretor não se esconde por trás de nenhum simbolismo ou metáfora

para levar seu personagem em uma viagem no tempo de volta à Idade de Ouro dessa cidade ,

durante a década de 20 , cheia de escritores , artistas e personalidades  que , 

não sem exagero , deram o ponta-pé inicial

para muito do que hoje existe em termos de arte .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Woody Allen então convida seu espectador a participar dessa deliciosa viagem , 

pela boemia da Cidade Luz na companhia dessa grande festa onde  personagens  famosos

e verdadeiras homenagens  dão uma vida enorme a seu filme

e parecem dar as caras :  como um enorme playground de referências .

 

 

É impossível não saborear cada linha de diálogo entre Gil e um Ernest Hemingway  -

[ ha ha ha : simplesmente genial ! ]    :

                                                                                                                                                                                                                                                                             

 

 

 

 

 

 

Carey Stoll , que na TV é um dos protagonistas da série Lei e Ordem LA  - 

com cara de bêbado suicida ,

pessimista , galanteador , tétrico e obcecado por sua espingarda de caça .

 

 

 

 

 

 

Meia Noite em Paris não se esconde porá trás de um lado  “ pseudo-intelectual ” ,

que nesse caso é irritantemente representado pelo personagem de Michael Sheen  ( sempre ótimo ) ,

amigo de faculdade da noiva de Gil e ,  aparentemente . . .   

capaz de ser expert em todo e qualquer assunto que exista no mundo .

Na realidade Sheen é talvez a mola central dessa artimanha de Allen

para criar mais ainda esse protagonista simpático ,  já que todos a sua volta , aos poucos , . . . se tornam insuportáveis ,

. . . vazios e céticos , incapazes de viver essas experiências   (  ou se deixarem viver por elas )  .

 

 

É   lógico que Woody Allen faz disso um instrumento , uma arma até ,

contra todos que ainda dão mais valor a uma enciclopédia

do que a vontade de viver essas novas experiências .

 

 

Mais ainda . . .  –  reafirmando-se  nesse   “ tour mundial ”   que vem fazendo ,

saindo de seu habitat em Manhattan , para que seu cinema experimente novos ares ,

da misteriosa Londres em : “Match-Point” ,

da  “ caliente ”   Espanha em :   “ Vicky Christina Barcelona ”  [ inesquecível ! ]  

e agora . . .   toda a poesia de Paris .

 

 

Assim como seu protagonista   ( ou o contrário )  Woody  Allen parece à procura de viver essas experiências

e não de falar sobre elas como se as tivesse lido em um livro ,

e isso é imprescindível para que   “  Midnight in Paris   ”   seja essa experiência tão apaixonante ,

já que é  tão  fácil se sentir como um companheiro de viagem do diretor ,  nessa  louca viagem .

 

 

Mas Allen não se perde nessa paixão ,

Meia Noite em Paris   ainda é ,  sobretudo ,   um   “ filme de Woody Allen ”  ,

com um protagonista frágil , pragmático , preso em um mundo que parece não aceitá-lo ,

mas sem medo de deixar suas opiniões ácidas vazarem por grandes planos de diálogos .

 

 

Também  permite que ele viva essa história de amor fora de época

com uma espécie de  “ musa inspiradora ”   ( a linda Marion Cotillard )  

de um trio de pintores   ( Modigliani , Braque e Picasso ) dos quais foi amante .

 

 

Por outro lado ,   essa   “ viagem no tempo ”   dá ainda a chance de  Woody Allen zombar

da cadeira de vinte mil dólares no presente , ao mesmo tempo em que

se permite ver um quadro de Matisse sendo vendido por quinhentos francos ,

- esse tipo único de ironia que sempre se perpetua pela filmografia do diretor

e acaba sendo uma verdadeira válvula de escape

para que ele possa remexer em mais um monte de assuntos pertinentes .

 

 

 

 

. . .   Ou você não percebeu que a família da noiva vai , em plena Paris ,

ver uma comédia descartável de Hollywood ,

cujos nomes dos atores nem ao menos são lembrados .

E talvez seja isso que Allen mais tenta em sua carreira : 

mostrar que nem tudo precisa ser descartável para fazer sucesso e ser popular .

 

 

Infelizmente , uma discussão que Woody Allen talvez perca ,

já que na maioria das vezes seus filmes

ainda acabem caminhando apenas na borda deste sucesso ,

o que talvez o faça se sentir como seu personagem , 

na divertida conversa com o trio formado por Man Ray ,

Salvador Dali  : um Adrian Brody incrivelmente interessante ,

como todo resto do elenco , –  e Luis Buñuel   ( que depois … , em outro momento ,

ainda ganha  “ de brinde ”  o ponto de partida para seu Anjo Exterminador ,

mesmo sem entender :  -  “ por que eles não conseguem sair daquele lugar ! ”  ) - ,

onde a verdade acaba se perdendo de modo surrealista

entre significados existenciais e rinocerontes .

Como se : mesmo tentando mostrar o que fazer ,     . . . sempre alguém acabe  “ lendo demais ”  algo , 

 . . . que é só feito para ser sentido . [ ! ]

 

 

 

 

E é  então que se percebe que Meia Noite em Paris não quer ser simbólico , metafórico , surrealista  

ou   . . .   cheio de leituras   ( como eu já citei )  ,

mas sim :  só  quer   contar   essa   história ,

juntar esses personagens nessa história de amor e , no final das contas ,

ter a certeza de que o presente sempre parece insuficiente para quem não tem limites para sonhar

e às vezes perceber   . . .  que a única coisa necessária é :   esse momento de chuva sobre Paris .

que . . .   ( realmente )  acaba deixando-a muito mais bonita .

 

 

 

 

E essa impressão . . . , só consegue ser passada realmente por um gênio como Woody Allen que ,

decididamente , é um cara apaixonado , … e  mais que qualquer coisa , apaixonado  pelo cinema .

 

 

 

 

 

 

Escolhi a crítica do Vinicius Carlos Vieira – mas a do Pablo  está genial  e a do Omelete também.

E mais um achado , uma coisa incrível que o Renato achou pra nós :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Fy

 

 

 

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